PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Just a question

Li há pouco num jornal nigeriano que o presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, pediu assim pelo menos mais quatro horas só já, faxavori, para arrumar as bikwatas do palácio, vencido o ultimato de sair "a bem ou a granadas" até ao meio-dia de hoje, que lhe tinha sido dada pela CEDEAO. Alguém confirma?

PS: Mas antão a nossa democracia em África não é específica? O outro está mbora a curtir a democracia que os ancestrais dele lhe aconselharam: quem tentar te tirar do poder vai ver só!.. hehehe

Alô, Cabo Verde!!! | Livraria SABORES E LIVROS tem à venda o livro "FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS" - o segundo de contos do autor angolano GOCIANTE PATISSA (2064)

clicar no link para visitar site da SABORES E LIVROS
Contactos
+238 5943663
geral@saboreselivros.com
Rua 15 de Agosto – Porto Antigo III
Santa Maria – Sal
Cabo Verde

dos textos mais belos que já li do poeta agora conhecido como Mbangula Katúmua

UM POEMA NADA SABE

Não será num poema que direi
Se te amo ou simplesmente te quero
Se és real ou simplesmente algo que inventei
Para sustentar o sonho ou aliviar o desespero

Acredite pois, um poema seria impróprio
Talvez minimalista, lacónico e vulgar
Se te fiz real é porque mereces um império
Um mar aberto onde possas navegar

E não um pedaço de papel
Branco e ingénuo
Que nada sabe

O amor tem espaços contíguos
Como os mares o limpo sal
Depois que o sol os abre


Martinho Bangula, in «Poética», Vol. 1, pág. 385, Editorial Minerva, 2012. Lisboa.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Divagações | Nota Fúnebre

O céu está a fechar. Uma parte da graça de Benguela, não tarda, vai falecer. Vem chuva a caminho. Ainda era só isso. Obrigado
PS: a energia eléctrica, como sempre bem informada nestas coisas, saiu agorinha com a respiração presa, não fosse dar nas vistas em pleno recuo estratégico

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Angola representada na " Biblioteca Mundial" na Roménia - Jornal Angolano de Arte e Letras

Patissa
Os escritores angolanos Gociante Patissa e Luciano Canhanga representam Angola e África na antologia poética organizada pela revista cultural da Roménia Horizont Contemporary Literay que conta com colaboradores dos cinco continentes e que se expressam nas mais diversas línguas.

Patissa, estreante na revista, participa com os textos "Por que existimos" e "Preguiça da cabaça" traduzidos e publicados em Romeno e Português, na edição de Novembro-Dezembro 2016, ao passo que a edição de Janeiro e Fevereiro vai trazer os mesmos poemas traduzidos em Umbundu, sua língua nativa.

Canhanga

Por seu turno, Luciano Canhanga, Soberano de nome artístico, vem sendo traduzido e publicado em Português, Inglês e Romeno desde 2010 pela mesma revista e weblog (http||contemporaryhorizon.blogspot.com), participando na última edição de 2016 com o poema "Satircóph".

Patissa é natural e residente em Benguela, ao passo que Canhanga nasceu no Libolo e reside em Luanda.
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PORQUE EXISTIMOS

São doridas por hábito as linhas que lembram o amor. Não é justo, amor, como se a flecha quebrada, a flor que secou, o pombo correio que perdeu a rota, sei lá, fossem o tudo. Teimo em cantar vigorosa poesia até sobre crateras eternas que parimos. Que seja curto ou longo, agora não importa. Maresia é que não. Para todos os efeitos, existimos.

OMO ETU TWAKALELE
Vasyata okutamba kevalo atayo vaivalwisa ocisola. Ka cikatave, a cisola cange, seti mbi usongo wateka, onelehõ yakukuta, o pomba kapitiya yanelenlã vonjila, vakwê, ovyo ño lika. Nditongeka lokwimba ovihaso vyapama ndaño kovikungu vyenda ñõ hu twakoka. Nda cisõnvi, nda cimbumbulu, kaliye cikale mwenle ndoto. Enyumãlõ syo. Cinene ño okuti, eteke limwe twakalele.

Gociante Patissa. In «Almas de Porcelana», 2016. 
Penalux. São Paulo. Brasil. Pág.55
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SATIRCÓPIH 

Manhã cedo, iam domingueiros à igreja
(joelho dobrado)
Onde diziam: ser todos irmãos
Minutos depois, faziam-se à embala
(caçadeira ao ombro)
Onde rusgavam preto-objecto em vossas mãos
Assim construístes vossas nações
À custa de sangue e suor alheios
Dizeis hoje: "pretos-sem-noções"
Deixai-nos, não mutilem nossos anseios!
HIPÓCRITAS

(texto de Canhanga)
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PREGUIÇA DA CABAÇA

O deserto tem sua pressa
parece que passa
parece que pára

O céu vai sem gotas
há muito
a vegetação
absorta escapa
bebendo dos meus olhos
e o deserto
parece que passa
parece que pára
brincando aos tempos

Mas tinha já que passar
não sobra muito mais
na cabaça
das lágrimas

OWESI WA MBENJE

Ekalasoko likwete onjanga yalyo
Oku seti lipita
Oku seti litãi

Ilu letosi lakamwe
Osimbu yo yipita
Ovikulã lensanda lyavyo
Visupuka
Lokunywã vovaso vange
Ekalasoko likwete onjanga yalyo
Oku seti lipita
Oku seti litãi
Vokupapala lolotembo

Pwãi nda yapitile yapa
Ka mwasupile ño vali calwa
Vombenje yaswelenlã

Gociante Patissa. In «Guardanapo de Papel», 2014. 
NósSomos, Lda. Vila Nova de Cerveira, Portugal

Publicado pelo Cultura - Jornal Angolano de Arte e Letras, n.º 126, Ano V, pág. 10. Luanda, 17-30 de Janeiro 2017

Humor | O Maliano

Um maliano gravemente doente de baixa no hospital abre os olhos e vê a família dele toda à volta da cama e pergunta: - Abdul está aonde? - Estou aqui papá! - Zulmira está aonde? - Pai, estou aqui também! - Gulamussene está aonde? - Estou aqui! - Seus burros! Quem ficou no Loja?!
(Recebido sem identificação de autor)
www.angodebates.blogspot.com

Jornal Cultura desta semana traz RESUMO LITERÁRIO DA OBRA “A ÚLTIMA OUVINTE”, DE GOCIANTE PATISSA

Texto de João Fernandes André, Kalunga (professor de linguística). in «Cultura – Jornal Angolano e Artes e Letras», n.º 126, Ano V, pág. 9. Luanda, 17-30 de Janeiro 2017

A Última Ouvinte é em livro composto por sete contos [93 páginas, com edição da União dos Escritores Angolanos, Luanda, 2010]. Em nosso entender, os contos têm algumas 'gotas' de crónicas.

"A Última Ouvinte"
É o conto que dá título ao livro, neste conto o narrador pinta a história de dois jovens, um radialista e uma jovem que de longe mostrava uma beleza extraordinária, doce voz com que falava sempre que ligasse para a rádio, no programa do locutor Caçule. E, de acordo com o narrador, "em rádio, o som é cheiro, luz, a cor, a forma" ... "pela grossura ou magreza da voz concebe-se a imagem do locutor ( também, nesse diapasão, digamos a de quem liga\ouvinte)." Caçule apaixonou-se pela Esperança da Graça que, na verdade, era Marta Domingas, uma mulher que carregava uma paralisia que não lhe ajudava a fazer muita coisa que gostaria de fazer, mas passava o seu tempo num quarto, lendo uma pilha de livros. Caçule fez tudo que era possível para localizar a mesma e, por fim, encontro-a. O conto tem um final meio triste, porque a amada Marta ou Esperança morre e o radialista Caçule fica maluco (podemos dizer que eis a razão do título "A Última Ouvinte"). Portanto, este conto nos mostra que nem tudo que parece é.
 
"Os Dentes Do Soba"
Neste, é possível ver o peso da cultura, Kutala, uma adolescente que vivera sob os cuidados de missionárias, educada com rigor, amiga-se com o jovem Mbocoio e torna-se na segunda pessoa mais influente da sanzala. O soba orientava muitas regras que causavam ciúmes ao Mbocoio, porque aos poucos ele sentia que estava a perder a sua mulher. Mbocoio, cansado com as regras, foi a casa do soba e deu-lhe uma porrada até que um dente se partiu ao meio, os conselheiros do soba, para não fazerem com que o soba perdesse o respeito que a população tinha por ele, decidiram castigar o Mbocoio (como tocador de sino) e manter Kutala no seu referido cargo. O dente do soba foi o motivo secreto do novo ritual e\ou moda da sanzala de Tchiaia, o dito Omeyeko. Portanto, com este conto entendemos o seguinte: " as leis e modas, às vezes, surgem de acontecimentos tristes. 

"O Temível"
Um conto onde se pode ver como algumas pessoas usam o mal para terem êxitos, como os bons profissionais amam os seus trabalhos (até esquecem a reforma), é o caso de dona Judith. Deste conto se pode perceber que o mal volta sempre para nós, tudo de mal que fazemos aos outros, cedo ou tarde, acontecerá connosco!

"Os três (não sabemos se é a editora ou o autor que escreve "tres" no lugar de "três") braços do rio" 
Este conto mostra um pai preocupado com os seus filhos, ensina os filhos a serem bons como o rio. O filho caçula amiga-se com uma bela moça, mas o pai da mesma não lhe dá o seu devido respeito. Deste jeito, o jovem, descobrindo o ídolo do sogro (Mobutu), vai à caça de um leopardo, mas acaba morto, ele e a sua presa. Sabendo disso, a comunidade fica triste, porque era um bom caçador. Organiza-se um evento em honra ao defunto caçador e a pele do leopardo é entregue ao sogro. O sogro passa então a reconhecer a bravura do seu genro.

"Um Natal Com A Avó"
Este conto espelha a vida das zonas urbanas. Conta o amor dos netos para com as suas avós e o desejo dos netos de querer estar sempre com as avós, mas pinta também a vontade das avós que gostam de estar nas zonas rurais, sentir a calma e estar fora dos engarrafamentos e problemas das cidades. "A Morte Da Albina" Neste conto, podemos perceber o modo como os albinos têm sido tratados, estereotipados como bruxos e outros adjetivos não salutares. Uma jovem albina é morta por um jovem que tinha problemas no seu relacionamento.

"O Homem-Da-Viola"
Neste conto, temos a história de um jovem talentoso que viaja e encontra a sua alma gémea, mas a família coloca alguns preceitos para ambos estarem juntos, visto que a jovem era viúva... (trata-se duma narrativa aberta).

Marcas da angolanidade
Depois da nossa melíflua leitura, cabe dizer que "A Última Ouvinte" marca a Literatura angolana pelo modo como seu autor desenrola os contos e as marcas de angolanidade que nela podemos encontrar. Outrossim, ficamos admirado com o modo como o autor, que parece um excelente falador do Umbundu, escreve algumas palavras de línguas bantu com a grafia e fonologia do Português (ex. Caçula, caçule, quimone ... E outras) e o uso da escrita em Português de acordo com o novo Acordo Ortográfico ( que alguns Portugueses chamam de "*Acordêz"). Agora pergunto: Será que o uso do "Acordêz" nesta bela obra foi feito pelo autor, ou foi feito pelo editor e\ou editora?! E onde estava a UEA quando publicou a obra, visto que ainda não assinámos (Angola) o dito Novo Acordo Ortográfico?!

Luanda, 28 de Dezembro de 2016

domingo, 15 de janeiro de 2017

Utilidade publica | UM TELEMÓVEL A NÃO COMPRAR

Por experiência própria, tomo a liberdade de partilhar um conselho de graça a quem o quiser tomar por prudência: não comprem o telemóvel unitel da campanha "Anselmo One, Bling". Apesar da vantagem em ter 2 chips, do seu preço aparentemente aliciante (menos de 50 mil kz) e ser do padrão Smart, o infeliz aparelho tem problemas de bateria, que descarrega com muita facilidade ao cabo de alguns meses de uso. Pior do que isso é não haver nas lojas da citada operadora (nem nos irmãos congoleses que geralmente comercializam à porta) sobressalentes. É assim sendo um telemóvel a não comprar. E porque ainda não aprendi a "assobiar com boca alheia", acrescento que este parecer deriva de uma experiência pessoal com dois aparelhos do tipo, não pretendo atribuí-lo a outros utentes.  Ainda era só isso. Obrigado.
Daniel Gociante Patissa
www.angodebates.blogspot.com

sábado, 14 de janeiro de 2017

Aviso | Mudança de endereço postal

Sua excelência eu leva ao excelentíssimo conhecimento de cada excelência na sua lista de amigos (os inimigos não estão alistados, andam assim mesmo a granel, pelo que não estão identificados)... Continuando. Informa então sua excelência eu que a partir de ontem, 13 de Janeiro, a caixa postal do escriba Gociante Patissa passou a ser a N.º 393-Benguela, Angola, pelo que pede que esqueçam ainda aquela 1041. Nesta senda, e liberto de quaisquer delongas, ficam expressos excelentíssimos votos de boa digestão e excelente abraço. Ainda era só isso. Obrigado. Ah, e antes que me esqueça... Cumpra-se! hahaha

Nota de imprensa | Alargado prazo de candidaturas à 2.ª edição do Prémio Literário UCCLA - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa

As candidaturas à segunda edição do Prémio Literário UCCLA “Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa” foram alargadas até ao dia 21 de março de 2017, Dia Mundial da Poesia.

O Prémio Literário UCCLA é uma iniciativa conjunta da UCCLA, Editora A Bela e o Monstro e Movimento 2014, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, e tem como objetivo estimular a produção de obras literárias, nos domínios da prosa de ficção (romance, novela e conto) e da poesia, em língua portuguesa, por novos escritores.

A participação neste prémio deverá ser feita até às 24 horas do dia 21 de março de 2017. São admitidas candidaturas de concorrentes que sejam pessoas singulares, de qualquer nacionalidade, fluentes na língua portuguesa, com idade não inferior a 16 anos. No caso dos menores de 18 anos, a atribuição de prémios ficará sujeita à entrega de declaração de aceitação pelos respetivos titulares do poder paternal. 

Constituição do Júri:
António Carlos Secchin, Brasil
Germano de Almeida, Cabo Verde
Inocência Mata, São Tomé e Príncipe 
Isabel Alçada, Portugal
José Luís Mendonça, Angola
José Pires Laranjeira, Portugal
Biblioteca Nacional de Angola (Luanda)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Nota de imprensa | António Fonseca eleito Secretário-Geral da Academia Angolana de Letras

O escritor António Fonseca foi ontem, 12/01, eleito Secretário-geral da Academia Angolana de Letras (AAL), pela Assembleia Geral daquela associação cultural, reunida pela primeira vez, em Luanda.

A Assembleia dos académicos decorreu na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA) presidida pelo seu Presidente, Artur Pestana (Pepetela), e ladeado pelo PCA da AAL, Boaventura Cardoso, bem como José Luís Mendonça, Secretário da Mesa da Assembleia Geral.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Crónica | PEDRO

Texto de António Lobo Antunes (escritor português)

A criança mais fácil de educar que conheci na vida foi o meu irmão Pedro, porque dizia sempre que sim.

– Pedro isto não é hotel
– Sim mãe
– Não voltas a chegar tarde
– Sim mãe
– O jantar é às oito e um quarto
– Sim mãe
– E estás à mesa a essa hora
– Sim mãe

e depois, claro, não aparecia. Telefonava às dez da noite.

– Onde é que tu estás Pedro?

– Do outro lado da linha
– E vais voltar imediatamente para casa.
– Sim mãe

e chegava, claro, às horas que lhe apetecia, tranquilo, suave, educadíssimo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Crónica | Uma ligação muito bem perdida

E o senhor, o que quer beber? Água, se faz favor!, abri-me como quem andasse no deserto. Quer outro copo, certo? Sorri à perspicácia da assistente, portuguesa com muitos ainda por somar até chegar aos trinta. Também aqui dentro o ar é muito seco, acrescenta ela com aquela empatia de converter instantes em momentos memoráveis. O contacto é breve e ela segue pelo corredor, empurrando o carrinho dos víveres.

Tenho livros para ler no iPad mais o filme sobre Mandela e o desporto contra a segregação racial. Vendo a assistente de volta, peço um minuto: preciso da vossa ajuda. Tenho ligação para Luanda, e estamos a sair daqui com duas horas de atraso. Íamos a bordo da TAP para Lisboa, vindos de Frankfurt, Alemanha, aonde me desloquei entre 16 e 23 de Outubro de 2016, a convite do Goethe-Institut, para integrar o grupo de 22 países internacionais visitantes à Feira Internacional do Livro de Frankfurt.

Vou avisar o comandante, assegura ela, quando estivermos em aproximação, reportamos da sua condição. Em princípio, o vôo para Luanda terá de esperar. Voltei a agradecer pelo socorro. Isto hoje anda tudo assim. Houve uma situação no aeroporto de Lisboa, de manhã, que afectou toda a programação, referiu ela. Mas que situação seria? Isto já é a pergunta que tive de asfixiar, da incorrigível curiosidade de jornalista fracassado, não é? Mas, enfim, revesti-me da minha faceta de profissional de aviação e deduzi que a simpática rapariga não evocaria mais do que as célebres razões de ordem operacional. Só mais tarde soube que se tratou da greve de controladores e dos taxistas.

Chegados ao terminal de transferências, o inesperado. O avião para Luanda tinha já partido. Sou o quarto na fila das irregularidades. Duas moças com destino à Madeira, sem no entanto ter onde se acoitar, quando só às cinco da manhã sai o primeiro autocarro. Um brasileiro rumo à Espanha. Confusão é o oxigénio que se respira. Três agentes da GNR não escapam aos impropérios, por alegada inércia. E lá surge um João, funcionário da TAP, célere e algo refilão. A minha vez faz-se vez, e lá o funcionário preenche um VOUCHER para hospedagem e alimentação num tal de VIP Executive Lisboa. O endereço dá-se verbalmente, eu faço tudo menos reter. Qualquer taxista sabe onde é, diz ele. Vôo remarcado para o dia seguinte à mesma hora. Às 23 horas assento o traseiro no assento do táxi. O que se segue é uma gincana para esquecer.

De VIP Executive, Lisboa tem uma cadeia de hotéis que nunca mais termina. O taxista, 45 anos, ascendência cabo-verdiana, no princípio é um misto de empatia, sereno chuvisco e victória desportiva. O meu Benfica ganhou, rapaz! Um a zero, mas o que importa são os três pontos. Já batemos a umas quatro portas e nada de ser o hotel parceiro. Uma da manhã. O taxista agora é a própria fúria. Tenta abandonar-me na rua. Os dez euros que tem a receber do hotel, diz, não compensam.

Simulo não ter dinheiro, a ver se o prendo na odisseia. Quem é que me paga o combustível?! Um gajo até desliga a merda do taxímetro; se a bófia vê um valor alto, ainda julgam que ando a enganar. Ouve, meu amigo, isso fazem consigo (evitou dizer preto), porque se fosse diferente… Mantive-me calado e indiferente aos bufos do homem, recorrendo à técnica da exaustão. Nada nos unia melhor do que o silêncio e a esperança de ver terminado da melhor maneira o pesadelo à TAP. Às duas, finalmente, achávamos o maldito hotel, ali pelo palácio da justiça. Junto dez euros aos dez pagos pelo hotel, e de repente o taxista até já tem familiares em Benguela.

E na manhã seguinte contacto a advogada Alexandra Sobral, amiga de luxo que a literatura me brindou, e já tenho cicerone para um dia de turismo por Lisboa e seu potencial cultural, com a inclusão da outra alma de luxo, a arqueóloga Filomena Barata. No balanço da odisseia, é caso para dizer que foi uma ligação muito bem perdida.

Gociante Patissa. Aeroporto Internacional da Catumbela, 10 Jan 2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

(arquivo) No Dia [angolano] da Cultura Nacional, uma recolha sobre «CONCEITO E NÍVEIS DE CULTURA»

Não é possível, nos nossos dias, definir de maneira unitária o conceito de cultura, porque a análise crítica permite relevar – numa perspectiva antropológica – ao menos três tipos fundamentais de cultura: cultura de elite, cultura popular, cultura de massa.

1. A CULTURA DE ELITE aparece como a cultura escolhida (eleita), uma super-cultura essencial, cujo saber, baseado nas disciplinas humanistas de raiz greco-latina, tende, na sua formalização aristocrática, a procurar sem cessar novos modelos criadores, na mesma medida em que os seus modelos tradicionais são vulgarizados ao nível da instrução de base e da comunicação de massa. A cultura aristocrática, fundada sobre a soberania Sagrada da palavra e transmitida pela escola, sobretudo na Universidade, hoje declinou por causa da explosão de conhecimentos provocada pelos meios audiovisuais modernos de comunicação social. Com efeito, a posse privilegiada de um código exclusivo tende a ser cada vez mais precária em face da dinâmica evolutiva dos processos sócio-culturais do mundo contemporâneo.

2. A CULTURA POPULAR é o conjunto residual das sub-culturas ligadadas aos costumes locais e às linguagens dialectais cujas raízes tradicionalistas mergulham, de maneira arcaica, na civilização oral do povo. Foi esta cultura mais comprometida pela sociedade industrial que, com s seus processos culturalizantes de urbanização e homogeneização, sobretudo nas camadas mais jovens, tende a relegá-la para o plano da recordação. Está provado que a recuperação intelectualista ou espectacular de formas expressivas, praticada sob o modo folclórico, deforma em geral os valores autênticos e dialécticos de uma cultura popular.

3. A CULTURA DE MASSA deve a sua difusão aos meios rapidamente multiplicadores da indústria cultural (imprensa, rádio, televisão, etc.). Apresenta uma conexão fragmentária devido à abundância e precaridade das suas mensagens e da sua ideologia, verdadeiras culturazinha de mosaico cognitivo incoerente e ultrapassado. Enquanto que as culturas precedentes correspondem ao plano económico, às matrizes burguesa e popular, a cultura de massa é um verdadeiro sub-sistema cultural que sustém toda a civilização industrial. Os de tentores de uma cultura estruturada e operante nos seus valores e nos seus moldes terão, evidentemente, instrumentos críticos mais capazes de uma aproximação crítica do real, enquanto as classes com falta de formação existencial orgânica estarão cada vez mais expostas a um processo doxológico de influência exercido pela propaganda e pela publicidade dos «mass-media».

PAGANO, Christian, 1971. “Comunicação Audiovisual” (pág. 99-100). Pia sociedade de São Paulo. Lisboa, Portugal
- Imagem de autor desconhecido
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sábado, 7 de janeiro de 2017

(arquivo) Citação

“Não é um jornalismo que nos informa e nos forma; é um jornalismo que nos influencia. Eu deixei de comprar jornais porque, eh, de cada vez que compramos um jornal e percebemos que sai uma matéria, e quando lemos a matéria, não há um assunto na verdade. Quer dizer, é uma tentativa de nos influenciar para uma determinada direcção política. Então, o que eu entendo neste momento é que a pluralidade não diz a qualidade no jornalismo cabo-verdiano. Eu sinto falta de um jornalismo activista, cidadão, que vai buscar as questões e que questiona, que investiga.” (César Schofield Cardoso, cineasta e fotógrafo cabo-verdiano. In Voz da América, 06.01.16)
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Umbundu é a segunda língua do país

(Texto e foto: Jornal de Angola, 6 Jan 2017)

O umbundu é a segunda língua mais falada em Angola, representando 22,96 por cento da população, o que corresponde a cerca de 5,9 milhões de pessoas, depois do português, que é falado por 71 por cento da população.

Depois do português e do umbundu aparecem o kikongo, com 8,3 por cento, e o kimbundu, com 7,8 por cento. Seguidamente vêm as línguas côkwe, nganguela, nyaneka, fiote, kwanyama, luvale e muhumbi com percentagens que variam entre os três e um por cento.
Os dados são do Censo Geral da População e Habitação, o primeiro realizado depois da proclamação da Independência Nacional, em 11 de Novembro de 1975, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A população angolana é constituída por 25,7 milhões de habitantes, dos quais 12,4 são homens, o que corresponde a 48 por cento, e 13,2 são do sexo feminino, o que corresponde a 52 por cento.

O último censo realizado pela administração colonial portuguesa ocorreu em 1970 e mostrou que a população era constituída por 5,6 milhões de habitantes.
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Nota do blog Angola, Debates & Ideias: Investir na actualização do código da grafia (línguas Bantu), que é bom, para daí incentivar a produção de bibliografia e literatura diversa nessa tal segunda língua, isso é que quem de esquerdo não prioriza

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Diário | Para vocês é tudo trinta por uma linha, ne?!

"Ei! Xe! Você não viu a ultrapassagem arriscada que fez?!"
"É desculpar senhor agente..."
"Já viste quantas pessoas morriam se a condução fosse baseada nisso de pedir desculpas?!"
"Meu kota, perdoa só já o teu puto. Ainda não facturei nada hoje, vai custar fechar a conta do patrão..."
"Ainda por cima tens coragem de dizer isso. 16 passageiros, contra a lotação do mini autocarro. Quer dizer, para vocês é tudo trinta por uma linha, ne?! Essa multa vai-te cair mesmo bem..."
"Meu brada, não faz isso! Safa só o teu sangue. Estamos a entrar no fim-de-semana, e uma multa vai-me estragar o ano."
"Assim te safo... e a mim quem é que me vai safar?"
"Meu kota, não fica mais malaike tipo aqueles trânsitos sujos. Você até aqui tem boa fama... Olha, é assim: tenho uma pequena fezada assim para fechar o kota com um saldo, meu kota."
"Embrulha na carta, xe!!!"
"Aqui está, meu kota."
"Porra! Você só vai me passar mil kwanzas?! Mas assim você acha o quê? Me viste com cara de corrupto ou quê?!"
(Adaptação)
Gociante Patissa, 05.01.2016

Citação

"Não me conte o que eles falaram de mim. Conte-me por que motivo eles estavam tão confortáveis em dizer isso à sua frente." (de autor desconhecido)

Mariane André foi a cantora do ano | A classificação é do portal PÉROLA DAS ACÁCIAS sobre residentes de Benguela em 2016


O ano 2016, muito praguejado pela maioria dos angolanos em função do quão vazio deixou tudo quanto é bolso e prateleiras, pode entretanto ter sido generoso com uns poucos cidadãos. Destes poucos com motivos para comemorar incluímos a jovem cantora Mariane André, da zona alta da cidade do Lobito, que viu o seu talento homenageado com um prémio, pequeno mas simbolicamente profundo.

Arrebatou no mês de Agosto o primeiro lugar do concurso “Afilhados”, da Rádio Mais, que contou com nove talentos em busca de consagração. Nesta contenda, ela foi apadrinhada por nomes sonantes da arena musical angolana, tais como Kelly Silva, Paulo Cabonda e Zé Beato.

Num mercado como o da música angolana, em que cada vez mais fica claro como há pessoas que nasceram para alguma coisa, enquanto outras também há que só se “empurram”, Mariane André é uma daquelas promessas notáveis ao primeiro ouvido. É afinada, letras esteticamente bem apuradas e tem carisma e ginga.

Apesar de ser ainda um talento relativamente anónimo, na verdade ela já leva mais de uma década de bem cantar. É autora do tema “onde vou morar?”, que retrata o dilema de mãe solteira abandonada pelo parceiro, tema por sinal intemporal e muito tocado entre 2006-2010 pelo programa “Viver para Vencer”, espaço educativo juvenil levado a cabo pela ONG AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), com a qual ela prestou alguma colaboração voluntária.

A sua mais recente aparição foi durante a gala de eleição da miss Lobito, onde Mariane André interpretou o tema “Volta pra mim”, género kizomba.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Divagações | Sobre eles sem eles, menos

Com o devido respeito aos amigos e já com as desculpas concomitantes, tratando-se aliás de um tema melindroso, muito gostaria que neste 2017, quando se pretender representar a cultura de um determinado grupo étnico angolano, que ao menos alguns membros deste grupo sejam incluídos, já imaginando que seria maçada demais esperar que fosse a estes reservado o protagonismo em primeiro plano. Encurtando, faz-me uma certa confusão a tendência que cresce nos últimos anos de ver estudiosos, investigadores ou autodidactas ou o que mais, assumindo-se aos holofotes como representantes da forma de ser, pensar, manifestar, e de estar de um grupo (às vezes de forma não tão bem conseguida), deixando de parte a parte integradora que seria mostrar ao mundo a riqueza a partir da sua essência (sair um pouco da internacionalização através da "tradução"). Gostaria por exemplo de ver mais grupos tradicionais do interior manifestarem (um pouco mais do que em efemérides) as suas danças, esculturas, etc. Definitivamente, sobre eles sem eles, desta vez menos.
Nota de rodapé: Se estiver enganado, o que é muito provável, então é já questão de alistar como o primeiro engano do ano.
Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com

Crónica | Diálogos (Im)prováveis...

Por José Silva Pinto (fotógrafo, Luanda, 24.12.2016)

-perguntava-me ela com ar de quem está a ter alucinações... mas homem, nunca te apetece nada, nunca, mesmo? a sério? Jesus… que cabeça dura a tua...

pois é verdade mana, há coisas e vezes que não me apetece mesmo nada... NADA.

mas há mais um ror coisas  que  também não me apetece…

-não corto o cabelo…
porque não me apetece (e tb porque acho caríssimo).
-não faço uma lipo…
porque não me apetece (e tb porque depois ficava sem roupinha para vestir).
-não faço limpeza de pele (se calhar até que devia e precisava)…
porque não me apetece.
-não sou artista…
porque não me apetece.
-não oiço Kuduro…
porque não me apetece ( e sobretudo porque tb não apanho uma do que dizem).
-não frequento casas de meninas
porque não me apetece.
-não fumei os vidros do carro…
porque não me apetece.
-não sei o que é ter swag…
porque não me apetece.
-não como sushi…
porque não me apetece.

E porque não me apetece, porque não me apetece, porque não me apetece, porque não me apetece, porque não me apetece, porque não me apetece, porque não me apetece, porque não me apetece, porque não me apetece…

Há por aí alguma coisa com bastante álcool?
Não?
Então pode ser só um pastelinho de massa tenra ou uma rabanada…
É que isso… até me apetece.
;)

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Diário | Estas palavras assim estão a ser dirigidas à minha pessoa?…

(I)
“Senhor inspector, tem uns cinco minutos? Gostaria de ter uma palavrinha…”
“Claro, senhor pedagógico…”
 “Senhor inspector, como apesar de ter o superior de pedagogia fui sempre uma voz pragmática, vou directamente ao ponto…”
“Sim, pode pontuar… Estamos aqui para isso.”
“Pois, você me desculpe, mas… quer dizer… o trabalho já está concluído?”
“Se se refere ao inquérito, sim, está arrumado…”
“Mas há qualquer coisa que não bate certo…”
“Como assim? Usamos as técnicas e métodos todos em vigor no sistema de educação…”
“A questão até não é sistémica…”
“Senhor director pedagógico, não sei se sabe e não pretendo assim, tipo, tecer alguma ameaça, mas o tempo está a contar…”
“Meu caro Inspector, compulsada a papelada, notamos que há fortes indícios de fraude no resultado do inquérito. Senão vejamos. Dispusemos um dossier com irregularidades, certo? Inclusive aquele caso da chave interceptada em flagrante delito em mãos de aluno. Então, assim de repente a evidência desaparece e o professor em causa é ilibado?”
“Não estou a acreditar, ó Jesus! Estas palavras assim estão a ser dirigidas à minha pessoa?…”
“Senhor inspector, onde estão as provas que incriminam o colega que passou para os alunos a chave com as respostas do exame? Então só esteve consigo, agora não aparece?”
“Vocês ainda não me conhecem, né? Vão ver só!…”

(II)
 “Bom dia, chefe. Quer dizer… Ainda boas entradas, um ano novo recheado…”
“Pronto, já percebi. Vamos encurtar as cortesias, o tempo é dinheiro. Já agora, meu compatriota, lhe desejo o mesmo, à sua família, os seus colaboradores, vizinhos, enfim, entes queridos, as melhores venturas. Que o Poderoso derrame a sua luz para a saúde dos enfermos, o juízo dos presos, o amor ao próximo e que tenhamos uma Angola comprometida com o desenvolvimento e a justiça, custe o que custar. Ah! Mas você ainda é quem mesmo?”
“Eu sou o director pedagógico da Escola da Torre, fui notificado para vir responder ao Excelentíssimo Inspector Geral Provincial…”
“Afinal é você?! Só estamos já a ouvir a vossa fama… conta! O que se passou afinal de contas?”
“Chefe, é assim. Notamos graves indícios de contaminação de evidências, tão graves que chegaram a condicionar a lisura e desfecho no inquérito que solicitamos por fraude.”
“Como assim?”
“Depois do trabalho do inspector, verificamos que haviam desaparecido do dossier evidências estrondosas…”
“ESTRONDOSAS SÃO AS VOSSAS INSUBORDINAÇÕES, PÁ!!! Estrondosas, estrondosas…”
“Não estou a apanhar a ideia, chefe…”
“Você acha que um simples professor de carreira, mesmo já que é director pedagógico, tem respaldo para inspeccionar um inspector em funções?! Estás bem no teu lugar, filho…”
“Mas devíamos proceder como perante tão flagrante indício?”
“Quem determina flagrante, ou não, somos nós, amigo! ESTÁ A OUVIR BEM, NÉ?! O que é vosso é deixar o homem fazer o trabalho dele, depois, se for o caso, reportar aqui à chefia o fora da norma para devido tratamento, ok?! Nunca ouviu falar em paradigma ou quê?!”

Gociante Patissa. 03.01.2017, Aeroporto Internacional da Katombela

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Divagações | Edital primeiro do ano

Vem mui respeitosamente sua excelência eu levar ao conhecimento do universo, do globo e respectivas cercanias, mas principalmente ao dos compatriotas que se dedicam à caça à opinião contrária à régua no primado da conotação o seguinte:

Ponto um e único: a passagem de ano foi coroada de luz geral, sem um apagão de relevo, pelo que todos os elogios são merecidos à empresa de distribuição de energia (ENDE) por se ter suplantado a si mesma em matéria de dispensar os conjunturais insultos do consumidor.

Ainda era só isso. Obrigado. Exarado pelo magnânimo gabinete de sua excelência eu num dos becos da periferia de Benguela, hoje. Assina: sua excelência eu.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Conto | "UMWE WAYONGWILE UKEMA" / "O FULANO QUE QUERIA FAMA" (sabedoria popular em Umbundu e Português)

Foto: Rede Angola
Umbundu | UMWE WAYONGWILE UKEMA (*)

Kwakala ukwenje umwe wainda lesakalalo, cokuti lotulo ka kwatele. Wainda lokulipulapula ukwenje wu ndeti. "Cilingila nye okuti, ame ndicimumba cocimatamata, letosi lyukema si kwete?! Cilingila nye okuti layumwe ño, vimbo, ofetika ombangulo yokuti nditukwiwa ame?”
Ukwenje wiya ocisokolola swim… okwiya wakwata ocisiminlõ cimwe “culoño”. Wavanjiliya okuti, catete, kuyuna omunu oyongola ukema, okukulihã pi pakasi omwenyo womanu vimbo. Etambululo lyeli okuti: povava! Omo okuti, ndaño mwenle cina oholwa, alopo yinywã ovava.

Cina mwenle okuti ka kwacile ciwa handi, ukwenje mba olimba vonjila yokocisimo (ale onjombo). Eci apitinlã vali, ka suminle: ofetika okuniã. Eyumbu lyocili, halyo lihenlã syõ, pomenlã wonjombo yovava vokunywã. Noke eye wasyapo oluhaku waye. Olondona eci vyakapitinlã lomenle, oco vitape ovava, vyasaña okuti, hayo!, elundu lyeniñã lyekongo. Vokasimbusimbu, olwiya wowo kowiñi. Eci tumõla nye?!

Ukwenje kefetikilo wasanjukile, ndayu ocipango caye catelinsiwa. Pwãi, oku ceya okupitinlã, ema lyolyo ho. La Sekulu yimbo, Soma haye tiyu yayi, wovanjela ovitangi. Oco Nda hem tulinga tuti Soma ocilyangu, yu wanyõlã ocimumba caye? Cilingila nye okuti ukulu wendamba okulonga ovimumba ka citenla, vakwê?!

Osapi yondaka tunõlãpo yeyi okuti: onjila yokusanda ukema ciyongola okuyenda ciwa, momo ukema kuli vo una ka waposokele.
___
(*) Olusapo woponjango kimbo lyetu.
Gociante Patissa, vo Mbaka, keteke lyakwim vavali, kosãi ya Kupemba, kuyãmo wolohulukãi vivali lekwim la umosi
www.ombembwa.blogspot.com
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Português | O FULANO QUE QUERIA FAMA

Havia um jovem que andava bastante aflito, o que resultava em insónia mesmo. Não parava de se questionar. “Como é que eu, sobrinho de entidade, não tenho um pingo de fama sequer?! Como é que, na aldeia, nunca sou objecto de conversa?”

Pôs-se então o jovem a matutar… até que teve uma “sábia” descoberta. Notou que, o básico para quem procura fama, urgia determinar onde reside a “vida colectiva”. A resposta foi: na água! Porque até o mais incorrigível dos bêbados bebe água.

Foi pela madrugada em direcção ao poço. E sabia bem o que fazer assim que chegasse. Tanto o sabia como o fez: defecou ali mesmo. Certificando-se de ter expelido bosta em volume (e fedor) suficientes para os fins publicitários que se propunha, cuidou de deixar ali a sua alparcata. Algum tempo depois, foram chegando, uma atrás da outra, as donas de casa, na tradicional missão de acarretar água. A palavra espalhou-se à velocidade de cruzeiro.

Satisfeito da vida estava o jovem, que se (ou)via na boca do povo pela primeira vez na vida. Mas pouco durou a alegria, porque se começou a questionar até que ponto o regedor não seria bruxo e passado o mal para o sobrinho. De outro modo saberia impor autoridade de encarregado em relação ao sobrinho.

Moral da estória: na procura da fama alguma moderação é necessária – é preciso não procurar a cadeira com o cú – pois nem toda fama é positiva.
(*) Contos contados nas fogueiras da Nossa Terra.

Gociante Patissa, em Benguela, no dia 25 de Maio de 2016