sexta-feira, 8 de junho de 2018

Diário | Não está assim com princípios de ébola nem nada?

“Ó meu caro amigo, eu não estou a gostar nada disto, pá!!!”
“Mas isso são modos?! Quer dizer, um gajo aqui sossegado (estamos a falar um bocado alto demais), a discutir assuntos sérios do futebol, com o Sporting lá de Portugal a cair aos pedaços, e você chega com chamadas de atenção?! Sinceramente, até não entendo…”
“Repito: Ó meu caro amigo, eu não estou a gostar nada disso!!!”
“Isso mesmo já é o tal último azar, palavra de honra! Fiz o quê? Aliás, de onde é que somos amigos?”
“Para mim, trato todo o mundo mesmo assim. Homem, amigo. Mulher, amiga. Não tenho inimigos, não gosto e nem quero… Ou é o que você procura na vida?”
“Desculpe, mas é mesmo comigo que pretendia implicar?”
“Só lhe falo uma coisa, ó meu caro amigo. Desapareça do meu caminho, ouviu bem?!”
“Eu?! O meu senhor não está assim com princípios de ébola nem nada?”
“Olha que se eu pudesse, abria uma cantina para vender saúde ao governo, percebe?!”
“Estou já a ficar passado. Vá, diga lá, por amor de Deus. Onde é que eu o incomodo?”
“Eu quero estar livre, estou a lhe avisar pacificamente… por enquanto!…”
“Mas como assim?”
“Ó meu caro amigo, ainda eram sete da manhã quando passei como quem não quer nada ali pela esplanada do 1.º de Dezembro, e lá estava você em ambiências. Duas horitas e meia, chego ao Café da Cidade, e lá está você, outra vez, a conviver. Certo ou errado?”
“Por acaso, cóf!, cóf!, é verdade.”
“Pois. Está a ver? Até notou! Eu é que não achei piada. Agora onze da manhã, chego à Flamingo para apetrechar assim uma coisita no estômago, e quem é que eu encontro de novo? Você! E não é de hoje. Tenho a certeza que onde eu for almoçar, o meu amigo lá estará. Se não é na sala, é logo à porta. No cair da tarde, se a pessoa entende chupar uma lambretinha, o fantasma do meu amigo certamente… Acha isto normal?”
“Mas são espaços públicos de reencontrar a malta cá da cidade, pôr a conversa em dia…”
“Eu quero estar livre, faço-me entender?! Está a aparecer demais no meu dia-a-dia!!!”
“Isso parece anedota, ó homem! Aonde é que quer chegar?”
“O que me faz espécie – e não diga que na escola não aprendeu o mínimo de geografia – é que os sítios ficam num perímetro poligonal com um raio mediano de 300 metros, pá! Assim vai dizer que o sabor da cerveja varia consoante o nome do estabelecimento? A sua garganta regula como então, que na mesma manhã matabicha em vários bares?”
“Mas ainda que fosse. Agora as pessoas já não podem chupar democraticamente?”
“Ó meu caro amigo!, na guerra ou na paz, cada bêbado com o bar dele, cada bar com o bêbado dele. Isso sempre foi assim!”
“Mas fique calmo. Não contribuo para o preço do copo subir. Da aguinha não passo…”
“Ainda mais! Neste caso, anda só a fazer verbo encher nos bares porquê?!”
“Que mal tem?”
“Ó meu! Você que só consome água, a sua parada é noutras bandas. É uma ideia… Não experimenta pausar no pátio da Empresa de Água e Saneamento porquê, né?”

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 8 Junho 2018
Share:

0 Deixe o seu comentário:

Vídeo | Gociante Patissa, escritor na 2ª FLIPELÔ 2018, Bahia. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

Publicações arquivadas