sábado, 18 de janeiro de 2020

Crónica | EU E OS MEUS GOSTOS DESÉRTICOS EM FILMES


Apresentei-me vinte minutos antes da hora indicada no cartaz. Não havia ninguém na bilheteira, nem atendedor nem clientes. Instantes depois lá surge o atendedor. Era só para informar ao senhor que o filme que escolheu só dá na sala Vip. Como assim?!, protesto eu. Por que não em salas normais? Eu conheço o filme, não é lá grande coisa. É uma comédia francesa (os brasileiros diriam do tipo água com açúcar) que já vi a 70% pela netflix, prossigo com a contestação, ao que o rapaz responde: É assim, o senhor escolheu um filme tipo assim fino. Como? Esse tipo de filme, que é só conversa, como as pessoas normais não vão lá só assim muito, então tem que custar um pouco mais, porque a sala não enche. Só pessoas finas, tipo o senhor, é que entendem. Pessoas simples como eu gostam mais esses filmes de acção e tal, confessava o moço. Não sabia se ria ou chorava. Só um bilhete, senhor? Claro! Com esse preço não dá para trazer mais ninguém, que o vencimento todo fica aqui! E qual é a vantagem da sala Vip? Ah, o serviço é personalizado. Tudo o que o senhor quiser, é só pedir. Boa! É desta que como já de tudo e poupo no jantar, penso eu caladinho. Rebento já a seguir o pedido. Água e pipocas, afinal já está deduzido no preço do bilhete. O atendimento é rápido, o desengano também. A jovem simpática mal serviu, retornou logo com aquele aparelho maldito que nos vai sem preguiça ao bolso e me esfregava nas barbas a factura. Mil e 600 kwanzas, senhor. Mas não me posso  queixar. Ao contrário da última vez em que só havia quatro pessoas na sala, desta vez até houve melhoria na estatística. Ou seja, somos oito almas, sendo duas europeias, três madres, duas jovens angolanas e um único homem, eu. O número de vez em quando sobe para dez, mas não se enganem, que os dois adicionais são garçons 😁😁 E pronto. Cabulando o próprio título do filme, "Que Mal Fiz Eu a Deus Agora?" Ainda era só isso. Obrigado


Gociante Patissa | 17 Janeiro 2020 | www.angodebates.blogspot.com
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Sugestão de filme: "A DESPEDIDA"

Realizado por Lulu Wang e com a actriz Awkwafina no papel principal, é um drama comédia sobre os valores da família na cultura chinesa, baseado, como diz a sinopse, numa mentira verídica. Saiu em 2019 e estreou agora em Janeiro. Aborda com muito humor, humanismo e uma leveza assinalável temas como a família, a doença, a vida, a emigração e a consequente perda de vínculo de identidade. No dia em que fui assistir, numa das salas de cinema em Luanda, havia apenas 4 pessoas. Um deleite de filme. Aos meus amigos escritores e/ou com vocação/sensibilidade para a literatura, proponho até assistirem duas vezes, uma para apreciar e outra para estudar e se inspirar (se um dia eu conseguir avançar no meu projecto de romance, certamente terei uma referência a ter em conta).

"SINOPSE: Uma família chinesa descobre que a sua avó tem pouco tempo para viver, mas decidem não informá-la do diagnóstico.Em vez disso, os seus filhos e netos tentam arranjar um casamento de última hora, para que todos os parentes mais distantes possam vê-la pela uma última vez sem que ninguém saiba o que está acontecer."
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

No Dia [angolano] da Cultura Nacional, uma recolha sobre «CONCEITO E NÍVEIS DE CULTURA»

Não é possível, nos nossos dias, definir de maneira unitária, o conceito de cultura, porque a análise crítica permite relevar – numa perspectiva antropológica – ao menos três tipos fundamentais de cultura: cultura de elite, cultura popular, cultura de massa.

1. A CULTURA DE ELITE aparece como a cultura escolhida (eleita), uma super-cultura essencial, cujo saber, baseado nas disciplinas humanistas de raiz greco-latina, tende, na sua formalização aristocrática, a procurar sem cessar novos modelos criadores, na mesma medida em que os seus modelos tradicionais são vulgarizados ao nível da instrução de base e da comunicação de massa. A cultura aristocrática, fundada sobre a soberania Sagrada da palavra e transmitida pela escola, sobretudo na Universidade, hoje declinou por causa da explosão de conhecimentos provocada pelos meios audiovisuais modernos de comunicação social. Com efeito, a posse privilegiada de um código exclusivo tende a ser cada vez mais precária em face da dinâmica evolutiva dos processos sócio-culturais do mundo contemporâneo.

2. A CULTURA POPULAR é o conjunto residual das sub-culturas ligadadas aos costumes locais e às linguagens dialectais cujas raízes tradicionalistas mergulham, de maneira arcaica, na civilização oral do povo. Foi esta cultura mais comprometida pela sociedade industrial que, com s seus processos culturalizantes de urbanização e homogeneização, sobretudo nas camadas mais jovens, tende a relegá-la para o plano da recordação. Está provado que a recuperação intelectualista ou espectacular de formas expressivas, praticada sob o modo folclórico, deforma em geral os valores autênticos e dialécticos de uma cultura popular.

3. A CULTURA DE MASSA deve a sua difusão aos meios rapidamente multiplicadores da indústria cultural (imprensa, rádio, televisão, etc.). Apresenta uma conexão fragmentária devido à abundância e precaridade das suas mensagens e da sua ideologia, verdadeiras culturazinha de mosaico cognitivo incoerente e ultrapassado. Enquanto que as culturas precedentes correspondem ao plano económico, às matrizes burguesa e popular, a cultura de massa é um verdadeiro sub-sistema cultural que sustém toda a civilização industrial. Os de tentores de uma cultura estruturada e operante nos seus valores e nos seus moldes terão, evidentemente, instrumentos críticos mais capazes de uma aproximação crítica do real, enquanto as classes com falta de formação existencial orgânica estarão cada vez mais expostas a um processo doxológico de influência exercido pela propaganda e pala publicidade dos «mass-media».

PAGANO, Christian, 1971. “Comunicação Audiovisual” (pág. 99-100). Pia sociedade de São Paulo. Lisboa, Portugal

- legenda da foto: escritor angolano Gociante Patissa recebido pela Secretária de Cultura do Estado da Bahia, Brasil, Arany Santana, em 2018, quando lá esteve para participar na tertúlia da Festa Literária do Pelourinho (Flipelô), realizada pela Fundação Jorge Amado na cidade de Salvador

www.angodebates.blogspot.com
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Contraponto: ainda a briga entre a Editora Azul e o autor Daniel Nguto

A imagem pode conter: Daniel Nguto Dáx
Como prometido, a Editora Azul (com sede em Luanda) fez hoje, 06 de Janeiro, pública a sua versão no litígio que a opõe ao autor Daniel Nguto Dáx (residente em Benguela), num texto extenso publicado no Facebook e suportado com recortes de correspondência que vinha sendo mantida entre as partes no âmbito do processo comercial. Em resumo, a decisão unilateral de rescisão do contrato é sustentada pela divulgação não autorizada por parte de Nguto de um protótipo de cartaz, que anunciava para 18 de Dezembro, numa altura em que a data de lançamento era ainda uma probabilidade a equacionar com a estratégia de marketing e publicidade da Editora. 

Acto contínuo, entende a empresa que em face do que considera violação do sigilo, não mais havia condições de avançar com a relação contratual que tinha como fim material a edição, publicação e promoção da obra (500 exemplares) e a imagem do respectivo autor, impondo, para custeio dos trabalhos já efectuados e material consumido, uma retenção de 298 mil kwanzas do valor total de 698 mil kwanzas faturado e pago por Nguto, condição que, segundo a exposição, o cliente se recusa a anuir. Nguto é apontado como intransigente ao exigir a devolução do valor total e não apenas 400 mil kwanzas que a editora estipulou unilateralmente. 
Nenhuma descrição de foto disponível.No mesmo texto em que a empresa dirigida por Zola Vida reivindica a preservação da honra do seu bom nome, é anunciada a abertura de um processo crime por difamação pela acusação de burla levantada contra si em denúncia pública na rede social Facebook pelo cliente Nguto. Lê-se que mais passos só não chegaram a ser dados no processo em virtude de a editora estar à espera da notificação do INADEC alegadamente na sequência de um ameaça feita por Nguto neste sentido, tendo sido por isso mesmo uma surpresa a opção da denúncia nas redes sociais.
Bem, feito o contraponto que se impunha, encerro a minha intervenção neste dossiê reiterando o apelo para que as partes empenhem o máximo de boa fé e cheguem a um desfecho sensato.
Votos de um bom ano!
Gociante Patissa | www.angodebates.blogspot.com
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domingo, 5 de janeiro de 2020

(arquivo) Diário | PARA VOCÊS É TUDO TRINTA POR UMA LINHA, NE?!

"Ei! Xé! Você não viu a ultrapassagem arriscada que fez?!"
"É desculpar senhor agente..."
"Já viste quantas pessoas morriam se a condução fosse baseada nisso de pedir desculpas?!"
"Meu kota, perdoa só já o teu puto, sô agente. Ainda não facturei nada hoje, vai custar fechar a conta do patrão..."
"Ainda por cima tens coragem de dizer isso. 16 passageiros, contra a lotação do mini autocarro Hiace. Quer dizer, para vocês é tudo trinta por uma linha, ne?! Essa multa vai-te cair mesmo bem..."
"Meu brada, não faz isso! Safa só o teu sangue. Estamos a entrar no fim-de-semana, e uma multa vai-me estragar o ano."
"Assim te safo... e a mim quem é que me vai safar?"
"Meu kota, não fica mais malaike tipo aqueles polícias trânsitos sujos. Você até aqui tem boa fama... Olha, é assim: tenho uma pequena fezada assim para fechar o kota com um saldo, meu kota."
"Embrulha na carta, xé!!!"
"Aqui está, meu kota."
"Porra! Você só vai me passar mil kwanzas?! Mas assim você acha o quê? Me viste com cara de corrupto ou quê?!"

(Adaptação)
Gociante Patissa | Benguela, 05.01.2016 | www.angodebates.blogspot.com
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sábado, 4 de janeiro de 2020

Crónica | Denúncia de Daniel Nguto reedita crónica tensão entre autores e editoras angolanas

A imagem pode conter: 2 pessoas, textoEvitei pronunciar-me a quente, ontem, quando notificado na matéria do diferendo entre o amigo Daniel Nguto Dáx (residente em Benguela) e a Editora Azul Azul (do também autor Zola Vida, com sede em Luanda), acusada de frustrar as expectativas do cliente. Não foi por falta de solidariedade artística para com uma ou outra parte, mas tão-só para esperar pelo contraditório. A parte denunciada defende-se com o argumento da rescisão unilateral do contrato por alegada conduta desrespeitosa do cliente.

A minha opinião/objecção é pública quanto a ser o autor a arcar com os custos de produção junto das editoras. O ideal era chegarmos a um estágio de políticas culturais em que a preocupação do autor findasse em pesquisar, criar e oferecer um produto literário ao nível dos padrões de estética e valor comercial. Cabe aos restantes agentes do sector livreiro (com vocação no lucro) assumir a lógica empresarial. Isto é arranjar patrocínios, organizar a promoção, distribuição da obra e garantir a percentagem devida ao autor pelos direitos intelectuais ou jóias. Ninguém devia pagar para ser publicado.

Mas sabemos que, infelizmente, no País rareiam editoras auto-suficientes, o que abre um mercado recorrentes vezes palco de tensão no relacionamento, opondo editoras (no papel de vendedoras do serviço de intermediação entre e autor e a gráfica) e autores (clientes que buscam a materialização do sonho de ver o livro nas prateleiras). Como tal, o livro acaba sendo apenas mais um comércio como qualquer outro, lamentavelmente.

A lista de diferendos é longa, sendo dos meus amigos mais recente a contenda entre o Albano Sapondiya e a Editora Chela (da Huila), com o autor a denunciar péssima qualidade gráfica do livro Ulika, sem falar de um outro defraudado por uma pequena editora de angolanos com sede no Brasil, que dos 500 exemplares acordados só enviou 38.

Conheci o Nguto antes da sua primeira obra motivacional e compreendo a frustração, afinal não lhe é nada fácil reunir os cerca de 600 mil kwanzas como reza a factura. Conheço um pouco menos a Editora Azul Azul, com a qual tenho uma correspondência cordial depois de me terem contactado em Maio de 2018 para fazer parte da revista semestral LETRAS DE OURO por meio de uma crónica/conto (o projecto acabaria por não vir a público, segundo justificado, face ao impedimento por doença do patrocinador).

Enquanto não surge o desfecho no diferendo entre Nguto e a Editora Azul, o que neste momento posso exteriorizar em termos de posicionamento é que as partes empenhem o máximo de boa-fé e cheguem a um final sensato.

Gociante Patissa | 04 Janeiro 2020 | www.angodebates.blogspot.com (imagem: print da Página da Editora Azul)
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Crónica | FACTURAÇÃO DA ENDE CARECENDO DE TRADUÇÃO?

Voltei hoje aos balcões comerciais da ENDE
(empresa de distribuição de electricidade), após uma nada convincente tentativa de esclarecimento que recebi por telefone do homenzinho do piqute de reclamações/avarias.

Carreguei saldo de 5 mil kwanzas a 20 de Dezembro e no dia seguinte ausentei-me por 10 dias, tendo deixado apenas a geleira ligada. De regresso encontro a casa às escuras. Calculo que o apagão se tenha instalado por aí ao terceiro dia mesmo. Ora, pretendia então (ainda pretendo, na verdade) perceber a lógica da facturação do serviço pré-pago.

A explicação que muito mais sentido faria de ser recebida no dia 1 de Abril ou, no mínimo, a meio do Haloween foi a seguinte:

O senhor carregou em Agosto e só voltou a carregar em Dezembro este saldo no valor de 5 mil (não importa se havia saldo acumulado a rondar os 1700 kwh?). O sistema taxou assim: "Unidades 28.9 kwh, custo de unidades: akz 425.96, encargo de potência: akz 3960, iva akz 614.04. 

Traduzindo, dos 5 mil kz ao senhor foi descontado o encargo de potência dos meses que ficou sem comprar e assim sendo de concreto só comprou saldo de 28.9. Kwh. Mas assim que hoje carregou de 5 mil, passa a ter 230.4 Kwh e pode-lhe durar dois meses. Ou seja, o cliente é penalizado se não comprar recarga a cada mês, tendo ou não saldo acumulado no cartão.

Pergunta de retórica: e o serviço sempre se chama pré pago? Enfim... Só um tradutor na causa😥😥

Feliz Ano novo, vizinhos 

Gociante Patissa | 03 Janeiro 2020 | www.angodebates.blogspot.com
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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

ÁUDIO. Três artistas da província de Benguela fazem balanço do ano cultural Radio Ecclesia 30.12. 2019

Ouvir o áudio

MESA REDONDA | Adérito Tchiuca (Associação Provincial do Teatro), Carlos Albano (músico) e Gociante Patissa (escritor) foram os convidados do programa Ecclesia 24 horas, conduzido pelo jornalista Zé Manel, na edição do dia 30 de Dezembro de 2019 para fazer um balanço do ano cultural na província de Benguela. Durante 42 minutos, os convidados falaram das realizações, dos entraves enfrentados pelos fazedores de arte (nas modalidades de teatro, literatura e música), mas também partilharam propostas de solução e perspectivas para os órgãos reitores das políticas culturais e educativas
https://angodebates.blogspot.com/
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Programa: Ecclesia 24 horas
Duração: 42 minutos
Realização e moderação: Zé Manel
Técnica de som: António Mateus
Trilha sonora: Kassav; Carlos Albano
Fotos de Zé Manel e Adérito Tchiuca: Créditos autorais reservados (Facebook)
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domingo, 29 de dezembro de 2019

Crónica | Universidades de Benguela projectam licenciatura em comunicação/jornalismo. Haverá professores especialistas?

Fiquei a saber que, finalmente, duas universidades na província de Benguela projectam ministrar cursos de licenciatura em Jornalismo/Comunicação Social, o que surge, para a parte que me cabe, num "timing" complicado, fisicamente falando, agora rendido à condição de nómada profissional.

Enquanto não descola o mestrado, realmente não me importava de fazer uma segunda graduação, dada a certeza da vocação profissional e a velha aspiração de valorar a experiência com uma certificação.

A dúvida que persiste é, no entanto, se haverá um corpo docente especializado e por isso com autoridade académica para suportar as cadeiras nucleares ou se serão as licenciaturas norteadas pelo improviso como alma do negócio. Na hipótese de vingar a segunda, o mais provável é os promotores dos cursos arregimentarem para a empreitada juristas, historiadores e linguistas, ramos que têm servido de escape para profissionais de comunicação que optaram por não migrar para Luanda e Huila, províncias que até então monopolizavam em termos académicos, à parte as bolsas escassas para o estrangeiro.

Nenhuma descrição de foto disponível.A ironia reside no detalhe histórico de ser Benguela uma geografia pioneira no que respeita ao início da radiodifusão em Angola, sem falar de grandes nomes que ao longo de quatro décadas foram dando cartas no panorama da imprensa nacional e internacional. Não acredito que se chegue à meia dúzia ao fim de um exercício de contabilizar quantos profissionais residentes associam a reconhecida prática/tarimba a uma certificação universitária do ramo.

Que venha o curso e que as gerações mais novas que a minha se empenhem e agarrem a oportunidade. É que na vigência deste deserto, a muleta consistiu em beneficiar de seminários e cursinhos intensivos promovidos pela sociedade civil, com a falida APHA (Associação para a Promoção do Homem Angolano) a liderar e mais recentemente com as iniciativas do CIB (Clube de Imprensa de Benguela).

Enfim, como diz o amigo brasileiro Sérgio de Toledo, "melhor tarde do que mais tarde ainda". Ainda era só isso. Obrigado e votos de boa passagem de ano.

Gociante Patissa | Benguela, 29 Dezembro 2019 | www.angodebates.blogspot.com
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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Entrevista com Gociante Patissa sobre aviação, jornalismo, literatura e música na Ecclesia Benguela


Entrevista solta na véspera de Natal conduzida pelo jornalista Horácio dos Reis na Rádio Ecclesia Benguela ao também jornalista emprestado à assessoria de imprensa, Gociante Patissa, que teve uma passagem de 12 anos pelo sector da aviação doméstica e outros 12 anos no sector da sociedade civil, segmento das ONG. Em aproximadamente 38 minutos, a conversa com o escritor e antigo activista social aborda problemáticas dos ramos da aviação, do jornalismo, da literatura e da música em Angola

Data: 22.12.2019

Ouvir Áudio
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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Crónica | Na ressaca da nomeação a administrador

Ex.ªs, só vos digo uma coisa. Eh pá, esta coisa do poder quando está no sangue, não há como escapar afinal. Já me lembra o diálogo com o meu irmão Didi (Dino Calupeto) que, ali pelos cinco anos de idade, já sabia o que queria ser na vida. Director! Mas Director de quê, ó Didi? Para mandar os outros, mano Dany!, atestava ele sem margem para gaguejar. Apoiado! Primeiro o que importa é ser chefe, mandar e determinar. Ah, porque líder é melhor que chefe. Pode até ser, não diremos que não, mas isso de líder vem depois, e se lhe sobrar espaço  Continuando. Da parte que nos cabe, tenho-me recusado a abraçar a militância político-partidária, não vá eu cair no dirigismo, sendo filho de antigo, eloquente, charmoso e carismático (mais ou menos mulherengo) dirigente, um Administrador Comunal, para ser mais preciso, evolução da função de Camarada Comissário Comunal que vigorou até o sucumbir do regime mono-partidário, tendo sido representante máximo do Estado em três localidades, nomeadamente Chila, do município do Bocoio, Equimina e Kalahanga, do município da Baía Farta, tudo na província de Benguela. De nada me adiantou. Reparem, Ex.ªs que ontem mesmo, quando menos esperava, Sua Ex.ª Eu foi nomeado. Passei a ter um subordinado cujo nome já revelo daqui a pouco. Mais um Administrador na história da família, desta feita, Administrador do e-mail em uso no grupo sete colegas. Ainda fui a tempo de perguntar ao engenheiro informático qual seria o meu papel real. Nada de especial, garantiu ele, é só ir acompanhando o fluxo. Que bom ser chefe relaxado, não é? O meu subordinado chama-se caixa de e-mail, no que aliás me sinto bafejado pela sorte em comparação com a experiência do papá, que geria pessoas e em contexto de guerrilha. O e-mail não fica doente, não tem conflitos e desgostos familiares, não atrasa no serviço, não tem veleidades sindicais, enfim, não subtrai nem confunde património colectivo com meios pessoais e... não bajula. Tem só um senão, confesso, já sei que quando eu morrer ele não irá ao meu funeral, mas isso as pessoas também fazem, que exemplos disto mesmo não nos faltam. Assim vão dizer que é só fama, brincadeira, e por isso não vão felicitar sua Ex.ª Eu, não é? Já vos conheço então hahaha Ainda era só isso. hahahah
Gociante Patissa | Na selva, 22 Novembro 2019
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sábado, 19 de outubro de 2019

OFERTA DE LIVROS DIGITAIS ESTE FIM-DE-SEMANA

Deixe o seu e-mail ou whatsapp no endereço patissagociante@yahoo.com e receba até domingo PDF de dois livros já esgotados do escritor angolano Gociante Patissa:
1. A ÚLTIMA OUVINTE (contos, UEA 2010);
2. FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS (contos, GRECIMA, 2014)

NOTA: A divulgação é não comercial que faço por esta via, pelo que, em caso de a versão digital interessar a algum leitor que conheça, esteja à vontade em partilhar.
Ainda era só isso.
Obrigado
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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Crónica | MESAS VAZIAS

Algumas vezes ao mês quando o fim do mês
deixa, damo-nos ao luxo de comer fora, poderia ser para poupar o gás lá da cozinha de casa. Quem fala do gás não estará de modo algum a referir-se à preguiça de enfrentar a pilha da rotina de lavar a loiça, cozinhar, encher o papo e ter de lavar de novo o que ainda há poucos instantes esteve reluzente. Bem vista, a loiça partilha a ingratidão da barriga, a qual passamos a maior parte da nossa existência a alimentar mas nunca agradece. Calhou o domingo. Depois de meia hora de caminhada sob o sol, faço-me ao destino. Primeira etapa da peregrinação vencida. Vai faltar é o regresso. Geralmente é a parte mais trabalhosa, caminhar de barriga cheia mas... haverá tempo para se pensar nisso. No restaurante, sala cheia. Cheia de mesas vazias e pessoal de serviço. De clientes mesmo, assim contando, apenas dois, um deles sendo eu. Som ambiente bom, sinfonias e acordes sem voz humana. Depois passa o carrinho das encomendas. O pargo, distante de pesar meio Kg, do tamano de dois caxuxos pelos quais em Benguela nunca pagaria mais de mil kwanzas, mesmo até lhe adicionando o orçamento do que é obviamente necessário para completar o tempero, sai a 13 mil kwanzas. Só o peixe com uma meia dúzia de rodelas de batatas, não entrando nas contas o couvert, a sopa, a bebida, enfim. Lá no fundo, a pergunta é inevitável: mas esse peixe assim foi apanhado em alto mar pelo príncipe Harry ou por aquele do Dubai?! Ps: fiquei-me pela alternativa mais acessível, o peixe roncador, mas não deixei de me enganar quanto à quantidade de batatas. Taxativamente quatro. E pronto. Até ao próximo fim do mês. Ainda era só isso. Obrigado Gociante Patissa, Luanda, 06 Outubro 2019 | www.angodebates.blogspot.com
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domingo, 6 de outubro de 2019

UM "CLUBE DO LIVRO" QUE AFUGENTA LEITORES

Nas bombas de combustível da Chicala, Luanda, encontrei há pouco um exemplar do já "esgotado" livro de contos FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPAL


HAVA DÚVIDAS, de Gociante Patissa (2014). Último exemplar. Mas o sabor agradável da surpresa do reencontro teve pouca dura. Custa acreditar que um livro pago (produção e direitos autorais) na totalidade e custeado pelo erário esteja a ser redistribuído por um tal de clubedolivro.co.ao ao proibitivo preço de capa de 3.125 Akz, contra os 500 Akz sonhados pelo projecto LER ANGOLA, das coisas boas do extinto GRECIMA. O lucro é de mais ou menos 600%. É bom recordar que a iniciativa fora concebida e financiada para promover o acesso ao livro através da subvenção, com o preço de capa de 500 Akz, ficando a distribuição a cargo da Textos Editora (grupo Leya), que embolsava 15%, salvo erro, 25% para a rede de mercado Kero, que vendia os livros, restando 60% para o autor. Aos entendidos no metier, fica a dúvida: haveria alguma hipótese de se aplicar a regra dos preços vigiados?😭😭
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Poema inédito | A PAZ PERDEU O MEDO

Sádicos são bonitos
na verdade já senhores
de motos sem destino
ou fundo algum de necessidade
que nos rasgam a calada da noite
roncando, roncando, roncando
Trompete trágico
dos escapes
vibrantes abastados
possante passante possante passante
e, não satisfeitos pela proeza,
castram o sono pela manhã
coxo, coxo sono
cedo, cedinho, cedinho
para o mesmo deleite
maroto marginal
disparar os alarmes
do comercial banco
e da manada de topos de gama
que adornam a avenida
nas barbas da guarda presidencial
a paz é que perdeu o medo
ueon, ueon, pin, pin, piu, piu
possante passante possante passante
para o mesmo deleite
maroto
disparar os alarmes
É que a pedagogia
aquela
do Dombe Grande já era
do feitiço, como do amor, o mesmo
Tanto se fala sem se ver.
Gociante Patissa | Luanda, 06 Outubro 2019 | www.angodebates.blogspot.com
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Opinião | Flagrantes de auto-sabotagem no sector do livro em Angola

Depois de já ter denunciado neste espaço a especulação na revenda de livros subvencionados, com o meu livro de contos Intitulado FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS (2014), por um tal de Clube do livro que estipulou o preço de capa da 3125 kz, contra os 500 kz oficiais, volto a bater na tecla.
É que ontem, numa livraria vizinha da ex-Stromp, ali pela Maianga, em Luanda, escandalizei-me com o preço de 4 mil Kz praticado para o livro "UANGA-Feitiço", de Óscar Ribas (2014), edição da colecção "Clássicos da Literatura Angolana", projecto LER ANGOLA, do extinto GRECIMA, iniciativa governamental adstrita aos serviços de apoio ao Presidente da República cessante. Tratou-se de uma iniciativa em que o Orçamento Geral do Estado custeou as despesas de produção, distribuição, promoção e joias autorais na sua totalidade.
Ora, numa sociedade que carece de massificar a aproximação do livro com o leitor, ver um agente livreiro que adquire o exemplar subvencionado a 500 Kz para o revender ao repelente preço de 4 mil kz, num lucro de 800%, excelências, quando o livreiro não tem sequer de deduzir contrapartidas nem com o autor nem com o editor nem... concluí que temos entre nós auto-sabotadores e que o fomento dos hábitos de leitura é para todos os efeitos uma causa perdida. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa
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Última hora | PRESTAÇÃO DE CONTAS


ATT, colegas "mecânicos" da 3.ª OFICINA LITERÁRIA, há motivos para ficarmos contentes. Chegou hoje do nosso Editor, em Portugal, já bem bonito e tudo, o MIOLO/PROVA da nossa COLETÂNEA DE POESIA E CRÓNICAS em formato paginado (de livro) para cada um confirmar se o conteúdo está conforme. Devo recordar que sob vossa procuração, estou a representar-vos enquanto organizador, mas que os direitos da parte autoral, embora me sejam formalmente atribuídos, devem na verdade ser entendidos como património intelectual equitativo de cada participante. Continuando. Posso enviar por e-mail e receber as vossas contribuições até 2.ª feira às 12h? É que temos de agir com celeridade para ver se ainda este ano segue para a impressão. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa
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sábado, 31 de agosto de 2019

Pintor brasileiro expõe culturas angolana e afro-peruana em Luanda


O artista plástico brasileiro, Klaus Novais, inaugurou nesta quinta-feira, 29 de Agosto, no Centro Cultural Brasil Angola (CCBA), sito no Bairro dos Coqueiros, em Luanda, a exposição intitulada "É de Lá", que reúne 50 quadros com retratos, recorte de jornais e paisagem, num olhar estético centrado na sociedade angolana e na cultura afro-peruana.

O acto foi prestigiado pelo Embaixador do Brasil em Angola, Paulino de Carvalho Neto.

Klaus, que usa técnicas mistas com predominância do acrílico sobre tela, tem uma folha de serviço rica no campo das artes, com passagem pelo teatro e no cartoon. O também escritor, com obra publicada e um romance na forja, é dono de uma sensibilidade que se foi apurando com a exposição a diferentes choques culturais e sociais que começam em São Paulo, sua terra natal, passam por Peru, Portugal e por fim Angola.

A exposição fica patente até ao último dia de Setembro e ao contrário do habitual, quem lá esteve na noite da inauguração voltou para casa sem saber o preço das obras, uma espécie de caricato positivo. É que para o artista, este "pormenor" não foi ainda pensado, tendo preferido concentrar toda a sua energia na criação e preparação da inauguração como tal.
(Nas fotos, os amigos com o pintor de quem se fala: Paulo, Fernanda BandosGociante Patissa)

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domingo, 18 de agosto de 2019

Poema inédito | DECLARO-ME CULPADO

DECLARO-ME CULPADO

Que sinais pintas
no céu cinza, ó porvir? Estás
ali?
Propuseste este precipício e
eu respondi "pronto!"
É para mergulhar
de cabeça ou com os pés?

E cá vou eu
Posiciono-me, marinheiro nato,
à frente das minhas marés.
Faço do simples viver uma missão
outra escolha nunca tive

E julgava eu que era,
finalmente, e estava na foz
mas consta que te negas
a aplacar quimeras,
como se restasse ainda
apalpar as rugas
a mais uma esquina.
Que sinais são estes?

Abstraí-me das causas
e do nosso
Enfim, perante o mundo,
que mal se entendendo
a si próprio
estranha não me perceber a mim
e se isso lhe faz feliz...
cuidei de facilitar a vida:
declaro-me culpado, e pronto.

Gociante Patissa | 18 Agosto 2018 | www.angodebates.blogspot.com
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TV-ANGODEBATES

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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