PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Já tem preço. Faz favor de passar pelo Kero de Benguela. Ainda era só isso. Obrigado


Piratas cibernéticos e falta de apoios ameaçam projecto informativo | PORTAL PÉROLA DAS ACÁCIAS RECUPERA DE MAIS UM ATAQUE

O portal Pérola das Acácias foi lançado há dois anos, com hospedagem online no endereço www.peroladasacacias.net . Assume-se como veículo generalista de informação alternativa, tendo a província de Benguela em primeiro plano e depois o país e o resto do mundo. Na semana passada, leitores do portal estiveram privados do seu serviço. Foram quatro dias com o site fora do ar. Na verdade, este não foi o primeiro “apagão”. O blog Angodebates manteve uma breve conversa com o gestor técnico do portal Pérolas, o jornalista Horácio dos Reis, que conta na iniciativa arrojada com a parceria do também jornalista João Marcos.

Angodebates: Quais foram as razões da queda e que prejuízos, se é que há, a registar?

Horácio dos Reis (HR): Primeiro, razões técnicas. Fomos fortemente atacados. o ataque provocou sérios danos à estrutura anterior e na base de dados. Facilitou o ataque a falta de pagamento de alguns serviços de protecção, o que fragilizou ainda mais o nosso sistema de segurança. Criou-se uma nova estrutura e agora estamos no ar, mas a maka financeira continua. Porque mesmo tendo uma audiência na ordem dos 100 mil acessos diários, estamos sem publicidade.

Angodebates: Por quantos dias esteve o portal fora do ar?

HR: Foram quase quatro dias.

Angodebates: Quais são os principais desafios do projecto?
HR: O grande problema nessa altura é financeiro. Não se consegue sustentar em termos técnicos e remunerar o pessoal, daí que não temos jornalistas efectivos. Os milagres técnicos são todos feitos por mim. Se não tivesse uma formação nessa área, já era...

Angodebates: Quem sustenta o site?

HR: O site é financeiramente assegurado por benfeitores do próprio projecto, o João Marcos e eu.

Angodebates: Quando foi lançado o Pérolas?

HR: Estamos a caminho do segundo ano. Em termos de publicação de notícias começamos em outubro de 2015, mas criamos o projecto em Maio do mesmo ano.

Angodebates: Que avaliação faz do projecto e seu impacto?

HR: Grande impacto, é só olharmos nos números de acessos...estamos no site com mais 100 mil visualizações por dia, quase 60 mil gostos na página.
Gociante Patissa, Benguela, 26.05.2017
www.angodebates.blogspot.com

quinta-feira, 25 de maio de 2017

África Mãe Zungueira

ÁFRICA MÃE ZUNGUEIRA

Esta que se aproxima
carrega uma criança às costas e outra no ventre
uma nuvem húmida rasga-lhe a blusa
lembrando que é hora de parar e amamentar
e lá vai ela seguindo o itinerário que a barriga traçar
gestora de um ovário condenado a não parar
porque é património social
penhora o útero na luta contra a taxa de mortalidade

Conhece bem demais a cidade
não tanto pelos monumentos
mas pela necessidade
viandante como a borboleta
fez-se fiel e histérica amante
da lei da compra e venda de porta à porta
uma lei entretanto não prevista por lei
“depender só do marido? Nunca”
mal acordou a urbe já peleja aliciando clientes
no estômago só o funji do jantar de ontem
sem tempo sequer para escovar os dentes

Lá vai mais uma dobrando a esquina
de pregão firme como a voz do tambor
humilhada aos poucos pelo sol
nos mapas de salitre da poeira que adormeceu no suor

Forte por fora muitas vezes vulnerável no íntimo
veja esta
nos olhos encarnados grita despercebida
uma mulher mal amada
nunca descoberta
rainha de etapas queimadas
ele que devia ser companheiro
é de se esconder no copo
quando os ventos são ásperos
autentico chá em taças de champanhe
não estar disposta para mais um suor sagrado
é para ele frontal apelo à violência
habituada a levar da cara odeia a sinceridade do espelho

Por aqui passou mais uma profissional da zunga
protagonista anónima com mil mestrados da vida
contudo não contada na segurança social
para o turista uma espécie de paisagem
rosto de uma noite que lançou a mulher
às avenidas dialécticas dos centros urbanos
no seu dever de sustentar a sociedade
a mesma que a condenará antes de amanhecer
por não participar da vida política
ou por não saber ler
nem escrever

In «Consulado do Vazio» (Gociante Patissa-KAT consultoria e empreendimentos, Julho 2008)

(arquivo) Diário | A VÍTIMA MAIS É QUE TEM A CULPA?!

(I)
“Doutora Felismina! Venha só ver. O que é que eu fiz para merecer isto???!!!”
“O que foi, doutora Ernestina, para tamanho alarido?”
“O seu filho, um matulão destes, que até leite do biberão dei, hã!, hoje vai pegar à força a minha filha?! E quando vou-lhe perguntar me responde com duas bofetadas?!”
“Mas a doutora Ernestina já viu a gravidade da acusação? Qual é o corpo de delito?”
“Repare, doutora Felismina, as escoriações no corpo da menina, a lingerie rebentada…”
“Credo! A doutora agora sente o monstro que pari, né? É isso! Quando eu batia no gajo ou ralhava, a doutora defendia, ‘ah não, não podemos muito apertar com os miúdos’. Que me perdoe Deus, mas não somos mães para passar a vida a limpar as cagadas, quer dizer desvarios, dos filhos. Está aí ele, é maior de idade. Faça o que achar correcto.”

(II)
“Alô! É do 113? Preciso patrulheiro, é urgente!!! Tenho uma queixa. O senhor polícia está a ver o filho da doutora Felismina?” (…) “Ah, não conhece? Eu explico. É assim um pouco alto, músculo de pedreiro. Então não é que apanhei o gajo a violar a minha filha! Como mãe que sou, lhe chamei um nervo. E a resposta? Duas chapadas da minha cara. Pwá! Pwá! Isto assim é legal?” (…) “Onde fica a minha casa? Na casa da patroa! Moro no anexo atrás da casa.” (…) “O meu nome? Doutora Ernestina.” (…) “Como assim, ‘doutora é o seu nome?!’ Então, mas uma empregada doméstica não pode ter licenciatura, ó senhor agente?! Desculpe-me lá, mas há cada pergunta!… curso de Direito.” (…) Qual é o itinerário? Mas, ó senhor polícia, francamente! Numa situação de emergência pericial, o presumível delinquente pode escapulir, hã!, você ainda me pergunta o nome oficial da rua?! Não era mais fácil perguntar se a casa fica ao lado de quê?!” (…) “Ah, pronto. Está desculpado!”

(III)
“Doutora Ernestina, como vai esta saúde?”
“Vai bem, doutora Felismina. Até estou a estranhar a sua visita. Alguma coisa?”
“Quê isso, doutora?! Já não podemos mostrar preocupação com os mais próximos?”
“Quer saber quando é o julgamento do vosso filho na violação frustrada à minha filha?”
“Para ser franca, é por isso. A doutora nunca só cogitou, como mãe, retirar a queixa?”
“A doutora sabe que o agressor chegou a ser solto sem explicação? Tive de pedir uma audiência para questionar a justeza da instrução do processo. Depois de tudo voltar à primeira forma, fiquei mais descansada. Agora é com o ministério público…”
“Doutora Ernestina, acho que está a ser preciosista, a criar situações onde não existem.”
“Como assim, doutora Felismina?!”
“Mas a doutora não sabe que a cadeia não tem condições, há mosquitos, superlotação, doenças, desvios sexuais e tudo?! Quando penso que ainda ele não me deu netos…”
“Doutora Felismina, não acha que deve perguntar isso ao ministro da justiça? Então, se o habitáculo prisional é desprovido de habitabilidade, a vítima mais é que tem a culpa?”
“Não nego o erro do meu filho, mas tenta lá retirar a queixa, ser humana, doutora. Assim vai-me dizer que você nunca levou uma bofetada do seu falecido marido?”
“Doutora Felismina, por favor, não me faça envergonhar! Então gastamos quatro anos a estudar de noite o Direito para hoje defender que o lugar de criminoso é em casa?!”
Gociante Patissa. Benguela, 25 Maio 2016
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terça-feira, 23 de maio de 2017

Banda FM reforçada com maior percussionista de Benguela

Conhece o mistério do batuque como pouquíssimos. Depois de um defeso forçado pela desintegração da Banda KS (Kamutangre Show), o homem regressa ao lugar de onde nunca deveria sair, o da arte. Há já um ano que Tony Tchoko faz parte da Banda FM, da Rádio Benguela, que o convidou para substituir um dos integrantes que se mudou para Luanda com uma nova proposta de trabalho. 

É provável que alguns dos nossos leitores não façam ideia de quem se trate, posto que, como todo o trabalho de equipa, há os que se destacam mais, a exemplo do vulcão que é a vocalista Alexandra, em comparação com os da linha de trás, os instrumentistas.

Tony Tchoko, o bangão da então comuna da Catumbela, bairro do Akala, havendo também quem o conheça pela acunha de Tchoma, é para todos os efeitos o mais regular percussionista nos palcos da música quando se fala em bandas profissionais nos últimos trinta anos da história da província de Benguela.

Com pouco menos de seis anos de existência, a Banda FM conseguiu catapultar-se para referência obrigatória, em função da qualidade e coesão do seu produto, não ficando em nada a dever a outras do país e não só. Do seu palmarés constam o suporte a nomes como Bonga, Yuri da Cunha, Ricardo Lemvo, Monic Seka, para só citar estes.

Segundo uma fonte muito bem posicionada nos bastidores do sector, Tony Tchoko teria dado os primeiros passos, já em termos profissionais, na Banda Kamoringue, da BCA, ligada às então Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (Fapla). Na década de 90, do século vinte, atingiria o auge com a Banda KS (Kamutangre Show), do Lobito, que deu suporte a diversas realizações institucionais e não só, sob liderança de Chico Sandro, actual representante da União Nacional dos Artistas e Compositores (Unac).

Não poucas vezes, Tony Tchoko foi visto, durante a vigência da Banda KS, no papel de vocalista de um clássico do grupo, o vibrante tema conhecido pelo trecho “segura a garina, dá-lhe aquele toque da moda.” O certo é que o KS se desintegrou e nem todos os membros conseguiram manter a actividade a solo.

O blog Angodebates presta aqui o tributo a Tchoko, na esperança de que ele continue a resistir à tentação de “migrar” para a capital, onde obviamente não lhe faltariam oportunidades de singrar, o que, no entanto, empobreceria a província de Benguela. Estamos consigo, mano!
Gociante Patissa, Benguela, 23 Maio 2017

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Neusa Linda Sessa a "Cantar um conto"

Divagações | Ponto de situação

Há muito mais a publicar de fotos e texto sobre incidências em torno do Top Benguela Acácias de Ouro, mas sua excelência eu anda assim com uma preguiça daquelas, sem falar do tempo complexo de conciliar o emprego e o louco lado das letras. Essa vida de "faztudo" ainda um dia me mata rsrsrs. Acho que vou pedir ao chinês para me fotocopiar. Dá mais jeito. Ainda era só isso. Obrigado

domingo, 21 de maio de 2017

(DOS ANÚNCIOS INSÓLITOS) Na verdade aplicam-se outras coisas mais que entretanto não couberam no cartaz. O sítio? Aquele mesmo, Benguela periferia. Ainda era só isso. Obrigado

SOS | Flash barato para Nikon

Ao cabo de quatro anos de trabalho voluntário (é isso mesmo, andamos a fotografar por pura paixão), o flash de sua excelência eu, adquirido a cem dólares americanos no norte da Namíbia, entendeu ainda avariar. A sapata (plástica) que encaixa no corpo da máquina rachou. Assim, as últimas fotos do Top Acácias de Ouro tive de fazê-las com o embutido pop up. Assim sendo, mesmo que não caia bem chatear vossas excelências ao fim-de-semana, ainda pergunto. Alguém sabe onde se pode achar um flash não caro para NIKON? Ainda era só isso. Obrigado.

Não faltou polémica no cardápio | NELZY GARANTE QUE NÃO É PRECISO SAIR DE BENGUELA PARA FAZER MÚSICA DE QUALIDADE

O rapper Nelzy do Apruve, na qualidade de líder da produtora Hard Nel School, foi chamado ao palco do Top Benguela Acácias de Ouro, na noite de quinta-feira (18/05), para receber das mãos do empresário Adérito Areias o troféu de melhor produtora.

A nomeação resulta da votação por cupom feita por residentes do litoral da província sob iniciativa estreante da Rádio Nacional de Angola no município de Benguela, um pouco à semelhança do já tradicional Top Rádio Luanda.

Dirigindo-se a uma plateia em que despontavam o governador provincial, Isaac dos Anjos, o administrador do município que completa 400 anos, Leopoldo Muhongo, bem como alguns rostos da classe empresarial, Nelzy encheu a boca para afirmar com todas as letras que não é necessário sair de Benguela para produzir música de qualidade. Afiançou uma tal auto-suficiência em clara alusão ao resultado do que a sua produtora e eventualmente outras locais conseguem lançar, não obstante as exigências do mercado musical angolano.

O público presente, na sua maioria conhecedor da persistência de Nelzy e demais músicos e instrumentistas que se sacrificam para elevar o nome da província aos patamares do êxito, não poupou tributo: aplaudiu e assobiou o máximo que pôde.

Se permitido fosse colocar perguntas ao também fazedor de tarrachinha, não deixaria de ser pertinente a solicitação de um esclarecimento quanto ao que se concebe como música possível de produzir cá. Será apenas a electrónica (rap, ku-duro, tarrachinha), que depende essencialmente de instrumentais computarizados (bits) e captação de voz? Ou inclui no cabaz outros géneros mais elaborados (semba, kilapanga, rumba, kizomba, balada), que condicionam a qualidade à existência de todo um sistema, que vai dos estúdios, executantes e afins?

É de domínio público todavia que a produção discográfica, que é no fundo a meta, leva muitos ao mercado luandense, senão mesmo ao estrangeiro.

Seja como for, parece-nos um pouco arriscado o expediente de tomar por nacional aquilo que se oferece de condições por Benguela... para já daí elaborar-se uma premissa que seja representativa. O blog Angodebates reitera votos de parabéns à Hard Nel School e equipa pelo reconhecimento.

(Legenda da foto: Ekumbi David e Ananias Bento, apresentadores; Nelzy, o premiado; Adérito Areias, que fez a entrega simbólica do galardão)
Gociante Patissa 

sábado, 20 de maio de 2017

Músico septuagenário almeja centenário | SAM MANGWANA JUNTOU-SE ÀS FESTAS DE BENGUELA

Aos 72 anos de idade, o músico Samuel Mangwana, o lendário do género musical rumba congolesa Sam Magwana, segue adiando a velhice através da alimentação e do que sabe bem fazer, arrancar aplausos de qualquer plateia, rendida À sua voz singular e à riqueza da sua sonoridade.

"Lá no norte, onde nasci, os homens atingem um e duplo zero na frente", revelou Mangwana, para de seguida desmistificar. "Lá a idade dos nossos mais velhos vai além dos cem anos. Eu também quero lá chegar. Estou com 72 agora, e acho que vou conseguir. O segredo é só cuidar bem da alimentação", completou, para a ovação do público presente no Morena Beach na passada quinta-feira, 18/05, onde revisitou os clássicos “escute a minha história morena” e “tio António”, no show da primeira edição do Top Benguela Acácia D'ouro, que tem como mentor o também director da Rádio Nacional no município de Benguela, Adão Filipe.

Dados biográficos disponíveis indicam que Sam Mangwana nasceu em Fevereiro de 1945 da então Leopoldville, hoje Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, filho de pai congolês e mãe angolana.

O regresso definitivo do artista à república de Angola foi anunciado em 2004, deixando deste modo a França, para onde migrara em 1959. "Descobri que era tão querido pelo meu povo mesmo distante e isso fortaleceu a ideia de residir na minha terra", asseverou na época Mangwana à Angop.

A trajectória de Mangwana é vastíssima, da qual se realça a estreia em 1963 com a banda de rumba Congo-Kinshasa, African Fiesta, dirigida por Tabu Ley Rochereau. Consta ainda que também trabalhou com a sonante Negro Band e a Orquestra Tembo. Em 1967, Mangwana abandona a banda African Fiesta National para formar Festival des Maquisards. A banda incluiu artistas notáveis; vocalista Dalienst, o guitarrista Dizzy Mandjeku e guitarrista Michelino. Dois anos mais tarde, Sam Mangwana movimentou-se novamente. Ele gravou duetos com um guitarrista chamado Jean Paul “Guvano” Vangu, até 1972.

Em 1972 integra a TPOK Jazz, do lendário Franco, o que lhe rendeu maior popularidade. Em 1979 embarcaria numa carreia a solo na sequência da desintegração da banda All Stars. Ele gravou e fez périplos com combinações variadas de músicos. “Maria Tebbo” (1980), com restos da All Stars, “Coopération” (1982), com Franco, “Canta Moçambique” (1983).
Gociante Patissa

Divagações | O Etimba Fest e a nódoa no melhor pano

Sei que é contra-corrente, mas a mim ficou a nódoa pela irresponsabilidade da organização. Ligaram-me na terça-feira a convidar para o painel de uma mesa redonda que versaria sobre o papel e futuro da comunicação social em Angola, que teria lugar no museu às 11h de quinta-feira. Apresento-me 15 minutos antes e noto um vazio. Aí ligo para o senhor que marcou e ouço que estava já para ligar, numa voz de quem estava no conforto da caminha, e lá vêm as justificações de quem os eventos de um dia anterior terminaram tarde, que os alunos que seriam a audiência não estavam mobilizados e que os workshops passariam talvez para sábado ou domingo. Ora como é de calcular, por muito razoáveis, pecam por tardias. Quando se vai adiar um evento, o normal é comunicar com antecedência a quem se dignou colaborar. Estamos numa época cada vez mais dinâmica na planificação/gestão do tempo, e não se podem tomar por doces essas coisas de faltar com a palavra. Normalmente cumpro a minha e é o mínimo que espero dos outros. Portanto, mano António Hungulo Tonni, aceitem os parabéns pelo que correu bem, mas também a nota negativa pela desorganização e um toque irresponsabilidade no Etimba Fest. Eis a nódoa no melhor pano. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa, Benguela 20.05.2017

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Divagações | Gratifica-se

Tendo sua excelência eu despertado do soninho com um assomo de generosidade que nem ele próprio está a acreditar, e aproveitando a onda de  definição do sentido de voto quando o  oxigénio pré-eleitoral caminha para o clímax, então sua excelência eu vem por esta via exortar o profissional da noite que lhe furtou a carteira de decumentos. Não é por mal, até porque, segundo a doutrina cristã, somos todos filhos de um só, o que a lei complementa ao dizer que somos todos iguais. Ora, se os legisladores do Céu e da Terra convergem, só podemos assumir que todos somos parecidos com todos, pelo que os documentos de uns aplicam-se a outros, completamente transmissíveis Feitos os preliminares, vou ao que venho. Pede-se a quem herdou o cartão eleitoral de sua excelência eu que o contacte a fim de receber a orientação quanto ao partido a que deverá votar por mim. Gratifica-se com o PIN dos cartões electrónicos bancários (multicaixa e visa) já em vossa posse, na sequência do amável gesto de assaltarem a viatura e levar tudo, pese embora o tipo lá do banco os ter bloqueado (mas não lhe posso vestir as culpas por tamanha verdade de quem ainda não alcançou a nobreza da arte de furtar. Roubar é palavra feia. Não é à toa que a declaração da polícia, depois de relatada a ocorrência, reza que sua excelência eu extraviou os documentos, o que com toda a justeza indica que a culpa é do assaltado). Portanto, ainda era só isso. Obrigado.
PS: Ah, espero que a condução​esteja a correr bem com a minha carta de condução)
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Humor a Mwangolé | Sorte em tempos de crise

Um homem que não tinha o hábito de ir a restaurantes, entra num bar e puxa uma cadeira logo chega o garçon.
--bom dia senhor
- bom dia, quero um café, quanto é? 
-- o café custa 500 kz
- ok e o açúcar mano?
-- o açúcar aqui não se paga
- fezada, cancela o café me dá só 2 kilos de açúcar
(de autor desconhecido)
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Cultores da música tradicional Umbundu homenageados | JOAQUIM VIOLA E FLAY MERECIAM MAIS

Flay
Joaquim Viola (esq.) recebendo diploma
das mãos do Vice-governador Victor Moita
A organização do Top Benguela Acácia de Ouro, da iniciativa da Rádio Nacional nesta cidade, cuja edição de estreia aconteceu a 18 de Maio durante as festividades dos 400 anos da cidade de Benguela, atribui diploma de mérito a algumas figuras do sector da cultura, entre promotores e apoiantes, pela sua relevância. O destaque do blog www.ombembwa.blogspot.com vai para dois nomes incontornáveis na recolha, tratamento e divulgação da cultura musical da região Umbundu, designadamente o mais velho Joaquim Viola, autor do clássico Tchiunge, e Flay, da Catumbela e radicado em Luanda, autor dos originais "Sassa Motema", "Doçura", entre outras adaptações do folclore. São duas gerações que parecem ligadas por um mesmo factor, o pouco incentivo e visibilidade da sua vertente. Nestes casos, palavras à parte, é nas entrelinhas e no tom nada radiante dos discursos que se capta o estado de alma dos artistas. "Estamos a deixar o palco para os mais novos que querem abraçar a carreira", disse Joaquim Viola. "É uma honra muito grande para mim ser homenageado hoje ao lado dos Impactos4, em quem me inspirei para começar a cantar e fazer música", acrescentou Flay. Eles mereciam, de facto, mais, a começar mesmo pela divulgação das suas músicas, o que na última década tem sido bastante esporádico, com uma agenda discográfica das rádios e televisões muito voltada à "música" urbana, servida em doses e entulho electrónico.

Top Benguela Acácia de Ouro | PRÉMIO SUNGURA DO ANO

Sukumunlã, que na língua Umbundu pode ser entendido como o imperativo do verbo descarregar (oku sukumunlã), do qual se infere que o artista se assume como uma fonte inesgotável de mensagens, é uma das vozes que melhor interpretam o cancioneiro popular, o qual "despeja" numa cadência de sungura. Para além da sua inusitada energia em palco, carrega a melancolia sobre o canto proverbial e as parábolas que constituem a matriz da região. Apesar de ter merecido numa carreira de quase duas décadas algumas distinções a nível local, dentre as quais o Prémio Provincial de Cultura e Artes, Sukumunlã continua sendo um desconhecido do grande público, fundamentalmente por culpa dos critérios do mercado, que fazem culto ao oco e a outros critérios fora do espírito da arte (estética e culturalmente falando) com um empurrão da comunicação social. O TOP BENGUELA ACÁCIA DE OURO teve a sua edição inaugural ontem (18/05) nesta cidade, numa iniciativa de Adão Filipe, pela Rádio Nacional de Angola.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Crónica | Na ausência da estátua, que tal espalhar contentores de lixo em homenagem ao fundador de Benguela?

Não sou a favor da campanha pró regresso da estátua de Cerveira Pereira (acho que o museu não o desmereceria em nada), mas sei perder (nestas coisas em que a decisão do poder instituído já tomou partido). 

No entretanto, enquanto não se sai do impasse que se acabou de instalar em Benguela depois que o camarada administrador municipal Leopoldo Muhongo decidiu patrocinar institucionalmente a (re) colocação pomposa, junto do palácio do governo, do busto de Cerveira Pereira, figura do regime colonial e império português a quem se atribui a "fundação da cidade de Benguela" há 400 anos... busto que afinal também já não faz parte do património do museu, como fez crer um  dos rostos proeminentes da corrente favorável à presença do busto defronte ao palácio do governo... sua excelência eu tem um meio-termo a sugerir: 

Deixai-me antes acrescentar que não sou adepto dessa veneração a Cerveira Pereira, que nunca me fez directamente nada de mal mas que um renomado escritor, mais velho do que eu e sociólogo, qualificou de "filho de puta" (sic). Antes já outro académico, com créditos firmados na investigação e docência universitária em história, depois de aferir o perfil de Cerveira e as suas obras para com os indígenas de então, não teve dificuldades de o considerar "escória", curiosamente, do tipo que nem em Portugal recebe honras.

Dito isto, uma vez que a cidadã que cuidou da estátua durante mais de três décadas exige compensação financeira (nota preta, sublinha ela) para a liberar, e sabendo que o dinheiro não é coisa que abunde nos cofres da edilidade, então sejamos pragmáticos. 

Chefe Dudú ou Leopoldo Muhongo, meu antigo professor do curso básico de jornalismo,  assim não podia tipo, quer dizer, eh... comprar um contentor de lixo para acabar com a vergonha de o ver amontoado ao longo do muro do antigo centro ortopédico, ali no Kioxe, e pelo menos decorar o referido contentor com uma dedicatória a Cerveira Pereira? Depois era só replicar.

É que assim sempre respeitaríamos a história (devida ao já falecido fundador da cidade), sem deixarmos de priorizar a saúde pública da maioria, numa cidade que ainda chora as vítimas do surto de febre amarela. Ainda era só isso. Obrigado. 

Gociante Patissa, Benguela 17 Maio 2017
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terça-feira, 16 de maio de 2017

Divagações | E assim temos de volta o Face-Look

Consta que está a dar certo a campanha de uma certa companhia telefónica em reaproximar pessoas. Com a Internet a falhar 22 horas ao dia, chat mesmo só de porta a porta. E assim temos de volta o "face-look", "outr'sabe", etc. ou seja, olhar para as caras uns dos outros. Sei que o ortopedista não está a gostar muito assim da coisa e tal, pois a esperança de ver centenas de pescoços combalidos, de tanto que se anda de cabeça inclinada para a tela do telemóvel, mas saúde é o que interessa. Então, anda lá, não estragues o que está bem! Bate à porta do teu vizinho e devolve o tradicional "Olá, vizinho, como passaram a noite?" Depois disso, o anexo: "Continuação de boa terça-feira". Ainda era só isso. Obrigado

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Crónica | Um simpósio sobre a zunga mais ou menos inclusivo

Sua excelência eu acaba de dar uma olhada ao programa do inovador primeiro simpósio nacional sobre a mulher zungueira, realizado em Luanda ontem, 14 de Maio, conforme reza o documento. Tudo muito a preceito, doutores e jornalistas e ministros, e tal e tal, é capim. Uns palestrantes, outros moderadores. Até já estou a ver gente a sair da sala engripada, tal é a confluência de perfumes e aromas e ambientadores de orçamento rebuscado. Porque não é para gente com fragrância assim da cantina do mamadou ou do asiático, não.

Até você se pergunta mesmo se um terço dos oradores alguma vez mercou algo na zunga, onde não há garantias de chamar o Inadec por qualquer motivo. Mas pronto, iria faltar um big brother para fazer fé à coisa. Se calhar, é melhor só não avaliarmos por excesso ninguém, não é? E cá está a verdadeira maka do exercício cá das conjecturas, não havendo até ao momento alguma linha na imprensa sobre o êxito ou não do certamente, que nos valha como ponto de partida. Ora pois, não podendo nós partir para a futurologia, uma vez que o evento já aconteceu, e não tendo sido inventado ainda o critério da passadologia, estamos de mãos atadas. Seja como for, o programa nos põe à vontade para reivindicar a ausência dos actores. Pelo menos parte relevante deles.

Primeiro, lê-se que a intervenção daquela que seria o motivo está acondicionada no genérico "Voz da Zungueira - Testemunhos. Preocupações", dando assim uma ideia de papel passivo. Alguma vez um doutor levou bofetada do fiscal, andou com criança febril às costas ao sol e chuva, ou sabe a dor muscular de desfilar com uma ventoinha a tiracolo e não aparecer cliente? Ah, era preciso estudo? Não seja por isso, excelências. Mas então e a escola da vida?!

Ainda há dias circulou nas redes sociais um vídeo muito revelador de uma compatriota que quase parava o bairro, sem precisar de microfone nem de orçamento para o coffee-break nem ar condicionado, como seria de esperar numa palestra macro (teve de ir a imprensa atrás da senhora para se aproveitar da audiência). Parar um bairro por conta de um pregão é proeza que nem os best sellers conseguem sem a máquina da propaganda e marketing.

A senhora chegava, poisava a bacia de peixe fresco e puxava dos pulmões o seu pregão prolixo, mas de uma cadência melódica a dar para a missa: homem kunanga é corno! Essa não merecia o palanque para uma prelecção também, ainda que de 15 minutos? Não há sabedoria popular a ser passada para a classe académica? Olhe, que a coisa não termina por aí.

Em segundo lugar, o reverso da moeda. É que tratar do assunto zungueira sem incluir o seu "carrasco" de estimação, os fiscais das administrações municipais, que ocupam maior espaço nos pensamentos e sonhos das zungueiras do que os maridos e amantes destas, por todos os motivos óbvios, é como assistir a uma partida de futebol que termina nos primeiros 45 minutos, pelo que teríamos um simpósio mais ou menos inclusivo.

Porque até como forma de homenagear o saudável lado fundista do ofício, não seria demais sondar a "Voz do Fiscal - Testemunhos. Preocupações", ou do libanês ou do maliano, ou do marido que espera a esposa em casa para lhe patrocinar do vício do copo e à madrugada calibrar o ventre dela com mais um filho para vir a ser sustentado unilateralmente pelos rendimentos da zunga. Afinal, estamos na era da participação de todos os actores, ou não é isso?

Aos organizadores, fica o nosso encorajamento, afinal o assunto é transversal e querendo ou não, como diria alguém, cada um de nós tem um zungueiro ou uma zungueira na família. Há que estender a reflexão para fora de Luanda, pelo que qualquer pedrada à vossa árvore, já sabem, é derivada dos frutos que carrega. Ainda era só isso. Obrigado. 
Gociante Patissa, Benguela, 15 Maio 2017

Movimento Lev'Arte e animação cultural enlutados na província da Huila

A activista cultural Manuela Dos Santos (de blusa preta na foto) já não está entre nós. Adiantou-se anteontem (13/05) na caminhada, vítima de doença. Foi a enterrar ontem mesmo na cidade do Lubango, onde residia. Apaga-se assim aquela que foi uma importante vela em simpatia, pilar na exibição da poesia dramatizada e adepta da moda.

Conheci-a durante a quarta edição do designado «Festival Nacional de Poesia», nas festas do 104.º aniversário da cidade cidade do Huambo a (25/09/2016), festival idealizado por Chico Pobre e co-produzido pelas representações do Movimento Lev’arte de Luanda, Benguela, Malanje, Huila, Kuando Kubango, Namibe e Kunene.

Legenda da foto: Ras Nguimba Ngola, Manuela Dos Santos, Justina Kibeka Gonçalves e Agostinho Sanjo Sanjambela

Sentidas condolências!
Gociante Patissa

Diferendo

Com tanto de sono que tenho em atraso, e já agora tirando proveito da fórmula adiantada recentemente pela "imprensa local", agradeço que quem de direito crie uma comissão de gestão para cuidar do diferendo entre sua excelência eu relaxado e o trabalhador eu. Ainda era só ​isso. Obrigado

domingo, 14 de maio de 2017

Utilidade pública | Recrutamento: VAGA PARA ESTAGIÁRIOS NA ESSO-ANGOLA

A Esso Angola é a afiliada local do Grupo ExxonMobil, empresa do sector petrolífero a nível mundial. Procura quadros angolanos com potencial e talento necessários para fazer face aos desafios profissionais gratificantes que oferece.

1) Breve descrição da Função
‐ Compreender e aplicar os standards de Segurança e Control da ExxonMobil;
‐ Manter os mais altos padrões de Segurança no trabalho e integridade ambiental;
‐ Prestar apoio técnico às Operações e Produção de Petróleo;
‐ Apoiar as equipas de offshore/onshore em projectos específicos;
‐ Conhecimentos de instalação de sistemas operativos informáticos (no caso dos engenheiros informáticos)

2) Qualificação académica
– Finalistas das seguintes licenciaturas: Engenharia Informática / Electrotécnica/ Civil / Ambiental / Quimica / Mecânica / Petróleos e Contabilidade e Finanças.

3) Qualificação profissional / Experiência
– Não é necessária experiência de trabalho (é preferível). Devem possuir conhecimentos de informática na óptica do utilizador, assim como das ferramentas do MS Office; disponibilidade para viajar offshore caso seja necessário.

4) Outros requisitos
‐ Nacionalidade Angolana. O(a) candidato(a) deve falar e redigir fluentemente a língua Portuguesa; conhecimentos de Língua Inglesa será factor preferencial. Excelentes aptidões de comunicação e capacidade de trabalhar bem em equipa.

5) Candidaturas
‐ Os interessados deverão enviar as suas candidaturas para a Emosist, nos 15 dias seguintes à publicação desde anúncio, apresentando os seguintes documentos: Curriculum Vitae / Cópia do Certificado de Habilitações e Bilhete de Identidade.

Email: recrutamento@emosist.com  

Crónica | Procura-se ignorante

De vez em quando, o que para ser franco até ocorre com frequência ultimamente, sua excelência eu fica a matutar sobre a evolução semântica de certas palavras no dia-a-dia mwangolê, cuja velocidade é de preocupar porque se  afigura cada vez mais difícil de alcançar.

A título de exemplo, IGNORÂNCIA passou a ser uma virtude, refere-se à condição de quem (é ou) está usando a capacidade de resistir a provocações ou pressão mediante  o silêncio ou inacção. Trazido ao nosso contexto, há que destacar que se ainda há algum êxito no nosso sistema de ensino-aprendizagem, então o mérito vai para a classe docente, que é formada globalmente por grandes ignorantes... pois os alunos hoje em dia não provocam pouco. Neste caso, professor sai-se duplamente ignorante se olharmos também para as condições de trabalho nem sempre favoráveis ao exercício da profissão. Não será de admirar que nos próximos tempos, mesmo já que é para poupar espaço, a descrição de perfil em concursos de vaga em qualquer sector sejam resumidas a... "procura-se ignorante para admissão imediata". Vai daí o conselho: sempre que tiver de elaborar o seu curriculum vitae para dar aulas, uma vez conhecido já o fenómeno social  da tendência cada vez maior dos alunos à indisciplina, não se esqueça de destacar a sua maior virtude: IGNORANTE! Até pode mesmo acrescentar que o candidato é "ignorante de pai e mãe".

E há mais. Por favor que ninguém me trate por "amigo!"; amigo é o comerciante desconhecido, concretamente o chinês ou o vietnamita da casa das fotocópias ou da "repação" de motorizadas. E sua excelência eu, sendo que não tem jeito para negócios, desgraçado que talhado a subordinado, então também dispensa fama sem proveito. Ah, mas para depois não surgirem acusações de fundamentalismo, abre-se uma excepção. Quando assim ocorrer, falo de me chamar "amigo!", tenha a certeza de que estou pagando serviços no seu próprio estabelecimento. Senão, hum!...

Vou terminar com uma nota triste. Na adolescência aprendi noções básicas de tocar viola, andei no coral infantil, mas depois não houve talento para dar vida à semente. Porque se assim não fosse, hoje eu pegava nessas letras, inventaria uma melodia e COMPOSITAVA uma bela canção. É isso, esse profissional de arte que não ganhava fama nenhuma enquanto "compunha", agora já tem mais visibilidade porque passou a compositar. É como digo, depois do cuduro, nunca mais o sector da música será o mesmo. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa. Lobito, 14 Maio 2017

sábado, 13 de maio de 2017

Desafio Baleia Branca

ninguém briga nem estraga amizade por causa de opções partidárias e/ou eleitorais. Quem quebrar repete a partir do ponto em que violou o pacto. Está a contar. Ainda era só isso. Obrigado
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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Divagações | O presidente francês que não se atreva

Estou a ler num jornal digital que o recém-eleito presidente frances, Macron, qualificou o passado colonial da França em África como um crime contra a humanidade. Esse assim não quer só arranjar problemas com certa corrente benguelense que advoga a implantação da estátua de Cerveira Pereira à entrada do Palácio do Governo?! Glória ao fundador da cidade no ano em que Benguela assinala 400 anos de existência. Esse Macron é tão ignorante que não percebe que houve colonização e colonização, sendo que a portuguesa foi tão humana que não há razões para se pensar na hipótese de um pedido de desculpas às suas vítimas? A sorte é ser de "raça pura", de contrário já lhe cairia no lombo o rótulo de neonativista. Portanto, se a França está arrependida (parece que a Inglaterra já em tempos o fez), que não pense em influenciar outras potências colonizadoras europeias da mesma época, que aliás invadiram, pilharam, assassinaram, mas sempre com elevado sentido de irmandade e profundos laços de amizade ultramarina. Francamente! É nisso que dá votar em presidentes muito novos, pá. Ainda era só isso. Obrigado

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Citação

"Fogo, meu! Este fim-de-semana recusei ir a Benguela tocar. A festa até era rija, boa gente, boas damas. O problema é que os fins-de-semana em Benguela são muito agressivos, principalmente para o fígado."   www.angodebates.blogspot.com

sábado, 6 de maio de 2017

Divagações | Qualquer gratidão seria disparate

Quando se ganha um porta-malas abarrotado de livros académicos, no caso ciências sociais, ainda por cima de oferta, acervo que se calcula pelo menos não inferior a 100 mil kwanzas, sua excelência eu até perde autoridade para dizer às crianças que o Pai Natal não existe. Tanto existe que o meu abriu as portas em Maio (sociologia, comunicação, epistemologia, antropologia, ética, linguística, história, psicologia, tudo no cabaz). Como dizemos lá no kimbo, mano Edú Macieira, quando eu morrer, não chores, porque já me choraste em vida. Qualquer gratidão verbalizada seria disparate, de tão redundante. Ainda era só isso. Obrigado

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Divagações | Dia de finais felizes

O BI saiu esta manhã, quentinho, da máquina para a carteira do bolso, graças à sugestão de um amigo, a boa colaboração do carrito pessoal papaquilómetros, o toque de amparo do profissional tio que é xará. A lição que fica é que em alguns municípios do interior ainda há restos de material para impressão de bilhetes de identidade.

 Ah, a minha "amiga" Vietnamita da casa dos retratos tipo passe devolveu o meu corpo à minha cara. A gincana para a reposição da pilha de documentos pessoais ainda não terminou, mas há que festejar pequenos avanços, tal como foi o de anteontem com o cartão bancário. Aos profissionais da posse alheia, um recado: roubem mais. Ainda era só isso. Obrigado. Hahaha

Diário | Será algum distúrbio psíquico?

(I)
"Mas esse homem pensa que é o quê assim afinal?"
"O cidadão? Também já notaste afinal, né?"
"Ya. Anda aí de ombros em cabide; saudar, nada. Quando é para conversar, contraria tudo, monopoliza os silêncios da rua, biblioteca toda na ponta da língua..."
"Ele está assim desde janeiro..."
"Mas isso não é contagioso? Será algum distúrbio psíquico?"
"Até é distúrbio legislativo..."
"Essa eu não entendi..."
"Está a treinar para cair no anzol a deputado..."
"Mas sem partido?"
"Como deputado independente. Independência não é discordar de tudo?!"
"Será?"
"Então, mas querias que fosse como o marketing do outro para independente? Tenta insistir em falar com ele, vais ver..."

(Il)
"Ó meu! Andas diferente. Como é então esse negócio?"
"Tenho algum negócio com vossa pessoa?!"
"Há uma diferença em você que estou a notar.."
"Agora vossa excelência agora é notarial?"
"Você mudou de repente..."
"Em relação a que estágio? Aliás, se por mau não me toma, eu retiro-me deste diálogo inquisidor e pouco fecundo. A não ser que me queira fazer companhia no talho..."
"Não, obrigado. Por acaso agora sou vegetariano..."
"Para quê?"
"Para não sacrificar a vida dos animais, não?"
"Porque as plantas não têem vida?"
"Não é isso..."
"Meu caro concidadão e coetâneo, se eu tenho de produzir ervas para alimentar o boi, o cabrito, o carneiro, ou o que seja, então ao abater o animal eu estarei tão só a comer a minha erva. O animal é proporcional ao investimento, certo?"
"Certo e não certo. O abate de animais não é massacre?"
"É colheita para consumo alimentar..."
"Meu irmão, é assim: vai só, yá!... Se queres ser deputado, fica só bem, mas não me entres na mente..."
"O cidadão, que por definição é potencial autarca, assim é uma espécie de intolerante, alérgico ao debate?
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Gociante Patissa, Caimbambo, 04.05.2017

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Divagações | UMA EXECUÇÃO BEM EXECUTADA DO EXECUTIVO E ELEVEN

A passar esta tardinha pelo cruzamento ali conhecido por mar e sol, na cidade de Benguela, sua excelência eu verificou a presença de homens em trabalho de reposição do poste/coluna do semáforo (sentido leste), derrubado há alguns meses e que no entanto, soube-se, a provedora enfrentava rotura de stock para reposição, numa era em que as importações encalham com o rarear das divisas. Resulta que a retirada em cena do semáforo, justo no afunilamento de uma estrada nacional como é a número cem, tem sido uma chatice automobilística, que  nem mesmo com o regresso da penhanha e do agente sinaleiro passa despercebida. Até porque, há que dizê-lo com franqueza, andávamos todos desabiatuados quanto a esta forma de ordenamento do trânsito muito em voga no século passsado.  Não sei quanto de orçamento foi mobilizado nem a origem, como cidadão só sei que é uma execução bem executada do executivo municipal e a firma Eleven (a concessionária do serviço de sinalização). Ainda era só isso. Obrigado
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Divagações | Cara minha corpo alheio

Estou a pensar na Vietnamita da casa dos retratos para documentos, aonde fui de boa vontade, barba feita e tudo, camisa xadrez verde azul, e no dia de levantar as malditas fotos tipo passe encontro sua excelência eu de casaco e gravata, logo ele que só usou gravatas uma vez durante a adolescência para fazer teatro na igreja e outra em serviço por não mais de cinco minutos. Eu algum dia usaria em documentos foto do tipo cara minha, corpo alheio?! Mas eu vos pedi casaco  e gravata, caramba?! Amigo, passa amanhã de manhã, moço já foi. E assim terei de lá voltar, sem saber se ainda guardam o digital original ou se deverei deixar novamente aquela gente apalpar-me os maxilares. Ainda era só isso. Obrigado

Citação

"Preguiçoso é o dono da sauna, que vive do suor dos outros" (da personagem Marinete, da série brasileira A Diarista)

Divagações | E a gincana começou

Curva 1
Cartões multicaixa e visa: No banco, filas intermináveis, gestor de conta em dia de não atender o telefone.

Curva 2
No SIAC, para o Bilhete de Identidade? São 11h00. Hoje não é possível, tens de vir amanhã muito cedo, já excedemos o limite. Por dia só 30 emissões, hoje até atendemos 40. O bilhete? Só dai daqui a sessenta dias, estamos sem material.

Curva 3
Ainda no Siac. Segunda via do cartão de Segurança Social? A cópia só não chega; tens de escrever uma carta dirigida à Direcção Provincial da Segurança Social. À mão não pode, tem mesmo que computarizar. Ah, ou então solicitas aos recursos humanos da tua empresa. Ah, fica na capital? Então é mesmo com a carta pessoalmente.

Curva 4
Vem aí o rol delas. Neste momento aguarda sua excelência eu à porta da AGT, que engloba finanças e alfândega, no intuito de obter segunda via do cartão de contribuinte.

Moral da história: há que erguer um monumento aos ladrões de carteiras de documentos, pela proeza de nos permitirem radiografar sem veludos o verdadeiro tecido do nosso excesso de burocracia no atendimento público ao cidadão. Ainda era só isso. Obrigado
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domingo, 30 de abril de 2017

Divagações | Turista de volta à base

Sua excelência eu acaba de regressar a Benguela, depois de nove loucos dias a viajar para a parte sul e costeira da república da Namíbia em turismo de baixo orçamento. Em princípio, esta semana sairão umas fotos e crónicas da experiência. Até lá, a certeza mesmo é que é sempre um acontecimento regressar à casa e comer um funji. Como diria o outro, Deus abençoe o gajo que inventou viajar. Ainda era só isso. Obrigado

sábado, 29 de abril de 2017

Quando sais de casa com a missão de praticar o inglês e de esquebra acabas cruzando com o Inglês em pessoa

Divagações | De procurar metralhadoras no bolso

Contavam-nos, meninos ainda, relatos de soldados cujas armas eram furtadas durante o sono e não só, soldados estes que, em instintivo gesto de desespero, apalpavam tudo o que era bolsos das calças e camisas, a ver se localizavam as metralhadoras Akm 47. Sua excelência eu está um pouco nesta condição. Cada mensagem ou a notificação nas redes sociais...  é um potencial anúncio de ter sido localizada a minha pasta de decumentos pessoais, sempre crente na boa fé do ladrão que, já se tendo assenhorado das poucas centenas de U$ dólares, certamente, como bom angolano e porque acho que agiu apenas numa base profissional e nada pessoal, saberá que a massada de tratar de novo tantos documentos (entre a  excessiva burocracia e crise logística) é de um preço incalculável. Para todos os efeitos, reedito o...

S O S
Pede-se a quem tenha encontrado ou eventualmente venha a encontrar uma pasta de bolso castanha feita em cabedal contendo documentos pessoais em nome de Daniel Gociante Patissa... (nomeadamente, Bilhete de Identidade, carta de condução encarnada, cartão de eleitor, passe de membro da União dos Escritores Angolanos, cartão de contribuinte, cartão da segurança social, cartão multicaixa e cartão visa Kamba, ambos do banco BAI. Havia também junto a estes algum valor em moeda estrangeira) ... o favor de capturar os citados documentos lá onde forem encontrados, em virtude de os mesmos se terem evadido, provavelmente depois de ganharem pernas, na madrugada de sexta-feira, 21 de Abril, na cidade de Benguela. Aproveita sua excelência eu o ensejo para agradecer a pronta cooperação das rádios Benguela e Morena, logo que contactados no quadro do seu serviço de agenda pública. Ainda era só isso. Obrigado PS: o gestor de conta entra também nos agradecimentos pela prontidão com que bloqueou/desactivou os cartões electrónicos bancários.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Divagações | Imune a esta febre

Do jeito que as redes sociais, enquanto reflexo da sociedade, andam, sou feliz em saber que sou saudável. Sua excelência eu há-de ser dos poucos. Não tenho clube, logo escapo deste surto que caminha para o alienante, o da militância futebolística e fracturante (por clubes europeus), com tanta coisa mais premente que bem mereceria prioridade no debate transversal em que reside o exercício da cidadania. Sei que isso pode soar intolerante, apesar do exagero nas entrelinhas, mas... excelências, isso de realmadrilenismos, barcelomessismos, benfiquismos, sportinguismos, ou o que seja, no final do dia não fabricam um só tijolo na vida de ninguém por cá. Sabem por acaso eles (os endeusados) de quantos cortes de luz fazem a nossa semaninha? E se canalizássemos as energias para diagnosticar as causas do raquitismo do nosso desporto? Ainda era só isso. Obrigado.
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Divagações | DA AJS

Evitei sempre uma intervenção próxima da agenda dos partidos políticos durante os anos que integrei o corpo directivo da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), ONG que co-fundei em 1999 no Lobito e cujo vínculo de membro tive de suspender em virtude de algum desgaste, volvida uma década queimando cérebro.

Outros tempos, outros sonhos. Dissera eu à saída acreditar que mais tarde ou mais cedo, a AJS encontraria o seu caminho, o que para já é visível e louvável, desde logo porque se mantém a casa aberta a caminho do décimo oitavo aniversário daquele pontinho na constelação da sociedade civil. Se a AJS morresse pela minha saída, então seria porque nunca chegou a existir. Pelo que ela existe e está aí, é o que basta, não importa eventualmente a que distância do sonho original.

E porque volta e meia chegam a mim questões sobre a postura da ONG e a nova identidade da sua actuação, com toda a perplexidade de quem, fazendo parte da sua história, entretanto não é necessariamente "dono da empresa", talvez ajude informar que já lá vão pelo menos seis anos que deixei de frequentar o espaço físico da AJS e se fez o respectivo distanciamento, literalmente​, do seu elenco. Isso mesmo. Portanto, e distorcendo o filósofo, só sei que já nada mais sei.

Ainda era só isso. Obrigado.
Daniel Gociante Patissa
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terça-feira, 25 de abril de 2017

S O S:

Pede-se a quem tenha encontrado ou eventualmente venha a encontrar uma pasta de bolso castanha feita em cabedal contendo documentos pessoais em nome de Daniel Gociante Patissa... (nomeadamente, Bilhete de Identidade, carta de condução encarnada, cartão de eleitor, passe de membro da União dos Escritores Angolanos, cartão de contribuinte, cartão da segurança social, cartão multicaixa e cartão visa Kamba, ambos do banco BAI. Havia também junto a estes algum valor em moeda estrangeira)  ... o favor de capturar os citados documentos lá onde forem encontrados, em virtude de os mesmos se terem evadido, provavelmente depois de ganharem pernas, na madrugada de sexta-feira, 21 de Abril, na cidade de Benguela. Aproveita sua excelência eu o ensejo para agradecer a pronta cooperação das rádios Benguela e Morena, logo que contactados no quadro do seu serviço de agenda pública. Ainda era só isso. Obrigado PS: o gestor de conta entra também nos agradecimentos pela prontidão com que bloqueou/desactivou os cartões electrónicos bancários.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Crónica | Homólogo, eu?!

O pai, meu e de mais umas duas dezenas, foi dono de um apurado sentido de precisão. Um dom. Na verdade tinha vários outros. Raramente usava o novelo, ou o prumo, ou a régua das vezes que o vi envolvido em construção civil. Guiava-se pelo olho só. De todas as habilidades, a maior graça nele residia no jeito natural para actor. Poderoso dom da palavra, um narrador, melhor que isso, tecelão. Havia sempre qualquer coisa mais nas palavras, um tempero que as enchia de cor, de vida própria dentro ou fora da frase. Eu vi-me, adolescente mais ou menos precoce, na necessidade de pedir tradução.

As ligações para a comuna da Kalahanga, onde era o velho o primeiro cidadão no aparelho da Administração do Estado, faziam-se a bordo de camiões de lenha e carvão, cujas guias de marcha dactilografavam-se lá em casa. Na véspera de cada viagem, dizia ele assim: «Por estas horas, o almoço hoje é na Kalahanga». Ora, eu então entendia que ele iria almoçar à Kalahanga mas voltaria no mesmo dia, já que nada disse do jantar. Ou seja, que lógica haveria em ressaltar o almoço quando se vai lá passar mais de um mês?

Cada alegoria, cada metáfora, cada mobilização política faziam do homem um tecelão. Os ciclos seguiam-se. Guarda-costas confundiam-se nos direitos com os rapazes mais velhos da casa (um deles, da primeira vinda ao bairro Santa Cruz, receberia a mais insólita das ordens. «Então, passou bem a noite?» E ele: «Não, chefe.» Mas porquê? Inquiria o velho. «Muito mosquito, chefe». Ora, «Tu não és tropa? Faz tiro!» Nós era só rir).

Os camiões deixavam para trás vários dias de saudades e incomunicabilidade. Outra via não havia senão a da carta trazida ao bolso aleatoriamente por carvoeiros, sem data de chegar. Aos 12 anos, mais coisa, menos coisa, só podia ser violência contra a criança ter de ler aquilo dos beijos, e saudades, e te amo muito, e estas e outras intimidades às esposas dos tropas e guarda-costas, cujos maridos se esqueciam da condição delas de iletradas.

Meses depois lá estava o pai de volta ao conforto do lar, embora já soubéssemos que boa parte do tempo seria gasta na solidão do seu pequeno escritório, onde rabiscava madrugadas à mão (a missão de dirigente em localidades vulneráveis aos ataques inimigos de guerrilha destruiu o direito de dormir as oito horas, iminente que se fazia o risco de captura e servir de arma de propaganda). Pessoas assim, confesso-me também eu, possuidoras de um rápido pensar e aprender, costumam andar perto do defeito do perfeccionismo.

Não faltavam momentos hilariantes nos barafustares de Victor Manuel Patissa (1946-2001). Certa vez recebeu carta de cobrança feita por um tarefeiro. «Ao meu omorco», iniciava assim a missiva. «Homólogo, eu?!» Resmungou o velho, face à enunciada igualdade cujo sentido não conseguia achar. «Mas o fulano não é só escavador de fossas de WC? Assim somos colegas?! E ele escreveu ‘Ao meu homólogo’. Como assim?!»

Não respondemos. Nossos sorrisos marotos transformados em gargalhada disfarçada. Imaginávamos o filme da comparação na cabeça do queixoso: um dirigente de excelente aparência, eloquência, alguma escolaridade, prestígio (pelo menos até onde conseguiu resistir a sua estabilidade emocional), equiparado logo a um maltrapilho tarefeiro e dado a bebedices. Estava visto que o tarefeiro só quis caprichar na deferência, talvez não fazendo ideia do sentido de precisão do pai. Pronto. Ainda era só isso. Obrigado. Hahaha

Gociante Patissa, Benguela 17 Abril 2017 www.angodebates.blogspot.com