PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Áudio | Rubrica CULTURA E ARTES Rádio Morena Comercial 26.2.17 Anaína e Alcobias entrevstam Gociante Patissa

Áudio | A rubrica CULTURA e ARTE, do programa SERÃO NA RÁDIO, conduzido por Alcobias Félix e Anaína Lourenço na Rádio Morena Comercial em Benguela, recebeu o escritor benguelense Gociante Patissa para um descontraído dedo de prosa sobre a sua actividade. São 34 minutos de áudio daquilo que foi a edição de 26.02.2017

domingo, 26 de fevereiro de 2017

(arquivo) Citação

"Nós falamos assim: 'você vais bater uma mulher grávida, lhe empurras nas escadas, ferir a filha alheia?! Não sabes que isso é matar a tua esposa e o filho que lhe deste?! Se não lhe gostas, você não lhe devolve na mãe dela?! Já porque, se te queixarmos na polícia, só vais ir preso, nós mesmo é que vamos te dar a lição'. Olha, pegamos no jovem, lhe demos uma boa surra, esses batem ali, aqueles batem lá, ficou todo inflamado. E lhe falamos: 'torna mais!' Aquilo parece foi remédio, já passam anos, a mulher até hoje... nunca mais se queixou".
GP. Benguela, 25.02.2016
www.angodebates.blogspot.com

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Áudio | Gociante Patissa apresentando livro ALÉM DAS PALAVRAS de Domingos Cupa 25.02.17


O lobitanga Domingos Cupa estreou-se com o poemário «Além das palavras», sob chancela da editora Cão Que Lê, cuja cerimónia de lançamento e sessão de autógrafos teve lugar no Salão Nobre da Administração Municipal do Lobito, província de Benguela (Angola) na tarde de sábado, 25 de Fevereiro de 2017. A apresentação formal da obra esteve a cargo do escritor Gociante Patissa (prelecção feita de improviso)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Humor | Morte certa (*)

Pergunta o doente:
- Tem a certeza, doutor, que é malária que eu tenho?!
E o médico:
- Absoluta, senhor!
E o doente:
- É que um amigo meu estava a ser tratado de malária mas, afinal, acabou por morrer de outra coisa qualquer.
E o médico:
- Senhor! Eu quando trato uma pessoa de malária, é de malária que ela morre.
(Do Jornal de Angola, 21.02/2017, pág. 26)
(*) título da responsabilidade do blog www.angodebates.blogspot.com

(arquivo) Nota solta | SOCIOLOGIA DO PORTÃO HOSPITALAR

Estive ontem entre 18h30-20h30 ao portão do Hospital Geral de Benguela, fazendo companhia a parentes meus que têm lá dentro alguém internado. Não sendo propriamente horário de visitas, só uma pessoa entrou com o jantar do doente.

As duas horas sugeriram que, mais do que simples portão, é um potencial laboratório de sociologia. À primeira vista, a questão parece residir na arrogância do protector físico, de uma empresa privada cujo emblema não consegui divisar. Mas em instantes se percebe que não é o lugar mais feliz para guarnecer, de tão intenso e estressante na relação com o público, onde a solidariedade, a agressividade e a falta de moral de quem procura os serviços se confundem em certa medida, nada facilitando a organização.

Pelo menos dez viaturas manifestaram intenção de passar o portão, em alguns casos sem motivo aparente, que seria, por exemplo, estar a transportar doente ou ser funcionário do hospital (houve um rapaz inclusive ao volante de uma moto de quatro rodas). Os seis primeiros foram permitidos, quase a contra-gosto, até um senhor de RAv-4 posicionar-se mesmo no acesso, bloqueando a via para a ambulância que deixava as instalações para mais um serviço de urgências. Escusado será dizer que o guarda foi ralhado.

Alguns automobilistas são de uma classe social superior à do guarda, não se coibindo de usar sinal sonoro para impor a sua vontade, o que obviamente contribui para certa impotência do homem perante os excessos e impunidade. Mas se fosse só por aí, diríamos que se trata de uma situação controlada. Como será a relação do guarda com gente menos abastada, com a qual diríamos que mais se identifica?

Chega depois uma mãe com criança em estado grave às costas, a bordo de kupapata (moto-táxi). Só que com ela vêm outras seis motorizadas, na típica solidariedade Bantu, contrastando com o que é sensato nesta circunstância. O guarda deixa passar o kupapata da mãe e criança doente. Outro kupapata do mesmo grupo trespassa com uma menina de não mais de 13 anos, que sinceramente não sabíamos bem que relevância teria lá dentro. O guarda fecha o portão, para o desagrado do pai da criança doente, ele também transportado por kupapata. O que se seguem são agressões verbais de quem se sente no direito de levar para dentro do hospital todo o grupo que o acompanha na hora difícil.

Pouco depois, outra família chega com criança doente, igualmente a bordo de kupapata. A motorizada da mãe é permitida, não a do pai. E lá está o senhor a despejar incisivos disparates sobre o guarda, que também é humano (ex-militar?) e promete retalhar com bofetadas, pontapés e uso de arma de fogo (que não a tinha, até onde deu para ver).

Longe de colocar o guarda hospitalar no centro das virtudes, digo apenas, como quem trabalha no atendimento público, que urge encurtar os turnos naquela posição de permanente rótulo de carrasco. A sugestão é uma renda a cada três horas, e não doze como presumo ocorrer. Só que, como sempre, se eles reclamam, correm o risco de perder o ganha-pão. É como ironizava o outro, o trabalho dignifica (quando não danifica) o homem.

Gociante Patissa, Benguela 22 Fevereiro 2013
www.angodebates.blogspot.com

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Crónica | Assinaturas para o meu partido (PSAV)

Excelências! Visto que se aproxima aquela época em que de repente todo o mundo vira bonzinho, diria mesmo varinha mágica em forma humana, e depois de verificar que lá bem no fundo, no fundo, andamos a nos repetir uns aos outros nessa coisa dos partidos e partidecos, sob o ponto de vista das designações, dos moldes de conflitos internos, da graxa aos superiores, do compadrio, e até da matriz ideológica (esquerda, direita, centro), sua excelência eu, que não é menos angolano do que ninguém, lança a recolha de assinaturas para a legalização junto dos tribunais competentes daquilo que se propõe ser o partido que vai resolver as nossas vidas.

Se dúvida alguma houvesse quanto ao arcaboiço para uma tal empreitada, então ficou dissipada depois de verificar a azáfama mais ou menos adolescente de um projecto designado Partido de Crentes, idealizado na matriz messiânica por um conterra a partir da diáspora, cuja base são os fãs no segmento música electrónica Rap, pelo que, vistas as coisas, isso afinal ainda continua fácil, cogumelicamete falando.

Mas nós não somos um projecto qualquer, atenção! A originalidade é o nosso diferencial. Então como? Primeiro, no alinhamento ideológico. Se ficamos à direita, fomentamos o mesmo extremar de pôlos de quem se posiciona à esquerda. Ficar no centro? Para quê, para herdar a indefinição de quem mora por cima do muro?! Não!!! Nós somos de uma elevação de longe maior que isso! Atenção que somos o Partido Sonhado Angola Vai (PSAV). A regra do nosso futuro governo é clara: viajar e laifar. Porque ao fim de 40 anos, o país já não é mais criança para ainda não saber caminhar por si. Nada de ficar trancado nas luxuosas masmorras chamadas gabinetes, ver o tempo, o crescimento dos filhos, o ciclo de vida dos animais domésticos, tudo isto, nos escapar de entre os dedos da mão, enfim envelhecer tão aceleradamente a nossa passagem pela vida.

Esse país tem de ser levado com um pouco de sonhos mais a sério. No nosso partido, enquanto projecto de governação, o lema é “Angola Vai”. Vai p’ra frente, claro. Mas de que jeito, diante de tantos obstáculos nestes conturbados ventos globais? Ora, sonhando. Repare quão nobre soa: Partido Sonhado Angola Vai. Quer dizer, tudo muito Zen.

A nossa estratégia brotará dos sonhos e para o efeito, claro está, indispensáveis pressupostos serão as boas condições espirituais e conforto qb. O bem sonhar é o investimento primário. Como presidente, a missão inaugural consistirá em três meses de turismo por paradisíacos destinos, o que inclui um curso intensivo de fotografia. Teremos as vias diplomáticas abertas para comunicação lacónica a cada quinzena. O resto é alinhar com a ordem mundial da esfera onírica. Dormir será obrigatório. A nossa tarefa, longe de toda energia negativa, será inquestionavelmente só e apenas sonhar. Repito. Tudo muito Zen.

Ah, compulsada a lista da cúpula governativa, adianta-se aos interessados desde já que a lista está incompleta, por enquanto só temos uma nomeada para o cargo de Ministra do Turismo Executivo em Benefício Próprio. Já sabe, se quer a boa vida que o elenco na elite Partido Sonhado Angola Vai promete, é só assinar o manifesto e recolher assinaturas. Como? Sonhando, ora essa! Faça-nos o favor de sonhar bem hoje. Cumpra-se. Gabinete do presidente do melhor que há: Partido Sonhado Angola Vai. Assina: Sua Excelência Eu (Mestre em Ciências Tentadas). Ainda era só isso. Obrigado hahahah
Gociante Patissa, Benguela, 21 Fev. 17

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Opinião | Eleições e novos paradigmas

por Alexandre Lucas Tchilumbu (*)

Se os paradoxos anunciam a chegada de novos paradigmas, em relação as nossas eleições, que novas regras se mostram e quais os paradoxos?

Eu explico-me melhor! Por paradigmas, podemos entender como sendo a forma como percebemos a realidade. Um exemplo: Se um homem vestir uma roupa feminina, isso pode ser visto como um paradoxo, pois o paradigma social diz que homem não veste roupa de mulher! Não está escrito em lugar nenhum; é um paradigma.

O Dr Lair Ribeiro afirma que o paradigma está pra nós como a água está para o peixe. O peixe só sabe que vive na água, quando se perceber fora dela. Só nos apercebemos da mudança de paradigmas, quando um novo se instala. Um exemplo: até a chegada dos relógios eletrônicos, os suíços detinham 85% do comércio mundial deste segmento. Porém, uma desatenção os fez negligenciar a chegada de um novo paradigma; o relógio eletrônico. Presos às antigas regras, os suíços praticamente entregaram de bandeja o negócio dos eletrônicos aos japoneses e americanos, que anos depois passaram a deter mais de 70% do mercado.

No caso das nossas eleições, quais os paradoxos que começam a despontar e que novos paradigmas se anunciam? Um exemplo de algo que começa a se tornar paradoxal aos olhos do votante é o atributo do desequilíbrio! A grande abertura trazida pelas TIC's(tecnologias de informação), elevou a consciência dos utentes a um ponto em que comportamentos que refletem desequilíbrio começam a ser colocados de lado. Quem estuda a evolução do comportamento humano sabe que às crianças actuais, quando diante de desavenças entre os progenitores, tenderão a unir-se àquele que apresentar integridade nas palavras e na atitude. No passado, a criança simplesmente chorava.
Integridade passa a ser o padrão que queremos ver em todas as coisas. O partido que olha pro futuro e busca galgar terreno na confiança do eleitor, precisa equilibrar-se, diante de pressupostos como "verdade", "unidade" é "bom senso". Este é o novo paradigma!

Crónica | À procura de um jazigo para pôr o corpo

Yosefe Muetunda
Aconteceu com uma jovem que é minha grande amiga. Acredito que ela vai ler a publicação e, se tiver coragem, vai denunciar a sua identidade.

No segundo mês de namoro, achou um contacto gravado no telefone do namorado com a inscrição "amor da nha vida".

Um dia depois, ao querer saber mais, encontrou uma mensagem recebida, com o seguinte breve teor: "hoje, à noite, pode ser?"; e outra, enviada, a ripostar "é claro, adoraria!".

Sem se exaltar, silenciou-se por dois dias. No terceiro, sorrateiramente, leu mais uma breve conversa: "ontem, querido, esforçamos muito"; "eu quase arrebentava, querida, pois os métodos não funcionavam"; "nas noites seguintes vamos moderar"; "ainda bem, assim resisto mais". Ela copiou tudo, transcrevendo com fidelidade na sua agenda. Nada zunzunou, por mais de três dias.

Num outro, enquanto eles aproveitavam a noite para refrescar os ânimos, com beijos e orações, quando o sol estava morto, o telefone dele apita. Ela, que já andava a acumular, arranca-o e, do mesmo contacto, leu a mensagem: "Então, amor, não queres exercitar mais comigo?"

A estrebuchar, quase bate o dispositivo na parede mais próxima, não fosse a intervenção do parceiro estratega. Desmontou-lho das mãos. Ao ler, sorriu ironicamente e disse:
— A minha mãe está a dar-me explicações de Matemática para testar na UAN. É sempre à noite, quando ela vem do serviço. Acho que devo ir.

E ela ficou toda envergonhada, à procura de um jazigo para pôr o corpo. Morria de ciúmes pelas mensagens da sogra.
Yosefe Muetunda, Luanda, 17.02.2017.XXI.23h49

Repassando (conforme recebido por e-mail) | CONVITE PARA LISBOA | Sexta 3 de março 18:00: apresentação dos n.ºs 24 e 25 da DiVersos - Poesia e Tradução na AJH

Fundada em 1996, a DiVersos - Poesia e Tradução fez 20 anos em 2016. 

Dois números recentes que evocam o aniversário vão ser apresentados (sexta 3 de março às 18:00) na sede da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (Rua Rodrigues Sampaio, 140 (perto da Rua do Bonjardim e da Praça D. João I). Nesse sentido, este convite é-lhe dirigido – ficaremos muito gratos pela sua presença.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Grande Entrevista | “TIVE DE SUPERAR OS MEUS MEDOS” | Conheça a história de Hilária Kalei, líder da Associação de Mães na Adolescência

Por Gociante Patissa (texto e fotos)

A poucos dias de completar 21 anos, a costureira Hilária Kalei (HK), caloira no curso universitário de psicologia clínica, é o rosto visível da comissão instaladora da Associação de Mães na Adolescência (AMA), da qual é coordenadora e palestrante. Tornou-se mãe aos 17 anos, o que a forçou a desistir de sonhos, entre os quais a prática de andebol. HK não imaginava que enfrentaria um drama ainda maior, o da anemia falciforme, diagnosticada ao sétimo mês de vida do seu bebé. Foram três penosos anos pelos corredores do hospital de Benguela, várias transfusões de sangue, até que, infelizmente, a batalha foi perdida para a morte. A AMA é um colectivo voluntário que realiza palestras, a par do uso das redes sociais, para sensibilizar contra a gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, bem como lidar com a situação das vítimas de abuso sexual. A reportagem do Blog Angodebates (BA) ouviu a coordenadora para saber mais sobre o projecto.

"As pessoas identificam-se muito com aquilo por que nós passamos"

BA: Como foi que surgiu a ideia de Associação? Qual foi a vossa motivação?
HK: Uma das meninas resolveu juntar algumas amigas para um almoço. Até nem todas eram mães. Durante o convívio, eu saí para buscar o meu filho, porque havia lá outras crianças, e daí surgiu a ideia. Eu disse: por que é que não continuamos? Sugeri que fosse AMA (Associação de Mães na Adolescência), e vamos passando as nossas experiências para as outras meninas que ainda não são mães. Pelo menos vamos servir como alerta. E para aquelas que já são mães, então encontrar uma maneira de, de nós, surgir um apoio.

BA: Quantas pessoas formam a AMA?
HK: Neste momento, mães dentro da Associação temos 15. E o grupo de apoio, meninas que não têem filhos mas que também fazem parte, são 46. No total dá por aí umas 61.

BA: Parece um grupo grande. Como é possível gerir esse grosso?
HK: Nós temos grupo privado no Facebook, que é fechado, e aí temos dado as informações. Falamos sobre actividades, cada um expõe aquilo que são as ideias e é muito fácil. Estamos em comunicação todos os dias.

BA: Há quanto tempo existem?
HK: A AMA vai fazer um ano, dia seis de Março. Na verdade, a reunião primeira, como disse do almoço, foi em Novembro de 2015. Só que daí tínhamos parado e só em 2016, é que nos voltamos a encontrar e foi também a primeira palestra, no Colégio das Madres.

BA: Já pensaram em legalizar vossa iniciativa ou a ideia é manter isso informal?

HK: Sim. Já estamos até com um processo. Tem um jurista amigo que está a ajudar. A ideia é mesmo oficializar, legalizar.

BA: Neste momento, qual é o tipo de actividades que vocês desenvolvem?
HK: O principal são palestras. Promovemos palestras nas escolas, palestras individuais, né?, onde tanto faz os alunos, como os amigos e não amigos, todo o mundo pode aparecer. Normalmente realizamos no anfiteatro do Liceu, no Colégio das Madres, e na Mediateca (agora também o director disponibilizou o espaço para lá estarmos quando precisarmos).

BA: Qual é a periodicidade das actividades?
HK: Para já, o plano é todos os meses palestras ordinárias mas, às vezes por convite de escolas ou de outras organizações, depende. Pode ser de duas em duas semanas.

BA: O que é que pretendem atingir? Qual é a vossa meta, o vosso sonho?
HK: O principal é ajudar a diminuir o índice elevado de gravidez precoce.

BA: OK. Vocês têm 61 membros, sabem o que querem fazer, já definiram o vosso grupo alvo. Como funciona a vertente administrativa?
HK: Trabalhamos com o Comité Miss Benguela, que nos tem cedido espaço para reuniões e tal, porque ainda não temos um espaço nosso, da Associação.

BA: Uma curiosidade: porque é que foram buscar apoio ao Comité e não recorreram às organizações que trabalham de forma mais regular com as comunidades?
HK: Alguém interessou-se também pelo projecto mas deu-nos o contacto da presidente. Ela interessou-se, não só como Comité, mas também como membro da nossa Associação. E o ano passado, a Miss Benguela também trabalhou num projecto connosco, o nome foi “Menina Mulher”. O Comité ofereceu cursos de culinária, pastelaria, cabeleireiro, que de alguma maneira ia ajudar as meninas no sustento das crianças.

BA: O que é que identificaria como sendo pontos fortes e fracos da AMA?
HK: As pessoas identificam-se muito com aquilo por que nós passamos. Porque eu até digo: antes de nós fazermos uma investigação sobre gravidez precoce na internet e tal, as pessoas gostam daquilo que é verdade. Então, nas nossas palestras, procuramos sempre buscar o científico e a realidade. No final tem sempre depoimentos das meninas. Vão dizendo como é que tem sido a vida depois de se tornarem mães na adolescência.

BA: O Testemunho, na primeira pessoa, acaba por ser o ponto forte, certo?
HK: Sim! E depois tem sempre um contacto, ‘ah, olha eu passei por isso também, preciso que me ajude ali e tal’. O ponto fraco, falando mesmo dentro da AMA, tem sido um pouco de irresponsabilidade, né?!, da nossa parte. Talvez é algo que nós pensávamos que seria leve, ou como um passatempo, e se tornou numa coisa tão séria que eu acho que nem todos estão preparados para assumir tal responsabilidade, sendo ainda adolescentes.

BA: Qual é a média de idade dos membros?
HK: A mais nova tem 15 anos e a mais velha 25. De princípio, era Associação de Mães Adolescentes, mas depois mudamos, uma vez que nós não continuamos adolescentes.

"Temos até meninas que engravidaram mesmo depois de se tornarem membros da AMA e assistirem às palestras"

BA: Porque é que ser mãe na adolescência para vocês é um problema?
HK: Porque a adolescência é talvez a fase mais complicada, da vida humana. A pessoa está a descobrir coisas, conhecer o mundo, os seus sonhos, e ainda não sabe realmente quem é. Quando surge uma gravidez, praticamente tu és obrigada a anular certas coisas. Falando também biologicamente, o corpo de uma adolescente não está preparado para suportar uma gravidez. Depois, a maioria não volta aos estudos, tem conflito com os pais, às vezes o pai da criança também é menor de idade, não trabalha, e gera-se esse conflito.

BA: Se há cada vez um maior grau de informação, como entender que a gravidez precoce continue a ser ainda um problema na nossa sociedade? Quais são as causas?
HK: A principal, acho que é a falta de diálogo dos familiares mais próximos. Porque por mais que nós tenhamos todas as informações, escapa-nos sempre alguma coisa. E quando não temos a conversa [de] que nós precisamos em casa, acabamos por ouvir mais da rua, mais dos amigos. Se bem que às vezes até há quem tenha esse aconselhamento em casa, os pais são totalmente abertos, mas na mesma acaba tendo este deslize.

BA: A vossa acção circunscreve-se apenas a Benguela município?
HK: Quando realizamos palestras cá no centro, tem sido mais Benguela e Lobito. Mas agora recebemos convite para ir até ao Cubal, em Abril temos uma palestra no Huambo e antes disso, talvez em Março, será no Sumbe.

BA: Quantos membros actuam como palestrantes ou prelectores?
HK: No princípio era só eu, até que tivemos formações, inclusive sobre teatro. Então cada menina foi desenvolvendo habilidades e hoje já somos mais.

BA: Vocês têem acesso aos dados estatísticos oficiais daquilo que é a realidade da problemática de gravidez na adolescência na província de Benguela?
HK: Não, ainda não temos.

BA: Já tentaram bater às portas do Ministério da Promoção da Mulher?
HK: Ainda não. Estamos à espera. Mas já fomos falar com a OMA [Organização da Mulher Angolana, braço do partido no poder]. E quem nos vai apoiar também é a PROMAICA [liga feminina da igreja Católica], que agora também tem uma particularidade de trabalhar com aquelas meninas que se tornaram mães mais cedo.

BA: Quais são as zonas de Benguela que se consideram mais vulneráveis? Ou acha que a realidade é uniforme?
HK: Acho que agora já é uniforme. Se bem que eu tenho dito que nós cá do centro urbano temos todas as informações possíveis. Internet, os professores falam disso. Mas mesmo assim, ainda acabamos por cair neste erro, mas eu acho que é sempre o interior, a periferia, que tem mais casos destes. E outros municípios: Cubal, Ganda, etc.

BA: Vocês têem algum caso recente de adolescente que vos tenha contactado?
HK: Temos até meninas que engravidaram depois de se tornarem membros e assistirem às palestras. No fundo, fica aquela pequena frustração, mas não deixamos de dar apoio.

BA: Pois, as mudanças a este nível são difíceis de monitorar. Há a questão da pouca negociação entre o casal na intimidade. E também como algumas relações se baseiam em bens materiais, então o “patrocinador” impõe sempre. Concorda?
HK: Sim, é um campo complicado. 

"Eu já tinha que gerir ser mãe adolescente, e ainda [mais] de uma criança com cuidados especiais, que não é algo tão fácil"

BA: Vamos agora olhar para o impacto. Como é que as demais províncias, falou em Huambo e Kwanza-Sul, se apercebem da vossa acção?
HK: Eu faço sempre postagens do nosso trabalho. Então, como tenho vários amigos em vários pontos do país, acaba chamando atenção e surgem convites. Eu quando faço postagens, dou mesmo testemunho da minha vida pessoal e conto como foi ser mãe.

BA: Pode fazer uma listagem dos resultados concretos da vossa trajectória?
HK: Como já havia dito, começamos por fazer isso como algo do coração. Não imaginávamos a repercussão que está a ter. Mais do que isso, eu sinceramente não sei!… Acho que é um resultado muito bom e sei que ainda teremos maiores.

BA: No campo das parcerias, há outras? Alguma ONG, por exemplo?
HK: Temos apoio das rádios locais e também dos Bismas. ONG ainda nenhuma.

BA: Conte-nos o que puder da sua experiência de mãe adolescente.
HK: Eu fiquei grávida aos 16 anos, a fazer 17. Como todos os pais, os meus ficaram decepcionados, porque eu frequentava o ensino médio (graças a Deus não interrompi os estudos), mas não deixaram de me apoiar. Eu sempre fui muito activa no grupo da igreja, treinava também andebol (coisa que a gravidez interrompeu). Sempre fiz costura, então comecei a usar aquilo que eu sabia fazer para ganhar algum dinheiro para aquilo que eu iria precisar de comprar. O bebé nasceu bem, mas quando ele fez sete meses, descobrimos que sofria de anemia falciforme. Então aí começou uma outra luta. Eu já tinha que gerir ser mãe adolescente, e ainda [mais] de uma criança com cuidados especiais, que não é algo tão fácil. Depois então me dividia entre a Associação, a igreja e a criança. Infelizmente, em 2013, quando eu ia completar 20 anos, internei com a criança, seria já a sua 13.ª transfusão no hospital. Infelizmente eu perdi o meu filho. Depois pensei assim: se era por ele que eu fazia esse trabalho, praticamente já não faz sentido ser coordenadora de uma associação de mães, não tendo um filho. Fiquei totalmente desmoralizada e triste, mas as minhas amigas e meus familiares estiveram sempre ali para dar força. Infelizmente, depois disso também me separei do pai da criança. Sozinha por enquanto, mas estou bem.

BA: E o que dizer da anemia falciforme?
HK: É uma doença genética. E mesmo nas nossas palestras, procuramos chamar a atenção das outras pessoas. Nós, jovens, não temos o cuidado de fazer um teste de sangue para ver ser somos compatíveis.

BA: E o seu lado de costureira?
HK: Olha, comecei como brincadeira, mas pelo meu filho e pela Associação, hoje faço as coisas já profissionalmente mesmo. Acho que a maternidade me fez crescer. Muito mesmo! Até digo às minhas colegas: nem todas tomam o mesmo caminho, né?, há aquelas que mesmo sendo mães, suas vidas continuam a mesma coisa. Todas nós aqui crescemos, mas eu tive que crescer o dobro. Porque eu não era apenas mãe adolescente, eu era mãe de uma criança com cuidados especiais. Várias foram as noites que tive de passar no hospital. No princípio, a mãe passava as noites no hospital, mas depois vi que no dia seguinte ela tinha de sair muito cedo para ir trabalhar. Como tínhamos a sorte de viver perto do hospital, tive de superar os meus medos.

BA: Obrigado.
HK: Obrigado nós. Contamos com o vosso apoio.

(arquivo) Partilhando leituras | Locutoras e Locutores

Faltavam dez dias para ir ao ar e ainda não tínhamos locutores. Impaciente, coloquei um anúncio na própria emissora que já havia iniciado as transmissões experimentais. Como Tamayo é uma cidadezinha do interior, será preciso repeti-lo várias vezes, pensei ingenuamente. Uma menção foi suficiente. No dia seguinte, quando cheguei à rádio, vi a fila de jovens, todos ansiosos em se tornar locutores da Radio Enriquillo.

A verdade é que ainda não havia pensado em como faria a seleção. Então decidi colocar uma mesa sob o mogno do pátio e fui fazendo passar os candidatos um a um, uma a uma, para avaliar suas qualidades locutorais. Ao primeiro, entreguei um jornal para que o lesse em voz alta. Levou a mão ao ouvido, pigarreou e começou a atropelar as palavras como se estivesse sendo perseguido pela polícia. A segunda era uma moça muito simpática e muito decotada. Aproximou-se com olhar malicioso, inclinou-se mais do necessário para pegar o jornal... e em vez de lê-lo, abanou-se com ele por causa do calor. O terceiro da fila pegou o jornal de ponta-cabeça.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Crónica | Um mestrado do tipo flecha que sai torta

Conforme tinha sido anunciado aos vivos e aos extraterrestres, hoje era o tal dia muito esperado para a reunião na CESPU-Benguela sobre o lançamento do curso de pós-graduação com acesso ao mestrado em Gestão Estratégicas de Recursos Humanos.

Tirando só mesmo o par de beijinhos que sua excelência eu ganhou de um emotivo reencontro de anos bwé (com uma daquelas fulgurantes paixões sucumbidas nos tempos de ingénua pré-juventude e que, como sempre talhados a bons perdedores, esperamos que a vida seja generosa e lhes faça felizes, seja nas mãos de quem for)… tirando só isso, a reunião foi uma seca, como diria o bom do português, pelo tema, pelo tom a roçar o sobranceiro e por se passar ao lado da expectativa.

A prelectora, bem articulada e de sensualidade comedida, teve uma audiência de quase quarenta "doutores", se não mais. No caso de sua excelência eu, sabedor de bom bocejar em ambientes pardos, esperava uma resposta concreta, aquela referente ao não reconhecimento (ainda) pelo Estado Angolano dos certificados da Universidade Portucalense via CESPU (regime semi-presencial com docentes vindos da Europa), por, diz-se, a instituição intermédia, que reivindica (em audível tom da sua esbelta directora) um inquestionável reconhecimento e prestígio ao nível internacional, afinal não ter aprovação do INARES (organismo do Ministério angolano do Ensino Superior).

Uma hora e a sessão de esclarecimento não esclareceu quanto a ter havido algum esforço administrativo para aproximação entre a intermediária de origem portuguesa e as autoridades que validam o que é substancial, o grau académico no mercado mwangolê. Qual seria a lógica de gastar neurónios e pecúnia por um certificado de enfeite?

Mas é como tudo. Entre cépticos e optimistas, a marcha do tempo segue e os dados estão lançados, digo actualizados. Para a pós-graduação, USD 9.970,00 o curso, ou 12 parcelas mensais de USD 850,00, a serem pagos ao câmbio do dia. A taxa de inscrição, não reembolsável, como fez questão de sublinhar a responsável, está só pelos módicos AKZ 50 mil. Mas como é sempre o dedo da ferida no pé aquele que por ironia mais tropeça, o curso pretendido por sua excelência eu, este, tem o arranque condicionado ao surgimento de 35 candidatos, de inscritos mesmo é que patina pela metade da cifra.

Ora, por todo o exposto, já liguei para o tio por afinidade chamado Donaldo Trampo, lá na Branca Casa, a respeito da decisão, só que a secretária informou que ele, o tio pato, não podia atender à sexta-feira, que nesse dia ele renova a fórmula oxigenada de tingir os cabelos.

Mas deixei recado. Tio Trampo, vê se metes ali uma bolsazinha por cunha naquele mambo de Fulbright e tal, já que estamos a mijar nessa comuna chamada ordem mundial. Porque do jeito que as coisas vão, entre dois males, não sei se é déjà-vu ou quê… mas o tio já ouviu falar da sorte da flecha que sai torta, né? Assim, fico só com o meu já inquestionável grau académico. Ainda era só isso. Obrigado. E assino já, já: Mestre em Ciências Tentadas.
Gociante Patissa. Benguela, 17 Fev. 2017

Áudio Debate | "As Implicações da Poligamia e os Desafios de Ordem Cultural, Ética e Moral Nas Sociedades Africanas" (Rádio Benguela 16.02.2017)

No dia 16 Fev 2017, o programa TUDO À NOITE, conduzido na Rádio Benguela (república de Angola) por Aldemiro Cussivila, promoveu um debate sobre "AS IMPLICAÇÕES DA POLIGAMIA E OS DESAFIOS DE ORDEM CULTURAL, ÉTICO E MORAL NAS SOCIEDADES AFRICANAS", estando o painel constituído pelos seguintes convidados : António Andrade (engenheiro agrónomo e professor), Adriano Ukwatchali (padre, professor e antropólogo), Gociante Patissa (linguista, escritor e Blogger) e Jose Mulangue (professor e sociólogo)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

NOS 92.9 FM RÁDIO BENGUELA...

Sua excelência eu juntamente com boca dele ainda estão no estúdio da Rádio Benguela. Vamos discutir "as implicações da poligamia e os desafios de ordem cultural, ético e moral nas sociedades africanas."
Ainda era só isso. Obrigado

Humor mwangolê | DOIS PARA O SOGRO

O jovem foi ao encontro da sua noiva na casa dela, posto la o pai da noiva viu o TeleFone dele um Samsung galaxy S7 e perguntou-lhe:
-Quanto que te custou este telefone?
O jovem pensou rapidamente, se eu falar o preço verdadeiro ele vai querer me queimar nos valores da carta do pedido, então o jovem dise:
- 20.000kz pai.
O futuro sogro entrou em casa e quando saiu deu-lhe 40.000 kz.
-Toma compra 1 para mim é outro para minha esposa.
....
O jovem não sabe o que fazer porque o telefone custou-lhe 375.000 Kz

(Recebido sem identificação de autor)
www.angodebates.blogspot.com

Citação

"Uanhenga Xitu foi um escritor ímpar e um homem de coragem. Porque, numa altura em que a maioria gabava-se de ter aprendido o português no Maria Relvas, apareceu um homem que, apropriando-se da língua, escreveu num português que sabia, num português que conhecia. E saíram aquelas obras maravilhosas, como o Mestre Tamoda. (...) Em vida, soube representar bem os dois nomes que tinha, o Mendes de Carvalho, nome português, e Uanhenga Xitu, o nome dele". - Dario de Melo, noticiário 13h, Radio Nacional de Angola, 16/02/14

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Crónica | O POETA NÃO MORREU | Uma história do além

Tom Cardoso
(foto: Diário do Centro do Mundo)
Por Tom Cardoso (*)

– Tom, precisamos de pautas mais quentes. Cadê o furo?

Era o editor do caderno de cultura, fazendo o que todo chefe tem que fazer: cobrar do repórter matérias exclusivas, de grande repercussão, chamadas de "furo" no jargão jornalístico.
– Pode deixar.

Essa cobrança era sempre feita na reunião de pauta. E nada é mais chato na profissão de jornalista do que participar de reunião de pauta. Por duas razões:

Just a question | Um eterno incompreedido ou um auto-tramado Tramagal?

Ouvi ontem pela imprensa a notícia da saída (demissão, afastamento, chicotada psicológica ou como convier chamar) do treinador Agostinho Tramagal, antes mesmo do jogo de estreia no club JGM do Huambo. A matéria não fazia referência às causas do corte do vínculo contratual, o que nestes casos só concorre para especulações sobre um eventual mal estar entre o clube de futebol e o treinador. Consta que será uma ruptura conflituosa (mais uma). Porque um treinador desportivo é uma figura pública, se calhar seria útil para questões de compreensão da história do nosso futebol olhar para o fenómeno das saídas bruscas a meio das missões no campeonato angolano da primeira divisão, vulgo "girabola". E como na falta de informações mais plausíveis o cidadão não sabe exactamente em que lado depositar a sua solidariedade, se ao clube ou se ao treinador "expelido", fiquemos pela dúvida que pergunta, considerando que num passado recente o mesmo Agostinho Tramagal abandonou em ambiente tenso o clube lobitanga Académica Petróleos e, seguidamente, também saiu em clima de tumulto do comando técnico da Académica do Soyo. Será o conterra um eterno incompreedido ou um auto-tramado Tramagal?
www.angodebates.blogspot.com

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Humor | Tás contratado: o provador de vinho

Numa conhecida empresa vinícola do Norte, o provador havia falecido e o proprietário começou a procurar alguém que fizesse o trabalho.
Um velho, jeito de antigo malandro, bêbado e mal vestido, apresentou-se para solicitar o lugar.
O proprietário, que não gostou do candidato,  queria por isso ver-se livre dele.
Então, na presença de outros dirigentes da empresa, mandou dar-lhe um copo de vinho para ele testar. O velho provou e disse:
“- É um Moscatel de três anos, elaborado com uvas colhidas na parte norte da região, guardado em um barril inox. É de baixa qualidade, porém, aceitável".
“-Correcto”, disse o chefe. Outro copo por favor.
“- É um cabernet, safra 2008, com uvas colhidas nas encostas ao sul da região,  guardado em barril de carvalho americano a 8 graus de temperatura. Ainda faltam
uns três anos, para que alcance a mais alta qualidade.”
- "Absolutamente correcto".  Um terceiro copo.
“- É um espumante elaborado com uvas chardonnay, completado com 15% pinot noir, de alta qualidade e exclusivas”, disse o bêbado.
O proprietário não acreditava no que estava vendo e fez um sinal com os olhos  à  secretária e pediu-lhe  que fizesse algo. Ela saiu da sala e regressou com um
copo de urina.
O malandro provou e, calmamente, disse:
“- É de uma loira de 26 anos de idade, com três meses de gravidez e, se não me derem o emprego, digo quem é o pai.
(Recebido sem identificação de autor)
www.angodebates.blogspot.com

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Divagações | Um toque de humanismo no negócio Sãovalentista

Fiquei a reflectir sobre um anúncio de restaurante que vi cá pelo Facebook, infelizmente estava em inglês, mas será talvez o mais original mesmo no contexto de campanhas para o dia de São Valentim. Em datas tão universais, não é tarefa de amadores identificar o que se possa vender como sendo o diferencial do estabelecimento. Eis então que a gerência desse restaurante oferece um pacote fabuloso. Imagina tu que para quem leva a namorada, o restaurante oferece desconto de 25%. Que bom, não é? Calma, que ainda não é tudo. Para quem leva a esposa, desconto de 50%. Já para quem leva as duas de uma vez, a refeição é totalmente grátis, e ainda oferecem transporte para o hospital. É um aliciante toque de humanismo no negócio, ou estou enganado? Seja como for, ainda era só isso. Obrigado hahahah

marcas do tempo

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Opinião | MENOS INTRANSIGÊNCIA JURÍDICA, “CAMARADA VICE-PRESIDENTE”!

Cresci a ver a azáfama do pai à hora dos noticiários das 13h00 e 20h00 respectivamente. Numa Angola dilacerada pela guerra civil, o partido/estado/governo fazia questão de garantir um pequeno "rádio de funções" em AM e MW aos governantes de base.

Podiam-lhes faltar confortos destes que hoje se assistem, podiam circular no exercício da administração comunal sobre a carroça de um tractor agrícola, mas nunca sem o cabaz de um radito a pilhas para acompanhar as orientações directoras centralmente emanadas e, principalmente, as nomeações e exonerações. De sorte que alguns nomes passaram a fazer parte do processo do enriquecimento da nossa cultura geral. Porque até a massa elegível não era assim muito variável. Saía-se quando muito de um posto para outro, ou regressar de um “defeso”, e só muito raramente brotavam surpresas da real base (mas era mister manter aceso o facho da aspiração). 

Às vezes víamos o pai saltitar de alegria pela nomeação de quadros da sua lista de modelos patrióticos. Chegou mesmo ao ponto (hoje vejo como infeliz) de atribuir a um filho o nome de um certo governante benguelense (e creio que professor na Escola Provincial do Partido, entre 1986-1989), nome de pronúncia tónica que se confundia entre o gaulês e o cabo-verdiano (nunca soubemos o significado). Vivia-se o pico do comunismo e  a renegação da herança cristã do seu pai catequista e preso político de São Nicolau.

Em resumo, admirávamos, como à bandeira e ao hino, os governantes e os combatentes da nação. E foi pois com elevada desilusão que nestes últimos cinco anos vimos um camarada Bornito de Sousa, um patriota e combatente, de repente argumentar, nas vestes de Ministro da Administração do Território, uma lógica contrária à rotura ideológica por que sempre se lutou e nos “independentamos” como país. Foi durante o consulado que o MAT entendeu repescar decretos da era colonial que castraram dos nomes das localidades consoantes como K, W, Y.

O meu consolo é saber que os mortos não sabem ler e, valha-nos isso, o camarada Victor Manuel Patissa (falecido em 2001) não terá o desgosto de saber que o Kwanza, rio que dá nome a duas províncias e à moeda nacional passou oficialmente a "Cuanza", nem que o Kwando Kubango (dos rios Kwandu e Kuvangu) passou a "Cuando Cubango", menos ainda que o Kunene passou a qualquer coisa semelhante ao "cu" de "nené".

Já especulei em tempos que, se fosse na língua Umbundu, o topónimo Kunene (de origem Bantu) seria a aglutinação do prefixo "Ku", que tem o papel de locativo (no, na), com o adjectivo "unene", que significa grande. Assim, arriscaria em dizer que a palavra Kunene (ku+unene) tem o significado de "na parte grande; na grandeza", o que não sabemos ao certo se homenageia o território ou a bravura da sua gente.

De qualquer modo, os falantes de Oshikwanyama têm a palavra. Até lá, uma coisa é certa: Cunene, com C de cu, não significa mesmo nada! Ah, e o Namibe município, sabe-se lá por que lobby, voltou a ser "Moçâmedes", que ao que consta homenageia um aristocrata colonial da região portuguesa chamada Mossamedes. Cá por mim não “panicaria” tanto, mas houve entre nós quem já receasse voltarmos a transaccionar com Escudos. Escusado é dizer que os actos de estado não devem ser pessoalizados.

O que no entanto não podemos é deixar de seguir receando que, por defeito de formação, o futuro vice-presidente da república mantenha os horizontes com base na intransigência do Direito, esquecendo-se na sua acção da transversalidade das causas da nossa luta, história, do mosaico etno-linguístico, da idiossincrasia, que por acaso nem sempre assenta numa base ocidental (a da matriz oficial da nossa "civilização").

Camarada vice Bornito, não é nada de pessoal, mas como neto de preso político (1961-1966) e filho de militante/governante (1974-2001) que doou tudo de si (incluindo a estabilidade psico-social), move-me o direito/dever cidadão de redobrar a voz. Teremos tempo de mostrar à África e ao mundo, mas começar por mostrar aos angolanos já não é pouco. Há que ouvir outros sectores no princípio da interdisciplinaridade.

Há que investir nas línguas nacionais, no que volto a defender: para um Estado que nasceu em 1975, e com tudo por fazer no campo sociolinguístico (pois a prioridade até 2002 foi, obviamente, dada à busca da paz e estabilidade nacional), sensato seria abraçar, estudar, classificar, normatizar. Faria sempre melhor justiça à história. Há que perceber que há uma dimensão de Angola que não cabe em documentos nem na “dicção padrão”. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa (licenciado em linguística)
Benguela, 11 Fevereiro 2017

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Citação

O ku-duro é [apenas] uma música electrónica; não tem nada nosso, não tem nada da nossa identidade. Quando falamos que o ku-duro está a internacionalizar-se, isto, é uma fantochada. Não é verdade. Porque o ku-duro, hoje e do jeito que está a ser feito, o que é que tem para dar?! (...) Vamos perguntar: 'no ku-duro, qual é a música que saiu e está na ribalta'. Nenhuma! É tudo música descartável, ao contrário por exemplo do semba de um Carlos Burity, que tem sustentabilidade. (Victor Almeida, in Revista Musical. TPA, 10.02.2017)