sábado, 22 de setembro de 2018

A voz do olho: 01 | IRIA AGORA DEIXAR DE VIAJAR?!

Há um ano e meio que venho adiando a crónica sobre a última viagem que fiz à República da Namíbia. Adoptei há uma década o país vizinho e irmão como rota de férias e turismo, não me movendo outro critério senão o de não possuir a paciência de monge. Situações há em que espreitar a lista de requisitos para a obtenção do visto até faz doer a vista, né?

Iria a conduzir para Lubango (400 km), pernoitar e voar duas horas até Hosea Kutaku, o heroico aeroporto internacional de Windhoek. O restante do roteiro é cheque em branco. A única certeza era a de não se ficar pelo mais do mesmo, a região norte ou a capital. Cheirava a litoral. Swakopmund e a portuária Walvis Bay? No ar, aquela inevitável tensão de pré-viagem que nos faz companhia em noite de véspera. Nem o sono consegue dormir.

Amanheceu. Estamos prontos, digo a mala, a mochila, a bolsa da máquina fotográfica e eu. O hiato entre a serventia alagada por inconveniente chuva de subúrbio sem drenagem e o parque de estacionamento faz-se a bordo de kupapata. É um meio de transporte motorizado que se define pela adrenalina. Na verdade, olhando para o quadro da sinistralidade rodoviária, kupapata é já questão de saúde pública. São 9h da manhã. O entusiasmo da viagem logo dá lugar ao choque. A viatura fora vandalizada no parque de estacionamento do hospital central. Vidro quebrado, portas abertas, interior da viatura feito caos. O que procuravam? Teorias de conspiração não seriam de todo descabidas.

Sabia por onde iniciar o inventário de perdas. A carteira de documentos: BI, carta de condução encarnada, cartões de eleitor, contribuinte, segurança social, passe de membro União dos Escritores Angolanos, cartões bancários e 900 USD. Você é figura pública, se calhar o erro foi comprar dólares na rua. Alguém te marcou. Ora, bem. E onde é suposto as figuras obterem divisas, com as casas de câmbio às moscas e a banca que conhecemos?

O telefone é todo tentáculos. Impressões digitais saltam à vista no pó da chaparia, ainda presente a pedra usada contra o vidro. O investigador, este, descarta. Alega contaminação do cenário. É para acreditar, senhor agente? Fácil inferir que não há estaleca laboratorial para o exame fora de Luanda, muito menos a base de dados para compulsar. No recinto da Investigação Criminal, outra viatura assaltada do mesmo jeito. É coisa de rede.

O questionário de abertura do processo é penoso, de tão repetitivo e lento. Daí sou encaminhado para o Comando Municipal onde se lavram declarações provisórias, cada documento furtado com o seu preço. Vejo-me roubado duas vezes. Intriga ler a catalogação “documentos extraviados”. Escusado é rebater, não vá eu perder ainda mais tempo. Posto na seguradora, inicia o processo de reembolso. São 12h já mas a fome está de folga. Informações quanto ao vidro substituto apontam para o Lobito. Para lá vamos.

Às 17h, vidro reposto. A solidariedade da família e amigos aconselha abortar a viagem. Prevalece a determinação, embora pouco sustentável, sem poder movimentar as contas. Eis que alguém disponibilizava 40 mil Kwanzas, providenciais para hotel no Lubango e parque do carro. Contava eu com uma reserva apertada de dólares e o trunfo na manga: até então, sem querer, possuía duas cartas de condução, ficando a salvo a da SADC. Às 18h30 parti. Odeio conduzir à noite mas ousei passar por isso. Tinham-me roubado os documentos, o dinheiro. Iria agora deixar de viajar?! Assim eles ganhariam demais, né?

Gociante Patissa | Benguela, 22.09.2018 | www.angodebates.blogspot.com
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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

No voo da Taag de Lisboa a Luanda | CIDADÃO PORTUGUÊS CONDENADO POR OFENSAS À TRIPULAÇÃO


O cidadão de nacionalidade portuguesa Ruben Jorge Martins Nunes, 34 anos, foi condenado, ontem, pelo Tribunal Provincial de Luanda, à pena de prisão de um ano, suspensa, por ter criado transtornos e proferido expressões obscenas e racistas contra a tripulação da TAAG, durante o voo DT 651, que fazia a rota Lisboa-Luanda, no passado dia 18, terça-feira.

Num julgamento sumário que decorreu na 4.ª secção do Palácio Dona Ana Joaquina, a juíza ditou ainda que durante os próximos dois anos, Ruben Nunes, trabalhador da Refriango e residente no país há oito anos, não pode cometer nenhum outro crime no território na-cional, enquanto durar a pena suspensa.

A juíza Fernanda Paciência decidiu, igualmente, aplicar a pena acessória de pagamento de 8.800 dólares e a taxa de justiça de 80 mil kwanzas.
Depois da audição das testemunhas e declarantes, entre passageiros e tripulação, Ruben Nunes foi considerado pelo tribunal como passageiro indisciplinado e perturbador nos termos da lei vigente no país.

Recorrendo à lei dos crimes contra a Aviação Civil, ao réu não foram imputadas quaisquer agravantes pela sua conduta diante do tribunal, pelo facto de ter confessado os factos, de forma espontânea, e pedido desculpas aos passageiros e à tripulação.

Tudo aconteceu quando a equipa de cabina do voo DT 651, que fazia o trajecto Lisboa-Luanda, transferiu um passageiro, que reclamou contra  avaria do seu monitor, para o lado  de Ruben Nunes. 
O cidadão português, por capricho, queria ter a cadeira ao lado vazia, contrariando as orientações da  equipa de tripulação e insurgiu-se contra ela, pelo que os passageiros que presenciaram a cena se sentiram  incomodados com a sua atitude, a julgar pelas palavras obscenas e racistas que proferiu.

Por essa razão, o comissário de bordo da companhia de bandeira TAAG, Alfredo Maqueta, apresentou queixa ao Departamento de Investigação Criminal no Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, tendo sido apresentado ao Ministério Público que remeteu o caso para o tribunal, onde foi julgado de forma sumária.

Texto do Jornal de Angola, foto da Angop, 20.09.2018
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John Bella lança livro na feira em São Paulo

O escritor John Bella lança hoje, às 18h00, na Feira da Literatura Infantil de Taubaté (FLIT), no estado de São Paulo, o seu mais recente livro intitulado “A Palanca dos Chifres Curvados”.

O autor, que se encontra em São Paulo a convite da Editora Casa Cultura, responsável pela publicação do livro, participou ontem de uma actividade literária com estudantes da cidade de Taubaté, uma iniciativa da prefeitura local.

Paralelamente ao lançamento do livro, John Bella foi igualmente convidado por várias instituições de ensino para apresentar o livro que visa explicar aos jovens a importância da conservação da fauna angolana e a de outros povos, com uma atenção muito especial sobre a Palanca Negra Gigante, e dissertar sobre o seu trabalho, em particular, e a literatura infantil angolana, em geral. A feira deste ano, que acontece até domingo, tem como tema central “Narizinho - reinações na terra de Lobato”. 

Amanhã, às 17h30,  o escritor angolano toma posse como membro correspondente  da Academia Taubateana de Letras (ATL), eleito pelas suas qualidades literárias e difusão da literatura, cerimónia para a qual foi convidado o cônsul geral de Angola em São Paulo. 


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Sugerindo leituras, poesia brasileira do Movimento Poetas na Praça

Se
Alguém
Lhe amar
Como eu
Não é alguém
Sou
Eu.

Manuka

In MOVIMENTO POETAS NA PRAÇA - entre a  transgressão e a tradição (antologia organizada por Douglas de Almeida). 2015. Selo editorial Castro Alves, Câmara Municipal de Salvador - Bahia, Brasil
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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

No feriado do Herói Nacional, que tal ouvir a entrevista e recital de homenagem a Agostinho Neto na Rádio Benguela?

- Trova/Músicas originais: Syrimus Mulaja (músico e compositor benguelense)

- Emissão e concepção: Rádio Nacional de Angola-Benguela, programa "Entre Nós", manhã de Sexta-feira, 15.09.2017

- Apresentação: Filomena Maria
- Poesia de António Agostinho Neto (1922-1979) poeta, médico e político angolano)
- Compilação, narração de poemas e fotografia: Gociante Patissa
www.angodebates.blogspot.com

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Língua nacional Kimbundu na literatura angolana | SOBERANO KANYANGA DISSERTA NA UNIVERSIDADE DE MACAU

O escritor angolano Soberano Kanyanga encontra-se já no continente asiático para acertos, tendo em vista a sua prelecção na universidade de Macau. Ao Blog Angodebates, o autor de “O Relógio do Velho Trinta”, “Amor sem pudor”, e do “Coleccionador de pirilampos”, entre outros títulos, contou que “o convite veio da Universidade de Macau, para primeira semana de Novembro, e visa falar aos estudantes e professores do Departamento de Língua Portuguesa”.

Foto cedida pelo autor
A abordagem vai incidir nas peculiaridades do português de Angola e a presença do Kimbundu, como língua primeira, na literatura "aportuguesada" de Soberano Kanyanga. O evento será aproveitado para apresentar à comunidade académica “As travessuras de Jacinto”, o mais recente livro do autor, publicado pela TM Editora no ano passado.

O convite formulado ao escritor, que é também docente de história e jornalista de formação, surge na sequência do Projecto Libolo, de natureza científica, em curso no Município do Libolo, província do Kwanza-Sul, do qual fazem parte professores e estudantes de pós graduação e mestrado daquele centro universitário macaense.

projecto tem alcance internacional e multidisciplinar, centrado em quatro áreas de estudos das humanidades, nomeadamente a linguística, a história, a antropologia e a filologia, a partir de uma região sócio-histórica estratégica angolana. O cotejo empreendido entre essas áreas leva em conta o fluxo de escravizados do Libolo transplantados para fora de Angola entre os séculos XVI e XIX.


Luciano António Canhanga, de seu nome de registo, nasceu a 25 de Maio de 1976 no Libolo, província do Kwanza-Sul. Reside na cidade de Luanda. Escreve poesia, contos, romance e ensaios. É dos que publicam regularmente nos últimos dez anos. Consta na sua vasta obra a distinção pela Bolsa Ler Angola ao livro de contos “O Coleccionador de pirilampos”, no ano de 2014, num concurso literário nacional de iniciativa presidencial que apurou 11 obras na colecção designada “11 Novos Autores”.

Gociante Patissa, Benguela, 17.09.2018 | www.angodebates.blogspot.com
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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

(áudio com download) Palavras e Textos RNA | Grande entrevista de Walter Arsénio ao escritor Gociante Patissa 08.08.2018

Para fins documentais, eis o bruto da entrevista que foi gravada na tarde de quarta-feira, 08.08.2018, no Canal A da Rádio Nacional de Angola, em Luanda, e consistiu num passeio por temas ligados aos desafios do livro e da literatura em Angola, tendo como pano de fundo a véspera da viagem para o Brasil, onde Gociante Patissa foi participar como escritor palestrante internacional na segunda edição da FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), na cidade de Salvador, de 8 a 12 de Agosto, a convite da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por intermédio da Fundação Pedro Calmon 
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(áudio sem download) Palavras e Textos RNA | Grande entrevista de Walter Arsénio ao escritor Gociante Patissa 08.08.2018

Para fins documentais, eis o bruto da entrevista que foi gravada na tarde de quarta-feira, 08.08.2018, no Canal A da Rádio Nacional de Angola, em Luanda, e consistiu num passeio por temas ligados aos desafios do livro e da literatura em Angola, tendo como pano de fundo a véspera da viagem para o Brasil, onde Gociante Patissa foi participar como escritor palestrante internacional na segunda edição da FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), na cidade de Salvador, de 8 a 12 de Agosto, a convite da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por intermédio da Fundação Pedro Calmon | www.ombembwa.blogspot.com  | http://angodebates.blogspot.com/
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domingo, 9 de setembro de 2018

(áudio com download) Mesa redonda em língua Umbundu POPYA OTCHILI nº 12, Rádio Ecclesia Benguela com Gociante Patissa, 2018

Veteke lya lyakwim vavali la tatu, kosãi ya Kanyenye, vunyamo wolohulukãi vivali kekwim lecelãlã, ocipama citukwiwa eti Popya Otchili cakonga Gociante Patissa ndukusinumunlã evi vyatyama kokumina lovotila kwenda vo ndokusapela kwevi viletiwe kaliye okuti papita ale ulima tunde apa ocela caimbiwa vo feka yo Ngola. Ocipama Popya Otchili cendisiwa la João Guerra Sokópya, Arminda Mangandi kwenda vo Jesus Matende. Horácio dos Reis waka kovikwata vileñi

Gravidez precoce e o balanço do primeiro ano das eleições gerais de 2017 foram os temas centrais no dia 23.08.2018 da edição nº 12 do programa Popya Otchili (em português, diga a verdade), na Rádio Ecclesia de Benguela, emissora da igreja Católica. Gociante Patissa, escritor e actor social, foi o convidado da mesa redonda, que contou também com a intervenção de ouvintes ao telefone. O trio que conduz o Popya Otchili é composto por João Guerra Sokópya, Arminda Mangandi e Jesus Matende. Tecnica de som de Horácio dos Reis. | www.ombembwa.blogspot.com
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sábado, 8 de setembro de 2018

(áudio sem download) Mesa redonda em língua Umbundu POPYA OTCHILI nº 12 Radio Ecclesia Benguela com Gociante Patissa 2018

Veteke lya lyakwim vavali la tatu, kosãi ya Kanyenye, vunyamo wolohulukãi vivali kekwim lecelãlã, ocipama citukwiwa eti Popya Otchili cakonga Gociante Patissa ndukusinumunlã evi vyatyama kokumina lovotila kwenda vo ndokusapela kwevi viletiwe kaliye okuti papita ale ulima tunde apa ocela caimbiwa vo feka yo Ngola. Ocipama Popya Otchili cendisiwa la João Guerra Sokópya, Arminda Mangandi kwenda vo Jesus Matende. Horácio dos Reis waka kovikwata vileñi
Gravidez precoce e o balanço do primeiro ano das eleições gerais de 2017 foram os temas centrais no dia 23.08.2018 da edição nº 12 do programa Popya Otchili (em português, diga a verdade), na Rádio Ecclesia de Benguela, emissora da igreja Católica. Gociante Patissa, escritor e actor social, foi o convidado da mesa redonda, que contou também com a intervenção de ouvintes ao telefone. O trio que conduz o Popya Otchili é composto por João Guerra Sokópya, Arminda Mangandi e Jesus Matende. Tecnica de som de Horácio dos Reis. | www.ombembwa.blogspot.com
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(áudio com download) UMBUNDU | OMBANGULO LUSONEHI (entrevista em língua Umbundu com escritor) GOCIANTE PATISSA, 2018

UMBUNDU | Ombangulo yaendisiwa vingungu vyo Lupito la António Firmino "Tula". Cakala veteke lyakwim vavali la mosi, kosãi ya Kanyenye, vunyamo wolohulukãi vivali kekwim lecelãlã. Vavangula kweci catyama kungende usonehi Gociante Patissa vofeka yo Brasil, muna akayevalisile ovihilahila vyetu konepa yakongamelã, vocipito co FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), kolupale wo Salvador, oluhumba wo Bahia, tunde veteke lya 08 toke ko 12 vosãi yaco ya Kanyenye. Eye wakongiwa lo Seketa Yovituwa Kwenda Olomapalo yo nguvulu (Secretaria de Estado da Cultura), vulala wocisoko co Fundação Pedro Calmon

PORTUGUÊS | Entrevista na Rádio Lobito conduzida António Firmino “Tula”, a 21/08/2018. Trataram da viagem do escritor Gociante Patissa ao Brasil, onde palestrou sobre a literatura angolana na FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), na cidade de Salvador, de 8 a 12 de Agosto, a convite da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por intermédio da Fundação Pedro Calmon | www.ombembwa.blogspot.com
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(áudio sem download) UMBUNDU | OMBANGULO LUSONEHI (entrevista em língua Umbundu com escritor) GOCIANTE PATISSA, 2018

UMBUNDU | Ombangulo yaendisiwa vingungu vyo Lupito la António Firmino "Tula". Cakala veteke lyakwim vavali la mosi, kosãi ya Kanyenye, vunyamo wolohulukãi vivali kekwim lecelãlã. Vavangula kweci catyama kungende usonehi Gociante Patissa vofeka yo Brasil, muna akayevalisile ovihilahila vyetu konepa yakongamelã, vocipito co FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), kolupale wo Salvador, oluhumba wo Bahia, tunde veteke lya 08 toke ko 12 vosãi yaco ya Kanyenye. Eye wakongiwa lo Seketa Yovituwa Kwenda Olomapalo yo nguvulu (Secretaria de Estado da Cultura), vulala wocisoko co Fundação Pedro Calmon

PORTUGUÊS | Entrevista na Rádio Lobito conduzida António Firmino “Tula”, a 21/08/2018. Trataram da viagem do escritor Gociante Patissa ao Brasil, onde palestrou sobre a literatura angolana na FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), na cidade de Salvador, de 8 a 12 de Agosto, a convite da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por intermédio da Fundação Pedro Calmon


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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Ensaio | Recolha de provérbios umbundu em «Fátussengóla, o homem do rádio que espalhava dúvidas», de Gociante Patissa

Gonçalves Handyman Malha, Luanda, 04.09.2018

«Nda wanda, kukame ondalu: vasala vayota»: se tu vais, não apagues o fogo: os que ficam aquecem-se.

Já que se vai falar sobre o uso de provérbios no livro de Gociante Patissa, o melhor foi iniciar com um provérbio, em que se abre uma ponte reflexiva aos egrégios leitores para que possam transmitir aos mais novos tudo o quanto lhes foi ensinado.

Destarte, baseando-se no Dicionário Electrónico de Português Houaiss (2017), entende-se por provérbios, como frases e expressões, geralmente, curtas e de origem popular, que sintetizam um conceito a respeito da realidade, regra social ou moral. Tais frases ou expressões são parte da cultura popular de um determinado povo, transmitidos de forma oral ou escrita às gerações mais jovens pelas mais idosas. As mesmas transmitem conhecimentos comuns sobre a vida, educam, edificam, exortam e ajudam a reflectir. Muitos desses provérbios constituem aquilo que muitos mais velhos são hoje.

Sentados à volta de uma fogueira ou imbondeiro, eram contados vários contos, provérbios, anedotas, lendas e adivinhas, assim eram transmitidos os conhecimentos de forma oral aos mais novos. Com o passar do tempo e a forte influência da globalização, tal prática caiu em desuso, e assim a nova geração acabou por perder o fio das nossas origens, deixando-se levar pelas origens estrangeiras. Hoje, os jovens, com a idade compreendida entre os 15 aos 19 anos de idade, estão tão longe daquilo que os mais velhos foram na juventude e, por consequência, muitos têm dificuldades de assumir a sua identidade cultural.

Afirmou Jofre Rocha, numa entrevista concedida à Lavra & Oficina, que «a Literatura é um veículo fundamental para levar o povo a reencontrar a sua identidade, liberto de complexos e preconceitos, valorizando as tradições mais positivas e a cultura em geral». E a tradição oral (ainda) constitui uma das pontes que visa permitir aos angolanos o resgate da idoneidade cultural que cada etnia possui. Geralmente, designa-se por literatura tradicional oral angolana o conjunto de todos os contos, lendas, fábulas, provérbios, advinhas, poesias, narrativas criadas pela alma artística do povo angolano, e foram transmitidas oralmente de geração a geração. A literatura tradicional oral angolana é uma marca que rompeu as barreiras da vida e a mesma trouxe um mundo imaginário e a realidade das culturas dos povos indígenas.

Schipper (2011, p. 14) afirma que a função dos provérbios na literatura oral é reforçar o argumento do autor, animar a história ou explicar alguma situação ou comportamento.

Na baila do livro «Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas», o escritor relaciona os provérbios com os factos sociais e o enquadramento da língua Umbundu para melhor expor uma ideia ou enriquecer os seus contos. É um livro composto por catorze contos, lançado no ano de 2014 sob chancela do Grecima e apurado no concurso de originais para colecção «11 Novos Autores», no quadro da Bolsa Ler Angola. O livro marca a literatura angolana pelo modo como o escritor desenrola os contos e pelas marcas de angolanidade que nela podemos encontrar.
Segue-se abaixo uma lista de provérbios em Umbundu com a respectiva tradução original da obra em análise de Gociante Patissa.

1. «Camãnle calinga eti mbanje, ka calingile eti mopye»: coisa alheia é para ver apenas, não para falar. 
2. «Ina yukwene, ndaño onima ndopalata, ka lisoki la wove»: mesmo que a mãe do outro brilhe como a prata, jamais substituirá a tua. 
3. «Ka mwinle ongongo ka kolele»: quem não sofreu não amadureceu. 
4. «Kapiñãlã ka lisoki la mwenle»: substituto é inferior ao dono. 
5. «Ocilema vacitaisa, ka vawutola»: que o aleijado nasça na família, não se acolhe de outrem. 
6. «Ocili viso»: verdade é o que for visto.
7. «Ombwa ka yiwulila cahenlã»: cão não ladra por algo que passou ontem.
8. «Otembo ka yilyalya camãle»: aquilo que o tempo tirar, o tempo vai devolver. 
9. «Soma wakava okuyeva kowiñi, oyongola okuyevelela kongolo»: o Rei fartou-se de ouvir o povo, agora quer conselhos do seu próprio joelho. 
10.  «U kwendi laye ka kukutila ko epunda»: não te prepara a trouxa quem contigo não viaja.

Os provérbios na língua vernácula trazem na sua essência três partes. A primeira são os provérbios na língua de origem, a segunda na língua traduzida (sem perder o sentido original) e a terceira, a moral do provérbio. Tratando-se de uma obra literária em que o escritor traz as duas primeiras partes da essência, questionamos o escritor, Gociante Patissa, o porquê do não enquadramento da terceira parte.

Por outra, o Umbundu é a língua dos Ovimbundu, grupo sociocultural que está localizado no centro-sul do país, ou seja, no Planalto Central e nalgumas áreas adjacentes, especialmente na faixa litoral, a Oeste do Planalto Central. Uma região que compreende as províncias do Huambo, Bié e Benguela. Por essa razão, entendemos o uso dos provérbios na língua Umbundu, pois é a língua da região do escritor do livro em questão, visando valorizar e divulga-la.

Sendo o Umbundu “…a segunda língua mais falada em Angola (a seguir ao português) com 5,9 milhões de falantes (22,96% da população)” (https://pt.mwikipedia.org/wiki/Línguas_de_Angola), propomos um desafio ao escritor para que também implemente nas suas futuras obras as outras línguas regionais de Angola, como requisito de valorização e divulgação das nossas línguas.

Outrossim, podemos dizer que os provérbios retirados da obra «Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas» têm uma finalidade educativa e muito reflexiva sobre a vida, e também visam incutir valores éticos e morais às novas gerações para que sejam bons cidadãos na sociedade.
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domingo, 2 de setembro de 2018

Foto-reportagem | NOITE CULTURAL "COOL FRIDAYS" HOMENAGEIA O ESCRITOR GOCIANTE PATISSA

A quarta edição do evento denominado Cool Fridays, que teve lugar na zona alta da cidade do Lobito, província de Benguela, na noite de sexta-feira, 31/08 e madrugada de sábado, 01/09, homenageou Gociante Patissa, escritor benguelense, pelo conjunto da sua obra nos campos da literatura, comunicação e investigação científica. O projecto Cool Fridays, de periodicidade quinzenal, é uma iniciativa privada encabeçada pelo professor e palestrante Félix Félix M. Kibeka, numa parceria com o estabelecimento comercial do empreendedor José Pires Bongue

Vários empresários patrocinam o projecto, sendo que ao homenageado coube, para além da menção honrosa, um conjunto de regalias, como quem vence um concurso, nomeadamente, uma resma de papel A4, uma pen drive, brindes publicitários com o seu nome, a garantia de uma manutenção da sua viatura, dois cortes de cabelo, 40 litros de gasolina para a sua viatura, uma refeição a dois, bem como uma pernoita numa das unidades hoteleiras da cidade do Lobito. 

Em jeito de retribuição, o escritor ofereceu ao mentor da Cool Fridays um exemplar da sua narrativa mais extensa, Não Tem Pernas o Tempo, editado pela União dos Escritores Angolanos em 2013. Pelo palco da quarta edição passaram diversos atractivos, com realce para a promissora Laynayah, acompanhada pelos acordes do violão de Mute. 

Aproximadamente uma centena de convivas testemunhou o evento, entre os quais amigos, artistas, jornalistas, académicos, sem falar de admiradores da sua obra. A família do homenageado esteve representada pelo seu irmão mais novo, Samuel Patissa

Emocionado pelo gesto, Gociante Patissa, chorão por excelência, cuidou de agradecer o carinho. Disse tratar-se de um simbolismo de valor incalculável e ao mesmo tempo uma dívida social no sentido de continuar a dar o melhor de si. Ainda era só isso. Obrigado  | Benguela, 02 de Setembro de 2018 | www.angodebates.blogspot.com
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sábado, 1 de setembro de 2018

Bonga: "Não me fale da lusofonia se faz favor"


"É um mal que vem de longe e deram continuidade a um certo preconceito que existe e, portanto, não há a promoção normal dos não brancos, e isso chateia-me sobremaneira. Portugal tem a responsabilidade de ter ido lá, de ter fabricado gente de lá - quando digo fabricado se calhar é pejorativo, mas entrosou -, fez filhos, muitos voltaram, com a mesma tónica de instrução. Onde é que eles estão? Ponham lá os homens a funcionar. Só há um que eu conheço, que está no CDS [Hélder Amaral]. Não me fale da lusofonia se faz favor. Vamos à Alemanha e há miúdas com programas de rádio, de televisão, na França então... Por isso é que eu não gosto do termo lusofonia, CPLP. "Ai falamos todos em português." Está bem, mas eu nunca fui a tua casa. Ao contrário, já entraste na minha. Porque eu abro a porta às pessoas, e quando abro não estou a ver se é branco, preto, azul, encarnado, branco. Nunca entrei na casa dos meus vizinhos aqui. Não sei se temos de considerar aquele portuguesismo ou então aquele estado preconceituoso e receios e medos."

Bonga Kwenda, 75 anos, músico angolano radicado em Portugal (reportagem publicada originalmente no Diário deNotícias, conforme se retoma nas linha que se seguem)
_________________ 
Em vésperas de celebrar 76 anos, músico angolano recorda a sua infância, a carreira e os truques para enganar a PIDE ao chegar à Portugal. Continuamos a correr até aos 75 anos sempre com Angola como pano de fundo, que em breve se tornarão 76, cuja passagem será celebrada num concerto-homenagem a 5 de Setembro, na Aula Magna, em Lisboa

Texto de: Mariana Pereira, Diário de Notícias, Portugal, 29.08.2018
Guarda as cartas que lhe enviam quem o ouve?
Quando há casos específicos. Porque houve um poema lindo e maravilhoso de alguém que narrou o espetáculo, filhos que nasceram com a música, mulheres que reencontraram o marido, velhos na agonia quase a morrer que põem a música do Bonga. Ainda no outro dia, em Braga, um homem de cadeira de rodas queria ver-me. Em casa era a filha que o ajudava e ali ele levantou-se da cadeira e andou. [Guardo] Principalmente a lágrima no canto do olho deste povo fervoroso, cada vez mais jovem, que me vem ver nos espetáculos e está ali com toda a emoção a cantar.
Mesmo quando é em kimbundu, não é?
Principalmente quando é em kimbundu. Eu quebrei o gelo daquela coisa do preconceito, porque há muita gente que não fala inglês e aceita a música inglesa normalmente. Por que não aceitar a minha música que é em kimbundu, que eles não compreendem, da mesma forma que não compreendem o inglês? Tive de me impor.
Mas tenho consciência de ter rebatido essa lacuna, para diminuir este preconceito de pensar que há culturas superiores. Vendo mais discos no exterior do que na minha terra, onde eles falam kimbundu.
Lembra-se de sons da sua infância no Kipiri?
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Gociante Patissa, escritor angolano na 2ª FLIPELÔ, Bahia (entrevistado pelo poeta Salgado Maranhão)

O escritor angolano Gociante Patissa participou na segunda edição da FLIPELÔ, a Festa Literária do Pelourinho, a ter lugar de 08 a 12 de Agosto na cidade de Salvador, estado da Bahia, a convite da Fundação Pedro Calmon, tutelada pela Secretaria de Cultura do Governo da república do Brasil. O evento homenageou os escritores Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro em uma celebração da amizade. Sob os auspícios da Fundação Pedro Calmon, A FLIPELÔ realizou mesa-redonda denominada “Conversa com o autor, Com os Pés na África”. Inscreve-se como uma das principais na programação oficial, onde, na condição de escritor-palestrante internacional, Gociante Patissa será recebido pelo público para falar das obras e processos de escrita, conversa esta que contará com um moderador local. Daniel Gociante Patissa (1978) nasceu na comuna do Monte Belo, município do Bocoio, província de Benguela. É membro da União dos Escritores Angolanos, linguista de formação e defensor da divulgação de língua e cultura nacional Umbundu, pelo qual foi galardoado com o Prémio Provincial de Cultura e Artes 2012 na Categoria de Investigação em Ciências Sociais e Humanas. Tem publicadas no mercado brasileiro as obras “Almas de Porcelana” (poesia reunida, 2016) e “O Homem que Plantava Aves” (contos, 2017), ambas sob chancela da Editora Penalux, com sede em São Paulo. A selecção de Patissa iniciou por uma sondagem da Fundação Pedro Calmon, parceira do Centro Cultural Casa de Angola na Bahia. Seguiu-se o crivo de um painel que aprovou por unanimidade a candidatura mediante a relevância do seu curriculum artístico. Trata-se, pois, de um precioso somar no processo da afirmação da diplomacia cultural por Angola, sendo esta a sua segunda deslocação à Bahia, por sinal o mais simbólico porto das raízes africanas na história do Brasil, onde há cinco anos integrou a delegação angolana na 6.ª Bienal de Jovens Criadores da CPLP. Segundo a Organização, o tema da presente edição da FLIPELÔ é a frase de Jorge Amado “a amizade é o sal da vida”, e é em homenagem ao escritor itaparicano João Ubaldo Ribeiro. Promove, em 13 espaços de cultura, acesso gratuito, mais de 50 atividades. Nos cinco dias são esperados cerca de 50 mil participantes, apaixonados pelo mundo das palavras.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Diário | O senhor não tem panelas, é isso?

“Bom dia, senhor. Posso ajudar?”
“Sim, claro! Obrigado, moça.”
“Nada a agradecer, senhor. É o nosso trabalho. Estamos aqui para prestar assistência pré-vendas ao cliente.”
“Muito bem…”
“E em que podemos ser úteis?”
“Olha, gostava de saber o preço destas panelas de tampa vidrada, por favor... Aqui está tudo baralhado, tamanhos e preços... a prateleira é uma só…”
“Só um momento, já venho...”
“Mas demora? É que estou a ver que o vosso caixa fica distante. É para lá que a moça vai confirmar o preço?”
“Não, isso vai ser mais rápido ainda do que imagina...”
“Pois, porque em outros supermercados há dispositivos de leitura electrónica, basta passar o código de barras no scanner, e já está...”
“Também temos aqui, senhor. Vai ser rápido.”
(...)
“Olha, já está. Foi rápido, viu? O valor é mesmo esse, senhor...”
“Ah, Ok. Obrigado.”
“O senhor vai levar então a panela, certo?”
“Sim.”
“O senhor gostou da panela, é isso?”
“Sim. O material parece bom…”
“Mas é mesmo esta que o senhor que levar, né?”
“Sim. Essa…”
“Ah, está bem. O senhor não tem panelas, é isso?”
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 29.08.2018
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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Utilidade pública | Atenção, gestores de ONG's e demais sociedade civil: EMBAIXADA AMERICANA EM LUANDA LANÇOU PROGRAMA DE FINANCIAMENTO DE PROJECTOS NA ÁREA DO EMPREENDEDORISMO

De acordo com a notificação que sua excelência eu acaba de receber por e-mail, assinada pela Secretária para Imprensa Cultura e Educação, Nafeesah Allen, esta oportunidade de financiamento que a Embaixada dos EUA em Angola acabou de lançar é de longo prazo com o objectivo de envolver o empreendedorismo em Angola e a comunidade de start-ups em implementar um projecto de acampamento e competição.

Os termos para a elaboração das candidaturas podem ser acedidos neste link https://ao.usembassy.gov/education-culture/local-grant-program/

As propostas devem ser enviadas para o endereço electrónico Pasinboxluanda@state.gov até ao dia 3 de Setembro de 2018.

Nota adicional: Antevendo já "confundibilidades", sua excelência eu esclarece que presta, com a divulgação deste anúncio, um auxílio de utilidade pública apenas, não tendo qualquer vínculo com a Embaixada nem tem poder para influenciar rigorosamente nada. Ainda era só isso. Obrigado

Gociante Patissa
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sábado, 25 de agosto de 2018

"Boss" Constantino


Das agridoces memórias de 2013, lembrei-me do "cara da foto", de seu nome Constantino Mendes, na altura chefe de secção da juventude no Ministério da Juventude e Desportos e o interlocutor directo dos delegados de Angola presentes na 6.ª Bienal de Jovens Criadores da CPLP, que teve lugar na cidade de Salvador, Bahia, concretamente na Biblioteca Central/Pública dos Barris. Escritores, inventores, artistas plásticos, joalheiros, modelos, fotógrafos, cineastas, músicos/cantores, enfim, um pouco de tudo em termos de potencial e prestígio. Só que nas mãos do "boss" Constantino, éramos todos tratados como recrutas, uma rispidez que entretanto se inibia diante das "estrelas" do grupo (no olhar da instituição que superintendia a delegação), como sejam Cabo Snoop e respectivo agente Ho Chi Fu, Namanhonga e respectivos bailarinos, assim como Madruga Yoyo. Aos olhos da mídia brasileira, todavia, já o promissor Kyaku Kyadaff despontava com o seu violão e sonoridade com matriz bakongo, ao lado de Tony do Fumo Júnior. Os ciclos de tensão na relação interpessoal acabavam diluídos em gargalhadas, de tão inusitado que era o génio mandão de um magrito hahahah. Já não voltamos a cruzar e fiquei a saber, poucos anos mais tarde, que Constantino (também promotor de concursos de beleza/mister pela sua agência Pango's), já não faz parte do mundo dos vivos. Onde quer que esteja, tenha paz a dobrar.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

E assim foi


Sua excelência eu com a emoção de missão cumprida no dia de "legressar ao país", trazendo na bagagem um enorme aprendizado, mais 20 kg em livros, discos e filmes ganhos nos dias da FLIPELÔ-Festa literária do Pelourinho, Brasil, que teve lugar na cidade de Salvador. A melhor parte foi ter lá estado a convite e patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por intermédio da Fundação Pedro Calmon (FPC), a cujo elenco faço vénia pela fabulosa experiência proporcionada e pelo degrau acrescido na carreira de escritor e palestrante. À Casa de Angola na Bahia não podia estar mais grato por todo apoio e amparo do seu director, Benjamim Sabby. Ao diplomata Adriano Mixinge, que me derrotou no Prémio Literário  Sagrada Esperança 2012 (venceu por unanimidade do júri com o romance "O Ocaso dos Pirilampos", enquanto sua excelência eu foi finalista com "Fátussengóla, O Homem do Rádio que Espalhava Dúvidas"), só posso reconhecer que foi o feliz caso de que "as vezes perder, é ser vencedor". Fico-lhe a dever um abacaxi da minha comuna natal, Monte Belo. À amiga escritora Deborah Dornellas, de gema carioca e de vivência brasiliense, autora do romance recém-lançado "Por cima do Mar" e enredado entre cá e lá, assim como ao amigo Kakau Kapa Reis, dos benguelenses mais cosmopolitas que se pode inventariar, há como não agradecer o amparo e acolhimento na vastidão de um paraíso que é quase ao mesmo tempo quase selva urbana chamado Sampa? Voltamos à "rotina habitual" e o consolo pode soar faltal mas vem  da sabedoria popular: "Alegria de pobrezinho dura pouco" Ainda era só isso. Obrigado hahahahah | www.angodebates.blogspot.com.com
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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Foto-reportagem 6 | VISITA À RICA BIBLIOTECA PÚBLICA/CENTRAL DOS BARRIS, SALVADOR-BAHIA

A Biblioteca dos Barris abriu as suas portas para receber um visitante de Angola, o escritor Gociante Patissa, que fez questão de propor isto mesmo no roteiro da sua participação na Festa Literária do Pelourinho "Flipelô", que teve lugar na cidade de Salvador, entre os dias 08 e 12 de Agosto, onde esteve como palestrante internacional a convite da Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, república do Brasil.

Na realidade, a curiosidade de franquear, em efectivo labor, os corredores daquela grande e significativa estrutura na malha educativa, histórica e cultural teve também uma motivação afectiva. Recuando no tempo, cinco anos separam este regresso do angolano pela Flipelô do seu primeiro contacto com a infraestrutura da Biblioteca dos Barris, que fora o palco de artes performativas e de exposições no contexto da VI Bienal de Jovens Criadores da CPLP. Patissa integrou na ocasião a delegação multidisciplinar angolana seleccionada pelo Ministério da Juventude e Desportos.

Da parte da Fundação Pedro Calmon e em representação do seu Director Geral, Zulu Araújo, acompanhou o visitante a Coordenadora da Política de Leitura – DLL, Sra. Nana de Carvalho, na tarde de sexta-feira, 10‎ de ‎Agosto‎ de ‎2018.

Com duas centenas de existência, a maior da rede bibliotecas públicas do Estado da Bahia procura reinventar-se no dinamismo, adaptando-se não só à evolução dos recursos tecnológicos, mas também ao perfil dos usuários. Na visita guiada que nos proporcionou a Sra. Naiara Malta, retivemos como um dos principais desafios a flexibilização do ambiente. 
O público de hoje já não é aquele de ver a biblioteca como um espaço de tumular silêncio, pelo que há que tornar a instituição em factor também de diversão e encontros, sem no entanto prejudicar no essencial a sua vocação. É palco, cinema e ponto de encontro de jovens e não só.

Nos pisos de cima encontramos a secção das raridades, no mesmo sector em que nos chamou a atenção a empreitada de digitalizar o acervo de modo a multiplicar o seu acesso. Outra componente aliciante é da produção de conteúdos e de pesquisa em audiovisuais. De louvar igualmente é a secção das pessoas com deficiência, numa biblioteca que habilita invisuais a dominarem o computador, a par do braille. Tecnologia também para ampliar a visão, cabines de som para quem precise de silêncio absoluto, enfim, um pouco de tudo.

Na hora de fecho fica a grande certeza: seria muito valioso estabelecer parceria e intercâmbio entre técnicos bibliotecários angolanos e os daquele monstro brasileiro.

A captação das imagens contou com o prestimoso apoio e talento de Nana Carvalho. www.angodebates.blogspot.com
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Vídeo | Gociante Patissa, escritor na 2ª FLIPELÔ 2018, Bahia. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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