PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quinta-feira, 30 de março de 2017

É frontal a manhã

Já fui mais
Foto: Rubens da Cunha

atrás
escolhi
desencontros
e cansei


Estatelo-me
no canto
Maomé de costas com a montanha.
Invadem-me Outonos que já encontrei
músculos com preço e prazo
nada mais


Deixo-me derreter na força da noite
e quando acordo
é frontal a manhã
(não foi viagem)
confirmam meus lábios
despidos e secos.


Gociante Patissa in: Almas de Porcelana, pág. 58. 2016. Editora Penalux. São Paulo. Brasil

(áudio) Conversas de Benguela | Aspectos Urbanísticos, Culturais e Históricos a Propósito do Poema “Meu Amor Da Rua Onze” (Rádio Ecclesia)

A mesa redonda foi emitida em directo pela Rádio Ecclesia a partir de Benguela na manhã de 28.03.2017, moderada por Zé Manel a propósito do passamento físico de Esperança Lima Coelho “Panchita” (25.03.1928 – 25.03.2017), a musa de Aires de Almeida Santos (1922-1991) no poema “Meu Amor da Rua Onze”. O painel de convidados esteve constituído por Felisberto Amado (arquitecto), Isaac Sasoma (engenheiro ambiental), Joaquim Grilo (investigador) e Gociante Patissa (escritor)

segunda-feira, 27 de março de 2017

Arquivo áudio | GOCIANTE PATISSA ENTREVISTADO SOBRE AIRES DE ALMEIDA SANTOS (MP3 disponível para download)

O escritor Gociante Patissa concedeu uma entrevista à Rádio Benguela, a 12.02.15, que visou assinalar mais um aniversário de Aires de Almeida Santos (n. Bié, 1922-1992), escritor conhecido pelo poema “Meu Amor da Rua 11”, e antigo preso político na luta de anti-colonial. Este é o material bruto da conversa conduzida pelo radialista Miguel Pascoal, que levantou ainda o tema das relações afectivas na véspera de 14 de Fevereiro, o dia de São Valentim.

De volta às prateleiras do Kero Benguela está a antologia ANGOLA 40 ANOS | 40 CONTOS | 40 AUTORES, publicada pela Mayamba Editora em 2015 para festejar o 40.° aniversário da independência nacional. Sua excelência eu participa com o conto O HOMEM QUE PLANTAVA AVES

Bem, o preço (Akz 3.999) parece um pouco puxadinho, mas vale o investimento. Ainda era só isso. Obrigado

domingo, 26 de março de 2017

Homenagem | Panchita Coelho da Rua 11, musa até no jeito de partir

A coincidência de datas entre o nascimento e a morte de Esperança Lima Coelho Vilhena “Panchita” é de inspirar. Veio ao mundo há 89 anos num dia 25 de Março (fim-de-semana) e precisamente num dia 25 de Março, ontem portanto na cidade de Benguela, congelou o fôlego (de causas naturais). Imagina-se que tenha apanhado de surpresa familiares e mais próximos que preparavam o carinhoso bolo e a vela a apagar. Feliz aniversário, querida, dá lugar ao Adeus, paz à sua alma.

Há pessoas que marcam a história de emblemáticas cidades e se tornam figuras públicas pelo simples facto de existirem tal como são, inspiradoras. Uma dessas pessoas, falando de Benguela, é a beldade esperança Lima Coelho Vilhena “tia Panchita”, celebrizada pelo poema “Meu Amor da Rua Onze”, de Aires de Almeida Santos (Bié 1921 - Benguela 1992).

O poema, datado ainda da época colonial, quando ela morava na Rua 11 do Bairro Benfica, subúrbio, vigora aos dias de hoje, tão intemporal que a Banda Maravilha o musicou e por esta via vai dando corpo a versões e roupagem bwé.

“Meu Amor da Rua Onze” acabaria por constituir uma espécie de mistério, porquanto retrata um fulgurante romance reivindicado como facto consumado e desfeito por força-maior, o que no entanto a musa não viria a confirmar, repetindo em várias entrevistas que teriam sido ligados, musa e poeta, por nada mais do que uma relação de profunda amizade. Consta, como curiosidade adicional, que Aires teria (também de causas naturais) dado os últimos suspiros ao colo de Panchita. Não se conhecem, todavia, registos do poeta a dizer de sua justiça quanto haveria de verdade ou de pura ficção no poema. A este respeito, o que se pode, sem medo de errar, é afirmar que o poema cumpriu o seu papel enquanto obra de arte, o de perpetuar a inquietação na mente do leitor.

Para além de ser tia de um amigo e amiga de vários outros, nunca pessoalmente cheguei a um dedo de prosa com a “tia Panchita”. O único diálogo que tivemos ela e eu foi tácito, aquele olhar de anuência para a objectiva da minha máquina fotográfica, seguido de um já muito rouco “obrigada”, no passado dia 9 de Janeiro de 2017, quando concedeu o que julgo ter sido a sua última entrevista ao jornalista e escritor Kajim Ban-Gala. Antes disso, tinha ocasionalmente cruzado com ela pela cidade meia-dúzia de vezes, nos últimos tempos já acomodada em cadeira de rodas, rendida ao peso dos anos e da frágil saúde.

Foi-se um dos mais significativos (e raros) símbolos da literatura angolana. Nem tudo está perdido. Como li algures certa vez, "se um escritor se apaixona por ti, então tu jamais morrerás".
Gociante Patissa, 26.03.2017
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MEU AMOR DA RUA ONZE

Tantas juras nós trocámos,
Tantas promessas fizemos,  
Tantos beijos nos roubámos  
Tantos abraços nós demos.

Meu amor da Rua Onze,
Já não quero  
Mais mentir.  
Meu amor da Rua Onze,  
Meu amor da Rua Onze,  
Já não quero  
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor  
Que ainda sinto o calor  
Das juras que nós trocámos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar  
Que ainda pairam no ar  
As vezes promessas, que fizemos.

Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca  
Qu´inda me queimam a boca  
Os beijos que nos roubámos.
  
Tanta loucura e doidice  
Tinha o nosso amor desfeito  
Que ainda sinto no peito  
Os abraços que nós demos.

E agora
Tudo acabou
Terminou   
Nosso romance  

Quando te vejo passar  
Com o teu andar  
Senhoril,  
Sinto nascer  
E crescer  
Uma saudade infinita  
Do teu corpo gentil  
de escultura  
Cor de bronze  
Meu amor da Rua Onze.

(Aires de Almeida Santos)

quinta-feira, 23 de março de 2017

Crónica | O Soba é que disse

O Soba cá do bairro mandou um liga só. Logo hoje. Eu não mayei, liguei na hora para o vovô. Nunca se sabe se te cai uma fezada de ires à reforma em nome dele, andar a vida só em viagens e curtir, ou não é isso? Alô, paizinho Soba, ligou?Ele respondeu que ligou só através do coração, que queria mesmo era que eu fosse comprar saldo que era para ele ligar para mim, porque o assunto era muito sério para ser tratado pessoalmente. Que o melhor era mesmo falar pelo mobile. Eu disse paizinho, a chuva que te molha é a mesma que me molha. Já que o assunto é fonar, vamos gastar no meu, ainda, falando só mesmo em saldo, temos peito para tal. Ele disse, está bem já, pronto. Alô! Continuou o Soba do bairro. Estou na linha, excelência. Ó filho, estás mesmo a ver como a nossa vida está na lama da chuva, né? Não vês que até aparecemos no noticiário? Você fica já esperto, filho. Aqueles homens que lhes falam são jornalistas, quando estás a lhes ver estão a se acompanhar tipo é rato, uns com micro, outros com câmara, estão a te perguntar "afinal como é que foi?", assim você pensa que há alegria?... Nós então somos mais velhos, já vimos muito, pá! Até eu como teu mais velho não consigo sair para jantar na segunda mulher né? Estou a ver, papá. E aquele teu carrito tipo, altura tipo é cágado, é como? Ah, paizinho, é coisa leve, deixei o mambo na oficina a ver se lhe soldam boias de ar ou então asas. Estás maluco ou quê, filho?! Você não acha que com um cavalo tinhas a locomoção mais melhor? Ah, pois, mas não havia uma concessionária de cavalos, nem camelos, quando o dinheiro apareceu. Foste precipitado, filho! Mas pronto, agora é tarde. Viste ambulância passar aqui no bairro ou na rua hoje? Ainda não, paizinho Soba. Esquece. E kupapatas? Nem sombra. E energia? Tinha saído, nem sei responder. Ok, filho, prosseguiu o Soba. Já porque vocês são já os tais viciados das redes sociais, Facebook virou jardim para namorar, vou pedir um favor. É favor mas é ordem. Avisa só aqueles vossos amigos que cantam não sei se gospel ou quê - o nome me foge da boca, mas é parecido com cospe -, pois, lhes avisa mesmo bem. Que não me apareça um estúpido a me cantar, ah, porque "Faz chover, Faz chover! Abre as comportas do céu!" O povo não se vai responsabilizar, ouviste mesmo bem, né?! É tudo, paizinho Soba? Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa. Benguela, 23 Março 2017

terça-feira, 21 de março de 2017

Utilidade pública | ALMIR AGRIA EM CAMPANHA PELA AQUISIÇÃO DE GERADOR ELÉCTRICO PARA A MÃE DE SEBEM

A ouvir neste momento na Rádio MFM Luanda, programa "Só as Melhores", o lobitanga Almir Agria promovendo campanha para recolha de fundos e consequente aquisição de um gerador de electricidade para a casa da mãe do ku-durista Sebem. Nas palavras de Almir, Sebem atravessa sérios problemas e está há um ano sem assistência médica, período que corresponde à data em que a esposa deixou ficar em casa da progenitora o autor de "todos nós queremos a felicidade". Almir faz referência a uma conversa que terá mantido em directo com o apresentador Miguel Neto ontem. Chega a fazer um apelo incisivo. "Atenção, Rei Helder! Tu fizeste muito dinheiro à custa de Sebem, vamos lá também ajudar o homem agora que tanto precisa".
Ainda era só isso. Obrigado
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Para alcance das metas na Jean Piaget de Benguela | NOVO DIRECTOR-GERAL RECUPERA “COLABORAÇÃO DE TODOS” COMO CHAVE

O recém-empossado Director-Geral do Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, Carlos Pacatolo, considerou ingente a função que lhe foi confiada por aquela unidade de ensino, onde irá superintender a vertente académica. Diz ter aceitado o desafio por acreditar que pode contar com a colaboração de todos, dos docentes, estudantes aos serviços de apoio, sendo esta a chave para o alcance das metas.

A tomada de posse teve lugar na segunda-feira, 20/03, durante a cerimónia oficial de abertura do ano académico 2017 e foi testemunhada pela comunidade piagetina, familiares, amigos e distintas entidades académicas e governamentais. Conferiu posse o Vice-Presidente da Associação Instituto Piaget de Angola (AIPA), Domingos Peterson. Pacatolo substitui no cargo o docente Bonifácio Tchimboto, que sai a seu pedido ao cabo de 12 anos para dar vida à coordenação científica do mesmo projecto universitário.

segunda-feira, 20 de março de 2017

O bom do Silivondela no teatro

Tive hoje, pela segunda vez, o grato prazer de ver em palco Alexandre Silivondela no papel de actor. Já se passaram pelo menos uns cinco anos desde que assisti no Cine Monumental a uma peça teatral do Twayovoka, na qual ele desempenhou o papel de feiticeiro. Embora se tratasse, no caso de hoje, de teatro de intervenção, tendo como tema a abertura oficial do ano académico no Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, o homem voltou a fazer as coisas com notável mestria. Silivondela tem o que um bom actor deve ter: expressão dramática, clareza na dicção, projecção da voz (sem gritar), cultura geral e... naturalidade. De abono vai ainda o humor inteligente, o que não é para todos. Mano, resumindo e concluindo, você é BOM, ya!... Ainda era só isso. Obrigado.

Jean Piaget Benguela homenageia Director-Geral cessante | ANO ACADÉMICO 2017 ABERTO OFICIALMENTE HOJE

A cerimónia de arranque oficial do ano académico 2017, no Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, realizada na manhã de segunda-feira (20/03), foi marcada pela homenagem ao Director-Geral cessante, padre Bonifácio Tchimboto, que deixa assim, a seu pedido, um cargo que desempenhou ao longo dos doze anos de existência da instituição. Para ocupar a vaga foi nomeado o doutorando Carlos Barnabé Upindi Pacatolo, também docente da instituição, até então coordenador do curso de economia.

O Director-Geral cessante foi alvo de um banho de elogios e manifestação de carinho, presentes em vários discursos e intervenções de colegas, associação de estudantes, assim como de gestores da Associação Instituto Piaget em Angola (AIPA). 

Divagações | NÃO HÁ VAGA PARA LEITURAS

Por favor, não peçam amizade via Facebook com a única intenção de me porem a ler (ou solicitar aprovação) o que se gostaria de publicar. A razão é simples: (1) não tenho autoridade académica de crítico literário; (2) as horas do dia estão cada vez mais curtas, estando difícil conciliar o emprego (numa área de actividade distante dos livros), a família com a obrigação individual de ler e escrever. Conselho: Aquele que escreve continue a escrever, e a ler principalmente, para aprimorar o fluxo criativo e o domínio da língua, que é a ferramenta de trabalho. Depois é arriscar em concursos e/ou submeter a editoras. Peço desculpas, sei que essa conversa já se torna chata, de tanto que a repito, mas diariamente entram mensagens neste sentido. Aproveitando para parafrasear um escritor renomado, a forma mais prática de dialogar com um escritor é lendo a sua obra. Portanto, amigos (novos e velhos), não tenho mesmo capacidade de resposta. Ainda era só isso. Obrigado
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Citação

"É perigoso ser-se sério muitas vezes neste país" (Bonifácio Tchimboto, docente universitário, Benguela, 20.03.2017)
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domingo, 19 de março de 2017

Diário | Tinta de jornal não prejudica?

"Você um dia vai ter já prolemas de mulher, ó coisa!..."
"Vou fazer mais como?!"
"Tudo o que te mandam só aceitas..."
"Afinal é o quê vocês?"
"Já viste?!"
"O quê?"
"Nosso patrão até lhe demos só já o nome de jornalista..."
"Fala muito?"
"Até não..."
"Desconta muito?"
"Também não até..."
"Escreve muito ameaça?"
"Até é filho alheio..."
"Então lhe deram nome de jornalista porquê o vosso patrão?"
"Ele basta só te ver com decote, amolga jornal e te manda meter na fenda das mamas. Oh, coiso! Tinta de jornal não prejudica?..."
Gociante Patissa. Benguela 19.03.2017

A propósito do dia do pai... Victor Manuel Patissa (Julho 1946 - Julho 2001)

Uma vida de utopias, um futuro que chegou em forma de deserto, um enterro solitário. O que sobrou, Camarada?...
Todo o antologista atravessa inevitavelmente a noite da exclusão. E vai sair. Dois meses

Homenagem ao mês da mulher | Bar Estrela “assaltado” pela arte e reflexão

Teatro, música, dança e testemunhos de histórias de superação profissional no feminino foram os atractivos de um sábado ecléctico no centro da cidade de Benguela, ontem (18/03), que juntou fazedores de arte e o público em geral na esplanada do Bar Estrela. O evento, a todos os títulos louvável por promover não só a consciência cívica, mas também a socialização entre artistas e a aproximação destes com o público em ambiente descontraído, foi uma iniciativa da organização denominada Núcleo de Artistas Independentes de Benguela (NAIB). 

Foto da semana | Mizé Balsa, empreendedora benguelense

sábado, 18 de março de 2017

Noite quente

Divagações​ | UM DIREITO INALIENÁVEL

Sua excelência eu, como quem tem os impostos pagos, está à espera que o executivo mande com urgência uma grua - empilhadora  também serve - para lhe levantar da cama. Viva a preguiça, um direito constitucional e (como dizem os juristas, já cheios de finuras no fato e gravata) inalienável. Ainda era so isso. Obrigado hahaha
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sexta-feira, 17 de março de 2017

Grande entrevista | PASSEI POR UMA VIDA CARICATA | Conheça a história de Job Sipitali, uma promessa distinta entre a jovem poesia angolana

Job Sipitali tem uma história de vida digna de narrativa. Aos sete anos viu o pai, a mãe e um irmão assassinados, durante a guerra civil, no município do Cubal, sua terra natal. Aos 22 anos, troca o interior pelo litoral da província de Benguela, atrás da vocação para o sacerdócio. Concluído o ensino médio, descobre que afinal ser padre não era bem o que queria para si no futuro. Abandona o Seminário para frequentar o curso universitário de linguística/português, mas os caminhos retornariam à Casa dos Rapazes: agora contribui dando aulas de literatura africana de expressão portuguesa e a cadeira de latim. Sereno, tímido, franzino e com uma articulação influenciada pelo umbundu, sua língua materna, Job Sipitali traz uma poesia concisa, proverbial e penetrante, enfim um material esteticamente pronto para saltar da gaveta para as páginas de um livro. O Blog Angodebates conversou com aquele que já foi membro do Movimento Lev’Arte e que há dois anos co-fundou a Associação Literária e Cultural de Angola (ALCA).

quarta-feira, 15 de março de 2017

Citação

“Na base de toda a forma de cultura está a linguagem como sistema de símbolos verbais indispensáveis à comunicação entre os homens” (Alberto Manuel Machado, in «A Palavra e a Diferença», 1986, pág. 160. Porto Editora. Portugal)

terça-feira, 14 de março de 2017

Entrevista | Gociante Patissa: Em Angola línguas nacionais tem um "status" secundário | Áudio | Acaba de sair a SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA QUE CONCEDI À RÁDIO VOZ DA ALEMANHA DURANTE A PRESENÇA NA FEIRA DO LIVRO DE FRANKFURT, ao microfone da repórter Nadia Issufo


Política linguística deve ser revista para dar um estatuto as outras línguas nacionais, reivindica escritor e linguista Gociante Patissa. Para ele, promoveu-se o português e descurou-se das outras, promovendo a exclusão. E o seu primeiro prémio, enquanto escritor, deveu-se ao empenho na divulgação do Umbundo, sua língua materna. A DW África conversou com o escritor angolano sobre a política linguistíca em Angola.

DW África: É linguista e o seu primeiro prémio deveu-se ao seu empenho na divulgação do Umbundo. Alia sempre a sua formação às suas obras? 
Alguns livros de Gociante Patissa
Gociante Patissa (GP): É inevitável por um lado. Por outro lado, sou um ser insatisfeito em relação à questão da política linguística em Angola. Penso que criamos um monstro chamado língua portuguesa e descuramos do resto. E às vezes compreendo, penso que houve uma necessidade  ao longo dessas décadas de conseguir um equilíbrio enquanto nação, fazendo desse conjunto de nações uma só, já que por detrás da língua há outros fatores. Mas é altura de repensarmos, há pessoas que vão nascer, crescer  e morrer sem lhes fazer falta a língua portuguesa. Então, uso as técnicas científicas para ao meu nível promover a minha língua, o que é difícil porque temos ainda o problema da dualidade de grafias. Não entendo porque uma língua tem de ter duas grafias diferentes, vamos falar da colonização e da igreja, mas as línguas são anteriores a colonização e a igreja. O católico e o protestante falam a mesma coisa, mas quando chega a hora de codificar codificam diferente. Isso depois tem como consequência o desencorajamento da produção em línguas nacionais, como é que vão ler?

DW África: Ainda sobre a política linguística em Angola, no que se refere a promoção das outras línguas nacionais o que gostaria de ver melhorado?
GP: Muita coisa, primeiro é a questão da política do Estado e o Estado tem de assumir isso, mais do que tem feito até agora. Sei que há um estudo de harmonização. Em 2012 fui entrevistado por uma jornalista inglesa e soube através dela que tinha sido encomendado um estudo a um académico africano para a harmonização ortográfica das línguas de matriz Bantu. Até hoje, volvidos 20 anos, não se sabe pelo menos o ponto de situação. Depois é a maneira como se olha [para elas], o status secundário é atribuído as línguas nacionais. O jornalismo, por exemplo, é feito em língua portuguesa, mas quando se fala em jornalismo em línguas nacionais na verdade não é jornalismo, é tradução a quente do texto em português e as deturpações que disso advém. Portanto, é preciso dar as línguas os estatutos que elas merecem. Tem de se fazer muita coisa, estou a reclamar do Estado porque ele é o decisor e quem superintende ao nível macro as políticas. Mas depois há também há questão do cidadão, por exemplo, na rua, eu falo muito bem o umbundo melhor até que o português, se eu saudar uma varredora de rua [em umbundo] ela me vai automaticamente responder em português, porque ela interpreta que lhe estou a desqualificar. Naturalmente há algumas províncias que dão algumas expetativas, eu gosto de ir ao Huambo, lá há menos complexos do que há em Benguela e em outras províncias, mas ainda assim não satisfaz. É preciso dar um suporte a isso. Por dia a televisão tem cerca de meia hora de noticiário em umbundo, o que é meia hora? É nada.

DW África: No seu percurso houve também uma passagem pela rádio, aliás, o que também transportou para a sua escrita. Gosta da forma como se faz rádio em Angola?
GP: Não, não gosto porque tenho estado a ler muito e leio um autor cubano que se chama Ignácio Virgil?? que diz que a rádio deve transmitir a vivência da comunidade. E atualmente penso que o conceito de rádio é um pouco elitista e de exclusão, faz-se muito o trabalho de estúdio, fala o artista, fala o empresário, fala o comerciante, fala o governante e às vezes fala o académico, [mas] o cidadão comum não fala para a rádio, a não ser que tenha saldo para o telefone ou que tenha cometido um crime e queira prestar contas a sociedade. Eu gostaria de ter uma rádio mais virada para a integração, para a promoção cultural, uma rádio onde a pauta informativa não relegasse para o fim do noticiário, por exemplo um evento cultural. Temos rádios especializadas no desporto, poderíamos pensar em rádios especializadas na cultura. Já há um jornal, infelizmente é quinzenal e tem uma circulação bastante complexa e limitada. Gostaria de uma rádio, mas não banal, que saiba ser o rosto da comunidade.

DW África: Há no seu país uma restrição considerável no que diz respeito a abertura de rádios. Com vê isso no contexto do acesso a informação e da liberdade de imprensa?
GP: Deixei de fazer jornalismo há alguns anos, então não estou tão inteirado sob o ponto de vista dos "dossiers" do assunto e é um pouco arriscado tecer comentários mais profundos quando a gente não está tão familiarizada com os assuntos mais recentes da área.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Denúncia | Tentativa de phishing (roubo) de dados bancários

Acabei de receber deste endereço geral@bancobic.pt um e-mail que confira mais uma das habituais correspondências fraudulentas que visam recolher dados bancários. Tão simples de dar conta porque nunca sua excelência eu abriu conta no banco BIC, pelo que não haveria o que activar ou deixar de desactivar. Creio que a cair na armadilha, a pessoa cede as credenciais e um qualquer hacker esfrega as mãos de contente. Todo o cuidado é pouco.
"Exmo. Sr(a),
Informamos V. Exa. que seu utilizador foi temporariamente bloqueado.
Para continuar utilizando os servicos BancoBIC Net, por favor efectue seu desbloqueio agora.
Aceda em seu utilizador normalmente em "Desbloquear Utilizador".
Desbloquear Utilizador
Caso não efectue o processo de desbloqueio, o acesso à sua Conta de Depósitos à Ordem e Depósitos a Prazo sera cancelado permanentemente, e será cobrado uma taxa para recuperação de seu utilizador e password.
Os nossos melhores cumprimentos,

Equipe de Segurança Banco BIC.
2017 Banco BIC Português. Todos os direitos reservados.
Protocolo nº 2017-140209. Email enviado por Banco BIC."

Divagações | A lê-lo pela segunda vez

Há um rapaz, uma voz do Cubal roncando em gavetas. Precisa de ser descoberto, e publicado. Um poeta conciso, proverbial, profundo. Job Sipitali Sipitali. Já o disse em privado e o faço aqui: tenho aquela inveja positiva de não ter tido o nível de maturidade estética dele quando comecei. Ainda era só isso. Obrigado.

Citação

“Vamos rir pois. O riso é uma filosofia. Muitas vezes o riso é uma salvação. E em política constitucional, pelo menos, o riso é uma opinião” (Eça de Queiroz. In «A Palavra e a Diferença», 1986, pág. 174. Porto Editora. Portugal)
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O contraponto de Armindo Laureano

"Tomás Gavino Coelho, obrigado por me identificar e fazer chegar a informação . Obviamente que não me cabe estar a fazer aqui avaliações sobre o trabalho do jornalista Agostinho Gayeta para a VOA. Agradeço sim o facto de o jornalista e a VOA acompanharem o meu trabalho e reconhecerem em mim qualidades e competências para fazer parte deste trabalho.Sei que se tratam de uma série de entrevistas sobre o assunto ( outras virão ) e irão terminar com um workshop sobre o assunto . Quanto a opinião do Gociante Patissa ( pessoa que bem conheço e respeito o trabalho que vem desenvolvendo ) , é uma opinião que respeito embora não concorde . Mas respeito o direito que tem em expressar a sua opinião sobre o assunto . Sugeria que contactasse o jornalista em causa( que já identifiquei ) para se informar mais sobre o trabalho . Quanto a Vivências Press que existe como editora desde dezembro de 2013 não tem apenas editado os livros de Armindo Laureano como cita no seu post. Faltou actualização na sua informação . Basta que me indique o seu e-mail e enviarei todos os trabalhos efectuados pela editora e de mais três trabalhos de autores angolanos que vamos lançar este ano . Estive recentemente em Luanda onde fui apresentar o livro  " Autores e Escritores de Angola" de Tomás Lima Coelho, em que tive colaboração editorial e cuja edição para o mercado angolano é responsabilidade da Vivências Press. Um abraço caro amigo e colega ."

Divagações | Uma reportagem superficial

Numa reportagem de 19 minutos intitulada "Escritores angolanos lamentam falta de apoios", a Voz da América (só) ouviu duas vozes, designadamente Divaldo Martins e Armindo Laureano. Nada discutível o Divaldo, que além de três obras propriamente literárias, coordenou pelo GRECIMA o projecto Ler Angola (o dos "discutíveis", pela designação, 11 Clássicos); já me parece um tanto forçado ouvir o jornalista Armindo Laureano, que se apresenta na entrevista na condição de escritor e editor (pelo facto de ter publicado três livros com auto-edição, sendo um áudio-livro de entrevistas biográficas resultantes do programa radiofónico "Vivências" que conduzia e um de crónicas, todos lançados nos últimos cinco anos, salvo erro). Numa sociedade com a síndrome da perseguição, estou ciente do risco que se corre em opinar fora do "diapasão", mas me parece ser um daqueles casos de preguiça do repórter. Também tenho ciência do quão difícil é achar fontes "amigas" do microfone, porém, julgo haver nomes com conhecimento um pouco além dos "lugares comuns", quando o assunto é o sector do livro e da literatura em Angola. Um Virgílio Coelho (Kilombelombe), Jacques Arlindo (Chá de Caxinde), Arlindo Isabel (Mayamba), e por que não o Adriano Botelho de Vasconcelos, alguém que fez um trabalho notável enquanto editor na União do Escritores Angolanos? Fica a sensação de que talvez (ainda) fosse mais assertivo descrever o talentoso Armindo Laureano (apenas) como jornalista e apresentador de TV do que (já) escritor e editor. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa. Benguela 12.03.2017

domingo, 12 de março de 2017

Utilidade pública | Imogestin divulga critérios e condições para aquisição de moradias nos Projetos Habitacionais (centralidades) sob sua gestão


1. Quando começam as vendas?
Início do processo de venda das habitações dos PHE e número de habitações:
· 2ºTrimestre de 2017 – Km 44 (1.984) e CAPIRI (3.504);
· 3º Trimestre de 2017 – LUBANGO (7.910), LOBITO (3.000), PRAIA AMELIA (2.000);
· 3º Trimestre de 2017 – LUHONGO (2.000), BAÍA FARTA (1.000), 5 de Abril (2.000);
· 3º Trimestre de 2017 – ZANGO 0 (2.464) e ZANGO 8000 (8.000).
Nos projectos de BENGUELA, NAMIBE e ZANGO 8.000 as vendas estão condicionadas ao início e conclusão das infra estruturas externas, sob responsabilidade do Ministério do Urbanismo e Habitação.
2. Quais os critérios de acesso?
Critérios de Acesso/Ilegibilidade:
·- Ter nacionalidade angolana;
 ·- Ser maior de idade;
 ·- Ser trabalhador e proceder a descontos para a segurança social;
·- Não ter antes comprado casa ao Estado, nem ter casa arrendada ao Estado.
3. Como se candidatar?
Na província de Luanda a candidatura será feita via internet. Deve proceder a inscrição na plataforma que será disponibilizada e juntar os documentos solicitados. Nas outras Províncias a venda ao público livre, além da venda via internet, será reservada uma parte das habitações para arrendamento directo por via de inscrições em locais identificados, através da entrega de documentos.

Crónica | HABILITAÇÕES NECESSÁRIAS PARA SER MINISTRO (Eça de Queiroz, escritor português 1845 - 1900)

Foto de autor desconhecido
Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:
Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente, possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder... O poder não sai de uns certos grupos como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.

Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião e os dizeres de todos os outros que lá não estão os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do país!

Os outros, os que não estão no poder, são, segundo sua própria opinião e os seus jornais os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País.

Mas, coisa notável! os cinco que estão no poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da fazenda e a ruína do país, durante o maior tempo possível! E os que não estão no poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem os verdadeiros liberais, e os interesses do país!

Até que enfim caem os cinco do poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da fazenda e ruína do país; entanto que os que caíram do poder se resignam, cheios de fel e de tédio a vir a ser os verdadeiros liberais, e os interesses do país.

sábado, 11 de março de 2017

Citação

"Eu entrei aqui como ajudante. Depois os meus chefes viram o meu desempenho e fui promovido para uma nova função: agora sou auxiliar administrativo." (De um jovem hoje no Telejornal, via TPA, hoje)

Partilhando leituras | CARTA DE PINHEIRO CHAGAS A ANTERO QUENTAL (extracto)

"Sem espírito não há liberdade: sem liberdade não há espírito. Ora esta é a alma, a vida, a essência das literaturas, da poesia, da arte, de todo o trabalho do pensamento e inspiração. Literatura que respeita mais os homens do que a santidade do pensamento, a independência da inspiração; que pede conselho às autoridades encartadas; que depende de um aceno de cabeça dos vizires académicos; essa literatura não é livre – ubi libertas íbis spiritus – não tem, logo, espírito, não é viva e poética (…) não existe pois como coisa alta e ideal, isto é, não existe porque só ideal e alta se concebe literatura e poesia.

Lembremo-nos que a literatura, porque se dirige ao coração, à inteligência, à imaginação e até aos sentidos, toma o homem por todos os lados; toca por isso em todos os interesses, todas as ideias, todos os sentimentos; influe no indivíduo como na sociedade, na família como na praça pública; dispõe os espíritos; determina certas correntes de opinião; combate ou abre caminho a certas tendências; e não é muito, dizer que é ela quem prepara o berço aonde se há-de receber esse misterioso filho do tempo – o futuro.

Mas esta é a dura fatalidade das literaturas que sacrificam o ídolo ao vulgar do favor público e não às raras severas da consciência, do pensamento isolado mas enérgico. Como é a fama que procuram, passam ao lado da verdade e não a vêem nem a conhecem sequer. (…)

As nações têm um instinto secreto ainda que confuso de seus destinos e do que para o cumprimento deles convém. Se um momento aplaudem quem as lisonjeia, em breve desprezam e esquecem. Para amar, precisam odiar primeiro. Aqueles cujos nomes têm de gravar no coração, não são aduladores, são amigos sinceros e independentes, que lhes dizem as verdades em toda a sua dolorosa mas salutar crueza."

(Extracto da carta de Pinheiro Chagas, datada de Novembro 1865. In «A Palavra e a Diferença», 1986, pág. 167-8. Porto Editora. Portugal)
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quinta-feira, 9 de março de 2017

Crónica | Não gosto de eleições

E chega aquela fase de usar camisinha nas palavras. Já vamos na quarta. Assim manda a democracia, sistema de governo que, entre nós, tende a captar holofotes pela tendência de se embrutecer na sua faceta dos ciclos eleitorais, pondo em risco importantes conquistas da coabitação e do próprio exercício da cidadania.

Tenho dois blogs, incluindo o satélite e o mais interactivo de todos os canais, o facebook. Chateia-me essa coisa de pensar várias vezes na hora de compor uma frase, pois sou dos que abominam aproveitamentos partidários. É ingénuo, bem sei, ninguém tem poder sobre a interpretação do que torna público. Resta-nos o conforto de caminhar pelos limites da lei e da ética. E não obstante o paradigma capitalista do ou ganhas ou perdes, opinar é já um risco que temos de assumir por imperativos de consciência, se quisermos não deixar de acreditar na meta de uma sociedade plural.

Citação

"As mulheres ainda são o melhor sexo oposto que temos"
(anónimo)

quarta-feira, 8 de março de 2017

Diário | Mas o que tem a ver o teu pai com o nosso amor?

“Amor!”
“Ainda não me chames amor, por favor!”
“Ouve, temos andado nisso mas… sinceramente, uma vez que nunca me falaste que não me gostas, custa imaginar o porquê que ainda não estamos juntos a quebrar esse gelo que nos divide… Qualquer dia ainda, a andropausa me encontra de pé à espera do sim…”
“Também não exageres, ó camarada…”
“Já te falei. Não é só assim! Te querer é te querer, mas há outros paradigmas…”
“Quais?”

Divagações | Porque criar também custa

Sua excelência eu, na qualidade de representante oficial único e legítimo, avisa que passará a cobrar pelo uso da marca "ainda era só isso", uma vez que vem já sendo usada tudo à casadamãejoanamente, sem citar o autor, sendo que os honorários do advogado ficam a cargo do partido que ganhar as próximas eleições. Cumpra-se! Ainda era só isso. Obrigado. Gabinete de sua excelência eu, hoje, agora.

terça-feira, 7 de março de 2017

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"Para mim, a militância tem que estar fundada na lealdade".
(Fernando Heitor, político, docente e deputado, via Tv Zimbo, 07.03.2107)
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Deus perdoe o gerador alheio, a escuridão alheia, o sono que perdeu o caminho de casa, e que nasça logo uma manhã com a alegre mentira de termos passado bem a noite. Ainda era só isso. Amém.

PS: E dito isto, a energia eléctrica voltou. Tenho mesmo de voltar a frequentar a igreja. Aleluia irmãos!!!

domingo, 5 de março de 2017

Divagações | E o partido vai a enterrar

Era uma vez uma barca que se prepara para o naufrágio, não podendo os seus tripulantes culpabilizar nem os ventos nem as marés nem os inimigos. A barca vai afundar, cada vez mais definida está a sorte de um tal cenário. E a afundar é porque os membros montaram a barca, lançada em movimento, mas tudo parece haver, menos FÉ NELA. Novos episódios na FNLA. Suspenso presidente a poucos meses das eleições. Ontem histórico, hoje uma estrutura fragmentada. E de implosão em implosão, vai o partido a enterrar. Ainda era só isso. Obrigado.    www.angodebates.blogspot.com

Em Portugal | Lopito Feijó fala sobre poesia angolana

Texto e foto:  Jornal de Angola, 03.03.2017

O escritor, poeta e crítico literário Lopito Feijóo encontra-se em Portugal para, na qualidade de convidado, participar nas comemorações do 20.º da revista DiVersos,  publicada na cidade do Porto pelas Edições Sempre-Em-Pé.

Constam do programa comemorativo, iniciativas culturais nas cidades de Lisboa e Coimbra durante o mês de Março, sendo que hoje, na sede da Associação de Jornalistas e Homens de Letras na cidade do Porto, Lopito Feijóo fala sobre a poesia angolana e o perfil dos demais poetas angolanos que ao longo das duas décadas de existência da referida publicação colaboraram com os seus textos, entre os quais Ruy Duarte, David Mestre, Carlos Ferreira, Gociante Patissa, David Capelenguela e do próprio poeta com mais de uma dezena e meia de trabalhos de sua autoria.

No seu número 22 editado em 2015,  a DiVersos, tida como umas das mais importantes publicações divulgadoras de poesia e tradução pelo Mundo, inseriu um capítulo especial dedicado à nova poesia angolana ao lado de poetas traduzidos do africânder, alemão, inglês, catalão, polaco, russo, sueco, norueguês e francês.

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"Temos de descobrir uma nova prática de fazer política, onde o discurso seja mais do que o eco das palavras"
(João Paulo Nganga, via Tv Zimbo, 05.03.2017)
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sábado, 4 de março de 2017

(arquivo) Fábulas da nossa terra | Há muito jacaré por aí (*)

Quis o destino que a família Macaco habitasse numa árvore na margem do rio Catumbela, onde seria fácil cuidar da higiene e a comida abundava.

Imagem do jornal GGN
Estava o Macaco a fazer a barba, numa bela manhã, quando recebeu uma visita:
– Bom dia, Macaco! – saudou, eufórico, o Jacaré – Concluí que temos de ser amigos.
– Estás maluco ou quê? – retorquiu o Macaco – Somos vizinhos e isso BASTA!
– Está aí um ponto que tenho de discordar contigo, Sr. Macaco…
– Mas discordar como, ó Jacaré? – interrompeu – Se tu és incapaz de trepar a mais baixa das árvores, que amigo hei-de ser para ti, eu que mal sei nadar? – refilou o Macaco.

Como era já meio-dia, o Macaco chegou até a pensar que tudo não passava de truques do Jacaré só para «patar» o almoço da família do outro.
– Não vale a pena! Não é possível juntar o que a natureza quer separado.
– Não concordo, Macaco! Não é justo culpares a natureza, quando o que falta é vontade. Ao menos tenta! Eu fico na água, tu na árvore – propôs o Jacaré.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A diferença crucial entre escrever livros e ser escritor

Esta entrevista com o escritor português José Jorge Letria me fez pensar sobre uma pergunta crucial que todos que escrevem histórias de ficção devem se fazer: Você quer escrever livros ou você quer ser escritor? Sim, existe uma diferença entre um desejo e outro.

“Se você quer escrever livros, você deseja ser um autor.”

 Você acredita ter ideias originais para desenvolver boas histórias. Você acredita que algumas dessas histórias tem o potencial de despertar o interesse de um grande número de pessoas e do mercado editorial. Seu grande objetivo é desenvolver a habilidade de manter o leitor interessado no enredo da sua história, da primeira linha até o último ponto final. Você enxerga palavras como ferramentas para transmitir suas ideias e pensamentos para o leitor.

"Se você quer ser escritor, você deseja ser um pensador."

 Você acredita que sua visão peculiar sobre o mundo pode enriquecer a forma como outras pessoas constroem suas realidades. Você acredita que suas palavras têm o potencial de levantar perguntas sobre temas universais, consciente de que tais questionamentos são mais importantes do que as respostas. Seu grande objetivo é desenvolver a habilidade de fazer o leitor olhar para o mundo a partir de uma perspectiva diferente, mais rica, mais complexa, mais plural. Você enxerga palavras como aliadas na sua busca por expressar para o leitor a complexidade da experiência humana.

Se você decidir que quer ser escritor, abaixo estão quatro das dicas mais importantes que o José Jorge Letria compartilha nesse vídeo:
1. “Ser escritor é […] um trabalho rigoroso e exigente. E que ninguém se convença que só por ter jeito ou habilidade consegue tornar-se escritor.”
2. “Raro é o dia em que eu não escreva. Com disciplina, com dedicação e com exigência. Só assim um autor pode conquistar o seu lugar e assumir-se também como um profissional daquilo que faz.”
3. “Escritor, como um músico, um pintor, como um coreógrafo […] precisa de ter uma enorme dedicação, uma grande capacidade de entrega àquilo que escolheu para ser o seu trabalho.”
4. “Se quiserem ser escritores, escolham esse caminho sem hesitação, mas sempre com a convicção de que é preciso trabalhar muito para se merecer esse título.”

Por Diego Schutt em 05/03/2012 Tópicos: escrever, inspiração
In http://ficcao.emtopicos.com/2012/03/escrever-livro-ser-escritor/