PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 16 de março de 2016

[Oficina] Crónica | NOVOS VENTOS: DEMO(S)C(R)ACIA

Texto de Lauriano Tchoia
Catete, Luanda, 13.03.2016
Como a casa é pequena as regras tinham de ser ditadas ao rigor.

Uns para aqui, “quarto dos rapazes”. Outros para lá “quarto das meninas”. Papá e mamã no quarto do meio, se vier visita, dorme na varanda.

O tudo para todos foi dando certo até então, tarefas divididas para homens e meninas.
Quem disse que rapaz tem de lavar fraldas de nenê? Quem disse que mulher tem de ser raboteira?


Todo o resto partilhado. Pra o xixi fazer tem de esperar até o outro sair, e se demorar, você é que sabe se faz o quê. Outro dia lhe faz pagar a dobrar e fica empate.

Ainda assim tudo bem, mas as diferenças aumentavam. Na TV, crianças querem boneco, as moças novela, os rapazes sempre a subir com o Sebem, o papoite só Petro contra D’Agosto. Bate borno na mesa: Eu é quem comprei o televisor, com meu dinheiro!

Bons tempos já se foram, onde ordem do pai não se discutia, mas nessa geração os direitos se amontoam tipo gimboa; lei 004/07 de dar leite nas crianças, Lei 006/03 de não bater na mulher, lei mais leis. Então filho estragou, lhe bates só bocado te leva na DNIC? Estou a desaprender de ser pai.

Solução, formar partido doméstico. Movimento Zwata Mayombe e Partido Zunga do Binda. Presidentes e todos os demais eleitos por unanimidade. Como a guerra já acabou, agora é democracia.

Nem um ano se passou, veio de se roubar militante. Ah, porque ganhamos vinte arrependidos, outro porque lhe tiramos três influentes. Daí, o sai e entra vira negócio dos vijus, porque nesta dança dos mesmex, se davam prêmios de caxexe.

Não tardou, um dia desses se entregaram todo no partido Zwata Mayombe. A vitória era grande e deu festa de madrugar. Viva a «demo(s)c(r)acia», ganhamos todos os militantes do inimigo. Agora somos mais fortes, contra ninguém. Vivaaaa! Partir as portas e paredes separadoras, vamos fazer sede única!

Estranhamente, não demorou, os feitos da «demoscracia» doméstica começaram a resultar. Nisso de dormir em sala aberta, irmão se maguelou na irmã, barriga inflamou, os pais por falta de espaço já não podiam brincar de se engravidar e no lugar de harmonia, vem problema, sai problema.

Hamm, agora já vi, na falta de oposição quem vem para acudir, se estamos todos na mesmex?

Sem comentários: