quinta-feira, 17 de maio de 2018

Uma proposta literária de autoria improvável | "Acasos e Melomanias Urbanas" no regresso de Luís Kandjimbu

No dia em que a cidade de Benguela completou 401 anos desde a sua fundação pelo português Cerveira Pereira a 17 de Maio de 1617, Luís Kandjimbu, um proeminente cosmopolita filho da terra e radicado em Luanda, depois de uns anos dedicados à diplomacia na Europa, fez questão de regressar para apresentar e autografar o seu livro de crónicas intitulado "Acasos e Melomanias Urbanas", que mescla cenas reais e cenas ficcionadas.

É a mais recente obra do autor, publicada sob chancela da Acácias Editora, coleccção Troncos da Literatura. As crónicas narram vivências nostálgicas, tendo a boemia como pano de fundo e colocam duas artes em diálogo, sendo a literatura e a música popular urbana angolana nas décadas de 70 e 80 do século 20.

No dizer do próprio Kandjimbu, “o livro é um testemunho interessante sobre música popular urbana angolana. Ou melhor, sobre música popular urbana angolana vista por um benguelense. O diálogo entre a música e a literatura nem sempre é bem visto, e então livro em para mostrar que podem entrar em um diálogo perfeito.”

A obra tem o condão de intrigar o leitor logo no contacto com a capa ao sugerir autoria póstuma de um misterioso Noël Vilyaneke. Este teria deixado testamento para que saísse em nome de Kandjimbu, amigo que no entanto não chegou a conhecer. Heterónimo?

A sessão teve lugar no espaço de exposição da artista plástica Carla Peairo, no Museu de Arqueologia, antigo armazém de escravos, onde decorre o Acácias-Fest. Estiveram presentes contemporâneos do autor, estudantes, jornalistas, comunidade académica, amantes da cultura e cultores de letras, com realce para Amélia Dalomba e Paula Russa, ambas membros da União dos Escritores Angolanos.

Logo de seguida, Kandjimbu, executante de viola, juntou-se à Banda 70 e tomaram deassalto o palco. Da referida banda fazem parte Raúl Tulingas, percussionista, e o guitarrista Boto Trindade, autor do clássico instrumental “Benguela Libertada”, uma das figuras homenageadas nas crónicas do livro "Acasos e Melomanias Urbanas".

Antigo apresentador do programa “Leituras”, da Televisão Pública de Angola, e Vice-ministro da Cultura, Luís Kandjimbo nasceu em Benguela em 1960. Poeta e crítico literário, é membro da União dos Escritores Angolanos (UEA) e da Associação para o Estudo das Literaturas Africanas de Paris (APELA). Publicou “Apuros de Vigília" (ensaio e crítica), "Apologia de Kalitangi" (ensaio e crítica), “A Estrada da Secura” (poesia, Menção Honrosa do Prémio Sonangol de Literatura),  “O Noctívago e Outras Estórias de um benguelense” (contos), “De Vagares a Vestígios” (Poesia), “Ideogramas de Ngangi” (ensaio), “Ensaio para Inversão do Olhar da Literatura Angolana à Literatura Portuguesa”. 

Reportagem e fotos: Gociante Patissa | 17.05.2018 | www.angodebates.blogspot.com
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