PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 19 de novembro de 2017

(arquivo) Diário | E quem é a fonte?

"Ora, cá está o sindicalista mais famoso da província!..."
"Bondade sua, meu caro. Famosa é a vossa digna casa."
"É, né? Seja bem-vindo. Olha que o nosso diferencial no panorama jornalístico e informativo está mesmo na abertura, isenção e pluralidade. É que aqui, censura não mora. Não é fácil neste nosso país com o passado histórico que temos, como imagina... Pronto, está ligado o microfone. Vamos gravar..."
"Mas preparam ao menos as entrevistas? Ultimamente as entrevistas são feitas a free style, e é em todos os órgãos de informação..."
"Bem, caro sindicalista, esta parte não posso publicar assim como disse..."
"Mas é a minha opinião!"
"Pode ser mal recebido. Mas entendo o que o senhor quis dizer. Vou escrever que o sindicalista defende maior cobertura das actividades reivindicativas, é isso?"
"Estou a dizer que o habitual é que convidam mas não se faz a mínima pesquisa do que o entrevistado faz, às vezes nem do nome dele sabem. E isso não é nada bom para a tradição de rigor que o jornalismo tinha…"
"Mas, sabe de uma coisa? – E isso falo como amigo, já não é na qualidade de jornalista. – É bom não criar anti-corpos na classe, até mesmo porque a imprensa tem um poder que nem o meu caro amigo imagina."
"Isso quer dizer o quê?"
"Quer dizer que como experiente no metier, já sei as palavras que vou usar para a entrevista ser bem ouvida. Porque temos de saber falar para todos os segmentos e camadas…"
"Mas disse eu algum disparate?"
"Não, por amor de Deus!  Mas, pronto, vamos avançar, que o tempo é pouco e ainda temos mais perguntas."
"À vontade."
"Indo directo ao ponto da discórdia. A entidade patronal esteve cá e disse que o senhor em particular, em desprimor da responsabilidade que tem e do número de seguidores ideológicos, é o que mais periga a higiene no local de trabalho. Acha correcto o que tem feito?"
"Mas o patrão foi a tempo de falar também do défice de higiene interior que tem?"
"O que seria higiene interior?"
"Uma conduta coerente e deontologia e ética..."
"Mas o que é que isso acrescenta à resolução do diferendo?"
"Se ele acusa e ataca, julguei que falasse de exemplos morais de parte à parte."
"Chegou-nos a informação que o senhor passou uma semana de 'doença política', alegando dores lombares. O que tem a dizer?"
"E quem é a fonte?"
"O senhor quer praticar censura?! Já ouviu falar da liberdade de imprensa, de opinião e da protecção das fontes? O senhor acha que andamos a brincar no jornalismo ou quê?! Se acha que é tarefa fácil, com todo o respeito, porque é que não vem exercer?!"
"Não se chateie caro entrevistador. Essa sua fonte foi honesta o suficiente para explicar que passei a trabalhar sentado em mesa plástica de bar, as chamadas 'espera condições', desde que o chefe cedeu a minha sala a uma estagiária particular que lhe serve o café?"
"Vê lá se nos entendemos à luz da clarificação de papéis! Quem faz perguntas sou eu. Para já, o senhor acha educado criticar um superior hierárquico aos microfones?! Acha que a sociedade vai respeitar um sindicalismo deste género, quando até a própria palavra do Senhor ensina respeitar as nossas autoridades em primeiro lugar?!"
"Quem começou com perguntas enviesadas é você..."
"Eu para já não admito que me chamusquem a reputação. Se o senhor quer censurar, não é aqui! Você tem ideia do esforço dedicado por todo um colectivo para se construir essa imagem de excelência jornalística, isenção e pluralidade que temos?!"

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 21.05.2016

O panorama de opinião e comentário vai fusco e carregado. O futuro está "passado". Ainda era só isso. Obrigado

sábado, 18 de novembro de 2017

(arquivo) Diário | Xé!, você é mau, ya?...

(I)
"Boa noite, meu irmão. Vai para o Lobito?"
"Boa noite. Mais ou menos. Parei para dar boleia àquele moço, é um primo meu. Não é bem Lobito, está mais próximo da Katombela o destino dele."
“Dá-me só um jeito também, ya?”
“Fica complicado, mano. Vai-me desculpar. Estou a vir da escola, são já 22 horas. Portanto, aquilo vai ser um depositar o homem na paragem e voltar imediatamente.”
“Não faz mal, fico onde ele ficar…”
“Pronto, se for assim, então vamos…” 
(II)
“Eh pá, primo, estás entregue. Chega bem à casa e cumprimentos à família!”
“OBRIGADO. VOCÊ TAMBÉM, PRIMO. BOM REGRESSO E VAI COM DEUS.”
“Mano, conforme falamos, a paragem é aqui…”
“Mas vai ter que fazer a rotunda lá na bolacha do campo do Buraco, ou não é isso?”
“Sim, com certeza.”
“OK, ali estou bem.” 
(III)
“Pronto, companheiro, aqui já estás entregue.”
“Meu irmão, entra só até depois da ponte [500 metros]. Vais ter mesmo coragem de deixar o outro nesta escuridão aqui na linha onze?”
“Assim fica complicado ajudar, companheiro. Lembras-te de quando eu disse que só traria o primo?”
“Meu irmão, não custa nada, ajuda só. Eu tenho medo de bandidos. Vais fazer isso mesmo comigo, me deixar nesta escuridão?...”
“Olha, neste caso, há uma solução boa para ambas as partes. Fecha a porta, ainda vou a tempo de te deixar na paragem de Benguela [35 km] onde subiste. Lá não há bandidos.”
“Xé!, você é mau, ya?…”

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa, Benguela. 17 Agosto 2016

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Tu que te despes peça por peça nas redes sociais pela fama, acelera! Despe-te de uma vez. A TPA2 versão actual acaba em Dezembro

(arquivo) Diário | O quê que ela vai pensar?!

"Amor, posso fazer uma crítica ou um pequeno reparo? Quer dizer, não é bem reparo. Se calhar é uma observação. Ou seja, talvez até não chegue a ser uma observação, é mais ou menos uma nota. Diria mais uma espécie de ponto de vista, um parecer..."
"Pára de dar voltas, homem! Qual é o assunto?"
"Sabes que eu mesmo... o amor é aquele, né?..."
"Já estás há dois dias a patinar nesta rotunda, desculpa-me o exagero, mor... Queres dizer o quê, que a relação termina aqui?"
"Claro que não!!! Hoko!"
"Então esta tal crítica, que não é bem crítica, ou o reparo, que não é reparo, ou a nota ou moeda, sei lá, é sobre o quê mais afinal de contas?! Até já estou a bocejar. Que sono!"
"Amor, estamos a namorar há já quatro meses, pelo que, ah!... e já é tempo de me apresentar aos teus pais, sabes?..."
"Hum! Ó coiso! Isso tudo assim é legalizar a vontade me ver dormir todas as noites no teu quarto? Assim, quatro meses de namoro, te apresento na minha mãe. Amanhã te dá na cabeça me trocar por outra. Pouco tempo depois vou apresentar outro homem, ah ‘porque, mãe, aquele já não é, o dono das pastas agora é esse'. O quê que ela vai pensar?!"

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa. Katombela, 24.08.2016

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Telefone dos outros toca, é nomeação. O meu? Beep agorinha, prefixo +248, Seicheles, menor país africano. O sangue está sujo, juro

Caros amigos, ao solicitar amizade leiam o mural. Não disponho de tempo para o chat. Posso pedir a JLo para vos exonerar do Facebook?

(arquivo) Diário | Mas você lhe chamou de porco ou não?

"Obrigado, meritíssimo. Mas ainda, um ponto de ordem só, faxavori. É rápido…"
"FAXAVORI?! SÃO LINGUAGENS?! MAS ASSIM ENTÃO O QUE É QUE O REU ACHA QUER ACRESCENTAR MAIS E QUE PODE MUDAR O DESFECHO DA LITIGÂNCIA EM APREÇO, SE O DEFENSOR OFICIOSO JÁ TUDO FEZ POR SI E PELA CAUSA PERDIDA?!"

"Meritíssimo, eu apelo à sua clemência, por favor!!! Tem de me amnistiar, porque não vou aguentar tanto processo..."

"TANTO PROCESSO', COMO ASSIM?"
"A pessoa não pode ser julgada duas vezes pelo mesmo crime, não é isso?"
"MEU CARO, NÃO ESTAMOS PROPRIAMENTE NUMA AULA DE JURISPRUDÊNCIA, ESTÁ BEM? ATÉ PORQUE UM LEIGO PRESUMIR, POR MINÚSCULA HIPÓTESE QUE SEJA, DISCUTIR O MÉRITO DO DIREITO COM UM MAGISTRADO… SINCERAMENTE, É O MESMO QUE TERMOS UM CÃO SENTADO À MESA E DE GARFO E FACA E PALITO NOS DENTES. SERIA DE UM ATREVIMENTO GIGANTESCO…"
"Isso já percebi, Meritíssimo, mas, Meritíssimo, eu apelo que reconsidere só, tudo tem a primeira vez, não é isso? Estou a ver que dois processos… é muito..."
"MAS VOCÊ CHAMOU O SEU VIZINHO DE PORCO, SEM NO ENTANTO SUSTENTAR TAL SIMILITUDE. ACUSOU O OFENDIDO DE DESVIAR AS OFERTAS DA IGREJA PARA COMPRAR UMA MOTORIZADA PESSOAL. O OFENDIDO PEDE REPARAÇÃO PELOS DANOS MORAIS AO BOM NOME. NÃO SEI SE SABE, MAS A LEI DEVE SER CUMPRIDA. VOCÊ LHE CHAMOU DE PORCO OU NÃO?"
"É esse o problema, meritíssimo. É que acabo de ser informado que os porcos abriram outro processo contra mim por esta comparação, sentem-se difamados. Assim vou indemnizar quem nesse meio?"

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa, Benguela, 22.03.2016 (adaptação)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Mas ninguém se engana ao ponto de depositar milhões de USD na minha conta? Eu aceitaria porque errar é humano. Ainda era só isso

(arquivo) Diário | Estas palavras assim estão a ser dirigidas à minha pessoa?…

(I)
“Senhor inspector, tem uns cinco minutos? Gostaria de ter uma palavrinha…”
“Claro, senhor pedagógico…”
“Senhor inspector, como apesar de ter o superior de pedagogia fui sempre uma voz pragmática, vou directamente ao ponto…”
“Sim, pode pontuar… Estamos aqui para isso.”
“Pois, você me desculpe, mas… quer dizer… o trabalho já está concluído?”
“Se se refere ao inquérito, sim, está arrumado…”
“Mas há qualquer coisa que não bate certo…”
“Como assim? Usamos as técnicas e métodos todos em vigor no sistema de educação…”
“A questão até não é sistémica…”
“Senhor director pedagógico, não sei se sabe e não pretendo assim, tipo, tecer alguma ameaça, mas o tempo está a contar…”
“Meu caro Inspector, compulsada a papelada, notamos que há fortes indícios de fraude no resultado do inquérito. Senão vejamos. Dispusemos um dossier com irregularidades, certo? Inclusive aquele caso da chave de prova interceptada em flagrante delito em mãos de aluno. Então, assim de repente a evidência desaparece e o professor em causa é ilibado?”
“Não estou a acreditar, ó Jesus! Estas palavras assim estão a ser dirigidas à minha pessoa?…”
“Senhor inspector, onde estão as provas que incriminam o colega que passou para os alunos a chave com as respostas do exame? Então só esteve consigo, agora não aparece?!” 
“Vocês ainda não me conhecem, né? Vão ver só!…”

(II)
“Bom dia, chefe. Quer dizer… Ainda boas entradas, um ano novo recheado…”
“Pronto, já percebi. Vamos encurtar as cortesias, o tempo é dinheiro. Já agora, meu compatriota, lhe desejo o mesmo, à sua família, os seus colaboradores, vizinhos, enfim, entes queridos, as melhores venturas. Que o Poderoso derrame a sua luz para a saúde dos enfermos, o juízo dos presos, o amor ao próximo e que tenhamos uma Angola comprometida com o desenvolvimento e a justiça, custe o que custar. Ah! Mas você ainda é quem mesmo?”
“Eu sou o director pedagógico da Escola da Torre, fui notificado para vir responder ao Excelentíssimo Inspector Geral Provincial…”
“Afinal é você?! Só estamos já a ouvir a vossa fama… conta! O que se passou afinal de contas?”
“Chefe, é assim. Notamos graves indícios de contaminação de evidências, tão graves que chegaram a condicionar a lisura e desfecho no inquérito que solicitamos por fraude.”
“Como assim?”
“Depois do trabalho do inspector, verificamos que haviam desaparecido do dossier evidências estrondosas…”
“ESTRONDOSAS SÃO AS VOSSAS INSUBORDINAÇÕES, PÁ!!! Estrondosas, estrondosas…”
“Não estou a apanhar a ideia, chefe…”
“Você acha que um simples professor de carreira, mesmgo já que é director pedagógico, tem respaldo para inspeccionar um inspector em funções?! Estás bem no teu lugar, filho. Ainda és novo, tens muita vida pela frente. Vais mesmo só estragar o que está bom porquê?…”
“Mas devíamos proceder como perante tão flagrante indício?”
“Quem determina flagrante, ou não, somos nós, amigo! ESTÁ A OUVIR BEM, NÉ?! O que é vosso é deixar o homem fazer o trabalho dele, depois, se for o caso, reportar aqui à chefia o fora da norma para devido tratamento, ok?! Nunca ouviu falar em paradigma ou quê?!”
Gociante Patissa | 03.01.2017 | Aeroporto Internacional da Katombela
http://www.angodebates.blogspot.com/ ehttp://www.ombembwa.blogspot.com/

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Divagações | Pelas mãos do Quito, uma homenagem da ALCA

Na homenagem que lhe foi prestada pela ALCA (Associação Literária e Cultural de Angola), liderada pelo amigo Efraim Chinguto, a qual o cooptou sem direito à opinião contrária para membro honorário (não sabendo para já o que isso significa em termos mais concretos), Sua excelência eu se deu encontro com a excelência dele o Quito, se quiserem Henrique da Silva Pascoal, na sexta-feira passada. Foi das mãos dele que recebi a "comenda de membro honorário", em representação de um colega nosso nessas coisas de excelencismos - no caso o Administrador Municipal do Lobito (ele que não nos oiça, que de problemas já não tenho poucos hahah). 

O reencontro, mais um por sinal, diferencia-se dos demais pela aura solene e formal (por isso mesmo esquisita) da coisa. Desta vez sua excelência eu não esteve diante do "miúdo dele" o Quito (porque irmão mais novo do Nirvana, o Betinho, também ele meu puto, já que para todos os efeitos também nasceu depois de mim - eles que provem o contrário se podem - não obstante terem-se adiantado em outros compromissos sociais e coisa e tal, né?). 

Hoje economista, docente universitário e quadro sénior da edilidade do Lobito, conheci o rapaz por volta de 1998, na sequência da hospitalidade do seu kota Alberto (o soldador Betinho Nirvana, da cultura rock n' roll e meu colega na altura no estaleiro da Sonamet), o que me permitiu frequentar (muito bem acolhido) o lar da família da Silva Pascoal, erguido por dois professores. Foi também o ano em que fui morar no 28 (Zona Comercial) com a finalidade de fazer o curso de informática no período da noite, quando operar o computador era uma profissão, como aliás estampa o meu o meu passaporte. E vou seguindo com satisfação os passos e realizações de ambos, não obstante a distância que é o mais imediato sinal de maturidade no meio urbano. 

Quanto à homenagem propriamente dita, desta feita pelo acompanhamento e conselhos prestados na condição de escritor ao colectivo e outros fazedores de artes e letras por Benguela, é sempre com alguma ambivalência que vivo tais momentos, dada a aversão que nutro por gestos de auto-consumo. Ainda era só isso. Obrigado.

Nda olete ongende yavetiwa longeva | Na óptica do turista com saudades | Homesick tourist-wise

(arquivo) Diário | Personalidade forte é isso?!

"Mas, ó meu! Pára ainda aí! Assim também, não! Desculpa-me lá, mas tudo menos isso!!!"
"É com a minha pessoa?..."
"Ya! Mas estás a pensar que isso é o quê, afinal?! Já ontem foi assim, passas aqui a pé - um, dois, um dois, - e não cumprimentas, com essa cara tipo deputado em carro com vidros esfumados. Pescoço bem duro, tipo avestruz. É o quê afinal?! Tu foste meu colega de escola, naquele tempo em que os exames vinham com solda
dos da segurança do estado, fugimos juntos às rusgas de ir morrer na tropa, lanchamos bolacha e leite que nos queimava a boca... esqueceste?"
"Mas eu iria te saudar no Facebok. Não vais já ficar em online logo? Então?! Ou será que o teu chat está off?"
"Mas..."
"Qual é mesmo o tipo de emoji que te alegra mais?"
"Mas não achas que isso é desconsideração? Então me fazes de estátua ao vivo e me esperas nas redes sociais?"
"Fica calmo, sócio. Não sejas arcaico! A evolução está à vista. Há aí gente a fazer grandes negócios, emocionantes reencontros, hã!, casamentos fortes... a partir mesmo só do virtual. Repara que até a comunicação social jornalística transferiu as redacções para as redes sociais, sócio! O segredo é cortar no pão, na fuba, investir no saldo. Mas tens telefone inteligente afinal para quê, é brinquedo?!."
"Eh! Chegaste a este ponto?! Toda aquela irmandade dos anos de escola evaporou?!"
"Meu amigo, eu sou uma pessoa de personalidade muito forte..."
"Arrogante? Egocêntrico? Personalidade forte é isso?!"
"Mas tu achas que eu levo a vida tipo novela mexicana, que é só choramingar e beijar?!"
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa. Benguela, 9 Abril 2017

domingo, 12 de novembro de 2017

Como a "TPA somos todos nós", usando da fatia que me pertence, ofereço o Canal2 para cobrir as sessões parlamentares. O que acham?

"Quando regressou ao seu larzinho, na cauda da tarde, alma e corpo exaustíssimos de um dia produtivamente nulo, a lâmpada da sala estava acesa. E lá pensou com o florido laço de sua lapela: «Bem, como hoje é dia 1 de Abril, se calhar a companhia eléctrica está só a ver se acreditamos.»" (Gociante Patissa. Trecho de abertura do conto A QUE PONTO CHEGAMOS, OH MINHA VIDA!, do livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, disponível a partir de 27 de Novembro no mercado brasileiro, edição da PENALUX, São Paulo)

Alguém aí para ler na bola de cristal que reflexo positivo virá no sector da comunicação social provincial depois das exonerações?

(arquivo) Diário | Ah, fala o namorado dela?

"Wey, estás a ver essas miúdas?"
"Ya, wi."
"Lhes pára ainda!"
"Xé, garinas, venham cá!"
"Boa tarde, moços."
"Tudo bem, bebés?"
"Tudo."
"Vocês moram aonde?"
"Na Fronteira..."
"Aié? Passem aqui vossos números de telefone, já, já!"
"E o contacto da outra?"
"Ela ainda não tem."
"Olha, o meu amigo e eu vamos vos procurar, ouviram? Não vale a pena só desligar ou dar uma de quem não viu, estão a ver né? Eu fico lixado! É atender, ouviram bem, né?"
"Está bem, moço, não há makas. Vamos atender."
"Ok. Podem bazar!"
"Tchau."
"Wey, já viste o mambo? Estão já a nos tremer. Essas miúdas, logo mais, é só arrastar, mano. A mais boa é minha, você fica com a mamudinha. Damas muito fracas… hahaha"
“Esse mundo está estragado. Assim nos fizeram um zoom e deram conta que vamos lhes resolver minimamente a necessidades, estás a ver, né? Até só falhaste em lhes despachar rápido, mô wi, porque essas mboas, com um bitoque mesmo, é só levar. Eu tinha então uma pequena que lhe fazia ideia, mas quê? Assim mesmo do nada, me receberam com ela num burro à toa…”
“Ehéé! Mas não há-de-ser maka, fica só calmo, vais bater lá. Te garanto…”
"É, né? Aí falaste! Essas gajas hoje é tudo bandida. Porque você analisa mesmo só bem. Um desconhecido é que você vai lhe dar número do terminal?!..."
"Tá nosso! Dá ainda um ‘cool’, brother. Deixa ainda lhes dar já um beep no número que elas deram. Alô! Está? (Wey, tipo é voz de homem) Esse número não é da fulana? Ah, fala o namorado dela? Deve ser engano, meu velho, vai-me desculpar."
"Filho da mãe dessas miúdas, meu! Nos enganaram, deram número que não é delas, madres de merda, pá…"
"Nos deram de boelos, né? Foogo! Esse comportamento delas assim é de bem? Vamos fazer como, agora que já foram embora?" 
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela 03 Março 2016

sábado, 11 de novembro de 2017

Dia de tirar o pó às memórias sobre o sacrifício consentido pela pátria

O 11 de Novembro, sendo um dia de todos que sejam favoráveis ao fim do domínio colonial português, é também no plano pessoal e familiar um dia para simbolicamente refrescar o sentimento de pertença. Haverá aqueles muito mais directamente afectados pela história, o que legitima o sentimento de posse, assentado no conceito de "sacrifício consentido". A minha família é uma delas. Pelo lado paterno, duas gerações, sendo Manuel Patissa (o patriarca preso em 1961 e passou 5 anos na cadeia de São Nicolau, hoje Bentiaba) e Victor Manuel Patissa, político de base e governante do nível comunal. Pelo lado materno, José Samuel, abatido no Lobito em 1975, filho do velho Samuel Ferramenta, primo-irmão do meu avô Gociante Kapiñãlã. Ainda era só isso. Obrigado 
www.angodebates.blogspot.com

(arquivo) Diário | Os preços que pratica contribuem para a paz dos espíritos?

"Vamos abreviar o tempo e tentar ser objectivos, pode ser? Venho ter consigo uma conversa de homens..."
"Isso não vem ao caso! Estou aqui como entidade. Como deve saber, estamos a ensaiar o modelo de comissões de moradores, já que as autarquias são um bicho de muitas cabeças, né? Pronto. A pessoa que lhe fala é a Coordenadora."
"Seja bem-vinda à nossa unidade de produção..."
"Eu lhe chamaria, antes, unidade de preocupação..."
"Unidade de preocupação?! Peço desculpas, mas aqui a papelada está em dia, os impostos e tudo. Há algum ressentimento da vossa parte?"
"Nem ressentimento nem consentimento..."
"Então qual é o problema, senhora Coordenadora?"
"O problema é que o seu papel na diversidade e robustez da economia é questionável. Até as minhas entidades superiores já quase me consideram fonte insegura. Se cada mês que reporto, ou altera o valor ou altera o volume, né?..."
"Mas o mercado é dinâmico..."
"O caro empreendedor acha que os preços que pratica no pão, que até é bíblico, contribuem para a paz dos espíritos?"
"Mas eu não importo..."
"O SENHOR É MESMO ATREVIDO! Pão, que é a primeira coisa que a pessoa come ao acordar, vai custar 40 kwanzas, e ainda dizes que 'não me importo', ó senhor?!"
"Eu disse que não importo farinha, a matéria-prima. Logo, tenho de vender de acordo com o mercado. O preço tinha que subir."
"E o tamanho baixar?! Não sei se já reparaste mas com este tamanho, eu meto na boca dois pães de uma vez só e ainda consigo falar à vontade. Ou vais-me dizer que tens a coragem de negar?"
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 21 Junho 2016

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

(arquivo) Diário | É só aí já que falhei, né?

"O PRÓXIMO!"
"Dá licença?"
"ENTRE!"
"Bom dia... Quer dizer, boa tarde já."
"Boa tarde. Pode sentar-se. Bem-vindo à entrevista. Bem disposto?"
"Sempre, Engenheiro."
"Senhor, para mim, já está bom. Só tenho o médio do industrial ainda."
"Está certo."
"Vamos ao que interessa. Sabe para que tipo de trabalho está a concorrer?"
"Bem, tenho vaga ideia. Dizem que é no ramo dos petróleos."
"Pois. Não tem nada a ver com escritório e canetas..."
"Não há problemas, Senhor. Somos homens para tal…"
"Ora, vejamos... O teu Curriculum Vitae... por acaso, tem peso."
"Obrigado."
"É tudo verdade, não é?"
"Sim, senhor. É a trajectória mesmo."
"Isso é bom. O senhor é professor?"
"Sim, sou."
"Mesmo assim prefere ir para um trabalho de lidar com metais e ferrugem?"
"Depende só de onde melhor é o bolo, profissionalmente falando a verdade. Porque, é desculpar a franqueza, carreira e estabilidade devem andar abraçadas…"
"O teu CV diz que é professor. Há quanto tempo?"
"Olha... já há oito anos. Não é fácil neste país…"
"É casado ou solteiro?"
"Casado."
"Que idade tem agora?"
"Estou com 23 anitos já."
"Em que nível dá aulas?"
"Nível secundário. Quinta e sexta classe."
"Desde sempre?"
"Sim."
" Então, fazendo as contas, se tem 23 anos e dá aulas há já oito... quer dizer que com 15 anos já dava aulas no segundo nível?"
"Bem... Pois, portanto, é só aí já que falhei, né?..."
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Lobito, 30.11.2015

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Acho que imitarei o exemplo da comunicação social. Exonero o PCA/editor/animador dos Blogs Angodebates e Ombembwa. Assim nomeio quem?

Mana Ciria De Castro, no 1º vencimento do novo cargo de ADM patrocina só o meu projecto IGREJA APOCALÍPTICA DO FIM DO DESERTO, ya?

Just a question


Os serviços de apoio a sua excelência eu estão a ponderar a disponibilização em formato digital PDF, a custo zero, nos dias 17 e 18 de Dezembro, do livro de contos A ÚLTIMA OUVINTE, de Gociante Patissa, editado em 2010. Seria uma forma de contornar a procura, combinada com uma dificuldade orçamental que se adivinha quanto a uma possível reedição. A condição basilar é (antecipadamente) saber o seguinte: quem é que confirma que iria visitar o autor na cadeia (fazendo-se acompanhar de um pãozinho seco e água da torneira pelo menos) em caso de a União dos Escritores Angolanos (UEA), na qualidade de editora e detentora dos direitos sobre a primeira edição, mover um processo judicial por uma eventual transgressão? Ainda era só isso. Obrigado www.angodebates.blogspot.com

Actualização | A VIDA MELHOROU
Ainda era só para actualizar dizendo que o aval já caiu. Nos dias 17 e 18 de Dezembro, a obra estará disponível de borla na sua versão Adobe PDF, bastando apenas escrever para patissagociante@yahoo.com ou deixar na secção dos comentários o endereço de e-mail dos interessados. Gabinete de sua excelência eu e seus acompanhantes. Cumpra-se HAHAHA

(arquivo) Diário | Até já entrei. Não tem cão?

“Mas vocês não ouvem?! Anda, vão ver quem está a bater ao portão, pá!”
“Ó papá, é um tio quem tem lata de leite na mão.”
“Lata de leite?”
“Parece que é mestre, a lata está um pouco suja, tem tinta.”
“Dá licença, mano. Até já entrei. Não tem cão?”
“Sim, faz favor. Eu tenho azar, cão dos outros é guarda; o meu mais é que recebe visitas.” 
“Assim as bruxas já lhe partiram a voz. Haka! Boa tarde, ainda.”
“Boa tarde. Está aqui o assento.”
“Obrigado. Ainda um copo de água?"
"Copo de água aqui para a visita!"
"Ah! A garganta quase a encravar! Mas estamos bem, é mesmo só a tal vida. Ainda pensamos andar pelos bairros, ver se encontramos trabalho. Somente.”
“Nós, também, é mesmo assim: dia bom, dia mau. O resto dos problemas… pronto… têem a nossa altura, podemos bem com eles.”
“Vimos que o mano tem uma casa, – sim, senhor! – até que uma pintura mesmo caía bem.”
“Pois. O problema costuma mesmo ser a escolha do caminho, se vamos para a tinta ou para a barriga. E é precisamente quanto?”
“Não te falo mentira. O mano costuma de vez em quando passear na cidade, não é?”
“Sim.”
“O mano, por exemplo, da Kaponte à zona comercial, não costuma ver que há lá umas casas bem pintadas, de frente e qualidade? Aquilo fui eu…”
“Espera aí! Você pensa que sou burro, não?! Caramba! Então, um gajo que me aparece aqui com uma lata de leite vazia, dois pincéis no bolso, meio quilo de cal, vai mentir que pintou as casas de uma cidade toda, pá?!”
 www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Katombela, 18 Novembro 2015

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Exas, avisem-me da próxima vinda do nosso PR JLo a Benguela, quem sabe me calha um generoso atropelamento. Até já imprimi o CV, né

(arquivo) Diário | Qual futuro, homem, futuro de quê?!

"Mas, ó mano Vano, eu já não te falei para você não andar vir me procurar mais?!”
“Isso mais que estás a falar é como é que é?”
“Será que na vossa casa não tem televisão?! Eu não posso todos os dias deixar de fazer jantar, não lavar a louça, para vir-te atender, ouviste? Não vamos só se complicar, ya?…”
“Ehh…, vejamos… Ficas mais bonita quanto refilas, ó pequena…”
“A essa hora, os outros estão a ver telejornal, depois é novela, depois é sessão da meia-noite; você se põe no caminho para vir conquistar uma mulher com quatro meses e metade?!”
“Você não entende quase nada da vida, e é isso que eu curto em ti, cada vez adoro mais…”
“Apaga ainda esse cigarro, faz favor.”
“Te incomoda?”
“Assim vou falar quê, hã?! Ainda me fala só… Esse dinheiro que gastas no tabaco ainda podias só comprar um par de chinelos em condições. Olha só o calcanhar como está empoeirado, baúca já não é baúca, ó mano Vano…”
“Ouve o fundo da questão, ó minha benquista, e isso é difícil porque você mesmo sabe que os homens… ora… não são lá bons sentimentais, né? Mas é assim, esse ponto que reclamas, para mim não influi… O filho que vai nascer ou o titular da gravidez que fugiu, para mim é pacífico.”
“Ainda não dá só muitas voltas, homem, me ouve! Haka!, ó coiso… você acha mesmo juízo conquistar uma mulher com cinco meses de uma gravidez que não te pertence?!”
“Mas você não é a gravidez, ó amável. Você é uma constante, uma constelação de sorrisos, afectos, enfim, um paiol de aconchegos que o futuro me reserva…”
“Qual futuro, homem, futuro de quê?!”
“Mas eu te amo!”
“Mas você não tem o direito de me amar. Assim fica como?!”

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Aeroporto Internacional da Catumbela, 12.04.2016