Edição angolana do livro de contos

Edição angolana do livro de contos
Edição angolana do livro de contos

PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Em linhas tortas (29)

Que desenvolvimento parasita é este que parece ser a sina do litoral da província de Benguela, com os espaços públicos à mercê da privatização para particulares, ao que se diz, nem sempre distantes das simpatias do palácio da praia Morena, entra governador, sai governador?! A praça primeiro de Maio, no Lobito, lugar tão simbólico e ponto de encontro entre a cidade velha e a zona alta, pelo desporto e pela cultura, acabou abocanhada a favor dos sul-africanos da Shoprite. É um legado infeliz da era Dumilde Rangel. A antiga Escola/Lar da Uneca, construída por cubanos ali na Kambanda, acabou privatizada a favor de portugueses (e não só), no que hoje é o Colégio Benguela, precisamente numa cidade em que o défice de escolas primárias é notório e mesmo no centro vemos alunos estudando ao relento (a escola ao lado da Angola Telecom é um exemplo). Eis um legado de triste memória da era Armando da Cruz Neto. Nos dias que correm, da praia do Pequeno Brasil, extensão da praia Morena, já só sobram memórias, tal é a tendência voraz do seu talhonamento, um espaço que sobreviveu aos quinhentos anos de ocupação colonial portuguesa mas que sucumbiria nas ambições e narrativa de desenvolvimento da era Isaac dos Anjos. Um dia foi o Morena Beach, por quem dá a cara o empresário Anselmo Mateus, embora haja também quem atribua a sua titularidade ao músico Matias Damásio, que esteve envolvido no projecto por via da sua empresa Arca Velha, na condição de financiadora. Ao lado lhe cresceu um infantário que atende pelo nome de Avó Inha (quando o assunto é citar o nome da proprietária do empreendimento, ao contrário do restaurante Morena Beach, aí já é com pinças). O que para alguns é questionável do ponto de vista da coerência é a determinação, a essa altura do campeonato, em travar a construção de um ginásio no mesmo corredor, quando não se conseguiu (ou não se quis) "combater” as duas infraestruturas de betão que lhe são vizinhas. Exceptuando o espaço que deu lugar ao estaleiro de construção de estruturas para o sector petrolífero pertencente à Sonamet (este, sim, de um impacto enorme no desenvolvimento e nas receitas), parece inevitável nos perguntarmos: que raio de desenvolvimento é este que não reverte a favor do estado a transformação de espaços públicos? Que desenvolvimento parasita é este que do comércio não passa? Que desenvolvimento parasita é este que os (intencionalmente) bons projectos não conseguem ganhar corpo desbravando zonas "virgens" e surgem como que à socapa (porque não há conhecimento público do tipo auscultação) para ocupar espaços onde já há água, asfalto e luz? Quando é que começaremos a responsabilizar as pessoas por erros de gestão na administração pública desde que se achem indícios de se ter beliscado a ética e a probidade? Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 14.02.2018

Sem comentários: