domingo, 1 de julho de 2018

Lapiseirando | Parabenizando o «Roda de Kambas»

Crónica de Rodino Da Mamã Teresa, Lobito, 1.Julho.2018

Na semana que ontem terminou, tive o ensejo de ouvir os programas Ecclésia 24 horas e Roda de Kambas, das rádios Ecclesia e Benguela, respectivamente. Perífrases à parte, parabéns aos fazedores dos referidos programas, pois nos formatos que fazem sua natureza, afastam-se da da natureza das mesmices e aproximam-se àquilo que infelizmente tornou-se raro nas rádios que operam em Benguela.

As rádios em Benguela são hoje rios onde a escassez de áreas para se tirar água para beber é um facto, assemelhando-se às discotecas e promotoras de eventos hodiernas, que na busca desenfreada do lucro fazem de tudo uma norma.

Não é difícil esquadrinhar a programação de algumas estações e perceber a carência de higiene intelectual, cultural, socializadora e até mesmo linguística de que grande parte dos programas, sobretudo os dedicados aos jovens e seus fazedores, padecem. O que explica isso? É a crise. Uma crise que deixou as rádios tolhidas naquilo que representa também sua vocação: a faceta formativa, modeladora e construtora de personalidades sãs.

Por isso, temos rádios, radialistas que vêem no amiguismo, na micha, os principais requisitos e critérios para se ter acesso aos "seus" microfones, sem se importarem com as competências, saberes dos seus "fazedores de opinião", bem como as consequências sociais que podem advir destes vícios. Tudo isso faz de algumas rádios, radialistas, grandes promotores de mediocridades e futilidades que vão alienando adolescentes e jovens com realidades ilusórias, quando deviam elevar-lhes a consciência sócio-cultural e política. 

É justamente aqui que o Ecclesia 24 horas e Roda de Kambas, mormente este último, se distinguem dos demais com um formato a si aproximado, pois não obstante ser feito entre kambas, é visível na forma como são abordadas as nossas vivências, a sabedoria, idoneidade e acima de tudo responsabilidade e compromisso necessários com o bem-estar social. 

Como no princípio, agora e sempre é disso que o país precisa para ser.
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