sábado, 31 de agosto de 2019

Pintor brasileiro expõe culturas angolana e afro-peruana em Luanda


O artista plástico brasileiro, Klaus Novais, inaugurou nesta quinta-feira, 29 de Agosto, no Centro Cultural Brasil Angola (CCBA), sito no Bairro dos Coqueiros, em Luanda, a exposição intitulada "É de Lá", que reúne 50 quadros com retratos, recorte de jornais e paisagem, num olhar estético centrado na sociedade angolana e na cultura afro-peruana.

O acto foi prestigiado pelo Embaixador do Brasil em Angola, Paulino de Carvalho Neto.

Klaus, que usa técnicas mistas com predominância do acrílico sobre tela, tem uma folha de serviço rica no campo das artes, com passagem pelo teatro e no cartoon. O também escritor, com obra publicada e um romance na forja, é dono de uma sensibilidade que se foi apurando com a exposição a diferentes choques culturais e sociais que começam em São Paulo, sua terra natal, passam por Peru, Portugal e por fim Angola.

A exposição fica patente até ao último dia de Setembro e ao contrário do habitual, quem lá esteve na noite da inauguração voltou para casa sem saber o preço das obras, uma espécie de caricato positivo. É que para o artista, este "pormenor" não foi ainda pensado, tendo preferido concentrar toda a sua energia na criação e preparação da inauguração como tal.
(Nas fotos, os amigos com o pintor de quem se fala: Paulo, Fernanda BandosGociante Patissa)

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domingo, 18 de agosto de 2019

Poema inédito | DECLARO-ME CULPADO

DECLARO-ME CULPADO

Que sinais pintas
no céu cinza, ó porvir? Estás
ali?
Propuseste este precipício e
eu respondi "pronto!"
É para mergulhar
de cabeça ou com os pés?

E cá vou eu
Posiciono-me, marinheiro nato,
à frente das minhas marés.
Faço do simples viver uma missão
outra escolha nunca tive

E julgava eu que era,
finalmente, e estava na foz
mas consta que te negas
a aplacar quimeras,
como se restasse ainda
apalpar as rugas
a mais uma esquina.
Que sinais são estes?

Abstraí-me das causas
e do nosso
Enfim, perante o mundo,
que mal se entendendo
a si próprio
estranha não me perceber a mim
e se isso lhe faz feliz...
cuidei de facilitar a vida:
declaro-me culpado, e pronto.

Gociante Patissa | 18 Agosto 2018 | www.angodebates.blogspot.com
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sábado, 10 de agosto de 2019

Lançado Dicionário de Verbos conjugados Umbundu e Português em Luanda

Recebendo o autógrafo da autora do DICIONÁRIO DE VERBOS CONJUGADOS EM UMBUNDU & PORTUGUÊS, Cesaltina Kulanda, o qual sua excelência eu apresentou no acto de lançamento que teve lugar hoje, 09 de Agosto, na União dos Escritores Angolanas, em Luanda (sob chancela da Chela Editora). Foi uma oportunidade lúdica de reencontro com as memórias e cultura umbundu, a par de reflectir sobre os empecilhos, alguns de natureza institucional, que influenciam o lugar político, cultural, académico e social das línguas nacionais de origem africana em Angola, fazendo com que pesquisar e dar eco a elas seja um acto de resistência, numa sociedade que elevou a língua portuguesa, que era suposto ser factor de coesão nacional, ao patamar de monstro que não dialoga com as demais já encontradas no território. Ainda era só isso. Obrigado

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé
(captação da imagem por Kiamba Uimgui)
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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A ÚLTIMA OUVINTE, livro esgotado


Recebi hoje com enorme felicidade a "triste" confirmação oficial da editora de que, nove anos após a sua publicação em Angola, os mil exemplares do livro de contos A ÚLTIMA OUVINTE, comercializados ao preço de capa de mil kwanzas, estão esgotados. Trata-se da minha primeira prosa, a obra que marca de forma especial a carreira por ter motivado o convite que recebi durante o consulado do confrade Adriano Botelho de Vasconcelos (com participação do escritor Abreu Paxe) para ingressar como membro da União dos Escritores Angolanos (UEA), publicada há nove anos com a capa feita pelo artista plástico Miguel Dafranca (de feliz memória). Se calhar era oportuno "seduzir" a União dos Escritores Angolanos para uma segunda edição. O que você acha da ideia? Para terminar, recordo que esta é a segunda obra de minha autoria que se esgota, depois dos 2 mil e 500 exemplares do também livro de contos FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS (2014), editado pelo então Grecima, enquadrado no concurso nacional da Bolsa Literária "Ler Angola", subvencionada pelo Estado e que apurou 11 obras dos considerados novos autores, com o preço de capa de 500 Kwanzas. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa, 08 Agosto 2019 | www.angodebates.blogspot.comResultado de imagem para FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS, PATISSA

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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Utilidade pública. Candidatura a bolsas de estudos em artes na Embaixada Egípcia


Resultado de imagem para EMBAIXADA DO EGIPTO EM ANGOLA
A Embaixada da República Árabe do Egipto em Angola tem disponíveis bolsas de Estudos integrais no domínio das artes em diversas academias e institutos do seu país nas seguintes áreas: ballet, teatro, cinema, música, artes folclóricas e música árabe.


Os candidatos interessados devem reunir as condições discriminadas nas linhas que se seguem:


1. Ter (igual ou menos de) 30 anos de idade

2. Comprovativo de estado de saúde
3. Orientar a inscrição na área de formação pretendida
4. A academia irá custear todos encargos da bolsa em caso de sucesso no exame, sendo que de contrário, será o candidato a arcar com todos os custos de alojamento e formação.

Para mais detalhes, queiram contactar directamente a entidade promotora no e-mail: info@academyofarts.edu.eg


Ainda era só isso. Obrigado e Boa sorte (07.08.2019)


Gociante Patissa | www.angodebates.blogspot.com

(imagem: Angop)
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sábado, 3 de agosto de 2019

Citação

"O joalheiro e o poeta padecem da mesma maldição, ambos procuram a perfeição."
(Argumento do personagem principal no filme iraniano Septembers of Shiraz), TVC4
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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Crónica | O Dia do Exército lá em casa


O 1.º de Agosto, Dia do exército, é uma data de particular importância na história da nossa família, com memórias inusitadas do convívio com os guarda-costas do pai, os quais tratávamos por manos e se assumiam sobre nós com a autoridade irmãos mais velhos.

Não sei bem que critérios (tirando a língua/cultura Umbundu) eram usados pelo camarada Administrador/Comissário comunal Victor Manuel Patissa (ao centro na foto, fardado, olhar para o chão), nosso pai, para os fisgar das fileiras FAPLA/FAA para a sua guarda pessoal num período que se estendeu até 1997. De um pelo menos posso assegurar que se deveu à coincidência, chamava-se Kapatissa. Ora, sendo o chefe Patissa...

Eram na sua maioria "refugiados", designação usada na época de guerrilha para angolanos capturados das bases do inimigo, a Unita. Alguns eram bastante talentosos na arte da trova, pena só era a afinação deles não ser universal e como tal difícil de apanhar. O pai, apesar de letrado e exigente, mantinha dois guardas absolutamente analfabetos, do que deduzo ter sido usado o critério do carácter e da lealdade. Também, estando confinado na Equimina, sair com o chefe representava ter o luxo de ir visitando a grande cidade.

Numa das crónicas da série que saudou o 70.º aniversário (póstumo), escrevi o seguinte: Cada alegoria, cada metáfora, cada mobilização política faziam do homem um tecelão. Os ciclos seguiam-se. Guarda-costas confundiam-se nos direitos com os rapazes mais velhos da casa (um deles, da primeira vinda ao bairro Santa Cruz, receberia a mais insólita das ordens. «Então, passou bem a noite?» E ele: «Não, chefe.» Mas porquê? Inquiria o velho. «Muito mosquito, chefe». Ora, «Tu não és tropa?! Faz tiro!» E nós, era só rir).

Continuando. Na Kalahanga, não havendo serviço de justiça, ser guarda-costas do chefe funcionava também como ardil para o encaminhamento à procuradoria militar, em caso de graves delitos, como fora o caso de um tipo que assassinara um primo seu. Em anos de guerra, o papel dos tropas não se podia dizer propriamente que respeitasse a separação entre as missões do estado e as do chefe. Azar foi o de um velho esperto, que vendera a mesma casa a dois clientes. O resto coube aos guarda-costas, caçar o homem e em poucos dias a restituição ser um facto, não sem antes o castigo de cavar fossa do WC do chefe.

O tropa era alto, de uma imponência de meter medo, preto retinto, português arrojado, dono também de um chulé ímpar. De tal modo que as botas do homem dormiam no tecto e ele nem se dava ao esforço de confirmar, o chulé encarregava-se de ir ter com ele lá. Em teoria não dormia – “Se o inimigo madruga, as nossas forças não dormem, dizia a palavra de ordem nas ondas da rádio” –, até ao dia em que o quarto foi arrombado.

O ladrão teve tempo de beber da aguardente e, embriagado (talvez da combinação letal entre álcool e chulé de bota de tropa), entornar leite azedo pelo cano da AKM47 do guarda que dormia o nonagésimo sono patriótico. Na verdade, o assaltante viria a ser tramado pela sua própria generosidade: dera de beber leite azedo ao rádio-receptor e este por sua vez pôs-se a roncar feito um porco sendo capado, o que acordou todos os matulões. Enfim, soubesse o ladrão manusear a arma, seria uma tragédia. O final foi feliz, ladrão apanhado e sabiamente espancado. Ainda era só isso. Obrigado.

Gociante Patissa | Luanda, 01 Agosto 2019 |www.angodebates.blogspot.com
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domingo, 28 de julho de 2019

[O cúmulo da geração "civilizada" do tempo da outra senhora]


"Garçom, empreste-me lá o seu garfo, se me permite..."
"Diga, Dona?"
"Empreste-me lá o seu garfo, que é para eu endireitar o peixe [está enviesado em relação à salada]. Não suporto comida no prato arrumada sem ordem, acho horrível, perco imediatamente o apetite".

(Trechos de não-ficção. Em um lugar de uma certa urbe, hoje)

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sexta-feira, 26 de julho de 2019

NÃO TEM PERNAS O TEMPO (extracto)


O domingo iniciava no sábado, à hora de nos irmos deitar, um pouquinho a seguir às galinhas, tais eram a ansiedade e o volume de fantasias que embalavam o nosso sono garoto!

Ainda hoje tenho dificuldade em descrever um domingo daqueles, se não for a começar pelo pôr-do-sol, quando o dia, que se afigurava interminável, se ia à vida. Víamos, então, o grande sentido que reside em se dizer que a felicidade não se vive, recorda-se apenas. Tão cedo perdoávamos o homem, ou sei lá a força, que se arrogava de precipitar a manivela do tempo. Uma zanga curta; se calhar, para que não fosse longa a ponte entre um domingo e outro.

Dominávamos o itinerário do dia seguinte como a palma da nossa mão, afinal não varia assim tanto em meios pequenos a rotina – deixai-me abusar deste pleonasmo sociológico. Nada de ficar na berma da estrada, a ver se caía do céu coluna de soldados cubanos para permutar conserva enlatada com porcos, e com isso assistir ao espectáculo que era a corrida desenfreada, de quando em vez, atrás de quadrúpedes que rebentassem as fibras de bananeira que se faziam passar por cordas.

Nada de ir com restos de manteiga à padaria, atrás do pão quente, nem à pesca nem a piqueniques. Tão-pouco nasciam bebés de barro.

Ir à igreja era obrigatório, e como tal paragem insonsa. Ao meio-dia vinha a melhor parte, o passeio pelos bairros, levando-nos às mesmas casas, aos mesmos parentes. E nos esquecíamos da maçada de tomar o banho de rio naquele cacimbo insidioso, capaz de deixar amarga a rama e o bananal sem vida, como se das queimadas fossem alvos.

Calcorreávamos as picadas atrás das nossas motorizadas virtuais, que não passavam de esqueléticas jantes de bicicleta, achadas sabe-se lá quando. Ao osso achado o cão questiona pertença anterior, por acaso?! Era por aí.

Em casa da avó nos aguardava um arroz substituído por rolão de milho, toupeiras assadas com o melhor em alho e hortelã, e ainda mandioca ou batata-doce fervida, conforme a safra sazonal. Às vezes achávamos demais as orações, mas toleráveis, como aliás se suporta o gosto do gindungo. Ela tinha a mania de nos repetir que o governo nos daria carro um dia, se estudássemos. Não faltava vontade de perguntar por que não quereria, ela também, um carro, uma vez que em nenhum momento nos parecia que quisesse matricular-se na alfabetização, conhecida à época por EBOC (Escola Básica Operária e Camponesa). O que era governo, não imaginávamos, creio até que não sentíamos dele falta alguma directamente. A avó plantava mitos, e o mito não morre.

Mas o que eu adorava mesmo era ver a avó cantar hinos cristãos, quase sempre acrescentando-lhes ou retirando sinónimos, tons vocais ou metáforas, o que os tornava ainda mais originais. Não voltavam a ser os mesmos depois que caíssem nos ouvidos dela! Que óptima era! Os hinos, talvez por não existirem gravadores, pareciam renovar-se em cada entoar. É que o único gravador da comuna era um à corda, que mal servia para qualquer estatística que fosse.

Chamou-se Kwayela, do provérbio Umbundu, “kwayela osema, ovipula njala oko vili” (*). Hoje, ó avó materna minha, ouve o que te digo: com tantas confusões, nós, o povo em geral, que não dirigimos nem mudamos directamente as coisas, merecíamos, quando desse vontade, mudar de mundo, mas, oh tragédia, só temos este e aquele outro, o teu, o da inverosimilhança.

Não tem pernas o tempo, seriam longas, ou curtas, demais.

Gociante Patissa (Pág. 115-6. União dos Escritores Angolanos, Luanda, 2013)
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(*) Lá onde a fuba [farinha de milho] abunda, há também famintos.
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domingo, 21 de julho de 2019

CRÓNICA. Tens que voltar para o Sumbe


Estávamos condenados a ir longe, 600 Km. A nos perdermos também. Não o conhecia e ele a mim muito menos. Um empate técnico é como diriam os “lamentaristas” desportivos. Melhor começo de viagem a dois era impossível. Ninguém podia dizer que levava vantagem, de modo que o êxito da jornada dependia, valha a redundância, da interdependência entre mim e o companheiro. Eu dirijo e ele suporta-me. Falo do carro.

Mal pisei o pedal do acelerador, ouviu-se um trác, do trancar centralizado de portas. Calma ali, ó meu! – dirigi-me ao companheiro – Também não vamos exagerar. Repara que até tenho o cinto posto. É verdade que não nos conhecemos, que já não vou para novo e que o meu sentido de orientação até é péssimo, mas não me vejo a saltar com o carro em movimento, Ok?! Enfim… E já não era a primeira partida naquele dia.

Como se já não bastasse o motor se negar a pegar, por bateria descarregada, e gente doida a pressionar para libertarmos o estacionamento, típico faroeste rodoviário que Luanda é. A desgraça abre mercado a jovens de rua tarefeiros. O carro do kota é automático, né? Vamos chamar um Tucson para fazer chantagem, mas vai dar um saldo. Só três mili kwanza… Estás maluco ou o quê?! A essa hora já queres fatigar três paus ao teu irmão?! Você é nosso, vamos disminuir. Mil kwanzas, ya? Ok.

E não há cabos para o chante. Porra!, me fazem vir à toa dizendo que o kota tem cabo, afinal não tem?! Estaca zero. Sai um telefonema para o Soberano Canhanga, um gajo que nos prova a cada dia, a nós os leitores, que a carreira administrativa só aniquila o escritor, querendo. Solícito, delega a seu subordinado, deve entrar para (mais) uma reunião. Até que surge um vizinho com bateria sobressalente e lá se faz o chante com a ajuda de duas chaves. Os jovens de rua embolsam metade. Muito obrigado. Não há margem para arriscar, e lá sacudimos o bolso, em forma de conta bancária, para uma bateria nova.

Depósito cheio de diesel, pneus calibrados. Rasga-te, ó estrada! A paisagem é colírio. Conduz-se bem, exceptuando curtos desvios de terra batida. Quatro horas depois, abrem-se entranhas do Sumbe. Seis da tarde. No silêncio, o elogio pelo visível trabalho de obras. Os chineses não brincam! Cinco anos se passaram desde a última vez que fiz o troço. Já esteve pior, lembrava-me de ter ouvido. Quase a viagem toda é feita no asfalto, insistia a reminiscência. Assim sendo, como até falta pouco, restava focar o instinto no asfalto, mesmo depois do posto de controlo do Sumbe, diante da traiçoeira estrada da Comarca.

A dada altura, começo a estranhar alguns sinais. A estrada agora parece mais estreita, serpenteante. Passo por aldeolas pacatas, iluminadas, toponímia alheia à memória visual. Não vislumbro o clássico postal costeiro. Na dúvida, sintonizo as rádios de Benguela. O sinal é cada vez mais cristalino, só pode ser porque estou no bom caminho e perto.

Aceno, apressado, à sede de Uco Seles. Às 20h recebe-me Conda e o asfalto morre. Boa noite, jovem. Boa noite, tio. A estrada para Kanjala onde é? Mas aqui no bairro não temos Kanjala. Então, e para o Kikombo? Ah, tens que voltar para o Sumbe, são 75 Km. Tento negociar um meio-termo. Mas não há outra via de chegar a Kikombo? Infelizmente, não. E lá dou a meia-volta saldada em três horas perdidas e 150 Km fora do plano. À meia-noite e meia chegávamos, triunfantes, ao destino, Benguela. Ainda era só isso. Obrigado.

Gociante Patissa | 20 Julho 2019 www.angodebates.blogspot.com |imagem: Rede Angola
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domingo, 30 de junho de 2019

SÓ QUERO PINTAR O MUNDO À COR DO PÃO (poema inédito)

À margem aspirada chegado
Teimo em rezar para não ter que rezar
Por tudo e por nada
Abstenho-me dessa omnipresença
Que rege a urbe
E substitui o bom dia por graças a Deus
Sei que não devia
Que é na água a força do jacaré
Mas eu venho doutras águas
Caso já não saibam
Portanto, que se lixe a selva
O jacaré incluso

Só quero pintar o mundo à cor do pão
Define-me o fora da norma
Até que surja o noticiário
Carregado, tinto
Fecho a porta bem fechada e congelo a geografia
Transporto-me para todos os lugares onde passei
Às mulheres que amei
(não que me prenda o tempo verbal)

E no prédio
Mais fácil se conhece cada dente da chave
Do que as feições do vizinho
Rasgo as artérias com o calcanhar
Nas mãos a comichão do volante
Afinal fui sempre a estrada adiada

Abstenho-me do espectro que rege a urbe
É que trago tatuado o campo
Que roubem isso também
Só quero pintar o mundo à cor do pão

Gociante Patissa | 30 Junho 2019 | www.angodebates.blogspot.com
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quinta-feira, 20 de junho de 2019

Museus de Benguela “nomeiam” segunda Ministra da Cultura


Maria Piedade de Jesus, a Ministra da Cultura nomeada hoje (20/06) por Despacho do presidente João Lourenço (JLo) para substituir Carolina Cerqueira, de quem era adjunta, foi quadro do Museu Nacional de Arqueologia, na província de Benguela, antes de ser nomeada, em Outubro de 2017, para o cargo de Secretária de Estado para a Antropologia.

É a história a repetir-se onze anos depois. Em Outubro de 2008, era nomeada pelo então presidente José Eduardo dos Santos (JES), para a pasta da Cultura, a investigadora Rosa Cruz e Silva, quadro dos Museus de Arqueologia (Benguela) e de Etnografia (Lobito), que mais tarde desempenhou o cargo de Directora do Arquivo Histórico (Luanda).

Sendo um nome ligado ao sector pelas vertentes académica e do dirigismo, a nova titular da Cultura, Maria Piedade de Jesus, é contudo desconhecida da classe artística, perfil semelhante ao de Rosa Cruz e Silva, diferente de Ana Maria de Oliveira, que tem a faceta de escritora.

Pelo cargo passaram, entre outros, António Jacinto (1975-78), Ana Maria de Oliveira (1992-1999), António Burity da Silva Neto (1999-2002), Boaventura da Silva Cardoso (2002-2008), Rosa Maria Martins da Cruz e Silva (2008-2016), Carolina Cerqueira (2016-2019), esta última nomeada no executivo de JES e reconduzida por JLo.

Gociante Patissa | 20 Junho 2019 | www.angodebates.blogspot.com
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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Camões e União Europeia caçam candidatos a bolsas em Música e Artes Cénicas


O Instituto Camões, organismo do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, anunciou nesta segunda-feira (17/06), em Luanda, a abertura de candidaturas para o concurso que pretende atribuir 48 bolsas de estudos de licenciatura e mestrado nas áreas da Música e Artes Cénicas, no biénio 2019/20, contemplando apenas cidadãos naturais e também residentes dos PALOP e Timor Leste.

A iniciativa enquadra-se no âmbito do projeto Procultura, cofinanciado pela União Europeia, pela diplomacia portuguesa e pela Fundação Calouste Gulbenkian, que visa a promoção do emprego nas atividades geradoras de rendimento no setor cultural.

Para mais informações e acesso ao regulamento do concurso, seguem-se os links: https://www.instituto-camoes.pt/activity/o-que-fazemos/bolsas-estudo


Gociante Patissa | 17 junho de 2019 | www.angodebates.blogspot.com   

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domingo, 26 de maio de 2019

Porque Terêncio Zua tem talento acima do que bate


Terêncio Zua, compositor e intérprete, vencedor do concurso de imitação Angola Encanta, realizado pela TPA e Lac em 2012, está de volta à "música mundana", depois de uns anos a fazer gospel. Dói ver o jovem, dono de um enorme potencial e elasticidade vocal, dos mais promissores que este país já viu, enveredar para a já batida tendência do que está a bater, com a impressão inclusive de ter "enlatado" a voz, coisa que aliás não precisa, tão prendado que ele é. Apoiem o miúdo, excelências, se faz favor. Uma bolsa no estrangeiro, porque o país não se pode dar ao luxo de perder mais um talento daqueles para as leis do mercado, de criar para a barriga. Ainda vamos a tempo.Estamos aqui se precisa a poesia for para as suas composições.
Gociante Patissa | www.angodebates.blogspot.com
(Foto: vicentenews)
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sábado, 25 de maio de 2019

quinta-feira, 23 de maio de 2019

“Como escrever sobre África” (fragmentos) ensaio do escritor queniano, Binyavanga Wainaina (18 Jan. 1971 – 21 Mai.2019)


Use sempre as palavras “África’:”escuridão” ou “safari” no título. Os subtítulos podem incluir termos como “Zanzibar”, “massai”, “zulu”,”zambezi”,”Congo, “Nilo,”grande, “céu”, “sombra” “tambor” “sol” ou “antigo”;

No texto, há que tratar África como se fosse um único país;

(Texto original em inglês publicado pela revista Granta, n.º 95, UK, 2005. Foto: Simon Maina/AFP/Getty Images

Certifique-se de mostrar como o africano tem enraizados a música e o ritmo na alma e come coisas que nenhum outro ser humano come. Não mencione arroz e carne e trigo; O miolo de macaco é o prato africano de eleição, juntamente com cabrito, cobra, vermes e larvas e todo o tipo de carne de caça;

Evite os personagens africanos alegres ou que lutem para escolarizar os filhos (…). Faça com que iluminem algo sobre a Europa ou a América na África. O maior tabu em escrever sobre a África é descrever ou mostrar pessoas brancas mortas ou que sofrem;

O cidadão africano moderno é um homem gordo salafrário que trabalha no departamento de emissão de vistos; As personagens devem ser coloridas, exóticas, maiores do que a vida - mas vazias por dentro, sem diálogos;

Personagens africanos podem incluir guerreiros nus, servos leais, adivinhos e videntes, sábios antigos vivendo em esplendor hermético. Ou políticos corruptos, ineptos guias de viagem polígamos e prostitutas com quem você dormiu;

Estabeleça desde o início que o seu liberalismo é impecável, o quanto você ama a África, como se apaixonou pelo lugar e não pode viver sem ela. A África é o único continente que você pode amar - aproveite isso. Se você é um homem, empurre-se em suas quentes florestas virgens. Se você é mulher, trate a África como um homem que usa uma jaqueta e desaparece no pôr-do-sol. A África é digna de pena, adorada ou dominada. Seja qual for o ângulo que você tomar, não se esqueça de deixar a forte impressão de que sem a sua intervenção e seu livro importante, a África está condenada.

São temas tabus: cenas domésticas comuns, amor entre africanos (a não ser que haja uma morte na história), referências a escritores africanos (…) Descreva, em detalhe, os peitos nus (jovens, velhos, conservadores, recém-estuprados, grandes, pequenos), os genitais mutilados ou os genitais avantajados;

Os leitores vão ficar desapontados se você não mencionar a luz de África. E o pôr-do-sol: o crepúsculo em África é indispensável, sempre grandioso e vermelho;

Termine o texto com Nelson Mandela dizendo algo sobre arco-íris ou renascimento.
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segunda-feira, 13 de maio de 2019

"Angola é dos países mais assimilados, sobretudo nos seus centros urbanos. Por isso não gostamos de falar das nossas diferenças" (Marcolino Moco, político, escritor, cientista. 13.05.2019)

Ps: contexto: matriz étnica dos movimentos nacionalistas, nos conceitos conforme o seu livro, de "Mpla (mestiços), Unita (ovimbundu) e Fnla (bakongos)", tema ainda tabu
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sábado, 11 de maio de 2019

VÍDEO. Escritor angolano Gociante Patissa na reportagem sobre o valor do provérbio na língua Umbundu

VÍDEO - Escritor angolano Gociante Patissa na reportagem sobre o valor do provérbio na língua Umbundu, TPA1 11-05-2019, reportagem do jornalista Figueiredo Casimiro

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VÍDEO. Escritor angolano, Gociante Patissa, entrevistado sobre autarquias em língua Umbundu

UMBUNDU: Usonehi Gociante Patissa wasapela lanoño youkuyevalisa asapulo Figueiredo Casimiro, catyamenla kekalo lyofeka lokwiya kwocela covaimbo, koputu vai eleições autárquicas, TPA1, 11.05.2019
PORTUGUÊS: Escritor angolano, Gociante Patissa, entrevistado sobre autarquias, noticiário em língua Umbundu TPA1, 11.05.2019, com o jornalista Figueiredo Casimiro.



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Utilidade pública | Toda a informação que procura para voar com a SonAir, "asas da tranquilidade", a líder na rota Luanda-Catumbela-Luanda

Obs:  Para se inteirar dos horários, preços, o que é ou não permitido levar a bordo ou no porão. Pode também adquirir bilhetes remotamente e pagar por referência/multicaixa, basta ligar em horário comercial para os contactos que aparecem na imagem e obter o número de referência.


Há ainda o contacto alterntivo +244 272 234 458
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Utilidade pública | Toda a informação que procura para viajar com a TAAG


Para se inteirar dos horários, preços, o que é ou não permitido levar a bordo ou no porão, é só ligar, 24/24h: 
Call center: +244 923 190 000
Website: taag.com
Facebook/TAAGLinhasAereasdeAngola
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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Diário | tenho um supremo raso, né?

"Moço, boa noite. Chegue ainda cá."

"Pois não?"
"Aqui no vosso menu está escrito supremo de frango. É como esse prato? Desculpe a minha ignorância. O frango é preparado com o quê?"
"Ah, basicamente, supremo de frango é tipo, coiso, peito de frango..."
"Então supremo, supremo é só mesmo peito?"
"Ya, assim mesmo, senhor."
"Ah, muito bem... Neste caso eu assim que não faço ginásio, consideram que tenho um supremo raso (light), né?"
"Bem, mais ou menos. Podemos dizer que o senhor tem é supremo com ossos."
"Aié?..."

Gociante Patissa | Num lugar | 10.05.2019 | www.angodebates.blogspot.com
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terça-feira, 7 de maio de 2019

Perfil do novo Presidente da Mesa da Assembleia da União Dos Escritores Angolanos (UEA)

Antigo apresentador do programa “Leituras”, da Televisão Pública de Angola, e Vice-ministro da Cultura, Luís Kandjimbo nasceu em Benguela em 1960. Poeta e crítico literário, é membro da União dos Escritores Angolanos (UEA) e da Associação para o Estudo das Literaturas Africanas de Paris (APELA). Publicou “Apuros de Vigília" (ensaio e crítica), "Apologia de Kalitangi" (ensaio e crítica), “A Estrada da Secura” (poesia, Menção Honrosa do Prémio Sonangol de Literatura),  “O Noctívago e Outras Estórias de um benguelense” (contos), “De Vagares a Vestígios” (Poesia), “Ideogramas de Ngangi” (ensaio), “Ensaio para Inversão do Olhar da Literatura Angolana à Literatura Portuguesa”. 


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segunda-feira, 6 de maio de 2019

O feitiço do Dombe-Grande é assim porquê?!



Ex.ªs, o feitiço do Dombe-Grande não é coisa de brincar, excelências, quem avisa é porque viu! Não acreditam, né? Acham que feitiço é lenda. Está bem. Vão duvidando... Sua excelência eu também era de duvidar, ah porque Tchiwiyawiya já morreu, aquilo já não tem anti-balas, agora é tudo faca a atravessar mamão maduro, ah porque já não se temperam feiticeiros como antigamente. O meu azar? Refilei com uns mais velhos que queriam boleia. Me mandaram uma "onda" que, até vi fumo!, acho que desmaiei ou quê, acordei já assim como estou vestido, tipo passei a noite na lavandaria. Logo eu que já tinha decidido nunca na vida me enfatar e engravatar tipo bolo-e-leite, cara de reverendo, a cheirar a naftalina, essas coisas de cauda no pescoço. Assim ainda volto lá mais? Quem se atrever a dizer que sim vai-se ver com a PGR. Ainda era só isso. Obrigado hahahah

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David Capelenguela eleito secretário-geral da União dos Escritores Angolanos

Gociante Patissa (esq.), Fernando Noé e David Capelenguela
Luanda, 05 Mai 2019 (Lusa) - O escritor David Capelenguela (à direita na foto), 50 anos, foi eleito sábado secretário-geral da União dos Escritores Angolanos (UEA), tornando-se a sétima personalidade a liderar a primeira associação cultural criada após a independência, em 10 de Dezembro de 1975.

Texto: Diário de Notícias, Portugal (com base no novo acordo ortográfico)

Segundo os resultados da votação, avançados hoje pela imprensa angolana, David Capelenguela, pela lista B, foi eleito com 48 votos, mais dois que o seu opositor, Cristóvão Neto, da lista A.

Citado na imprensa, o novo secretário-geral da UEA, natural da província da Huíla, indicou que vai propor, em breve, a realização de uma assembleia-geral extraordinária, com a finalidade de resolver alguns problemas que afligem a associação, bem como proceder a revisão do estatuto "para equacionar com a atual realidade do país".

David Capelenguela substitui o escritor Carmo Neto, que se manteve na secretaria-geral da associação durante nove anos, o correspondente a três mandatos.

A UEA tem parcerias com instituições do setor nacionais e internacionais no âmbito das suas responsabilidades sociais, entre os quais, o Acordo de Cooperação Cultural com a Academia Cabo-verdiana de Letras, para um Programa Permanente e Difusão Literária, Artística e Cultural.

Fundada em 10 de dezembro de 1975, a UEA é a mais antiga organização cultural da era pós-independência de Angola e foi proclamada pelo primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, que foi o primeiro líder da Mesa da Assembleia Geral.

Entre os membros fundadores figuram nomes como Luandino Vieira, Arnaldo Santos, António Jacinto, António Cardoso, Jofre Rocha, Fernando Costa Andrade "Ndunduma" e Aires de Almeida Santos.

A UEA ocupa, no contexto angolano, um estatuto reconhecido de associação prestigiada e com um historial de estabilidade e democracia, uma instituição de utilidade pública, com sede em Luanda, fazendo parte do "mundo Digital", através de um portal na internet construído e atualizado há nove anos.

A UEA comporta vários espaços divididos em Biblioteca, um cibercafé com 16 postos, um setor editorial, um auditório para 150 pessoas, uma sala VIP e ainda um salão nobre de trabalho dos seus filiados.

O escritor (jornal O País)

Natural da província da Huíla, David Capelenguela, é membro destacado da União dos Escritores Angolanos (UEA), e um dos escritores angolanos a viver fora dos grandes centros do país. É autor de várias obras poéticas, das quais, “Planta da sede”, 1989, “O enigma da Welwitschia”, 1997, “Rugir do crivo”, 1999, “Vozes ambíguas”, 2004, “Acordanua”, 2009. Participou nas Antologias poéticas da Brigada Jovem de Literatura Angolana da Huíla, em 2003 e no Namibe, em 2008, com os textos “O sabor pegadiço das impressões labiais” e “Dunas de Calahari”.

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TV-ANGODEBATES

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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