PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz natal a todos e 2009 de realizações

Foto de autor não identificado
Há momentos na vida em que gostaríamos de ser maiores que os nossos obstáculos. "Mas se não dá para mudar a situação, sempre podemos mudar a nossa atitude em relação a ela".
Feliz natal a todos e boa passagem de ano!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Sugestão: Que tal uma sala para interacção directa entre deputados e o povo?

Que tal abrir-se uma sala, no município sede da província, onde os deputados exercessem a auscultação popular directa, nem que seja em sessões semanais ou mensais? É sugestão do angodebates. Será que faltaria dinheiro para alugar espaços?
Não sabendo desde já se tal prática encontraria respaldo na lei, pelo menos sabemos que a auscultação directa permitiria maior aproximação entre o povo e os seus representantes na Assembleia nacional. E, quiçá, ir-se-ia além da observação e suposições... E como se diz em Umbundu, "epute ly'ukuene kaly'ukuvala" (não se sentem dores físicas da ferida alheia).
Recorde-se que, nas eleições de cinco de Setembro de 2008, o partido Mpla (Movimento Popular de Libertação de Angola) venceu por "maioria substantiva" (termo de Jorge Valentim), por consequência fornecendo os cinco deputados representantes da província de Benguela (destaque para Jeremias Dumbo, Filipe Domingos, Eduarda Magalhães, e Dumilde Rangel) no parlamento.
Gociante Patissa

Observatório Angodebates: Seis notas positivas urgentes

Seguem-se seis notas pela positiva que, na visão deste Blog, se impõem:

1. ISCED-Centro Universitário de Benguela (Internet wireless)
Foi com muita satisfação que constatamos que estudantes utentes de computadores portáteis podem já com certa eficiência beneficiar do sinal wireless no recinto do CUB (o que inclui interior e pátio) sem restrições de acesso, o que seguramente permite poupar os AKZ 300 por hora cobrados pelos cybercafés. A medida vale se analisada no contexto angolano, onde as tecnologias de informação são de certo modo "lentas" e o seu acesso oneroso. Portanto, ao Mestre Domingos Calelessa, decano, e colectivo vão os nossos elogios. Antes tarde que nunca.

2. Rádio Morena Comercial (Promoção e valorização cultural)
Temos vindo a observar uma postura de abertura à promoção cultural por parte da RMC, sendo mais sonante o programa matinal "Aiué Sábado", responsável pela tradição que leva anos de venda e autógrafos à portaria. Este fim-de-semana, por exemplo, esteve tão abarrotado o quintal que "parecia um Congo", como referiu a brincar um reconhecido escritor e docente universitário, por acolher em simultâneo os lançamentos do livro de poesia "Sexorcismo" de Martinho Bangula, CD dos Calibrados "Cartas na Mesa", e de outros fazedores de Kú-duro cujo nome nos escapa. Ao jornalista José Lopes, director, e seu colectivo o nosso grande reconhecimento.

3. Editora KAT-Consultoria e Empreendimentos (mais um "novo" escritor lança obra)
A colecção Safra-Nova, da editora KAT, lançou no mercado o seu segundo título, “Sexorcismo-poesia para purificação”, do jovem Martinho Bangula. O livro, em nossa óptica, traz uma abordagem interessante, uma forma de ler e sugerir a humanidade tendo o sexo como tábua de chamada. É a segunda aposta em autores estreantes, colecção que por sua vez se estreou com o livro de poesia "Consulado do Vazio", lançado em Julho deste ano. Mais duas obras estão no prelo, podendo uma delas sair no primeiro trimestre de 2009. Aos kotas Kajibanga e ArJaGo (e a todos no KAT) força!

4. Cidade do Lobito (obras agradáveis no sistema de drenagem)
Quem visita o Lobito pela primeira vez fica com uma inevitável impressão positiva ao ver as obras entre o Bairro da Luz e a Unidade dos Bombeiros, tal é a estética e a aparente durabilidade. Porém quem conhece a cidade e suas respectivas entranhas alegra-se ainda mais, pois tais obras representam “uma ressurreição social”, dos pontos de vista da beleza e da segurança, pois já viu muita gente morrer (e outros danos mais) pela nulidade do sistema de drenagem face à pujança das águas da chuva, o que em parte se atribui à obstrução do canal de evacuação para o mar no Lobito-Velho, resultante de entulhos nas imediações do estaleiro da Sonamet. Ao Mestre Amaro Ricardo, Administrador municipal, e ao governo o nosso OK.

5. Jornalista Esmeralda Fernandes (mostrou competência na eleição da Miss Angola)
Ninguém pode ignorar. A apresentação dos apresentadores (o pleonasmo é propositado) foi de realçar. Quando por defeito de juízo o favoritismo cairia sobre o radialista Jorge Gomes (tá maluco ou quê!?!?), eis que se despontou com simpatia, fluidez no improviso e sentido de atenção ao corrigir prontamente as (quase) gaffes do seu "parceiro" o rosto do programa "Arcos-Íris" da TPA, Esmeralda Fernandes. A ex-miss Malange
que muitos passaram a conhecer depois de se ver envolvida em escândalo por alegadas conduta promíscua e expansão propositada do vírus da SIDA segundo denúncia de suposta colega ao Angonoticias – definitivamente, esteve bem. Claro, o Jorge também.

6. Amigos e leitores do Blog Angodebates (não é assim que se enche o outro de mimos)
Pelos comentários e (de modo geral) pela interacção que vem sendo já habitual, os amigos e leitores do Blog Angola, Debates e Ideias (www.angodebates.blogspot.com) fizeram questão de "entupir" de mimos (passe o exagero) o seu editor, que somou mais um ano de vida no passado dia 17/12. Para eles todos fica aqui a enorme gratidão.

Gociante Patissa

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Jornalistas da RNA admitem falta isenção da imprensa estatal

Luanda - O núcleo do sindicato de jornalistas da Rádio Nacional de Angola (RNA) considerou hoje[11/12] que a comunicação social pública angolana não foi isenta nas eleições legislativas e apelou para uma postura imparcial nas presidenciais previstas para 2009.

"Apesar do esforço do sindicato, do próprio Governo e de organizações internacionais, os jornalistas não conseguiram ser imparciais [nas legislativas de Setembro] e em função disso resolvemos fazer um apelo para que isso não volte a acontecer nas eleições presidenciais", disse à Lusa o responsável pelo núcleo do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) na RNA, Mário Maiato.

O apelo foi lançado após uma assembleia geral do sindicato para balanço de actividades, realizada quarta-feira, nas instalações da RNA, cujos participantes concluíram que os órgãos de comunicação social públicos não tiveram uma postura "isenta" nas legislativas de 05 de Setembro.
Num documento aprovado na reunião, o núcleo do sindicato de jornalistas da RNA, com 171 membros, critica as inúmeras falhas registadas durante as eleições legislativas e afirma que durante a campanha eleitoral, foram "sistematicamente violados" princípios como o da "imparcialidade, isenção e igualdade" entre candidatos.
"Todos nós acompanhámos as notícias na RNA e na Televisão Pública de Angola (TPA) e vimos como operavam. Passava uma notícia da oposição e duas do partido no poder, peças de quatro a cinco minutos, enquanto as outras passavam em um minuto", salientou Mário Maiato.
Segundo Mário Maiato, que também é o responsável pelas questões jurídicas e laborais do SJA, foi em função dessa "falta de respeito à ética e deontologia" que se fez o apelo. Mário Maiato referiu ainda que houve favorecimento do partido vencedor (MPLA), que contudo não ditou a sua vitória, não houve promoção de debates entre os candidatos e os partidos não tiveram a oportunidade de divulgar os seus programas, entre outros aspectos. "É para essas questões que queremos alertar. Para que nas próximas eleições presidenciais não aconteça o mesmo", frisou.
O documento produzido na reunião critica ainda a virtual demissão do conselho de comunicação social verificada na altura, que é o órgão responsável por assegurar a objectividade e a isenção da informação.
Durante as legislativas, os órgãos de comunicação social do Estado foram criticados pelos partidos da oposição e organizações da sociedade civil devido a sua forma de actuação. Uma das recomendações do relatório final da Missão de Observação da União Europeia refere-se à importância de se rever a lei dos órgãos de comunicação social.
No período eleitoral e pós-eleitoral das legislativas de 05 de Setembro, alguns jornalistas e colaboradores da RNA e da TPA foram suspensos com processos disciplinares devido a declarações sobre a forma como os órgãos públicos exercem a cobertura política ou comentários sobre algumas das nomeações políticas para cargos públicos.
Fonte: Lusa

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

No dia dos direitos Humanos: "Girassol"

Foto de autor não identificado
Sintonizada à frequência
da melodrama da espécie humana
está ela perplexa humilde e sorridente
no canteiro no quintal

Escancarada aos raios escaldantes

de um sol que é de todos
traz sonhos alegres
de um amanhã sem toneladas de mortes

Num mundo de pólvoras

onde escasseia o amor
ri-se da cólera dos homens de toda parte
em conflito com a paz
em conflito com a justiça
em conflito consigo mesmos
e no seu verde e amarelo
vai singela a planta girando ao sol

Gociante Patissa, In «Consulado do Vazio», Kat-Benguela, 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Encerrou como "Foto Diamante", reabre com bué de pérolas

Que a força da língua portuguesa está na sua expansão pelo mundo e, sobretudo, pelo que vem ganhando na influência/contacto com outras línguas, isso já é indiscutível. Agora, que ler letreiros permite a pessoa não só "aprende" a variante chino-vietnamita, mas também melhora a disposição...

Foto situada na rotunda do Curinje em Benguela.

Crónica: “Hoje não ouvi a chuva”

Tinha começado a chover sem que desse por isso.

Estava por demais embalado nas cogitações peregrinas típicas de um jovem, o sonho por um big-bang que traga a namorada, o emprego ideal, o carro e a habitação num só semestre. Como se pode ver, é demasiada carga de expectativas para sobrar tempo algum para atender os restantes órgãos dos sentidos. A percussão das gotas da chuva que tocavam o tecto de zinco, de tão homogénea, aos meus ouvidos se confundia com uma bela sinfonia melancólica, que era o que mais apetecia.

Entretanto, uma gota intrusa tocou-me o ombro, num misto de arrepio e frio, frio também atípico nesta era de aquecimento global. Olhei à minha volta, desta vez com olhos de ver, e notei a presença do garçon que, talvez já acostumado a lidar com portadores de utopia, estava há muito parado à minha frente. Era evidente no seu olhar o dilema: hora de fechar o caixa e ao mesmo tempo não me querendo incomodar. Foi inevitável o instinto. Reparei o peito do conterrâneo, viciado que estou a fazer o mesmo com as moças por questões de pesquisa (só isso!). Na verdade, e o digo depois de observar em tudo quanto é bar e lanchonete, as atendedoras têm quase sempre uma característica comum: o peito achatado. Mães solteiras, adolescentes com etapas queimadas, atrás do prejuízo.

Devia ser demasiado educado o garçon, para se deixar empatar por um cliente que há tanto tempo nada consumia. Seria até legítimo da sua parte tratar-me mal, recorrendo à (quase cultural) atitude de supremacia dos atendedores.

“Mó mano, vão render já. O turno é outro”, alertou-me, reticente e fragmentado na linguagem.

“Sim, claro
respondi. – Distraí-me a ler esse jornal”.

Desculpei-me, acabrunhado, e saí andando. Eram já 18:00 horas. Restava-me acelerar o passo porque o Alexandre, meu sobrinho superdotado lá das bandas do Kioxe, pediu que lhe trouxesse na próxima visita, hoje portanto, línguas de gato. E como promessa feita é direito adquirido para a criança, cabia-me implementar esta lição dos idos anos de activismo pelos direitos da criança.

A chuva sucumbia à medida que a noite se instalava, tímida mas determinada. E só a aragem, coroada com o cheiro da terra molhada, conseguia levar-me a viajar nas memórias do kimbo, fugindo por alguns instantes da rotina ofegante da cidade… e reaprender a ouvir a chuva.

Gociante Patissa, Benguela, Novembro 2008