sexta-feira, 12 de julho de 2024

Blog Angodebates e autor citados em tese de Doutoramento na Universidade de Évora




É sempre estimulante notar que o nosso contributo na recolha, estudo e divulgação da língua/cultura umbundu encontra eco no espaço académico, como desta vez o trecho sobre "Ombweti Yateka" (o significado da expressão bengala partida) citado na tese de doutoramento na Universidade de Évora. Aqui vai o link de acesso à tese na íntegra https://www.rdpc.uevora.pt/bitstream/10174/36694/1/Doutoramento-Literatura-Liz_Maria_Teles_de_Sa_Almeida.pdf #gociantepatissa #gociante_patissa #umbundu #blog #angodebtes #benguela

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segunda-feira, 3 de junho de 2024

É, no entanto, no contexto das instituições que se coloca a ausência de modelos e incentivos de multiplicação das línguas nativas e transfronteiriças, seja por termos um país com uma extensa malha etnolinguística, seja porque nos acomodamos no idioma oficial, de união e de contacto com o mundo, o português.

 (...)"E não terminarei sem lamentar uma actuação que nos parece assíncrona entre as diversas entidades que superintendem a Educação, a Cultura, o Território e a Investigação, na expectativa de colhermos melhores avanços. Dou como exemplo a questão da toponímia e a corruptela de referentes africanos, bem como a estagnação do projecto de harmonização da norma de grafia das línguas Bantu.

Apesar de promissor, o certo é que do projecto (Diário da República, 1987) pouco se sabe. Há poucos anos obtive com certa dificuldade junto do Instituto de Línguas Nacionais, um exemplar com a Resolução do Conselho de Ministros n.o 3/87, que aprova a título experimental os Alfabetos das Línguas Kikongo, Kumbundu, Cokwe, Umbundu, Mbunda e Oxikwanyama. Vou citar aqui e agora três parágrafos que traduzem a ideia do quão avançados íamos nesta matéria:
* Considerando que as Línguas Nacionais, suporte e veículo das heranças culturais, exigem um tratamento privilegiado, pois que constituem um dos fundamentos importantes da identidade cultural do Povo Angolano;
* Tornando-se necessário dar continuidade ao estudo científico das Línguas Nacionais, base para o seu desenvolvimento e garantia para a sua preservação e promoção;
*Considerando que os alfabetos propostos pelo instituto de Línguas Nacionais, resultantes de investigações efectuadas sobre os sistemas fonológicos das respectivas Línguas, assentando essencialmente sobre a equivalência: um símbolo gráfico para cada fonema, correspondem mais fielmente às realidades fonológicas das mesmas;" (...)





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domingo, 2 de junho de 2024

Poema inédito | O RAIO-X NÃO MOSTRA A DOR


 Poema inédito | O RAIO-X NÃO MOSTRA A DOR


Saúdo-te, minha mãe, 

Ainda, ainda

Que linda te encontres

Como a aldeia que moveu

O orvalho alguma vez 

Sola do pai que foi

lindo-bandido favorito

Coral

Hoje é domingo, mãe

Ao menos para alguns


Que linda te encontres

de feias já nos bastam as palavras

Deste tempo

Contratempo

Tanta bomba

Tanto se tomba

Minha mãe

Santa terra que nada

Minha enorme mãe


Nem tudo por lá é Cristo

já não é em dias o calendário

Contar

É por corpos

Da raça há tanto tolhida

À lente de um mundo embalado 

no sono dos anjos

Só posso dar por mim a coçar tanto calo 

no teu joelho

Timbrando meio século

De preces

E devoção à tribo escolhida

Minha temente mãe


Enquanto isso, minh'África

"Kulo handi wamalanga

Olopeto petu

Cina twalile"

Com quantas lentes

Com quantas, quantas

sopas solidárias se raspa 

o fundo 

da questão, 

ó mãe, 

minha enorme mãe?


O Raio X não mostra a dor,

É este o mal, doutor

O Raio X não mostra a dor,

Mas a dor está lá

A dor lá está, Senhor


Gociante Patissa | Feira do Livro de Lisboa | 02 Junho 2024 | www.angodebates.blogspot.com


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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Poema inédito | A MULHER QUE LIA DISTÂNCIAS

 Poema inédito | A MULHER QUE LIA DISTÂNCIAS



2010. Por lá

Aquele Janeiro tinha mãe e telefonava

como quem mentisse o banco vazio 

o funji sem panela nem lombi

e uma voz que era minha

Cosmopolita sanzala


Acolá

naquele Janeiro o futebol engolia a terra

Ombaka, Lwanda,

CAN que não era lata

uma tapa-saias constitucional

Quatro a zero zé de quatro igual


A MULHER QUE LIA DISTÂNCIAS


por lá sobre as asas

do Estado com Departamento

saudades não conhecem lei

nem o bálsamo Obama continental

cavalga jacaré Kamundumbe esse

como um deles a mim AJS

"Kalume eci akwete oco cuyovola"


Acolá

Ruas desertas, casas na sacola

Que era bola

vuvuzelas 

Só que por lá, por lá 

mesmo assim 

aquele Janeiro teimara em ligar

30 natais no lombo

Aló! Unjevite?

mana ao pé de ponte 

Aló, minha enorme mãe

Ukasi? 

seus panos de leite

estrutura esguia

serena e séria como o não saber dançar


Aló, minha mãe!

o gelo aqui chama-se Washington

Ainda para mais sete dias e nada

mas bem estou, mãe, DC

tosses e posses à jeito

que não esfrie meu prato-colo até o mês acabar


Finda a conversa

por lá

despeço-me, repleto estou

que se lixem os dólares UTT

comi a voz

a voz-maior!

Até breve, a njali

Acolá, porém, não sorri cordão umbilical

O meu filho está distante, não está?

Digam-me vocês, que cá eu

sinto. Oh voz, quão distante meu filho cabe?

o meu filho, muito longe se acoita.


Gociante Patissa | L. | 30 Maio 2024 | www.angodebates.blogspot.com

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terça-feira, 30 de abril de 2024

Como estudioso e sonhador de comunicação, a experiência nestes quase 2 anos em Portugal tem sido interessante

 Como estudioso e sonhador de comunicação, a experiência nestes quase 2 anos em Portugal tem

sido interessante. Esta semana recebi convites para entrevista e mesa-redonda em dois programas distintos da televisão cá direccionada às diásporas de expressão portuguesa, com emissões agendadas para a primeira quinzena de Maio. Num deles é já a quarta presença como linguista e falante da minha língua materna, Umbundu, ao passo que no outro foi a segunda como escritor (na realidade nunca se sabe bem a divisão entre ambos os papéis em mim). Aproveito as oportunidades como laboratório para perscrutar os bastidores sobre os desafios do segmento das produtoras de conteúdos para as TV convencionais, lidando com diversas gerações de profissionais e graus de competências/profundidade. Devo e quero agradecer a todos e todas colegas, amizades que (quase sempre sem contar) directa ou indirectamente abrem as portas. Ah, era só para lembrar que o meu sonho de ter uma estação de rádio continua, pena é terem dado cabo do santuário dos anti-sociais que um dia foi a magia da cabine... hoje a rádio televisionou-se e youtubou-se bwelelé. Seja como for, já tenho dois microfones com condensadores dos bons e um interface e um computador e uma vontade. Já só vai faltar o sócio que entra com a humilde parte que são os USD 70 mil para a licença de emissão conforme a imposição legal em Angola

😂😂😂
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terça-feira, 23 de abril de 2024

Fragmentos da AJS: A NOSSA ONG RESUMIA-SE A DUAS PASTAS DE ARQUIVO

Com essa é que não contava, confesso! Acabo de receber uma daquelas fotos que narram histórias,
certamente em horário de pausa sem almoço ali pela Praia Morena, junto ao Palácio do Governador. 

Carregávamos os documentos e as correspondências originais diariamente a tiracolo na expectativa de provar que existíamos legalmente e podíamos mudar o mundo. Contada hoje seria uma cena caricata, mas foi assim que aconteceu há quase uns 25 anos que nos são recordados pelo arquivo fotográfico há pouco recebido do amigo David Pessela Cutomboca. Não sei dizer de memória se por ele captada ou se pelo Edmundo da Costa Francisco, uma amizade que se prolongara dos anos do terceiro nível nos Bambús e nessa altura cooptado para vice-presidente da ONG que havíamos acabado de criar e que lutava para angariar financiamentos. Muito mais urgente ainda, um espaço que se pudesse chamar sede, visto que logisticamente falando funcionava-se no anexo de quarto e sala de adobes e chão não cimentado, de um dos membros, algures pelo subúrbio do Lobito. 

Dois jovens imberbes assumiam a missão de representar o colectivo de membros, pouco mais de 15, nas andanças de algum modo arrojadas a bater portas de ONG's e agências internacionais, já em posse da escritura notarial, do recorte de publicação no Jornal de Angola e Declarações de validação intersectoriais emitidas pelos Departamentos Provinciais das áreas relacionadas com a intervenção sonhada, nomeadamente Saúde, Educação, Desporto, Justiça. 

A parte caricata é que andávamos debaixo para cima com duas pastas de arquivo carregando toda a papelada, uma amarela (a que tenho no colo) e outra azul, se bem me lembro, recolhidas ao caixote e lixo do estaleiro da Sonamet industrial, ainda durante os últimos meses em que lá trabalhei como ajudante e soldador, uma experiência profissional que permitiu conhecer o Jacinto "Lito", Presidente da APDC (Associação de Promoção de Desenvolvimento Comunitário) de quem receberíamos um exemplar da Lei das Associações em que nos guiámos para legalizar a AJS-Associação Juvenil para a Solidariedade, uma ideia que nos surgiu em 1999 e cujos estatutos foram digitalizados pela tia Helena Francisco, da área administrativa da ENE e a mãe do Edmundo. 

No início de 2000, levaríamos um guião de teatro à consideração do Líder da Okutiuka-Apav, José António Martins Patrocínio, o cabeçudo Zetó, o qual nos convidaria a assistir a um workshop sobre elaboração de projectos. Foi esta parceria mais a nossa vontade de nos reinventarmos e de respeitar as pessoas que nos permitiram crescer como homens e como servos das comunidades, a começar pela pertença à Rede Municipal da Criança de Rua do Lobito. Apanhamos sol, andamos centenas de quilómetros a pé, muitas vezes nem condições para almoçar tínhamos entre a maratona de reuniões. 

Das engraçadas promessas de patrocínio, recorde-se a do responsável de uma empresa de telefonia a quem endereçamos uma carta a solicitar cedência de um pequeno espaço para acolher a nossa sede. Ao fim de vários meses a prometer e também a nos fintar, viria a converter a ajuda em um pequeno valor monetário com o qual encomendaríamos o primeiro carimbo de borracha. Também tivemos uma breve passagem pela ADAMA-Associação dos Defensores e Amigos do Ambiente, já no centro da cidade. 

Em 2001, finalmente e com intervenção do Bungo Casseque, conseguiríamos arrendar escritórios no Bairro Santa Cruz, tendo na segunda linha da frente como guarda-alma o Cesar Menha e o Malaquias Fernando. No dia 22 de Novembro de 2002 conseguíamos adquirir o nosso primeiro computador de mesa, com drive gravadora de CD e tudo. O primeiro financiamento sem ser sob a pala da Okutiuka/Projecto Omunga chegaria salvo erro em 2002 via Oxfam na linha de promoção da saúde pública. Para trás ficam memórias de uma juventude investida em criar oportunidades de aprender-fazendo. 

Em Dezembro deste ano a ONG chega ao 25.º aniversário, naturalmente com o contributo de várias gerações e alguma estoicidade dos membros e voluntários que souberam manter a navegação até nos momentos mais turbulentos da confraria.
AJS - Humildade, Justiça e Solidariedade
Daniel Gociante Patissa, Lisboa 23 Abril 2024
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A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

TV-ANGODEBATES (novidades 2022)

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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