PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

[arquivo] Diário | Você acha que um decreto presidencial é coisa de brincar?!

“Bom, dia.”
“Bom dia, senhor Agente.”
“A nossa legalidade?”
“Diga?”
“Documentos, por favor.”
“Meus ou da viatura?”
“Carta de condução e documentos do carro!”
“Aqui estão.”
“O senhor sabe o que fez?”
“Diga?”
“O senhor viu o que fez? Aquela ultrapassagem está correcta?!”
“Não sei… quer dizer… não havia lá linhas contínuas, que seriam de proibição.”
“Aié? Então o senhor acha que pode fazer ultrapassagem a dois veículos longos?”
“Mas ali não é na curva e a visibilidade estava boa. E, ainda, buzinei.”
“Você acha que ele te consegue ver? Não vês mesmo que o camião é muito alto? Vou-te passar uma multa! Lê ainda o artigo 18.º desse livrito.”
“Pois… Ok, já acabei de ler.”
“Isso é resumo de um decreto presidencial. A multa são 60 UCF’s, agora você faz as contas: isso vezes o artigo 18.º, são dez mil Kwanzas.”
“Mas não podemos ficar por uma advertência? Acho que os conselhos que acaba de me dar chegam a ser mais educativos do que a multa…”
“O decreto presidencial não fala em advertências! Isso até está mais do que claro: condução perigosa, multa! Você acha que um decreto presidencial é coisa de brincar?!”
“Está bem. Eu não vou desrespeitar o seu trabalho. Pode passar a multa. Mas, é assim, eu estou em serviço.” [o motorista levava consigo uma máquina fotográfica DSLR, uma bolsa e alguns jornais no carro, sem falar do colete de repórter…]
“Isso não tem nada a ver!”
“Tudo bem. Pode passar a multa, o serviço depois vai resolver…”
“Vais p’ra onde?”
“Vou fazer uma reportagem a Malanje.”
“Estás a ver? E Malanje é longe. Qual é a pressa?”
“Pronto, falhei. Vou prestar mais atenção”.
“Toma lá. Mas, te falo mesmo, meu irmão, até carros zero quilómetro acidentam. Na estrada não vale a pena se confiar só muito.”
“Obrigado, bom trabalho.”

[E lá o mot(u)orista segue a viagem, salvo pelo bluff, por sua vez estimulado pelo bluff do agente, para quem um artigo chamado 18.º, multiplicado por 60 UCF, resulta em 10 mil kwanzas recebidos à beira da estrada, provavelmente sem papel passado, ao jeito ela por ela].
 GP. Aeroporto Internacional da Katombela, 8 Fevereiro 2014
www.angodebates.blogspot.com

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