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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Sugestão de filme | Jill Freedman - Documentary Photographer

Para quem sente a fotografia como arte e paixão e tenha domínio da língua inglesa, aconselho a ver o documentário intitulado "Jill Freedman - Documentary Photographer", 46 minutos, que é uma rica narrativa poética bem humorada e com fotografias a preto-e-branco muito cativantes (nostalgia, acção, intensidade). Sentada na sua cadeira de palestrante, a autora, na casa dos 60 anos, põe o espectador a viajar pelo acervo dos seus cliques cosmopolitas. Muito inspirador! É uma daquelas coisas que a globalização nos oferece de melhor a partir dos Estados Unidos, de onde geralmente em termos de produtos culturais só vem entulho exportado a preço de ouro.
Ainda era só isso. Obrigado
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Em linhas tortas (13)

Há mesmo dias de azar. Quer dizer, sua excelência eu tem um acidente logo ao acordar de uma noite de insónias. Não é que ao garguejar meio copo de água misturada com água oxigenada, engoli por acidente um gole avantajado!... Se me virem loiro por aí então já sabem, ya? Será que há vantagens colaterais? hahahah Obrigado | www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa
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Em linhas tortas (12)

Ao passar pela viatura dele estacionada à porta de casa, o meu amigo reparou que as calças brancas ficaram manchadas de poeira. Achando aquilo uma indirecta para agendar a ida à estação de serviço (outro gasto fora da agenda numa fase de crise), lá ele olhou para o ligeiro e falou: Sinceramente, ó meu querido carro! Tantos anos juntos, mas tenho de dizer a verdade. No combustível, sou eu. Na manutenção sou eu. Nos pneus idem. No saldo do polícia é comigo. Ter você é uma parceria "leonina e abusiva". Só que depois de desabafar, fica já aliviado, oh coiso, o outro não consegue. O coitado foi para a cama ainda mais preocupado. Como o carro não lhe respondeu nem um nem dois, será que vai pegar na manhã seguinte? Mba Ainda era só isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa
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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Em linhas tortas (11)

As mais diversas reacções à entrevista colectiva que o presidente da República concedeu ontem no jardim do palácio, em Luanda, remetem-me a uma triste noção de um problema que temos como sociedade: o preciosismo. De repente, queriam todos os observadores que tudo corresse dentro de um perfeccionismo (por acaso, sem indicadores). E fica realmente difícil imaginar como tal fenómeno sairia com êxito se tivermos mais de 15 perspectivas. Porque não olhar para o evento como uma nova aprendizagem para todas as partes e como tal semente lançada para fazer das colectivas com o presidente uma experiência a se consolidar? Aos jornalistas, por exemplo, não foi dada a oportunidade de rebater eventuais zonas cinzentas nas respostas do PR. Este, por sua vez, nunca em sua vida foi alvo de uma só vez de mais de cem "inquiridores". Daqui a pouco ainda surge alguém a nos convencer de que o PR cometeu um crime de lesa-pátria ao abrir-se a tantos jornalistas, pelo que deverá cancelar tais iniciativas. Desta vez sua excelência eu prefere inventariar no seu cantinho os factores que influenciaram a realização da conferência de imprensa, pelo que reparte os elogios em proporções equitativas a todas as partes envolvidas: aos jornalistas, aos serviços de apoio ao PR, a JLo, até mesmo aos pavões que reforçaram o cenário com o toque de ecologia. Juízo de valores fica para depois da segunda experiência, altura em que já teremos referência de comparação. Ainda era só isso. Obrigado

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 09 Janeiro 2018
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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Em linhas tortas (10)

Na ressaca da "press con" da excelência dele o compatriota JLo, que desde a primeira hora auguramos corresse pelo melhor, estamos com uma ideia inovadora. Mas assim, tipo, ora, bem, quer dizer, numa segunda-via da coisa, será que os bloggers podiam ser contemplados também, tendo em conta a dinâmica da era digital? É só não exigirem fato e gravata, que tal? Bem, ainda era só isso. Obrigado hahhah
www.angodebates.blogspot.com
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Em linhas tortas (9)

Atrasada e atormentada seriam as palavras precisas para descrever a expressão facial com que a agente se apresentou ao local de serviço. O peso da aflição dava-se mesmo a ver pelo rosto suado, como se o amoníaco do seu próprio organismo lhe quisesse renovar os quarenta e tal anos que o seu bilhete de identidade indicava. Tinha cara de sono, direi, que bem condizia com a patente de sargento. Ela entra, saúda, e a maioria aguarda tacitamente por uma justificação: «Estou avir da Técnica [de Investigação Criminal]», diz ela, para a empatia das cerca de dez pessoas na sala de reuniões. «Estás com problema em casa?», indaga um dos presentes. «Yeah, tenho lá um sobrinho. Esses dias, não temos sono por causa do processo. Está preso com uns amigos», continua a sargento, sempre seguida pelo silêncio de solidariedade dos demais. «Pegaram à força uma moça do bairro». Dito isso, os rostos parecem desfazer a empatia inicial, como quem diz «bem feito!», o que veio a piorar quando a agente trouxe cá fora a voz da sua alma: «Mas a moça também já não era virgem, é mãe de dois filhos até…» O repúdio à verbalização da lógica da agente não podia ser mais colectivo. Violação é violação. Não é pelo tipo, é pelo acto.
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa, Lobito 23.01.2013
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sábado, 6 de janeiro de 2018

Em linhas tortas (7)

Recebi quase à meia-noite o anúncio de que a partir das 10h, hoje a Rádio MFM teria um painel escaldante de debate. Achei um tanto estranho, já que o programa em causa está há muito tempo no ar e nunca, até onde sua excelência eu sabe, se recorreu a um tal expediente e a tão altas horas. O certo é que a emissão on-line está a dar erro. Nem pelo aplicativo no telemóvel nem pelo iPad nem pelo brouser do Windows se consegue sintonizar a maldita estação luandense. O que dói ao benguelense já não é a veracidade do debate e se os respectivos convidados potencialmente incendiários cumpriram as expectativas mas sim os 6.250,00 Akz gastos para carregar saldo de dados no router. Excelências, haverá alguém do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor para anotar o nome de quem nos espalhou a publicidade mais ou menos enganosa? Bem, ainda era só isso. Obrigado. www.angodebates.blogspot.com
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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Em linhas tortas (6)

Como bom cidadão, e aproveitando a maré das honestidades e dos apelos à PGR, torno público que sua excelência eu foi tentado pelo mal do nepotismo hoje, razão pela qual estende devidamente à palmatória não apenas uma mas as duas mãos mesmo. O que se passa é que em plenas horas úteis de serviço, que pertencem ao soberano povo angolano, uma vez que cada hora é paga pelo suor dos contribuintes, dediquei os sentidos a pensar na falta que a senhora nossa mãe nos faz e, acto contínuo, ainda na senda das mulheres, deixei-me prender nas memórias da última boca beijada, hipnotizado pelo respectivo brilho nos olhos. Agora vejam lá vocês se isso alguma vez contribuiu para endireitar o país! Pronto, ainda era só isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com
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Em linhas tortas (5)

A cada dia informativo que nasce, na media tradicional ou nas redes sociais, sua excelência eu começa a ver que terá de acelerar o seu regresso à igreja, cair de pára-quedas em uma das "lojas" de Cristo que brotam quais cogumelos. Porque a ligação directa "da casa para o céu" já vai perdendo rede. É tanta indignação olhando para alguns dossiers oficiais e oficiosos na gestão da coisa pública que até me pergunto: Excelências, assim mesmo ainda olhando só para os prejuízos à moralidade e ética social e nos serviços sociais básicos que derivam do V/ pecado da gula, aquela dose bíblica de perdoar setenta vezes sete... não será pouca? Que tal 70 milhões vezes sete? Será que assim quando a noite cai, Vossas excelências conseguem mesmo "dormir sono" de humanos mortais? Só de pensar que muitos de nós chegamos a depositar os sonhos no beiral, já convencidos de o país não ter fundo para assumir a formação de potenciais talentos nascidos em famílias sem "herança"... Teria sido para isso que os nossos avôs passaram cinco anos em cadeias do regime colonial (São Nicolau 1961-1966) sob a acusação de "terroristas"? Ou teria sido para isso que os nossos pais quase perderam a vida nas frentes de combate de guerrilha enquanto representantes da administração do Estado (Chila, Equimina e Kalahanga)? Localizem só o país da justiça sonhada, faz favor. Ainda era só isso. Obrigado  www.angodebates.blogspot.com
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Sugestão de filme | THE SESSIONS (AS SESSÕES)

Foto do site 50 Anos de Filmes
Gostei de ver no Youtube o filme poético “As Sessões”, em inglês “The Sessions”, para maiores de 14 anos. Foi lançado nos EUA no ano de 2012 e debate com humor inteligente a delicada questão da sexualidade em pessoas com deficiência severa e o conflito entre a moral religiosa e a dimensão humana. Os personagens principais são o escritor e jornalista tetraplégico que aos 38 anos não gostaria de morrer sem ter tido a experiência sexual, uma terapeuta que tem um pacote de seis sessões implementadas com o próprio corpo, as moças contratadas para cuidar do artista acamado e um padre desconfortável no papel de confidente num tema tabu, o erótico antes/fora do casamento.

Sabe-se já que nesta era das tecnologias de informação, meter-se a fazer exercícios ensaísticos sobre um filme na óptica de consumidor é escusado, com tanto de resumos e sinopses feitos por especialistas que estão disponíveis na internet, pelo que a abordagem desta sugestão foca nas emoções pessoais e nada de técnico.

Escrito e dirigido por Ben Lewinficciona factos reais. No site adorocinema.com lê-se que “Mark O'Brien (John Hawkes) é um escritor e poeta que, ainda criança, contraiu poliomielite. Devido à doença ele perdeu os movimentos do corpo, com exceção da cabeça, e passa boa parte do dia dentro de um aparelho apelidado de "pulmão de aço". Passa os dias entre o trabalho e as visitas à igreja, onde conversa com o padre Brendan (William H. Macy), amigo pessoal. Sentindo-se incompleto por desconhecer o sexo, Mark contrata os serviços de Cheryl Cohen Greene (Helen Hunt), especialista em exercícios de consciência corporal, que o inicia no sexo.

Os diálogos são ao mesmo tempo simples e ricos, com o personagem principal bem-humorado e num enredo que cuidou de o não retratar como coitado e melancólico. Uma das passagens mais criativas nos diálogos é quando a terapeuta pergunta “Como é ser poeta?” e ele responde “é viver dentro da própria cabeça onde passamos a maior parte do tempo”. Ainda era só isso. Obrigado
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Em linhas tortas (4)

Celebremos, somos homens! A culpa é da mulher, tem de ser. Sempre. Sempre ou quase sempre? Sei lá! Há que evitá-la. Culpa pelo vento que levanta a saia e expõe. Culpa pelo olhar enviesado do banhista, culpa pelo bolsar e coma etílicos do marido, culpa pelo filho confeccionado por ele fora e na vigência do casamento, culpa pela “bexiga” que dói, pelo odor do fluxo justo em dia de altos apetites. Culpa pelas crises de adolescência do agregado. Culpa por verbalizar palavrão, exteriorizar desejo, fazer uso da prodigiosa e mucosa estufa quando, com quem, onde e como aprouver. Culpa por servir no prato algo nada próximo ao do restaurante. Alvenaria armada com o patriarcal e a moral religiosa algumas vezes ultra-conservadora. Ah, e a maior delas: culpa pelo casamento que não der certo. Celebremos, pois somos homens! É o que fazia aquele vizinho do terraço na Zona Comercial. Os demais apadrinhavam por omissão o que para um invejoso podia soar revoltante. Investira os parcos recursos de estivador do Porto do Lobito na aquisição de um meio chamado mulher (não atesto o título de propriedade, culpa minha), a qual alojou, como já referimos, no terraço do edifício que dava a testa à Livraria Magalhães, defunta, por volta de 1998. Alimentava-a com o que podia, dava-lhe de beber também. E o meio cumpria, deduzimos, consoante o estímulo, as suas atribuições, não se sabendo a autoria da ausência de rebentos, se dele ou dela. O ponto mais alto do lazer, que tinha no desentendimento forjado a ignição, coincidia com os ciclos de salário. Invariavelmente depois das oito da noite, a percussão iniciava à porta fechada, acrescente-se, o que afastava a hipótese de se tratar de um improviso. Num primeiro plano os sons que chegavam à plateia eram estaladiços, depois agudos. A vizinha, merecidamente, estaria a apanhar. Tentei no outro dia bater violentamente à porta como meio de demover o vizinho do que me parecia ser agressão. Quase fui expulso do prédio. Não valia a pena se meter. A mulher era dele que, irritado, podia partir a socos para cima de mim que não passava de 55 Kg. O que vinha a seguir era previsível. Imaginava-se uma marido que agarra a mulher pelo braço e corre com ela de uma ponta sala, embatendo violentamente a cabeça dela contra a outra parede. Maldade a dela por ter carapinha frondosa e deste modo amortecer o impacto e aquele símbolo de valentia de macho, o galo da senhora ao amanhecer. E o meio chamado mulher só gritava: “Me bate só, mas não me xota de casa”. E ele, muito generoso, fazia esta vontade. Torturaria mais vezes, mas respeitando o limite. O que diria ela à família caso fosse xotada do lar, né? Ainda era só isso. Obrigado. | www.angodebates.blogspot.com
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Em linhas tortas (3)

Duas semanas já. Tinha dado todas as voltas possíveis a visitar perfis mas, não, dela nada achava. Para lá do nome de registo, ao que tudo indica sem paradeiro, nada mais o ligava à rapariga como antecedente senão a vaga sensação de lhe soar familiar o rosto. Talvez a tivesse visto antes, a julgar pelo doce à vontade com que a rapariga o abordou em pleno horário de serviço. E ela? Diria o mesmo? De que servem as perguntas quando não encurtam os extremos? Há encontros, por casuais que sejam, que se negam a embarcar para o passado. É como se, inquietos no tempo, se revestissem de promessa de retoma. Ficou-lhe o contacto, as palavras, o sentido de humor, o sóbrio vestir, o olhar-lhe nos olhos a poucos palmos de distância. De nada vale agora o esforço, nem o rosto dela mais ele consegue imaginar. E quando acontece, e disso sabe-o bem o rapaz, é porque houve ali uma nascente de afectos. Sim, ele conhece-se a si próprio pela faculdade de não memorizar rostos de mulheres que lhe tenham com alguma profundidade marcado.

Gociante Patissa | Aeroporto Internacional da Catumbela 18.11.14 (Conto em construção) | www.angodebates.blogspot.com
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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Em linhas tortas (2)

A quadra festiva é a época mais desgastante física e emocionalmente no ramo da aviação civil, de sorte que sua excelência eu (não podendo dizer que atingiu o zero, porque cabular até não fica muito bem) carece desesperadamente de um weekend de relaxe para reiniciar o sistema, desligar a ficha de tudo (makas familiares, amizades, trabalho, literaturas, enfim). O problema é só já o itinerário exequível e os desafios de ordem logística. Falaram que o carro que nos coube está fora de questão, que pode haver só ida e não "legresso". A propósito, excelências, alguém sabe informar se a hospedagem no espaço, nas dependências do magno Angosat-1, aceitam pagamentos em kwanzas? Ainda era só isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com
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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Em linhas tortas (1)

Do que não correu tão bem em 2017, agora sua excelência eu nota que foi com muita consternação e pesar patrióticos — outro sentimento contrário seria aliás impossível — que os angolanos se viram privados do um dos mais importantes símbolos nacionais, o concurso Miss Angola, aquela tradição de fim de ano que em boa hora nos enchia de água a boca (excitar a pontaria posterior na braguilha do empresário também, digamos), apreciando o desfile de esbeltas meninas de 20 e poucos anos em passerele (o momento de tangas ao léu sendo o ponto G da transmissão televisiva), misturado assim com um simulacrozinho de cultura geral. Foi realmente um duro golpe às conquistas científicas e culturais. Que faltasse tudo, menos as misses. Nem a crise merece perdão. Mas, excelências, será que faltou depilador? Ainda era só isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com
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domingo, 27 de setembro de 2015

UM TOQUE DE CONTRADITÓRIO SOBRE… Diário | Há gente a colher sem plantar no top dos mais queridos da RNA?

Acabo de receber esclarecimento da parte de alguém mais abalizado no que respeita ao Top dos Mais Queridos. Foi-nos esclarecido que nos termos do regulamento, o público é que vota (no conjunto da obra e não apenas em uma música) no artista, sendo que aqueles cuja máquina de marketing for mais activa têm maiores hipóteses de figurar entre "os mais queridos". A questão que se coloca é de carácter dos direitos autorais e conexos, que de qualquer modo escapa ao escopo do regulamento do prémio. Conta ainda em desfavor de artistas fora de Luanda o facto de em suas localidades terem pouca aparição por razões óbvias. De qualquer modo, a nossa fonte reconhece que a realidade hoje está distante daquela que se vivia, isso há 30 anos, quando o voto era apenas pelo cupão físico. Outro factor ainda é que a faixa etária que mais domina a estética da música não vota, o que depois favorece aqueles nomes que estão mais próximos de jovens e adolescentes, que em termos demográficos são a maioria, considerando ainda, isso em nossa interpretação, a esperança de vida mediana em Angola. Para isso, foi idealizado o prémio da crítica para corrigir esta questão de artistas que, não sendo populares, têm um nível de estética mais consistente. O Top, resumindo, ainda é guiado pelas leis de mercado. A reconfiguração do formato é uma possibilidade que os organizadores têm estado a ponderar.
Gociante Patissa. Benguela, 28.09.15
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Diário | Há gente a colher sem plantar no Top dos Mais Queridos da RNA?

Tenho estado a reflectir sobre os prémios de um modo geral no campo das artes e da comunicação social, onde parece crescer o cepticismo quanto aos critérios, sendo que, na voz de críticos diversos, a conveniência parece suplantar a excelência. No caso do Top dos Mais Queridos, tradicional e prestigioso concurso com a marca da Rádio Nacional de Angola, a questão que se vem levantando nos últimos anos é a concorrência mais ou menos desleal que alguns de nós vemos quando por exemplo se premeiam intérpretes de temas de si já muito populares, quase sempre da década de 70. Foi assim com o músico Legalize, que reinterpretou o tema "na gajajeira" (original de Urbano de Castro), foi assim com Edy Tussa (que por acaso vem fazendo carreira na especialidade de "ressuscitar os mortos", entre os quais Tony do Fumo), foi também assim no ano 2003, em que Bessa Teixeira ficou em segundo lugar com a sua reinterpretação de "sulunla", do cancioneiro Umbundu, perdendo para Patrícia Faria que interpretou "caroço quente", lançado naquele mesmo ano. A concorrência mais ou menos desleal reside no facto de concorrerem com autores com temas originais, acabados de publicar no ano a que o concurso faz referência. A edição 2015 não foge à regra, com a Ary a concorrer com um tema relacionado com o abandono de lar, saído nos anos 1990. Não seria melhor optar pela uniformização, definindo para já a natureza dos temas, se originais ou se "emprestados"?

Gociante Patissa. Benguela, 27.09.2015
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Crónica: "Ora colhe as sementes, ora tenta resgatar a utopia das acácias"

Um ano depois, ficamos a saber, já com aquela inofensiva – sem deixar de ser sádica – alegria, que a ministra tinha sido exonerada. As razões à volta do facto eram-nos irrelevantes (mas explico lá mais adiante porquê).

Hoje, pouco antes das 18h00, visitei a residência sede da Rádio Ecclesia, na cidade de Benguela, bem ao lado do Bispado, como não fazia há seis anos. Foi preciso algum esforço para disfarçar os sorrisos de nostalgia, no mínimo, para não ser tomado por um visitante emparvecido, como sempre acontece quando alguém esbanja alegria sem contextualizar os “vizinhos”. Foi como se um balão do tempo me fizesse mergulhar aos bons anos de convivência. Nomes, momentos e jocosidades brotaram. Depois veio a noção da ausência, como que a escorregar entre os dedos. O tempo é assim mesmo, tem das suas: um dia aproxima-nos, outro dia manda-nos para hemisférios desencontrados, desgastando os afectos.

2004. Uma inusitada empatia unia-nos, quando o normal seria, provavelmente, nos vermos como rivais, uma vez concorrentes. Uns mais dotados que outros, havia também os que precisavam mais do emprego que outros, mas nada estragava o bom humor. Éramos cerca de dez jovens, anónimos por assim dizer, durante três meses de triagem para redactores-repórteres-noticiaristas, no contexto da iminente abertura da Ecclesia em Benguela (que acabou por não acontecer, por imperativos legais – no consulado do ministro da Comunicação Social Hendrick Vaal Neto. Até hoje está por sair a licença de emissão).

Bom, voltando à Ministra… A primeira parte dos testes foi ler, com aquela vaidade que se espera de locutor. Para a nossa pouca sorte, o texto era de uma revista, com aqueles luxos já esperados, muito brilho e excesso de maquilhagem nas fotos e tal, que só atrapalha, mesmo até por causa do reflexo da lâmpada fluorescente. Era só soletrar e engasgar-se que chega, fariamos mais como?!… O Zé Manel e o Padre Samy deviam ser uns bons ardilosos, sabiam que aquilo lá nunca foi texto feliz para rádio. A matéria tinha a ver com a viagem que uma ministra santomense, Maria das Neves, fizera a Portugal, onde aparecia em poses bué, vestes pretas com meias compridas, visivelmente caras. Por acaso achávamos que, se era para inspirar um texto de desgraçar o  teste dos outros, podia muito bem não viajar. Ela estava bem na vida, com formação, cargo e dinheiro, enquanto nós travávamos na jante…

Depois, de azar em azar, a maka veio a estar também numa tal de dicção, não apenas na  complexidade do texto. Afinal já não podíamos dizer /tomé/, tinha que ser /tumé/, e nós que nunca na vida chamamos alguém assim. Ah, porque /f’char/ as vogais. Mas que mal têm elas, as vogais, para agora andarem fe-cha-das?! É só já aceitar, vamos fazer mais como?!… Enfim, cada um que fosse à cabine, voltava aborrecido, com raiva da ministra.

Superada essa etapa, que levou muitos candidatos ao caminho de volta para casa, recordávamos a cena para rirmos das nossas dificuldades iniciais. Foi por isso que, mesmo que não nos tenha feito mal algum de forma objectiva, passamos a nutrir antipatia pela ministra, que mais tarde se ouviu metida em acusações de corrupção. Quando soubemos da sua exoneração… foi mais um pretexto para rir, rir e rir, com aquela sensação de triunfo.

Gociante Patissa, Benguela, 27 Dezembro 2010
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quarta-feira, 5 de março de 2008

Lugar da Mulher é na cozinha? Porquê importar-se com o género? (Arquivo)

Há pouco menos de uma década, “o género” não fazia parte dos debates. A mulher era o foco de políticas ou programas virados à diminuição das desigualdades entre os sexos. Hoje, o paradigma mudou. Termos como “Saúde da mulher” foram substituídos por “saúde familiar”. As quotas para o acesso da mulher na política, no mundo académico e no comércio privado vêm sendo substituídas por políticas regulares de género.
Porquê pular de “mulheres” para “género”? Talvez estejamos a aprender que a desigualdade no género não é apenas um assunto feminino. Apercebemo-nos de que não se pode excluir os homens das oportunidades de micro-crédito sem causar ressentimentos, às vezes até violência, no lar. Os programas de saúde reprodutiva têm menos impacto se apenas metade da população é abrangida, e as mulheres – e não os casais – se encarregarem de tomar de forma isolada as decisões de planeamento familiar. Aumentar o número de mulheres no parlamento pelo critério de percentagens preestabelecidas, sem que haja uma mudança real de atitude, poderia aumentar a sua presença política, mas não o poder político.

Ademais, estamos a perceber que os estereótipos no género não são só prejudiciais para as mulheres, mas também aos homens. A noção de “trabalho feminino” restringe os homens de certas profissões. A pressão de ser o motor do “ganha-pão” limita nos homens a oportunidade de gastar mais tempo com os seus filhos. E a atitude de que “um homem nunca chora” força o homem a esconder as suas emoções, o que é um risco à saúde.

Finalmente, a sociedade no geral sofre os efeitos das desigualdades no género. As crianças têm mais saúde quando as mães têm educação formal. As sociedades são mais produtivas quando 50 por cento dos seus recursos humanos dão o máximo do seu potencial.

Com vista à trabalhar em prol de um mundo em que o homens e as mulheres têm oportunidades iguais, devemos identificar os estereótipos, entender como eles afectam as nossas vidas e reflectir sobre as suas origens. O que é desigualdade no género, como afecta as nossas vidas e sociedades, e como podemos minimizá-los?

Estava eu diante de um grupo de 15 mulheres angolanas e pensei: “o que é que estou aqui a fazer?”. Tinha entrado em Angola havia poucas semanas, o meu português era “péssimo”, e sabia muito pouco sobre a cultura. Ainda assim, encontrava-me a dar um workshop a mulheres rurais sobre “os estereótipos no género”.

Será que se importariam com o que eu iria dizer? Sairiam com o poder reforçado ou mais confusas? Para provocar a discussão, mostrei desenhos de um homem lavando a loiça e dando de comer um bebé e uma mulher reparando um carro e dando comícios políticos. Elas deram gargalhadas e disseram que era impossível – que o desenho não correspondia com a realidade. E quando perguntei porquê, houve silêncio na sala. “Quem decidiu que o homem devia fazer isso, e a mulher aquilo?”, perguntei, e de novo, silêncio. Na verdade, ninguém conhece a origem dos estereótipos. Serão biológicos e depois perpetuados pela cultura? Se for assim, até que ponto?

Os estereótipos no género limitam directamente as nossas oportunidades devido à discriminação. Porém, mais importante ainda, limitam as nossas ambições, autoconfiança e habilidade de sonhar um pouco mais sobre o futuro de cada um. Como podemos mudar os preconceitos sobre a relação entre o homem e a mulher se são biológicas, ou tão imbuídos na nossa cultura e perpetuamos por todos nós. Mas será que podem também às vezes ser positivos?

Muitas vezes questiono o meu papel na promoção da igualdade no género. Numa conferência juvenil sobre os estereótipos no Paraguai rural, um jovem rapaz me disse: “o teu sistema aqui não funcionaria. Os homens e as mulheres precisam ter diferentes responsabilidades para que a vida doméstica ande mais amenamente”. Será que os movimentos pró igualdade no género deviam ser mais endógenos (desenvolvidos dentro da cultura)? Caso não, como podem os agentes externos gerar mudança? Até que ponto a cultural pode justificar as desigualdades no género?
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(*) Traducão do artigo “Make your voice heard” (de Elizabeth Coombs, EUA, elicoombs@yahoo.com) , publicado no site da ONU para os assuntos sociais. Títulos, Boletim "A Voz do Olho", Projecto informativo, educativo e cultural da AJS e amigos; Foto: (menina do biópio batendo funji) por Gociante Patissa
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Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

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Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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