A paz é que o povo chama/ a paz é que o povo chama/ Se há que expor ideias / que vão a nosso contento / é discutir com maneiras / o que vai no pensamento / Angola é mulher é flor/ é mãe que a todos ama/ acabem com esta dor / a paz é que o povo chama.
(Vários músicos, in Projecto "A Paz é que o Povo Chama")

Segunda-feira, Maio 20, 2013

Amor e labor

“Eu já disse à moça do meu anexo para se valorizar. Arranja um homem; ser amante de homem casado, ainda por cima de taxista, é tortura. O gajo deixa os passageiros no Hiace, finge que vai beber num instante água, e faz tudo a correr. Quer dizer, a gaja nem sabe o que é fazer amor, é esperar já pronta, senão não dá tempo, o cobrador começa logo a buzinar.”

Sexta-feira, Maio 17, 2013

Numa empresa em que trabalhei, quem se queixasse primeiro ficava com a razão (aos olhos do patrão). O facebook plagia por vezes tal fórmula.

Quinta-feira, Maio 16, 2013

Crónica: CAFÉ DE SUOR E MORTE (fragmentos)


Naquele ano os cafezais do norte tinham florido fora do comum. Os fazendeiros esfregavam as mãos de contentes, antevendo colheita abundante, com terreiros cheios de café cereja a secar, para meter a descasque. 
(…)
 Às sete horas da manhã de certo dia apareceu no terreiro de determinada roça uma mulherzinha com o filho às costas e levava na mão uma cabacinha de quissangua [refresco feito de fuba]. Dirigiu-se ao capataz do grupo das mulheres para lhe pedir dispensa do serviço nesse dia por ter o filhinho doente há mais de dois dias. O capataz negou-lhe a dispensa e marcou-lhe a tarefa habitual, de enchimento de uns tantos cestos de café cereja. A dureza com que a ordem foi dada não permitiu recusa da mulher habituada como outras a ver como eram tratadas em caso de desobediência. Com o filho a escaldar em febre, manteve-o nas costas e foi colhendo bagos com maior ligeireza, na tentativa de abreviar o tempo da empreitada. As horas correram. De vez em quando desapertava o pano de pintado para verificar o estado da criança que amolentada, respirava custosamente pela boca. Retomou a tarefa. Seriam cerca de treze horas quando, de novo, desamarrou o pano. Puxou o pequerrucho para o peito. Tinha os bracinhos descaídos, os olhinhos semicerrados, a boca entreaberta, o corpo inerte e frio. Tinha sido levado pela morte. E aquela mãe ao descobrir que fora despojada do ente querido das suas entranhas, entrou em pranto próprio da mulher africana que, quando dorida, não tem as pragmáticas dos chamados civilizados como se para enfrentar a dor humana seja preciso estudar pelos códigos da etiqueta e civilidade. Aquela mãe estrebuchou pelo chão e as companheiras de trabalho, ao ouvi-la chorar, correram em seu socorro. E o pranto contagiante estendeu-se a todas aquelas mulheres, mães também, servindo à força naquelas plantações de café de suor, dor e morte.


Só o capataz preto, industriado para sacrificar seus irmãos de cor em benefício do capitalista, se manteve insensível à desgraça em que tinha quota parte. Boçal com alma de escravo, não passava de pau-mandado naquela triste época em que os paus-mandados tanto podiam ser pretos analfabetos como brancos componentes da rede administrativa a impor trabalho sem horário com salário de fome

Raul David, 1989, pág. 55. In «Crónicas de Ontem – para ouvir e contar». União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.

um adjectivo sem alma

Sei que os escritores sofrem de narcisismo genético, que pode descambar por vezes a uma auto-noção de Messias. Portanto, o elogio e referências positivas funcionam como massagem aos ouvidos. No meu caso porém, ser apresentado como "um escritor talentoso" por alguém que não lê/acompanha o que venho escrevendo (nem nos livros, nem no mundo digital), é um adjectivo sem alma, e como tal escusado.

Quarta-feira, Maio 15, 2013

Toda a doação merece ser enaltecida pela óptica de solidariedade, mesmo quando as almas solidárias incluem antena parabólica no pacote da doação. É que, como não só do pão vive o homem, sempre se pode alimentar o espírito com novelas até o prazo do cartão acabar. Daí talvez merecerem destaque no Telejornal.

"Tem havido um excessivo abuso da liberdade de imprensa" (Amílcar Xavier, in Telejornal da TPA, 15.05.13)

Quer dizer, se não fosse excessivo, bem que o abuso seria pouco.
"Não acredito! Vocês foram no mesmo avião com a equipa de arbitragem, e perdemos por um a zero? Não era coisa de resolver já na viagem?" (de dirigente de um clube de futebol... já lá vai quase uma década).

E ainda há entre nós os que só aprovam o que vier da sua escola

Terça-feira, Maio 14, 2013

Sobre a origem do nome da cidade de Benguela


A propósito dos 396 anos que a cidade de Benguela completa no próximo dia 17 de Maio, o Jornal Cultura de 13 a 26 de Maio de 2013 traz um interessante ensaio do historiador, escritor e editor Armindo Jaime Gomes (ArJaGo), do qual partilho o trecho que tem que ver com a origem do nome:

“Do étimo mbenga, Benguela é corruptela do verbo “okuvenga” da língua umbundu; okuvengela (sujar) / okumbengela ovava (sujar-me a água), relativamente às águas estagnadas e em língua portuguesa é entendido como turvar, turvar-se, perturbar, alterar, transtornar, escurecer, embaciar, nublar, enuvear (Pe. Alves, A., 1951). Evoluído de “mbengela”, a toponímia passou asignificar perda de transparência, de limpidez, de clareza, perturbação, fazer perder a razão, cobrir o céu de nuvens, situação confusa, indefinição (op. cit.). Apesar de fazer parte da onomástica planáltica, a exemplo de Katombela, Mbaka, Kakonda, Civangulula, etc., a versão popular admite que o topónimo tenha resultado da distorção linguística nos primeiros contactos entre os portugueses e ambwi. Em vez do nome da região que se pretendia saber, os intrusos receberam a justificação da turvês das águas lacustres e fluviais.”

Segunda-feira, Maio 13, 2013

Um pouco de sociologia com adolescentes lavadores de carro


Enunciado (o mais fiel possível conforme observado):
“Já sabes? A minha vizinha virou maluca”.
“Ouvi que tem mais uma de Benguela”.
“Isso até ‘tá a dar medo”.
 “Conheço uma miúda, não é bonita nem nada, tem um [Hyundai] i10. É samba”.
“Estão a pisar grandes máquinas”.
“Tipo nada, os kotas estão a largar”.

Enquadramento:
A ideia principal resume-se aqui: “Conheço uma miúda, não é bonita nem nada, tem um i10. É samba”. Há uma crença entre os Ovimbundu na existência de força sobrenatural para atrair homens, num estilo de vida intensamente promíscua com fins materialistas. Esse poder chama-se “samba”.

Sendo a existência do feitiço indiscutível, vale acrescentar que a sua essência é o status: acumular bens, chegar ao poder, manter-se no trono, proteger-se. Em algumas comunidades, a tendência é masculinizar o feitiço (“umbanda”), sendo “oganga” o homem (que pode chegar a matar, por status ou por inveja) e “ocilyangu” a mulher (que supostamente anda fora de hora a dançar nua à porta de quem quer na desgraça). Quem recebe "samba" recebe “umbanda”, embora seja uma categoria mais leve.

Voltando ao diálogo, na percepção de beleza enquanto moeda, só as mulheres que completam os estereótipos (a tal beleza aparente) merecem ostentar bens, já que, “tipo nada, os kotas estão a largar”. Logo, para uma miúda que “não é bonita nem nada” ter um carro, só pode ser porque recorreu ao feitiço para iludir clientes com um charme que não possui. E, algo cíclico, começam a espalhar-se informações sobre raparigas que alegadamente enlouqueceram porque o feitiço expirou, ou porque não teriam cumprido os preceitos do kimbanda.

Impressão final:
Ao mesmo tempo que me revi parcialmente no diálogo, por este representar repúdio à ascendente degeneração das relações humanas, onde adultos endinheirados corrompem raparigas com idade para suas filhas (ou mesmo netas), não deixei de sentir uma ponta de tristeza; aqueles lavadores de carros demonstraram estagnação quanto à visão de mobilidade social. Em nenhum momento se referiram a alguém (“feia” ou “bonita”) que tenha carro porque conseguiu formar-se, arranjou emprego e pediu crédito.

Gociante Patissa, Aeroporto Internacional da Catumbela 13 Maio 2013 

Pensamentos

"A injustiça fere demasiado o povo simples que vê na rectidão dos actos a sua única defesa e protecção". - Raul David, pág. 49, in «Crónicas de Ontem – para ouvir e contar».1989. União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.
Passei pelo Isced (Universidade Katyavala Bwila) para levantar a declaração da licenciatura. Com o papel em mãos, cruzei no recinto com o professor José Sasoma, numa agradável "ulonga" (saudação ao pormenor) com a profundidade que o Umbundu permite. O passo a seguir era vir ao Alfa, beber alguma coisa em companhia do "canudo", ou não fosse por esses bancos e sombra a beira-mar que gastei dias e pestanas elaborando a tese de licenciatura, o que viria resultar em 15 valores!

Domingo, Maio 12, 2013

Maritalmente

No primeiro dia de aulas com o novo professor...
Ele: Nome? 
Ela: Fulana de tal...
Ele: Estado civil, solteira, casada?
Ela: Vivo maritalmente.
Ele: Ora bem. Vives maritalmente com quem?
Ela: sozinha, professor, vivo maritalmente sozinha!
"O amor é a convivência; o amor é até a briga" (de uma cidadã angolana khoisan separada cedo da sua família e, como ela diz, em fase de reconstrução afectiva).

Sábado, Maio 11, 2013

Notas soltas: AS CONTRADIÇÕES DE DEUS OU OS PONTOS CEGOS DA CIVILIZAÇÃO CRISTÃ


Em matérias de vídeo segurança, ponto cego é o local ou ângulo que não pode ser alcançado pela lente da câmara, representando como tal vulnerabilidade por estar fora do controlo. É neste sentido que o conceito é para cá trazido.

Ouvi em tempos um artista angolano euro-descendente dizer em entrevista, a partir de Portugal, que o africano era o povo mais generoso e tolerante do mundo. Entende que ao fim de vários séculos de exploração, humilhação e outras atrocidades da escravatura e da colonização, o africano guarda como seus a língua e o Deus do opressor.

Estatísticas dispersas estimam que 80% da população angolana é cristã, maioritariamente católica. Ou seja, passamos a conhecer o mundo sob a educação cristã, conflituando às vezes com aspectos mais sagrados da nossa matriz identitária.

Quando alguém, enlutado, diz que Deus é contraditório por permitir a morte – quantas vezes prematura e sofrida – de quem mais não fez em vida senão o louvar, a reacção imediata dos cristãos à volta é tendencialmente sair em defesa de Deus. No fim do longo palavreado, acabamos por dar em algo de meramente opinativo. Quer dizer, não podemos criticar Deus porque a pessoa ao lado acha que não podemos.

Quer dizer, os cristãos rezam pela vida de alguém, acreditando na generosidade e no poder de milagre de Deus. Depois, se este Deus não leva em consideração as súplicas, os mesmos cristãos estão a louvar a vontade de Deus, argumentando que a alma foi descansar no paraíso. Ora, se assim é, porque razão andaram a pedir a cura do irmão?

Desde cedo que herdamos dos pais e da comunidade o “culto de personalidade” ao ser abstracto, Deus. Pelo que corre bem, Ele é grande; se a coisa corre mal, o homem é pecador, eis o culpado! Entretanto, o omnipresente e omnisciente, levando a coisa ao pé da letra, permite que a sua criatura, o ser humano, destrua. Será para engrossar o tamanho da sua ira e o tão falado juízo final? Diz-se que se, cansado de destruir, esse homem se arrepender, passa-se uma tábua rasa sobre o pranto a outrem.

Há um hino que sempre me intrigou durante os anos que andei no grupo coral da igreja evangélica da maioria da minha família. Nunca ficou claro se era para ser uma interrogação, ou uma afirmação, dada a subjectividade interpretativa de textos cantados. Dizia assim: “Eu sei que Deus é imensamente bom/ Deus é a fonte de amor/ Deus é a fonte da misericórdia/ Porque aceita que os seus fiéis tenham aflição/ e calamidade/ oh meu irmão/o pecado nasceu a morte/ a traição/entre o homem e seu irmão”. Era mesmo para dizer que Deus é bom por aceitar que fiéis tenham aflição?

Não tenho experiência de outras culturas para estabelecer um paralelo quanto à forma de culto a outros Deuses, provavelmente não cristãos, monoteístas ou não. Sei que com os muçulmanos ocorre algo similar. Quer dizer, é passar a vida inteira a adular um ser, e imediatamente adoptar um discurso paternalista quando algo escapa à compreensão.

Gociante Patissa, aeroporto 17 de Setembro, Benguela 11 Maio 2013

Sexta-feira, Maio 10, 2013

Felizes os que souberam
conservar as suas tradições
deixadas pelos ancestrais.
Felizes os que se não iludiram
com o pregão insidioso
dos que se diziam portadores
da mais humana civilização.
A realidade provou-nos dolorosamente
os propósitos de quem africanamente
hospedamos em casa.

Raul David, pág. 11. In «Crónicas de Ontem – para ouvir e contar».1989. União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.
"A verdade contada na sua nudez só não interessa aos suspeitos". Raul David, in «Crónicas de Ontem – para ouvir e contar».1989. União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.

Outras leituras


Esta característica – se assim lhe podemos chamar – de andar e ver para relatar depois, antiga como os velhos impérios do Continente, atravessa o texto numa oratória diagonal determinada pelo vulto da aculturação, em que se confrontam e experimentam impulsos de vária ordem num retrato sem retoque, de nitidez irregular à vista desarmada, que instala o autor – sem que talvez tenha sido essa a sua intenção inicial – como pioneiro de um género que, sendo de grande relevo hoje em dia, não encontrou ainda, entre nós, estatura própria: o testemunho.

David Mestre (excerto do prefácio), in «Crónicas de Ontem – para ouvir e contar», Raul David, 1989. União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola.

Quinta-feira, Maio 09, 2013

"Optei pelo disco e não pelo livro porque eu sou um exímio declamador. Me considero mais declamador do que escritor... mas o livro está em carteira" (Marcos Inglês, há pouco, no programa "Hora Quente"-TPA2, divulgando o lançamento do seu CD (e-book) para o dia 11 de Maio em Luanda)

Outra forma de dizer a lição que a humanidade desaprende um pouco a cada dia

montagem de autor desconhecido

Excesso de simplismo

 As bananas que dão este sumocaem de laranjeiras. Foto: José Patrocínio

Presunção da inocência

O oficial da polícia nacional que fazia balanço da operação denominada "viúva negra" na província do Kwanza Norte, através do programa "Bom Dia Angola" da TPA na manhã de hoje (09/05) disse: "na operação, interceptamos uma viatura que transportava um saco com 50 quilos de suposta liamba". Quer dizer, até transitar em julgado, liamba pode mudar de natureza.

Quarta-feira, Maio 08, 2013

Crónica: POSSO OU NÃO ESCREVER SOBRE O AMOR?


Já em posse do bruto que daria corpo ao meu livro de estreia, o editor deu-me a ler algumas obras literárias, gramáticas e antologias para captar conceitos, forma e espírito da poesia. Intrigou-me um conselho que desaconselhava principiantes a escreverem sobre o amor, de tão explorado que o tema vem sendo por grandes escritores.

Sobre o amor já vivi, também eu, tudo o que me poderia surpreender. Já enganei, já fui enganado. Já conquistei, já fui venerado. Já enchi litro de lágrimas, não duvido que tenha causado o mesmo a alguém. Já levei corrida (a que mais marcou foi a da cunhada de uma miúda de Benguela que conheci quando aos 16 anos eu trabalhava como fotógrafo numa barraca da praça da Catumbela; era bonita, voz grossa, e trocamos alguma carícia periférica, até o dia em que me meti no autocarro para ir ter com ela no bairro Alda Lara. Foi correr de verdade e nunca mais olhar atrás, o nome dela é tudo quanto restou. Cheguei a desejar morte à minha algoz – sei que não devia, embora não ignore que amor e morte, efectuada ou prometida, não andam muito distantes). Como é claro, também já fui herói, e é nessa última condição que me atenho hoje.

Certo dia, de bucho devidamente satisfeito, meu amigo e eu cuidamos de esfregar as mãos com petróleo (querosene?) para abafar a inconveniência do perfume da lombula (ou lambuda, para aqui aportuguesar a boa sardinha) grelhada, difícil que estava naquela noite achar o pedaço de sabão mais próximo. Cumprindo a rotina, fizemo-nos à parada, ao longo da estrada Kalumba-Catumbela, caprichando no vocabulário para cair na graça de novas raparigas na sanzala ou, no mínimo, consolidar namoricos.

Caminhávamos aleatoriamente pela noite escura, que se fazia mais escura pela ausência, não já da energia eléctrica, mas sobretudo de meninas que deviam ter muito trabalho doméstico a seguir ao jantar. Não seria a primeira noite de desencontros, estávamos cientes, bons dias viriam, ou não tivesse a semana sete dias e noites.

Chamou a nossa atenção algo a que chamaríamos de discussão, se passasse de monólogo. “Vou-te sepultar… na sepultura”, retinia um tipo que mal conhecíamos. Aproximámo-nos. A diferença de idade entre nós e o trio em certa medida equivalia a uma geração. “Eu vou-te sepultar… na sepultura. Eu sou baiano. Eu sou muito baiano”, dizia. Será que os baianos (naturais da Baía Farta) sepultavam fora de sepulturas? Bom, teria de consultar livros de arqueologia e antropologia mais tarde, que urgia mesmo era salvar o mano que conhecíamos. Este, na típica ambivalência, tentava uma “recaída” com a ex-namorada, não que ela não fosse cúmplice, só que, para seu azar, o rival se antecipara na recolha de informações relevantes sobre si (nome e fenótipo).

A rapariga, impotente, tentava acalmar o namorado, que seguia ameaçando, suas mãos ora no bolso, ora na cintura, dando a entender que trazia armamento sob o casaco. Já o nosso amigo era o medo em pessoa. Sua motorizada andava confiscada pelo agressor. Mas por muito agressivo que o baiano quisesse ser, ele era estranho no bairro, ao qual estava ligado apenas pela namorada. A nossa presença jogava contra si. Foi então que libertou a motorizada. E lá o nosso conhecido saiu connosco da zona de conflito.

Por essa e por outras, posso ou não escrever sobre o amor?

Gociante Patissa, bairro da Santa-Cruz, Lobito, 8 Maio 2013

Duas a três pessoas são detidas em Luanda

Duas a três pessoas são detidas em Luanda sempre que o avião da Taag chega do Brasil. São as chamadas mulas, pessoas que fazem correio da droga. O programa "Bom Dia Angola" da TPA exibiu hoje (08/05) uma peça, com a apresentação pela polícia nacional de um cidadão nigeriano que trazia 70 cápsulas de cocaína na barriga em direcção à república de São Tomé.

Terça-feira, Maio 07, 2013

Obrigado pelo gesto, é um pouco desses pequenos gestos de honestidade que esperamos ver multiplicados!!!

"Na minha casa há um mocho como esse. As minhas crianças pensaram que fosse nosso, então levaram. Mas agora, ao contar, vi que tem um a mais. Vim devolver". Palavras de uma vizinha (pela casa da minha mãe) há instantes. Obrigado pelo gesto, é um pouco desses pequenos gestos de honestidade que esperamos ver multiplicados!!!

Para debate, se der:

Q1-Que te passaria pela cabeça se visses um estrangeiro com o mapa de Angola tatuado no braço? Q2-Haverá uma ligação entre isto e gostar-se (no sentido de respeitar) de quem nasceu dentro do mapa em causa, tem raízes, valores e tradições? Q3-O que representa o passaporte angolano obtido de forma fraudulenta?

Quotes

"Eu, como estrangeiro, nunca esperei encontrar o Brasil das novelas. Ao contrario! A última coisa que nao queria encontrar era o Brasil das novelas! Qual o motivo? Pela a exclusao de rostos Afrobrasileiros..." Totti Satchingongue

Segunda-feira, Maio 06, 2013

Que expectativas se podem alimentar com a vinda de Isaac Maria dos Anjos à província de Benguela na qualidade de governador em substituição de Armando da Cruz Neto?

No meu caso, no que à melhoria da qualidade de vida diz respeito, já sei que não é para breve que o meu subúrbio vai ter energia eléctrica. Vamo-nos contentar com água na torneira e... doses elevadas de poeira. O palácio da Praia Morena fica sempre loooonge...

Convite: ERRATA FULCRAL: 18:15 17 maio sexta: Apresentação da série DiVersos - Poesia e Tradução


Com a presença de três dos poetas incluídos (José Manuel Teixeira da  Silva, Luciano Moreira e Teresa Ferro), naturais do  Porto ou fixados  na região, e dois dos tradutores (José Carlos Marques e Teresa  Ferro), também aqui fixados, será apresentada a série DiVersos -  Poesia e Tradução, a propósito da publicação do seu n.º 18. Na sexta-feira, 17 de maio, às 18:15, no Porto, no Palacete Viscondes de  Balsemão, à praça Carlos Alberto n.º 71.

Fundada em 1996 por quatro poetas e/ou tradutores naturais do Porto  ou ao Porto ligados, a DiVersos é já hoje em Portugal uma das  publicações de poesia mais longevas.

A sua ligação ao Porto em nada impede que seja também decididamente  universal, tendo até hoje traduzido mais de 130 poetas de 16 línguas  diferentes e inserido poemas em língua portuguesa de mais de 130  autores, incluindo numerosos poetas do Brasil, e alguns de outros  países de língua oficial portuguesa ou a eles ligados (Angola, São  Tomé, Moçambique).

A DiVersos / Edições Sempre-em-Pé (contacto@sempreempe.pt) agradece a  colaboração da Porto Cultura e da Câmara Municipal do Porto

Pensamentos a reter


“Não está a cultura no saber as coisas, mas numa certa maneira de saber as coisas; numa certa maneira de as apreciar e de as ver. Há quem saiba muito e não seja culto; há quem saiba pouco e que o seja muito. Reside a cultura essencialmente na forma, e não na quantidade do conhecer; tão-pouco na variedade do conhecer; tão-pouco na novidade do conhecer. A cultura é algo essencialmente activo: é uma ginástica e afinação do espírito; é um trabalho deste sobre si próprio; é um esforço de elucidação e de compreensão perfeita, de harmonia mental, de exacto aprofundamento das nossas próprias ideias, de coordenação e coerência das concepções." - António Sérgio, Ensaios sobre Educação, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2008, pp.296-297

Deu para rir

Autor desconhecido

Sexta-feira, Maio 03, 2013

Como em António Cardoso (1959), sei que «Se choramos aceitamos. É preciso não aceitar.» Só não prometo, para não mentir.

Domingo, Abril 28, 2013

Umbilical pára-quedas

Umbilical pára-quedas

Se voar é de asas abertas
Em replay põem-se a nu as cicatrizes.

Tudo é nada mais senão o vento
que faz assobiar e sublima cantos
tocar o céu pelo penteado da montanha
até ceder à lei de gravidade

Houve sempre uma mão
houve sempre uma mãe.

Gociante Patissa, in «III Antologia de Poetas Lusófonos», 2010. Folheto Edições e Design, Leiria - Portugal

Sábado, Abril 27, 2013

O nobre gesto de António Gonçalves


Eu disse na véspera e durante a campanha eleitoral para os corpos sociais na União Dos Escritores Angolanos que esperava, enquanto membro, que a instituição saísse fortalecida deste saudável exercício democrático. Gostei de ler hoje no Semanário Angolense (SA) que recebi via Salas Neto:

SA – Consta que foi felicitado pelo candidato derrotado da lista B… A ser verdade, como avalia o gesto do seu rival?
Carmo Neto- É o gesto de cortesia, que deve ser valorizado; UM SINAL de aceitação do resultado das eleições que foram realizadas com absoluta transparência e liberdade.

Um grito de socorro que vem de pequenos empresários do sector farmacêutico e Benguela

Chega-me a informação segundo a qual pequenas farmácias de Benguela encaram com perplexidade as exigências da Inspecção de Saúde quanto às dimensões físicas que se pretendem implementar, desde finais do ano passado. Ou seja, o espaço da sala de atendimento, o WC, a arrecadação e o gabinete do gestor do estabelecimento devem obedecer aos novos parâmetros. É na periferia que a medida parece preocupar mais. Se por um lado os empresários respeitam a legitimidade das autoridades sanitárias, questionam por outro lado que tais medidas só agora surjam, quando inicialmente se exigiam condições de higiene e climatização. Será que o princípio da não retroatividade da lei não se aplica neste caso? Não seria de exigir tais parâmetros a quem quiser legalizar farmácia depois da vigência deste novo paradigma? O que é que se entende por pequenos empresários? São questões de quem está incerto e não tem mais fundos para investir no alargamento do estabelecimento.

Sexta-feira, Abril 26, 2013

Leituras de queimar tempo

Gostei de ler "Visões do Além" (narrações e vivências para ler sentado) do jornalista Sebastião Marques, um livro de crónicas com 86 páginas, editado pela Nzila em 2006. Encontrei-o numa livraria na Zona Comercial do Lobito esta tarde e em pouco tempo cheguei à última página. São essencialmente crónicas de viagem, sendo que com algumas foi inevitável a proximidade afectiva, ou não fossem lugares por onde um dia passei, como Nova York, Washington (EUA), Jerusalém e Tel Aviv (Israel).
Não sei ao certo a partir de que momento exacto nasci para a palavra, se no ventre ou fora dele, do mesmo jeito que não sei ser forte ao lidar com a palavra, se carregada de dor. Não sei porque tal momento me engole.
Como em Neto, tu me ensinaste a esperar. E se aprendi a acreditar, mais do que aos deuses, de cá ou do além, é a ti que devo.
"Algumas mães são carinhosas e outras são repreensivas, mas isto é amor do mesmo modo, e a maioria das mães beija e repreende ao mesmo tempo". (Pearl S. Buck)

Quinta-feira, Abril 25, 2013

Mais uma das intermináveis perspectivas

Segundo a página do UNICEF no Facebook, a cada minuto, morre uma criança de malária.

Não está claro na página do UNICEF se a estatística é global ou se refere a Angola. É uma chamada de atenção para cada vez maior sinergia na lutacontra a doença, num quadro triste e preocupante. Por outro lado, olhando para os números, assim como são atirados, parecem algo questionáveis se se referem a Angola. Quer dizer, 60 minutos dá 1.440 mortes por dia, o que multiplicado por 365 é qualquer coisa como 518.400 mortes por ano. Será?

Pepetela e a sua visão quase exagerada pelo positivismo

Compreende-se, talvez seja o centro da cidade a Benguela que descreve. Na verdade, há muito que há mais gente para lá do asfalto. Era bom passar um fim-de-semana pelo menos para lá dos holofotes, no 11 de Novembro, 4 de Fevereiro, 17 de Setembro, Bairro Benfica, Caponte city, Viva a Paz, Nossa Senhora da Graça. O texto do link é legítimo, ainda que longe da realidade. Como sociólogo que é, sugerimos para de vez em quando a observação participante.

Ler crónica aqui

Terça-feira, Abril 23, 2013

Avenida do quase

Há um andrajoso que dorme sempre cedo. Tão pesado lhe é o sono, que me custa chamá-lo de louco. Tem realmente ares disso, mas eu mesmo ando às voltas com o sono, tantas emoções e agendas por gerir. Neste preciso momento canta a poucos metros do carro, nosso quartel general. Passam outros na mesma condição, e até acho que sei porquê. No outro dia, um, aquele sim quase louco, digo quase porque, com inusitado sentido de liberdade, quebra uma qualquer garrafa e com o mesmo automatismo atinge uma testa, a dele próprio, para em jacto de sangue deixar sua marca sobre o passeio de cimento. Não é visto durante horas. Surge depois com penso sobre sutura, pede cinquenta kwanzas para comprar pão, mas logo a seguir chateia-se quando lhe é dado o pão no lugar dos cinquenta kwanzas. Certamente sabe que por este valor comprava mais de um. Passam relativamente muitos, por este passeio. E até faz sentido, é a rua dos bancos, da clínica e dos contentores de lixo. É de loucos a avenida do quase, do sonho por rápidas melhoras, da dor.

Também eu, mano.

"Big boys don't cry/ Big boys don't cry/ And sometimes/ I cry/ I said I cry.

Segunda-feira, Abril 22, 2013

SOS (um apelo a jornalistas e entidades ligadas à inspecção da Saúde)

Moradores do bairro da Santa Cruz, Lobito, no perímetro entre a casa cantoneira amarela e a rotunda que dá para o Estádio do Buraco, temem consequências negativas à sua saúde, principalmente no que à vertente respiratória diz respeito. Diariamente convivem com um cheiro incómodo que se acredita proveniente de produtos químicos, uma vez estarem instaladas no local três fábricas, sendo uma de fraldas descartáveis, uma de tanques de plástico (vulgo hipopótamos) e outra fábrica de colchões de esponja. As referidas unidades produtivas, que pelo que consta deviam estar instaladas longe de zonas residenciais, são de iniciativa privada e funcionam ali há coisa de 3 anos no âmbito do PDIC (Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela), que gere o que sobrou dos talhões da antiga Açucareira 1º de Maio, três fábricas.

PS: Segundo informação mais recente, a FertilAngola tem no mesmo perímetro uma indústria de fertilizantes, que se junta às suspeitas de origem do cheiro incómodo (que se teme tóxico).

Domingo, Abril 21, 2013

Quinta-feira, Abril 18, 2013

Indigestão identitária

É sempre com alguma vergonha que noto compatriotas nossos julgando-se no direito de impor suas vontades e maus-humores em voz alta, até em questões profissionais que não entendem, já possuídos pela indigestão que a autoridade do sobrenome eventualmente lhes causa. Se algum parente tem notoriedade em algum ramo da política, exército, empresariado, comunicação social, etc., porque não arriscar na condução e desrespeitar as mais elementares regras de convivência social? Algumas famílias tidas como "tradicionais" residentes ou com membros em Benguela deixam muito a desejar! Desculpem-me, estou um pouco enjoado do politicamente correcto!