PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 26 de abril de 2015

Cartoon de autor desconhecido

Vagas para professores de inglês no IFAL

O Instituto de Formação da Administração Local (IFAL) está a recrutar formadores de Língua Inglesa para leccionarem no seu Centro de Excelência de Língua. Os candidatos seleccionados e aprovados, depois de prestarem prova de capacidade, terão uma formação intensiva de 540 horas ministrada pela equipa de formadores da British Council (BC), em Luanda. O Centro de Excelência de Língua (CELI), criado recentemente, conta com o apoio da Britsh Council e será implantado em todos Centros Regionais.

Conforme publicado pelo Novo Jornal, edição N.º 377 - 24/04/15. Pág. 6

Citação

“No brasil, o crescimento do mercado do leitorado está crescendo, igual rabo de cavalo, para baixo. Ele cresce em quantidade, não em qualidade. Cresce a venda dos didácticos, cresce a venda de auto-ajuda, cresce a venda de bestseller. Isso aí, há um crescimento real. Mas a boa literatura, ela, está encolhendo cada vez mais.” - Raimundo Gadelha, editor brasileiro, entrevistado pelo programa de TV Entrelinhas (reportagem sobre o preço do livro, disponível no YouTube)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Diário | Da nossa mania estranha de celebrar reencontros

(Uma funcionária, um cliente)
"Dany!!!"

"Ya!!!"
"Passei a primeira vez, eu falei: é mesmo ele?"
"Te cumprimentei no outro dia, não me reconheceste, acho."
"É muito tempo. Até já estás mano."
"Sim, uns 10 anos quase."
(A distância tem esse poder de incentivar intimidades, de conhecidos nunca passaram. E ao longe na esplanada...)

"Dany, nunca me pagaste lá nada. Paga ainda uma gasosa."

(O cliente sorri e anui, sem estar de acordo. Nem se coloca a ideia de manifestar o que acha desta mania que já caminha para cultural, isso de viver pendurado no bolso alheio. Ainda podem pensar que não pertence a esta sociedade. Já agora, você que está a ler, me paga só saldo, ya? Não é assim que celebrámos os reencontros?)

Gociante Patissa, Lobito 22.04.15

PS: Assim como ter deficiência habilita em certos casos a passar a pedinte, ser mulher dá elegibilidade para o "me paga lá só isso". De tanto que a nossa sociedade tolera (promove?), e considerando a diversidade étnica que caracteriza o país, parece estranho que não se fale de uma região do país onde tal parasitismo seja social e activamente reprovável. Talvez seja mesmo mais do que simples tendência.

Um lugar para ti

Um lugar para ti

Estavam ali dois lugares
hoje mesmo
ao regalo da sombra
como quem algo quer contar
a curtos passos do mar
um para mim

outro pensei guardá-lo
para quando voltares
para brincarmos
ao baloiço
como as ondas salgadas
de lado as idades
a vocação da autoridade
brincar mesmo 
como fazem os amigos

ao país, inclusive
o que não te permitiste
nem a ti nem aos teus
oh, o tempo é outro
já se brinca, velho
já.

Este lugar que achei
guardo-o para ti
para brincarmos
às tuas certezas
onde tudo é permitido
será que te encaixas?
Bom, isso já é problema teu.

Gociante Patissa, Restinga do Lobito, 22 Abril 2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Por aqui passou a dona chuva (Caota, Benguela, 20.04.15)

Amigo da escola (Modelo anónimo. Caota, Benguela, 20.04.15)

Em Benguela | Aberta feira para saudar o Dia Mundial do Livro

Graciano Catumbela (esq.) e expositora
Cerca de mil títulos estão a ser comercializados a partir de hoje no Largo D’África, na cidade de Benguela, onde decorre a feira por ocasião do Dia Mundial do Livro, que se comemora no próximo dia 23 de Abril. Sob organização do Movimento Shalom, ligado à igreja Católica, em colaboração com a Direcção Provincial da Cultura, o evento tem a duração de três dias e aproxima livrarias locais e o público leitor, variando os preços entre os quinhentos e os 10 mil kwanzas.

Fundado na Itália em 1974, o Movimento Shalom abriu a sua representação na província de Benguela em 2010. O incentivo aos hábitos de leitura faz parte das suas linhas de acção, a par do evangelho, do compromisso com a promoção da educação e o fortalecimento de princípios morais na sociedade, segundo revelou o responsável da Organização, Graciano Catumbela.
  
«Eu, como estou a seguir medicina natural, estou sempre atento, procuro comprar livros da minha área quando há uma feira», contou-nos um cidadão que preferiu ser tratado apenas por Paulo.

Instituído pela UNESCO em 1996, o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril, tem a sua essência no facto de coincidir com a data de falecimento de grandes nomes da literatura mundial, entre os quais Cervantes e Shakespeare. Conta-se ainda que a efeméride teve origem na Catalunha, Espanha onde, neste dia dedicado a São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro.
Gociante Patissa, Benguela 20.04.15

sábado, 18 de abril de 2015

Diário | Um lado pedagógico na política comercial

Visando um pequeno upgrade no que se refere à máquina fotográfica, pois já se impunha passar da Nikon D3100 (que me fora ofertada, adquiri na representante oficial da daquela marca japonesa, localizada no centro de Londres, um modelo com pujança maior. Ao fazê-lo, fui inscrito como membro do clube de utentes de Nikon, o que dá direito a sessões de palestras, oficinas e socialização com renomados fotógrafos. Infelizmente, o facto de viver tão distante exclui-me de tamanhas vantagens, mas nem tudo está perdido. Resta ainda o direito de receber trimestralmente a revista "Nikon Owner", quer pelos correios, quer pelo formato digital, válido por um ano e renovável. É claro que faz parte da estratégia de marketing, mas é também claro que a revista dá importantes dicas técnicas, não apenas com novidades em máquinas e lentes, mas também com espaço de interacção dos utentes com peritos, bem como a legenda de inspiradoras imagens com os respectivos parâmetros de exposição. É negócio, sim, mas formação contínua também. Assim, sim.

Crónica | Inglaterra ou América, o confronto de confortos para turista estudioso da língua inglesa


Passei recentemente uma semana no Reino Unido. Fiquei em Hemel, a 25 minutos de carro de Londres, que visitei umas três vezes. Saí várias vezes para Watford, que dista menos de meia hora de carro.

O bilhete de avião é caro, mas é um investimento útil, tendo em conta que a língua é uma questão de uso e prática, de outro modo me arrisco a congelar no subconsciente os quatro anos de universidade na licenciatura em Linguística, especialidade de Inglês. Daí que de vez em quando "salte" a fronteira para uns dias na Namíbia.

Durante a intensa semana na Inglaterra, visitei de máquina fotográfica em punho lojas (das pequenas às grandes superfícies comerciais), jardim zoológico, hospital, frequentei o metrô subterrâneo, etc. Para a minha grata surpresa, não senti aquele aparatoso espectro de insegurança que se verifica nos EUA, onde em 2010 gozei um mês a convite do Departamento de Estado, no âmbito do programa de intercâmbio Líderes Juvenis Visitantes Internacionais, com uma semana em cada Estado: Washington DC, Portland-Oregon, Salt Lake-Utah e Miami-Florida.

Longe de mim fazer apologia à negligência na luta contra o terrorismo, acredito que os ingleses terão é outros métodos de vigilância, permitindo um equilíbrio com o direito dos seus cidadãos e estrangeiros a uma maior sensação de conforto. É este diferencial que torna a visita à Inglaterra mais prazerosa, pelo menos para pessoas não acostumadas a redundantes submissões a detectores de metais e aquele tira cinto, põe cinto, abre axilas, deita fora a comida, no típico tom autoritário americano.

Do ponto de vista da comunicação, que é afinal o que move um estudioso, sou partidário do Inglês americano (fora a linguagem do gueto, a do RAP). Gosto da clareza na articulação, da liberdade em pronunciar o /r/, da musicalidade. É um conforto que não se tem na dicção dos ingleses, que à primeira vista falam como se não quisessem ser percebidos, o que remete visitantes aos constantes “pardon”, “say again?”

A minha relação com o Inglês data de 1993, meses antes do 15.º aniversário, quando se despertou a meta de emigrar em busca de melhores condições de formação, o que nunca se realizou, literalmente falando. Seguiram-se anos de muita leitura e exercícios de diálogo, inicialmente com ajuda do Paulino Sõi (primo-irmão materno de primos-irmãos paternos meus), do bairro da Pomba no Lobito, que dista provavelmente uns 10 Km do bairro Santa Cruz, onde morava eu, ligação que fazia quase sempre a pé, muitas vezes só com água no estômago. Nesta época o país enfrentava uma penúria alimentar brutal, resultante do reacender da guerra civil pelo fracasso eleitoral de 1992.

O Paulino tinha já livros e uma monumental paciência que me permitia passar longas horas no seu habitáculo a transcrever vocábulos e expressões. Ao mesmo tempo, a fim de resgatar o televisor, retido em casa do mestre, passei a vender estátuas de madeira lá de casa a capacetes azúis britânicos da ONU e com isso praticar com falantes nativos.

O domínio do Inglês tem sido tão determinante na minha afirmação, como o têm sido a educação de berço e a mente criativa. Acredito que a língua de Shakespeare já me compensou com o que de melhor podia – como digo a brincar –, o que inclui ter amado, sonhar, bem como traduzir reuniões comunitárias directamente para Umbundu.

Gociante Patissa, Benguela, 18 de Abril de 2015

Um investimento chamado preservar os espaços para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes, um exemplo a "cabular" aos ingleses — em London, United Kingdom.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Posso só descansar um pouco, chefe?

Impressão digital | Circo das vaidades

Por José dos Santos, director do jornal «A Capital», edição n.º 640, Luanda, 04/04/15

Quando decidi abraçar o jornalismo, admirava algumas pessoas que já há muito labutavam na profissão. Tanto pela forma de escrita – muita criatividade -, assim como por aquilo que representavam ser. Gente idónea e, por via disso, verdadeiros exemplos a seguir. Passaram-se os anos e, confesso, vi-me defraudado com algumas pessoas, jornalistas, no caso, que muito admirava. Não porque deixaram de encantar-me com os seus escritos, mas, sobretudo, porque passei a reconhecer em muito deles uma outra faceta: um exacerbado narcisismo.

Deixei completamente de os ver como exemplos a seguir, apesar das referências. Passei, por isso, a colocar-me a milhas de distância, mal os avistasse. A luz que brilhava no horizonte não era, afinal, o ouro que se imaginava. Era apenas uma miragem...

Compreendi com os anos que há por aí gente jornalista que continua a padecer (sempre foi assim, encapuzavam-se) de um narcisismo patológico e que parece piorar com o avançar do tempo. É o narcisismo jornalístico de que me refiro, um conceito que pode servir para caracterizar um profissional do ramo que, sem pejo nenhum – qual Narciso – admira de forma exagerada só a sua própria criação.

Em busca do protagonismo só para si, entende que o seu jornalismo está acima dos demais. Por isso, nutre uma paixão pelo individualismo numa tresloucada busca pela sua auto-afirmação. Só assim consegue os seus objectivos. Egocêntrico, quer ser sempre o centro das atenções. É assim que se estabiliza emocionalmente, tal é a necessidade de exposição, mesmo diante de um trabalho não raras vezes corriqueiro.

Inspirar pólen, expirar perfume, abelha queria eu ser

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ecografia | O APITO QUE NÃO SE OUVIU (crónicas bwé de um bloguista)

N.º de páginas: 100
Editora: A revelar brevemente 
Ano para publicação: o corrente 
Extracto da nota do autor (pág. 13): «Estão, portanto, reunidos neste projecto textos que assinalam o oitavo aniversário de um blog apaixonado, claro está, com o devido labor para o livro. Estão datadas e situadas as crónicas, mas a ordem cronológica não foi para já o critério.»

Diário | Cada vez mais perto do título de "mestre em ciências tentadas"

Da última vez que contactei a administração da CESPU Benguela, onde me inscrevi há dois anos para, inicialmente, fazer a pós-graduação com acesso ao mestrado em ciências da comunicação, voltei a voltar para a casa (pleonasmo propositado) com mais um "quase". Segundo soube, até final de Abril já se terá uma fotografia mais clara quanto ao surgimento do número mínimo de candidatos que justifiquem o arranque de um curso naquela instituição de formação semi-presencial parceira de universidades e docentes portugueses. A correr pelo melhor, volto a estudar ainda este ano. Neste caso, estando fora de hipóteses o de ciências da comunicação, a consolação seria o de Gestão Estratégica de Recursos Humanos, que também não arrancou o ano passado pelas mesmas razões, propina mensal um tanto elevada (acima de Usd 600). Oba! "Anyway, I should not get my hopes up", é melhor não elevar a fasquia das expectativas, como bem diriam os falantes de inglês. Disse-me certa vez uma pessoa próxima que eu reclamava de barriga cheia, que muitos jovens sentir-se-iam realizados com metade do que tenho conseguido alcançar. Talvez faça sentido noutra lógica que não a de gente que nasceu com o bicho de nunca se conformar. Não podendo largar o emprego (a única fonte de sobrevivência) nem tendo por aí um sobrenome traduzível em folgada bolsa para o exterior do país, não nego uma certa frustração pelo lado da realização profissional. Sim, a qualificação em ciências da comunicação (com especialização em comunicação institucional) é tudo o que desejava para, final e formalmente, ter uma profissão no sentido de valorar todos estes anos de experiência que junta prática e auto-didactismo com "o verbo". Por tudo isto, acho até que já não era sem tempo que o ministério do ensino superior me outorgasse o título de "mestre em ciências tentadas".
Gociante Patissa, Benguela, 15.04.15

Olonjinji vifenyã onelehõ / As formigas têm o vício das flores / Ants are flower addicted

terça-feira, 14 de abril de 2015

Just a few questions

(1) Quando um cristão, pelas antenas dos nossos constitucionalmente laicos órgãos de comunicação social (públicos), veicula coisas como "nenhum Deus é maior que o nosso", tenciona dizer que o Deus dos outros pode eventualmente ser menor, ou que aos Deuses não se olha o tamanho?
(2) O quadro que justificou a concessão de privilegiados espaços de antena para adoração na televisão pública angolana às igrejas Católica (domingo) e Metodista (sábado) continua actual? O princípio da igualdade de circunstâncias não se aplica, considerando haver outras igrejas, também elas legais, com tradição e representatividade? 
Vamos ao debate.

Diário | Ainda a nossa comunicação social e uso indevido de fotografias de autoria alheia: Jornal dos Desportos passa vergonha

Que ao menos sirva de lição para profissionais de informação que fazem carreira usando e abusando de fotografias da autoria de outrem como se de suas se tratassem. Não é pelo facto de a fotografia estar disponível na Internet que se alienam os direitos dos respectivos autores. 
(Fonte do recorte: AF-Angola, página dos amigos da fotografia)

Universidade de Lisboa e União dos Escritores Angolanos organizam volume «Angola 40 anos de literatura»

Ler texto inteiro do Jornal O País
Extractos: 
«Esta publicação, resultante de uma parceria com a Universidade de Lisboa, pretende reflectir sobre a identidade de uma literatura que se constituiu na diversidade de géneros e registos literários ao longo dos 40 anos. 
(...) 
Apresentando-se como um volume comemorativo, pretende avaliar conteúdos de índole científica e ensaística a registos (testemunhos e entrevistas) inéditos de mais de 40 escritores angolanos. Conta com conteúdos editoriais de Margarida Gil dos Reis e Inocência Mata, ensaios de Ana Paula Tavares, Laura Padilha, Pires Laranjeira, Manuel Muanza, António Quino, Luís Kandjimbo e Inocência Mata. 
(...) 
A longa lista prossegue com Fragata de Morais, Gociante Patissa, Hendrick Vaal Neto, Isabel Ferreira, Jacques dos Santos, João Maimona, João Melo, João Tala, Joh Bella, Jorge Arrimar, Kanguimbo Ananás, Lopito Feijo, Luís Fernando, Manuel dos Santos Lima, Paula Tavares, Ras Nguimba N´gola, Sousa Jamba e Trajanno. Trata-se de uma bibliografia crítica sobre a Literatura Angolana.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Diário | Os mandatos e o descrédito

A polémica recente sobre a expiração do mandato da direcção do Conselho Nacional de Comunicação Social (CNCS), que já soma para aí seis anos, vem engrossar apenas a tendência (que parece inata em nós, angolanos) de aversão às sucessões. Como é previsível, não faltam justificações para se manter a situação, recaindo quase sempre "a culpa" a factores externos (ausência de leis, ausência de quadros capazes, etc.). O CNCS, que pela sua natureza não se encaixa bem no pacote da sociedade civil, pois inclui representantes de partidos políticos também, não tem um quadro tão longe, entretanto, do que ocorre em grupos organizacionais mais cooperativistas. Nada tendo contra pessoas, faz-me um pouco de confusão que determinadas individualidades se queiram confundir com as instituições e que, ainda assim, se julguem incólumes em criticar a falta de transparência, de rotatividade e de democracia... de suas portas para fora. A lista de exemplos é ilimitada, as motivações são difíceis de perceber. Conheço um respeitável pedagogo desde 2001 e até hoje continua líder da sua ONG. Conheço outro super sindicalista que é praticamente especialista em "listas únicas" eleitorais e manutenção de mandatos. Muitas ONG's faliram precisamente por esta visão "empresarial privada" que degenera do espírito de voluntariado, pelo que se tem de elogiar aquelas que conseguem sobreviver nesta fórmula "estanque". Mas todo o descrédito só pode ficar à vista, principalmente quando o altruísmo atinge o efeito "placebo", tendo em conta as vantagens materiais a que se tem acesso, onde os estatutos e os ideais de partida repousam quais múmias.

Gociante Patissa, Benguela 13.04.15

domingo, 12 de abril de 2015

SOS intolerância política | Chegam-nos informações de agressões à catanada na comuna do Monte Belo, província de Benguela

Duas horas depois de ter deixado a sede da comuna do Monte Belo, município do Bocoio, onde estivemos esta manhã em visita familiar, chegam-nos informações de tensão entre militantes do Mpla e os da Unita. A nossa fonte, que não avançou números, fala em feridos com alguma gravidade no bairro de Longunda. Monte Belo dista 100km a leste do Lobito. Este caso de violência entre pessoas do mesmo sangue é o explodir de um clima de tensão que por acaso deu para notar, tendo como faísca a recusa da implantação da bandeira da Unita por populares avessos ao maior partido da oposição e cuja imagem é ainda associada a atrocidades de um passado de guerrilha. O alvoroço seguia, por volta das 14h30, com os militantes do galo negro, em camisolas de propaganda, a marcharem do seu comité comunal para o bairro em que viram rejeitada a implantação da sua bandeira. Acudam, se faz favor.

Diário | Lioth Cassoma e TPA em combinação perfeita

Gostei de ver ontem, no canal 1 da TPA, o show de Lioth Cassoma. Não sendo propriamente alguém que frequente igrejas, salões, templos, mesquitas, ou o que seja, não deixo de ser um apreciador de boas composições no género gospel. Chego a pensar que determinadas denominações religiosas fariam muito mais bem à humidade se se ficassem apenas pela assertividade dos hinos, de tão desastrosa que a sua homilia é. No caso do show de ontem, os meus parabéns vão à própria televisão pública pela qualidade sonora, de imagem e pela pertinência da cobertura em si. Quanto à cantora e seus acompanhantes, julgo que estiveram muito bem entrosados. Do ponto de vista da mensagem, da harmonia, da desenvoltura vocal, Lioth Cassoma, que tem visivelmente uma influência brasileira pelo lado mais estético das suas baladas, já tem por mérito próprio o direito de constar no topo da lista naquilo que a nossa música evangélica vem revelando.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Um avanço chamado investimento na qualidade de vida dos habitantes, o exemplo que devemos "furtar" aos ingleses — em Hemel Hempstead, Hertfordshire

Diário | Mais inteligente do que boa

À questão da repórter do programa «Flash» (TPA2) a diversos convivas de um evento que tem como cartaz uma das nossas efémeras estrelas da música electrónica, nasce uma resposta a contra-corrente. «Você é boa?», indaga a repórter, para a imensidão de manifestações de egos, com o lado sensual a predominar. Sou boa, sou gostosa, e todos aqueles adjectivos de apelo ao sexual enchem os pôros do microfone em mais um dos costumeiros tempos de antena que aquele canal público dedica ao culto à futilidade. Até que surge, todavia, uma moça que, inicialmente reticente, diz muito liminarmente: «sou mais inteligente do que boa!» Ora, se do ponto de vista das boas maneiras a nossa sociedade convencionou que fica mal sairmos por ali a nos gabarmos pelas nossas vantagens e atributos, sejam eles internos ou superficiais, os interlocutores «pecaram» todos por advogarem em benefício próprio. Podíamos dizer que a formulação da pergunta em si representou uma espécie de armadilha ao carácter e à moral. Seja como for, é de elogiar que aquela moça tenha tido a coragem de sair um pouco do cliché. Destacar-se pela inteligência parece ser de longe muito mais dignificante, libertador, sustentável e construtivo para a mulher do que esta tendência (mercantilista) de ver o valor da pessoa a partir do volume dos glúteos, grossura dos membros inferiores e do par de almofadas na parte exterior do tórax. Definitivamente, eu voto em «mais inteligente do que boa»

A ponte de Hemel

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ai, assim é para se queixar do porco?

Deixem só em paz o cabelo afro do outro, ya? hahaha

Hora do lanche. Qual é mesmo o grupo sanguíneo de quem acha mal o meu cabelo despenteado?

Eti nye? Como é que é? Say again?

Dialoguem com as vossas crianças

As montanhas têm olhos

Bebam água, meus senhores, bebam água! hahahaha

Cornudo feliz

Um avanço chamado investimento na qualidade de vida dos cidadãos

Um salto ao Zoológico (08.04.15) Whipsnade Zoo

Anão-gigante (Londres 07.04.15)

sábado, 4 de abril de 2015

Crónica | VAMOS BRINCAR ÀS GUERRAS?

A guerra tinha o hábito de entrar muito cedo na vida de alguns angolanos. Na minha também.

Há já dois anos que, ao contrário de muitos, o meu dia preferido no serviço é a segunda-feira, quando cada colega chega e conta como foi o fim-de-semana… atenua a chatice de desempenhar uma função sem prazer nenhum, entretanto impotente para optar pelo auto desemprego, qual prostituta apenas atrás do pagamento.

Esta semana, por exemplo, um dos colegas queixava-se do cansaço físico. E eu, todo ouvidos, fui agarrado de surpresa ao saber que era devido à «kitota» (guerrilha). E enquanto o meu lado tendencioso especulava qualquer coisa como «andar na rosca», lá vinha o desenvolvimento da notícia. «Uma kitota mesmo a sério… com balas de tinta». Puxei os lábios para trás, como que a sorrir, enquanto procurava entender o sentimento que me possuía. O colega e amigos tinham-se divertido a valer, no Vale do Cavaco, brincando às guerras.

Sem estragar o entusiasmo do outro — legítimo aliás para quem andou envolvido num passatempo radical —, quando dei por mim, já a mente vagueava na memória de infância.

A nossa vida na comuna do Monte-Belo, antes mesmo de completarmos cinco anos, resumia-se a duas palavras: uma era brincar e a outra guerra. Atenção, nunca combinadas! Incluíamos no pólo do brincar coisas como ir à escola, apanhar gafanhotos, correr atrás de uma jante ou de um arco qualquer que aparecesse, fazer amizade com soldados (sobretudo os cubanos, que passavam de quando em vez em colunas para o Huambo). Já no pólo da guerra incluíamos o cuidado a ter com a manta (o frio era impiedoso no mato, e a noite durante um ataque parecia nunca mais acabar!), bem como o respeito pela mãe (em cujas costas nos agarrávamos na hora de fugir).

Citação

"Às vezes, as boas recordações conseguem torturar-nos muito mais do que as más." (Da personagem Hortênsia, série portuguesa Bem-vindos a Beirais, RTP Internacional)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

À venda na rede KERO o meu primeiro livro de contos. A foto foi feita agorinha no da cidade de Benguela

Um conjunto de 7 contos inéditos de GP, edição da União Dos Escritores Angolanos​, 2010

Utilidade pública| Direcção Provincial da Cultura em Benguela reabre no Cine Monumental

Na ressaca do incêndio que consumiu por completo as instalações que acolhiam as delegações provinciais da Cultura e da Família e Promoção da Mulher em Benguela, apuramos que a Direcção da Cultura montou a sua base provisória numa das alas do Cine Monumental, onde passará a tratar do expediente.