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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Opinião | Rádio Ecclesia e União Europeia em tensão de "saldo zero"

Faz-me confusão esta confusão envolvendo a União Europeia (UE) e a Rádio Ecclesia (RE), projecto ao qual já estive ligado na iminência do início de emissão em Benguela, há doze anos, apurado entre os quatro redactores-repórteres-noticiaristas ao fim de três meses de estágio intensivo. Não sou católico nem cheguei a efectivar o vínculo com a RE, que entretanto acabou por não arrancar, mas estou afectivamente ligado à marca.

Embora o polémico financiamento da UE tivesse sido directamente alocado para formação, com base numa proposta da RE em resposta ao anúncio público de financiamentos, julgo que o pacote não foge muito do que é comum com as demais rádios privadas espalhadas por Angola. A comercialização de espaços de antena agrega(va) valor às grelhas de programas, considerando o factor diversidade (hoje parece que as igrejas monopolizam). Quanto aos “excessos ao microfone”, são da natureza humana e contornáveis mediante supervisão e avaliação contínuas.


Pelo que até ver eventuais documentos com propostas secretas da UE de desestabilização do país, conforme alega a direcção da RE, e como quem entende um pouco de gestão e governação (em organizações não governamentais), bem como de acesso a financiamentos, custa um pouco imaginar que a meio do projecto se faça inversão dos famosos termos de referência e se imponha o derrube de um governo. Da UE como tal, o único dinheiro que usufruí foi 2006 enquanto quadro do projecto de Reabilitação Baseada na Comunidade (RBC), da Handicap International.

Mas apoiado por outros parceiros, liderei e influenciei a espinha metódica da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), ONG, com projectos em prol do jogo democrático. Entre 2003 e 2010, altura em que saí, estive nos bastidores e ao microfone dos programas "Palmas da PAZ" e "Viver para Vencer", ambos em directo, veículos de interacção intersectorial e interdisciplinar. Governantes, sociedade civil organizada, actores políticos, comerciantes e cidadãos comuns debatiam ideias sobre questões da nossa sociedade (via espaços de antena pagos à Rádio Morena Comercial), acreditando que "a cidadania é resultado de um exercício permanente de educação e comunicação”.

Consta da minha experiência de gestor programático de projectos a frustração que é chegar-se ao fim do ciclo sem atingir o "saldo zero", posto que revela incapacidade da instituição financiada em planificar e executar as acções que alistou no quadro lógico. Lembro-me da pressão que uma vez a AJS sofreu por parte do Fundo Global/PNUD, creio eu por ter a devolver vinte kwanzas. É um expediente passível de gerar tensão, mesmo que não existam desconfianças em relação à honestidade dos signatários.

Gostaria muito sinceramente que esta polémica cessasse logo, claro está, com a RE a devolver à UE a centena e meia de milhares de euros que não conseguiu gastar, o que se arrasta, pelo que dizem as partes, desde 2012. Aposto a minha ingenuidade.
Gociante Patissa, Benguela, 5 Maio 2016

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