Sábado, Fevereiro 06, 2010

De volta à banda, pronto a retomar a "rotação" habitual do Blog Angodebates

Olá a todos!
Finalmente, aqui, acabaram-se as férias. Primeiro a viagem, depois a adaptação ao novo computador, mais os constrangimentos de ter o sistema operativo windows 7 e a respectiva (aparente) "incompatibilidade" com o tipo de modem Unitel que tenho (mais a pouca habilidade e vontade dos funcionários desta). Mas está superado e cá vamos!

Desci do avião, na segunda-feira (01/02), cansado, todavia alegre pela experiência, obviamente cheio de saudades e todos os sentimentos confusos de costume quando se está de volta à terra. Ademais, quem vem dos Estados Unidos da América tem sempre um rol de contrastes extremos a partilhar. O intercâmbio, que durou três semanas, em quatro Estados (Oregon, Washington, Utah e Florida) deu para ter ideia do quanto havia de razão na descrição de um intelectual de lá: in this country, we have the good, the bad and the ugly.

O contacto (primeiro na vida) com inverno iniciou em Portugal, ainda na ida, quando saí do aeroporto na companhia de Cristina para ver algumas ruas lisboetas, num compasso de espera entre um avião e outro (o famoso trânsito). Um dia de cama, já nos EUA, foi suficiente para estar "imune" às tremedeiras e até mesmo à vizinhança da neve. Ironicamente, confesso, nunca imaginei que me fosse sentir tão pouco à vontade de regresso ao meu ambiente natural, como se deu nos dois primeiros dias, com o escaldante calor (redundância propositada). Experiências, como sempre belas e inspiradoras.

Já em Benguela, ainda apanho uma parte da ressaca do CAN, sendo maioritariamente positiva a avaliação no tocante ao capítulo organizativo. Para quem, como eu, esteve sempre pessimista (acho que realista seria a palavra mais sensata, mas fica assim para dar margem a quem quiser lançar uma ou outra pedra), Angola foi até de um desempenho razoável. Pessoalmente sou contra o feitio de "europeu primitivo" do seleccionador nacional, Manuel José, mas reconheço que, sem ele, teríamos uma prestação bem mais negativa. Pelo que deixo, tarde embora, o meu muito obrigado aos atletas, equipa técnica e a todos quanto directa ou indirectamente contribuíram para o que pelo menos deu certo. Aliás, tomei conhecimento do ataque à selecção do Togo fora da banda (que obviamente condenamos).  

Embora impossibilitado tecnicamente, cuidei de ir espreitando o rosto do Blog, o mesmo que dizer contador de visitantes. E é enorme a satisfação ao notar que continuamos a merecer o prazer das visitas, para já nao falar de comentários, sejam de gente nova ou de companheiros habituais. Obrigado (mesmo!)

Voltamos à carga, prontos para nos posicionarmos enquanto cidadãos perante questões, usando os mais variados géneros de comunicação, perante assuntos, todos eles, até daqueles que não podemos, devemos ou queremos abordar. Acreditem, há sempre um cobarde em cada ser humano, assim como o contrário disto. "Una wõha, vonjo omo ali" (Umbundu) = O silêncio não siginifica ausência.

Abraços e muito obrigado!
Viva Angola!
Gociante Patissa, Benguela 6 Fevereiro 2010

Terça-feira, Janeiro 19, 2010

Grupo de activistas ci'vicos internacionais homenageia Martin Luther King em Portland, Oregon, EUA

Ora Viva!
Depois da primeira fase, que durou sete dias em Washington DC, os vinte participantes do programa de intercâmbio denominado “ONG’s e Activismo Cívico” suportaram cinco horas de avião, em direcção a cidade de Portland, estado de Oregon, onde se encontram desde sábado último.



A chegada coincidiu com a jornada do voluntariado, por conta do feriado observado na segunda-feira (18/01) em homenagem a Martin Luther King, o activista que completaria, na passada sexta-feira, 81 anos de idade. E tal como programado, os intercambistas vestiram a camisola azul com o busto de MLK e os dizeres “We are the dream” enquadrando-se na jornada da Universidade de Concordia. No salão multiuso daquela universidade, juntamente com estudantes de um total de 14 escolas, os visitantes internacionais aplaudiram aos cânticos, jograis e sermões. Melhor ainda, engajaram-se na campanha de limpeza e pintura de uma escola primária do ensino especial.


No próximo dia 21, o colectivo será repartido em pequenos subgrupos, que deixarão Portland para os seguintes destinos: Austin (em Texas), Santa Fe (New Mexico) e Salt Lake (Utah). Itinerários diferentes, um so' objectivo: partilhar experiencia com instituições americanas do sector voluntario. O reencontro será em Miami, já para o culminar do programa.

Recorde-se que os 20 participantes representam seis países da Europa, três da Ásia, dois da América Latina, quatro do Médio Oriente e cinco da África, sendo que Angola e’ o único pais de língua oficial portuguesa no grupo, fazendo-se representar pela AJS-Associacao Juvenil para a Solidariedade, com sede na provincia de Benguela. O programa ONG’s e Activismo Cívico e’ uma iniciativa do Departamento de Estado Norte Americano, que visa o intercambio profissional, de nove a 30 de Janeiro de 2010.

Gociante Patissa, Portland, 19 Janeiro 2010

Sábado, Janeiro 16, 2010

EUA acolhe programa de intercâmbio sobre ONG's e Activismo Civico



Arrancou no passado dia 9 de Janeiro, na cidade de Washington DC, Estados Unidos da Ame'rica, o programa denominado "ONG's e Activismo Civico". Vindos de va'rias partes do mundo, os 20 participantes partilham experiencias, na condição visitantes convidados pelo Departamento de Estado dos EUA, têm o ingles como lingua de intereaccao, bem como um vasto programa que culmina na Cidade de Miami, isso, no dia 30 de Janeiro. Amanha o grupo parte para o estado de Oregon, onde se preve uma serie de contactos e troca de experiencias com instituicoes e entidades da sociedade civil americana. As organizacoes que participam deste programa foram seleccionadas pela embaixada americana dos respectivos paises de Origem. Do medio oriente, destacam-se a Palestina e o Iraque. Da Africa vieram Angola, Egipto, Kenia, Nigeria e Zimbabwe. Angola e’ o unico pais de expressao portuguesa a participar do programa “ONG’s e Activismo Civico”, atraves da AJS-Associacao Juvenil para a Solidariedade.

A experincia esta' a ser enriquecedora. Um dos aspectos que chamam a atencao dos turistas e' a existencia de uma vigilia permanente junto ao cerco da Casa BRanca, residencia oficial do Presidente Barack Obama. Constatamos pelo menos tres cidadaos, dois homens e uma mulher, com idades apriximadamente acima de 40 anos. O que fazem? Cantam e rezam o dia todo para que os homens no poder entendam que a guerra nao e' solucao, nem em Ame'rica nem no Iraque. Vai aqui o inevitavel elogio as autoridades, que respeitam o direito a manifestacao nao violenta. Nisso, podemos dizer que ha' maturidade politica e cidada.

De Washinton DC, ate' ao pro'ximo post, as nossas saudacoes
Gociante Patissa
PS: Queiram aceitar nossas desculpas pelas falhas de acentuacao no texto... e' nisso que da, quando o computadort nao e' nosso.

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

Crónica: Voando com o amigo Comandante

Comandante contemplava a partir do cais, com os profundos olhos de sua alma, o navio gigante que descrevia a última curva do seu destino, a baía da restinga, o porto do Lobito. Vinha dos lados de lá, onde, exactamente, não interessava saber na altura, talvez também não agora. O certo é que o homem estava quieto, estático mesmo, de pé, só olhando.
Are you sleeping, Commander? – perguntei-lhe, gesto do qual hoje me arrrependo, abortando o tão sublime momento.

No, I am watching New York… – respondia-me, com um inglês entoado a 2Pac, não obstante a correcção gramatical.

Envolto num silêncio artisticamente engrossado pelo bater das ondas na estrutura de betão, Comandante viajava na força da abestenção, longe dos eléctrodos, distante das controvérsias de uma vida para lá do portão.

O que representaria New York na cena que contemplava? Seria o movimento das águas, que se rasgavam com o aproximar do navio? Seria da maresia, ou estava na sensação de voar, não obstante os pés estarem assentes num solo esquentado pelo sol do meio-dia? Bom,  devia ser muito atrevido o Comandante, atrás da sua postura sempre cordial e conciliadora… devia ser isso mesmo. É que estávamos em 1999, altura em que o conflito armado enchia de telas vermelhas esta terra, e de ácido nos olhares dos que a amam. O sonho da maioria era emigrar para Portugal, portanto dá para imaginar o atrevimento do outro em chamar para perto de si a longínqua América, como se já não bastasse a teimosia de se aplicar na aprenzagem do Inglês, comendo músicas e gramáticas vadias…

A New York imaginária de um “Commander”, cuja irreverência começava mesmo pela alcunha e respectiva tradução para o inglês, não passava de inconformismo hormonal da juventude. Apesar de se destacar pela altura e tom de maturidade com que se expressava, Comandante não passava de jovem angolano, com as utopias da nossa geração naquela época.

Obrigado, Comandante, por me teres levado contigo à New York dos teus sonhos, que só conhecias por essa via mesmo, já lá vão 11 anos. Pena é que não te possa levar desta vez para retribuir.

Um abraço de saudades dos velhos tempos no estaleiro do chefe Jean Louis Debout!

Gociante Patissa
Praia Morena, Benguela, 06 de Janeiro de 2009

Terça-feira, Janeiro 05, 2010

Crónica: CAN de futebol? Já?!

Numa visita, na manhã de hoje, ao balcão do banco BAI, verificamos duas filas compostas por aproximadamente 20 pessoas cada, somente do sexo masculino. Entre a impaciência e o atender de um ou outro telefonema, era visivel o entusiasmo pela obtenção do bilhete do CAN, mais especificamente das partidas a serem acolhidas pelo estádio nacional da Ombaka.

Rondando pelos principais restaurantes, era visível a presença de "caras estranhas à cidade", desde o turista nacional ao das mais diversas nacionalidades. Com toda a margem de erro que incorremos com tal associação, teimamos em atribuir tal fenómeno à vespera da Taça Africana das Nações, Orange Angola 2010.

Ao contrário de edições que já lá vão, é visivel o cepticismo quanto a resultados de relevo da parte da selecção angolana de futebol, os nossos Palancas Negras, soando nalguns casos como uma espécie de perdão antecipado para eventual safra magra dos comandados por Manuel José. De qualquer modo, julgamos, se os angolanos se destacarem por um milagre, não serão provavelmente os primeiros na história do futebol, ou não seria curriqueira a máxima de que o desporto é uma caixinha de surpresas.

Seja qual for o resultado que se obtiver nas quadras de jogo, os ganhos de Angola (como um todo) começam mesmo pela iniciativa de organizar o CAN, entre várias outras coisas. Dialéctica como é a vida, não faltam vozes críticas, algumas das quais defendendo que dava um grande jeito no reforço de infraestruturas do sector da edução o equivalente ao montante investido na construção dos quatro estádios. 

Por alguma ironia que escapa à compreensão (ou se calhar até não), justamente quando o país estiver a fervilhar, à velocidade do desenrolar do CAN, estarei a congelar, inalando bafos de um inverno, algures por este mundo. Quisera eu carregar o calor desta minha África, tanto nas palavras como nos poros.

Um abraço daqui perto!
Gociante Patissa, Benguela, 5 de Janeiro 2009

Semelhanças...


Fronteiras (Comuna do Monte-Belo, 2009)


Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

Gritos e corridas no bairro do Quioxe, mas de alegria... kandandus pelo novo ano revitalizam vizinhança


Faltavam alguns minutinhos ainda, a fazer fé em alguns relógios descompassados, quando uma corrente de gritos e correrias emergiu. Estamos no bairro do Quioxe, em Benguela, que tem um triste passivo de rivalidades juvenis e brigas selváticas. Seguidamente, rasga-se num céu relativamente distante, mas alcançavel, o espectáculo de pirotecnia. As músicas de quintal, como previsível no meio suburbano, subiam de tom, roubando o sono a uns, mas desconseguindo outros.

Pronto, que gritassem o mais alto que quisessem, desta vez, era de alegria. 2010 chegou e oxalá encha a vida de cada morador de surpresas agradáveis.

o Blog Angodebates endereça aos seus visitantes, leitores, parceiros e amigos, os votos de boas vindas ao novo ano.

Viva a paz!
Gociante Patissa

Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

Feliz Natal e muito agradecemos a sua visita


Com abundância de luz (ou de sombra) em sua casa (ou longe dela por circunstâncias várias), o Blog Angodebates lhe deseja um bom natal na presença dos que lhe são mais próximos (física ou mentalmente)!

Aproveitamos também para reiterar a nossa satisfação pelas visitas que recebemos, algumas das quais sentimos muita falta - pois permitiram-nos criar uma interacção (amizade, mesmo!) activa, sejam utentes de blogs ou não. Continuaremos a servir, usando o espaço como caderno de exercícios, janela sempre aberta pelo exercício da cidadania, enfim, um canto, do canto, do conto, do sorriso e do reencontro.

Estamos juntos!
Gociante Patissa, bairro da Santa-Cruz, Lobito, 24 Dezembro 2009

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Antes que fosse tarde demais... FAF, Manuel José e Manucho Gonçalves ultrapassam diferendo

A Televisão Pública de Angola (TPA) destacou ontem que o atleta Manucho Gonçalves volta a fazer parte dos Palancas Negras, tendo ficado "esclarecidas as dúvidas" que motivaram o mau estar na relação com o seleccionador nacional, Manuel José. A notícia foi reforçada com entrevista áudio, cedida pela Rádio Nacional, em que o presidente da Federação Angolada de Futebol, Justino Fernandes, confirmava isso mesmo.

O Blog Angodebates coloca assim ponto final à sua advocacia contra a manifesta atitude de arrogância (assumimos o termo no seu sentido literal) do seleccionador nacional, sobre o atleta Manucho Gonçalves (ler artigo de opinião aqui). Manucho teve um comportamento reprovável aquando do estágio em Portugal, uma punição legítima, não fosse o exagero do técnico em querer impor o "formato" do pedido de desculpas, não estando satisfeito mesmo após feito publicamente pela TPA. É conversando (de preferência no momento oportuno) que as pessoas se entendem. 

Festas Felizes aos Palancas Negras e sua equipa ténica, à FAF, aos amantes do Futebol e desporto em geral.

Gociante Patissa, Lobito 23 Dezembro 2009

Domingo, Dezembro 20, 2009

Administração Municipal de Benguela exige venda apenas em locais oficiais / Fiscais acentuam medidas coercivas para desencorajar zungueiros


Meses após a sua inauguração, o número de feirantes no Mercado Municipal é de longe inferior ao de vendedores ambulantes, vulgo zungueiros. Só um estudo explicaria melhor as causas de tal fenómeno e consequente solução, mas quem não quer esperar é a Administração Municipal de Benguela, que já se manifestou indignada. Não ficando por isso, fiscais da Administração têm acentuado a sua actividade coerciva, com as habituais corridas aos vendedores ambulantes, de modo a convencê-los a praticarem a sua actividade unicamente em locais oficiais.

Vende-se tudo na zunga literalmente. Centenas de homens, mulheres e crianças vêm na venda ambulante o ganha-pão. E a “profissão” capta maior empatia social pela imagem de mulheres aos pregões, com bebés ao colo e bacias de legumes e hortaliças à cabeça. Estas mesmas mulheres são acusadas, e com razão, de contribuírem pouco para a higiene da cidade, quer pelo lixo resultante dos seus produtos, quer pelo abandono deliberado frequente de descartáveis com dejectos dos petizes. Outro ângulo da preocupação tem a ver com a legalidade do que se vende, por exemplo discos pirateados, ou dos riscos à saúde pública, como no caso de medicamentos.

Se, por um lado, é legítima a actuação da Administração Municipal de Benguela no sentido de velar pela legalidade e postura, já por outro, não deixam de ser oportunas as seguintes indagações: os zungueiros preferem a rua porque o citadino não vai ao mercado, ou este não vai ao mercado porque o zungueiro já é acessível na rua? Seriam as medidas coercivas uma saída fértil, ou o melhor seria repensar os critérios de legalização da venda ambulante?

Desafios de quem anda na zunga contados por quem os enfrenta

António Pomba é vendedor ambulante há dois anos «para sustentar minimamente as crianças». Diz que o seu rendimento depende dos salários da função pública. Faz o que pode para custear os encargos escolares dos filhos «da primeira até quarta classes», mais adiante é impossível. Questionado se está satisfeito pelo trabalho que faz, Pomba disse: «isso aqui é simplesmente para remediar, porque não há emprego. Este é um trabalho de risco, por exemplo aqui há muita poeira, mas, como não tenho mais outro sítio, estou mesmo a remediar aqui».

Ao microfone do repórter Florentino Calei também falou a cidadã que se identificou pelo nome de Caty. Vende fraldas descartáveis há cinco anos. Com o trabalho que faz, disse, «não estou satisfeita porque isso dá muito trabalho, a pessoa sai de manhã [6h30] e volta à tarde [18h30], muito cansada. Nós aqui não temos lugar de vender, quando a pessoa ocupa, vem outra pessoa a dizer que o lugar é dela». Se acompanha os filhos à escola, ela confessa: «não vou a tempo de levar as crianças à escola, só se tiver em casa uma criança já grande para levar as outras». Victorino Chombossi zunga eléctrodos e grampos de metal. É dos que abandonaram o mercado do “Mbangu-mbangu”, no morro do Lobito, em função da pouca clientela, ao contrário de quando o mercado do Chapanguele funcionava ao Bairro Africano. «A distância é muita, porque a pessoas sai da cidade e gasta Kz 200 e ganha preguiça. A pessoa passava um dia sem conseguir vender um Kz 100», justifica. E conta as razões que o levaram ao comércio informal: «Faço este serviço porque pessoalmente fui tropa e, quando vim da tropa, já sabe, emprego não aparece. Porque certas pessoas que cumpriram a tropa não têm formação».

Venda ambulante é prevista por lei, mas feita ilegalmente

Segundo Luciano Anselmo, que representava no programa “Viver para Vencer” a Direcção Provincial do Ministério do Comércio, no passado dia 17/11, a venda ambulante não é necessariamente ilegal em Angola, só que é largamente praticada de forma ilegal. Os cartões de vendedor ambulante podem ser adquiridos através de um processo que inicia nas administrações municipais e se consolida com o pagamento regular de impostos. Perante tal constatação, o programa “Viver para Vencer” procurou saber de Luciano Anselmo se a Direcção do Comércio tem algum plano no sentido de campanhas de mobilização dos cidadãos para a necessidade de legalizar sua actividade na venda ambulante. Mas tudo indica que não.

(actualizado) Gociante Patissa, Benguela 8 Novembro 2009

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

Crónica: “O papel do Juiz é condenar…”

Passando pelo Club-K, vi a notícia que dá conta do desemprego de Armando Tchicoca, correspondente da Rádio Ecclesia (da Igreja Católica) na província do Namibe. Não me debruçarei obviamente sobre as causas, para não fazer o papel de juiz. Para quem não o sabe ainda, e como referiu em plena avaliação oral um estudante finalista do Curso de Direito de certa Universidade, “o papel do juiz é condenar!”… Ora, se ele que é finalista de Direito o diz, quem serei eu, que só entendo de jornalismo e de linguistica, para desmentir?!

Se, em 2004, a Rádio Ecclesia abrisse, na província de Benguela, seria assegurada por quatro redactores-repórteres-noticiaristas, o Lázaro, a Úrsula, a Clementina e eu. Foi nesssa altura que conhecemos o nome Armando Tchicoca, a quem tinhamos por correspondente mais produtivo. É que era obra (só dele) conseguir em média três matérias para um noticiário - quem acompanha a dificuldade de jornalistas dos órgãos privados, sabe do que digo.

Fazia parte dos nossos “treinos” acompanhar em directo, às 12h25 o noticiário da Rádio Ecclesia, que nos chegava com um audio impecável acionando uma pista da consola do estúdio. E, naquela fase de expectativa, como que atletas aguardando o arranque do campeonato, era “doce” o noticiário na voz de João Pinto, o das “notícias, uma a uma” (hoje na Televisão estatal), quando chegasse o momento de chamar o “repórter de confiança” a partir das terras da Welwitchia Mirabilis, Armando Tchicoca.

Até seria legítimo intrigar-nos o destaque que o homem merecia, logo ele que não tem a “dicção padrão”, que tanto nos exigiam. Mas Tchicoca tem carisma. Tem também (ou tinha, que nunca mais o ouvi) um condão de investigação, o tal “bicho da polémica”. Atenção, já o disse, não sou juiz… e ainda bem… meu papel não é… condenar.

Quando voltei ao Namibe, em Abril de 2005, integrando a delegação de jovens benguelenses no FestiNamibe, tive o cuidado de conhecer o talentoso Zé Eduardo (hoje na Rádio Mais-Huambo). Já agora, ó Zé, que brincadeira foi aquela, a de me “queimares”, dando-me microfone para improviso de três minutos de rádio em directo num salão??? Tiveste foi muita sorte, porque se meu “sistema nervoso” se activa, amontoava gaffes, e tu ficavas mal.

Nesta mesma ocasião conheci Armando Tchicoca, nas vestes de jornalista da Rádio Namibe (estatal). Recordo que algumas pessoas abandonavam o recinto, quando Tchicoca se aproximasse. Recordo também um momento de brincadeira entre o jornalista e o então Director Provincial dos Desportos, no parque de Campismo, à Maginal, em que a dada altura Tchicoca dizia: “a imprensa tanto te levanta, como te faz cair”. Acho que tal não foi tido como ameaça, ou não se envolveriam ambos em gargalhadas.

Um amigo, que “morre” de paixão pelo jornalismo desportivo, que integrava a delegação de benguelenses, viria confidenciar-me que Armando Tchicoca também já fora juiz… de futebol. Não sei se também vivia de condenar ou não…

Já a terminar, permitam-me esclarecer o seguinte: Armando Tchicoca não é meu ídolo, aliás, ninguém o é na esfera do jornalismo. Aprendo com um pouco de cada um. Agora, por exemplo, espero aprender com ele como sobreviver quando “o pão cai no gasóleo”.

Gociante Patissa
Benguela, 17 de Dezembro 2009