PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ao Exmo Senhor Ministro da Administração do Território

Excelência, quando a imprensa escreve Cuanza sul, no lugar de Kwanza Sul, como aliás está no dinheiro, está a corrigir ou a perpetuar uma confusão resultante precisamente da falta de actualização da grafia das línguas Bantu? Qual é a opinião dos Instituto de Línguas Nacionais e do Ministério da Cultura? Não será arriscada, Excelência, essa ideia institucional de que nos vamos reger pela falta de norma?

Angola, repito, entenderá um dia que reside na investigação a chave para a solidez de medidas. Até lá, ficaremos atados ao improviso, ao que a imprensa vende, aos paradigmas nem sempre razoáveis herdados do poder colonial. E os milagreiros de costume nada fazem para encurtar a distância entre as elites e a sabedoria popular. Seria para isso que conquistamos a independência?

Há pouco com o Ataíde que já começou a estudar

"Quando fores grande, queres ser o quê?"
"Vou comprar um carro para o tio."
"Vais comprar?"
"Sim."
"Obrigado. Ainda bem, porque, quando fores grande, o meu carro vai ficar mesmo bem velho."
"Ya."
"E para ti?"
"Vou ficar só com esse carro velho do tio."
"Ah, o dinheiro não chega para comprar dois?"
"Vou dividir. Mas o tio é que vai ficar com carro novo."

Nas habituais abordagens para assinalar o 28 de Fevereiro...

... referência do início da radiodifusão em Angola, tendo Benguela sido o berço, gostei da entrevista ao veterano Cabral Sande, trabalho da Rádio Mais, Lobito. Um conteúdo com bastante sumo, quer para os gestores de comunicação, quer para a nova geração e, ainda, pessoas que, como eu, alimentam um amor impossível para com o exercício de rádio. Retive com satisfação a crítica bem fundamentada sobre as limitações da emissão em Fm, que mais não cobre do que os espaços urbanos. Num raio de 200 km/quadrado, disse, com cerca de 40 emissores, há mais território sem acesso ao sinal do que o contrário. Ou seja, como sublinha CS, "devemo-nos preocupar mais com o resultado do que com a ideia". Parabéns, Rui, pela colheita!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Citação (com certa adaptação)

"Dizem que ela está maluca porque tinha recebido samba. Aquilo, parecia BPC [Banco de Poupança e Crédito], os homens, lá fora, à espera do atendimento" hahaha

(Um poema que é na verdade letra de uma trova/canção): O TEMPO NÃO APAGOU

O TEMPO NÃO APAGOU

Não perguntes porquê
não sei bem o que é
só sei que pareço um tolo
quero-te já no meu colo.

(...)
Não sei se é amor
ou então paixão
mas sem o teu calor
gela-me o coração. 

Essa coisa que sinto
o tempo não apagou
muitos anos passaram e nada mudou
oh metade de mim
foi na tentativa de te esquecer
que consegui só te querer

Gociante Patissa, in Consulado do Vazio, pag.51. KAT. 2008. Benguela

Citação

"Todo o mundo sabe que, em cativeiro, o papagaio não se reproduz" (de um artista plástico angolano, TPA2, 26/02/14)

Citação

"Essa galinha não é aquela coisa que cresce muito rápido, não. Essa aí leva tempo, sai com os cachorros, vai passear na cidade e depois regressa. Ganha musculatura e se torna muito saborosa" (Sérgio Rodrigues, a partir do Bié, numa pitada de humor quanto às vantagens da galinha sobre o frango. TPA1, programa 7 Maravilhas, 26/02/14)

Quando o culto ao corpo caminha para símbolo nacional hahah

Fonte: Luanda Cartoon

Paradigma do homem moderno e a personalidade reflectida nas tecnologias de informação: "não vi, não ouvi, logo, não existiu."

Humildade intelectual? Quê isso?!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O mundo e o fundo

Eu daria o mundo e o fundo
em resumo,
ia dar tudo,
para ter de novo o engano.

Engano bobo,
tolo,
e ingênuo,
de que aquilo que havia
(ou nem havia)
ia ser eternamente.

Agora,
quando eu olho cara a cara,
e analiso,
e concateno e coaduno,
já nem creio que era eterno.

Um picolé de groselha,
um trevo murcho,
e um anel de faz-de-conta
eram o bastante,
e eram tudo.

por Dalva M. Ferreira, blogue MIRADA ANTERIOR, 24/02/14

1º de Maio, um clube que colecciona polémicas mais do que triunfos

Desta vez é o presidente do clube, Octávio Pinto, que colocou o lugar à disposição. O que o Maio vem acumulando de casos nos últimos 10 anos, dava para figurar no guiness. Onde está o verdadeiro problema? Um dado curioso é que passam treinadores, passam presidentes, passa tudo e mais qualquer coisa, mas permanece o veterano Rui Araújo na vice-presidência.

A sina dos esquecidos...

Passou há pouco, no noticiário da TPA, uma peça que era de se receber com alegria, não estivesse o meu bairro fora dos escolhidos para beneficiar da electrificação, no quadro do projecto da Direcção Provincial de Energias e Águas, que abrange 10 bairros do litoral da província de Benguela. O 11 de Novembro, onde por alguma infelicidade (agora vê-se mesmo que é) construí umas paredes para não ter de pagar renda, situa-se entre Kalosombekwa, Seta Nova, 71 (que têm energia geral) e o 4 de Abril (que vai ter). No meio ficam os ensurdecedores geradores e a escuridão que homenageia ladrões.

Acessório (sempre presente embora nem sempre visível)

Caro/a amigo/a e leitor/a, há um livro aguardando pelo carinho da sua leitura. "Não Tem Pernas o Tempo", uma prosa sobre Angola nas últimas quatro décadas, retrato social com uma história de amor no fundo

Compre já na Tabacaria Grilo, em Benguela, ao preço de mil kwanzas. Se estiver em Luanda, Livrarias Mensagem, Lello, União Dos Escritores Angolanos e ainda no Aeroporto 4 de Fevereiro. Pode ouvir um resumo da trama na entrevista (arquivo) que o autor concedeu ao programa Sagrada Esperança, da Rádio Huambo no princípio deste ano.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Barra do Dande, Bengo

Marcando o ponto em Caxito

Passei por Catete, em jeito simbólico de pisar parte da terra do velho Uanhenga Xitu

por coincidência, cheguei a ver, ao longe, um de seus filhos, no caso o Sr. Pacas

Miradouro da Lua, Luanda

PONTO DE SITUAÇÃO

Acabo de regressar de uma aventura por estrada que era suposto ligar as províncias de Benguela e Uíge, mas que teve de ficar pela metade. Tudo por causa de uma disenteria, resultante de dois copos bronzeados de café, os quais mandei para o bucho com a melhor das intenções no percurso de ida. Vendo bem, aquele leite deve ser da Ucrânia, a julgar pelo tamanho da revolução. Parti na manhã de sábado. A missão de turista desenrascado é conhecer e divulgar lugares (passei pelo Miradouro da Lua, Catete, Caxito e Barra do Dande). Daqui a pouco partilho algumas fotos.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Neste momento, na TV zimbo, o Secretário-geral da União Dos Escritores Angolanos, Carmo Neto, está a ser entrevistado pela senhora Kenya Sandão.

Dela guardo a impressão de uma questionadora insistente, não no contexto jornalístico, mas no de gestora de recursos humanos. Para quem não sabe, tinha sido eu a pessoa recrutada para o papel de "cabeça de série" na abertura da Rádio Mais, Lobito, na altura dirigida por Mário Kajibanga, fruto do êxito nos testes de leitura/locução, que aconteceram há uns anitos no Hotel Praia Morena. Quando discutíamos o que seria o meu salário (antes de anunciar que me pagariam mil dólares mais subsídios), dirigiu-se a mim com firme olhar: "Quanto é que o senhor vale, profissionalmente?" Bem, o nosso "namoro" acabou por não dar certo, porque exigi que me fossem negociar, a título de empréstimo, ao meu actual "dono" hahaha

Acrescentando, se tivesse de inventariar as decisões mais difíceis que tive de tomar nessa vida, as quais me abalaram por muitos dias, apesar de assertivas, uma delas foi mesmo dizer "não" à oportunidade de fazer carreira em algo que tanto adoro como a rádio. Custou-me muito. Hoje, apesar de não estar arrependido, pois acho que fiz o certo, ainda sinto. A outra, é de carácter afectivo, por isso aqui escusada.

A propósito de despenteados (auto-retrato)

Piscívoro, sim, norte (em Barra Do Dande)

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Citação

"Isso tem a ver com egocentrismo. As pessoas, quando têm uma obra, pensam já que é uma boa obra. Às vezes, têm é maus conselheiros" (de um jovem falando sobre música no programa Jovem Mania, TPA, 22/02/2014)

De volta à missão, oh minha Terra!

durante a VI BIENAL da CPLP, Salvador/Bahia, Brasil.
Fotografia de : Bruno Miguel

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Caminhantes

No mar, como no amar, é também caminhar

Cartoon: "Makas em Luanda"

É dos vivos pular o muro

A metafísica lei do estômago

O sol raiando em céu da cor da ferrugem

Crónica: DIVAGANDO SOBRE A FIGURA DO EDITOR

A partir do momento em que se desperta em nós o interesse pelo jornalismo, passa a existir a figura do editor, aquele ser da hierarquia técnica que mais se identifica com o crivo. Daí que, por vezes, eu veja um pingo de redundância no título de editor-chefe, não havendo editor-subordinado. Pronto, terminologias são terminologias.

E veio mesmo a ser com certa desilusão que voltei a ouvir, durante o curso intensivo – ou básico – de jornalismo e técnicas de redacção, no ano de 2005, pelo formador de telejornalismo, no caso Leopoldo Muhongo, que, no contexto de televisão, editor é genericamente a pessoa faz a montagem das imagens. Tão pouco!

Não abrindo mão do “erro da primeira impressão”, concebo o editor como a figura que cuida do alinhamento noticioso (rádio e jornal). Em alguns casos, suscita frustrações de um repórter, quando corta, rectifica ou decide mesmo anular determinada matéria (pondo o entrevistador em dívida moral para com a fonte) ou, ainda, quando o “chefe” indica outra voz off (em televisão) para narrar certa matéria, dispensando o autor desta. O editor é soberano, diz o dogma jornalístico. Nesta acepção, parece que o editor é um dispositivo electrónico, um não humano e, em consequência, não subjectivo.

Aí entra o rol de complexidades que caracteriza as relações humanas. A par de escolher o que é publicável, segundo a linha editorial e o intangível “interesse público”, é ainda o editor quem faz os arranjos (ou “desminagem”, na gíria jornalística angolana, para textos de principiantes e/ou com graves debilidades no uso da língua). Ora, esse papel pressupõe que o editor tem aptidão superior aos demais (ou pelo menos à maioria). Será isso uma verdade? Visto de outro modo, será que o patrão leva isso em conta? Para as falhas do redactor-repórter está a “fiscalização” do editor. E quem “caçará” as falhas do editor, nos casos em que ele tem também matéria na banca?

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Crónicas da Via: DIÁLOGOS DE BANCO DE TÁXI

“Como é isso?”
“Devagar, mano.”
“Você é fiscal ou migração?”
“Migração.”
“Gosto mais quando vocês apanham chinês ilegal.”
“Yá. Chinês é teimoso. Está sempre a gastar dinheiro. Lhe apanham, paga e sai. Depois, lhe apanham mais, paga e sai. A multa dele é grande, cinco mil dólares não lhe importa. Mas ir na terra dele, estrangeiro chora. ”
“Mas também, aqui, o chinês faz muito dinheiro. Cada negócio, cada obra, sai muito mais do que isso.”
“É verdade. Até o meu vizinho, que deu obra no vietnamita, gastou 25 mil dólares.”
“Só mão-de-obra, ou com material?”
“Mão-de-obra.”
“O que não gosto do chinês é que ele faz tudo: constrói, pinta, é serralheiro, ladrilha. Uma pessoa não pode fazer tudo, sai mal.”
“Aquele parece que trouxe uns sete mestres. Moram mesmo na obra.”

«UM PEQUENA CRÔNICA

Janela ao sol. Estico o pescoço com dificuldades e olho para fora. Pessoas apressadas, buzinas, olhares fugidios.
Ouço vozes, muitas. Desconexas, sem fim nem começo.
Sinto cheiros estranhos. Não há mais o que se provar. Não há mais gostos, apenas releituras bizarras. Fedor.
Os toques são sempre involuntários. Esbarros. Ninguém teve a intenção. O emaranhado das relações parece mais novelos de lã embaraçados. Ninguém sabe onde tudo começa.
Estou cansado, minha vista dói. Não suporto mais essa confusão.
Encolho o pescoço, fecho a janela, olho para o quarto. O espelho no fundo revela-me. Descubro, então, que eu estava dentro de mim.»
Autor: Lissânder Dias, in http://ultimato.com.br/sites/fatosecorrelatos/2006/01/08/um-pequena-cronica/

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Crónicas da via: ONDE DAR BOLEIA DÁ DESPESAS

Descontada a atenção que deve ser convencionalmente dedicada ao tráfego, era de se dizer que o motorista só tinha ouvidos para a Rádio Benguela, que transmitia em directo entrevista sobre uma associação embrionária em torno da causa do albino. Na primeira pessoa, o professor Barroso não estava ali para as habituais dicas de língua portuguesa, mas para tratar de algo sensível como a própria pele: o albinismo, suas implicações físicas e os preconceitos a ele associados, tendo como pano de fundo a afirmação social.

Ao passar pela pediatria do Lobito, um dedo em riste destacava-se. Pé ao travão, carro efectivamente imobilizado uns quinze metros adiante. Devia estar aflita a jovem, que aparentava não mais de 30 anos, moradora do centro da cidade. Lá vão os tempos em que o pedido de boleia era pelo gesto do braço levantado. Ultimamente, as meninas levantam mais é a beleza aparente, ou seja, já só puxam os lábios para trás, contraem os músculos do corpo inteiro e se curvam ligeiramente, a tal dita posição de perfil.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Capa da edição em italiano da BALADA DOS HOMENS QUE SONHAM - Breve Antologia do Conto Angolano (1980 – 2010), projecto organizado por António Quino sob os auspícios da União Dos Escritores Angolanos.

Foi também traduzida para hebraico e lançada em Israel (Fevereiro 2013). Em Itália sai sob chancela da la Nuova Frontiera. Os contos que a compõem são de TIMÓTEO ULIKA, EDUARDO BETTENCOURT PINTO, E.BONAVENA, JOSÉ LUÍS MENDONÇA, ANTÓNIO FONSECA, FREDERICO NINGI, JOÃO TALA, ZETHO CUNHA GONÇALVES, JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, CARMO NETO, RODERICK NEHONE, ALBINO CARLOS e ONDJAKI, GOCIANTE PATISSA

Oratura: ONDUKO MUMBEPYA YALOMBOLOKA NYE? / QUAL É O SIGNIFICADO DO NOME MUMBEPYA?

UMBUNDU: ONDUKO MUMBEPYA YALOMBOLOKA NYE?

Vaketu, kalungi!

Twalisula okasimbu po naito, kolombangulo vya tyama kutundasimbu, kovilongwa kwenda alusapo vasangiwa vesinumwinlõ, okupisa polonduko vyomanu.

Kacasapalo, twakala ko lupale wo Kuvale, okutelinsa ohuminyo yokupaswisa umwe tiyu, ndomo twacikulihã ale akuti kokwetu, tuwiñi welimi lyUmbundu, onambi yapita ño kuyu wayipaswisa ale. Volombangulo, ukulu watulombolwila onduko yaye: “Ame Mumbepya [etokeko lya mumba+epya]. Olusapo waco wowu okuti: ndipumba ño epya, si pumbi ekuto”.

Umwe, vendo lyetu wakumbulula hati: “Oyo pwãi onduko yocimonya”. Ukulu yu wamemenako. “Citava”. Yimwe vo okuti tuyinõla mo yeyi okuti, ndaño wandilimili epya, wiya wukwata ocilele cokunditekula”.

Gociante Patissa, keteke lya 17, kosãyi ya Kayovo, unyamo wa 2014
--------------------------

PORTUGUÊS: QUAL É O SIGNIFICADO DO NOME MUMBEPYA?

Amigos, saudações!

Já lá vai um bom tempo desde a última abordagem sobre a nossa tradição oral, pelo campo das parábolas e provérbios que subjazem em cada nome.

De leitura em leitura

Adorei ler a perspectiva epistemológica de linguística, no Dicionário de Linguística, Dubois et al., versão brasileira pela Cultrix, 1978. Despertou-me o interesse de estudar daqui em diante a linguística (ciência que estuda a história das línguas e as relações que elas mantêm) pelo campo da literatura, desviando um pouco do campo da pedagogia/didáctica, que constituiu a minha licenciatura). Alguma sugestão de livros e autores?

Citação

"Uanhenga Xitu foi um escritor ímpar e um homem de coragem. Porque, numa altura em que a maioria gabava-se de ter aprendido o português no Maria Relvas, apareceu um homem que, apropriando-se da língua, escreveu num português que sabia, num português que conhecia. E saíram aquelas obras maravilhosas, como o Mestre Tamoda. (...) Em vida, soube representar bem os dois nomes que tinha, o Mendes de Carvalho, nome português, e Uanhenga Xitu, o nome dele". - Dario de Melo, noticiário 13h, Radio Nacional de Angola, 16/02/14

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Crónicas da via: LAVAR A ÁRVORE

Rua nua, viu-se, até fechar o portão. Escuro, bem escuro, como ficam os bairros de gema anárquica e que já só com o luar podem contar. Por sua vez, como também preza a saúde, foi a poeira às toneladas alojar-se nos esguios galhos da árvore do meu quintal, de poeira tingida. Há água na torneira, finalmente, como sempre, só de noite, como se fugisse do sol de sanzala, ausências mais do que presenças, a mesma cobrança no final do mês. Menos pouco para meia-noite. Não guardes para amanhã o que hoje podes fazer. Mas o quê? Jactos de água com a mangueira, para devolver o verde às folhas da árvore, do lado de fora do quintal plantada. Do nada, qual fantasma, ouve-se um masculino protesto: “não, meu kota, assim também, não!” Que protesto mais fora de hora! “Agora que há água, estou a lavar a árvore. Aqui acumula-se muita poeira”. E segue o protesto apócrifo: “Está a nos molhar”. Caramba! “Vai você lavar a árvore?”. Ouve-se qualquer coisa e a voz desaparece. Já sei que me resta recolher pela manhã cacos de camisinha ou desses afrodisíacos chineses. E não é que tenha algo contra o dia dos namorados.

A LESTE DA RAZÃO SOCIOLÓGICA

É camponesa com enxadas diferentes
Pintadas, cantadas, esculpidas, nome ganharam, não querendo, para o ciúme do fiscal. Apeadas do asfalto, da Benguela padrão turista, à sanzala o desfile tornaram. Menos receita, mais vontade de comer. São zungueiras, sol e poeira, uma na família de cada um.

Opinião: A "GUERRA" DOS TOPÓNIMOS: FINALMENTE FOI DADO UM PASSO

Foto: Angop
Autor: Luciano CanhangaO aeroporto do Namibe deixou de se chamar Yuri Gagarin e foi rebaptizado com o nome de Welwitchia Mirabilis. Em rigor, apenas homenageou-se um austríaco em vez dum russo, pois a referida planta que existe no deserto já era designada pelos nativos por ntumbo, tendo sido cadastrada pelo botânico Welwitchia Mirabilis com a designação de Tumboa. Apenas depois da sua morte, e em sua homenagem, a planta rara ganhou o nome actual  (Reginaldo Silva, fb, 13.02.2014).


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

De lamentar a morte (1924-2014). Resta o consolo do acervo deixado. Cá estamos, ó escritor Uanhenga Xitu

Em brasa

Acordes

ACORDES

Eu tocava 
em ti
tu deixavas 
Éramos música.

Gociante Patissa, Benguela 13 Fev 2014

Estivemos esta tarde na Mediateca de Benguela, para dar força ao Isidro Sanene, no lançamento do seu livro de poesia intitulado "Pedaços da Alma".

Amar Angola, ser grande e, ao mesmo, simples
é como defino
 Agostinho Sanjo Sanjambela.

UM PAÍS CHAMADO RIBALTA... "Cantor Euclides da Lomba reprova estratégia de promotoras de espectáculos"

Notícia da Angop, 13 Fev : Luanda - A estratégia usada por algumas das principais promotoras de espectáculos do país de realizarem shows apenas com músicos seus agenciados foi criticada, quarta-feira, em Luanda, pelo cantor angolano Euclides da Lomba.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quando o "pluralismo" não dá harmonia

O homem que plantava aves, Dombe-Grande

Na senda dos êxitos do programa "Ler Angola"/11 Clássicos...

Há que multiplicar iniciativas, actores e estratégias de subvenção do livro, o que o torna cada vez mais acessível e, quem sabe a partir dali, cada vez mais atraente. Penso que, de futuro, seria bom ensaiar no apoio a editoras nacionais, de modo a deixarem de olhar para o escritor como um "desesperado" pela publicação, muitas vezes sem obter objectivamente um centavo pela sua criação. Há casos, que não é o meu, felizmente, em que o autor é obrigado a arranjar 100% do patrocínio e, por cima, assina cláusula que só lhe reserva 10% dos lucros no final das vendas, o que na prática quer dizer nunca.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Crónicas da via: O PUTO QUE PARTIU O VX

"Ó kota, eu até fiquei malaike. Não sei qual o bizno dele. Um miúdo partiu um VX [Toyota Land Cruiser acima de USD 100 mil] da rent-a-car. Partiu mesmo que se não se aproveita nada. Estás a ver a rua da administração? Aí é para andar a 120 [km/h]? O madiê estava a dar, a dar, e quando chegou na principal, perdeu o controlo. Aquilo partiu todo. O kota pensa que ele se assustou? Bem calmo! Quando o dono da rent-a-car chegou, ele disse mesmo: “meu kota, fica calmo. Na segunda-feira, vou-te pagar o teu carro”.
“Isso quando foi?”
“Foi no fim-de-semana.”
“E pagou?”
“Ya, kota, pagou! Tipo nada.”
“Então, se calhar era melhor ele ter comprado já o carro dele.”
“É um puto mesmo, meu kota, eu até nem sei qual o bizno dele. Há gajos lixados, ya?!”

OBS: Foto de autor desconhecido.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Crónicas da via: O QUE É UM INSULTO?

(Um senhor, cinquenta e muitos anos, de elegantes casaco e aspecto, sotaque a oscilar entre o Norte e o Sudoeste, emblema institucional na lapela, chama por via de gesto por um desconhecido que lia o jornal Nova Gazeta em pé, à entrada do Terminal de Partidas num aeroporto angolano, a quem entrega um luxuoso telefone, digital e do tamanho de um envelope A5:)
"Pode-me tirar uma foto com os meus filhos?"
"Sim. Um momento, deixa-me só poisar o jornal."
"Mas não vou te pagar."
"Isso que acabou de dizer é um insulto, mas vou tirar mesmo assim."
"O senhor disse o quê?"

UM PAÍS CHAMADO RIBALTA... "Ministra da Cultura quer jovens a apostarem no semba"

Texto da Angop, Luanda, 9 Fev- A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, reafirmou, domingo, em Luanda, a necessidade de os jovens músicos angolanos apostarem forte e seriamente na preservação do estilo de música semba, característico do país, como forma de o manter na ribalta.

Debatendo sobre a fábula do jacaré que fugiu da chuva

Fiquei na dúvida sobre a moral de uma fábula, ou ao menos do essencial que me foi contado, se a atitude do personagem é para ser vista pela positiva ou pela negativa.

A narrativa é atribuída ao escritor Uanhenga Xitu

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Homofonias

Aqui
é o beijo 
que até bem soa 
eu beijo!
Não sei você.

Crónicas da via: O ARTIGO 18º

(À entrada da Kanjala, o agente de trânsito motoqueiro manda parar)

“Bom, dia.”
“Bom dia, senhor Agente.”
“Documentos, por favor.”
“Meus ou da viatura?”
“Carta de condução e documentos do carro!”
“Aqui estão.”
“O senhor sabe o que fez?”
“Diga?”
“O senhor viu o que fez? Aquela ultrapassagem está correcta?”
“Não sei… quer dizer… não havia lá linhas contínuas, que seriam de proibição.”
“Aié? Então o senhor acha que pode fazer ultrapassagem a dois veículos longos?”
“Mas ali não é na curva e a visibilidade estava boa. E, ainda, buzinei.”
“Você acha que ele te consegue ver? Não vês mesmo que o camião é muito alto? Vou-te passar uma multa. Lê ainda o artigo 18º desse livrito.”
“Pois, acabo de ler.”
“Isso é resumo de um decreto presidencial. A multa são 60 UCF’s, agora você faz as contas: isso vezes o artigo 18º, são 10 mil kwanzas.”