Para quem sente a fotografia como arte e paixão e tenha domínio da língua inglesa, aconselho a ver o documentário intitulado "Jill Freedman - Documentary Photographer", 46 minutos, que é uma rica narrativa poética bem humorada e com fotografias a preto-e-branco muito cativantes (nostalgia, acção, intensidade). Sentada na sua cadeira de palestrante, a autora, na casa dos 60 anos, põe o espectador a viajar pelo acervo dos seus cliques cosmopolitas. Muito inspirador! É uma daquelas coisas que a globalização nos oferece de melhor a partir dos Estados Unidos, de onde geralmente em termos de produtos culturais só vem entulho exportado a preço de ouro.
Ainda era só isso. Obrigado
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Em linhas tortas (13)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 10, 2018Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, Em linhas tortas (1)angodebates, gociante patissa
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Há
mesmo dias de azar. Quer dizer, sua excelência eu tem um acidente logo ao
acordar de uma noite de insónias. Não é que ao garguejar meio copo de água
misturada com água oxigenada, engoli por acidente um gole avantajado!... Se me
virem loiro por aí então já sabem, ya? Será que há vantagens colaterais?
hahahah Obrigado | www.angodebates.blogspot.com
| Gociante Patissa
Em linhas tortas (12)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 10, 2018angodebates, Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, gociante patissa
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Ao passar pela viatura dele estacionada à porta
de casa, o meu amigo reparou que as calças brancas ficaram manchadas de poeira.
Achando aquilo uma indirecta para agendar a ida à estação de serviço (outro
gasto fora da agenda numa fase de crise), lá ele olhou para o ligeiro e falou:
Sinceramente, ó meu querido carro! Tantos anos juntos, mas tenho de dizer a
verdade. No combustível, sou eu. Na manutenção sou eu. Nos pneus idem. No saldo
do polícia é comigo. Ter você é uma parceria "leonina e abusiva". Só
que depois de desabafar, fica já aliviado, oh coiso, o outro não consegue. O
coitado foi para a cama ainda mais preocupado. Como o carro não lhe respondeu
nem um nem dois, será que vai pegar na manhã seguinte? Mba Ainda era só isso.
Obrigado | www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Em linhas tortas (11)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 09, 2018Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, Em linhas tortas (1)angodebates, gociante patissa
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As mais diversas reacções à
entrevista colectiva que o presidente da República concedeu ontem no jardim do
palácio, em Luanda, remetem-me a uma triste noção de um problema que temos como
sociedade: o preciosismo. De repente, queriam todos os observadores que tudo
corresse dentro de um perfeccionismo (por acaso, sem indicadores). E fica
realmente difícil imaginar como tal fenómeno sairia com êxito se tivermos mais
de 15 perspectivas. Porque não olhar para o evento como
uma nova aprendizagem para todas as partes e como tal semente lançada para
fazer das colectivas com o presidente uma experiência a se consolidar? Aos
jornalistas, por exemplo, não foi dada a oportunidade de rebater eventuais
zonas cinzentas nas respostas do PR. Este, por sua vez, nunca em sua vida foi
alvo de uma só vez de mais de cem "inquiridores". Daqui a pouco ainda
surge alguém a nos convencer de que o PR cometeu um crime de lesa-pátria ao
abrir-se a tantos jornalistas, pelo que deverá cancelar tais iniciativas. Desta
vez sua excelência eu prefere inventariar no seu cantinho os factores que
influenciaram a realização da conferência de imprensa, pelo que reparte os
elogios em proporções equitativas a todas as partes envolvidas: aos
jornalistas, aos serviços de apoio ao PR, a JLo, até mesmo aos pavões que reforçaram
o cenário com o toque de ecologia. Juízo de valores fica para depois da segunda
experiência, altura em que já teremos referência de comparação. Ainda era só
isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com |
Gociante Patissa | Benguela, 09 Janeiro 2018
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Em linhas tortas (10)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 08, 2018Em linhas tortas, Em linhas tortas (1)angodebates, gociante patissa
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Na ressaca da "press con" da excelência dele o compatriota JLo, que desde a primeira hora auguramos corresse pelo melhor, estamos com uma ideia inovadora. Mas assim, tipo, ora, bem, quer dizer, numa segunda-via da coisa, será que os bloggers podiam ser contemplados também, tendo em conta a dinâmica da era digital? É só não exigirem fato e gravata, que tal? Bem, ainda era só isso. Obrigado hahhah
www.angodebates.blogspot.comEm linhas tortas (9)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 08, 2018Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, gociante patissa
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Atrasada e atormentada seriam as palavras precisas para descrever a expressão facial com que a agente se apresentou ao local de serviço. O peso da aflição dava-se mesmo a ver pelo rosto suado, como se o amoníaco do seu próprio organismo lhe quisesse renovar os quarenta e tal anos que o seu bilhete de identidade indicava. Tinha cara de sono, direi, que bem condizia com a patente de sargento. Ela entra, saúda, e a maioria aguarda tacitamente por uma justificação: «Estou avir da Técnica [de Investigação Criminal]», diz ela, para a empatia das cerca de dez pessoas na sala de reuniões. «Estás com problema em casa?», indaga um dos presentes. «Yeah, tenho lá um sobrinho. Esses dias, não temos sono por causa do processo. Está preso com uns amigos», continua a sargento, sempre seguida pelo silêncio de solidariedade dos demais. «Pegaram à força uma moça do bairro». Dito isso, os rostos parecem desfazer a empatia inicial, como quem diz «bem feito!», o que veio a piorar quando a agente trouxe cá fora a voz da sua alma: «Mas a moça também já não era virgem, é mãe de dois filhos até…» O repúdio à verbalização da lógica da agente não podia ser mais colectivo. Violação é violação. Não é pelo tipo, é pelo acto.
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa, Lobito 23.01.2013sábado, 6 de janeiro de 2018
Em linhas tortas (7)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 06, 2018Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, gociante patissa
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Recebi quase à meia-noite o anúncio de que a partir das 10h, hoje a Rádio MFM teria um painel escaldante de debate. Achei um tanto estranho, já que o programa em causa está há muito tempo no ar e nunca, até onde sua excelência eu sabe, se recorreu a um tal expediente e a tão altas horas. O certo é que a emissão on-line está a dar erro. Nem pelo aplicativo no telemóvel nem pelo iPad nem pelo brouser do Windows se consegue sintonizar a maldita estação luandense. O que dói ao benguelense já não é a veracidade do debate e se os respectivos convidados potencialmente incendiários cumpriram as expectativas mas sim os 6.250,00 Akz gastos para carregar saldo de dados no router. Excelências, haverá alguém do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor para anotar o nome de quem nos espalhou a publicidade mais ou menos enganosa? Bem, ainda era só isso. Obrigado. www.angodebates.blogspot.com
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
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Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 05, 2018angodebates, Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, gociante patissa
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Como bom cidadão, e aproveitando a maré das
honestidades e dos apelos à PGR, torno público que sua excelência eu foi
tentado pelo mal do nepotismo hoje, razão pela qual estende devidamente à
palmatória não apenas uma mas as duas mãos mesmo. O que se passa é que em
plenas horas úteis de serviço, que pertencem ao soberano povo angolano, uma vez
que cada hora é paga pelo suor dos contribuintes, dediquei os sentidos a pensar
na falta que a senhora nossa mãe nos faz e, acto contínuo, ainda na senda das
mulheres, deixei-me prender nas memórias da última boca beijada, hipnotizado
pelo respectivo brilho nos olhos. Agora vejam lá vocês se isso alguma vez
contribuiu para endireitar o país! Pronto, ainda era só isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com
Em linhas tortas (5)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 05, 2018angodebates, Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, gociante patissa
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A cada dia informativo que nasce, na media
tradicional ou nas redes sociais, sua excelência eu começa a ver que terá de
acelerar o seu regresso à igreja, cair de pára-quedas em uma das
"lojas" de Cristo que brotam quais cogumelos. Porque a ligação
directa "da casa para o céu" já vai perdendo rede. É tanta indignação
olhando para alguns dossiers oficiais e oficiosos na gestão da coisa pública
que até me pergunto: Excelências, assim mesmo ainda olhando só para os prejuízos à moralidade e ética social e nos serviços sociais básicos
que derivam do V/ pecado da gula, aquela dose bíblica de perdoar setenta vezes
sete... não será pouca? Que tal 70 milhões vezes sete? Será que assim quando a
noite cai, Vossas excelências conseguem mesmo "dormir sono" de humanos
mortais? Só de pensar que muitos de nós chegamos a depositar os sonhos no
beiral, já convencidos de o país não ter fundo para assumir a formação de
potenciais talentos nascidos em famílias sem "herança"... Teria sido
para isso que os nossos avôs passaram cinco anos em cadeias do regime colonial
(São Nicolau 1961-1966) sob a acusação de "terroristas"? Ou teria
sido para isso que os nossos pais quase perderam a vida nas frentes de combate
de guerrilha enquanto representantes da administração do Estado (Chila, Equimina
e Kalahanga)? Localizem só o país da justiça sonhada, faz favor. Ainda era só
isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Sugestão de filme | THE SESSIONS (AS SESSÕES)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 03, 2018angodebates, Benguela, gociante patissa, literatura, Sugestão de filme
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| Foto do site 50 Anos de Filmes |
Gostei de ver no Youtube o filme poético “As Sessões”, em inglês “The Sessions”, para maiores de 14 anos. Foi lançado nos EUA no ano de 2012 e debate com humor inteligente a delicada questão da sexualidade em pessoas com deficiência severa e o conflito entre a moral religiosa e a dimensão humana. Os personagens principais são o escritor e jornalista tetraplégico que aos 38 anos não gostaria de morrer sem ter tido a experiência sexual, uma terapeuta que tem um pacote de seis sessões implementadas com o próprio corpo, as moças contratadas para cuidar do artista acamado e um padre desconfortável no papel de confidente num tema tabu, o erótico antes/fora do casamento.
Sabe-se já que nesta era das tecnologias de informação, meter-se a fazer exercícios ensaísticos sobre um filme na óptica de consumidor é escusado, com tanto de resumos e sinopses feitos por especialistas que estão disponíveis na internet, pelo que a abordagem desta sugestão foca nas emoções pessoais e nada de técnico.
Escrito e dirigido por Ben Lewin, ficciona factos reais. No site adorocinema.com lê-se que “Mark O'Brien (John Hawkes) é um escritor e poeta que, ainda criança, contraiu poliomielite. Devido à doença ele perdeu os movimentos do corpo, com exceção da cabeça, e passa boa parte do dia dentro de um aparelho apelidado de "pulmão de aço". Passa os dias entre o trabalho e as visitas à igreja, onde conversa com o padre Brendan (William H. Macy), amigo pessoal. Sentindo-se incompleto por desconhecer o sexo, Mark contrata os serviços de Cheryl Cohen Greene (Helen Hunt), especialista em exercícios de consciência corporal, que o inicia no sexo.”
Os diálogos são ao mesmo tempo simples e ricos, com o personagem principal bem-humorado e num enredo que cuidou de o não retratar como coitado e melancólico. Uma das passagens mais criativas nos diálogos é quando a terapeuta pergunta “Como é ser poeta?” e ele responde “é viver dentro da própria cabeça onde passamos a maior parte do tempo”. Ainda era só isso. Obrigado
Em linhas tortas (4)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 03, 2018angodebates, Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, gociante patissa
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Celebremos,
somos homens! A culpa é da mulher, tem de ser. Sempre. Sempre ou quase sempre?
Sei lá! Há que evitá-la. Culpa pelo vento que levanta a saia e expõe. Culpa
pelo olhar enviesado do banhista, culpa pelo bolsar e coma etílicos do marido,
culpa pelo filho confeccionado por ele fora e na vigência do casamento, culpa
pela “bexiga” que dói, pelo odor do fluxo justo em dia de altos apetites. Culpa
pelas crises de adolescência do agregado. Culpa por verbalizar palavrão,
exteriorizar desejo, fazer uso da prodigiosa e mucosa estufa quando, com quem,
onde e como aprouver. Culpa por servir no prato algo nada próximo ao do
restaurante. Alvenaria armada com o patriarcal e a moral religiosa algumas vezes
ultra-conservadora. Ah, e a maior delas: culpa pelo casamento que não der
certo. Celebremos, pois somos homens! É o que fazia aquele vizinho do terraço
na Zona Comercial. Os demais apadrinhavam por omissão o que para um invejoso
podia soar revoltante. Investira os parcos recursos de estivador do Porto do
Lobito na aquisição de um meio chamado mulher (não atesto o título de
propriedade, culpa minha), a qual alojou, como já referimos, no terraço do
edifício que dava a testa à Livraria Magalhães, defunta, por volta de 1998.
Alimentava-a com o que podia, dava-lhe de beber também. E o meio cumpria,
deduzimos, consoante o estímulo, as suas atribuições, não se sabendo a autoria
da ausência de rebentos, se dele ou dela. O ponto mais alto do lazer, que tinha
no desentendimento forjado a ignição, coincidia com os ciclos de salário.
Invariavelmente depois das oito da noite, a percussão iniciava à porta fechada,
acrescente-se, o que afastava a hipótese de se tratar de um improviso. Num
primeiro plano os sons que chegavam à plateia eram estaladiços, depois agudos.
A vizinha, merecidamente, estaria a apanhar. Tentei no outro dia bater
violentamente à porta como meio de demover o vizinho do que me parecia ser
agressão. Quase fui expulso do prédio. Não valia a pena se meter. A mulher era
dele que, irritado, podia partir a socos para cima de mim que não passava de 55
Kg. O que vinha a seguir era previsível. Imaginava-se uma marido que agarra a
mulher pelo braço e corre com ela de uma ponta sala, embatendo violentamente a
cabeça dela contra a outra parede. Maldade a dela por ter carapinha frondosa e
deste modo amortecer o impacto e aquele símbolo de valentia de macho, o galo da
senhora ao amanhecer. E o meio chamado mulher só gritava: “Me bate só, mas não
me xota de casa”. E ele, muito generoso, fazia esta vontade. Torturaria mais
vezes, mas respeitando o limite. O que diria ela à família caso fosse xotada do
lar, né? Ainda era só isso. Obrigado. | www.angodebates.blogspot.com
Em linhas tortas (3)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 03, 2018Benguela, Em linhas tortas (1)angodebates, gociante patissa, literatura
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Duas semanas já. Tinha dado todas as
voltas possíveis a visitar perfis mas, não, dela nada achava. Para lá do nome
de registo, ao que tudo indica sem paradeiro, nada mais o ligava à rapariga
como antecedente senão a vaga sensação de lhe soar familiar o rosto. Talvez a
tivesse visto antes, a julgar pelo doce à vontade com que a rapariga o abordou
em pleno horário de serviço. E ela? Diria o mesmo? De que servem as perguntas
quando não encurtam os extremos? Há encontros, por casuais que sejam, que se
negam a embarcar para o passado. É como se, inquietos no tempo, se revestissem
de promessa de retoma. Ficou-lhe o contacto, as palavras, o sentido de humor, o
sóbrio vestir, o olhar-lhe nos olhos a poucos palmos de distância. De nada vale
agora o esforço, nem o rosto dela mais ele consegue imaginar. E quando
acontece, e disso sabe-o bem o rapaz, é porque houve ali uma nascente de
afectos. Sim, ele conhece-se a si próprio pela faculdade de não memorizar
rostos de mulheres que lhe tenham com alguma profundidade marcado.
Gociante Patissa | Aeroporto Internacional da Catumbela 18.11.14 (Conto em construção) | www.angodebates.blogspot.com
Gociante Patissa | Aeroporto Internacional da Catumbela 18.11.14 (Conto em construção) | www.angodebates.blogspot.com
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
Em linhas tortas (2)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 02, 2018Benguela, Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, Em linhas tortas (1)angodebates, gociante patissa
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A quadra festiva é a época mais desgastante
física e emocionalmente no ramo da aviação civil, de sorte que sua excelência
eu (não podendo dizer que atingiu o zero, porque cabular até não fica muito
bem) carece desesperadamente de um weekend de relaxe para reiniciar o sistema,
desligar a ficha de tudo (makas familiares, amizades, trabalho, literaturas,
enfim). O problema é só já o itinerário exequível e os desafios de ordem
logística. Falaram que o carro que nos coube está fora de questão, que pode haver
só ida e não "legresso". A propósito, excelências, alguém sabe
informar se a hospedagem no espaço, nas dependências do magno Angosat-1,
aceitam pagamentos em kwanzas? Ainda era só isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com
segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
Em linhas tortas (1)
Angola Debates e Ideias- G. Patissajaneiro 01, 2018angodebates, Benguela, Blog Angola Debates & Ideias, Em linhas tortas, gociante patissa
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Do que não correu tão bem em 2017, agora sua
excelência eu nota que foi com muita consternação e pesar patrióticos — outro
sentimento contrário seria aliás impossível — que os angolanos se viram
privados do um dos mais importantes símbolos nacionais, o concurso Miss Angola,
aquela tradição de fim de ano que em boa hora nos enchia de água a boca
(excitar a pontaria posterior na braguilha do empresário também, digamos),
apreciando o desfile de esbeltas meninas de 20 e poucos anos em
passerele (o momento de tangas ao léu sendo o ponto G da transmissão
televisiva), misturado assim com um simulacrozinho de cultura geral. Foi
realmente um duro golpe às conquistas científicas e culturais. Que faltasse
tudo, menos as misses. Nem a crise merece perdão. Mas, excelências, será que
faltou depilador? Ainda era só isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com
domingo, 27 de setembro de 2015
UM TOQUE DE CONTRADITÓRIO SOBRE… Diário | Há gente a colher sem plantar no top dos mais queridos da RNA?
Angola Debates e Ideias- G. Patissasetembro 27, 2015Adão Filipe, gociante patissa, RNA, Top dos Mais Queridos
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Acabo de receber esclarecimento da parte de
alguém mais abalizado no que respeita ao Top dos Mais Queridos. Foi-nos
esclarecido que nos termos do regulamento, o público é que vota (no conjunto da
obra e não apenas em uma música) no artista, sendo que aqueles cuja máquina de
marketing for mais activa têm maiores hipóteses de figurar entre "os mais queridos". A questão que se coloca é de carácter dos direitos
autorais e conexos, que de qualquer modo escapa ao escopo
do regulamento do prémio. Conta ainda em desfavor de artistas fora de Luanda o
facto de em suas localidades terem pouca aparição por razões óbvias. De qualquer
modo, a nossa fonte reconhece que a realidade hoje está distante daquela que se
vivia, isso há 30 anos, quando o voto era apenas pelo cupão físico. Outro
factor ainda é que a faixa etária que mais domina a estética da música não
vota, o que depois favorece aqueles nomes que estão mais próximos de jovens e
adolescentes, que em termos demográficos são a maioria, considerando ainda,
isso em nossa interpretação, a esperança de vida mediana em Angola. Para isso,
foi idealizado o prémio da crítica para corrigir esta questão de artistas que,
não sendo populares, têm um nível de estética mais consistente. O Top,
resumindo, ainda é guiado pelas leis de mercado. A reconfiguração do formato é uma possibilidade que os organizadores
têm estado a ponderar.
Gociante Patissa. Benguela, 28.09.15
Gociante Patissa. Benguela, 28.09.15
Diário | Há gente a colher sem plantar no Top dos Mais Queridos da RNA?
Angola Debates e Ideias- G. Patissasetembro 27, 2015Adão Filipe, gociante patissa, RNA, Top dos Mais Queridos
1 comentário
Tenho estado a reflectir sobre os prémios de um
modo geral no campo das artes e da comunicação social, onde parece crescer o
cepticismo quanto aos critérios, sendo que, na voz de críticos diversos, a
conveniência parece suplantar a excelência. No caso do Top dos Mais Queridos,
tradicional e prestigioso concurso com a marca da Rádio Nacional de Angola, a
questão que se vem levantando nos últimos anos é a concorrência mais ou menos desleal que alguns de nós vemos
quando por exemplo se premeiam intérpretes de temas de si já muito populares,
quase sempre da década de 70. Foi assim com o músico Legalize, que
reinterpretou o tema "na gajajeira" (original de Urbano de Castro),
foi assim com Edy Tussa (que por acaso vem fazendo carreira na especialidade de
"ressuscitar os mortos", entre os quais Tony do Fumo), foi também
assim no ano 2003, em que Bessa Teixeira ficou em segundo lugar com a sua
reinterpretação de "sulunla", do cancioneiro Umbundu, perdendo para
Patrícia Faria que interpretou "caroço quente", lançado naquele mesmo
ano. A concorrência mais ou menos desleal reside no facto de concorrerem com
autores com temas originais, acabados de publicar no ano a que o concurso faz
referência. A edição 2015 não foge à regra, com a Ary a concorrer com um tema
relacionado com o abandono de lar, saído nos anos 1990. Não seria melhor optar
pela uniformização, definindo para já a natureza dos temas, se originais ou se
"emprestados"?
Gociante Patissa.
Benguela, 27.09.2015
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Crónica: "Ora colhe as sementes, ora tenta resgatar a utopia das acácias"
Angola Debates e Ideias- G. Patissadezembro 28, 2010angodebates, cidade de Benguela, gociante patissa, Rádio Ecclesia
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Um ano depois, ficamos a saber, já com aquela inofensiva – sem deixar de ser sádica – alegria, que a ministra tinha sido exonerada. As razões à volta do facto eram-nos irrelevantes (mas explico lá mais adiante porquê).
Hoje, pouco antes das 18h00, visitei a residência sede da Rádio Ecclesia, na cidade de Benguela, bem ao lado do Bispado, como não fazia há seis anos. Foi preciso algum esforço para disfarçar os sorrisos de nostalgia, no mínimo, para não ser tomado por um visitante emparvecido, como sempre acontece quando alguém esbanja alegria sem contextualizar os “vizinhos”. Foi como se um balão do tempo me fizesse mergulhar aos bons anos de convivência. Nomes, momentos e jocosidades brotaram. Depois veio a noção da ausência, como que a escorregar entre os dedos. O tempo é assim mesmo, tem das suas: um dia aproxima-nos, outro dia manda-nos para hemisférios desencontrados, desgastando os afectos.
2004. Uma inusitada empatia unia-nos, quando o normal seria, provavelmente, nos vermos como rivais, uma vez concorrentes. Uns mais dotados que outros, havia também os que precisavam mais do emprego que outros, mas nada estragava o bom humor. Éramos cerca de dez jovens, anónimos por assim dizer, durante três meses de triagem para redactores-repórteres-noticiaristas, no contexto da iminente abertura da Ecclesia em Benguela (que acabou por não acontecer, por imperativos legais – no consulado do ministro da Comunicação Social Hendrick Vaal Neto. Até hoje está por sair a licença de emissão).
Bom, voltando à Ministra… A primeira parte dos testes foi ler, com aquela vaidade que se espera de locutor. Para a nossa pouca sorte, o texto era de uma revista, com aqueles luxos já esperados, muito brilho e excesso de maquilhagem nas fotos e tal, que só atrapalha, mesmo até por causa do reflexo da lâmpada fluorescente. Era só soletrar e engasgar-se que chega, fariamos mais como?!… O Zé Manel e o Padre Samy deviam ser uns bons ardilosos, sabiam que aquilo lá nunca foi texto feliz para rádio. A matéria tinha a ver com a viagem que uma ministra santomense, Maria das Neves, fizera a Portugal, onde aparecia em poses bué, vestes pretas com meias compridas, visivelmente caras. Por acaso achávamos que, se era para inspirar um texto de desgraçar o teste dos outros, podia muito bem não viajar. Ela estava bem na vida, com formação, cargo e dinheiro, enquanto nós travávamos na jante…
Depois, de azar em azar, a maka veio a estar também numa tal de dicção, não apenas na complexidade do texto. Afinal já não podíamos dizer /tomé/, tinha que ser /tumé/, e nós que nunca na vida chamamos alguém assim. Ah, porque /f’char/ as vogais. Mas que mal têm elas, as vogais, para agora andarem fe-cha-das?! É só já aceitar, vamos fazer mais como?!… Enfim, cada um que fosse à cabine, voltava aborrecido, com raiva da ministra.
Superada essa etapa, que levou muitos candidatos ao caminho de volta para casa, recordávamos a cena para rirmos das nossas dificuldades iniciais. Foi por isso que, mesmo que não nos tenha feito mal algum de forma objectiva, passamos a nutrir antipatia pela ministra, que mais tarde se ouviu metida em acusações de corrupção. Quando soubemos da sua exoneração… foi mais um pretexto para rir, rir e rir, com aquela sensação de triunfo.
Gociante Patissa, Benguela, 27 Dezembro 2010
quarta-feira, 5 de março de 2008
Lugar da Mulher é na cozinha? Porquê importar-se com o género? (Arquivo)
Angola Debates e Ideias- G. Patissamarço 05, 2008angodebates, biopio, genero Angola, gociante patissa, marco mulher
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Há pouco menos de uma década, “o género” não fazia parte dos debates. A mulher era o foco de políticas ou programas virados à diminuição das desigualdades entre os sexos. Hoje, o paradigma mudou. Termos como “Saúde da mulher” foram substituídos por “saúde familiar”. As quotas para o acesso da mulher na política, no mundo académico e no comércio privado vêm sendo substituídas por políticas regulares de género. Porquê pular de “mulheres” para “género”? Talvez estejamos a aprender que a desigualdade no género não é apenas um assunto feminino. Apercebemo-nos de que não se pode excluir os homens das oportunidades de micro-crédito sem causar ressentimentos, às vezes até violência, no lar. Os programas de saúde reprodutiva têm menos impacto se apenas metade da população é abrangida, e as mulheres – e não os casais – se encarregarem de tomar de forma isolada as decisões de planeamento familiar. Aumentar o número de mulheres no parlamento pelo critério de percentagens preestabelecidas, sem que haja uma mudança real de atitude, poderia aumentar a sua presença política, mas não o poder político.
Ademais, estamos a perceber que os estereótipos no género não são só prejudiciais para as mulheres, mas também aos homens. A noção de “trabalho feminino” restringe os homens de certas profissões. A pressão de ser o motor do “ganha-pão” limita nos homens a oportunidade de gastar mais tempo com os seus filhos. E a atitude de que “um homem nunca chora” força o homem a esconder as suas emoções, o que é um risco à saúde.
Finalmente, a sociedade no geral sofre os efeitos das desigualdades no género. As crianças têm mais saúde quando as mães têm educação formal. As sociedades são mais produtivas quando 50 por cento dos seus recursos humanos dão o máximo do seu potencial.
Com vista à trabalhar em prol de um mundo em que o homens e as mulheres têm oportunidades iguais, devemos identificar os estereótipos, entender como eles afectam as nossas vidas e reflectir sobre as suas origens. O que é desigualdade no género, como afecta as nossas vidas e sociedades, e como podemos minimizá-los?
Estava eu diante de um grupo de 15 mulheres angolanas e pensei: “o que é que estou aqui a fazer?”. Tinha entrado em Angola havia poucas semanas, o meu português era “péssimo”, e sabia muito pouco sobre a cultura. Ainda assim, encontrava-me a dar um workshop a mulheres rurais sobre “os estereótipos no género”.
Será que se importariam com o que eu iria dizer? Sairiam com o poder reforçado ou mais confusas? Para provocar a discussão, mostrei desenhos de um homem lavando a loiça e dando de comer um bebé e uma mulher reparando um carro e dando comícios políticos. Elas deram gargalhadas e disseram que era impossível – que o desenho não correspondia com a realidade. E quando perguntei porquê, houve silêncio na sala. “Quem decidiu que o homem devia fazer isso, e a mulher aquilo?”, perguntei, e de novo, silêncio. Na verdade, ninguém conhece a origem dos estereótipos. Serão biológicos e depois perpetuados pela cultura? Se for assim, até que ponto?
Os estereótipos no género limitam directamente as nossas oportunidades devido à discriminação. Porém, mais importante ainda, limitam as nossas ambições, autoconfiança e habilidade de sonhar um pouco mais sobre o futuro de cada um. Como podemos mudar os preconceitos sobre a relação entre o homem e a mulher se são biológicas, ou tão imbuídos na nossa cultura e perpetuamos por todos nós. Mas será que podem também às vezes ser positivos?
Muitas vezes questiono o meu papel na promoção da igualdade no género. Numa conferência juvenil sobre os estereótipos no Paraguai rural, um jovem rapaz me disse: “o teu sistema aqui não funcionaria. Os homens e as mulheres precisam ter diferentes responsabilidades para que a vida doméstica ande mais amenamente”. Será que os movimentos pró igualdade no género deviam ser mais endógenos (desenvolvidos dentro da cultura)? Caso não, como podem os agentes externos gerar mudança? Até que ponto a cultural pode justificar as desigualdades no género?
........................(*) Traducão do artigo “Make your voice heard” (de Elizabeth Coombs, EUA, elicoombs@yahoo.com) , publicado no site da ONU para os assuntos sociais. Títulos, Boletim "A Voz do Olho", Projecto informativo, educativo e cultural da AJS e amigos; Foto: (menina do biópio batendo funji) por Gociante Patissa












