PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Crónica | É do apoio ao cliente? Poupem-me só, sim?

Daqui a uma hora entra em vigor a nova tabela de preços por UTT em Angola. Fala-se em um aumento na ordem dos 40%. As empresas de telefonia móvel não cabem em si de tanta ansiedade, quais noivos loucos pela chegada da noite de núpcias e poderem fazer o que já há muito vinham fazendo, mas agora com o sabor da legitimação: o coito, antes fornicação, agora comunhão. O mesmíssimo paralelo ocorre-me relativamente ao preço do consumo no ramo das telecomunicações, onde em boa verdade já há muito se deu conta de falarmos cada vez menos por um mesmo serviço/pacote. Basta lembrar que há coisa de cinco anos, com um cartão de 625UTT (AKZ 4.500,00) tínhamos internet por 30 dias, mas que de lá para cá o saldo evapora mais rápido que o gás butano. Até provas em contrário, mais a mais não tendo o INADEC (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor) algum tipo de estaleca técnica para aferir a transparência do sector, o cidadão é tentado a abraçar a hipótese segundo a qual a lei só vem legitimar o que ocorria em forma de "adultério", entenda-se um aumento que já estávamos com ele. Não sei se haverá alguma relação ou não, mas não posso deixar de partilhar uma cena trágicómica que testemunhei acidentalmente ao passar por uma taberna da minha rua. Tendo recebido mais uma dessas SMS a raiar o spam, ora do apelo ao registo para o voto, ora de campanhas aparentemente beneficentes das operadoras, ora da polícia a apelar a isto e aquilo, certo conviva ligou para o serviço de apoio ao cliente aos berros: Meus senhores!, observava ele, só quero vos avisar de uma coisa. Me tirem da vossa lista, ok?! Eu não sou cidadão angolano, portanto párem de me enviar essas mensagens, ouviram?! Por acaso o tipo era angolano, mas fiquei a pensar com os meus botões se não deveria haver uma cláusula que permitisse o utente escolher se quer, ou não, ser recipiente de mensagens em massa... Porque em muitos dos casos o conteúdo não passa de publicidade, justamente vinda da quem nos cobra impiedosamente por cada cêntimo que gastamos, às vezes nem chegamos a gastar. Aquela coisa de mandar madres levarem filhos à vacinação, ou de me dizerem a mim para não conduzir se beber (provocação barata esta), quando o próprio álcool sabe que há para aí mais de dois anos que não nos beijamos. E digo mais! Até porque quer a Unitel, quer a Movicel não nos fazem favor algum com os seus serviços. Alguma vez eu telefonei de graça, hã?! Meus senhores, peço-vos também eu: párem só de me chatear com as vossas mensagens. Já não sou mais criança, se eu quiser uma informação, sei onde encontrar. Poupem-me só, sim? Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa, Benguela, 31.10.2016

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