PONTOS DE VENDA

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Diário: "OSONGO YASENGA"

Voltei ao bairro em que cresci e me deu as dificuldades (para amadurecer) e as alegrias (para o necessário equilíbrio). É uma sanzalita chamada Santa Cruz. Querem agora que a achemos no município da Catumbela, mas o bom mesmo é que as ordens administrativas não comandam memórias - logo, aquilo Lobito é. Morei lá entre 1987 e 2008. Mãe de um é tia de todos, pai também, o mesmo com os irmãos. Também é colectiva a dor, a perda ou, quando for o caso, a vergonha. Gosto de interagir com jovens, mas gosto muito mais é de ouvir os mais-velhos, mergulhar em seus suspiros, diálogos, sem deixar de estar atento às pragas rogadas, sejam abertas ou veladas. Em Umbundu, quase tudo é por atalhos, servido na bandeja da metáfora, do fragmentado, da inferência. Na saudação, um breve tema de conversa com uma vizinha (a propósito, nós não temos isso em Umbundu, não dizemos o seu equivalente literal "una tulisungwe", mas sim "ukwetu umwe tukasi laye kumwe", ou seja, uma pessoa companheira). A mais-velha lamentava-se de vários óbitos em dias seguidos, ao que se seguiu um profundo... "OSONGO YASENGA". No contexto do diálogo, queria dizer que o bairro está sem graça. Mas "osongo" pela mesma grafia e fonia pode também significar semente, ao passo que com uma ligeira alteração na entoação pode significar espinho.
Gociante Patissa

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