Edição angolana do livro de contos

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PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Crónica | UM SOCO, FAZ FAVOR


A chinesa, baixinha, pernas arqueadas, abriu a porta do restaurante, ares inquiridores, levantou a tampa da cuba do buffet e dirigiu-se à garçonete com a voz já alta: "Amiga, é soco?" E não se sentindo percebida, e enquanto o companheiro se via consumido pela troça malandra por quão magro era, rabinho feito tábua, a asiática levanta a voz, agora em tom de ralhar, sem no entanto evidenciar impaciência como tal, e exige: "AMIGA, EU QUELO SOCO! SOCO! UM SOCO, FAZ FAVOR." Estupefacta, a balconista replica: quer soco, amiga, a sério? Deve ter pensado que há realmente pessoas que não sabem o que pedem. Fez-se um silêncio frio, vazio, a transcender o ruído fonológico. A garçonete levou a mão à testa, apalpou o lugar que a sua mão devia conhecer com precisão e, sentindo ainda presença do caroço do galo, rapidamente tentou disfarçar com o guardanapo de papel a lágrima que se antecipara e quase lhe fugia ao controle. Por acaso um soco era precisamente o tipo de coisas que nunca lhe passou pela cabeça querer mas que na noite anterior acabou levando no seu lar, no caso dois socos e bem puxados, tudo por uma briga estúpida qualquer. E a chinesa continuou a exigir soco e mais soco, é que lhe apetecia qualquer coisa do mar que não fosse peixe, um choco mesmo.
Gociante Patissa, Benguela, 25.07.2018 | www.angodebates.blogspot.com

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