PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Angola é 10 vezes campeã africana em andebol sénior feminino

Foto: algures na Internet
«A selecção feminina de Andebol derrotou sábado, na final da campeonato africano de andebol, a sua congénere da Tunisia por 31-30». (Angop)

À semelhança do basquetebol, no andebol sénior feminino, somos 10 vezes campeões africanos. Está de parabéns Angola, os angolanos, e porque estamos na província de Benguela, a comuna da Catumbela, berço de Elzira Tavares, aliás nossa antiga colega de escola do 3º nível (nos Bambús), nos idos anos 90.

Gociante Patissa

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Calemas bravas na Praia Morena sacudiram Benguela

A Praia Morena destacou-se como atracção turística hoje, 19/02, mas desta vez não foi por causa das canções e poesia compostas em torno do seu nome. Falam-se em cinco horas de maré brava, que derrubou alguns casebres de pescadores. Tratam-se, segundo o novo administrador municipal de Benguela, Engº Manuel Lucombo, de habitáculos construídos em zonas de riscos. As fotos do Angodebates foram tiradas por volta das 16h.
Um kota pescador, ouvido pela imprensa, disse que a consequência imediata das calemas será a escassez do pescado (estamos tramados, digo eu!).
Instantes depois de ter sido salva por outra criança, esta da foto abaixo observa, assarapantada, o mar que quase a levou para outra vida.

Infelizmente, o rosto raro de um mar embravecido, dizem os entendidos que pelo desagoar das águas dos rios Catumbela e Cavaco, atiçou a traquinice das crianças, alheias talvez à noção de que o mesmo kalunga, que significa mar, é polissémico e quer também dizer morte. Ainda bem que o pior não aconteceu. No entanto, julgamos que o alerta dos media não devia afrouxar no periodo da tarde, como se tivessem a missão cumprida na jornada matinal. Ao que nos pareceu, vários são os encarregados que não se aperceberam da perigosidade da praia, sobretudo para as crianças. Também fez falta, no periodo da tarde, a presença dos bombeiros e/ou a protecção civil. 
Gociante Patissa, Benguela

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Música "We are the world", versão para HAITI

Crónica: “As dinâmicas sociais e o protagonismo da juventude”

Na véspera do carnaval e do dia de São Valentim, dois acontecimentos marcaram a agenda política e social benguelense. Diferentes na forma e na ideologia, os eventos tiveram algo em comum: a participação activa da juventude.

O restaurante “Solar dos Leões”, à Praia-Morena, acolheu mais um “Quintas de Debate”, aquele espaço de exercício da cidadania sob iniciativa da ONG angolana “Omunga”, que traz em cada sessão um prelector de destaque nacional, entre políticos, académicos e protagonistas da sociedade civil. O que parecia ser um tema “frio”, qualquer coisa como a relação entre a educação e a política, proporcionou uma calorosa discussão, que durou cerca de três horas. O Orador? Domingos da Cruz: jornalista do Folha 8, formado em filosofia, autor do livro “Para onde Vai Angola?” e professor.

Com uma acutilância incomum de jovens da sua idade (menos de 30 anos), da Cruz oscilou entre o académico-científico e a sua intervenção política cidadã diante da governação da pátria. Qualificou de ilusão a ideia de que a educação liberta o homem, apontando o carácter classista da definição das políticas. E alertou: a educação pode ser “viciada” para sustentar “os interesses do grupo dominante”.

As reacções da plateia revelaram-se divididas, havendo uns que o suportavam e outros que condenavam a linguagem “dura” com que se referiu a determinadas instituições e figuras de soberania. Posso não concordar com a análise do estilo tábua-rasa que o prelector faz da realidade angolana, “tudo está mal”, ou que “não há estradas”, mas debate é isso mesmo, um confronto de ideias para o consolidar de posições e influenciar ideias, pacífica e saudavelmente. De resto, o “miúdo” desafiou alguns dos tabus que grassam a discussão pública de makas que tamos cum’elas.

Já na sexta-feira, após entrevista à TV Zimbo sobre a vida e obra de Aires de Almeida Santos, fui convidado por outro jovem escritor a visitar a unidade provincial da Polícia de Intervenção Rápida (o que implicava “patarmos” a iniciativa da JMPLA). O que não sabia era que o programa visava uma “fogueira patriótica” com os “Ninjas” em homenagem aos heróis nacionais. E fiquei contente ao ver agentes recitarem, emocionados, poemas, diminuindo o generalizado “preconceito” que associa a corporação com analfabetismo e violência. Outros apartidários, que lá estiveram, beneficiaram da oportunidade de conhecer o lado lúdico dos “anti-motins”, pelo que fica a gratidão aos organizadores.

Na minha condição de mobilizador comunitário e activista cívico (há dez anos ligado à uma pequena ONG nacional), julgo que os movimentos juvenis devem ter, mesmo até pela sustentabilidade, uma preocupação no sentido de criarem factos e acções. E ali, é preciso aguçar a visão para se continuar a ter acções regulares com ou sem (big) fundos. Às vezes, ignoramos o impacto que pequenas acções podem desabrochar até mesmo no âmago de quem já está connosco.

Para terminar, reitero a minha satisfação e ao mesmo tempo expectativa, que se renova sempre que vejo jovens interessados a contribuírem para o desenvolvimento do país, assumindo o comando de iniciativas e, acima de tudo, alargando o elástico dos olhos. Bom sábado! Viva Angola!

Gociante Patissa, Benguela 13 Fevereiro 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

As (in)conveniências da aplicação oportuna da lei

Termina esta quinta-feira, 11/02, o prazo determinado pelas autoridades para o seguro automóvel obrigatório de responsabilidade civil (que afinal era de seis meses). A polícia já se anunciou pronta a fazer cumprir a lei, no contexto do novo código de estrada. Infere-se em tal posicionamento uma certa responsabilização do cidadão, que, aparentemente, pecou por deixar tudo para o último momento. A medida e o respectivo silogismo são, no mínimo, exagerados e não reflectem a realidade (realista) angolana, no que aos procedimentos burocráticos diz respeito.

Primeiro, não é de todo positiva a imagem que se tem da eficácia (ou boa fé) dos seguros, o que desencoraja a procura voluntária pelos seus serviços a muitos cidadãos, ao contrário do que seria normal. Segundo, o montante correspondente à taxa anual (aproximadamente 50 mil kwanzas para um automóvel ligeiro) não é de se conseguir num piscar de olhos, ao menos para a maioria que depende da função pública.

Não sendo tudo, reportagens da televisão têm mostrado a indisfarçável incapacidade da ENSA (empresa nacional de seguros) diante de tanta procura, mas o pior não é isso. Na província de Benguela, onde só a ENSA opera, por exemplo, o asseguramento está a ser feito em três etapas. A primeira compreende à entrada da documentação. Segue-se (oficialmente após 24 horas) o levantamento da "simulação de seguro" (factura pró-forma) e a indicação da conta bancária para o depósito do valor. A terceira etapa é a da entrega dos comprovativos bancários ao que se segue a recepção da apólice no dia seguinte. Na prática porém, os documentos que deram entrada na segunda-feira continuam estagnados, precisamente porque o sistema informático anda muito lento, como aliás no resto do país. E a ENSA é clara, não tem nenhuma responsabilidade “dos efeitos colaterais”.

Portanto quem (e são muitos) não conseguir até hoje a "maldita" papelada do seguro pode ir já (é sugestão nossa) solicitando outro crédito bancário para custear as multas que vai enfrentar (o primeiro foi para a compra do veículo, geralmente velhinho, vindo da Europa ou Dubai) . É que a ENSA também não emite nenhum tipo de cupon ou recibo que possa indicar que o cidadão tem o processo do seguro em curso. Definitivamente, uma prorrogação do prazo seria o ideal.

Gociante Patissa, Benguela

sábado, 6 de fevereiro de 2010

De volta à banda, pronto a retomar a "rotação" habitual do Blog Angodebates

Olá a todos!
Finalmente, aqui, acabaram-se as férias. Primeiro a viagem, depois a adaptação ao novo computador, mais os constrangimentos de ter o sistema operativo windows 7 e a respectiva (aparente) "incompatibilidade" com o tipo de modem Unitel que tenho (mais a pouca habilidade e vontade dos funcionários desta). Mas está superado e cá vamos!

Desci do avião, na segunda-feira (01/02), cansado, todavia alegre pela experiência, obviamente cheio de saudades e todos os sentimentos confusos de costume quando se está de volta à terra. Ademais, quem vem dos Estados Unidos da América tem sempre um rol de contrastes extremos a partilhar. O intercâmbio, que durou três semanas, em quatro Estados (Oregon, Washington, Utah e Florida) deu para ter ideia do quanto havia de razão na descrição de um intelectual de lá: in this country, we have the good, the bad and the ugly.

O contacto (primeiro na vida) com inverno iniciou em Portugal, ainda na ida, quando saí do aeroporto na companhia de Cristina para ver algumas ruas lisboetas, num compasso de espera entre um avião e outro (o famoso trânsito). Um dia de cama, já nos EUA, foi suficiente para estar "imune" às tremedeiras e até mesmo à vizinhança da neve. Ironicamente, confesso, nunca imaginei que me fosse sentir tão pouco à vontade de regresso ao meu ambiente natural, como se deu nos dois primeiros dias, com o escaldante calor (redundância propositada). Experiências, como sempre belas e inspiradoras.

Já em Benguela, ainda apanho uma parte da ressaca do CAN, sendo maioritariamente positiva a avaliação no tocante ao capítulo organizativo. Para quem, como eu, esteve sempre pessimista (acho que realista seria a palavra mais sensata, mas fica assim para dar margem a quem quiser lançar uma ou outra pedra), Angola foi até de um desempenho razoável. Pessoalmente sou contra o feitio de "europeu primitivo" do seleccionador nacional, Manuel José, mas reconheço que, sem ele, teríamos uma prestação bem mais negativa. Pelo que deixo, tarde embora, o meu muito obrigado aos atletas, equipa técnica e a todos quanto directa ou indirectamente contribuíram para o que pelo menos deu certo. Aliás, tomei conhecimento do ataque à selecção do Togo fora da banda (que obviamente condenamos).  

Embora impossibilitado tecnicamente, cuidei de ir espreitando o rosto do Blog, o mesmo que dizer contador de visitantes. E é enorme a satisfação ao notar que continuamos a merecer o prazer das visitas, para já nao falar de comentários, sejam de gente nova ou de companheiros habituais. Obrigado (mesmo!)

Voltamos à carga, prontos para nos posicionarmos enquanto cidadãos perante questões, usando os mais variados géneros de comunicação, perante assuntos, todos eles, até daqueles que não podemos, devemos ou queremos abordar. Acreditem, há sempre um cobarde em cada ser humano, assim como o contrário disto. "Una wõha, vonjo omo ali" (Umbundu) = O silêncio não siginifica ausência.

Abraços e muito obrigado!
Viva Angola!
Gociante Patissa, Benguela 6 Fevereiro 2010