PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

De malas aviadas para os desafios de 2011

O novo ano é como a estação da chuva, é um ciclo de idas e vindas que, de tão milenar, sequer devia merecer o destaque nas conversas e pacote de emoções. Contudo, há que celebrar, já que quando vai estamos aqui, mas quando volta pode não ser. "Chegamos lá!", isso é o que conta, entre tantas e várias emoções e superstições. 2011 será o que quisermos que seja? Mais ou menos, é bom não esquecer o imprevisto. Nada de planificar com ele, mas ignorá-lo é ingenuidade.

O blog Angodebates fecha o ano muito honrado em função do crescente número de visitantes e a interacção que isso proporciona, claramente compensatóro à baixa no número de comentários. No ano que amanhã começa estaremos aqui a servir este misto de informação, promoção da cidadania e exercício no campo da literatura.

Muito obrigado pelas visitas, e boas festas.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Crónica: "Ora colhe as sementes, ora tenta resgatar a utopia das acácias"

Um ano depois, ficamos a saber, já com aquela inofensiva – sem deixar de ser sádica – alegria, que a ministra tinha sido exonerada. As razões à volta do facto eram-nos irrelevantes (mas explico lá mais adiante porquê).

Hoje, pouco antes das 18h00, visitei a residência sede da Rádio Ecclesia, na cidade de Benguela, bem ao lado do Bispado, como não fazia há seis anos. Foi preciso algum esforço para disfarçar os sorrisos de nostalgia, no mínimo, para não ser tomado por um visitante emparvecido, como sempre acontece quando alguém esbanja alegria sem contextualizar os “vizinhos”. Foi como se um balão do tempo me fizesse mergulhar aos bons anos de convivência. Nomes, momentos e jocosidades brotaram. Depois veio a noção da ausência, como que a escorregar entre os dedos. O tempo é assim mesmo, tem das suas: um dia aproxima-nos, outro dia manda-nos para hemisférios desencontrados, desgastando os afectos.

2004. Uma inusitada empatia unia-nos, quando o normal seria, provavelmente, nos vermos como rivais, uma vez concorrentes. Uns mais dotados que outros, havia também os que precisavam mais do emprego que outros, mas nada estragava o bom humor. Éramos cerca de dez jovens, anónimos por assim dizer, durante três meses de triagem para redactores-repórteres-noticiaristas, no contexto da iminente abertura da Ecclesia em Benguela (que acabou por não acontecer, por imperativos legais – no consulado do ministro da Comunicação Social Hendrick Vaal Neto. Até hoje está por sair a licença de emissão).

Bom, voltando à Ministra… A primeira parte dos testes foi ler, com aquela vaidade que se espera de locutor. Para a nossa pouca sorte, o texto era de uma revista, com aqueles luxos já esperados, muito brilho e excesso de maquilhagem nas fotos e tal, que só atrapalha, mesmo até por causa do reflexo da lâmpada fluorescente. Era só soletrar e engasgar-se que chega, fariamos mais como?!… O Zé Manel e o Padre Samy deviam ser uns bons ardilosos, sabiam que aquilo lá nunca foi texto feliz para rádio. A matéria tinha a ver com a viagem que uma ministra santomense, Maria das Neves, fizera a Portugal, onde aparecia em poses bué, vestes pretas com meias compridas, visivelmente caras. Por acaso achávamos que, se era para inspirar um texto de desgraçar o  teste dos outros, podia muito bem não viajar. Ela estava bem na vida, com formação, cargo e dinheiro, enquanto nós travávamos na jante…

Depois, de azar em azar, a maka veio a estar também numa tal de dicção, não apenas na  complexidade do texto. Afinal já não podíamos dizer /tomé/, tinha que ser /tumé/, e nós que nunca na vida chamamos alguém assim. Ah, porque /f’char/ as vogais. Mas que mal têm elas, as vogais, para agora andarem fe-cha-das?! É só já aceitar, vamos fazer mais como?!… Enfim, cada um que fosse à cabine, voltava aborrecido, com raiva da ministra.

Superada essa etapa, que levou muitos candidatos ao caminho de volta para casa, recordávamos a cena para rirmos das nossas dificuldades iniciais. Foi por isso que, mesmo que não nos tenha feito mal algum de forma objectiva, passamos a nutrir antipatia pela ministra, que mais tarde se ouviu metida em acusações de corrupção. Quando soubemos da sua exoneração… foi mais um pretexto para rir, rir e rir, com aquela sensação de triunfo.

Gociante Patissa, Benguela, 27 Dezembro 2010

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

partilhando rasgos de poesia nesta quadra festiva

"Quando a memória vai apanhar bocados de madeira seca, traz a lenha que muito bem lhe apraz".
(...)
"O fogo da madeira que nós próprios abatemos e preparamos parece mais quente do que qualquer outro fogo".


Birago Diop, In «Contos de Amadou Koumba», pág. 29, Inald 1979

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Natal e que 2011 cumpra as promessas sonhadas por cada qual

Alerta: se perdeu algo e anunciou através da rádio, tenha cuidado com chamadas de números não identificados

Uma cidadã que vive do que ganha na zunga deixou por esquecimento, num veículo hiace (não identificado) em serviço de taxi,  um saquinho contendo 20 mil kwanzas. Atrás do prejuízo, porque 20 mil kwanzas podem ser o universo para uma zungueira, recorre ao serviço de utilidade pública da Rádio Benguela, deixando o seu numero de telefone à disposição (porque ainda acredita na boa fé do seu povo) de quem o tiver achado. Horas depois recebe um telefonema. Do outro lado da linha fala um homem, que se identifica como quem tem em posse o embrulho anunciado. O embrulho estaria na casa da segunda mulher, naquele momento, pelo que se meteria a caminho (da casa da primeira). E porque estava já tudo encaminhado, entenderia a zungueira, não havia nada demais em aceitar a recompensa solicitada, qualquer coisa como quatro cartões de saldo (recarga telefónica de 900 kwanzas cada, equivalente a 40 USD no total). O que se dá a seguir é um desencontrado rol de explicações sobre o paradeiro do homenzinho, chamadas não atendidas, culminando com a mensagem de telefone desligado. Depois mais dúvidas não restam: tratava-se de pura burla. Como se já não bastassem os 20 mil kwanzas, acabava de perder quatro cartões de recarga, cujo código soletrou dígito por dígito. O caso da zungueira não é o primeiro, conforme ela própria viria a saber.  Num país organizado talvez se chegasse rapidamente ao malfeitor, através da polícia, em cooperação com a agência operadora de telefonia móvel (base de dados).

Gociante Patissa, Benguela 

Crónica: “As exéquias fúnebres” [do escritor Raul David] – fragmentos do Jornalista Florêncio André

Indicado a reportar as exéquias fúnebres de Raul David pela TPA Benguela juntei algum ânimo e fui tomar contacto com a comissão preparatória criada pelo Governo Provincial (…) O corpo seria transladado da morgue do Hospital central de Benguela à Igreja da Nossa Sra da Nazaré, vulgo Pópulo. Uma capela que remonta aí uns trezentos anos. É um monumento nacional.

A isto se seguiram homenagens no salão nobre da Administração Municipal de Benguela e partida para o cemitério da Camunda.

As dez horas da manhã iniciou o programa. Ainda ressoam-me nos ouvidos as notas da melodia que as colunas postas na ocasião espalhavam sobre o pesado ambiente: «Corre veloz para o monte/ Ó pecador sem tardar/ Busca perdão junto a fonte/ Fonte que está a jorrar… coro: Lá frirás paz dos santos/ Lá findarão os teus prantos…». O indivíduo que cuidava do som se distrai e toca o Compact Disc- CD, solta uma kizomba, ao invés da música sacra e suave que a ocasião impunha. Os cochichos surgiram mais tarde, lá fora «mas que distracção pode ser aquela colocar música errada numa ocasião especial! Miúdos que já nem respeitam a memória dos mais velhos, mas afinal, quem é que se exigia respeito e responsabilidade? Qual Dj’s? que toquem lá nas festas! Coisa séria confiem a adultos».

O amigo dos seus amigos, já não podia sentir o cheiro de perfume tão forte de senhores e senhoras de alta sociedade e suor de gente humilde que a suar, empoeirada da cabeça aos pés ou à sola do sapato viera de várias bandas da Cidade Mãe das Cidades para lhe dizer Adeus. Os ais e soluções seguiam-se. Chegava alguém a cada instante olhava para o esquife, quase não acredita na verdade… im, im, im, ai Ti Raul, porquê nos deixaste? Agora a quem vamos pedir conselhos? Ainda te vimos na televisão outra vez no Cubal que foi ao Cubal parecia que estavas mesmo bem da tua saúde, e agora partes assim sem avisar? Ai, im, im…

Tudo sinónimo do carinho que lhe era prestado, por gente desta terra. Uma terra que ele soube muito bem exaltar nos seus escritos, as makas e alegrias numa simbiose e cronologia ímpares. Quanta conversa travada na privacidade dos quintais, em terras de Ombaka na companhia de confrades como Nunu de Menezes e Goia, ou ao calor emprestado de saraus culturais à noite no largo 1º de Maio!!!
(…)
Arranca o cortejo fúnebre. Sol abrasador. Poeira por cima. A poeira não pulverizava apenas o ambiente; confunde-se também com o próprio asfalto. Motorizadas e viaturas; um forte roncar de motores ouvia-se. Carros de luxo tantos. E ele que em vida pouco primava pelo luxo (…) Na clínica onde estivera internado, apenas fluíram os mais chegados.

Cemitério da Camunda. Os serviçais conduzem o carrinho em que assenta a urna contendo os restos mortais de Raul David. Por instantes, nota-se um silêncio sepulcral, só quebrado pelo barulho que se ouviu do lado direito para quem entra neste campo santo. Um homem que também acompanhava o funeral pisou em falso num montinho de terra e precipitou-se numa cova, aberta. O indivíduo apavorado, levantou e saiu apressado para fora evitando ao máximo ser notado, mas quase nada lhe valeu porque muitos olhares caíram em cima dele. Alguém junto de mim falou em tom baixo e que pude perceber: «Isso é que é entrar numa cova não preparada para si, com o pé direito».

As 3 e meia da tarde do dia 23 de Fevereiro do ano de 2005, a urna desceu a cova (…) Reparte o mesmo reduto com a Poetisa, Alda Lara, falecida em 1962; uma mulher de letras Angolanas que soube exaltar os valores da nossa cultura e relevância da mulher na sociedade. Amigos do alheio profanaram-lhe a campa. Roubaram o mármore. Nem respeito há sequer à memória de quem repousa debaixo da terra.

In Subsídios ao Jornalismo Angolano, pág. 15, Florêncio André "Flores", Lobito-Angola 2008
Foto: Angop

sábado, 18 de dezembro de 2010

(Mexendo no arquivo) Crónica: "E lá conheci a capital (I)"

embarque estava marcado para as 7h00 da manhã no voo mono-motor da SAL (Sociedade de Aviação Ligeira). Já não recordo se o trio partira do Lobito em “caravana”, ou se o combinado foi apenas nos encontrarmos no aeroporto 17 de Setembro, na cidade de Benguela. O mês era Junho, em 2001. Cambele, Bráulio e eu estávamos, como tal, devidamente agasalhados.

Neste relato, Cambele, o kambuta do grupo, vem em primeiro lugar, não obstante o B, de Bráulio, vir antes na ordem alfabética. Ansiedade, entusiasmo e doses de traquinice recheavam a nossa bagagem. Aguardavam-nos 15 dias em Luanda para o workshop sobre Coligação e Advocacia em Direitos Humanos, dirigido por expert americano, iniciativa da World Learning, ONG americana com a canadiana Fern Teodoro à cabeça. Cambele ia pelo Projecto (hoje Associação) Omunga, apêndice da Okutiuka. Bráulio era da ADAMA (Associação dos Defensores e Amigos do Meio Ambiente), e eu da AJS, ainda em embrião.

Cambele, que já conhecia a capital, ficou líder do grupo e deu conta do recado! (Diz-se que os kambutas têm que passar em frente e falar alto, ou ficam esquecidos, né?!) Bráulio, amante de motos e atleta de patinagem com experiência e cicatrizes mil, tem familiares na Ilha. Eu conhecia Luanda, como bué de vocês, pelos livros e TV.

Com o avião já na placa, veio a notícia de não embarcarmos por causa da situação militar. Mas como assim, ó Cambele?! Vocês são de 78 e não têm adiamentos. Sim, mas a culpa não é nossa, é o Ministério da Defesa que não nos quer renovar os talões de recenseamento! Yá, o pessoal da DEFA não carimbou os vossos bilhetes. Mas a viagem é interna!!! Então só tu podes ir? A princípio sim, disse, constrangido. O chefe do grupo era apenas mais-velho de um ano. As horas começavam a acelerar o passo. O desespero ruía-nos o peito. O workshop iniciaria no dia seguinte, portanto qualquer substituição já vinha tarde. O único consolo era o sorriso de empatia do pessoal da Escala. Lá foi outra vez o Cambele abordar os “conterras” do Serviço de Migração, afiando os termos de aprendiz de activismo cívico e ex-seminarista, o que veio a resultar. Ai, que susto!

Num momento fecham a porta, ainda na província, e quando a abrem já é capital, nós no Bona! Dupla inauguração: é que, também, só conhecia o interior do avião pelos filmes. Mas não era tudo. Fomos acomodados, qual gente que presta, numa pensão, ao Mártires de Kifangondo. Até então, só doente dormia em outra cama, na sala do anexo de minha mãe. Tudo isso era pouco. Não é que arranjaram eclipse solar e tudo para as nossas boas-vindas...?! As ruas luandenses  eram inertes, o que apreciávamos do quintal do Instituto Nacional da Criança, ao bairro da Calemba. Um dia de se apagar do calendário laboral. Poucos se atreveram a sair de casa, de tanto mito que correu a respeito de eventuais prejuízos do eclipse solar à visão. Soubemos, nas conversas pelo telefone fixo, já que o móvel era um luxo adquirível ao preço aproximando os USD 500, que em Benguela fora também uma agitação. Quer dizer, agora nem já a lua pode beijar o sol à vontade?...

Quinzena memorável, pela socialização, às vezes importunada pela traquinice da nossa idade. Ainda bem que foi oportuno o puxão de orelhas (e a experiência de José Patrocínio, o líder da “Coligação Ensino Gratuito, Já!”, que projectávamos). E de vez em quando, para a minha alegria, revejo alguns colegas de lá que nos invadem as telas, pelo poder, Direitos Humanos, arte, ou oposição: Otília Noloty (administradora municipal da Chibia, na Huila), Helda (candidata à liderança do braço juvenil da Unita), Nany Pereira (Elinga Teatro), Fridolim Kamolakamwe (poeta e declamador showman), Walter Pinto Leite (Bloco Democrático, ex-FPD), Abelardo (série Papá Ngulu), Lúcia (AJPD), etc.

Os churrascos da Fanta bem que deram jeito a poupar o kumbú dos per diem, que não sobreviveria ao luxo dos restaurantes. Não deixou de ser inusitado ver o vibrar de viaturas na escura noite da ilha, mas não vou ser eu a dizer-vos o que montes de casais faziam xinguilados lá dentro em horário laboral da camisinha. 

Bom, e lá conheci a capital. Luanda, digo após idas e vindas, é melhor a olho nu. No papel ou TV é linda, bronzeada, acolhedora, musa, mas lhe falta cheiro, o cheiro da razão ou da vergonha.

Por: Gociante Patissa, Lobito, 2010
www.angodebates.blogspot.com, publicado no Boletim "A Voz do Olho" (de que é editor e co-fundador), edição de Setembro-Outubro de 2010, veículo informativo, educativo e cultural dos Amigos da AJS-Associação Juvenil para a Solidariedade, ONG angolana com sede no Lobito, província de Benguela 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Desabafos do quotidiano: FALHEI

FALHEI: Tento ao máximo humanamente possível ser cumpridor da minha palavra, calculando por isso eventuais consequências do que faço e prometo. O sentido da palavra é das virtudes que admiro nas pessoas, muito mais aquelas, COMO EU, nascidas em berço nada afortunado. Hoje porém me vi numa situação de pedir muitas desculpas. Na mania de multitasking, comprometi-me a ir falar sobre juventude e literatura a grupo de potenciais escritores e trovadores - na minha cabeça agendado para domingo - pelo que bem podia aceitar outro compromisso, jantar fora de casa por um amigo que se licenciou - com quem partilho muitas coisas, entre elas a AJS e o facto de sermos órfãos de antigo militante/combatente/dirigente de massas do município do Bocoio. No fim de contas, meti os pés pelas mãos, ambos os eventos são para sábado, e a física não permite um mesmo corpo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Tive que optar, o jantar pela licenciatura do amigo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Angola apresenta aspectos socioculturais no festival mundial da juventude

Pretória (Do enviado especial) – Livros de 35 escritores angolanos estão patentes desde hoje, quinta-feira, na Feira Internacional de Solidariedade, promovida em Pretória (África do Sul) no âmbito da 17ª edição do Festival Mundial da Juventude e Estudantes.

Trata-se de obras dos escritores António Agostinho Neto, John Bella, Jorge Ntyamba, Filomena Gioveth e Seomará Santos, Adriano Botelho de Vasconcelos, Pepetela, Roderick Nehone, Soraya Mendes, Gociante Patissa, Cristóvão Neto, Nguimba Ngola, Marta Silva Santos, Martinho Bangula, Carlos Pedro, Ovidio Pahula, Costra Andrade, entre outros.

Angola, presente no festival que decorre de 13 a 21 do corrente, apresenta também quadros do artista plástico Benjamim Sabby, discos dos músicos Tata Ngana e Dj Sótão e utensílios de caça dos povos mumuilas.

A bandeira de Angola e um mapa em escultura estão igualmente na amostra, que inclui material publicitário, tal como chapéus, cachecol e camisolas com o respectivo nome.

Da amostra destacam-se livros como “Estes dois são cão e gato”, “O templo do voo”, “Contos de morte”, “Pegadas do passado”, “Nuvem passageira”, “O amor é sempre agora”, “Sexorcismo”, “Mátria”, “Liberdade dos passáros”, “Consulado do vazio”, “Simetrias”, “Gita e outros contos”.

O Ballet Nacional Kilandukilo está a animar a referida exposição, que envolve todas as delegações presentes no festival.

A edição do festival, que realiza-se de cinco em cinco anos, acontece sob o lema “Por um mundo de paz, solidariedade e transformação, derrotaremos o imperialismo”.

Os festivais mundiais começaram a realizar-se após a segunda guerra mundial, em 1947, na sequência da necessidade dos movimentos juvenis se unirem em torno de questões que afectam os jovens e os povos de todo o mundo.

O último festival decorreu em 2005 na cidade de Caracas, Venezuela, sob o lema “Pela solidariedade e a paz, lutamos contra o imperialismo e a guerra”, congregando 25.145 participantes integrados em 90 delegações, cada uma representando um país.

emoção

e tocou o telefone, aliás, mensagem primeiro, que chega fragmentada, a falar das dificuldades que foram os quatro anos, enfim do curso universitário. e a mensagem terminava com parabéns, porque por acaso faço parte dos que tiveram êxito na cadeira de gramática generativa, a única nota que faltava. Dizia o colega, somos técnicos superiores de linguistica inglês, toca a bumbar na monografia da tese de licenciatura. Boa notícia de facto a poucas horas do aniversário de um gajo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Editorial: O «last minute change» (*)

Há um momento particular em que se torna, para os profissionais da aviação civil, difícil manter o sorriso que as regras de marketing recomendam ao lidar com o público. Algumas vezes, ou melhor diariamente, há um ou vários passageiros que se apresentam para check-in para lá de meia hora após o fecho, quando todos os manifestos já estão encerrados e encaminhados às autoridades que operam num dado aeroporto.

As justificações do atraso podem incluir o engarrafamento, como se o atendedor viesse voando de casa, ou recair à suposta falta de clareza, como se no bilhete de passagem não viesse indicada a hora de check-in (que para voos domésticos dura 90 minutos, ao fim do qual o passageiro perde direito ao lugar e se dá prioridade à lista de espera), bem como a hora do embarque. É claro que há também histórias comoventes, que despertam toda a empatia.

E enquanto da boca do profissional não vem o “não faz mal senhor, isso é um país de jeito, vamos arranjar uma solução”, ouvem-se severas palavras… já não é o cidadão civilizado, mas apenas um passageiro desesperado diante da ideia de perder a viagem. “Venderam o meu lugar”, acusa-se geralmente. “Isso é uma vergonha!”, xingam outros. “Olha que eu tenho uma viagem de ligação para Lisboa essa noite, está bem?!”. Pois, mas não podia chegar atempadamente?

Há que solicitar à tripulação o OK para se rectificarem as folhas de carga e centragem, um procedimento para calcular o equilíbrio do avião durante o voo, cujas fórmulas levam em conta o peso da bagagem, dos passageiros, do combustível e distância a percorrer. É que tudo mexe com tudo. Faz-se, então, o tal «last minute change», conceito inglês que em português é qualquer coisa como «alteração de última hora»…

Com essa parábola, o Boletim A Voz do Olho coloca-se no lugar do passageiro que chega tarde, esperando que o seu respeitável leitor lhe conceda um «last minute change». É que, pela segunda vez, houve constrangimentos, e a edição de Setembro-Outubro não pôde ser servida com a devida pontualidade.

Da nossa equipa, receba votos antecipados de boa passagem de ano!

(*) por Gociante Patissa, publicado no Boletim "A Voz do Olho" (de que é editor e co-fundador), edição de Setembro-Outubro de 2010, veículo informativo, educativo e cultural dos Amigos da AJS-Associação Juvenil para a Solidariedade, ONG angolana com sede no Lobito, província de Benguela


Foto: algures na Internet

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

«Gostava de ter um trabalho que me complicasse», Alberto Isaac - No Espaço Homenagem, conheça a história do “Mega” Isaac, um veterano na sonoplastia radiofónica (*)

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O período da manhã é o mais agitado. Ainda assim, “Mega” Isaac aceitou a conversa, com a tácita anuência da Redacção, na emissora dirigida pelo jornalista José Lopes de Almeida Júnior.
«Sonoplastia ou sonorização tem a ver com a preparação de programas, gravação de peças, ou seja, dar tratamento ao trabalho antes de ir ao ar. Operação tem a ver já com a emissão do sinal, com os mesmos cuidados», esclareceu. E quanto ao envolvimento com a rádio – disse –, «Era o meu sonho, antes de sair das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA). Mesmo no exército, já fui radista durante quatro anos». Não obstante o gosto, viria a desistir, por causa do peso do equipamento. «Era um Racal 921, de12 kg, e a pessoa tinha que o levar às costas».
A entrada para a rádio dá-se em Fevereiro de 1985, após formação como operador. «Fiz na Rádio Escola, naquela época dirigida por Mesquita Lemos, durante três meses. Depois vi que no Bié as coisas não corriam bem», conta, numa clara referência à instabilidade provocada pelo conflito armado entre as forças militares da Unita e o exército governamental. O que ele não sabia era que apenas 17 anos mais tarde a guerra entre angolanos terminaria definitivamente, isso em 2002. Foi transferido então, a seu pedido, tendo no início ficado na Rádio Lobito. «Só que Luanda despachou para a Emissora Provincial de Benguela. Fui recebido por Cabral Sande, o director, no dia 11 de Outubro de 1988. O chefe da secção era o Adriano Calenga, já falecido. Trabalhei como operador. Depois veio uma reestruturação, e logo que apresentei documentação, passei para a sonorização». A Rádio Benguela possuía já o mesmo tipo de equipamento, considerado de ponta, com que se ministravam as aulas no centro de formação em Luanda. «Isto é que provocou que a Rádio Nacional despachasse no sentido de eu não permanecer na Rádio Lobito, que ainda não tinha tais meios».
Em cada cinco de Outubro, a Rádio Nacional de Angola completa mais um aniversário. Alberto Isaac, quadro “esquecido” no sector privado, guarda boa recordação dos ex-colegas (ainda no activo) na Rádio Benguela, entre eles o Pilartes Congo, a Teresa Alberto, o Kim Conde e uma rapariga de quem se lembra apenas pelo sobrenome Jorge. «Saí dali por desavenças laborais. O ambiente não era salutar, claro, não com todos. Vim para a Rádio Morena, em 2000, no dia 22 de Abril. Conversei com Zé Manel, na ocasião o director, que me recebeu. Fiquei um tempo na operação, à semelhança do que aconteceu quando cheguei a Benguela, e só depois na sonorização». Ali reencontrou-se com Cabral Sande, já na condição de sócio-gerente.
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 VAMOS AO BATE-PAPO

A Voz do Olho (AV-O): Por que foi que escolheu destacar-se pelas máquinas e não pelo microfone?
Alberto Isaac (AI): Olha, eu pelo microfone já andei. Porque o Bié, na altura, tinha um sistema: o operador não se limitava a isso, também tinha que fazer o trabalho de reportagem. Então, nos dias de folga, o chefe de turno escalava um operador para estar de plantão, e na falha de um, fazer a reportagem, preparar o trabalho, colocar voz, e submeter ao editor.
AV-O: A sua profissão não estimula tanto a juventude, não?
(AI): O problema que existe na juventude é, talvez, o imediatismo. Esta área requer paciência, coragem, e sacrifício. A juventude hoje em dia não gosta de levar tempo para adquirir conhecimento, quer-se tudo numa questão de dois ou três meses, e quebra-se logo o espírito do que se deseja fazer.
AV-O: Sua referência de profissional de rádio quem é?
(AI): É o Fernando Manuel, do Bié, como profissional e pela forma de ser, e não apenas por me ter recebido em 1985. É gestor e ao mesmo tempo locutor e repórter.
AV-O: Sente-se realizado?
(AI): Não digo que me sinta realizado, ainda falta muito. Há muito que preciso e que não foi feito. Embora a idade ainda não permita, tenho sempre aquela esperança de aumentar a formação.
AV-O: Tem algum filho com vontade de seguir os passos do pai?
(AI): Sim, tenho dois. Um deles faz 18 anos em Novembro. E eu aconselharia que ele continuasse com este sonho, numa classe que, embora de muita turbulência, é uma boa profissão.
AV-O: Porquê a rádio e não outros órgãos? Já pensou em ir para a televisão, por exemplo?
(AI): Não, embora já tenha estagiado como colaborador na televisão um tempo, lá no Bié. Depois “despistei”, não tinha muita queda. Voltei para a rádio, embora a sonoplastia na televisão também seja simples. Gostava de ter um trabalho que me complicasse (risos).
AV-O: Dos aprendizes que passaram por suas mãos, há alguém que lhe impressione?
(AI): Sim, por exemplo um que hoje está na Rádio Mais, o Manuel Chandikua. Este rapaz sempre se dedicou, sempre gostei da forma dele, e acho que vai mais além.
AV-O: Às vezes, há a ideia de que a tecnologia é contrária às gerações mais antigas. Como se deu essa passagem da bobine para o computador, ou se quisermos, do analógico para o digital?
(AI): Acho que essa mudança de tecnologia é bem-vinda. Eu começo pelo sistema mais antigo ainda. Com as bobines, embora a qualidade seja boa, era um sistema lento. Passar para uma bobine, desta para uma outra, e tal. O novo sistema está melhor, embora nos dê também dores de cabeça com bloqueios, a insuficiência da capacidade de espaço e memória. Porque a maioria de computadores que aparecem é dessa linha branca, e não suporta. Nós temos um trabalho de muitos arquivos, muito pesado. É aí que temos encontrado dificuldades, mas ao longo do tempo superam-se.
AV-O: Há vozes que se levantam a dizer que o futuro da rádio está ameaçado, uma vez que as novas tecnologias de informação tendem a ser mais atractivas. Também acha isso?
(AI): Não. A rádio vai continuar, e ainda continuará inovando.
AV-O: Quais são os segredos de sucesso para um sonorizador ou operador, técnicos de som?
(AI): (risos) Isso não vale a pena explicar agora, (risos) porque isso tem muito segredo, (risos) e não só. São segredos profissionais.
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“BILHETE DE IDENTIDADE”


Nome: Alberto Isaac Jamba Kanoma. “Mega” veio de indicativo de rádio, no tempo dos walkie talkie.
Idade: 45 anos
Local de nascimento: município da Nharêa, província do Bié
Estado civil: casado
Filhos: sete
Onde encontra mais prazer, na operação ou na sonorização: Pelo tempo que estou nisto, tudo me apraz, Às vezes até a área eléctrica.
Momento mais alto da carreira: é melhor deixar para depois (risos).
Viagens: Até agora só para dentro de Angola.
Em termos de conta bancária, está satisfeito? Ou seja, consegue viver do que ganha?: Suficiente não digo, mas temos de nos alegrar com o que temos.
Tem casa própria? - Sim.
Gostos musicais: Na americana, a suave. Na angolana, o semba. Admiro o Carlos Burity, Bonga e André Mingas. Se o tempo voltasse, os punha outra vez na juventude para darem a carga que merecem (risos).
Já se imaginou a gerir uma rádio?  Eu gosto mesmo é da técnica e continuar com aquilo que sou.

(*) Entrevista conduzida por Gociante Patissa e publicada no Boletim "A Voz do Olho" (de que é editor e co-fundador), edição de Setembro-Outubro de 2010, veículo informativo, educativo e cultural dos Amigos da AJS-Associação Juvenil para a Solidariedade, ONG angolana com sede no Lobito, província de Benguela

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

As rádios comunitárias seriam a saída... Exercício do debate plural através da rádio sai muito caro

A rádio, cada vez mais – sem desprimor para outros órgãos de comunicação social –, joga um papel crucial na promoção da cidadania e transmissão de valores. O radiorreceptor é fácil de transportar, ao contrário do televisor, barato de adquirir, ao contrário do jornal, e tem uma forte possibilidade de penetrar com a mesma força, independentemente da classe social ou grau escolar do ouvinte.

Se a missão clássica da rádio é informar, há no entanto, em regimes democráticos, a emanação legal de democratizar o acesso ao microfone. Não mais uma rádio piramidal, do poderoso que dirige o discurso à maioria de anónimos, mas sim um meio recíproco que reflicta a vida da comunidade, concorrendo para tal o exercício do contraditório. Fica-se muito mais enriquecido se os cidadãos podem optar, onde a imprensa estatal e a privada concorrem para melhorar o serviço prestado.

A Rádio Nacional de Angola (RNA) detém o monopólio de efectuar emissões para todo o território, sendo que as privadas, que emitem em FM (frequência modulada), devem ser de âmbito provincial e num raio inferior a 70 quilómetros. O empenho da RNA em levar o sinal até aos mais remotos lugarejos é um bom avanço na promoção do acesso à informação, mas por si só não basta, uma vez que o seu papel de voz oficial remete as comunidades e a sociedade civil a um papel passivo. Enquanto isso, cerca de nove emissoras privadas de radiodifusão operam em Angola, autêntica gota de água no oceano para uma população estimada em 16 milhões de habitantes.

A Rádio Ecclesia, da Igreja Católica, foi reaberta em 1997, em Luanda. Ainda na capital estão as rádios LAC (Luanda Antena Comercial), Mais, do grupo Media Nova, e Despertar, ligada à Unita. Em Benguela operam a RMC (Rádio Morena Comercial) e a Rádio Mais. A mais recente província com estação privada é o Huambo, a Rádio Mais. A RCC (Rádio Comercial de Cabinda) e a Rádio 2000, no Lubango, foram criadas em 1992 à semelhança da RMC e LAC. Este quadro limita cada vez mais as iniciativas da sociedade civil, que recorre a doações internacionais, no sentido de reforçar a promoção do exercício da cidadania através de espaços de antena em rádios comerciais. As tarifas não são uniformes nem reguladas, apesar de legítimas no quadro da liberdade de mercado. Por outro lado, do ponto de vista dos assuntos ligados à política, o nível de abertura para o exercício da crítica é maior só em Luanda.

Rádio comunitária, como regulada pela lei brasileira, “trata-se de radiodifusão sonora, em frequência modulada (FM), de baixa potência (25 Watts) e cobertura restrita a um raio de 1 quilómetro a partir da antena transmissora. Podem explorar esse serviço somente associações e fundações comunitárias sem fins lucrativos, com sede na localidade da prestação do serviço. As estações de rádio comunitárias devem ter uma programação pluralista, sem qualquer tipo de censura, e devem ser abertas à expressão de todos os habitantes da região atendida”.

Do Ministério da Comunicação social angolano já se ouviu falar sobre rádios comunitárias, o que é bem-vindo se não for apenas nos moldes de expansão de estúdios do grupo RNA. Certamente dependerá da regulamentação da nova Lei de Imprensa e sua adequação à nova Constituição.

Gociante Patissa (In Boletim A Voz do Olho, edição de Setembro-Outubro 2010, propriedade da AJS - Associação Juvenil para a Solidariedade, ONG angolana de âmbito provincial, Benguela)