sexta-feira, 22 de junho de 2018

Sem salários, trabalhadores das Águas em Benguela ameaçam fechar as torneiras à população

Alerta de greve agita Ministério da Energia e Águas

 
O Sindicato da Administração Pública, Saúde e Serviços alerta para um cenário de greve na Empresa de Águas e Saneamento de Benguela (EASB) dentro de duas semanas, mas há trabalhadores que ponderam fechar as torneiras já nas próximas horas, antes de uma assembleia, num protesto contra três meses de salários em atraso.


Este momento de aperto, reflexo de cortes nas subvenções atribuídas pelo Ministério das Finanças, que deixaram o Conselho de Administração a olhar mais para as receitas das cobranças, está a ser aproveitado para denúncias relativas ao desaparecimento dos subsídios de transporte e de alimentação.

O desabafo de um técnico com vários anos de casa, que viu diluídos os seus direitos numa gestão que considera estagnada, espelha o sentimento de mais de quinhentos funcionários.

‘’Tínhamos tudo em dia, mas desde que este camarada (Jaime Alberto, PCA) entrou… está tudo estagnado. Perdemos todos os direitos, estamos cheiros de dívidas, tanto para com os bancos como para com os particulares. Há greve em todas as áreas neste país, nós também podemos fazer, já agora mesmo’’, avisa o trabalhador, que fala sob anonimato.

Por seu lado, o secretário-geral do Sindicato da Administração Pública, Saúde e Serviços na província de Benguela, Custódio Cupessala, diz ser necessário um caderno reivindicativo e uma declaração de greve, mas manifesta a sua solidariedade.

‘’Esta situação está a criar muitos transtornos aos trabalhadores, que solicitaram uma assembleia. Primeiro, para renovar e comissão sindical e, depois, para saber o que pensa a direcção fazer para se evitar a greve. A informação que temos é de que as subvenções baixaram e não são regulares, mas os trabalhadores dizem que as cobranças são suficientes para os salários’’, salienta Cupessala.

As receitas que andam em 100 milhões de Kwanzas por mês, pouco mais de USD 400 mil, quando a massa salarial fica em 80 milhões, mas é preciso ter em conta, diz um quadro da EASB, que existem custos operacionais para manter a distribuição.

Membro da Comissão Sindical, Manuel Puna, criticado por colegas devido a pronunciamentos favoráveis à entidade patronal, foi indigitado pelo Conselho de Administração para atender a solicitações da imprensa, mas tem estado incontactável.

Segundo fonte bem posicionada, o espectro de greve está a ser analisado ao mais alto nível, com o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, a par de todos os desenvolvimentos.

A assembleia de trabalhadores, na presença do Sindicato da Administração Pública, está prevista para amanhã, 22, com o ponto único relativo aos atrasos salariais.
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