PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 30 de junho de 2013

Só vale quando é sincero, acrescento eu

 (montagem de autor desconhecido)

"As Crônicas de Hananteur Winks", romance do brasileiro Ewerton Faverzani será lançado em Julho

Sai pela editora Armazém Digital e possui três eixos importantes divididos na “A Profecia dos Mundos”, “O Mestre das Sombras”e o “Talismã de Unjon”. Juntos, esses três temas contam de forma espetacular e fantástica a história de Luanda, filha de um casal de proprietários rurais e comerciantes da era medieval que nascera durante um raro eclipse lunar em pleno dia da comemoração do festival da colheita, obtendo a proteção mística da Deusa Lunna. Ewerton Faverzani nasceu em Campo Grande-MS em 1976, atualmente radicado em Rio Branco-AC. ewertonfaverzani@gmail.com

sábado, 29 de junho de 2013

Porque tanto venho ao Lobito

Alguns anos depois de concebermos o Lobito pelos apaixonados relatos de um parente nosso que fazia questão de trazer souvenirs (ainda quem fossem pés diferentes de calçado para a meninada do Monte Belo, ou roupa para adultos, mais tarde reclamada em cartas com pedaços de tecido no envelope) nas ligações entre o litoral e o interior, outro motivo para o “eu heroico” dado o risco da guerrilha durante o conflito armado, chegava o inesquecível 1985. Por si narrado, o Lobito era cidade de outro mundo. Crianças sem brinquedos? Nunca! Era só sair à rua para colher bonecas ou carros, às vezes até novos, em lixos limpos. E quando se deram por vencidos os cento e poucos quilómetros (minha mãe, minha irmã e eu à boleia do IFA frigorífico) no morro da Bela Vista, recebidos pela inspiradora iluminação da baixa, duas coisas esperava conhecer aos sete anos: a ira de um mar espumando nas ondas e a lixeira limpa para colher brinquedos.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Um cocktail à maneira

O jantar saía-se extraordinário. Não é todos os dias que a factura é reescrita acima de três vezes por cobrar algo não consumido, incluindo um tal de "cocktail s prostituta" no valor de mil kwanzas. 

(Poema em construção)

É A SORTE DOS PATRÕES

As coisas não acontecem
a gente não acontece 
partiu e não parece
o adiamento 
longe de movimento
é paragem. 
Gociante Patissa, Benguela 28 Junho 2013

Uma professora muito francisca

"Ó, mamã".
"Diz".
"A minha professora é "francisca" (a menina da 2ª classe compara a prof. com personagem de empregada doméstica fofoqueira de uma telenovela da TPA).
"Porquê?"
"Ela vai-me perguntar que o teu pai tem quantas mulheres? Agora se eu também perguntar que a professora tem quantos homens?..."

Citação

"Aprendi neste ofício que os que mandam não só não se detêm diante do que nós chamamos absurdos, como se servem deles para entorpecer as consciências e aniquilar a razão." - José Saramago, português, in Ensaio Sobre a Lucidez

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Crónica: A lenda da sereia, uma infinita narrativa de amor

Se bem me lembro da versão contada certa vez pelo professor de epistemologia no curso de sociologia em uma universidade cá de Benguela que acabei não concluindo, a sereia (ou menina do mar) nasceu dos pescadores. Até aqui, parece não haver novidade na descoberta, tendo em conta que, pela natureza da sua actividade, só podem estar ligados a tudo o que seja ao mar relacionado. Contudo, a coisa vai muito além do simples pescar. A sereia é uma infinita narrativa de amor entre homem e mulher, vista numa dimensão de transcendência.

Antes de avançar, permitam-me partilhar uma dúvida. Haverá em Umbundu vocábulo para sereia, como seria “kianda” na língua Kimbundu? Justificará a existência da palavra “kianda” o senso-comum segundo o qual a essência do território de Luanda é o mar, ao contrário da também dita “Nação Ovimbundu”, cuja capital era o planalto centro? É consabido que o Umbundu e o Kimbundu são de inevitável diálogo intercultural, ou não tivessem ambas a raiz Bantu.

Retornando à lenda, dizia que o mito da sereia simbolizava a transcendência do amor entre homem e mulher e a noção dialéctica de felicidade no lar. Talvez por lhes ser difícil perceber como pode um pescador, que tem por habilidade primária saber nadar, morrer por afogamento e ainda por cima o corpo não ser encontrado. A explicação que encontravam era recorrente: o homem foi conquistado pela menina do mar, que tem por hábito não devolver maridos alheios.

O retrato dessa figura que é certamente imaginária, apesar do dogma que retira do questionável qualquer relato sobre o conhecimento ou experiência dos mais-velhos, não escapa aos estereótipos de beleza e atracção feminina. Ou seja, é uma mulher acima de perfeita, muito carinhosa, um manancial de relações humanas. Resumindo, é o oposto do que os homens não encontram de bom em suas esposas, ou do mal que julgam haver nestas. 

O que a lenda não diz é se esse casal híbrido pode, ou não, ter filhos, e se, podendo, os rebentos nascem com a barbatana do lado da mãe, ou pernas mesmo, como o pai. A pergunta de retórica seria a seguinte: e se as mulheres procurassem um menino do mar também? Bem, até onde se sabe, a sereia é sempre solteira, além de que não é expectável que mulheres tomem comando de detalhes mais complexos da actividade de pesca, como seria ir jogar a rede ou desembaraçá-la no fundo do mar.

Nesta ordem de ideias, as esposas dos pescadores conviviam com o risco inerente à actividade dos maridos, não tanto pela sinuosidade das marés ou ventos, mas pela promissora felicidade de enamorar uma menina do mar e nunca mais o regresso à terra.

O da foto é o primo meu mergulhador que penso levar a tribunal brevemente por me ter prometido uma sereia há quase um mês, sem se dignar em trazê-la já para a casa. Bem, se você se interessar por uma sereia, é bom lembrar que o texto é apenas uma versão.
Gociante Patissa, Restinga do Lobito, 27 Junho 2013

Temperos para aldrabar

“Boa tarde.”
“Oi, boa tarde. Qual é o vosso prato do dia?”
“É...” – o cliente sonha nos breves segundos do raciocínio do garçon que seja peixe – “Choco grelhado com batata”.
“Batata?”
“Sim. Batata cozida”.
“Só mesmo batata, nada de legumes?”
“Não sei. Acho que deve vir com algo assim, para aldrabar”.

terça-feira, 25 de junho de 2013

"À Minha amada…" (crónica romântica de Fridolim Kamolakamwe com olho atento ao social)

Meu amor!
Não direi teu nome. Importa-me apenas, saber que sabes, que tu és tu; ou seja, o único amor que decidi amar. São 17 horas, um frio miudinho esfrega as paredes das ruas, lá fora aonde os homens se matam à caça de dinheiro. E eu aqui esfregando os dedos sobre os teclados, na ânsia de te dizer as palavras, que gostaria de cuspir ao teu ouvido, e fazê-las deslizar pelas escadas da tua alma, até ao bunker do teu coração, lá onde somos tu e eu como nas nossas horas de amor, no nosso maravilhoso Tombwa. Aaaaahhhhh, como eu gostaria, de tocar tua pele de seda, só mais uma vez, refugiar-me em ti, fugir do eco das manifestações no Brasil, ignorar as greves dos professores em Portugal, na Espanha, na Turquia, cavalgando sobre teu corpo, o templo dos meus mais ledos enganos. Esquecer a profusão de ideologias que despessoalizam os humanos, para dizer-te apenas, que cada segundo que vivi ao teu lado, ensinou-me a aprender aprender. Bem gostava de escrever-te uma carta à moda antiga; mas receei que te não viesse a alcançar. Uma carta que dissesse desta dor que é fingir que te odeio, pra responder com desdém ao desprezo com que me tens de brindar, à convénio de vozes muito além das tuas vontades. Os lençóis brancos que me ofertaste, mantenho-os bem no fundo da minha cama, pena é que não pude fazer com que guardassem para sempre teu cheiro e as marcas autografadas dos nossos corpos, escrevendo o livro da nossa história. Sei que esta carta soará á loucura. Mas os poetas já nasceram loucos, e quando te conheci naquela noite em casa da membra Dicy, por via do incondicional membro Coragem, senti uma alegria infantil…a certeza de que certas vezes, o céu desce até cá em baixo para lembrar aos humanos que qualquer um de nós pode voar, se encontrar as asas certas. Estava pesquisar sobre direito constitucional, ao som de Joe Cocker. Lá fora a temperatura oscila entre os 20 e 19 graus centígrados. Mesmo assim tenho o aparelho de AC ligado, talvez seja para trazer para dentro da casa vazia a temperatura fria das nossas horas Namibenses. Olho para os quadros na parede, ocupando os espaços que teriam teu rosto me sorrindo promessas, abrindo felicidades escondidas por detrás de palavras cor de mel…qual delas a mais nua, qual delas a mais crua…porque eu te amo sem medo…te amo sem vergonha…te amo sem parar de te amar, nesses dias em que as declarações de amor ganharam o rótulo do ridículo,

O ranking de Pedro Nzagi

"Marido que bate na mulher é cocô. Bandido é ainda abaixo do cocô". In Hora Quente, TPA2, Luanda, 25/06/13:

Maquilhagem da Rainha Nzinga Mbandi

Poderá ser só um detalhe irrelevante em produção televisiva, mas achei curioso notar que a rainha Njinga (ou Nzinga Mbandi) já aparava as sobrancelhas sob os padrões da estética feminina ocidental actual. É só reparar o rosto da "nossa" actriz Lesliana Pereira, que representa a nossa guerreira Bantu na série biográfica que em breve sai pelo canal 2 da TPA e já com spots promocionais.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Montagem de autor desconhecido

Citação

"Nesse tempo em que tudo vira militância — o que há de gente mobilizada no teclado é um espanto! —, a simples recomendação para que haja ponderação fica parecendo um insulto". - Reinaldo Azevedo, brasileiro, in "Veja" online

[Coisas da vida real]

Sexta-feira:
(Ambiente de briga no rio)
Ba: Bateste o meu puto, vais ter que apanhar. Começa já a comer luzerna.
So: Me bateu mesmo bwé.
Ra: Vais-me truquiar porquê? Eu já pedi desculpa. Foi erro porque fumei cangonha.
Ia (irmã de So): acabem com esse azar de se ameaçar.

Sábado:
(Quando So ia passar a caminho do rio.)
Ra: S, ó S, épa E, vem ainda.
So: É quê?
Ra: Aquilo passou. Vai ainda comprar “boi”.
So: de Quanto?
Ra: de duzentos.
(No regresso do So instantes depois).
Ra: hoje abonaram.
So: Ya.
Ra: Esse mambo me faz muito bem. Fico calmo quando fumo, não sou daqueles que fazem confusão.
Qual será mesmo o título académico dos catalogadores hospitalares? É que em unidades públicas, o doente sofre mais pela insensibilidade ao ser abordado pelos catalogadores do que o tempo que se tem de esperar pelos subordinados destes, digo os médicos.

José Kafala, ou a lenda da trova em Angola, lança disco a solo ainda este ano

Texto e foto: Angop (23/06)- A primeira obra discográfica do cantor e compositor angolano José kafala chega este ano ao mercado angolano.

Em declarações à imprensa, na apresentação da edição do Top dos Mais Queridos 2013, que se realiza no campo Manuel Berenguel, o artista referiu que a obra, ainda sem título e em fase de conclusão, vai trazer entre sete a oito músicas. O disco, que está a ser gravado em Angola e no exterior do país, conta com a participação de artistas nacionais e estrangeiros.

“O estilo neste meu álbum será o mesmo que já habituei o público, onde para além da guitarra, usarei mais dois instrumentos. As músicas serão cantadas em Português, Kimbundu, Umbumdu e Cokwé ”, explicou.
  
José Kafala venceu, em 1984, o primeiro Festival dos Artistas Amadores das Forças Armadas com o tema “Ngui mbalundo”, já em 1985 conquista o primeiro lugar do Top dos Mais Queridos da Rádio Nacional de Angola, com o tema “Ó Kudizola Kueto”. Participou em espectáculos em países como Portugal, Bulgária, Alemanha, Brasil e Moçambique.

domingo, 23 de junho de 2013

Dos poucos honestos, espécie em vias de extinção

Recorri ao ATM (ou terminal multicaixa) do aeroporto da Catumbela para dar de comer o modem, dependente que andamos dessa coisa chamada Net. Meia hora depois, já a passar a Damba-Maria (ou 27) em direcção a Benguela, dou pela ausência do recibo da recarga. Na verdade, não me lembrava de ter visto mesmo o papel. Acabava de perder quatro mil e quinhentos kwanzas, equivalentes a USD 45. Aconselhado pelos colegas, fiz uma inversão de marcha. Lá postos, abordamos ao longe o David, vinte e poucos anos, de natureza cordata, responsável pelo turno da empresa que tutela o aeroporto. “O meu saldo”, cobrou, um tanto brincalhão, um dos colegas. “De quanto?”, replicou o David. “De quatro e meio”, completamos. “Ah, está aqui”, e lá retirou-o do bolso. “Eu vi, quase falei com os colegas, mas como as pessoas gostam de se aproveitar, decidi calar. Pensei assim: se o dono for alguém daqui, vai voltar, e aí eu entrego”. Nesta blogosfera dominada pela indignação legítima diante da corrupção e má conduta, seria injusto não homenagearmos gestos de honestidade, já que, multiplicados, dar-nos-iam certamente uma sociedade melhor.

Não dorme

Meu telefone toca poucas vezes por dia, e ainda bem. Preferia que nem sequer tocasse para certas notícias. Outras vezes, porém, traz ao ouvido belas formas de pintar o mundo. Ao convite de passar por casa de uma senhora por quem tenho grande estima, preocupei-me em saber qual a altura menos inconveniente ao domingo. "Pode ser a qualquer hora. Mulher de poeta não dorme". Adorei a frase e a imagem que transmite.
“Todo mundo tem o direito de ser contra, a favor ou muito pelo contrário.” [atribuído a Lula da Silva, em discurso em Aracaju]

sábado, 22 de junho de 2013

A-zul

Há quem se apegue aos dias da semana com o fervor cristão, há quem neles se apegue com o vigor proletário. A mim nada me dizem, são iguais afinal as manhãs, como não diferem as tardes de uns e outros. Há dois dias apenas quanto a mim a assinalar: um é se te vejo, outro é se não.
Gociante Patissa 22 Junho 2013
"Algumas palavras podem esconder outras." - William Shakespeare"

sexta-feira, 21 de junho de 2013

É o próprio rio

Despir-me-ia à brisa 
ao nível da sua nudez 
azul interior

Ao aroma deste conforto 
da afonia do provérbio 
tudo é cibernético 
também o pudor

Se a ponte estagna
virtude única 
é o próprio rio 
ou a massemba 
ou o tambor.

Gociante Patissa, in «Guardanapo de Papel», livro de poesia previsto para sair em 2013

Neste espaço aparentemente inócuo, mas de emblemática religiosidade na Cidade Santa, como é conhecida a capital de Israel, um homem foi morto hoje por ter dito “Deus é Grande”, quer dizer, mais por tê-lo feito numa língua... que não devia. Eis o texto da Euronews

«Guarda israelita mata judeu junto ao Muro das Lamentações.
Um homem foi morto a tiro, esta sexta-feira, junto ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, por um guarda israelita. De acordo com a polícia, a vítima era um judeu que terá sido confundido com um militante palestiniano.O homem, de cerca de 40 anos, encontrava-se na casa de banho adjacente ao Muro das Lamentações. O polícia puxou da pistola e disparou vários tiros contra a vítima depois de o ouvir gritar “Allahu Akbar”, ou “Deus é Grande” em árabe. O incidente acontece numa das áreas mais sensíveis de Jerusalém. O Muro das Lamentações é o local mais sagrado do Judaísmo. Por semana, milhares de judeus deslocam-se a Jerusalém para rezar.»

Sem vida no pé

… e as sentenças correram seu caminho 

ao asfalto cedeu 
esse campo não é o seu 
sem vida no pé 
conserva olhos de lição 
milho, chuva e café 

Todos os dias, todo o dia
passos escassos
quase nulos
clemente
vai com as formigas dançar
pelos caminhos da obra
eis o brotar de fecundas veredas
que importa se sem vida no pé?

Gociante Patissa, in «Guardanapo de Papel», livro de poesia previsto para sair em 2013

Sem moto própria, é melhor não sair por aí procurando emprego.

O anúncio de hoje no JA que não me deixe mentir.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Lobito presente na conquista de cinco medalhas pela selecção de boxe

Não tendo a mínima simpatia por desportos "pontiagudos" como o boxe, tive ainda assim uma pontinha de orgulho ao saber que a selecção de boxe que conseguiu cinco medalhas é treinada por Eugénio Gourgel. Trata-se de alguém que conheci pelos gritos "esquerda, direita, gancho, swing", no ring do Electro do Lobito, entre 1996-97, espaço que frequentei nos contactos para entrevistar meninas do andebol numa nada memorável aventura de aprendiz de repórter desportivo para um programa infanto-juvenil da TPA-Benguela.

Na primeira manhã do guarda-costas das FAPLA no litoral

"Bom dia, fulano."
"Bom dia, chefe!" (responde milésimos depois de se pôr em pé e bater a pala).
"Então, dormiste bem?"
"Bem... não, chefe". (hesita e boceja) "Aqui tem muito mosquido, faz confusão".
"Ora, faz tiro".

"Do alarme do mundo e das celebrações da escrita na poética de João Maimona" (por Terezinha de Jesus Aguiar Neves)

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras (Letras Vernáculas), Faculdade de Letras, da Universidade Federal do Rio de Janeiro
http://www.letras.ufrj.br/posverna/doutorado/NevesTJA.pdf

Então, UNITEL é uma marca de outros lugares já?

Esse artigo do wikipedia refere-se a uma rede de televisão da Bolívia
http://es.wikipedia.org/wiki/Unitel
Alguém me pode mandar pão por e-mail para, como dizia uma amiga enfermeira, deglutir com o leite? Tá uma tal preguiça sair andando para a padaria, caramba!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Outras vozes sobre o tabu da estratificação social baseada na cor da pele

"Uma discussão mais interessante tem a ver com o haver tantos escritores angolanos de pele mais clara. Isso a meu meu ver tem duas explicações - o facto de serem quase todos de famílias previlegiadas com acesso a livros e de língua materna portuguesa, e um motivo mais interessante - a necessidade de afirmação identitária de minorias. O que explica haver, por ex., tantos escritores judeus nos EUA. Essa é de qq forma uma discussão em aberto, e que deveria ser feita..." José Eduardo Agualusa, 19 Junho 2013 (comentário deixado no mural de Reginaldo Silva, sob o enunciado "Por que será que no "1 minuto de saber" da TPA todos os professores que ensinam a falar bem português são de raça branca? Disse todos, mas até pode ser que esteja enganado...")

Diálogo ao noticiário com meu sobrinho Ataíde de 3 anos

"Tio, aquilo é aonde?"
"É no Brasil".
"Não é!"
"É, sim."
"Não é! No Brasil é lá onde tem bwé de pessoas, que não dá tiro. No Brasil apresenta música".

"Mas isso é também no Brasil".
"Os polícias podiam só já pôr os bandidos na cadeia, mas estão a lutar".

terça-feira, 18 de junho de 2013

Jovens poemas de Benguela

Retorno

uma vez
Os meus versos deitados ao relento
Um pranto de sonetos
Reduzidos a um olhar tácito eternizado

Compor-te-ia uma missiva
Em busca de um retorno
Retorquido pela petulância dos meus desejos

Uma emboscada de sonhos
Mil cartas ao tamanho de Guatemala
Um adeus não recebido
Nem um bem-vindo retornado

Mesmo assim, um raio de olhares
Que fictícia o teu rosto de jasmim. 

Fernando Sapalo Katchingona, Benguela

Opinião: A incongruência que espero ver resolvida na Associação dos Estudantes do ISCED/Benguela


Não sei se já são conhecidos os resultados das eleições dos novos corpos sociais na Associação dos Estudantes do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), da Universidade Katyavala Bwila, um processo com cobertura mediática superior às edições anteriores, o que se deve ao facto de concorrer para o cargo de presidente o jornalista da Angop José Honório, o meu amigo Pensólogo Kazevy, pela lista C.

Sei que o processo eleitoral não ficou isento de polémicas, incluindo a ameaça de desistência, por, segundo denúncia da lista C, a comissão eleitoral ter inscrito a lista E quando pouco menos de dois dias faltavam para o pleito.

Evitei pronunciar-me precisamente para não influenciar o que quer que seja. Enquanto ex-estudante do ISCED, primeiro no curso regular, e depois no pós-laboral, entendo que aquela Associação está muito longe de entender a razão de ser do associativismo ou do cooperativismo. Para lá de permitir a auto-promoção dos seus dirigentes e organizar o baptismo de caloiros, pouco se lhe pode apontar de vitórias, ou, quiçá, cumprimento de metade das promessas eleitorais.

Quantas assembleias-gerais aconteceram entre 2006 e 2013? Que mecanismo de concertação existe entre aqueles "dignos" representantes e os representados? Tem sido por acaso tida e achada a Associação quando o ISCED decide subir o valor da propina? Que posição tem quanto à realidade de professores que vendem notas?

Se por acaso eu não fosse estruturalmente céptico às boas intenções dos candidatos, em qualquer contexto que seja, ainda alimentaria esperanças. A mais profunda das esperanças seria ver uma Associação que estimula afiliação em consciência e não de forma compulsiva como ocorre. Quer dizer, é uma espécie de contrato de adesão. Para quem não domina o assunto, logo que se aprova no exame de admissão, o estudante caloiro é confrontado com ficha de inscrição e automática cobrança de quotas para o ano todo, bem como se deduz que parte das mais de seis fotografias do tipo passe será para a Associação. Alguém se lembra de ter recebido um cartão de identificação? 

Como não se é membro por vontade própria, nunca me senti representado, e receberia com agrado, se tiver de ser, os trocos que me vi forçado a pagar como quota.

Resumindo, a incongruência que espero ver resolvida na Associação dos Estudantes do ISCED tem que ver com o facto de a afiliação não ser voluntária.

Gociante Patissa, Lobito 18 de Junho 2013

5 KG PARA CONSUMO

"Um kudurista e seus acompanhantes foram detidos por consumirem cangonha (marijuana) no comboio".
"No comboio?"
"Sim. Iriam dar show a uma província, e no meio da viagem decidiram fumar. Dizem que levavam 5 kg para consumo..."
"5 kg TUDO para consumo??? Só se o resto se seringam!" (entenda-se, como as mães introduzem o remédio de makulu/oxiurus. Mais não digo)
Surgem-me com frequência tristes lembranças recentes, e não sou tão forte assim. Há aí alguém que seja craque em informática para particionar a minha mente?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Brevemente a sair com dois textos de Gociante Patissa... «A arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua» - antologia poética organizada pelo moçambicano Amosse Mucavele

Os Poetas:

Micheliny Verunschk , Eduardo White, Alberto Estima de Oliveira, Ana Mafalda Leite, Bárbara Lia, José Luís Hopffer C. Almada, José Inácio Vieira de Melo, Léo Sidónio de Jesus Cote, Danny Spínola, Donizete Galvão , Luís Carlos Patraquim, Abreu Paxe, Luís Ferreira, Il Bonde, Luís Serguilha, José Luís Mendonça, Paula Virgínia Andrade Vasconcelos Lopes, Mia Couto, Alberto Riogrande, Rita Dahl, António de Névada, Camila Vardarac, Marília Miranda Lopes, Maria Ângela Carrascalão, Frederico Ningi, Jorge Melícias, DINA SALÚSTIO, Gociante Patissa, Cláudio Daniel, Emmy Xyx, Filinto Elísio Correia e Silva, José Carlos Moutinho, Jorge Arrimar, Yao Jingming, Maria Teresa Horta, Mario Lúcio Sousa, Miguel Almeida,Nina Rizzi, João Melo, Lau Siqueira, Frederico Matos Alves Cabral, Guita Jr, Cláudio Portella, Vera Duarte, Victor Sosa, Sangare Okapi, Zetho Cunha Gonçalves, Luis Avelima, Rolando Chagas Alves, Izidine Jaime, Alberte Momán Noval, Marcelo Ariel, Conceição Lima, David Capelenguela, Dinis Muhai, Lurdes Breda, Margarida Filipa de Andrade António Fontes, João Rasteiro, Eduardo Quive, Fernando Aguiar, Décio Bettencourt Mateus, Maria João Cantinho, Wilmar Silva, Jõao Tala, Mbate Pedro, Aurelino Costa, Luís Kandjimbo, Ademir Assunção, Miguel Ángel Alonso Diz, Victor Burity da Silva, Amosse Mucavele, Maria Helena Caldeira Marques de Morais Sato, J.A.S.LOPITO FEIJÓO, Carlos Marreiros, Affonso Romano de Sant'Anna, Adelino Timóteo, Ary dos Santos Vera Jardim, João Maimona.

Chegou por e-mail de Moçambique

Sonho de mãe negra

Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Que o milho já a terra secou
Que o amendoim ontem acabou.
Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho irá à escola
À escola onde estudam os homens 

Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Os seus irmãos construindo vilas e cidades
Cimentando-as com o seu sangue
Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho correria na estrada
Na estrada onde passam os homens 

Mãe negra
Embala o seu filho
E escutando
A voz que vem do longe
Trazida pelos ventos 
Ela sonha mundos maravilhosos
Mundos maravilhosos
Onde o seu filho poderá viver.

Marcelino dos Santos, Moçambique

domingo, 16 de junho de 2013

Gente que defende lados ao invés de causas

autor desconhecido
Na década de 1990, o ministro da saúde, Flávio Fernandes (que já não faz parte do mundo dos vivos), não querendo ser abordado pela reportagem da Televisão Pública de Angola, fechou violentamente a porta, o que ficou filmado. O gesto, denunciado em poucos segundos do noticiário, levaria à exoneração do dirigente (não excluindo de todo a hipótese de ter havido outras razões de bastidores). Lembrei-me disso quando vi há pouco gesto idêntico, também à reportagem da TPA, da parte do assessor de imprensa da Federação Angolana de Futebol, Sílvio Kapuepue, quando seus colegas de profissão captavam os ânimos exaltados nos balneários da selecção angolana de futebol em mais uma das habituais desqualificações, desta feita em Kampala, onde saiu derrotada pelo Uganda por 1-2 e viu gorado o sonho de ir ao mundial de 2014 no Brasil. Até termos acesso à versão de Kapuepue quanto ao gesto no vídeo, fica o infeliz papel de carrasco de seus colegas, quando toda a união é pouca para dignificar a classe. É caso para dizer que muitos defendem lados, quando julgávamos que defendiam causas.

A empresa que as cidades deviam ter

Acho que pequei nesse dia

Refastelado na cama do meu luxuoso hotel, continuei a desejar sapatilha de beleza e qualidade igual à daquele mendigo sem-tecto exposto dia e noite ao inverno de Washignton DC (Jan 2010). E se "cobiçar" algo alheio é pecado, né?...

Rastos

entre as key-words pesquisadas no meu blogue http://angodebates.blogspot.com/ nas últimas 24 horas encontrei esta: "lobito livro de gaciente patiça com titulo consulado do vazio"

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Na ordem do dia


"Embora nos procurem demonstrar que não é bem assim, para o bem e para o mal, tal como na sustentação da guerra civil, Portugal continua a ser a placa giratória com forte influência na luta política e no desenvolvimento económico e social de Angola. Visto de outra forma, quem nos colonizou é quem continua a comandar os nossos destinos". (Ramiro Aleixo, jornalista, in jornal Agora, pág. 4, 8 Junho 2013)"
Tenho saudades do meu velhito rabo-de-pato. Em três anos, nunca ninguém riscou a pintura. O que acontecia, quando muito, era encontrar gente encostada nele. Esse outro, em sete meses já foi vandalizado três vezes, sendo a última mesmo há pouco. Curiosamente, nunca é longe de casa e, curiosamente, nunca ninguém diz que viu o autor dos "traços". Moral da história: carro novo é mau vizinho.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Divagações: “BLACK BY NATURE, PROUD BY CHOICE.”


Quando ainda na primeira semana em Washington DC, isso em Janeiro de 2010 no âmbito do programa de Líderes Visitantes Internacionais do sector da sociedade civil a convite do Departamento de Estado, certo dia decidimos partilhar nossas experiências quanto à integração e aceitação do "outro" na sociedade americana, tanto a colega do Kenya, o colega do Zimbabwe como eu, o angolano, convergimos com acrescido pesar: tínhamos sido maltratados/discriminados (sobretudo no sector comercial) mais por afro-americanos, o eufemismo para negros ou pretos nascidos nos EUA, do que por brancos, latinos ou amarelos. Doeria menos se não fossemos coisificados por nossos "semelhantes"? Bem, na verdade, cada um de nós viajou mais ou menos preparado no briefing de partida com o embaixador americano do seu país, no meu caso o Sr. Dan Mozena, para a dureza do inverno e, claro está, a existência de "pessoas conservadoras, que nem sempre lidam bem com a diferença". Diante do impacto, só podia fazer mais sentido ainda o Slogan adoptado por Nelson Mandela no livro autobiográfico «LONG WALK TO FREEDOM», que adapta precisamente o dito do Movimento Negro Norte-americano para o confrontar com a sua contradição. Em Miami (Florida), fizemos troça da nossa própria sorte no restaurante latino em que encerramos o programa porquanto, à nossa mesa, uma menina muito linda por sinal deixava ficar a garrafa inteira de vinho, quando em outras mesas, com europeus, alguns asiáticos e um africano do Egipto, ela foi enchendo os copos de maneira gradual. É uma vergonha que os negros do outro lado do atlântico vejam no negro deixado em África uma reminiscência do seu passado de escravo, como se andássemos com séculos de atraso. Para uns poucos, África resumia-se na África do Sul, incontornável que é o legado de Madiba. De facto, “BLACK BY NATURE, PROUD BY CHOICE”, ou seja, somos de pele escura por natureza, já o orgulho que nos separa é opcional.
Gociante Patissa

Meu sobrinho de ano e meio

Meu sobrinho de ano e meio para o enfermeiro que se prepara para medir tensão arterial:
"Ó avô, avô, vai matar a mamã?"
O mestre, do alto do seu andaime: "Esse tempo, quem ama pede dinheiro; eu, por exemplo, peço mesmo dinheiro na minha mulher. Peço sempre".
"Ukembu wa petu, môxi makoz’é!" (vaidade da almofada, e por dentro é de trapos!) – expressão Kimbundu, lembrada por José Luandino Vieira. In Macandumba, estórias. 2005. Editorial Nzila, Luanda, Angola.

Colho então outro sol, mesmas garras molhadas de sonho

sábado, 8 de junho de 2013

A kinda e a misanga: escritas acamaradadas (excerto)

"As construções poéticas de João Maimona, a partir de "As abelhas do dia", encontram-se vinculadas a uma estética mais próxima do surrealismo. Maimona aparece, ainda, juntamente com Paula Tavares, Maria Dáskalos, Fernando Kafukeno, João Melo, Frederico Ningi, Luís Kandjimbo, Lopito Feijóo, Flas Ndombe, Abreu Paxe, Amélia Dalomba, Elis Cruz, João Tala. São grandes nomes da poesia angolana, objetos da avaliação sobre os novos rumos dessa poética que tende a temáticas”.

Rosangela Manhas Mantolvani. «Resenhas — A kinda e a misanga - Encontros brasileiros com a literatura angolana». in Revista Crioula – nº 4 – novembro de 2008 

A frase do dia é do meu conterrâneo Paulo Tomás...

que comentava o jogo Angola-Senegal através da Rádio 5: "Nós somos aquilo que dizemos antes, durante e depois".

Crónica: QUE AO MENOS SORRISSES, MEU AMOR!

Podendo soar paradoxal, lá está, presos que andamos a objectivismos e metodismos, ao contrário da essência aparente das coisas, são os detalhes que fazem a vida.

Imaginemos que, dando provimento à já crónica indolência ao fogão, me desloco ao Café da Cidade atrás de um copo de leite com bolinho. O que não seria de todo justo, porque redutor, era colocar os mantimentos no centro, ignorando todo um processo à volta durante a meia hora que se permanece na esplanada. Então, e a conversa em tom alto da mesa ao lado - geralmente sobre desporto e política -, os veículos que, como os transeuntes, volta e meia transgridem as regras de trânsito, a empatia das meninas que me atendem, o amarelo da banana sobre a cabeça da zungueira, o nariz que não devo torcer pelo cigarro alheio, uma vez estar na zona de fumadores, tudo isso é secundário? E sem dar por isso, até já conhecemos o rosto do guarda, o pregão do mendigo.  

Hoje, a conversa avulsa girava em torno da entrevista televisiva do Chefe de Estado à SIC Internacional, com os imagináveis prós e contras, nem sempre bem fundamentados, entrevista que aliás não vi, não tendo a parabólica instalada em casa, muito menos electricidade. Retive a exclamação de um cidadão português, na casa dos 50 anos: “O homem é muito inteligente, pá! Sereno, descontraído, e domina o idioma perfeitamente!” Ora, numa entrevista marcada pelas agendas social e política, aquela reacção é, quiçá, inesperada. Mas não será o marketing uma colecção de detalhes?!

Já bem no final do manjar, minha atenção foi desviada do papo para registar algo melhor. Quatro jovens, classe média alta, digamos assim, um deles com linda bebé ao colo e outro com o braço engessado, vinham em nossa direcção. O que faziam? Estando um deles recuperado do tratamento ortopédico por lesões que se imaginam de acidente de motorizada, fizeram tenção de doar discretamente a sua cadeira de rodas a um rapaz, paralítico de membros inferiores, que passa o dia a pedir trocos à porta da loja.

Os limpadores de viaturas, as meninas da loja, o segurança, clientes e curiosos juntaram-se para o pequeno, mas histórico acontecimento. Meu Amor, como é tratado pelas meninas o beneficiário, não se mostrou entusiasmado. “Não queres?”, indagou um dos doadores. “Há milhares de pessoas que gostariam de ganhar isso”, repreendeu uma menina da loja. “Pede obrigado”, disse o guarda. “Que ao mesmo sorrisses, Meu Amor!”, insistiu outra. Entretanto, só depois de os benfeitores se retirarem (sem dizerem como se chamavam) é que Meu Amor disse a trejeito: “Isso cansa!” Mas logo veio a réplica da assistência: “Cansa mais andar de se arrastar no chão, ou no carrinho?!"

A reacção de Meu Amor lembrou-me o calor dos debates num seminário em 2005 sobre a abordagem baseada no direito contra a baseada na necessidade. Defendia-se que a primeira é concebida levando em consideração a opinião e vontade do beneficiário, ao passo que, na segunda, o doador presume com base na sua própria crença do necessário. Partilharam-se, na ocasião, exemplos de instituições que construíram latrinas para comunidades de deslocados, desconhecendo que, em alguns povos Bantu, os anciãos mantêm tabu sobre suas necessidades, defecando o mais distante possível de casa.

À oferta desinteressada de hoje, sim, “que ao mesmo sorrisses, Meu Amor!”

Gociante Patissa, Benguela-Lobito, 8 Junho 2013

Jantar com o melhor da música ao vivo na cidade de Benguela

À sexta-feira, um dos restaurantes da rua do Cine Monumental oferece o melhor da música ao vivo, violão e voz.
 Lázaro da Banda Fusão, conhecido pela versatilidade, é o músico residente do restaurante. Não faria pouco sentido se em pequeno lhe fosse dada uma viola no lugar do berço, tal é a intimidade que tem com o instrumento, além de uma voz que vale mesmo a pena acompanhar. Talvez não tenha sido ainda inventada a música que ele não conseguiria executar. 
 Serious (Yuri Mulaja), acompanhado por Lázaro, ofereceu momentos memoráveis entre temas originais e música do mundo.
Conseguiria o Serious deixar o palco sem pôr a dita-cuja ao colo? 
Beto Shop, que junta à voz as habilidades com a viola e imitação de instrumento de sopro usando simplesmente o seu natural aparelho fonador, passeou pelos clássicos angolanos, interpretou alguns nomes sonantes de Portugal e Brazil.
Miriam, que vai sendo treinada por Lázaro, interpretou "wanga" da angolana Ângela Ferrão e alguns temas da brasileira Paula Fernandes.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Entre as sintonias de cá

Alguém mostra à água o caminho da minha casa? É basicamente o mesmo caminho a ser seguido pelas facturas/cobranças em breve, como bem sabemos.

ocos discursos

Vi agora no noticiário da TPA (Bom Dia Angola) matéria que dá conta de uma recente posição do governo britânico no sentido de se desculpar das atrocidades da era colonial no Kenya, uma acção que inclui indemnização às vítimas e construção de memorial. Enquanto isso, algumas ex-potências colonizadoras, por sinal do mesmo continente que a Inglaterra e com as mesmas atrocidades praticadas sobre África, não passam de ocos discursos de "países irmãos", ou "com história comum, boa ou má".

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Foi bom voltar a ouvir a voz rouca e intensa de Seth Soares

Foi bom voltar a ouvir a voz rouca e intensa de Seth Soares, através da Rádio Lobito, naquela música (jazz?) em que o italiano e o umbundu cruzam na letra. Faz parte do disco "Avó Serafina" (se não me engano), cujo exemplar autografado ganhei do autor um ano antes do seu falecimento.

A propósito dos 20 anos...

"Acho que o Nós e a Noite já passou tudo o que devia passar. O que falta, se calhar, é passar aqueles programas antigos para ver aquilo que a gente já esqueceu". - De uma telespectadora no Lubango a propósito dos 20 anos daquele magazine da TPA/Huila

Recordando humor em Conversas no Quintal

Tema: campanha eleitoral para gerir a casa por uma semana)
Lembinha (a empregada iletrada, usando termos que não conhece): Comigo na gestação deste quintal, a vida vai melhorar, porque uma mulher no comando é a certeza de que em águas calmas o navio vai naufragar!

Moisés Adão (o patrão, no tudo ou nada): Tirando a palavra “gestação”, esse discurso é meu!
(foto de autor desconhecido)
"É esperar a galinha no cu do ovo"

quarta-feira, 5 de junho de 2013

É hora de agradecer quem visita aqui o nosso blogue Angodebates

O blogue angodebates registou 24.944 visitantes entre 10 Mai 2012 - 5 Jun 2013, sendo que nos últimos sete dias 2.052 páginas foram consultadas. Ainda não sei dizer ao certo o que atrai, mas é de longe evidente que tem valido a pena mantê-lo, bastando recordar que, quando em 2006 surgiu, havia uma vasta oferta de blogues sobre Angola. Obrigado a si que o visita e reitero o convite http://angodebates.blogspot.com/

A melhor música que ouvi hoje foi "Fé" do grupo "Os originais"

Depois de ouvir Bangão, Bonga, Robertinho, Paulo Flores, Gaby Moy e Pedrito ao volante entre Lobito e Benguela, ainda tenho a sorte de conhecer o trabalho do grupo "Os Originais". No tema "Fé", o convite gospel para a perseverança é feito numa base de kizomba, com breves momentos de contratempo vocal típico dos estilos mais recentes (da dita música urbana), culminando numa harmonia irrepreensível. Obrigado, rapazes, e meus votos de êxitos ao grupo que vai vender e autografar o seu álbum neste fim de semana em Luanda, com realce para o Parque da Independência.

Dia 8 de Junho no Parque da Independência

Leituras

Comprei ontem a um dos rapazes do aeroporto dois livros a 500 kz cada, nomeadamente "António Jacinto e os Guerrilheiros" (testemunho, 128 pág.), de Kudijimbe com prefácio de Dario de Melo, e "Laço de Aço Lasso" (poesia, 158 pág.), de Trajano Nankhova Trajano e prefácio de Nok Nogueira. A impressão por enquanto, lidos os primeiros poemas e feita leitura transversal a impressão, é que se trata de uma poesia que exige releitura...

Quer dizer... também

montagem de autor desconhecido

terça-feira, 4 de junho de 2013

Opinião: “Quem faz rádio deve falar como branco”

Por Salesiano Éden Pereira (jornalista e docente)

Sinto-me constrangido, quando oiço pronunciamentos de alguns elementos da classe jornalística que ainda defendem a ideia segundo a qual “ quem faz rádio deve falar como branco”. Se calhar não tanto culpados, porque são frutos de uma época em que tal conceito era, na verdade, um cânone.

Mas o conceito supra-referenciado põe em causa um dos princípios da linguística que defende a variação da língua nos seus diversos domínios onde a fonética não é excepção. Ora, entenda-se como variação fonética a forma de fonação de palavras que caracteriza uma determinada região, isto no sentido lato, ou mesmo a maneira peculiar que cada indivíduo realiza os sons da língua. (Cfr :MATEUS M. Helena Mira et all O Essencial Sobre Linguística).

Por exemplo, na palavra «rádio» o primeiro som [r] é, normalmente, realizado de forma mais uvular no português europeu, ou seja, em linguagem terra a terra, é mais produzido na garganta, repito, para os europeus, salvo algumas excepções. Mas a esmagadora maioria do português não europeu, com realce ao africano, realiza-o de forma mais vibrante, isto é, a língua vibra e toca nos alvéolos. Podíamos apresentar aqui um número sem fim de exemplos na vertente da variação fonética, mas parece-nos o suficiente para dar uma ideia.

Isto mostra-nos que apesar de pertencermos à mesma comunidade linguística, não falamos a língua de forma igual. Por isso, não vejo as razões de prevalência daquele conceito de fala em rádio que mais se revela como discriminador e com pendor ainda de alienação. Devemos compreender que o angolano tem uma forma própria de falar que é tão válida em termos comunicativos quanto a forma do português, do brasileiro e outros. É altura dos meios de comunicação social, que por sinal são também elementos de normalização da língua, compreenderem isto e ajudarem na consolidação de um português mais angolano. Não estou a defender que se fale disparates, que se atropele princípios gramaticais, que se cometa erros de pronúncias. Mas as particularidades de realização fonética decorrentes das tais variações a que me referi, deviam ser respeitadas.

Portanto, é altura de começarmos a olhar para alguns conceitos de forma mais ponderada para que não venhamos a cometer excessos. Não podemos exigir que um angolano fale como um lisboeta. É certo que a língua tem um padrão, mas no domínio fonético o padrão parece não ter padrão pelo facto de se tratar da oralidade e é essa oralidade mais rapidamente susceptível a variação principalmente quando a questão é a realização pessoal da língua a que os linguistas chama de “Fala”.

No dia em que a PIR completa 21 anos, retomo do arquivo "OS CAMINHOS DO MEU TIO"- (crónica publicada pela "Revista Tranquilidade" do Comando Geral da Polícia Nacional, pág. 81, Out-Dez 2012)

http://issuu.com/jorgelemos/docs/tranquilidade_xiii_site?mode=window&pageNumber=1
OS CAMINHOS DO MEU TIO

Diz-se que a terra é de quem produz, ou constrói. Diz-se que ao cabo de dois anos sem acção, legitima-se a ganhar outro ocupante. Se li a lei? a resposta é não. Já sei que, na febre dos terrenos, não se tem em presença a lei como tal. Por exemplo, alguém estava a assenhorar-se aos poucos de alguns metros de meu tio num subúrbio de Benguela. O mote é o de sempre, presumo: onde anda o (alegado) dono, que nada fez?

Num conto que escrevi há anos, dizia que de um político, como de um missionário, a família só tinha controlo sobre a data e lugar de nascimento; o resto de suas vidas eram os caminhos a decidir. Hoje, acrescento mais um nesta lista, o meu tio que é polícia.

Chamo «tio» só já porque estou a pensar em português. No sentir e falar como a tradição manda, o título é pai mesmo, como qualquer outro irmão ou primo do nosso progenitor. Esse tio responde no serviço pelo nome de registo, que não é para aqui chamado. Na família, é pai Njamba (elefante, em Umbundu, nome dado ao primeiro que nasce entre gémeos). Na minha cabeça, honestamente falando, devia chamar-se distância. É na verdade aquilo que mais imediatamente se associa à sua existência.

Pouco depois de 1992, o tio estava a adaptar-se ao peso dos passadores e, sobretudo, ao regresso à casa, vindo do curso em Espanha. Quer dizer, ele até que começava bem, encaixava a vida social nos eixos, para logo ser transferido. Luanda com ele!

Casa própria, que não chegou a ter cá, tinha-a em Luanda. Fui lá almoçar em 2003. Para mim que estive hospedado junto ao Largo da Independência, Porto Pesqueiro parecia distante, mas o bairro lá tinha suas vantagens. Nunca se está longe quando se é vizinho do intenso mercado Roque Santeiro! O tio chegaria a investir numa pequena farmácia. E lá a vivência: durante a semana, o trabalho e a escola; no fim-de-semana, a igreja. Carrito pessoal para circular, até chegar com a promoção a transferência. Huila com ele!

Maio de 2009. Estava eu de volta ao Lubango. Ia lançar o meu poemário de estreia, “Consulado do Vazio”. A própria viagem conheceu solavancos, mas teve de acontecer, ou não tivesse já consumido quinze dos trinta dias de férias. Hospedei-me em casa do segundo comandante da Polícia de Intervenção Rápida. Sim, o tio tinha já plantado casa própria, num bairro próximo do bom respirar, entretanto longe das decisões.

E acabei alterando a rotina: às manhãs, um agente motorista levava o chefe ao serviço, ao som de hinos cristãos. A seguir, calculando já ter ocorrido o mata-bicho, vinha-me pegar para o centro da cidade. No leitor do carro, ainda os louvores. Depois, jantar, telejornal e desporto. Não raras vezes, o tio adormecia no cadeirão da sala. Lia-se-lhe no rosto o cansaço dos homens da ordem, por ainda andarem à solta “Mil Homens”, um grupo de criminosos que operavam entre o Cristo Rei e a Nossa Senhora do Monte.

Prometi voltar com outro livro, mas faltou tempo para o fazer em 2010. E a projectar o ano que vem, soube que o tio foi posto, de novo, a caminho. Kuando Kubango com ele!

Os caminhos do meu tio? São os que a pátria quiser, a missão. Mas tem que manter aquele terreno de Benguela intacto, nem que seja pelo simbolismo de suas secundinas.

Gociante Patissa, Benguela Setembro 2012