PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sábado, 22 de novembro de 2014

Fragmentos do conto A ALMA GÉMEA DO MAR (2)

É escusado dizer que a Titina e eu falávamos mais do que os restantes convivas, o que mantinha praticamente intacta a porção de churrasco que nos cabia. Não era só isso, a cerveja, coitada, aquecia na mão. Mas, isso pouco importava no momento. Era evidente o cuidado da minha parte para não incorrer em indiscrição danosa. É como digo, a partir de certa altura, procuramos viver as coisas em sua plenitude: um sorriso disperso, um suspiro cúmplice, uma promessa de carinho, uma ponta de cigarro. Aí a gente se dá conta de estar a caminhar apressadamente para a velhice.

— Desculpa se estiver a ir longe demais, mas gostava de entender uma coisa. Como é que esses cinco anos se transformam em passado?
— Porque teve de ser, meu caro… Lembras-te do que te falei sobre alma gémea?
— Claro.
— Não era só minha, era também alma gémea do mar. Sabes, em dias de sol ardente no litoral, parece ser de meia hora a distância entre nove da manhã e a hora doze. Sim, chovia suor, de tão quente que isso estava. É nesse hiato que me chegou o aviso.
— Caramba! — exclamei, algo desprevenido, ante a tragédia. — Sabia nadar?
— O quê que tem a ver? É o mar que quis ser feliz. Quando chega a hora, parece que não custa largar o chão. Aliás, não sei quanto aos outros, mas este mar daqui é travesti, tem artigo de homem, mas é corrimento de sangue camuflado no azul que se vê…

Gociante Patissa, in «Fátussengóla, O Homem do Rádio que Espalhava Dúvidas» (pág. 101-102). GRECIMA. Programa Ler Angola. Luanda, 2014

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