PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Final feliz para a missão "Resgate do papá". Cidadã Dilkarina, que de Portugal nos pediu ajuda, já (quase) reencontrou o pai

 "Na sequência da vossa rubrica "Desabafos do Quotidiano", decidi arriscar e tentar a sorte, visto que já há muito que ando à procura do meu progenitor, José da Paixão Fortunato Neto. Chamo-me Dilkarina Fortunato, mais conhecida por Lay, resido em Lisboa, mas vivi em Benguela/Angola até aos 14 anos. Desde que cá vim que comecei activamente a procurar pelo meu pai. Sei que se encontra em Luanda e se chama José F. P. Fortunato Neto, é Coronel ou General, natural de Catete. Sei também que a procura é recíproca, porque há algum tempo atrás, dois irmãos meus, os quais desconheço, estiveram na minha antiga casa em Benguela à procura de mim, só que, para mal dos meus pecados, a minha tia não pediu o contacto deles nem deu o meu contacto (...) Tenho 22 anos e sinceramente quero muito conhecer o senhor, meu pai, porque acho que tenho esse direito. Tenho o direito de conhecer os meus irmão e criar laços com eles =). Obrigado pela atenção. Dilkarina Fortunato"

Nota: a solicitação de cooperação chegou ao Angodebates por um e-mail que deu início ao um processo de correspondência. Embarcamos, então, nessa missão de utilidade pública a que chamamos "resgate do papá". Estamos optimistas e cá estaremos para reportar o reencontro.

Actualização: no contacto que mantivemos hoje (29/09) com a (permitam que a consideremos nossa amiga) Dilkarina, ficamos a saber dos avanços. Demos a nossa ajuda com recurso a certa tecnologia na obtenção de mais detalhes do procurado, comovidos por esta causa de utilidade pública. Mas foi bastante determinante o empurrão do programa Jovemania (da Televisão Pública de Angola), que tem na condução o lobitanga Almir Agria (Mirito Brinquinho, se quiserem). O pai já deu a cara, e ao que parece, ávido de ter o contacto directo com a filha. Aqui chegados, é caso para dizer que a história tem condições para, daqui em diante, contar-se ela mesma.

Votos de felicidades!
Gociante Patissa

Convite: Editora Folheto Edições apresenta III Antologia de Poetas Lusófonos


Nota: O Blog Angodebates tem a honra de se juntar aos organizadores e reforça o convite para o acto de lançamento, recomendando ainda a leitura desta obra que conta também com quatro poemas de Gociante Patissa, por sinal a primeira experiência internacional da sua carreira literária.



Semear palavras e colher Poesia

Depois de palavras de saudação dos Presidentes da República de Portugal e do Brasil, do Primeiro-Ministro Português, de várias Embaixadas, vários Consulados, diversas Instituições e imensas pessoas individuais, nasce, agora a III Antologia de Portas Lusófonos.
A Lusofonia que se espalhou ao longo dos séculos e inundou continentes, continua bem viva através das sementes que todos os dias se lançam ao vento, na esperança de um dia germinarem e darem os seus frutos.
No ano em que se comemora o 200.º aniversário de Alexandre Herculano, a Antologia de Poetas Lusófonos dá a conhecer a sua III edição, fruto de uma semente que foi dada ao vento em 2007 e que ele se encarregou de espalhar pelos 5 Continentes.
Nas três Antologias de Poetas Lusófonos participaram mais de 200 poetas de catorze países, dos cinco Continentes, espalhando poesias por Angola, Brasil, Cabo Verde, Canadá, Espanha, Estados Unidos da América, França, Guiné, Índia, Inglaterra, Moçambique, Portugal, Suíça e Timor.
A presente edição apresenta 98 poetas de onze países. A selecção feita tentou escolher poesias simples até às mais eruditas, nunca esquecendo a obrigatoriedade de todos elas transmitirem mensagens.
Mensagens essas que nos levam os pensamentos para outras paragens onde o sonho permanece na sua caminhada rumo ao azul infinito.
Foram imensos os homens e mulheres que muito deram às Letras da Lusofonia, que espelharam as suas palavras e as suas frases no reflexo de oceanos de letras. Como referiu Madre Teresa de Calcutá, uma gota a menos no oceano fará sempre este mais pequeno. A III Antologia, que agora se dá a conhecer, é isso mesmo, de forma humilde, lança ao mar dos povos mais uma gota de forma a engrandecer o oceano da Língua Portuguesa. Mulheres e homens que reflectiram sobre a necessidade global de coordenar a Lusofonia através das palavras.
O século XIX foi um excelente período de grande divulgação da Palavra portuguesa. Grandes nomes da Literatura ergueram os seus punhos, não para lutar, mas sim para transmitir no papel, através da pena nervosa que servia de condutora ao seu pensamento. Eram tempos complexos, onde a imprensa começou a desenvolver um papel importante, visto que os grupos políticos, que surgiam facilmente, viviam escondidos no ataque fácil, onde a ordem do dia partia, por vezes, através de discussões ocas, sem fundamento e com desejos de vitórias fáceis perante a derrota cultural de um país.
Como escreveu Alexandre Herculano em O Panorama, jornal de maior prestígio e nomeada em Portugal, no século XIX – como referiu Gomes de Brito –: o que mais importa é dilatar por todas as nações, e introduzir em todas as classes da sociedade o amor da instrução; porque este é o espírito do nosso tempo e porque esta tendência é generosa e útil.
Este é mais um projecto, que espalha pela lavoura da cultura, pequenas sementes secas, que esperam pela frescura das palavras primaveris com o sonho de erguerem a sua folhagem ao céu e delegarem os seus frutos a todos aqueles que necessitam de alimentar o espírito.
É um projecto, sem fins lucrativos, facto assumido desde o início, garantido pelos próprios autores, que na união de seus esforços construíram mais uma ponte para a Lusofonia.
Todas as pontes são poucas para atravessar o rio da Cultura. Cada pilar colocado nesse rio absorve a energia necessária para nos garantir que chegamos ao outro lado com o mesmo objectivo da partida: divulgar através das palavras para receber através dos pensamentos.
Sonhamos e conseguimos, com todos vós Autores, levar bem longe este projecto que já une Continentes, sem pensar em raças ou religiões, mas sempre a criar laços que se unem e transformam na grande árvore da Língua Portuguesa que é a LUSOFONIA.
Adélio Amaro
Coordenador Editorial

sábado, 25 de setembro de 2010

ponto de situação

Fez ontem uma semana o lançamento do meu livro de contos a Última Ouvinte, em Benguela. Muita gente apareceu, sala muito perto de cheia. Todavia, há que reconhecer que a actividade podia ter corrido ainda melhor se não acontecesse em feriado de fim de semana prolongado. Por isso, meus agradecimentos à comunicação social (Angop, TPA, e as Rádios Lobito, Mais, Benguela e em especial à Rádio Morena, na pessoa do director Zé Lopes, que patrocinou com spots publicitários). Muito obrigado também à minha família, em especial o cunhado Luís Chiloya, ao amigo Salomão Gando, aos trovadores e declamadores desta praça. Veio gente do Lobito e Huambo, e disso nunca esquecerei. Entretanto, tal como  receava e fui alertando em entrevistas, usando cada uma como reiterado convite, por se tratar até de acto público, continuo a receber aquelas repreensões em tom amistoso. Há sempre uma pessoa que não deu para convidar pessoalmente, e não apareceu por isso apesar de ouvir o anúncio. Porque tem que ser, volto a rogar a compreensão de quem quer que se sinta lesado.


O livro custa mil kwanzas. Para mais informações, caso esteja em Benguela, queira contactar a escritora Paula Russa, funcionária do Museu de Arqueologia, à praia Morena, que  representa o (embrionário) Núcleo Provincial da União dos Escritores Angolanos, no caso a editora. 
 
Continua em pé a ideia de um lançamento do livro em Luanda, ficando aqui a promessa de ir actualizando com informações a isso referentes.
 
Um abraço e boa leitura.
Gociante Patissa

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Gociante Patissa lança “A Última Ouvinte” em Benguela (do Blog OMBAKA DAS LETRAS)


Benguela, 21/09 - O escritor angolano Gociante Patissa lançou sexta-feira na cidade de Benguela um livro intitulado “A Última Ouvinte”, que reúne sete contos inéditos iniciados em 2001, e que vão desde a era colonial até ao fim do conflito armado.

A nova obra literária é uma colecção de contos que se baseiam em factos ficcionados pelo autor, nos quais se evidencia uma constante interferência de terminologias e linguajar em Umbundu, predominante na região centro e sul de Angola, segundo o texto explicativo inserto na contracapa da edição.

Além de “A Última Ouvinte”, complementam o livro, o segundo do autor do “Consulado do Vazio”, os contos “Os dentes do Soba”, “O Temível”, “os três braços do rio”, “Um natal com a avó”, “A morte da albina” e o “O Homem-da-viola”.

Falando ao OL, Gociante Patissa revelou que "A Última Ouvinte", um dos contos que compõem o livro, relata a estória de um jovem angolano apaixonado pela rádio, e que devido ao sofrimento com que se defronta começa a lavar loiça no exército.

Acrescentou que passados alguns anos, ele torna-se recruta e militar, trabalhando como radista, responsável pelas informações determinantes para o sucesso de missões durante uma guerra.

Após adoecer, continuou o autor, esse jovem viaja à cidade de Luanda onde ganha uma bolsa de estudo no curso de comunicação social que o permitiu de entrar mais tarde para rádio, onde se tornou fã seríssimo de uma ouvinte que se chama Esperança da Graça.
De acordo com o escritor, por causa de uma tragédia, o jovem deixa a profissão de radialista, daí que se atribua à criação literária o título “A Última Ouvinte”.

Trata-se de um livro com 93 páginas, editado sob chancela da União dos Escritores Angolanos (UEA), no âmbito da Colecção “Sete Egos”. Foi subvencionado pela Sonangol Holding e impresso no Brasil a cargo da Imprinta Express com uma tiragem de mil exemplares.

Daniel Gociante Patissa nasceu na comuna do Monte Belo, no município do Bocoio, província em Benguela, em Dezembro de 1978. É bacharel em Linguística Inglesa pela Universidade Katyavala Bwila e membro da União dos Escritores Angolanos.

Estreou-se no mercado literário há dois anos com o livro “Consulado do Vazio”, publicado sob a chancela da KAT em Benguela.

A inclinação de Gociante Patissa à literária revelou-se em 1996 quando participava de um programa infantil da Televisão Pública de Angola. Encarrega-se da edição do Boletim Informático, Educativo e Cultural o “A Voz do Olho” sendo também autor de diversos blogues nos quais publica poesia e crónicas, além de oficial de tráfego aéreo ao serviço da SonaAir-SA.

Assistiram ao acto de lançamento da obra, decorrido no auditório da Rádio Benguela, o secretário-geral da UEA, Carmo Neto, o escritor Francisco Soares, o reitor da Universidade Katyavala Bwila, poetas, trovadores, estudantes, familiares e amigos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ainda sobre lançamento de A Última Ouvinte: "Notícia exemplar" (do Blog A Ruga e a Mão)

Do lançamento do livro mencionado na colocação anterior (v. abaixo), um jornalista da Angop tirou uma notícia que é um exemplo do mau jornalismo praticado no país. A notícia centra-se exclusivamente nas declarações do Secretário-geral da UEA na cerimónia de lançamento do livro. Não está, naturalmente, em causa a menção ao também contista Carmo Neto. No entanto não se mencionou um dos 'furos' jornalísticos trazidos pela fala de Carmo Neto: o propósito de trazer até Benguela o Prémio de Literatura Infantil Manuel Rui Monteiro, promovido pela UEA e por este escritor angolano. Também não se diz ao leitor quem é que organizou o evento, que foi a primeira atividade pública do núcleo local da UEA, chefiado pela escritora Paula Russa. Não se escreve uma única palavra sobre a apresentação da obra, nem uma palavra sobre as palavras do próprio escritor nesse momento. No fim, faz-se a referência bibliográfica do livro com todos os pormenores, dão-se uns dados biográficos mínimos e remata-se com este parágrafo:

"Assistiram ao ato de lançamento da obra, decorrido no auditório da Rádio Benguela, para além do secretário-geral da UEA, Carmo Neto, o escritor Francisco Soares, o reitor da Universidade Katyavala Bwila, poetas, trovadores, estudantes, familiares e amigos."

O apresentador da obra é noticiado como tendo assistido ao seu lançamento. A nomeação dos que assistiram ao lançamento começa pelo escritor Francisco Soares, seguindo-se "o reitor da Universidade Katyavala Bwila", invertendo a ordem protocolar das referências. A presença de jornalistas, declamadores e músicos, que atuaram no evento, é completamente ignorada. Realmente, quem se quiser informar através da Angop fica no mínimo com uma ideia distorcida e empobrecedora do que se passou.

Mas não só. O Jornal de Angola, oficial, oficioso e único diário do país, apesar de estar representado no evento por um jornalista que elaborou matéria própria, limita-se a republicar a notícia da Angop na íntegra, com uma foto do escritor Carmo Neto que não foi tirada no evento e, sob a foto, a notícia de que o Secretário-geral da UEA tinha apresentado essa obra em Benguela (o que, não sendo verdade, é a conclusão a tirar por quem só leu a notícia da Angop).

Estes factos tornam-se um exemplo claro do mau jornalismo que ainda se pratica muito em Angola e da razão pela qual ele subsiste.

Do Blog "a ruga e a mão" http://arrugamao.blogspot.com/2010/09/noticia-exemplar.html

Reflexões literárias: o livro A Última Ouvinte, na leitura do Dr. Francisco Soares(*)

A última ouvinte



A última ouvinte é o título de uma despretensiosa coletânea de contos de Gociante Patissa, escritor natural de Monte Belo, município do Bocoio, província de Benguela (em Angola, claro). O livro foi lançado na última 6.ª F.ª, 17 de Setembro, na Rádio Benguela, delegação da Rádio Nacional de Angola na cidade onde Patissa vive. A editora (e promotora do evento) foi a União dos Escritores Angolanos, sendo este ao mesmo tempo o primeiro lançamento de livros organizado em Benguela pela secção local da UEA – finalmente reativada. Depois de um período em que a literatura parecia ter sido carbonizada por estas paragens, ela vem renascendo das cinzas e toda uma sincronia de ações e obras confirma-nos isso, como é o caso desta. A cerimónia decorreu no Auditório da RNA – Benguela e acabou com uma sessão de comes e bebes assistida e finalizada por um repentino desafio de improvisos poéticos e musicais em simultâneo.

Retornando à meada, esta é a segunda obra do autor, sendo a primeira uma reunião de poemas sob o título Consulado do vazio.

A última ouvinte possui, como aqueles poemas, a virtude de uma linguagem simples sem deixar de ser poética. Não se trata apenas de desfilar estórias que intriguem, suspendam e surpreendam o leitor. As estórias são boas, tiradas ao quotidiano, sobressaindo de situações facilmente identificáveis no quotidiano de muitas pessoas. Atravessa-as um sentido de humanidade e de dignidade que asseguram a função social e política dos contos. O autor recorre ainda a ambientes rurais e urbanos, não para retratá-los na fixidez dos quadros tradicionais, mas observando e posicionando-se nas dinâmicas culturais trazidas pelo choque, pela colaboração, pela interação entre ruralidade e urbanidade, que inevitavelmente vai despoletar uma série incontrolável de processos de transformação de hábitos, esquemas de pensamento, costumes e da própria visão do mundo. Mas a narrativa não vive só de estórias nem de conteúdos, tanto quanto o homem não vive só de pão. Ela precisa dessa outra fonte incontornável da literatura que é o trabalho artístico sobre a linguagem, articulado sobriamente ao trabalho artístico sobre o enredo. É o trabalho artístico sobre a linguagem que nos dá a verdadeira dimensão do escritor.

No caso de Gociante Patissa, a linguagem caracteriza-se por dois ou três traços: um sentido rítmico apurado e próximo da fala corrente; o recurso a um vocabulário também comum à fala corrente; o uso de figuras de estilo (principalmente analogias) sem exibicionismos que tornam folclórica tanta literatura produzida hoje. Do último traço, o mais artístico (não por usar figuras de estilo mas pela oportunidade, originalidade e sobriedade com que as usa), dou alguns exemplos tirados ao acaso para aguçar o apetite dos leitores:

"D.ª Judith saía em defesa do seu café, que corria o risco de arrefecer" (p. 38) – atente-se, não apenas na ironia da segunda frase, também na da primeira (não era o café que precisava de defesa, mas a personagem que precisava de bebê-lo).

"O novo estatuto lançou nos olhos do profeta a ramela das grandezas" (p. 40) – atente-se na escolha do disfemismo ("ramela") para criar um oximoro com "grandezas"; pela oposição entre a suja insignificância da remela e a imensidão que é um dos traços semânticos da grandeza cria-se um efeito de humor e ficamos avisados desde logo sobre a falsidade da grandeza do profeta, ou seja, para o tipo do falso profeta.

"[…] refilou no mistério da sua cabeça e não respondeu" (p. 45) – realmente a nossa cabeça é um grande mistério, maior ainda quando a personagem é construída sobre algo que a caracteriza e ela própria nunca explica, nem o autor explicou ainda.

"Sentados à volta do fogo para desafiar o frio da época" (p. 46) – claro que não era propriamente para desafiar o frio mas para se aquecerem, desejo que o autor nos apresenta como desobediência ao clima justamente por esta metáfora verbal. Observe-se ainda o trabalho sobre os sons, o ritmo interno da frase, não só o seu ritmo normal mas o que lhe traz a repetição dos sons [v] e [f], culminando na proximidade sonora de [frio] e [desafiar].

"a velhice passou, pouco a pouco, a engolir a força do velho Kamuku" (p. 48) – repare-se como o sentido figurado sugerido por "engolir a força do velho" personifica "a velhice" ao mesmo tempo que a torna próxima da monstruosidade da morte, engolindo impiedosamente as nossas vidas.

É de ficar atento ao autor e de ir lendo a obra.


(*) Fez a apresentação oficial da obra em Benguela. Ph.D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais, é professor  de literatura africana de expressão portuguesa, há mais de duas décadas, onde podemos ressaltar doutoramento em Literatura Angolana e Titular em Teoria da Literatura e Literatura Angolana. Presentemente lecciona nas Universidades de Évora e da Katiyvala Bwila em Benguela, currículo mais do que vasto para a tarefa de critico literário, de poesia e fotografia.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

UEA promete dinamizar prémio literário



Benguela – O secretário-geral da União dos Escritores Angolanos (UEA), Carmo Neto, anunciou na semana finda, nesta cidade, a promoção, a breve trecho, do concurso literário infanto-juvenil “Quem me dera ser onda” na província de Benguela, de modo a incentivar os adolescentes(dos 13 aos 17) a participarem do mesmo.

Intervindo no lançamento do livro “A Última Ouvinte”, da autoria do escritor Gociante Patissa, Carmo Neto prometeu trazer o prémio de cariz anual a Benguela, embora a intenção seja de o desenvolver em todas as províncias, caso as condições permitam.

De acordo com o também escritor, o prémio é destinado a crianças e adolescentes de escolas públicas e privadas do ensino de base e médio a, fim de provocar neles o hábito à leitura e à escrita, estimulando-os assim criatividade literária no domínio da prosa.

Segundo o responsável, está-se a tentar dar uma maior dimensão ao concurso de escrita infantil “Quem me dera ser onda”, pois a instituição tem recebido fascículos de jovens que escrevem artisticamente bem.

“Há dias acabei de ler um manuscrito de uma jovem de apenas 14 anos com cerca de cem páginas e muito bem escrito. Casos como estes, acredito que existem em muitas partes do país”, revelou o secretário-geral da União dos Escritores Angolanos.

O prémio “ Quem me dera ser onda”, que beneficiará por cada edição de 20 mil dólares norte-americanos do Banco Sol, ao abrigo de um acordo de cooperação no domínio literário assinado a princípio deste mês com a União dos Escritores Angolanos, visa despertar o hábito pela leitura e a escrita.

Fonte: Angop

Crónica: “Um dia para esquecer, ou para lembrar?”


Os reactores do Boeing-737 roncavam o início da sua última meia hora de permanência na placa do Aeroporto da Catumbela, para o devido regresso ao ponto de origem, Luanda. Desembarcados os passageiros, a preocupação imediata era saber, do colega que fazia as folhas de carga e centragem, se Luanda se lembrou de enviar a edição do dia do Jornal de Angola.

Na secção de cultura, pág. 37, confirmo a notícia que esperava, sobre o lançamento do meu livro de contos, A Última Ouvinte, que teve lugar em Benguela no dia 17 de Setembro. Só não foi maior a satisfação por lhe faltar o «efeito surpresa». O jornal de Angola, não obstante ter estado no acto o seu repórter, cuidou apenas de retomar na íntegra o texto da Angop (da pena de Honório), cuja versão digital foi publicada anteontem na página daquela agência estatal de notícias. Pessoalmente, gostaria de reunir em jeito de reacções (e crítica) diferentes ecos sobre o assunto.

Tomado ainda pela emoção de ver referência positiva do meu trabalho em papel (seria o efeito Guttenberg?), sou alertado de um problema iminente. Falava-se de 17 passageiros na classe executiva, quando a limitação é de 16. Fosse qual fosse a causa do erro, estávamos rendidos à lógica matemática. 16 menos um, tudo bem; mais um é que não dava. De repente, o jornal em minhas mãos despia-se de toda a emoção, convertendo-se apenas em mais um inerte papel. Esteve sob minha responsabilidade o check-in da classe C, pelo que, se havia um culpado, tinha que ser eu. Na verdade, nesse emaranhado de emoções que implica a véspera e a ressaca do lançamento de livro, qualquer distracção é provável.

Já lá dentro estavam catorze. Custava-me enfrentar a realidade que me traria o último autocarro. As hospedeiras pressionavam já para o fim do embarque, acelerando mais ainda os ânimos e aquele “lavar as mãos diante do problema anunciado”, enquanto este caminhava para o seu pico. Erro humano (no caso, do oficial de tráfego), que significava USD 50 de diferença entre a classe Y (económica) e a C (executiva), mais os transtornos de quem vê as mordomias desta última a se esvaírem à última hora. Para alguns passageiros, o receio de não viajar na executiva é quase paranóico.

«Minha senhora, peço a sua compreensão. Cometi o erro de pôr um passageiro a mais na executiva, dos tais erros humanos e involuntários. Posso até tirar do meu bolso o valor para compensar a diferença. A senhora tem toda a razão, errei eu, mas foi involuntário», penitenciei-me, com semblante de derrotado. A senhora visada, cuja razão não debato, estava  irredutível. «Porquê eu?! O senhor sobe, vai lá falar com outros passageiros a ver se encontra um voluntário, eu é que não»! Lá no fundo, eu compreendia a reacção dela, cujo pescoço estava suspenso em apoio medicinal.

Restava-me abordar os dois últimos passageiros, um dos quais um deputado à Assembleia Nacional. Retomei o meu discurso de penitência, sendo que o companheiro do deputado disse «isso acontece», e foi para a classe económica. Levei a mão ao bolso para a prometida devolução da diferença monetária, o que o passageiro simpaticamente não aceitou. «Também sou escritor, e quando regressar de Luanda, por favor localize-me, gostava de lhe oferecer um livro meu», acrescentei num misto de culpa e alívio.

Mas foi inevitável o atraso no embarque, desta vez porque as autoridades colocaram entraves à entrada de ambulância com doente, uma medida sem critérios que chateou o colega chefe interino. Foi ele quem disse que hoje foi “um dia para esquecer… (ou para lembrar?) para não repetir”.

Gociante Patissa, Benguela 21 Setembro 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

Escritor Carmo Neto reconhece valor do livro "A Última Ouvinte" (Texto da Angop)



Benguela - O secretário-geral da União dos Escritores Angolanos (UEA), Carmo Neto, reconheceu sexta-feira, em Benguela, que o livro “A Última Ouvinte”, da autoria de Gociante Patissa, deixa uma lição de moral e secular de que as aparências enganam.
 
O responsável, que intervinha na cerimónia de lançamento do livro, reconheceu que na obra literária “A Última Ouvinte” o autor cria um consulado com vários ouvintes.
 
Para Carmo Neto, é com a subtileza literária usada pelo autor que o leitor descobrirá que por detrás de uma bela voz poderá estar uma miss, uma marreca feia, bruxa ou uma santa mulher, ficando por isso a lição moral e secular do autor de que as “aparências enganam”.
 
Chamando a atenção das pessoas para que leiam e descubram o final do conto “A Última Ouvinte”, o escritor afirmou que o autor também bebe das “nossas tradições”, alertando ao leitor de que são os segredos e os sacrifícios que fazem o poder.
 
Igualmente explicou que não necessitou o autor de fazer o nó à gravata para que visse aprovado o seu livro, e, por conseguinte, publicado e lançado.
 
O secretário-geral da União dos Escritores Angolanos esclareceu que a ausência da UEA nas províncias se deve ao facto de o número de literatos não ser suficientemente representativo.
 
“Alguns questionam sobre as razões por que a UEA não está presente nas províncias”, sublinhou, afirmando que no caso de Benguela, que tem uma tradicional herança cultural, foi institucionalizado um núcleo da união cujas instalações serão criadas.
 
“Temos um rebento justificativo do Gociante Patissa. Publicaremos a breve prazo Paula Russa e outros autores que justificam a existência de um núcleo da UEA em Benguela”, asseverou.
 
Admitiu a possibilidade de essa acção ser estendida às províncias da Huíla e do Kuando Kubango, porque em ambas as regiões estão também presentes alguns autores.
 
Carmo Neto elucidou que a UEA não é uma organização de massas, daí que esteja presente lá onde o número de escritores justifique tal necessidade.
 
Disse, além disso, que a associação não tem a função de ensinar a escrita  criativa às pessoas, visto que essa missão cabe às escolas e às famílias. “Enquanto auxiliares dessas instituições citadas, acolhemos aqueles que têm realmente talento para a escrita criativa”, finalizou.
 
O livro “A Última Ouvinte” reúne sete contos inéditos iniciados em 2001 e que se baseiam em factos ficcionados pelo autor, nos quais se evidencia uma constante interferência de terminologias e linguajar em Umbundu, predominante na região centro e sul de Angola, segundo o texto explicativo inserto na contracapa da edição.
 
Além de “A Última Ouvinte”, complementam o livro, o segundo do autor do “Consulado do Vazio”, os contos “Os dentes do Soba”, “O Temível”, “Os três braços do rio”, “Um natal com a avó”, “A morte da albina” e “O Homem-da-viola”.
 
Trata-se de um livro com 93 páginas, editado sob chancela da União dos Escritores Angolanos, no âmbito da Colecção “Sete Egos”. 
 
Foi subvencionado pela Sonangol Holding e impresso no Brasil a cargo da Imprinta Express com uma tiragem de mil exemplares.
 
Daniel Gociante Patissa nasceu na comuna do Monte Belo, no município do Bocoio, província de Benguela, em Dezembro de 1978. É bacharel em Linguística Inglesa pela Universidade Katyavala Bwila e membro da União dos Escritores Angolanos.
 
Estreou-se no mercado literário há dois anos com o livro “Consulado do Vazio”, publicado sob a chancela da KAT em Benguela.
 
Assistiram ao acto de lançamento da obra, decorrido no auditório da Rádio Benguela, para além do secretário-geral da UEA, Carmo Neto, o escritor Francisco Soares, o reitor da Universidade Katyavala Bwila, poetas, trovadores, estudantes, familiares e amigos.
 

19-09-2010 14:18

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Convite para lançamento de obra literária

A União dos Escritores Angolanos, na sua qualidade de editora, e o Blog Angodebates têm a honra de convidar V. Excia, respectiva familia e amigos para o lançamento do livro de contos “A Última Ouvinte”, da autoria de Gociante Patissa, que terá lugar no Salão Auditório da Rádio Benguela, a partir das 16h00 de sexta-feira, 17 de Setembro. A obra será apresentada pelo Doutor Francisco Soares, docente universitário, escritor e crítico literário.

Mil kwanzas é quanto custará cada exemplar.

A princípio está igualmente programado para ser lançado o referido livro na cidade de Luanda, propriamente na sede da União dos Escritores Angolanos, no dia 22 de Setembro.

Esperamos por si.

domingo, 12 de setembro de 2010

Como há muito não se via, jornada do 8 de Setembro culminou com almoçarada da classe jornalística

Jornalistas em Benguela viveram tarde de confraternização, no sábado, 11/09, aproveitando o fim-de-semana para as comemorações do 8 de Setembro, dia Internacional dos profissionais da informação. O almoço estendeu-se noite a dentro, "lubrificando" por isso as articulações e a boa disposição para os devidos pés de dança e jocosidades.

É que nos dias que correm, por contingências da vida e agendas apressadas, a tendência é as pessoas só se reencontrarem quando muito nos funerais. Pelo que a socialização por alegria foi (mais) um ganho para a classe, à parte as implicações logísticas que os “comícios e bebícios” acarretam.

Como é óbvio, à alegria juntaram-se outros convidados não jornalistas. Estão de parabéns as associações socioprofissionais (Clube de Imprensa e o Sindicato de Jornalistas), bem como a feliz patrocinadora do evento, a Direcção Provincial da Comunicação Social.
Gociante Patissa

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Setembro cultural na "mira" do LEV´ARTE

Movimento LEV´ARTE
Tem a honra de convidar todo o amante da leitura e arte para assistir ao GRANDE RECITAL DE POESIA à Volta da FOGUEIRA com a venda e sessão de autógrafos dos livros recentemente lançados em Luanda, PALAVRAS e CARTAS A UM VICIADO, a ter lugar na , dia 11 de Setembro de 2010, pelas 17 horas.


Data: 11 de Setembro de 2010
Hora: 17:00
Local: União dos Escritores Angolanos [Luanda]
Entrada: Livre
Livros: 1500kz

Quer saber mais? levarte.angola@gmail.com
www.fazemosacontecer.blogspot.com
Tel. (00244) 927 00 17 80 
(00244) 927 00 17 80      
917 05 15 50

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

“Missão resgate do papá”: Jovem angolana a residir em Portugal procura pelo pai, algures em Luanda, o qual não chegou a conhecer

"Na sequência da vossa rubrica "Desabafos do Quotidiano", decidi arriscar e tentar a sorte, visto que já há muito que ando à procura do meu progenitor, José da Paixão Fortunato Neto. Chamo-me Dilkarina Fortunato, mais conhecida por Lay, resido em Lisboa, mas vivi em Benguela/Angola até aos 14 anos. Desde que cá vim que comecei activamente a procurar pelo meu pai. Sei que se encontra em Luanda e se chama José F. P. Fortunato Neto, é Coronel ou General, natural de Catete. Sei também que a procura é recíproca, porque há algum tempo atrás, dois irmãos meus, os quais desconheço, estiveram na minha antiga casa em Benguela à procura de mim, só que, para mal dos meus pecados, a minha tia não pediu o contacto deles nem deu o meu contacto (...) Tenho 22 anos e sinceramente quero muito conhecer o senhor, meu pai, porque acho que tenho esse direito. Tenho o direito de conhecer os meus irmão e criar laços com eles =). Obrigado pela atenção. Dilkarina Fortunato"

Nota: a solicitação de cooperação chegou ao Angodebates por um e-mail que deu início ao um processo de correspondência. Embarcamos, então, nessa missão de utilidade pública a que chamamos "resgate do papá". Estamos optimistas e cá estaremos para reportar o reencontro.