PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sábado, 2 de abril de 2016

[Oficina] Crónica | Kissungos

Texto de Catarina Fortunato Linda

Lobito 1997. Fazia sol numa manhã fria, onde a alegria nos aquecia. Bellamie acabava de me contar do convite do tio Simonal para irmos a Benguela de comboio. Obaaaaaa!, gritei eufórica, hoje é hoje!!!... Bella sorria como só ela sabia. Para ela, eu era uma “maluca”.

Em poucos segundos, lá íamos nós de mãos dadas, abraçadas ao tio Simonal, contando humoristicamente as nossas experiências do dia -dia. E ele sorria olhando para nós com orgulho e muito agradecimento. Nem desconfiava do nosso plano de o desfalcarmos durante a viagem…



Vamos todos na carruagem, especial dizia ele. Não, nós vamos na normal, queremos poupar dinheiro para comprar qualquer coisa na Catumbela. Deixem disso, eu pago o que vocês quiserem!!! Bella piscava para mim, e eu gargalhava.

Sinal de partida e fazia-se silencio. Olhávamos obcecadamente para o verde infindável da paisagem. Minutos depois comentávamos cada maravilha, tentando comparar com cada cena vivida na nossa Nguimbi (Luanda).

A nossa paragem preferida era a estação da Catumbela. Música para os nossos ouvidos era o pregão das mamãs que vendiam frutas, cana-de-açúcar, galinhas, a preços exageradamente baixos. Enlouquecíamos com a diversidade dos produtos. O tio repetia aos gritos, não demorem senão vão ficar!, enquanto tirava a maçaroca quentinha do fogareiro. Às vezes negávamos as esquebras porque não tínhamos como carregar. Comprava eu milho, manga, banana... Ái, as bananas do vale do cavaco… A Bella só comprava cana, mais cana, cana rosa...e me avisava, é melhor comprar também cana; senão vais chupar os meus kissungos (a parte menos doce)! Oh, mana, depois é só trocarmos. E o apito soava, berrando a hora de partida

Bella tinha de me pagar para eu controlar o guarda enquanto ela degustava uma cana-de-açúcar, pois era proibido mastigar cana na carruagem especial.

E Simonal sorria, reconhecendo na Bella semelhanças da avó Filipa, que também era viciada em cana-de-açúcar.

1 comentário:

MOVIMENTO LITERÁRIO VIANENSE disse...

Textos Criativos! Parabéns Cronista.