PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Do poeta José Luís Mendonça | “ANGOLA, ME DIZ AINDA” será apresentada amanhã na União dos Escritores Angolanos

Imagens: Divulgação

O poeta José Luís Mendonça apresenta esta quarta-feira, dia 21, pelas 18 horas, na sede da União dos Escritores Angolanos, a sua mais recente obra poética “Angola, Me Diz Ainda”.
Para Mendonça, há política em certa poesia, a chamada poesia de intervenção.

Utilidade pública | Lançamento da Antologia poética da escritora Amélia Da Lomba, com prefácio e apresentação do académico Francisco Soares, a ter lugar no Camões de Luanda na 5ª feira (22/02)

Fotos via Facebook
«Na ANTOLOGIA, que vai agora ser lançada, AMÉLIA DALOMBA reúne poesia publicada entre 1995 e 2005, dividida em sete capítulos. Cada capítulo corresponde a uma obra publicada, ao longo daquele período, numa sequência cronológica decrescente. “Senhor Há Poetas no Telhado, publicado em 2015. “Sinal de Mãe nas Estrelas”, publicado em 2008. “Aos Teus Pés Quando Baloiça o Vento”, publicado em 2006. “Noites Ditas à Chuva”, publicado em 2005. “Espigas de Sahel”, publicado em 2004. “Sacrossanto Refúgio”, publicado em 1996. “Ânsia”, publicado em 1995. 

Francisco Soares, que prefaciou e fará a apresentação da obra diz: “AMÉLIA DALOMBA tem desenvolvido uma vocação poética única no panorama literário da sua geração e, mesmo, no panorama literário angolano. 

Utilidade pública | Repassando convite de empresa internacional que procura tradutores de Umbundu e Kwanyama

«Hi Daniel, 
Thank you for accepting my connection invite.

Appen is looking for native Angolans who speak either of the following languages: Kwanyama or Umbundu for an urgent projects. The work will involve categorizing audio prompts or search items based on keywords and classifying them into common words, proper noun and etc. You will also be asked to edit any misspelled words if there's any.

Conto angolano mais acessível | ESCRITOR GOCIANTE PATISSA VOLTA A DISPONIBILIZAR AOS INTERNAUTAS LIVROS A CUSTO ZERO

Passamos para recordar que "essas duas books", como diria o outro, estão disponíveis para distribuição imediata na sua versão digital (PDF) a custo zero, contando A ÚLTIMA OUVINTE (2010) com o beneplácito da União dos Escritores Angolanos, a editora. Já no caso do FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS (2014), uma vez extinto o Grecima que o editou no quadro da bolsa literária Ler Angola, e nunca tendo sido assinado qualquer tipo de contrato, os direitos passam tacitamente para o autor, sua excelência eu, até prova em contrário. Escreva para patissagociante@yahoo.com e habilite-se ao pacote. Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com

Assim ainda para poupar turistas do roteiro cliché do Lubango «Tundavala-Cristo-Leba», qual é o caminho da Fenda do Alto Bimbi? Ob

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Diário | Assim o que é que vem primeiro, a sopa ou o cozido?

“Bom dia, senhora. O que é que pretende almoçar?”
“Bom dia, jovem. O que têem para almoço?”
“Prato do dia, temos frango chorrasco, cozido à portuguesa, essas coisas… Fora disso, é só falar o que deseja, a casa vai satisfazer a necessidade…”
“Traz o menu, faz favor…”
“É mesmo isso. O menu ainda não temos, falta escrever…”
“Mas é assim tão difícil abrir o Excel e lançar preços?! Há quanto tempo isto abriu?”
“Três meses ainda só…”
“Então como é que vocês trabalham?”
“É só perguntar, eu falo os preços…”
“De cabeça?”
“Posso pedir na patroa. É só falar, eu vou ir falar, é rápido.”
“E vocês não dizem à patroa que os clientes reclamam a falta de um menu? Vocês não ficam cansados de memorizar preços como se estivéssemos na era da sociedade feudal?”
“A patroa então é bwé com-pi-li-ca-da. Entra num ouvido, sai no outro. Até parece já nem entra…”
“Angola, Angola! Sempre a puxar a carroça para trás…”
“Falou como, senhora?”
“Nada de pertinente…”
“Xê! A senhora assim vai ler essa bíblia toda aqui?…”
“Claro! Sociologia é um ramo cativante.”
“Eu por acaso não gosto de ler, me dá sono. Ahhh! Desculpa, até já estou a bocejar… mas tudo que preciso, pergunto só no meu professor…”
“Pelo visto, tenho muito a aprender aqui…”
“Por exemplo, o que está a ler, eu sei. Sociologia é tipo psicologia. É a mesma coisa. A diferença é que a psicologia só estuda só uma pessoa mas a sociologia estuda muitas…”
“Pronto, vou querer a sopa e o cozido à portuguesa.”
“E para beber?”
“Por enquanto, nada…”
“Mas a senhora é assim porquê?!”
“Assim, como?”
“Come só assim a seco e não vai pedir bebida…”
“Jovem, vou querer a sopa e o cozido à portuguesa.”
“Ok. Assim o que é que vem primeiro, a sopa ou o cozido?”

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 19.02. 2018

Logo hoje que iria gritar "CORRIGIR O QUE ESTÁ MAL", a queixar o meu carro anão à caravana do PR JLo, o sono me empurra pra cama?

Exa JLo, se por engano deixar um 4x4 (tipo da CNE, que para deputados não dá) para Sua Exa Eu recriar o país, até não me ofendo😁

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Papo na Rádio Morena com escritor Gociante Patissa sobre literatura e desafios ao ensino do Umbundu (44 min)

Uma conversa solta com o escritor benguelense Gociante Patissa, que foi o convidado da edição de 17 de Fevereiro de 2018 do programa AIWÉ, SÁBADO na RÁDIO MORENA COMERCIAL, em BENGUELA, ANGOLA, com principal incidência para os desafios à produção literária em Angola e também os factores à volta do ensino das línguas africanas, com destaque para o Umbundu. Entrevistadores: CONSTANTINO TCHIVELA e RAQUEL NGUNDJA. Duração: Aprox. 44 minutos


O serviço de apoio a Exa. eu divulga hoje o áudio do papo na Rádio Morena sobre literatura e desafios ao ensino da língua Umbundu

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Em linhas tortas (30)

A semana que amanhã finda voltou a colocar na agenda o secular e fracturante tópico do que é (ou não) ser (e/ou sentir-se) angolano, tendo como factores de excitação, por um lado, a hipotética ideia da contratação de professores cabo-verdianos e, por outro, o vídeo de cidadãos congoleses que teriam adquirido por via ilícita o passaporte angolano e postos no Brasil alegam ser vítimas de perseguição política (coisa que qualquer angolano com o mínimo de coerência sabe que não cola, na medida em que as mais sonantes vozes discordantes passeiam pelo país. É verdade que temos um registo recente de assassinato de líderes de partidos da oposição no interior do país, parte deles ainda por esclarecer, o que é vergonhoso. Mas, não haja dúvidas, a diatribe daqueles dois “langas” do vídeo, só mesmo no mundo da fantasia). Havendo a condenar obviamente as saídas extremadas, também não podemos (em defesa de seja que direito for) ignorar que a corrupção endémica em Angola tem permitido a “venda” (de forma escandalosa) de documentos que habilitam a obtenção da nacionalidade, pondo em causa as conquistas de todos os que lutaram e suaram para construir este país, não se sabendo desde já o que o governo/estado pensa fazer para corrigir esse mal. Temos depois, ao que tudo indica, que os restantes países de expressão portuguesa têm o direito de, através de políticas da natureza migratória e outras de natureza pública, salvaguardar a sua soberania e deixar claro quem é e quem não é nacional, com toda a acuidade de recurso à socio-história. Só Angola não pode (digamos, antes, não deve) porque é ofensivo. Quem viaja para lá do território da sua teia cultural facilmente se convence (ou é levado a convencer-se) de que, salvo em casos de dupla nacionalidade, ou somos nacionais ou somos estrangeiros. Até na Namíbia, os angolanos que lá residem desde a era dos contratos (antes da independência) continuam sem o direito a se naturalizarem, por mais namibianos que assim se identifiquem. Os outros têm a prerrogativa de dar vez à vontade de ser ou sentir-se angolano, o que seria ainda mais nobre se estrada de vários sentidos fosse. Os congoleses fazem questão de tratar o angolano exactamente como angolano, não poupando, como se deu recentemente, na violência para escorraçar até famílias que lá residiam há mais de 40 anos. Já o oposto (excluímos o critério da violência) não é válido. Torna-se ofensivo. Em Cabo-Verde, o angolano é angolano. O inverso do paradigma não se coloca, porque ofende. Bom, pondo de parte essa coisa das filosofias expansionistas (tendentes à reedição de paradigmas algumas vezes já desmontados), e recolhidos ao limite da nossa pouca formação, tentamos dar um contributo mais para o sensorial. Sendo líquido que nos queixamos de na ementa dos restaurantes em Angola predominar uma gastronomia que dá pouco espaço aos pratos “típicos” locais, ante o risco de qualquer dia os nossos patrões chineses dominarem o negócio, sua excelência eu achou por bem incentivar a afirmação dos pratos africanos que timidamente são servidos. O funji (há quem lhe chame pirão, shima, no leste) é a iguaria mais imediata. Embora o melhor seja o de casa, o do restaurante merece a nossa atenção como forma de elogiar o arrojo da gerência em coloca-lo entre as opções de buffet, sabendo à partida que vai sobrar, pois não está entre as prioridades dos hábitos de consumo do segmento de clientes do ramo da restauração. Ali é que entra o problema. Acontece que o funji, sendo uma massa feita com farinha do milho e água, torna-se pesado na balança, encarecendo o preço do prato. Paradoxalmente, o alimento mais barato de produzir (1 Kg de milho não deve estar acima de 200 kwanzas), acaba jogando o papel de repelente, já que pela lógica da balança fica mais caro do que o peixe, a carne, o arroz, o esparguete, o marisco, o feijão, enfim… A sugestão é os estabelecimentos taxarem um preço fixo para o funji, do mesmo jeito que fazem com a sopa. Pesar-se-ia só o respectivo conduto (em outras paragens, molho). E em nosso entender, o preço justo devia andar abaixo dos 400 Kwanzas. Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com Gociante Patissa | Benguela, 16.02. 2018

No quadro do regime flutuante do apetite, sua excelência eu já não sabe se ainda almoça às 12h ou às 14h. Ainda era só isso. Obgd

A par dos diplomas universitários a grande revolução das últimas duas décadas na TV angolana parece ser a peruca como qualificador

Alguém ensina como fazer rastreio ou localização de encomendas do estrangeiro nos Correios de Angola? Ainda era só isso. Obrigado

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Congolês de passaporte obtido ilícito a se dizer angolano no Brasil e Europa incomoda? Mas e o ocidental ou negros de cabelo liso?

Esperavam o quê?! Enquanto não conseguirmos diferenciar fé de fanatismo, teremos sempre charlatães que pregam para a câmara de TV e não para o tão almejado Deus. Este país é de um permissivismo que dá raiva. Ainda era só isso. Obrigado

Imagem: Anjo Samuel Manica FB

Citação

«Entre nós, dum modo geral, os músicos e escritores têm de financiar a edição das suas obras, passando as editoras a ser meros prestadores de serviços. Ao nível mundial, a lógica da edição é a inversa. É o editor quem financia as edições e remunera o autor, nos termos do contrato que haja sido celebrado. A isso, adicionalmente, entram nos bolsos dos autores os valores a que tenham direito, cobrados e repartidos pelas sociedades de gestão colectiva, ou seja, pelas sociedades e cooperativas de autores que fazem a gestão colectiva dos direitos dos autores. Tais cobranças têm a ver com a chamada “execução ou utilização pública de obras publicadas” (rádios, televisões, restaurantes, shows, enfim, todos os espaços que usam música ambiente) e com a “cópia privada”, aquela que se faz nos CDS, DVDs, pen drives, fotocópias.»
- António Fonseca (economista, diplomado em estudos Superiores Especializados de Política Cultural e Acção Artística), in CULTURA - Jornal Angolano de Artes e Letras, Luanda, 13 a 26 de Fevereiro de 2018)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Em linhas tortas (29)

Que desenvolvimento parasita é este que parece ser a sina do litoral da província de Benguela, com os espaços públicos à mercê da privatização para particulares, ao que se diz, nem sempre distantes das simpatias do palácio da praia Morena, entra governador, sai governador?! A praça primeiro de Maio, no Lobito, lugar tão simbólico e ponto de encontro entre a cidade velha e a zona alta, pelo desporto e pela cultura, acabou abocanhada a favor dos sul-africanos da Shoprite. É um legado infeliz da era Dumilde Rangel. A antiga Escola/Lar da Uneca, construída por cubanos ali na Kambanda, acabou privatizada a favor de portugueses (e não só), no que hoje é o Colégio Benguela, precisamente numa cidade em que o défice de escolas primárias é notório e mesmo no centro vemos alunos estudando ao relento (a escola ao lado da Angola Telecom é um exemplo). Eis um legado de triste memória da era Armando da Cruz Neto. Nos dias que correm, da praia do Pequeno Brasil, extensão da praia Morena, já só sobram memórias, tal é a tendência voraz do seu talhonamento, um espaço que sobreviveu aos quinhentos anos de ocupação colonial portuguesa mas que sucumbiria nas ambições e narrativa de desenvolvimento da era Isaac dos Anjos. Um dia foi o Morena Beach, por quem dá a cara o empresário Anselmo Mateus, embora haja também quem atribua a sua titularidade ao músico Matias Damásio, que esteve envolvido no projecto por via da sua empresa Arca Velha, na condição de financiadora. Ao lado lhe cresceu um infantário que atende pelo nome de Avó Inha (quando o assunto é citar o nome da proprietária do empreendimento, ao contrário do restaurante Morena Beach, aí já é com pinças). O que para alguns é questionável do ponto de vista da coerência é a determinação, a essa altura do campeonato, em travar a construção de um ginásio no mesmo corredor, quando não se conseguiu (ou não se quis) "combater” as duas infraestruturas de betão que lhe são vizinhas. Exceptuando o espaço que deu lugar ao estaleiro de construção de estruturas para o sector petrolífero pertencente à Sonamet (este, sim, de um impacto enorme no desenvolvimento e nas receitas), parece inevitável nos perguntarmos: que raio de desenvolvimento é este que não reverte a favor do estado a transformação de espaços públicos? Que desenvolvimento parasita é este que do comércio não passa? Que desenvolvimento parasita é este que os (intencionalmente) bons projectos não conseguem ganhar corpo desbravando zonas "virgens" e surgem como que à socapa (porque não há conhecimento público do tipo auscultação) para ocupar espaços onde já há água, asfalto e luz? Quando é que começaremos a responsabilizar as pessoas por erros de gestão na administração pública desde que se achem indícios de se ter beliscado a ética e a probidade? Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 14.02.2018

Diário | Vamos só esquecer, ya?...

“Amor, este lugar que escolheste para o jantar do dia dos namorados não é muito caro? Não te quero causar prejuízos, mor. Sofreste aumento no salário, será?”
“Oh, minha rainha, não liga isso; você merece muito. Hoje é dia especial. Até o próprio wi São Valentim estaria de acordo comigo…”
“Obrigada, você é mesmo um romântico, ya?…”
“Obrigado a você também, miúda, você me completa a metade da cara…”
“Mas, ó mor, afinal quem foi esse São Valentim?”
“Ei, dama, não vale a pena nos metermos em política, vamos só aproveitar a parte boa. Não vamos estragar o nosso jantar, ya? Depois logo ainda corremos só o risco de estragar o puro ambiente de fazer o nosso amor de direito, né?…”
“Como assim, política?!”
“A paz já chegou, vamos esquecer a guerra. Por isso é que há se dar flores e amar com força, cada panela com a sua tampa, bem ou mal…”
“Ainda não apanhei a tua ideia, meu bem. Só perguntei, por cultura geral. Quem foi afinal esse São Valentim que nos ofereceu o dia 14?…”
“Não sei, querida. Bem, já que insistes, né?… Pelo nome, acho que foi da Unita. E se foi um gajo como aquele parente dele, o Jorge, vamos só esquecer, ya?...”
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Catumbela, 14.02.2018

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Diário | Mas o senhor é ou não secretário do secretário?

"Aló, bu noiti!"
"Muito boa noite e votos antecipados de bom apetite ao jantar. Quem fala mesmo?"
"Tenho um assunto macro-didáctico para reivindicar. É o senhor secretário do secretário?"
"Mais ou menos. Mas eu gosto de esclarecer sempre, porque - claro está - a administração pública não é fácil de se lhe entender como parece, não é verdade?... Porque quem o ouve proferir estas palavras é levado e pensar, enfim, que estamos a tratar de uma função de corredor de armazém, sabe? Já agora, não disponho de tempo, se o senhor puder ser breve, agradeço, não é verdade?"
"Mas o senhor é ou não secretário do secretário? Eu tenho um recado para o senhor Ministro..."
"O senhor tenha calma. E eu por norma, até, não atendo números desconhecidos, não sei como hoje. Portanto abri uma excepção. Mas é como diz o nosso povo, uma vez que o céu baixou ao seu alcance, o senhor aproveite arranhá-lo de tudo, não é verdade? Corrigindo, não sou propriamente secretário de um secretário qualquer. Estamos a falar ao nível de um vice-ministeriado, não é verdade? Sou secretário-geral do gabinete de sua excelência o senhor secretário de Estado da Educação para..."
"Já entendi, excelência. É mesmo consigo que pretendo falar. É assim, meu senhor, tenham mais vergonha, faz favor..."
"Mas do que é que está a falar? É que até agora falamos de tudo, menos do motivo deste inusitado telefonema, não é verdade?"
"Quero que o senhor transmita ao vosso ministério a insatisfação minha e de mais homens de bem. Tenham lá melhores ideias! Pensem mais na pátria! Sinceramente, pá! Que cooperação é essa, justamente numa fase em que muitos formados no sector estão desempregados?! Assim também não! Mas o senhor acha mesmo que está bom isso que se ouve que o ministério vai contratar e importar professores cabo-verdianos?! P'ra quê mais, com tanta porrada de homem que aqui há?! Ainda ao menos se fossem só já as professoras, né?, morenas assim bem fresquinhas para diversificar aqui o coiso e quê, hum, seria mais ou menos, né?"

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 12 Fevereiro 2018

A quem interessar, Sua Excia eu informa que cortou no tempo do Facebook para ler livros. Urgências para patissagociante@yahoo.com

Fica a dica

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Outros olhares

Conheço-te pelos pés descalços meninos correndo casa-escola, oh Tchikala Tcholohanga

Há 13 anos, era preciso escalar a bancada deste campo de futebol para se ter um mínimo de sinal de rede no telemóvel e assim falar com a família, deixada no litoral

Há 13 anos, era preciso escalar a bancada deste campo de futebol para se ter um mínimo de sinal de rede no telemóvel e assim falar com a família, deixada no litoral. Acabo de regressar de um fim-de-semana que se pretendia turístico na província do Huambo. Sempre que ali me desloco, faço questão de visitar o município da Tchikala Tcholohanga, que faz parte da minha história profissional a partir daquele mês de Outubro do ano de 2005 quando fui contratado pela ONG internacional inglesa, Save The Children UK, para o posto de assessor da líder de equipa na pesquisa qualitativa em grupos focais sobre Crianças Órfãs e Vulneráveis, coordenada pela australiana Susan Dow. Era até então o salário mais alto da minha vida (1600 USD, mais hospedagem e alimentação). Foi um contexto de miséria particularmente difícil de testemunhar como pesquisador, tendo entre o grupo alvo angolanos retornados da Zâmbia que não tinham literalmente nada para conseguir sobreviver, numa altura em que o PAM (programa alimentar mundial) dava por terminada a sua missão de assistência humanitária. Às vezes visito o passado para não me perder de quem sou e assim valorizar cada sacrifício por que passei para cada conquista nesta vida, digo naturalmente, sem nunca precisar de forçar nada nem usurpar o mérito de ninguém em busca de auto-aceitação e impor visibilidade social. Ainda era só isso. Obrigado
Arquivo

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Outras leituras | Trecho de Another Day of Life (*)

«Oh, Senhor! Apesar de imensas súplicas que Lhe dirigimos, continuamos a perder as nossas guerras. Amanhã estaremos envolvidos em uma batalha de verdade. Com todo o nosso poderio, precisamos do seu auxílio e é por isso que Lhe devo dizer algo: Esta batalha de amanhã será um caso sério. Não haverá lugar para miúdos. Portanto, devo pedir-lhe que não envie o Seu Filho para nos ajudar. Venha você mesmo.»

(*) Traduçao do Blog www.angodebates.blogspot.com da prece de um guerreiro de nome Koq, pertencente à tribo N'Khosa, na África do Sul, recitada na véspera da batalha com os Boers no ano de 1876, dirigida, também, provavelmente ao mesmo Deus cristão, conforme citado no livro «Another Day of Life» [Pinguim Books,África do Sul, 2001], da autoria do repórter polaco Ryszard Kapuscinski, sobrea Guerra de Angola

Em linhas tortas (28)

O centro da cidade de Benguela está tomado de assalto por homens de fato e gravata, não lhes faltando a rosa na lapela. Parece uma feira ambulante de noivos, mas logo fica a dúvida, na medida em que não se fazem acompanhar de grinaldas. Por enquanto são apenas advogados a prestigiar a vinda do seu bastonário, Monteiro de sua graça. Fazem-se acompanhar daquele defeito de se tratar por doutor disto e doutor daquilo, um formalismo que já é marca. Boa parte deles, enquanto se juntam ao "cortejo" glamoroso, quase competindo em rasgados sorrisos e veneração à altura do decoro, não perdem a oportunidade de ir murmurando por uma alegada morosidade burocrática da entidade cujo punho homologa a sua passagem de estagiários a advogados com licença efectiva. "Afinal quer verificar mais o quê nos processos que se acumulam?! O Cachimbombo, até, não complicava ninguém".  Pensemos em abrir uma boutique, que do resto as universidades cuidam, formandos em direito é o que não falta. Ainda era só isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Debate

Opinião | Sobre o feitiço, uma agenda informativa inconsequente?

Imagem: Berimbau Notícias (Brasil).
Acompanhei com redobrado desgosto no noticiário da Rádio Mais do Lobito uma peça sobre o intrigante tema da feitiçaria, sobretudo pela ligeireza do ângulo de abordagem. Na referida matéria, apresentada com um implícito tom que oscila entre o criminal e a punitiva moral cristã, ouvia-se uma senhora que alegadamente confessava ser responsável pela morte de três filhos seus por meio de um feitiço que recebera de um tio seu.

Pelo sotaque, a acusada é da etnia Cisanji, do município do Bocoio. Tal feitiço, relatado na voz triunfalista do locutor e mais tarde reforçado pela suposta bruxa confessa, seria também responsável pela atracção do êxito na produção agrícola só para ela, enquanto para as demais lavras vizinhas o ano produtivo foi de desgraça. No trecho que acompanhei não se ouvem sociólogos nem psicólogos nem historiadores nem antropólogos nem autoridades tradicionais. A peça termina com a senhora a dizer mais ou menos o seguinte:

«Sempre que os familiares vão ao kimbanda para o trabalho de adivinha, o meu nome é que sai visado. Então, eu disse que como sempre é a mim que acusam de estar a causar o mal à minha própria família, então confesso e entrego o tal feitiço.»

Será a confissão substância suficiente para a pauta do tipo “facto do dia”? Enfim, é de uma superficialidade inquietante, na medida em que não se consegue vislumbrar o papel da rádio no day after da “notícia”. Voltará ela ao mesmo meio social após esta difusão “bombástica”? Em caso de retaliação violenta, a quem iremos cobrar responsabilidades? Seria mesmo um assunto para tratar na comunicação social, ademais sem ser numa perspectiva de interdisciplinaridade (congregação de vários saberes para uma melhor compreensão do quadro psicossocial dos agentes envolvidos na problemática)?

A Rádio Mais embarcou numa “especialidade” da editoria Umbundu da Rádio Benguela, onde a exposição de alegados feiticeiros acaba, não alimentando a coesão social, mas o sensacionalismo efémero. Há meses, uma senhora do Cubal teria assumido autoria da inflamação da barriga do marido (num quadro de ascite), alegadamente por ter preparado o feijão com a água antes usada para lavar as partes íntimas dela para o tornar mais manso. E lá se ouvia o locutor justiceiro a puxar as orelhas pelo microfone, assumindo como suas as dores de um “crime” que para já não testemunhou.

E não é só em Benguela. Noto uma tendência inconsequente, quase exótica, de abordar o assunto da feitiçaria nas agendas informativas de algumas rádios, sempre no prisma de cidadãos que confessam autoria de danos (algumas vezes irreparáveis) na vida de outrem. A impressão que fica é de caminharmos para um exercício jornalístico social kamikaze.

Há dias recebi o áudio de uma das rádios de Luanda a reportar uma criança de doze anos que se dizia, à semelhança de outras da sua rede, utente do poder sobrenatural de transformar qualquer um em qualquer coisa. Gabava-se de ter causado deficiência a um agente da polícia por alegadamente não lhe pagar a dívida do negócio. Teria recebido o feitiço de uma “langa” (cidadã oriunda do Congo Democrático), sua sequestradora.  

Faz imensa falta nas redacções a figura do editor de cultura, aquele profissional dotado de vasta cultura geral e compreensão endógena da idiossincrasia do grupo etnolinguístico predominante na região. Informar por informar não forma. Ainda era só isso. Obrigado.

Gociante Patissa | Benguela, 8 Fevereiro 2018 | www.angodebates.blogspot.com

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Em linhas tortas 27

Há dias que não fotografo. Andam as bolsas almofadadas atiradas a um cantinho, nelas o património: lentes fixas e de zoom, corpo, flash e afins. O último retrato de jeito captei-o foi no dia de Natal. Fotometria no ponto, expressão ainda melhor, como só a ternura de criança sabe proporcionar. Hoje no entanto acordei com uma forte vontade de gravar a vida, pelo que recolhi o arsenal todo, repartido em três volumes, fora de contas estando o tripé e o monopé. Resta metade do dia ainda. E o problema é que estou aqui parado, de conceito e de técnicas sem bússola. Alguém me passa o Exif para capturar o futuro? Queria muito o meu. Ainda era só isso. Obrigado
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Procura-se intermediário para vender meu Facebook. Há muita solicitação no chat e me falta tempo. Comissão tipo nos terrenos. Obgd

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

ÁUDIO (45min) | Abordagem sociocultural do escritor Gociante Patissa sobre 4 de Fevereiro na Radio Benguela 2018 (45 min)


O programa ENTRE NÓS, da Rádio Benguela, apresentado por Filomena Maria, convidou na edição do dia 05/02/2018 o escritor benguelense Gociante Patissa para uma abordagem sociocultural em torno do dia 4 de Fevereiro de 1961, data do início da luta armada de libertação Nacional em Angola. A par do aporte cultural fruto da recolha da memória colectiva e da tradiçao oral Umbundu, Gociante Patissa emprestou também à conversa a sua condição de neto de Manuel Patissa, líder religioso do interior do município do Bocoio e antigo combatente que por conta da sua postura subversiva foi preso político de 1961 a 1965 na cadeia de São Nicolau, hoje Bentiaba, província do Namibe.

TRILHAS: Sulunlã (Bessa Teixeira) e Monangamba (Rui MIngas)
www.angodebates.blogspot.comwww.ombembwa.blogspot.com

Os serviços de apoio à sua Exa eu colocam esta noite online o áudio sociocultural de hoje na Rádio Benguela sobre o 4 de Fevereiro

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Recebo ultimamente (no facebook) pedido de amizade de moças lindas, morenas, bundas/pernas a Evereste, perfis impessoais. Sou assim tão fofo?

Nota solta | Gratidão ao director da escola José Samuel por manter a sua memória

Estive recentemente no bairro da Pomba, subúrbio poeirento pendurado na Zona Alta do Lobito, para (mais) uma ocasião de infelicidade. Lá reside o núcleo da minha família materna, que é das bandas da Kanhãla, Ekovongo, Ebanga, confluência de Bocoio e Ganda. 

Na hora da despedida perguntaram-me se tinha chegado a visitar a foto do tio José Samuel que, como já em tempos referimos, foi filho de Samuel Ferramenta Kapiñala (morto na guerra pós 1992), primo-irmão de Gociante Kapinãla (que faleceu por doença em casa de um dos filhos de Ferramenta, Isaac Samuel). Desta vez tive de o fazer. 

Posto no colégio público José Samuel, sito no bairro da Lixeira, expliquei ao guarda em serviço que ia por motivos familiares para ter foto da foto do tio que dá nome àquela instituição de ensino. Era já fora do horário normal do expediente, pelo que me foi facultado um não. Instantes depois aparecia um senhor da área pedagógica que se comoveu e autorizou a entrada. Contou-me que a fixação do retrato logo à entrada resultara da boa-vontade do director da Escola, José Raimundo, que fora compulsar os arquivos do comité municipal do partido Mpla e que de sua iniciativa mandou lapidar a placa de mármore. 

Ainda desconfiei que o camarada director deverá ter algum parentesco, pois o que menos se vê é empenhar-se em preservar a memória de "heróis pequenos", num país reconciliado que mais facilmente eleva carrasco ao patamar de "nacionalistas" e lídimos fazedores de opinião, por mais controversos que sejam na sua acção e verbo. José Samuel, que dá nome ao terreno adjacente ao banco de fomento da zona comercial (28) e ao comité do de acção do Mpla ali também, para além da escola da zona alta, foi abatido em 1975 no calor da rivalidade com a Unita, sem nunca se ter levado os autores morais, bem conhecidos por sinal, à justiça. Assim sendo, gratos, senhor director. Ainda era só isso. Obrigado. Daniel Gociante Patissa | www.angodebates.blogspot.com

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Debate | QUAIS AS VANTAGENS E DESVANTAGENS EM EXERCER ACTIVIDADE RADIOFÓNICA COMO COLABORAÇÃO NÃO REMUNERADA? VOCÊ FARIA? PORQUÊ?

Alguém sabe dizer se as árvores derrubadas pelo bar Alfa já estão a ser replantadas, conforme garantia da Adm. Municipal do Lobito?

Em linhas tortas (25)

Não vais acreditar, wi!, mas ainda há pouco pensei neste dia 14 que está a vir. Fogo, meu! Vocês são o casal que me inspira! O vosso amor é um grande exemplo! Sabiam?... Nem parece que ainda faltam três anos p'ra dama completar 18!.. (transcrição)

(arquivo) Nota solta | AINDA A MORTE INSTITUCIONAL DO K, W, Y NA TOPONÍMIA, NO PORTUGUÊS DE CÁ E A BOTA DE ASSIMILADOS QUE NUNCA MAIS DESCALÇAMOS

Tem muita piada, muita mesmo, o argumento "refinado" na classe intelectual para defender esse erro administrativo de nos continuarmos a negar a nós mesmos em nome da "união". Em duas ocasiões diferentes, uma num programa radiofónico emitido de Luanda para o país todo, outra noutro programa também radiofónico por Benguela, passou-se a ideia de que "quando escrevemos cota com a letra C [querendo dizer irmão, irmã, pessoa mais velha de nós, e em alguns casos pai/mãe], estamos a usar o português do Brasil e de Portugal. No português de Angola é que é com K." Mas, oh caramba!, não seria mais inteligente explicar como a palavra surge, ao invés de andarmos a branquear as coisas? Os portugueses e os brasileiros têm COTA, sim, com a letra C, que é indicador estatístico (como por exemplo a cota de 30% de representação feminina no parlamento). Agora, quando se trata de grau parentesco - e não há cá esses avanços para trás - estamos em presença da palavra de origem BANTU, que é KOTA. É assim em Kimbundu, é assim em Umbundu, pá! Se ao longo do processo histórico a "cultura superior" dominante foi cega às nossas raízes, cabe-nos, hoje que já somos (ou devíamos ser) soberanos, ensinar aspectos linguísticos na interdisciplinaridade com a história e antropologia. Como se já não bastasse a tendência de pronunciar o R carregado como se andássemos a expulsar uma espinha de peixe entalada na garganta, numa incompreensível vaidade de negar a nossa pronúncia palatina; como se já não bastasse andarmos aos sotaques mecânicos, mesmo quando até nunca botamos o pé na Europa (e não são poucos os casos); vem agora essa coisa de confundir influências regionais com erros de concepção ou normatização ortográfica. Não me venham com essas leviandades de "ah, no português do Brasil e de Portugal é com C, no nosso é que é com K", num subtil aconselhamento do tipo "tanto faz". Quer dizer, quando convém (como acontece com o ku-duro, as misses e o semba) evocamos orgulho ao que é nosso. Já quando tem que ver com aspectos da nossa identidade como africanos, reeditamos a bitola com que durante séculos fomos subjugados. Como dizemos no bom Umbundu, "Wakambi osõi!" (Tenham mais é vergonha!)
Gociante Patissa, 4 Janeiro 2015 | www.angodebates.blogspot.com

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Quando você é miss turismo mas o seu ponto forte mesmo é o pânico

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Diário | Mas o meu pai não tem sorte, ya?...

“Aló, mulher!”
“Sim, marido, está tudo?”
“Está e não está…”
“Então, este recrutamento vai ou não vai? Já fiz a minha parte, que era influenciar o PCA meu pai a te indicar director dos RH. Agora vê lá se não me fazes comprometer…”
“É mesmo este o problema, querida. Não está fácil apurar o candidato certo para o posto de assessor-conselheiro para o PCA meu estimado sogro…”
“Ainda?”
“O CV’s até têem algum peso, mas quando chega nas entrevistas é que fico baralhado. Meu amor, não deixa o teu pai me exonerar, pelo nosso amor, faz favor…”
“Mas o que é que se passa de concreto?”
“No perfil dos candidatos. Não se acham qualidades e competências que procuramos…”
“Como assim?!”
“Repara que um, ao lhe perguntar as qualidades pessoais, me respondeu que é honesto, que nota um oportunista à distância. Isso se fala?! Esse assim tem objectivos na vida?!”
“Esse é um caso perdido, amor…”
“Eu falei ‘meu irmão, a pessoa tem que ter metas e espírito de concorrência. Se for preciso agitar as águas e mostrar o que vales, isso é estratégia de vencer, não tem nada a ver com intrigas. Se há um mambo da empresa que te pode resolver as necessidades, você olha mais atrás?! Este é o mundo do chegou e ganhou, ou não é isso?”
“Puxa, mor, vendo assim o cenário, são jovens assim sem ambição de subir na vida, né?”
“Ah, mas ainda não ouviste o outro. Lembras-te de quando nos passaram aquela fórmula do humanismo contra o pedantismo matemático na gestão?”
“Sim… quer dizer…”
“Um então não lhe perguntei já quanto é 100+100? Dá 200!, insistia o burro. Ainda lhe dei pista para não ir muito por aí, que daria 200 e qualquer coisa, talvez e 20…”
“E ele?”
“De maneira nenhuma! Teve sempre professores matemáticos muito bons. Para ele,100+100 é igual a 200, e ponto final! Esse não vai incomodar os saldos do PCA?!”
“É. Por acaso há que ter cuidado, há pessoas globais que não se ajustam às leis de gestão local…”
"Nem mais..."
“Agora vamos fazer como, querido, se daqui a pouco termina o prazo?”
“Havia um miúdo que de longe parecia bom. Alto, musculoso, cara feia, olhos vermelhos. Lhe perguntei assim: na qualidade de assessor-conselheiro, algumas vezes terás de dar a cara em nome do senhor PCA. Como é que estamos em termos arrogância?”
“E ele?”
“Ah porque ‘como humano, não posso dizer que não tenho, mas procuro dominar os impulsos’. Mor, esse assim conseguiria encostar os grevistas à parede, tal como falavam que fazia aquele director karateka que chamava os sindicalistas um a um durante os treinos dele no ginásio?”
“Mas o meu pai não tem sorte, ya?”
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 31 Janeiro 2018

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Citação

"O teatro em Angola é visto como um teatro" (Flávio Ferrão, encenador angolano. In Conversas de Bar, TPA2, 29/01/2018)

A literatura angolana está de parabéns! "Abre o livro" de Noite e Dia venceu no Top Rádio Luanda 2017. Ainda era só isso. Obrigado

"Noite e Dia na sua inovadora banca de leitura" (foto de autor desconhecido)

Diário | Isso existe?!

"Mor, mor! Estás muito ocupada?"
"Muito até não, mas podes pedir..."
"Obrigado, mor. Ah! Essa vida não presta, ya?..."
"Oh, mor! Que cara é essa?! Estas mesmo arrasado!... Mas tu em casa a estas horas?! Tiveste problemas no serviço, mor?"
"Dá só um jeito naquelas calças pretas e camisa de luto. Quando eu sair do banho quero encontrar junto com as meias pretas, sapatos negros mais os óculos de sol, ya?"
"Oh, meu querido! Deixa-me antes dar-te um abraço. Coitado! Sabes que me corta o coração te ver assim todo sentido..."
"Obrigado, mor. És mesmo carinhosa nos momentos que a pessoa mais precisa..."
"Não agradeças. Estar ao teu lado é a minha razão de viver..."
"Mas o Mimoso não podia! Não podia mesmo fazer isso connosco, nós amigos de infância. Morrer assim tão cedo?!"
"Mas, quem é o Mimiso? Acho que não conheço este teu amigo. Tento mas não consigo lembrar a fisionomia dele. Esteve no nosso casamento?"
"Bem, os convites como eram limitados - lembras-te do valor do buffet, né? - então não deu para contar com ele, mas..."
"Ah, ok. Mas morreu de quê?"
"Aquilo até não foi de muitos dias... Ligou-me na segunda-feira, agora estou a ouvir que no sábado assim mesmo já deu o último suspiro... Ah, como o Mimoso nos traiu..."
"Sinto muito, mor. Quando o foste visitar, ele tinha assim ar de abatido?"
"Bem, por causa do trabalho, não cheguei a ir visitar - já sabes o quotidiano urbano - mas todos os dias lhe mandava mensagem de rápidas melhoras. Tive esta preocupação..."
"Mas, ó mor! Não te estou a reconhecer! Então nos eventos sociais não o convidaste. Na doença não lhe visitaste. Agora que morreu, o Mimoso já é prioridade?! Isso existe?! Poupa-me. Engoma tu mesmo o teu traje de luto, o ferro até já está ligado à tomada, ya?..."
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Restinga do Lobito, 29 Janeiro 2018

CONVITE AO EXERCÍCIO DA CIDADANIA SOS SANTA CRUZ

Caros moradores do bairro Santa Cruz, entre Lobito e Catumbela, o cheiro tóxico das indústrias do PDIC não terá solução se não fizermos uma denúncia colectiva. Sabemos que por detrás das fábricas há interesses de gente com dinheiro, logo, todo o "barulho" que se fizer será importante para reforçar possível intervenção da administração municipal junto da inspecção provincial da saúde. Que tal cada um de nós escrever no seu mural qualquer coisa de protesto pacífico e cidadão? A sugestão é: "Pela saúde dos moradores do bairro Santa Cruz, acabem com a poluição do ar que vem das indústrias do PDIC. Antes do lucro, os direitos do cidadão!"
Ainda era só isso. Obrigado
Daniel Gociante Patissa | 29.01.2018 | www.angodebates.blogspot.com

domingo, 28 de janeiro de 2018

Citação

"Durante muitos anos, houve no nosso país a desvalorização de práticas positivas e boas. Uma pessoa honesta era vista como um burro. Ser honesto não era visto com bons olhos, era sinal de falta de ideias" (Vicente Pinto de Andrade, político e economista angolano. In Telejornal da TPA, 28.01.2018)

Denúncia | ATENÇÃO, MINISTÉRIO DA SAÚDE BENGUELA

Excelências, está um cheiro horrível a produtos químicos no bairro da Santa Cruz, que liga os municípios do  Lobito e da Catumbela, na província de Benguela, junto da rotunda que dá para o estádio do Buraco, entre as instalações da Fertiangola e as fábricas de material descartável, no perímetro do Polo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela (PDIC). Não é a primeira vez que se faz uma denúncia a respeito de tal poluição ao ar que se respira, mas voltamos a fazê-la a bem da saúde dos moradores, já tendo em conta que a nossa sociedade é vulnerável a doenças infecciosas. É um cheiro intenso e desconfortável, que não pode ser absorvido como algo normal, pelo que se impõe o posicionamento das autoridades sanitárias no sentido de averiguar possíveis atentados à saúde humana que venham a resultar das unidades produtivas instaladas nos antigos talhões de cana-de-açúcar da açucareira primeiro de maio da Catumbela.
Ainda era só isso. Obrigado
Daniel Gociante Patissa www.angodebates.blogspot.com

Diário | Assim queres te armar em quê?!

“Filho, filho! Prepara-te, despacha!!!”
“Para quê, pai?”
“Vamos à marcha. Estás com 16 anos, portanto, menos dia, mais dia, praticamente chegou o momento de seres homem…”
“Mas isso é aonde?”
“No centro da cidade. Concentração no jardim do hospital, na rua da TPA e da TV Zimbo, vamos acabar na rotunda do Kalunga… Nós os dois começamos e com os cartazes que andei a preparar, vais ver que mais gente se vai juntar…”
“Mas qual é o tema?”
“Primeiro: fomos chamados de país de merda pelo Donald Trump…”
“Mas quem é Trump, pai?”
“Como é que não sabes uma coisa destas, filho?! É o presidente da América…”
“E o senhor Trump vai saber que marchamos contra ele?”
“Nós fazemos a nossa parte. Os camaradas da TPA, da TV Zimbo, da Rádio Ecclesia, como é mesmo na rua deles que passa a marcha, terão que fazer barulho do assunto…”
“Mas a privatização da praia do Pequeno Brasil para construir bares não é também ali?”
“Não quero chocar com ninguém, filho, é melhor não se meter…”
“Ok, pai. Tem mais outro tema?”
“Segundo: vamos marchar contra o nepotismo neste país.”
“Nepotismo é quê, pai?”
“É colocar familiares nos lugares de benefício daquilo que é de todos…”
“Tipo quando o pai vai visitar a família da mamã com a moto da secretaria da igreja?”
“Assim queres te armar em quê?! Também estás a seguir os revús às escondidas, né?!”
“Mas o papá não tem dito que as contradições geram desenvolvimento?”
“Mas não tem nada a ver, filho! Estavas já a querer ir longe dum coro…”
“Não foi intenção, pai. Desculpa. Estou quase pronto…”
“Terceiro: marchar pelo respeito pela constituição e mais transparência…”
“Transparência é o quê, pai?”
“Prestar contas sobre a forma como se gere o que é de muitos por direito…”
“Ah, bonito. Pai, assim por curiosidade, quanto é que o pai recebe em nosso nome no salário como abono de família?”
“Mas, oh rapaz! Achas que são maneiras perguntar quanto é que alguém ganha?! Você não costuma comer?! Por acaso andas de roupa rota, hã?!”
“Desculpa, pai. Era só para entender melhor a transparência…”
“É assim. Eu sei que com a vossa mãe às vezes reclamam de uns pequenos lapsos meus. Falam que não sei ser humilde, que não reconheço os meus erros e assim não ajudo a encontrar caminhos para os prevenir. Mas é assim: só erra quem trabalha, ouviu?!”
“Está bem, pai.”
“Temos de exigir mais ética durante as palavras de ordem do protesto, ok?!”
“Ética é o quê, pai?”
“Ética é ser exemplo de arbítrio moral, coerência entre o falar e o fazer, o bom-senso… Porra, pá! Sinceramente, você também é um aluno da merda, ya? Tudo só é dúvida?!”
“Pai, pai. Faz mesmo sentido irmos começar esta marcha?”
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Catumbela 28 Jan 2018

sábado, 27 de janeiro de 2018

Momentos de celebrar. Sua Exa. eu se deu encontro com a D. Manuela Costa, assistente social que me enriqueceu a passagem pelas ONG

Em linhas tortas (23)

O passo seguinte, olhando para o rumo dos ventos novos, será o pagamento de portagem aos donos singulares de novos estabelecimentos para se ter acesso à praia. Os benguelenses ainda resmungam pequeno Brasil, acham que têem passado a preservar. Voltam a acreditar na força da sua utopia em demover os autorizados e respectivos autorizadores de plantar malha de comércio decidido a fechar em definitivo espaços comuns seculares  à beira mar herdados. Outros porém, arraigados na promessa da oferta de emprego como escadote, já o dissemos antes, seguem assobiando para o lado, bloco sobre bloco. São seres superiores em sofisticação e de uma moral ainda não decifrável nesta nossa encarnação. É bem capaz de se regerem por conceitos do século 24, e nós os demais ainda tão atrasados no século do bom-senso e das preocupações ecológicas, né? Ontem nasceu um Morena Beach em tampão à universidade, ao lado caiu-lhe cedo e de pára-quedas um infantário, a mesma fórmula está a dar forma a um projecto vertical sem placa a divisar. Não se conhece o rosto de quem nos está a "obrar" por cima. Talvez alguns saibam quem, dizer é que ninguém ousa. Daqui a pouco a poeira assenta e levamos com mais surpresa, que não chega a ser honestamente uma surpresa como tal. É da nossa natureza reivindicar... para melhor aceitar. Rendamo-nos, atados e apequenados pela sinuosa calmaria dos bastidores burocráticos. A lei, feita por homens para servir os homens, sabe para que lado pender. E para já não é para o da memória colectiva ou do bem comum. Boas-vindas, caros donos de todos nós, só não se esqueçam depois é de estipular o valor da portagem. Ainda era só isso. Obrigado.
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 27 Janeiro 2018