PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

terça-feira, 26 de maio de 2009

Crónica: “Interferindo ou não?”

Quando ouvi na Rádio 5 a ênfase, “ele já adverte que não permitirá que interfiram no seu trabalho”, uma ilação automática ocorreu: o novo técnico dos Palancas Negras (selecção nacional angolana de futebol) não trazia apenas competência e uma torre de troféus, percebi que o homem tinha mesmo os “tomates no lugar” (para dizê-lo de forma poética). Por essa lógica, Manuel José era uma escolha acertada (não obstante acusações por confirmar ou desmentir de que auferia um exagero de centenas de dólares).
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Foi numa entrevista exclusiva ao telefone para a Rádio 5 que ouvimos a confirmação da contratação do português, que vem “limpar os borrões” de Mabi de Almeida no comando da selecção de Angola, organizadora do Campeonato Africano das Nações (CAN) 2010. E de facto, ele confirmava que gostava de desafios e que, acima de tudo, não permitiria que interferissem no seu trabalho.

Excluindo a possibilidade de ser só, como dizemos em Umbundu, água quente que não queima casa, inclinei-me mais para a ideia de se tratar de alguém que não “engraxa” para se afirmar.

Aliás, é preciso não ignorar que há bem pouco tempo ouvimos o técnico Oliveira Gonçalves a descarregar sobre as críticas da imprensa as culpas do fracasso. Não sendo nada elegante nem recomendável tal expiação (já outrora registada por outras figuras), seria no entanto menos justo ignorar que os jornalistas são muitas vezes tentados a exceder o poder do microfone, debitando juízo de valores sobre particularidades longe do seu domínio. Mas há outros agentes cuja interferência é mais presente e com contornos subtis.

Adepto da máxima “seja utópico, exija o que é realista”, reforçada talvez pela experiência no mundo de ONG’s, gosto de pessoas que ascendem na base da competência, pois não nos obrigam a “engraxar” com elas. Pelo que, ter ouvido Manuel José a dizer o que disse, fez-me indagar sobre como agiriam os “treinadores de bancada”.

E não tardou que surgisse o teste, quanto a Manuel José permitir ou não interferências. E a manchete do Jornal de Angola não se fez esperar: “Manuel José ignora Love Kabungula”. Seria caso de interferência ou exposição de um facto apenas? Restava ouvir os argumentos de razão do treinador, na base da não inclusão do melhor goleador do gira-bola (ao serviço do 1º de Agosto), uma vez que incluía Man-Torras, que não é titular no Sport Lisboa e Benfica.

E a decepção foi ouvir (de viva voz) o técnico Manuel José justificar que convocou com base numa lista de 60 atletas, sendo destes, 20 pontas de lança. “Não tive esta informação [referindo-se ao bom momento de forma de Love]. Não conversei com o Pedroto, que até é meu amigo”, dizia, para acrescentar: “quis fazer a selecção à minha maneira”.

Caro professor José, como é que se vai convocar uma selecção (não importa se o técnico está no estrangeiro) sem questionar o que é vital? Ora, se o argumento era termos um treinador que conhecesse o futebol africano, não seria obrigação sua fazer um levantamento junto da FAF dos melhores atletas a actuarem no campeonato nacional?

Oxalá esse erro crasso de comunicação não abra antecedentes para próximas interferências.

Gociante Patissa, Benguela 26 Maio 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

África mãe zungueira

Esta que se aproxima
carrega uma criança às costas e outra no ventre
uma nuvem húmida rasga-lhe a blusa
lembrando que é hora de parar e amamentar
e lá vai ela seguindo o itinerário que a barriga traçar
gestora de um ovário condenado a não parar
porque é património social
penhora o útero na luta contra a taxa de mortalidade

.

Conhece bem demais a cidade
não tanto pelos monumentos
mas pela necessidade
viandante como a borboleta
fez-se fiel e histérica amante
da lei da compra e venda de porta à porta
uma lei entretanto não prevista por lei
“depender só do marido? Nunca”
mal acordou a urbe já peleja aliciando clientes
no estômago só o funji do jantar de ontem
sem tempo sequer para escovar os dentes

.

Lá vai mais uma dobrando a esquina
de pregão firme como a voz do tambor
humilhada aos poucos pelo sol
nos mapas de salitre da poeira que adormeceu no suor
.

Forte por fora muitas vezes vulnerável no íntimo
veja esta
nos olhos encarnados grita despercebida
uma mulher mal amada
nunca descoberta
rainha de etapas queimadas
ele que devia ser companheiro
é de se esconder no copo
quando os ventos são ásperos
autentico chá em taças de champanhe
não estar disposta para mais um suor sagrado
é para ele frontal apelo à violência
habituada a levar da cara odeia a sinceridade do espelho

.

Por aqui passou mais uma profissional da zunga
protagonista anónima com mil mestrados da vida
contudo não contada na segurança social
para o turista uma espécie de paisagem
rosto de uma noite que lançou a mulher
às avenidas dialécticas dos centros urbanos
no seu dever de sustentar a sociedade
a mesma que a condenará antes de amanhecer
por não participar da vida política
ou por não saber ler
nem escrever
.
In consulado do Vazio (Gociante Patissa-KAT consultoria e empreendimentos, Julho 2008)

domingo, 24 de maio de 2009

Bangula e amigos brilham no show de poesia e trova

O Centro Católico foi palco do espectáculo de poesia e trova, no sábado (23/05), que juntou, na cidade de Benguela, escritores locais, trovadores, fazedores de poesia e curiosos. O escritor Martinho Bangula e o músico Agostinho Sanjambela foram os mentores do evento, que teve entradas grátis. O público homenageou a noite ao colaborar até ao último minuto.

Bangula, autor do livro “Sexorcismo-poesia para purificação”, não escondeu as limitações vividas por falta de fundos, mas está motivado a continuar. «Na próxima actividade, é melhorar a música, a iluminação, adornar melhor o espaço. São questões acessórias, o fundamental penso que fizemos», assegurou.

Entusiasmado também ficou o declamador Apolo Malheiro. O convite e a actividade representam, disse, «um impulso para nós que estamos a entrar no mundo da poesia».

Como músico, o rasta Agostinho Sanjambela esteve no melhor da sua inspiração. Foram dele a guita
rra e os coros que deram alma aos declamadores, entre eles o showman Fridolim Kamolakamwe. Como co-organizador, Sanjambela confessa: «Foi uma cena fora de série porque, praticamente, trova e poesia é uma coisa que deixamos de fazer há muito tempo. Queremos reactivar isso como um renascimento».

Satisfeita saiu também Margarida Máquina, a trovadora que surpreendeu pela positiva o público, ao ponto de ser apelidada num ciclo restrito por Lauren Hill por causa dos dreadlocks. A actividade foi «muito boa! Incentiva, dá mais vontade de aparecer e continuar».

Soube o Blog Angodebates que o evento teve colaborações do Conselho Provincial da Juventude, do Centro de Cultura e Línguas (ONG Leigos para o Desenvolvimento), da Universidade Piaget, bem como dos órgãos de comunicação social locais. Bangula no entanto acrescenta: «E dos meus amigos que vieram aqui cantar, declamar a custo zero».
Gociante Patissa

quinta-feira, 21 de maio de 2009

“Rituais de iniciação” em África animam debate no Isced Lubango

“O papel dos rituais de iniciação nas sociedades africanas” foi tema de debate no Instituto Superior de Ciências de Educação (Isced) da cidade do Lubango, hoje (21/05). Denominada “café de ideias”, a palestra foi orientada pelo estudante Edgar Jacob e abriu caminhos para calorosos debates.

Uma das polémicas teve a ver com o facto de, em algumas regiões da Huila, a igreja católica ter-se “apropriado” do ritual de “efiko” (ritual de iniciação feminino), alegadamente para depurar aspectos vistos como desumanos. Favorável a tal medida, um estudante apegou-se em relatos de casos de morte no “ombelo”, pelo que, disse, «tudo o que atenta contra a vida humana deve ser combatido».

Em reacção, o prelector classificou de errada a prática de “efiko” no espaço cristão na medida em que prejudica a essência do ritual. No mesmo diapasão, e um pouco mais efusiva, alinha a Directora Provincial da Cultura, Marcelina Gomes, que é também docente do curso de história.

A par do background como investigadora, Marcelina revelou à plateia que passou também pelo ritual de “efiko”, classificando por isso de infundados relatos de morte. «Até porque não há cirurgia absolutamente nenhuma no ombelo», referiu, «ao contrário do “ekwenje” [ritual masculino]. Na circuncisão, aí sim, porque poderia haver uma infecção, já que os materiais eram impróprios e não esterilizados», realçou.

Várias outras intervenções apelaram à identificação de formas e mecanismos no sentido de resgatarem, os africanos, alguns dos aspectos mais sagrados da sua cultura, que não escaparam à humilhação colonialista.

Promovido pelo Departamento das Ciências Sociais, o certame é parte do programa de saudação do aniversário do continente africano, que tem na agenda atractivos como teatro, exibição de filmes e música ao longo da semana.
Gociante Patissa

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Nas comemorações do dia d'África... "Consulado do Vazio" é lançado no Lubango

Depois de Benguela e Huambo, o livro de poesia "Consulado do Vazio" de Gociante Patissa será lançado na cidade do Lubango. O evento acontece na quinta-feira (21/05), pelas 15 horas, no anfiteatro do Isced (Instituto Superior de Ciências de Educação) da província da Huila.

Numa promoção da Brigada Jovem de Literatura, encabeçada pelo docente Carlos Cardoso "Chia", o lançamento do "Consulado do Vazio" enquadra-se no programa de mais um aniversário do 25 de Maio, o dia d'África.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Crónica: "Pelas estradas do Lubango, como há seis anos atrás"

A única vez que liguei Benguela à Huila por terra foi em 2003 – das vezes que cá voltei foi por avião. – Naquela altura, não se chegava ao destino sem atravessar a noite, já que a viagem durava 15 horas em média. Era pleonasmo qualquer apelo à prudência, as picadas não permitiam mais de 30 Km/h. Músicas? “Sucessos do Huambo”, uma espécie de receita obrigatória disparada até fartar por leitores à cassete – a cada segunda vez que uma determinada música tocasse correspondia uma hora gasta. Mas compensava sempre ter uma boa companhia…

Ontem, em parte, devido a ajustes de última hora ao programa “gozar as férias divulgando o nosso livrinho”, vi-me tentado a preparar a alma para viajar de autocarro. Com um pouco mais de sorte desta vez, conseguiu-se o bilhete da SGO (um dia antes) na paragem “Camioneiro”.

Optimista, é verdade, pelo advento das obras na via, mas, ainda assim, ansioso na hora da partida (6h50). Vinte minutos depois, próximo do morro do Uche, surgia uma paragem obrigatória. “Não sei se é falta de óleo ou quê…”, especulava o motorista, incomodado por um beep que vinha do painel de instrumentos. Para aumentar ainda mais o pessimismo, tínhamos um motorista que parecia entender pouco de mecânica, quando não trazia assistente nenhum, e havia a noção do quanto a SGO não costuma devolver o kumbú aos passageiros nesses casos.

Parar? O beep não parou, só que o autocarro afinal teria macas de aquecer nas subidas, se excedesse os 5Km/h. É uma velocidade que só se espera de um cágado com cólicas, a sério!, mas deu para chegar ao fim de sete horas de viagem... e bem, é claro.

Vai doer-me não poder visitar o Namibe (a minha segunda cidade depois de Benguela)… mas não há grandes meios, nem tempo. Ademais, “eu sei que vou voltar, a questão é esperar”.

Gociante Patissa, Lubango, 19 Maio 2009

A via na minha objectiva

Necessidade (procura) + produto (oferta) = Negócio... Estamos na comuna de Catengue (Benguela)


Quando a fome do passageiro madruga, há quem não dorme (curte as pernas de galinha "gentias" bem fritas)


A rua principal da sede do município do Chongoroi (Benguela)

Humilde, como só os templos de outro tempo, está este no município de Quilengues (Huila)
Quer dizer... o compatriota passa o dia ao lado da esposa a fritar "mikates" (donatos, na América) e ainda dizem que o marido angolano é machista...!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Amostra de ocupações... é Angola a crescer

(Geralmente dependendo de como "se entendem" com os agentes do trânsito, os hiaces fazem andar o país e calibram os bolsos do patrão... já que nem todos têm carro próprio...)
(Inovação de uma ocupação que no resto do país é feita com carro-de-mão ou kangulo: a de roboteiro (em Luanda/ajudeiro (No centro e sul do país)/"tio António (no Lubango)... só que o do Huambo é... especial)
(Clientes e amigos dos livros fazem o escritor (Chico Pobre-esq-, Lara, Atanagildo, Bungo e Patissa. No dia em que "Consulado do Vazio" foi autografado no "Palácio de Vidro" 09/05/09)
(Benguela e Huambo partilham, também, vastos talhões de massambala. Com essa de biocombustíveis, a agricultura terá de ser novamente a base, para uma indústria que deverá ressuscitar como factor decisivo - ou importaremos até o ar para respirar...)
(Meninas do Huambo, abrindo caminhos para a escola. É como digo, vamos longe... com livros na mão)

Letreiros e sítios no Huambo

Restaurante e piscina (Granja "Pôr do Sol")
(Jardim da Cultura)
(Granja "Pôr do Sol")
("Utiliza-me", diz o caixote de lixo...)

sábado, 16 de maio de 2009

Sinal da TV-Zimbo em Benguela não é novidade

Há alguns (bons) dias que em Benguela se pode acompanhar sem sobressaltos as emissões da TV Zimbo e TPA-Internacional, basta para o efeito adquirir o Kit da TV-Cabo. Cerca de USD 250 é quanto custa o kit e oferece, para além da antena parabólica e do respectivo descodificador, 13 canais. E tem como vantagem o facto de a validação cartão ser “vitalícia”.
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A TV-cabo, cuja divulgação é feita de boca em boca, responde à solicitação (unicamente) através de chamada telefónica. Não se-lhe conhece a sede.
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A cidadã Ermelinda (nome fictício) encara com expectativa o evoluir do serviço de informação da TV Zimbo, isso, depois que assistiu a uma reportagem sobre o roubo de propriedade intelectual entre duas estudantes universitárias finalistas. “Uma roubou a pen-drive da outra, que continha trabalho de pesquisa. A lesada acabou por reprovar, mas a gatuna, só boca…!”, conta com indignação. No entanto, lamenta que o pacote da TV cabo, não obstante o custo barato, está longe de satisfazer quem já foi cliente da Multichoice. Os 13 canais não contemplam os habituais canais SIC, RTP (Portugal), Globo, Record (Brasil) tão-pouco canais desportivos.

A TV Zimbo é propriedade do Grupo Media Nova (capital luso-angolano, que tutela o Jornal O País, a gráfica Dhamer e a Rádio Mais). Com aproximadamente seis meses de emissão experimental, cobrindo nos termos da lei apenas a província de Luanda, a Zimbo deu ontem a conhecer a sua inserção no pacote da Multichoice e passa a ter 18 horas diárias de emissão.
fotos: 1) selo da edição especial de 15/05/09; 2) a apresentadora (ex-miss Angola) Karine Manita entrevistando José Caliengue, editor de política do Jornal O País; 3) Sílvio Kapuepue, jornalista Desportivo.
Gociante Patissa, Benguela 16 Maio 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Crónica: “Mas não devia”

«Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.», começa assim um texto de Marina Colasanti que achei no Blog ANAcoluto e cronismos...

«Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia», diz a poesia. Mas, minha cara, haveria outra forma de suportar o fôlego? Não será isso mesmo viver (no fundo sobreviver) às nossas bíblicas impotências?

Coisas, tempo, memórias, pessoas, amores, tudo. Um dia a gente tem, outro dia já nada sobra. E aprendemos a não ter… pelo menos por algum tempo, como é o caso do meu irmão. A gente se acostuma a levantar a cabeça, mesmo que nos pisem sobre ela. Será que não devia? A gente se acostuma que a vida é para a frente e sempre em frente caminhamos…

É desculpar-me por essa ladainha, mas é que faleceu recentemente o computador portátil HP do meu irmão mais velho. Queimou a motherboard. Se bem o conheço, quebrava-se assim o melhor brinquedo da vida dele, uma porta que o projectava para o mundo do dia seguinte, ou do dia de ontem (dependendo do clic), uma máquina multiplicadora de amizades e conhecimentos.

“Será por causa das oscilações da corrente eléctrica?”, pergunto-lhe. “Acho que sim”, responde-me com uma incerteza que só faz sentido no sentido figurado. A única vantagem é que, ao contrário da irreversibilidade na morte de seres vivos, no caso dos objectos que se quebram ainda podemos sonhar com a ressurreição. Mas “não tem recuperação”, disse-lhe já o técnico. E ele teve de se acostumar com a dor de cabeça de quem se revolta perante a morte de um bem tão novo ainda em sua posse… De que adianta ter saldo no modem, se não existe (mais) um PC para se conectar à Internet?

A gente se acostuma a pagar com regularidade o consumo da energia eléctrica, algo irregular e que nos queima (ou nem sequer arranca) os electrodomésticos… mas não devia (ou se calhar devia, no caso dele, por ser funcionário da empresa de electricidade).

Gociante Patissa, bairro da Santa-Cruz, Lobito, 13 Maio 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Manuel José é o novo técnico dos Palancas Negras

O treinador português do Al-Ahly vai trocar o clube egípcio ao fim de nove anos de ligação, para abraçar o comando técnico da selecção de Angola.

De acordo com um texto publicado no “site” oficial do clube, a direcção do Al-Ahly concordou em libertar Manuel José, que tinha contrato até 2010, pouco depois de o treinador chegar a acordo com a federação angolana.

“Manuel José disse há algum tempo à direcção do Al-Ahly que poderia não cumprir o contrato até ao fim e que estava a considerar uma proposta”, diz o clube no “site” oficial, acrescentando que o técnico “informou hoje o Al-Ahly da decisão que tomou”.

O técnico de 63 anos mudou-se para o Egipto em 2001, depois de ter sido substituído por José Mourinho na União de Leiria. Manuel José alcançou o estatuto de um verdadeiro ídolo no Egipto com os títulos conquistados pelo Al-Ahly. Entre campeonatos nacionais, taças, supertaças e ligas dos campeões africanos, o técnico algarvio deu 18 títulos ao clube do Cairo.

10 May 2009
Fonte:Angonotícias, citando o "Público"

Crónica: “O bunker”

O Rav-4 em que seguíamos pára ao portão. O polícia do lado de dentro faz um gesto giratório com o indicador direito, num claro “façam meia volta, retirem-se imediatamente!”. Só nesta altura nos lembramos de olhar para o relógio, que por acaso até marcava 17 horas e qualquer coisa. Será por ser tarde ou por ser sábado?

Nunca pensei que o Huambo tivesse algo que me fosse excitar algum dia, depois da impressão negativa de há quatro anos atrás – havia mexido demais com o meu lado sensível ver crianças menores de 15 anos fabricando carvão ou no biscato de camponeses para alimentarem os avôs, em aldeias e Ombalas (município da Tchicala-Tcholohanga) situadas a menos de 200 Km do Huambo sede, que já esbanjava Jeeps, “palácios” e concursos fúteis bem recompensados –. Mas volvidos quatro anos, curiosamente, estava eu (entre e com os amigos) ansioso, rezando para o polícia ser mais generoso. Era um “must” a visita à Chianga, a base da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA).

Chico Pobre, rico em dinamismo por sinal, desce do carro para abordar o polícia do lado de fora. Este, num misto de charme e autoridade, caminha em direcção contrária. Mas não resiste perante um Chico persistente e bem instruído a “representar” que vinha no carro um escritor ávido de explorar as potencialidades turísticas do Huambo. Exibia inclusive o livro, como que a dizer “é verdade mesmo, chefe!”. Passados poucos minutos, três outras viaturas juntam-se à fila, crescendo a onda de nobres motivos, e o polícia, “angolanamente”, permite a entrada.

Enquanto o carro segue à velocidade de funeral, vejo-me baralhado com tanto a ver, tanto a fotografar. E agora, falo mesmo assim!, a quem ainda duvida da legitimidade do Huambo em reclamar o estatuto de “Capital Ecológica” perguntem-lhe só se já visitou a Chianga…

Mas a surpresa estava ainda por vir. “Vocês já viram um bunker a sério?”, desafiava um turista encontrado no local. O nosso “não” era evidente no semblante apanhado desprevenido.

Só mais dois passos, estávamos à entrada do bunker… de Jonas Savimbi. Com todos os mitos que o nome e a guerra acarretam, estávamo
s entregues ao relato das façanhas “do mais-velho” na voz de um dos agricultores. Da parte do nosso guia, não faltou o convite para enfrentarmos a treva do antigo esconderijo de luxo do líder “carismático mas brutal”. A aventura era, no entanto, impossível para quem contava só com as lanternas dos telemóveis. Nem mesmo eu, cujo primeiro emprego foi andar em câmaras-escuras na revelação de rolos e impressão de fotografias a preto-e-branco, aceitei. Podia se dar o caso de existirem cobras ou outros bichos letais… e não ficava bem incomodá-los (portanto, uma questão de respeito ao próximo, não de medo…!).

Já a sair, vemo-nos forçados a testemunhar o filme de um casal fazendo amor no seu carrinho de vidros transparentes, bem à beira do lago, num local tão alcançável, tão de todos, que só mesmo a ditadura da libido justificaria tal egoísmo.

Manda a consciência de turista reconhecer que o rosto da cidade do Huambo melhorou acentuadamente. Fica até difícil lembrar-me daquela imagem anedótica de estradas com semáforos bons mas sem asfalto. “Agora o Huambo é outro”. E quando chegar a hora de regressar, levo mais uma lição comigo: o Huambo é para se ir conhecendo aos poucos. Nada melhor que voltar.

Gociante Patissa, Palácio de Vidro, Huambo 10 de Maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ainda chove no Huambo

Rostos do Huambo
....
umas vezes de noite, outras de dia
quase sempre sem avisar
vem a chuva tudo molhar
o rosto verde alargar
é o Huambo e a recompensa às férias
.....
Gociante Patissa, Huambo, 06 Maio 2009

"Consulado do Vazio" será autografado este sábado lançado no Huambo

Depois de Benguela, Huambo acolhe o lançamento do livro de poesia "Consulado do Vazio", de Gociante Patissa, uma colecção de textos escritos ao longo de 12 anos, com ilustração de capa de Délio Batista.
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- Sábado, dia 9 de Maio a partir das 9 horas no espaço do Palácio de Vidro (Cybercafé, cidade alta do Huambo)

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- Domingo, dia 10, às 17 horas na portaria do Cine Comandante Bula Matadi, num encontro com o teatro do grupo "Vozes de África".
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Se estiver no Huambo, já sabe, passe pelos locais acima indicados e adquira o seu exemplar.
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Na foto: o promotor do evento no Huambo, Horácio Sacupema Barato "Coragem" (esq) e o autor, Gociante Patissa (dir) no Jardim da Cultura, cidade do Huambo

terça-feira, 5 de maio de 2009

Crónica: “O regresso ao Huambo, quatro anos depois” (I)

De repente, o toque no teto, aquele jazz umbilical que só a chuva sabe orquestrar. Pouco importa se foi por poucos minutos. Deu para vê-la e sentir que me dava as boas-vindas. Obrigado, senhora dona chuva, que já ia longa a saudade, já que nunca mais passou lá por Benguela.

Depois daquelas chamadas e SMS para a família e pessoas chegadas, depois de um bom banho, seguido de um bom funji com repolho, há forças para juntar umas ideias. Claro, com as nádegas cansadas (a esponja na verdade é “rasa”), sono aparentemente acumulado, daquelas coisas que só quem viajou por terra sente. Foram cerca de seis horas em três Hiaces diferentes, tudo por culpa do Novo Código de Estrada, uma ida memorável pelos ligeiros impasses.

Era pouco depois das cinco e meia quando chegamos à paragem “camioneiro”, seguindo as orientações baixadas ontem pelo bilheteiro da SGO. «Não recebemos dólares e também os [22] bilhetes para hoje já acabaram. Amanhã vendo os outros 22… é a regra da empresa», sentenciava. Ainda sugeri a elaboração de uma lista de espera. “Não! Aqui não fazemos isso, vem só amanhã”. Ordem dada, ordem cumprida (não é assim quando não se está em posição de vantagem?!). Mas à hora combinada, hoje, e com aquela “frieza profissional”, disse-nos o compatriota que só tinha bilhetes para o autocarro do dia seguinte. «Os colegas não avisaram, até a minha família perdeu lugar», sustentou.

Um Hiace era justa alternativa, até porque cobrava os mesmos 2.500,00 kwanzas que o autocarro. Carro lotado, motorista ausente. Pega o cobrador no seu telemóvel e, quinze minutos depois, lá surge o mestre justificando, baixinho, que estava a dormir. Às seis e quarenta e tal deixávamos o parque. Parecia táxi de outro “mundo”, tal era a comodidade lá dentro. Motivo? O novo Código de Estrada tem fama de severo em casos de excesso de lotação.

«Daqui ao Huambo fazemos quantas horas nessa via da Ganda?», perguntei ao cobrador, na mania de controlar sempre o tempo. «Isso não se conta», desencorajou.

Postos na Ganda, surgia uma conversa “estranha” sobre operação stop. O “nosso” motorista apercebe-se de que “está mesmo duro, licença de táxi da província de Benguela não vale no Huambo”. Multa? Cento e noventa mil kwanzas. Meia hora depois, surgia uma solução criativa: troca de passageiros com outro Hiace vindo do Huambo. Adeus conforto, já que o motorista não temia superlotação.

A meio do caminho, um sonante protesto tomava conta dos passageiros, que acabavam de ouvir a conversa ao telefone, na qual o motorista negociava com um suposto subordinado a possibilidade de findar apenas em Longonjo, passando os passageiros para outro Hiace que tinha a pintura azul-branco.

«Só aceitei vos trazer para vos facilitar… isso já é um endendimento motorista-motorista; vocês, como passageiros, já não têm nada a ver», defendia-se. O protesto baixou de tom, mas a viagem continuou até Caála. «Aqui vocês têm que endender o meu caso. Sem pintura própria não posso entrar na província, só nos municípios». Silêncio. «Meu tio mesmo é comandante da Viação e Trânsito, me chamou atenção, que não vale a pena arriscar». Lá o homem pagou os 50 kwanzas por cada passageiro e estávamos outra vez a mudar de carro. No final, como nos filmes, tudo saiu bem… e ainda bem!

Espero, ansioso, que me levem a passear para rever o Huambo sede. Gostaria (mesmo!) é de ter novidades a respeito de algumas povoações e Ombalas, que conheci enquanto integrante de grupo de pesquisa em 2005: Ombala Tchiaia, Sambo e Mbave. Até amanhã…!

Gociante Patissa, Kalomanda, Huambo, 5 de Maio de 2009

domingo, 3 de maio de 2009

(Nós somos pela) liberdade de imprensa

A 3 de Maio de 1991 é feita em Windhoek uma declaração no sentido de proteger universalmente a liberdade de imprensa. Por isso se comemora sempre a 3 de Maio o dia da liberdade de imprensa. Mas essa é das tais datas sem data precisa: para haver liberdade a imprensa tem que exercê-la diariamente. E para haver imprensa livre temos que ser, todos, diariamente livres.
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sábado, 2 de maio de 2009

Crónica: "De malas quase arrumadas"

E como se o mundo decidisse de uma vez por todas ser generoso comigo, ainda não tocou o telemóvel para assuntos que tivessem a ver com aviões, bilhetes de passagem, etc. É caso para dizer que iniciaram bem as férias anuais de serviço, que já vão no seu segundo dia.

Sensação estranha, vejo-me a reaprender que existe fim-de-semana prolongado, estando no lugar de quem procura serviços para relaxar. De repente você se vê livre do relógio, como “gente normal” que não tem que dar no duro no feriado para completar o relaxe dos outros… Louvadas sejam as férias, assim na escola como no trabalho!

Tudo o que me interessa agora é viajar um pouquinho por algumas províncias, andar por aí a montar a minha "mesa" para continuar com o lançamento do livrinho de estreia “Consulado do Vazio”. Não é poesia o que a juventude quer ler nos últimos tempos, bem sei que ela não saltita como o Kú-duro, mas lá vou eu com a contumácia de poeta, “impondo” aos que cruzarem o meu caminho o reforço das suas bibliotecas domésticas.

Pressinto que o Kwanza-Sul tem mais a mostrar fora da estrada de Luanda; como um sonhador, dormir e, ao acordar, sentir que o Lubango e o Namibe me acolhem como turista que traz, mais do que receitas económicas, uma proposta literária. E por que não enfrentar Luanda? Sei que não seria o primeiro criador munido apenas com o poder da humildade e a força sagrada da amizade.

O plano é ambicioso para quem só tem o subsídio de férias para gastar, mas se não der para as despesas de marketing para o lançamento, dará com certeza para viajar, conhecer locais, rever cidades e pessoas. Atrevo-me a acreditar! Turismo, isso mesmo, fazer turismo, sem grande cash nem chave de carro, apenas com olhos de ver e mente de imaginar.

No entanto não fazia parte dos planos ter enxaquecas, como a que tive esta manhã, quando ainda tinha diante de mim um monte de loiça (acumulada durante semanas) para lavar (própria de solteiro preguiçoso, né?!). Até entendo que ninguém adoeceria por mim, mas é já mesmo logo uma enxaqueca para alguém que nem sequer andou aos copos (que daria em ressaca)?!

Mas como dizem os brasileiros, “vazo ruim não quebra”. Não sei se é o meu caso mas já estou bom. Um abraço aos amigos, meus e os do Blog Angodebtes. E se não nos virmos tão cedo por aqui, a culpa é das férias. É que não me decidi ainda se levo o meu velho portátil comigo ou não. E sobre isso, qual é a sua ideia?

Gociante Patissa, Benguela 2 de Maio de 2009