quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Opinião | Porque perdemos todos na briga judicializada entre entre o vice-procurador e o jornalista

Estando aprazada para o dia 13 deste mês a sentença, gostaria muito que o jornalista Carlos


Alberto ganhasse a causa no processo movido contra si pelo vice-Procurador Mouta Liz por crime de difamação e calúnia (conforme o cartaz), na sequência de uma série de reportagens no seu canal A Denúncia sobre alegada apropriação ilegal e abusiva de terreno de pacato cidadão pelo dignitário para fins particulares .

Não é que afiance os excessos, adjectivos ou entusiasmo do redactor/repórter, mas porque seria uma perigosa jurisprudência prender jornalistas, encerrar órgãos ou proibir gestores de frequentarem as suas próprias empresas de comunicação social como medida de coação pessoal, na medida em que não há memória de tal ter ocorrido com profissionais no exercício da actividade quando os visados são "apenas" cidadãos comuns. Não é que também não reconheça legitimidade em Mouta Liz (neste caso como cidadão em litígio particular) de ver reparados os danos à sua imagem e reputação, até porque nestes defendi sempre que cabe aos tribunais arbitrar, não devendo os jornalistas quando "apertados" por coisas que publicaram se fazerem de vítimas. A razoabilidade deve imperar.

A questão é que podemos hoje andar emprestados a outras variantes da comunicação e não só, porém não deixamos de ser cidadãos com consciência cívica enquanto jornalistas, ramo ao qual volta e meia retornamos. E nessa qualidade defendo que precisamos de um sistema de justiça/Direito eficiente, do mesmo jeito que precisamos de um jornalismo investigativo acutilante em defesa do interesse público e da justeza social, de uma sociedade civil ética e coerente. A democracia carece deste equilíbrio ou então perdemos todos e bem perdidos! Ainda era só isso. Obrigado Gociante Patissa | Luanda, 09 Setembro 2021 |
www.angodebates.blogspot.com imagem 2: Carlos Alberto (à direita), ladeado do actual secretário-geral do Sindicado de jornalistas angolanos, Teixeira Cândido (à esquerda) - arquivo Manifexto
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terça-feira, 31 de agosto de 2021

Monólogos (1)

Aquele agente, até, você como motorista lhe olha mesmo assim... não!, lho bate pala, sim senhora! Merece! É aquilo mesmo já que falam, quem sabe fazer bem o trabalho dele não complica. Ele assim tipo te mandar parar e pedir documentos?... Nunca! Ele fala me'mo: mô ndengue, eu n'um quero saber se roubaste o carro ou não, isso é teu problema você e com teu Deus. Me dá só a minha parte e vai à tua vida, não se atrapalha mais, mô ndengue; você mesmo sabe que tenho fome, você conhece a minha fome... Aí a pessoa lhe garante a parte dele, uns mili paus ou quê e tiras voado. Tás a ver? Esse é que é agente, não são os outros que fica a te complicar documento, taxa e no final vai te pedir saldo.

www.angodebates.blogspot.com (créditos da imagem: Anacleto Miranda)

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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Agenda cultural


 

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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Diário | DOS MESTRES E A LUCIDEZ A JEITO?

 “Meu jovem, tudo bem?”

“Tudo, sim, mestre. Muito obrigado, mestre. O mestre como vai?”

“Tem de ir, meu jovem, tem de ir. Esse país não dá muitas opções, sabes meu caro? Olha, nestas minhas andanças no insta chamou-me a atenção um texto teu assim muito pertinente... Muito bem escrito. Sintético, fácil de ler, actual e tudo mais...”

“Ah, aquele sobre O Andar da Carruagem, meu kota?”

“Esse mesmo! Meu puto, aquilo é de um alcance que faz a pessoa acreditar que temos jovens! Meu puto, é assim que tem que ser! Muito bem conseguido. É preciso não se acomodar...”

“Fico sem palavras mestre. Nem todos conseguem elogiar nós que procuramos lugar ao sol...”

“É de coração meu puto. Continua assim, está bem? O texto está tão bom que merece ser lido por mais pessoas. Posso partilhar? Mo envia então quando puderes, ya? São quantos parágrafos mesmo?”

“Já enviei, mestre. São só cinco parágrafos de quatro linhas.”

“Meu puto, recebi, o texto está mesmo muito bom. Só uma pequena sugestão, posso?”

“Claro, mestre, é uma honra melhorar com os conselhos dos gurus...”

“Estás a ver no último parágrafo, eu se calhar metia assim uma coisinha ali assim, tás a ver?”

“Tipo quê?”

“Tipo assim uma linha mais directa, sabes?”

“Aié? Está bem mestre. Tem razão.”

“No segundo parágrafo se calhar davas assim um retoque, sabes?”

“É isso, né, mestre?”

“Mesmo o título também, acho que falta ali qualquer coisa. Se quiseres posso te ajudar a refazer...”

“Né, mestre?”

“O parágrafo de abertura eu mexia um bocado. O leitor precisa de sentir O Andar da Carruagem...”

“Ah, ok. Com os solavancos e tudo? Está tudo aí, mestre, se calhar não fui claro...”

“Mas o texto está muito bom, meu puto, continua mesmo assim, está bem?”

“Certo, mestre.”

“Ah, e outra coisa, estás a ver o parágrafo quatro, acho que o três também, se calhar punhas um pouquinho mais de ênfase nos sintagmas. Abrias um pouco se calhar na linha de raciocínio...”

“Na problematização?”

“Isso mais ou menos. Como a ideia é sobre O Andar da Carruagem, talvez ver as variáveis. Então se é carruagem, o ónus recai ao maquinista ou ao passageiro ou a quem aprecia a paisagem? Será que bater nos actores com o signo da equidade colhe verosimilhança? O âmago está no ónus. Estás a seguir o raciocínio, meu puto?”

“Se é ânus de quem que está amargo, doutor?”

“Ónus, meu, ónus! Entendeste?”

“Bem, a palavra se calhar é filosofia, não entendi só lá muito bem. Mas é assim, mestre, se calhar vou escrever um outro texto, esse como já foi visto, fica só já assim, né?”

“Pois, se calhar é melhor. Mas continua, gostei muito do teu texto, está bem?

“Esse kota como é então? Será que um dia vamos aprender com isso dos mestres e a lucidez a jeito?

 

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Luanda, 23 Agosto 2021

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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Divulgação: Terceira edição da Flipoços discute Literatura e Educação no Brasil


Acompanhe a programação  DIA 25 DE AGOSTO – QUARTA-FEIRA  10h às 11h | Mesa "A metade do meu Enzo" - O que os pais separados deveriam saber antes de danificar o bem estar físico e emocional dos seus filhos. Uma conversa de pais para pais, com o autor Antonio Voorhees e a psicóloga infantil Barbara Martins. 

14H30 às 15H30 | Mesa "Carta de Cipriano: da fonte primária à rota literária" apresentação do livro Cypriano Joseph da Rocha: uma vida entre Portugal e o Brasil na Idade do Ouro, de António Andresen Guimarães. Com Priscila Moraes e Decio Zylberstajn. Mediação Thiago Bittencourt.   


16h30 às 17h30 | "Os super-heróis na sala de aula" com Leandro Ribeiro Nogueira e Lívia Jacob. Will Eisner, um dos grandes mestres das HQs, definiu seu ofício como “arte sequencial”, a fim de diferenciá-lo da literatura. Hoje, a fronteira entre as duas artes se mostra cada vez maisbranda, visto que diversas séries de livros dedicadas ao público jovem, a exemplo de Wild Cards (ed. George R.R.Martin) são inspiradas no universo das Hqs. 


18h30 às 19h30 | Mesa "Euclydes da Cunha: uma ponte para o sertão que virou mar" com José Huguenin. Oferecimento Nós Educação.   Toda a programação é gratuita e a transmissão vai acontecer na redes sociais do Flipoços (Youtube e Facebook) e com retransmissão nos parceiros: Nós Educação, Município de Óbidos (Portugal), Publishnews, The Book Company (Portugal), Elicer (Festival do Cerrado), Museu da Língua Portuguesa (SP), Resenhando e Secult Poços. 

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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

PONTO D’ORDEM: O infinitivo do absurdo

 

Está cada vez mais chato ouvir os nossos locutores/apresentadores quando falam de improviso, não apenas pelas graves makas linguísticas/gramaticais, como também por conta de uma mania, que não se sabe bem porquê, a do abuso do infinitivo como muleta. As regras da clareza e da simplicidade na comunicação estão “cafricadas” por uma carrada de vaidoso infinitivo, um tanto incómodo.

 

1.     EXEMPLO DE MULETA ABSURDA NA COMUNICAÇÃO SOCIAL QUE ESTÁ NA MODA

 

“Bom dia, bom dia, caros telespectadores/ouvintes!

Dizer que estamos de volta para mais um programa para matar as saudades convosco… Agradecer o carinho da sua audiência. Salientar ainda que hoje vai ser um tema quente. Dizer que o nosso tema é sobre o subsídio de aleitamento materno. Dizer por outro lado que o doutor xxxx já se encontra no nosso estúdio para a conversa. Dizer que esperamos contar com a sua participação lá mais para frente para tirar dúvidas ou colocar questões. Lembrar ainda que os nossos terminais são os mesmos. Seja bem-vindo doutor. Agradecer a sua disponibilidade.”

 

2.     VERSÃO CLARA, CORRECTA E CONCISA SEM O INFINITIVO RUIDOSO E ESCUSADO

 

“Bom dia, bom dia, caro telespectador/ouvinte!

Estamos de volta para mais um programa e matar saudades… Agradecemos o carinho da sua audiência. Hoje vai ser um tema quente, é sobre o subsídio de aleitamento materno. O nosso convidado é o jurista xxxx e já se encontra no nosso estúdio para a conversa sobre a sua área de especialidade. Esperamos contar com a sua participação lá mais para frente para tirar dúvidas ou colocar questões. Os nossos terminais são os mesmos. Se preferir, também pode deixar mensagem nas nossas redes sociais.Seja bem-vindo, doutor, e muito obrigado/a pela sua disponibilidade.”

 

CONCLUSÃO: falar simples também é estilo, a moda do papagaio é que não. 

 

Gociante Patissa

www.angodebates.blogspot.com

 

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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Criminalidade violenta no litoral de Benguela: RESTOS MORTAIS DO SEGURANÇA ASSASSINADO NO FIM-DE-SEMANA JÁ REPOUSAM NO CEMITÉRIO DO LUHONGO

Foi hoje a enterrar Victor Isaac Paulino 'Paizinho', 38 anos, o segurança assassinado por indivíduos até agora


desconhecidos, na noite noite de sexta-feira para sábado, 07/08, no seu local de serviço, uma fábrica de blocos situada no perímetro do PDIC (Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela), no bairro da Santa Cruz, imediações do estádio do Buraco, no Lobito.

Até ao momento, não se conhecem suspeitos nem as motivações de um crime que chama atenção pela elaboração da sua crueldade, contrariando redondamente a versão oficial. No noticiário ao meio-dia desta segunda-feira na Rádio Benguela, o porta-voz da polícia descreveu o homicídio como sendo resultado da acção dos meliantes que surpreenderam o segurança e roubaram um computador e uma câmara [de videovigilância], sendo que a vítima não resistiu à agressão e acabou por perder a vida no local.

Recorde-se que o corpo de Victor Isaac Paulino 'Paizinho' (na foto), que deixa viúva e quatro filhos menores, foi encontrado amarrado nos pés e braços, escondido do escritório da empresa. Quem por lá passou às primeiras horas de sábado, dia 07, fala de cenário de um filme de terror cuja hospitalidade morava nas marcas de sangue no chão e nas paredes, enquanto o corpo da vítima evidenciava bem a extrema barbárie sobre si descarregada, sobretudo na parte superior. No estaleiro, os criminosos abandonaram os objectos contundentes por eles utilizados, sendo uma alavanca de aço e uma tesoura para metais.

Já em termos de bens materiais roubados, a fazer fé no "inventário" do porta-voz da polícia, os ladrões só levaram o sistema de videosegurança ali instalado, que inclui um computador e uma câmara.

Natural do Monte Belo, município do Bocoio, província de Benguela, Victor Isaac Paulino, membro da IESA, era xará do primo materno do seu pai, Victor Manuel Patissa (meu pai).

A sua morte surge uma semana após a também trágica morte do filho de uma conterra nossa, a tia Deolinda Valiangula, assassinado na via pública no bairro Luhongo, município da Catumbela, crime este ainda não esclarecido.😪😪

Daniel Gociante Patissa, Lobito, 11 Agosto 2021
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terça-feira, 10 de agosto de 2021

POR QUE SANGRAM AS MÃES? (Poema inédito)


POR QUE SANGRAM AS MÃES? (Poema inédito)

 

(Para as mães do Victor Isaac Paulino ‘Paizinho’ e da Ivandra Vinez ‘Messita’)

 

Mãe nenhuma merece poema

Um só poema

Mãe 

Nem uma

Merece um poema

Um só

É pouco

A menos que sangre

A inspiração

 

O papel rasgado

Às tiras

Pegado

O que seja

Tesoura

Prensa

Guilhotina

Alavanca

Sangra a seiva

Da árvore

Que foi

 

É uma mãe 

Que indaga

Solidão pública

Encharcando o peito

Os peitos

Com o rio dos olhos

Porquê, meu filho, 

Porquê, minha filha?

Que mal, tão mal fizeste?

 

Mãe nenhuma merece poema

Um só poema

Mãe 

Nem uma

Merece um poema

Um só

É pouco

A menos que sangre

A inspiração

Oh mundo imundo

E os limites?

 

Gociante Patissa, Lobito 09 Agosto 2021 | www.angodebates.blogspot.com 

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domingo, 8 de agosto de 2021

Crónica | Chamou-se Paizinho, não carinhosamente. A ironia de um sobrevivente assassinado

Escrevo esta crónica na cama como quem se agarra à ilusão de embrulhar o dia capaz de afrontar a impotência que nos avacalha desde as primeiras do dia de sábado que ainda é hoje. É o máximo que posso nesse misto de choque e revolta instalado por tempo indefinido, até que se esclareça o guião da tragédia que desenhou a prematura partida, literalmente partida, do protector físico de 38 anos que atendia pelo nome de Víctor Isaac Paulino, (não carinhosamente) conhecido por Paizinho. Explico.

 

Quando em 1983, anos do partido único e guerra civil pós-independência, o interior ia completamente vulnerável aos ataques da guerrilha da UNITA/FALA que buscava reforço logístico e desmoralizar a administração do Estado (MPLA/FAPLA/ODP), o casal Isaac Paulino e Balbina (Luvina), conhecido pelo corpo esbelto e cabelos lisos, ganhava o primeiro rapaz de uma escadinha que ia na quarta contagem. Logo correram as artérias da comuna do Monte Belo para anunciar a homenagem a Victor Manuel Patissa, filho de Josefina Kanjala, irmã do pai de Isaac, Kalupeto. O menino foi sempre Victor até um acontecimento torná-lo improcedente. Sobre isso vamos devagar, que também já nada mais se salva. O interessado está lá na morgue, surdo ao pranto da viúva e a prole de cinco, né? Voltemos à memória.

 

Em meados da década de 1980, que eu chamaria a era dos primos, o que vigorou até à proclamação da abertura de mercado, Isaac Paulino era o pseudónimo comercial de Victor Manuel Patissa na comuna piscatória da Equimina, ao tempo em que os governantes não deviam ter negócios (na verdade todos procuravam precariamente empreender, bastava que por interposta titularidade). Com o cessar fogo alcançado em Bicesse em 1991 e a liberdade de mercado, a euforia toma conta, só se fala em regressar ao kimbo e recuperar as terras. Isaac nessa altura já só existia na recordação, a morte natural o havia arrebatado poucos anos antes, deixando o Victor criança sob tutela de Victor original.

 

Em 1992, de volta ao kimbo abandonado havia sete anos, Victor Manuel Patissa movimenta duas de suas esposas para o cultivo, acolhidas pela cunhada Adelina Mbali, que resistira à guerra ali. A coabitação entre as partes beligerantes era mais táctica do que pacífica, quer o governo, quer  a UNITA ostentavam exércitos. O nosso magro projecto agrícola complementava-se com pequenos negócios, fuba de milho em canecas e petróleo iluminante. Sobrava para mim, claro, essa parte, 13 anos nos cornos, noites de breu e farras. A parte boa é que foi no kimbo que aprendi a dançar um-dois-um.

 

Certa vez acordou-nos o apelo épico para ir à CPPA (comando provincial da polícia de Angola). Parecia cena arrancada dos filmes. Eram já nove da manhã e não havia sinal da comissão (conjunta ou mista?) de verificação. Pelo menos quinze agentes estavam rendidos por tropa da UNITA, farda verde oliva justinha à pele. Ao comandante fora aplicada uma careca. A tropa de assalto vinha de Amenlã. O incidente terminaria com a heróica  intervenção do capitão Tchakusanga, da 7.ª Região Militar das FALA, o qual de passagem para o Balombo exortou as partes à reconciliação. E tudo acabou em bem. Em nós ficou sempre a convicção de que a paz de 1991 resultara da derrota militar do governo. 

 

Por conta dessa volatilidade registada a faltarem três meses para as primeiras eleições gerais, o meu pai, pelo acesso privilegiado à informação político-militar, ordenou partirmos de volta ao litoral, no ar uma sensação de fuga pela segunda vez. Uma das precauções para os que ficavam foi omitir o nome de Victor, não fosse o menino sofrer purga. Foi assim que Victor Isaac Paulino ficou Paizinho.

 

Ironia, é esse Paizinho sobrevivente ileso das guerras e cirurgias de pedra nos rins que morre hoje nas mãos cruéis de assassinos ainda desconhecidos, no bairro que em parte lhe fez homem, Santa Cruz.

 

Gociante Patissa |Lobito, 07 Agosto 2021 | www.angodebates.blogspot.com


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À boca da sopa

E chegamos ao novo ciclo das calorias: campanhas e conferências a quente; coberturas abertas e encapotadas a quente; militâncias abertas e encapotadas a quente; acusações abertas e veladas a quente; contra-ataques a quente; patriotismo pró ou a favor a quente; juízes em causa própria ou alheia a quente; neutralidades a quente; opinião pública a quente. O que sobra? O mesmo de sempre, um monte de animosidades e a erosão dos laços. Depois chegam as urnas. Pela quarta vez Angola em clima pré-eleitoral, a polarização é a nossa velha casca de banana🙆‍♂️ Por uma disputa saudável, por uma democracia que ergue!
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CRIMINALIDADE VIOLENTA NO LITORAL DE BENGUELA FAZ MAIS UMA VÍTIMA


Na noite de ontem para hoje, no perímetro do PDIC (Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela), bairro da Santa Cruz, fronteira com o município do Lobito, foi morto em serviço por indivíduos ainda desconhecidos um cidadão que se encontrava a guarnecer uma unidade de fabrico de blocos. O corpo de Victor Isaac Paulino "Paizinho" (na foto), 39 anos, que deixa viúva e filhos, foi encontrado amarrado (e escondido dentro do escritório da empresa) e com sinais de extrema barbárie, sobretudo na parte superior, tendo sido encontrado também no local, conforme constatação da familia, objectos contundentes como alavanca e tesoura de corte de metais. O corpo encontra-se na morgue do Hospital Municipal do Lobito. O caso está entregue à polícia.


Alegadamente os assaltantes levaram  o computador da empresa e o servidor do sistema de videosegurança.

Natural do Monte Belo, município do Bocoio, província de Benguela, Victor Isaac Paulino, membro da IESA, era xará do primo materno do seu pai, Victor Manuel Patissa (meu pai).

A sua morte surge uma semana após a também trágica morte do filho de uma conterra nossa, a tia Deolinda Valiangula, assassinado no bairro Luongo, município da Catumbela😪😪

 Daniel Gociante Patissa, Lobito, 07 Agosto 2021
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quarta-feira, 28 de julho de 2021

Umbundu & Português: uma pedagogia preventiva

Quando ao cabo de dois anos de varredura em livrarias sua excelência eu se dá encontro com a segunda oportunidade de "caular" um book. Já canta desde ontem no acervo, não obstante o furo ao bolso

😂O primeiro ofereci-o a um kamba
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sexta-feira, 23 de julho de 2021

DIÁLOGO NA COPA, UMA GRELHANDO O PEIXE E A OUTRA ARRUMANDO A LOIÇA


“A fulana queria [entenda-se devia] já pedir repouso.”

“Mas a barriga dela é assim grande porquê, parece é primeiro filho?”
“Aquilo é balão mágico!” (risos)
“Ó coisa, aquilo… Mas culpado é o marido dela.”
“É porque Deus opera milagre, um dia mesmo queria [entenda-se podia] nascer [entenda-se dar à luz] no serviço.”
“Essa coisa de escolher filho de papai e mamãe, ó coisa, eu não gosto. Homem tem que ser batalhador. Ou sai, ou quê, inventa qualquer coisa. Agora, que só fica em casa, eu não aturo.”
“Mas ele tem quantos anos?”
“28 anos, acho, o moço.”
“Será que é muito bonito? Assim não é escravizar a outra? Os bonitos é que têm essa mania. Uma gaja se mata a trabalhar sozinha, ele acorda bem tarde. Quer dizer, é escrava mesmo.”
“Eu então, o fulano também não trabalhava quando namorei com ele. Eu lhe disse assim: ó coiso, você já não trabalha, não me dás nada, ainda se comporta mais mal?! É mesmo pela tua beleza que vou sofrer? Lhe deixei mesmo assim nas calmas.”
“Mas o marido dela, isso mesmo assim é normal? 28 anos, só fica em casa?”
“O fulano ainda falou com ele que aí tem salo. O salário é vinte e cinco mil, mas tem “bizno” [business], a pessoa não volta p’ra casa de mãos a abanar. Ele já… nada!”
“Também homem assim, você vai-lhe dar mais segundo filho? Assim ela vai nascer, vão ficar mesmo só a se olhar?”
“Vais ir ver já quando o bebé nascer. Não há falar que Benguela é longe, vamos ir mesmo o grupo dos colegas para ver.”
Kero do Lobito, Santa Cruz, 22 Julho 2013
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sexta-feira, 16 de julho de 2021

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Editorial | AGORA É TRIMESTRAL

 


Pensar que chegamos à quarta edição da Gazeta Lavra & Oficina nesta sua 3.ª temporada é reviver o conto em torno de  Kandumbu,  uma  figura  do  interior  rural  de Benguela que derivaria da aglutinação do pref ixo “ka” (diminutivo) e “ndumbu” (leão), ou seja Leãozinho, conforme a narração vívida do tio Henrique Avindo Manuel (já falecido) que vinha dos fundos da Ganda. 

Corriam tempos de seca, de carência e de pirão sem conduto. Verduras com sabor de bílis, ratos fugindo às  armadilhas  como coelhos ao caçador. Caças nem por milagre! Nessa conjuntura campestre, surge um certo dia que coloca Kandumbu no caminho de uma família com abastança ou ao menos em ambiente festivo. Ressoavam os batuques em tons preparativos para a noite que  seria  inesquecível,  mulheres  cuidavam  dos comeres e beberes e da ninhada. Sempre, né?

 

 Naquele preciso momento, coincidira que uma cabeça de gado bovino começasse a ser talhada. Quem dera a Kandumbu poder desenferrujar os maxilares, daria o pulmão por um naquinho! Mas lá se conteve, até ver, não é? Bem desviava o olhar. Era deselegante mendigar e, segundo os costumes da sua etnia, “o que é alheio disse ‘olha-me’; não disse ‘me comenta’”. Provérbio, se não conduz, condena. Mais alto porém falou o estado de necessidade. E era aí que começava o dilema. Pedir o quê se a anatomia do animal encerrava em si uma simbologia quanto ao valor das suas peças e o mérito do seu consumo? Além do mais, não conhecendo os convivas, menos ainda a quantidade daqueles, para daí inferir se havia carne que chegasse para todos, valia a pena?

 

Depois de muito se debater, Kandumbu saudou, no que foi muito bem correspondido. De seguida, desculpando-se pela invasão requisitou, humilde, um pouquinho para saciar a fome, ao menos os testículos do boi, faz favor. E de pronto foi atendido. Foi então que, arrependido, pôs a mão na cabeça. Oh, eles afinal nem eram avarentos! Que burro fui, que não pedi uma peça mais valiosa, um bife, um coração?! Era só questão de tentar, a audácia faria toda a diferença. 

 

Diferente de Kandumbu fez a União dos Escritores Angolanos que (embora desprovida de orçamento para a impressão ou recrutar uma equipa editorial que  se dedicasse  a tempo integral)  teve  a  audácia  de  retomar  a  Gazeta, duas décadas após a hibernação do seu veículo convencional de literatura, artes e ideias, pelas mesmas razões. O período experimental de  quatro  edições,  iniciado  em  Setembro  de 2020 no formato digital apenas, permitiu-nos diagnosticar as nossas limitações, aplaudir as colaborações e solidificar a certeza de que o projecto era para ontem. Com o fim do período experimental, a Gazeta passa a sair trimestralmente a partir do próximo número.

 

E  na  dinâmica  de  contar  apenas  com  a  prata  da casa (UEA), face à dialéctica de conciliar a missão Gazeta com outros deveres profissionais, não estranhe, pois, o caro leitor que determinadas  secções  a  dado  momento  sejam  assinadas por outros rostos. É o que poderá ocorrer com a secção do editor-chefe, que vinha sendo regularmente assumida pelo membro Gociante Patissa. A propósito aproveitamos para exprimir o vivo reconhecimento a todos e todas (membros e não membros) que vêm enriquecendo a Gazeta ao longo das suas quatro décadas de vida!


Na presente edição, dedicada ao tema  Letras & Liberdade, honramos a promessa de trazer textos que não couberam na edição passada, dedicada ao  Espaço da Mulher na Literatura Angolana. 

  

Até Outubro!

 

Gociante Patissa

Jornalista/Escritor/Linguista (gociante.patissa2@gmail.com)

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A ser ser assinado o Acordo de Mobilidade na cimeira de chefes de Estado/Governo em Luanda nos dias 16-17 Julho, a CPLP deixa de ser peso morto na vida dos povos☑️. Esperemos que ganhe com a livre circulação de cidadãos da comunidade a circulação do livro também

e nos leiamos com olhos equilibrados . As comunidades e as cooperações entendo que só fazem sentido se o seu impacto transcende o simbolismo da diplomacia. Não fazia sentido nenhum ficarmos tão atrás de comunidades como a Common Wealth ou a francófona, que têm programas diversos virados para o desenvolvimento e formação.

Imagem: correio de kianda

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terça-feira, 13 de julho de 2021

A NUCA É O GUME DA LEI (poema inédito, esperando que os doutores do plágio estejam de férias na redes sociais, claro)

A NUCA É O GUME DA LEI (poema inédito, esperando que os doutores do plágio estejam de férias nas redes sociais, claro)


Saúdo-te, minha mãe
como o grilo ao orvalho
em Julho
daqui onde cantamos
o cântico trémulo de guerra
Sem quartel
alô! Tá tudo?

Teu chamado é sugestivo
Ofereço-te as insónias do mundo
não te escolhi ontem
pior hoje o itinerário
Se/quando chamas
eis que me faço à tua presença
Na esperança de que bem estejas
aliás não espero
fio-me mesmo
Sabedoria és tu

por cá é por um fio
fio dourado
Ao pescoço
com o latente espectro
Do nó
a nuca é o gume da lei
invejo-te o lugar da parábola
de onde nos visitas
panorâmica
Luanda também é uma maravilha, minhã mãe
como roupa colorida no estendal
sempre ao avesso

Agora que te consolidas
na república do enigma
trilhos em plumas sonhados a vida inteira
recolho-me à minha insignificância
Chamar-me-á o mundo de poliglota
mas é porque não domina
que nada domino
do teu idioma
o enigma que te define e descreve agora

por isso te peço, minha mãe
Sê directa
juntaste a ninhada
a reivindicar chamadas perdidas
da nossa parte
para contigo
quando até sem telefone saíste
Conheço-te o valor da palavra
se dizes que ligaste, ligaste
Penitencio-me pela incúria
Mas se demais não peço
eis-me a indagar, alô, minha mãe!
Era para dizer o quê?
Pela tua ninhada
Sê directa, minha mãe
Bênção, mamã

Gociante Patissa, 13 Julho 2021 | www.angodebates.blogspot.com
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TV-ANGODEBATES

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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