“Eu já disse à moça do meu anexo para se valorizar. Arranja um homem; ser amante de homem casado, ainda por cima de taxista, é tortura. O gajo deixa os passageiros no Hiace, finge que vai beber num instante água, e faz tudo a correr. Quer dizer, a gaja nem sabe o que é fazer amor, é esperar já pronta, senão não dá tempo, o cobrador começa logo a buzinar.”A paz é que o povo chama/ a paz é que o povo chama/ Se há que expor ideias / que vão a nosso contento / é discutir com maneiras / o que vai no pensamento / Angola é mulher é flor/ é mãe que a todos ama/ acabem com esta dor / a paz é que o povo chama.
(Vários músicos, in Projecto "A Paz é que o Povo Chama")
Segunda-feira, Maio 20, 2013
Amor e labor
“Eu já disse à moça do meu anexo para se valorizar. Arranja um homem; ser amante de homem casado, ainda por cima de taxista, é tortura. O gajo deixa os passageiros no Hiace, finge que vai beber num instante água, e faz tudo a correr. Quer dizer, a gaja nem sabe o que é fazer amor, é esperar já pronta, senão não dá tempo, o cobrador começa logo a buzinar.”Domingo, Maio 19, 2013
Recomendações
"Temos de parar de confundir literatura com circo". Ondjaki, in jornal «Nova Gazeta», 16 Maio 2013, pág. 39. Luanda, Angola
Sexta-feira, Maio 17, 2013
Quinta-feira, Maio 16, 2013
Crónica: CAFÉ DE SUOR E MORTE (fragmentos)
Naquele ano os cafezais do norte tinham florido fora do comum. Os fazendeiros
esfregavam as mãos de contentes, antevendo colheita abundante, com terreiros
cheios de café cereja a secar, para meter a descasque.
(…)

Só o capataz preto, industriado para sacrificar seus irmãos de cor em benefício do capitalista, se manteve insensível à desgraça em que tinha quota parte. Boçal com alma de escravo, não passava de pau-mandado naquela triste época em que os paus-mandados tanto podiam ser pretos analfabetos como brancos componentes da rede administrativa a impor trabalho sem horário com salário de fome
Raul David, 1989, pág. 55. In «Crónicas de Ontem – para ouvir
e contar». União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.
um adjectivo sem alma
Sei que os escritores sofrem de narcisismo genético, que pode descambar por vezes a uma auto-noção de Messias. Portanto, o elogio e referências positivas funcionam como massagem aos ouvidos. No meu caso porém, ser apresentado como "um escritor talentoso" por alguém que não lê/acompanha o que venho escrevendo (nem nos livros, nem no mundo digital), é um adjectivo sem alma, e como tal escusado.
Quarta-feira, Maio 15, 2013
Toda a doação merece ser enaltecida pela óptica de solidariedade, mesmo quando as almas solidárias incluem antena parabólica no pacote da doação. É que, como não só do pão vive o homem, sempre se pode alimentar o espírito com novelas até o prazo do cartão acabar. Daí talvez merecerem destaque no Telejornal.
"Tem havido um excessivo abuso da liberdade de imprensa" (Amílcar Xavier, in Telejornal da TPA, 15.05.13)
Quer dizer, se não fosse excessivo, bem que o abuso seria pouco.
Terça-feira, Maio 14, 2013
Sobre a origem do nome da cidade de Benguela
A propósito dos 396 anos que a cidade de Benguela completa no próximo dia 17 de Maio, o Jornal Cultura de 13 a 26 de Maio de 2013 traz um interessante ensaio do historiador, escritor e editor Armindo Jaime Gomes (ArJaGo), do qual partilho o trecho que tem que ver com a origem do nome:
“Do étimo mbenga, Benguela é corruptela do verbo “okuvenga” da língua umbundu; okuvengela (sujar) / okumbengela ovava (sujar-me a água), relativamente às águas estagnadas e em língua portuguesa é entendido como turvar, turvar-se, perturbar, alterar, transtornar, escurecer, embaciar, nublar, enuvear (Pe. Alves, A., 1951). Evoluído de “mbengela”, a toponímia passou asignificar perda de transparência, de limpidez, de clareza, perturbação, fazer perder a razão, cobrir o céu de nuvens, situação confusa, indefinição (op. cit.). Apesar de fazer parte da onomástica planáltica, a exemplo de Katombela, Mbaka, Kakonda, Civangulula, etc., a versão popular admite que o topónimo tenha resultado da distorção linguística nos primeiros contactos entre os portugueses e ambwi. Em vez do nome da região que se pretendia saber, os intrusos receberam a justificação da turvês das águas lacustres e fluviais.”
Segunda-feira, Maio 13, 2013
Um pouco de sociologia com adolescentes lavadores de carro
“Já
sabes? A minha vizinha virou maluca”.
“Ouvi
que tem mais uma de Benguela”.
“Isso
até ‘tá a dar medo”.
“Conheço uma miúda, não é bonita nem nada, tem
um [Hyundai] i10. É samba”.
“Estão
a pisar grandes máquinas”.
“Tipo
nada, os kotas estão a largar”.
Enquadramento:
A
ideia principal resume-se aqui: “Conheço uma miúda, não é bonita nem nada,
tem um i10. É samba”. Há uma crença entre os Ovimbundu na existência de
força sobrenatural para atrair homens, num estilo de vida intensamente promíscua
com fins materialistas. Esse poder chama-se “samba”.
Sendo
a existência do feitiço indiscutível, vale acrescentar que a sua essência é o
status: acumular bens, chegar ao poder, manter-se no trono, proteger-se. Em algumas
comunidades, a tendência é masculinizar o feitiço (“umbanda”), sendo “oganga” o
homem (que pode chegar a matar, por status ou por inveja) e “ocilyangu” a
mulher (que supostamente anda fora de hora a dançar nua à porta de quem quer na
desgraça). Quem recebe "samba" recebe “umbanda”, embora seja uma categoria mais
leve.
Voltando
ao diálogo, na percepção de beleza enquanto moeda, só as mulheres que completam
os estereótipos (a tal beleza aparente) merecem ostentar bens, já que, “tipo nada,
os kotas estão a largar”. Logo, para uma miúda que “não é bonita nem nada” ter
um carro, só pode ser porque recorreu ao feitiço para iludir clientes com um
charme que não possui. E, algo cíclico, começam a espalhar-se informações sobre
raparigas que alegadamente enlouqueceram porque o feitiço expirou, ou porque
não teriam cumprido os preceitos do kimbanda.
Impressão final:
Ao
mesmo tempo que me revi parcialmente no diálogo, por este representar repúdio à
ascendente degeneração das relações humanas, onde adultos endinheirados
corrompem raparigas com idade para suas filhas (ou mesmo netas), não deixei de
sentir uma ponta de tristeza; aqueles lavadores de carros demonstraram estagnação
quanto à visão de mobilidade social. Em nenhum momento se referiram a alguém (“feia”
ou “bonita”) que tenha carro porque conseguiu formar-se, arranjou emprego e
pediu crédito.
Gociante
Patissa, Aeroporto Internacional da Catumbela 13 Maio 2013
Pensamentos
"A injustiça fere demasiado o povo simples que vê na rectidão dos actos a sua única defesa e protecção". - Raul David, pág. 49, in «Crónicas de Ontem – para ouvir e contar».1989. União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.
Passei pelo Isced (Universidade Katyavala Bwila) para levantar a declaração da licenciatura. Com o papel em mãos, cruzei no recinto com o professor José Sasoma, numa agradável "ulonga" (saudação ao pormenor) com a profundidade que o Umbundu permite. O passo a seguir era vir ao Alfa, beber alguma coisa em companhia do "canudo", ou não fosse por esses bancos e sombra a beira-mar que gastei dias e pestanas elaborando a tese de licenciatura, o que viria resultar em 15 valores!
Domingo, Maio 12, 2013
Maritalmente
No primeiro dia de aulas com o novo professor...
Ele: Nome?
Ela: Fulana de tal...
Ele: Estado civil, solteira, casada?
Ela: Vivo maritalmente.
Ele: Ora bem. Vives maritalmente com quem?
Ela: sozinha, professor, vivo maritalmente sozinha!
Ele: Nome?
Ela: Fulana de tal...
Ele: Estado civil, solteira, casada?
Ela: Vivo maritalmente.
Ele: Ora bem. Vives maritalmente com quem?
Ela: sozinha, professor, vivo maritalmente sozinha!
Sábado, Maio 11, 2013
Notas soltas: AS CONTRADIÇÕES DE DEUS OU OS PONTOS CEGOS DA CIVILIZAÇÃO CRISTÃ
Em
matérias de vídeo segurança, ponto cego é o local ou ângulo que não pode ser
alcançado pela lente da câmara, representando como tal vulnerabilidade por
estar fora do controlo. É neste sentido que o conceito é para cá trazido.
Ouvi
em tempos um artista angolano euro-descendente dizer em entrevista, a partir de
Portugal, que o africano era o povo mais generoso e tolerante do mundo. Entende
que ao fim de vários séculos de exploração, humilhação e outras atrocidades da
escravatura e da colonização, o africano guarda como seus a língua e o Deus do
opressor.
Estatísticas
dispersas estimam que 80% da população angolana é cristã, maioritariamente católica.
Ou seja, passamos a conhecer o mundo sob a educação cristã, conflituando às
vezes com aspectos mais sagrados da nossa matriz identitária.
Quando
alguém, enlutado, diz que Deus é contraditório por permitir a morte – quantas vezes
prematura e sofrida – de quem mais não fez em vida senão o louvar, a reacção
imediata dos cristãos à volta é tendencialmente sair em defesa de Deus. No fim
do longo palavreado, acabamos por dar em algo de meramente opinativo. Quer dizer,
não podemos criticar Deus porque a pessoa ao lado acha que não podemos.
Quer
dizer, os cristãos rezam pela vida de alguém, acreditando na generosidade e no
poder de milagre de Deus. Depois, se este Deus não leva em consideração as
súplicas, os mesmos cristãos estão a louvar a vontade de Deus, argumentando que
a alma foi descansar no paraíso. Ora, se assim é, porque razão andaram a pedir
a cura do irmão?
Desde
cedo que herdamos dos pais e da comunidade o “culto de personalidade” ao ser
abstracto, Deus. Pelo que corre bem, Ele é grande; se a coisa corre mal, o
homem é pecador, eis o culpado! Entretanto, o omnipresente e omnisciente, levando
a coisa ao pé da letra, permite que a sua criatura, o ser humano, destrua. Será
para engrossar o tamanho da sua ira e o tão falado juízo final? Diz-se que se, cansado
de destruir, esse homem se arrepender, passa-se uma tábua rasa sobre o pranto a
outrem.
Há
um hino que sempre me intrigou durante os anos que andei no grupo coral da
igreja evangélica da maioria da minha família. Nunca ficou claro se era para
ser uma interrogação, ou uma afirmação, dada a subjectividade interpretativa de
textos cantados. Dizia assim: “Eu sei que
Deus é imensamente bom/ Deus é a fonte de amor/ Deus é a fonte da misericórdia/
Porque aceita que os seus fiéis tenham aflição/ e calamidade/ oh meu irmão/o
pecado nasceu a morte/ a traição/entre o homem e seu irmão”. Era mesmo para dizer que Deus é bom por aceitar que fiéis tenham aflição?
Não
tenho experiência de outras culturas para estabelecer um paralelo quanto à
forma de culto a outros Deuses, provavelmente não cristãos, monoteístas ou não.
Sei que com os muçulmanos ocorre algo similar. Quer dizer, é passar a vida
inteira a adular um ser, e imediatamente adoptar um discurso paternalista quando
algo escapa à compreensão.
Gociante
Patissa, aeroporto 17 de Setembro, Benguela 11 Maio 2013
Sexta-feira, Maio 10, 2013
Felizes os que souberam
conservar as suas tradições
deixadas pelos ancestrais.
Felizes os que se não iludiram
com o pregão insidioso
dos que se diziam portadores
da mais humana civilização.
A realidade provou-nos dolorosamente
os propósitos de quem africanamente
hospedamos em casa.
Raul David, pág. 11. In «Crónicas de Ontem – para ouvir e contar».1989. União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.
conservar as suas tradições
deixadas pelos ancestrais.
Felizes os que se não iludiram
com o pregão insidioso
dos que se diziam portadores
da mais humana civilização.
A realidade provou-nos dolorosamente
os propósitos de quem africanamente
hospedamos em casa.
Raul David, pág. 11. In «Crónicas de Ontem – para ouvir e contar».1989. União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.
Outras leituras
Esta característica – se assim lhe podemos chamar – de andar e ver para relatar depois, antiga como os velhos impérios do Continente, atravessa o texto numa oratória diagonal determinada pelo vulto da aculturação, em que se confrontam e experimentam impulsos de vária ordem num retrato sem retoque, de nitidez irregular à vista desarmada, que instala o autor – sem que talvez tenha sido essa a sua intenção inicial – como pioneiro de um género que, sendo de grande relevo hoje em dia, não encontrou ainda, entre nós, estatura própria: o testemunho.
David Mestre (excerto do prefácio), in «Crónicas de Ontem – para ouvir e contar», Raul David, 1989. União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.
Quinta-feira, Maio 09, 2013
Presunção da inocência
O oficial da polícia nacional que fazia balanço da operação denominada "viúva negra" na província do Kwanza Norte, através do programa "Bom Dia Angola" da TPA na manhã de hoje (09/05) disse: "na operação, interceptamos uma viatura que transportava um saco com 50 quilos de suposta liamba". Quer dizer, até transitar em julgado, liamba pode mudar de natureza.
Quarta-feira, Maio 08, 2013
Crónica: POSSO OU NÃO ESCREVER SOBRE O AMOR?
Já
em posse do bruto que daria corpo ao meu livro de estreia, o editor deu-me a
ler algumas obras literárias, gramáticas e antologias para captar conceitos,
forma e espírito da poesia. Intrigou-me um conselho que desaconselhava
principiantes a escreverem sobre o amor, de tão explorado que o tema vem sendo
por grandes escritores.
Sobre
o amor já vivi, também eu, tudo o que me poderia surpreender. Já enganei, já
fui enganado. Já conquistei, já fui venerado. Já enchi litro de lágrimas, não
duvido que tenha causado o mesmo a alguém. Já levei corrida (a que mais marcou
foi a da cunhada de uma miúda de Benguela que conheci quando aos 16 anos eu
trabalhava como fotógrafo numa barraca da praça da Catumbela; era bonita, voz
grossa, e trocamos alguma carícia periférica, até o dia em que me meti no
autocarro para ir ter com ela no bairro Alda Lara. Foi correr de verdade e
nunca mais olhar atrás, o nome dela é tudo quanto restou. Cheguei a desejar
morte à minha algoz – sei que não devia, embora não ignore que amor e morte,
efectuada ou prometida, não andam muito distantes). Como é claro, também já fui
herói, e é nessa última condição que me atenho hoje.
Certo
dia, de bucho devidamente satisfeito, meu amigo e eu cuidamos de esfregar as
mãos com petróleo (querosene?) para abafar a inconveniência do perfume da lombula (ou lambuda, para aqui aportuguesar a boa sardinha) grelhada, difícil
que estava naquela noite achar o pedaço de sabão mais próximo. Cumprindo a rotina,
fizemo-nos à parada, ao longo da estrada Kalumba-Catumbela, caprichando no
vocabulário para cair na graça de novas raparigas na sanzala ou, no mínimo,
consolidar namoricos.
Caminhávamos
aleatoriamente pela noite escura, que se fazia mais escura pela ausência, não
já da energia eléctrica, mas sobretudo de meninas que deviam ter muito trabalho
doméstico a seguir ao jantar. Não seria a primeira noite de desencontros, estávamos
cientes, bons dias viriam, ou não tivesse a semana sete dias e noites.
Chamou
a nossa atenção algo a que chamaríamos de discussão, se passasse de
monólogo. “Vou-te sepultar… na sepultura”, retinia um tipo que mal conhecíamos.
Aproximámo-nos. A diferença de idade entre nós e o trio em certa medida equivalia
a uma geração. “Eu vou-te sepultar… na sepultura. Eu sou baiano. Eu sou
muito baiano”, dizia. Será que os baianos (naturais da Baía Farta) sepultavam fora
de sepulturas? Bom, teria de consultar livros de arqueologia e antropologia
mais tarde, que urgia mesmo era salvar o mano que conhecíamos. Este, na típica
ambivalência, tentava uma “recaída” com a ex-namorada, não que ela não fosse
cúmplice, só que, para seu azar, o rival se antecipara na recolha de informações
relevantes sobre si (nome e fenótipo).
A
rapariga, impotente, tentava acalmar o namorado, que seguia ameaçando, suas mãos
ora no bolso, ora na cintura, dando a entender que trazia armamento sob o
casaco. Já o nosso amigo era o medo em pessoa. Sua motorizada andava confiscada
pelo agressor. Mas por muito agressivo que o baiano quisesse ser, ele era
estranho no bairro, ao qual estava ligado apenas pela namorada. A nossa
presença jogava contra si. Foi então que libertou a motorizada. E lá o nosso
conhecido saiu connosco da zona de conflito.
Por
essa e por outras, posso ou não escrever sobre o amor?
Gociante
Patissa, bairro da Santa-Cruz, Lobito, 8 Maio 2013
Duas a três pessoas são detidas em Luanda
Duas a três pessoas são detidas em Luanda sempre que o avião da Taag chega do Brasil. São as chamadas mulas, pessoas que fazem correio da droga. O programa "Bom Dia Angola" da TPA exibiu hoje (08/05) uma peça, com a apresentação pela polícia nacional de um cidadão nigeriano que trazia 70 cápsulas de cocaína na barriga em direcção à república de São Tomé.
Terça-feira, Maio 07, 2013
Obrigado pelo gesto, é um pouco desses pequenos gestos de honestidade que esperamos ver multiplicados!!!
"Na minha casa há um mocho como esse. As minhas crianças pensaram que fosse nosso, então levaram. Mas agora, ao contar, vi que tem um a mais. Vim devolver". Palavras de uma vizinha (pela casa da minha mãe) há instantes. Obrigado pelo gesto, é um pouco desses pequenos gestos de honestidade que esperamos ver multiplicados!!!
Para debate, se der:
Q1-Que te passaria pela cabeça se visses um estrangeiro com o mapa de Angola tatuado no braço? Q2-Haverá uma ligação entre isto e gostar-se (no sentido de respeitar) de quem nasceu dentro do mapa em causa, tem raízes, valores e tradições? Q3-O que representa o passaporte angolano obtido de forma fraudulenta?
Quotes
"Eu, como estrangeiro, nunca esperei encontrar o Brasil das novelas. Ao contrario! A última coisa que nao queria encontrar era o Brasil das novelas! Qual o motivo? Pela a exclusao de rostos Afrobrasileiros..." Totti Satchingongue
Segunda-feira, Maio 06, 2013
Que expectativas se podem alimentar com a vinda de Isaac Maria dos Anjos à província de Benguela na qualidade de governador em substituição de Armando da Cruz Neto?
No meu caso, no que à melhoria da qualidade de vida diz respeito, já sei que não é para breve que o meu subúrbio vai ter energia eléctrica. Vamo-nos contentar com água na torneira e... doses elevadas de poeira. O palácio da Praia Morena fica sempre loooonge...
Convite: ERRATA FULCRAL: 18:15 17 maio sexta: Apresentação da série DiVersos - Poesia e Tradução
Com a presença de três dos poetas incluídos (José Manuel Teixeira da Silva, Luciano Moreira e Teresa Ferro), naturais do Porto ou fixados na região, e dois dos tradutores (José Carlos Marques e Teresa Ferro), também aqui fixados, será apresentada a série DiVersos - Poesia e Tradução, a propósito da publicação do seu n.º 18. Na sexta-feira, 17 de maio, às 18:15, no Porto, no Palacete Viscondes de Balsemão, à praça Carlos Alberto n.º 71.Fundada em 1996 por quatro poetas e/ou tradutores naturais do Porto ou ao Porto ligados, a DiVersos é já hoje em Portugal uma das publicações de poesia mais longevas.
A sua ligação ao Porto em nada impede que seja também decididamente universal, tendo até hoje traduzido mais de 130 poetas de 16 línguas diferentes e inserido poemas em língua portuguesa de mais de 130 autores, incluindo numerosos poetas do Brasil, e alguns de outros países de língua oficial portuguesa ou a eles ligados (Angola, São Tomé, Moçambique).
A DiVersos / Edições Sempre-em-Pé (contacto@sempreempe.pt) agradece a colaboração da Porto Cultura e da Câmara Municipal do Porto
Pensamentos a reter
“Não está a cultura no saber as coisas, mas numa certa maneira de saber as coisas; numa certa maneira de as apreciar e de as ver. Há quem saiba muito e não seja culto; há quem saiba pouco e que o seja muito. Reside a cultura essencialmente na forma, e não na quantidade do conhecer; tão-pouco na variedade do conhecer; tão-pouco na novidade do conhecer. A cultura é algo essencialmente activo: é uma ginástica e afinação do espírito; é um trabalho deste sobre si próprio; é um esforço de elucidação e de compreensão perfeita, de harmonia mental, de exacto aprofundamento das nossas próprias ideias, de coordenação e coerência das concepções." - António Sérgio, Ensaios sobre Educação, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2008, pp.296-297
Sexta-feira, Maio 03, 2013
Quinta-feira, Maio 02, 2013
Domingo, Abril 28, 2013
Umbilical pára-quedas
Umbilical pára-quedas
Se voar é de asas abertasEm replay põem-se a nu as cicatrizes.
Tudo é nada mais senão o vento
que faz assobiar e sublima cantos
tocar o céu pelo penteado da montanha
até ceder à lei de gravidade
Houve sempre uma mão
houve sempre uma mãe.
Gociante Patissa, in «III Antologia de Poetas Lusófonos», 2010. Folheto Edições e Design, Leiria - Portugal
Sábado, Abril 27, 2013
O nobre gesto de António Gonçalves
Eu disse na véspera e durante a campanha eleitoral para os corpos sociais na União Dos Escritores Angolanos que esperava, enquanto membro, que a instituição saísse fortalecida deste saudável exercício democrático. Gostei de ler hoje no Semanário Angolense (SA) que recebi via Salas Neto:
SA – Consta que foi felicitado pelo candidato derrotado da lista B… A ser verdade, como avalia o gesto do seu rival?
Carmo Neto- É o gesto de cortesia, que deve ser valorizado; UM SINAL de aceitação do resultado das eleições que foram realizadas com absoluta transparência e liberdade.
Um grito de socorro que vem de pequenos empresários do sector farmacêutico e Benguela
Chega-me a informação segundo a qual pequenas farmácias de Benguela encaram com perplexidade as exigências da Inspecção de Saúde quanto às dimensões físicas que se pretendem implementar, desde finais do ano passado. Ou seja, o espaço da sala de atendimento, o WC, a arrecadação e o gabinete do gestor do estabelecimento devem obedecer aos novos parâmetros. É na periferia que a medida parece preocupar mais. Se por um lado os empresários respeitam a legitimidade das autoridades sanitárias, questionam por outro lado que tais medidas só agora surjam, quando inicialmente se exigiam condições de higiene e climatização. Será que o princípio da não retroatividade da lei não se aplica neste caso? Não seria de exigir tais parâmetros a quem quiser legalizar farmácia depois da vigência deste novo paradigma? O que é que se entende por pequenos empresários? São questões de quem está incerto e não tem mais fundos para investir no alargamento do estabelecimento.
Sexta-feira, Abril 26, 2013
Leituras de queimar tempo
Gostei de ler "Visões do Além" (narrações e vivências para ler sentado) do jornalista Sebastião Marques, um livro de crónicas com 86 páginas, editado pela Nzila em 2006. Encontrei-o numa livraria na Zona Comercial do Lobito esta tarde e em pouco tempo cheguei à última página. São essencialmente crónicas de viagem, sendo que com algumas foi inevitável a proximidade afectiva, ou não fossem lugares por onde um dia passei, como Nova York, Washington (EUA), Jerusalém e Tel Aviv (Israel).
Quinta-feira, Abril 25, 2013
Segundo a página do UNICEF no Facebook, a cada minuto, morre uma criança de malária.
Não está claro na página do UNICEF se a estatística é global ou se refere a Angola. É uma chamada de atenção para cada vez maior sinergia na lutacontra a doença, num quadro triste e preocupante. Por outro lado, olhando para os números, assim como são atirados, parecem algo questionáveis se se referem a Angola. Quer dizer, 60 minutos dá 1.440 mortes por dia, o que multiplicado por 365 é qualquer coisa como 518.400 mortes por ano. Será?
Pepetela e a sua visão quase exagerada pelo positivismo
Compreende-se, talvez seja o centro da cidade a Benguela que descreve. Na verdade, há muito que há mais gente para lá do asfalto. Era bom passar um fim-de-semana pelo menos para lá dos holofotes, no 11 de Novembro, 4 de Fevereiro, 17 de Setembro, Bairro Benfica, Caponte city, Viva a Paz, Nossa Senhora da Graça. O texto do link é legítimo, ainda que longe da realidade. Como sociólogo que é, sugerimos para de vez em quando a observação participante.
Ler crónica aqui
Terça-feira, Abril 23, 2013
Avenida do quase
Há um andrajoso que dorme sempre cedo. Tão pesado lhe é o sono, que me custa chamá-lo de louco. Tem realmente ares disso, mas eu mesmo ando às voltas com o sono, tantas emoções e agendas por gerir. Neste preciso momento canta a poucos metros do carro, nosso quartel general. Passam outros na mesma condição, e até acho que sei porquê. No outro dia, um, aquele sim quase louco, digo quase porque, com inusitado sentido de liberdade, quebra uma qualquer garrafa e com o mesmo automatismo atinge uma testa, a dele próprio, para em jacto de sangue deixar sua marca sobre o passeio de cimento. Não é visto durante horas. Surge depois com penso sobre sutura, pede cinquenta kwanzas para comprar pão, mas logo a seguir chateia-se quando lhe é dado o pão no lugar dos cinquenta kwanzas. Certamente sabe que por este valor comprava mais de um. Passam relativamente muitos, por este passeio. E até faz sentido, é a rua dos bancos, da clínica e dos contentores de lixo. É de loucos a avenida do quase, do sonho por rápidas melhoras, da dor.
Segunda-feira, Abril 22, 2013
SOS (um apelo a jornalistas e entidades ligadas à inspecção da Saúde)
Moradores do bairro da Santa Cruz, Lobito, no perímetro entre a casa cantoneira amarela e a rotunda que dá para o Estádio do Buraco, temem consequências negativas à sua saúde, principalmente no que à vertente respiratória diz respeito. Diariamente convivem com um cheiro incómodo que se acredita proveniente de produtos químicos, uma vez estarem instaladas no local três fábricas, sendo uma de fraldas descartáveis, uma de tanques de plástico (vulgo hipopótamos) e outra fábrica de colchões de esponja. As referidas unidades produtivas, que pelo que consta deviam estar instaladas longe de zonas residenciais, são de iniciativa privada e funcionam ali há coisa de 3 anos no âmbito do PDIC (Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela), que gere o que sobrou dos talhões da antiga Açucareira 1º de Maio, três fábricas.
PS: Segundo informação mais recente, a FertilAngola tem no mesmo perímetro uma indústria de fertilizantes, que se junta às suspeitas de origem do cheiro incómodo (que se teme tóxico).
PS: Segundo informação mais recente, a FertilAngola tem no mesmo perímetro uma indústria de fertilizantes, que se junta às suspeitas de origem do cheiro incómodo (que se teme tóxico).
Quinta-feira, Abril 18, 2013
Indigestão identitária
É sempre com alguma vergonha que noto compatriotas nossos julgando-se no direito de impor suas vontades e maus-humores em voz alta, até em questões profissionais que não entendem, já possuídos pela indigestão que a autoridade do sobrenome eventualmente lhes causa. Se algum parente tem notoriedade em algum ramo da política, exército, empresariado, comunicação social, etc., porque não arriscar na condução e desrespeitar as mais elementares regras de convivência social? Algumas famílias tidas como "tradicionais" residentes ou com membros em Benguela deixam muito a desejar! Desculpem-me, estou um pouco enjoado do politicamente correcto!
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