"Marido, afinal é o quê? Voltaste do serviço todo cabisbaixo, tipo deprimido..."
"É o chefe, querida... O chefe não pode fazer isso comigo!"
"O que foi?"
"O chefe agora estragou..."
"Está a beber muito?"
"Não."
"Está arrogante? Ameaçou despromoção?"
"Não, amor. É ainda pior..."
"Pior como?"
"Acho que quer me tirar o pão dos meus filhos..."
"Como assim?"
"Ontem já me orientou a parar de lhe tratar por Excelentíssimo Líder doutor que Deus nos deu..."
"Parece comprido o título, né?"
"Mas sempre foi assim. Mediante a cor do fato que ele enverga, eu tenho uma forma de mostrar honra ao chefe que Deus nos deu..."
"E então?"
"Ontem já me orientou a parar de lhe tratar por Excelentíssimo líder doutor... Ele disse que não fazia sentido lhe tratar por Excelentíssimo líder, uma vez que a empresa este ano esteve muito abaixo das metas. Se a produção é baixa, diz ele, o líder não pode ser excelente. O que é que isso tem a ver, amor?!"
"Hum... Então o problema é só mesmo este?"
"Hoje mais, assim que cheguei ao serviço, como sempre, bati à porta, ele falou entra. Aí entrei, passei um paninho para tirar a poeira da mesa dele, limpei a teia de aranha que escapou ao pessoal de limpeza, avisei que tinha um pouco de pó no sapato e que o atacador estava quase a desactar. Saudei 'Bom dia Doutor! E ele me travou, ah, não, pára com isso de doutor!', já viste?!"
"Mas ele é doutor de formação?"
"Ainda não."
"Então é mestre?"
"Ainda não."
"Licenciado?"
"Ainda não..."
"Então, se o outro só tem o médio feito, por que raio é que lhe tratas por doutor?!"
"É minha cultura. Eu sou mesmo assim, sempre fiz isso nestes 15 anos... Sendo ele meu chefe, para mim já é doutor. Se não elogiar o meu chefe por cada dia que nasce, não vou-me sentir incompleto?"
Nesta terceira e última parte da grande entrevista que a cantora Katiliana Kapindiça concedeu ao Blog Angodebates no dia 15 de Maio em Benguela, lançamos uma provocação quanto ao que ela faria caso fosse Ministra da Cultura, aquele sector que é dos mais criticados, sobretudo pelos próprios artistas e fazedores de cultura. A nossa interlocutora reagiu com um suspiro ao inesperado cenário mas não deixou de apontar as vulnerabilidades das políticas culturais de um país soberano há tão-somente 43 anos e sugerir caminhos para quem tem ouvidos para ouvir. Já que é de política que falamos, quisemos saber da “menina” o grau de expectativas da era João Lourenço, que sucede aos 38 anos de presidência de José Eduardo dos Santos. Nesse quesito, a viajada Katiliana, que aponta a corrupção como o maior e pior cancro de Angola, prefere ficar-se apenas pela esperança, pois entende que o optimismo seria uma fasquia muito elevada e passível de desilusões. Entende que o presidente Lourenço tem vontade de estabelecer um novo começo mas não sabe bem por onde começar nem parece ter o apoio da maioria.
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OUVIR O ÁUDIO
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Angodebates: Querendo ou não, essa mudança de presidente está a suscitar outras mudanças e expectativas. A Katiliana vê com olhos de optimista ou acha que vai manter na mesma? Que Angola é que vê nascer? Está a nascer uma nova ou é a mesma?
Katiliana: Não me posso garantir como optimista mas com esperança. Porque eu acho que há uma diferença entre estar optimista e a esperança.
Angodebates: Os indicadores não são suficientes para alimentar o optimismo?
Katiliana: O optimismo é uma coisa que, assim para os religiosos, se compara com a fé. Eu estou optimista e vejo que vai mudar.
Angodebates: A Katiliana não se quer iludir? (risos)
Katiliana: Não! Sinto que esse nosso presidente está com uma forte visão de poder mudar o país. Vê-se que há aquele interesse de ‘eu quero mudar o país!’, não é? Só que é necessário que haja ali uma maioria e não uma minoria que o possa apoiar nos seus pensamentos.
Angodebates: Sobretudo os detentores de capital?
Katiliana: Exctamente. É necessário que tenha apoio de todos, que ele também assim se sente motivado a ter ideias para avançar com o país. E nós sabemos que foram 38 anos de governação do mesmo presidente. Então vai ser mesmo muito difícil porque nós, angolanos, estamos muito habituados com a governação antiga. Mudar isso não vai ser do dia para a noite. É um processo gradual. É essa esperança que eu tenho porque nem mesmo em cinco anos de governação que ele tem, não vai conseguir fazer nada porque há muitas questões que devem ser resolvidas, e ele não sabe também por onde começar. Então ele deve começar num tema, neste caso o tema da corrupção, que eu considero o maior cancro que a nossa sociedade deve ter
Angodebates: Maior e pior.
Katiliana: Maior e pior. Muito complicado. Para se acabar com isso, ainda vão-se levar muitos anos. E a própria mentalidade do angolano também tem de mudar.
Angodebates: Se fosse Ministra da Cultura mudaria o quê?
Katiliana: Ai, meus Deus!!!
Angodebates: Do ponto de vista de políticas de estado. Tem-se visto – estou já a influenciar, não sei se vai concordar comigo. Mas nota-se que a Cultura, como ministério, dá um apoio, me parece, desproporcional em comparação com outras manifestações culturais. Não sei se tem a mesma visão. Parece-me que há muito investimento no carnaval, que no fundo é efémero, só dura um dia.
Katiliana: Exactamente. Eu acho que nós não nos podemos só concentrar em dias ou épocas alusivas a certas datas. Olha, aconteceu o carnaval, e tem que haver investimento. Eu acho que o país é mais do que isso. Há muito talento, o angolano é muito talentoso. E é necessário em primeiro lugar que se criem estruturas para que estas estruturas possam sustentar estas pessoas que têem o talento bruto e possa ser lapidado. Investir na educação cultural artística. Quando eu digo artística não é a dança só.
Angodebates: Em Luanda há um Instituto de Formação Artística, penso.
Katiliana: Um?! Você acabou de falar agora de um. Acha que um é suficiente para nove milhões de pessoas e quiçá para umas províncias saírem daqui para irem para lá? Temos de ter mais escolas, não é? E se nós quisermos seguir um padrão supostamente digno, dito moderno ou geopolítico, nós temos de imitar muitos países europeus, como a França. Quase todos os artistas, Picasso, Da Vinci, tiveram uma formação de base. Cuba, que se calhar não é um dos países de grande poder financeiro, mas a nível de formação o Fidel fez questão de firmar isso para a população. Qualquer pessoa lá pode formar-se.
Angodebates: Com qualidade. É dos maiores legados que um presidente pode deixar.
Katiliana: Exactamente. E eu acho que se não houver um tecido humano que possa gerir aquele prédio, e nós temos imensos prédios que estão a nascer lá para aqueles lados da marginal, mas eu me pergunto: será que temos pessoal formado, angolanos?…
Angodebates: Pois, porque o estrangeiro depois não transfere o conhecimento… compreendo.
Katiliana: Ele vem para ajudar, e nós agradecemos por isso. Vem para contribuir e é muito bom.
Angodebates: Mas tem uma data de validade.
Katiliana: Sim, tem uma data de validade. Ele depois vai, não é? Ele diz, ‘olha, eu já criei as bases mas vocês têem de dar continuidade porque isto é o vosso país.’ Então eu me pergunto: será que aquelas estruturas que estão ali, salas climatizadas, casas de banho que se calhar eu talvez num país desenvolvido ainda não encontrei mas já encontrei aqui em Angola, mas eu me pergunto: será que aquele pessoal está capacitado para isso, está formado para isso? Para que isso exista, é necessário haver um maior investimento na formação. A formação é importante em qualquer parte. Formação e SAÚDE.
Angodebates: Quem fala disso, do seu receio, tem como exemplo mais recente os estádios. Foi um investimento grande que não está a ser nem sustentável…
Katiliana: Está a dizer estádios de quê?
Angodebates: De futebol. Estes enormes estádios que foram construídos. Tanto não estão a ser usados, alguns, como nem beneficiam de manutenção…
Katiliana: Exactamente. Olha, já nem vou falar desta parte de manutenção porque até estão ali atirados, e aquilo só foi para uma suposta época que tinha que acontecer mas depois acabou…
Angodebates: CAN [Campeonato Africano das Nações] de 2010.
Katiliana: Exactamente. E não houve mais seguimento para aquilo. Então se é por épocas que aquilo só serve, nós, que não temos… Como é que se chama em Luanda? Largada de touros, não é?
Angodebates: Tourada.
Katiliana: Pois, a Tourada! Se calhar estão à espera de um estrangeiro apostar naquilo e fazer um coliseu. Porque nós não temos salas de espectáculos. Em Luanda nós não temos. Se fores, por exemplo a Lisboa, vais encontrar o Meo Arena, que agora já é o Altice, não é? Mas aquilo tem uma estrutura própria, criada. E nós não temos. Angola é tão riquíssima, e ainda só está concentrada nos petróleos, nos diamantes, os recursos naturais. Eh pá, e ainda por cima quererem investir lá fora. Invistam no país! FIM
Na manhã seguinte à noite do
infortúnio, sua excelência eu madrugou em direcção ao Lobito-Velho onde já no
ano passado foi socorrido por uma loja de vidros de automóveis. Posto no local,
um balde de água morna. Aquilo hoje é cantina do maliano. Aqui não era a loja
de vidros? Sim, mas agora trocou, responde o irmão oeste-africano. Por sorte, as
novas instalações não ficam muito distante. Por acaso até a mudança foi para
melhor, um edifício mais espaçoso e com estacionamento confortável. Ah, espelho
para este carro é difícil, isso é versão 2015, só temos para yaris 2012. Mas
então, se no ano passado vocês substituíram o vidro que o assaltante quebrou, o
simples espelho do retrovisor é que não conseguem achar? Bem, se quiser pode
encomendar mas assim terá de comprar o retrovisor inteiro. O tempo que vai
demorar já é que ainda não sabemos. Agora, sim, balde de água fria. Sua excelência
eu parte para bater à porta de outro estabelecimento especializado. Também não
havia, mas remediavam. Ao encomendar expliquei ao atendedor lá que o vidro foi
roubado na quarta-feira (ontem). Ele, cheio de pena, empatia e vontade de
ajudar, respondeu: "Assim só chega na próxima quarta. A maka é que
atrasaste. Se viesses já na segunda-feira, amanhã mesmo o espelho chegaria nas
tuas mãos". Ou seja, dois dias antes do roubo eu deveria já encomendar o
bem roubado. Aí pensei no Angosat-1. E pronto. Ainda era só isso.
Obrigado. www.angodebates.blogspot.com
Um amigo de um colega meu escreveu um livro intitulado "Como Conseguir Dinheiro" e agora ele precisa de dinheiro para publicar o livro. Aí foi então pedir patrocínio. Só lhe responderam "lê o teu livro". É para ele aprender!
(Conforme recebida via whatsapp, sem identificação de autor)
Aos 18 anos despontou para o
estrelato ao participar em concursos musicais com a envergadura que se pode
imaginar de estações como a SIC e a RTP. No primeiro, buscando vingar nos “Ídolos”,
no segundo, chegando à final da “Operação Triunfo”. É da angolana Katiliana
Kapindiça que falamos, formada em música pela Universidade de Leeds, na Inglaterra, e dona de uma plasticidade interessante. Vocalista, já fez coros para
um dos elementos Semba Master, Lanterna. Fez ainda “algumas coisinhas”, assim
lhes chama, no hip-hop, para além da participação numa música gospel de Jeff
Brown e Jay Lorenzo. Tem em vista um CD mas nisso vai com cautela, acredita que
precisa de divulgar mais o seu trabalho, uma lucidez de quem afinal já apagou 30
e tal velas. De volta há dois anos ao país que a viu nascer, vai-se dando a
conhecer no areópago artístico por conta do seu vozeirão e energia em palco. Nesta
segunda parte da grande entrevista exclusiva que concedeu ao Blog Angodebates,
Katiliana, com a sempre invejável perspicácia, critica vícios dos meandros do
mercado musical, vícios estes que tanto excluem, como empobrecem o crescimento.
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Blog Angola, Debates & Ideias (Angodebates): A outra pergunta
que eu ia colocar é a seguinte: em tempos a TPA passou um show de jazz, creio,
de vários artistas e uma delas é a Katiliana. Há, assim, entre nós uma
tendência de associar a marca artística Katiliana ao jazz. Com que estilo é que
mais se identifica? Como é que posiciona?
Katiliana: É assim, eu acho que sou uma
ecléctica, não é? Se me perguntares, por exemplo, fora do jazz ou fora do soul
music ou, por exemplo, do blues ou da nossa kilapanga, masemba, a própria
música que o Ndaka faz (que é muito riquíssima), não vai acreditar. Mas eu
gosto de ouvir coisas assim completamente que não têem nada a ver comigo…
Angodebates: Coisas assim
experimentais?
Katiliana: Vou-lhe dar um exemplo, o heavy
metal. Eu oiço, mas não oiço no sentido de gostar, mas sim no sentido de
auto-didáctico…
Angodebates: Ouvir para pesquisar?
Katiliana: Pesquisar por que é que eles fazem
aquele estilo de música, as mensagens são muito obscuras, são muito obscenas,
são muito associadas à religião, portanto criticar a religião, está a ver? E eu
gosto muito de pesquisar sobre estes assuntos bastante pertinentes.
Angodebates: A sua família como é
que olha para a sua carreira, como é que olha para os desafios, a própria
envolvência musical, por exemplo estar neste momento em Benguela? Ou seja,
recebe apoio, recebe aceitação?
Katiliana: Muuuuito!Às vezes, se calhar, eu penso que
eles é que são as Katilianas e eu sou…
Angodebates: Já tem família
própria?
Katiliana: como?
Angodebates: Já tem família
própria, constituída?
Katiliana: Não, ainda não. Não sou casada e
ainda não tenho filhos.
Angodebates: Pois, isso se calhar
dá-lhe um bocadinho mais de flexibilidade?
Katiliana: A minha família… eu tenho pessoas
da família que também cantam…
Angodebates: Ai, é? Qual é o grau
de parentesco com essas pessoas?
Katiliana: Tios-avôs. O Elias Dya Kimwezu
também. Ele é como se fosse assim um primo como irmão do meu pai. Da parte do
meu pai. Da parte da minha mãe tenho a tia Lourdes Van-dúnen (falecida). Ela
era minha tia-avó.
Angodebates: Então é uma questão
genética, não é?
Katiliana: Pois. Mas, pronto. Assim da família
mais próxima é portanto o pai, a mãe, os primos assim mais próximos, estão
sempre a apoiar, estão sempre a ajudar. Inclusive houve uma altura da minha
vida que eu acho que a música já não era uma grande prioridade, e eles foram
assim uma fonte fortíssima para me dar apoio. Porque eu disse que não, já não
quero mais cantar.
Tal como
havia sido anunciado pelos serviços de apoio a Sua Excelência Eu, o contrato
para a publicação da edição angolana do livro e contos «O Homem que Plantava
Aves», o oitavo da safra do escritor Gociante Patissa, foi celebrado durante as
festividades da cidade de Benguela, jornada que decorreu de 16 a 20 de Maio, conforme
ilustra a foto em que aparecem o autor e o senhor Adilson Cassua, na qualidade
de representante da marca editorial com sede em Luanda.
Para
Gociante Patissa, o acto reveste-se de um simbolismo redobrado por formalizar
um processo de “namoro” que iniciou há precisamente um ano. Confidenciou haver
uma pequena diferença entre este e os demais cinco títulos que o autor publicou
em Angola, cujos processos se deram apenas de forma verbal, no tradicional
acordo de cavalheiros, nunca se tendo assinado papel como tal.
Já para a
editora, a presença em Benguela, onde estabeleceu parcerias com agentes directos
e indirectos do sector livreiro, dá a garantia de, não apenas distribuir de
forma dinâmica a obra, mas também organizar uma cerimónia de lançamento em
grande, estando já a gizar alguns atractivos de surpresa.
O livro circula
apenas no mercado brasileiro, onde tem merecido resenhas bastante favoráveis de
diversos blogs e nas redes sociais, a par da imprensa convencional. Saiu no ano
de 2017 pela Editora Penalux, com sede em São Paulo, que o
"encomendou" durante a presença há dois anos do autor na Feira do
Livro de Frankfurt, na república da Alemanha, a convite do Goethe-Institut.
Katiliana Kapindiça juntou-se às comemorações dos 401 anos da cidade de Benguela, tendo animado a primeira noite do Acácias-Fest, na companhia de outra figura relevante do Afro Jazz, o Ndaka Yo Wiñi. Mistura de Bié com Luanda, Katiliana teria o essencial em termos de valências para ser cantora de sucesso no mercado angolano, a saber, um rosto lindo e uma fisionomia vistosa, mas ela foi mais longe: tem mesmo um talento e também sólida consciência cidadã. A sua veia musical pode-se dizer que é sanguínea, ou não tivesse parentesco com Elias Dya Kimwezu e com Lourdes Van-dúnem. Bem formada e com o dom da palavra, a conversa com ela flui de tal modo que nem damos conta do tempo passar. Esta é a primeira parte de uma grande entrevista exclusiva que concedeu ao Blog Angodebates. Falamos de tudo um pouco, a começar pela sua experiência de adolescente a viver na diáspora (marcada por actos de racismo no ambiente escolar). Falou também do lado bom, com destaque para a participação na OPERAÇÃO TRIUNFO, concurso musical da RTP em Portugal, a vivência na Inglaterra e dos dois anos de retorno a Angola. Katiliana tem uma visão profunda das coisas, coloca o dedo na ferida das makas da coisa cultural e não deixa de sugerir caminhos para quem tem ouvidos para ouvir.
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OUVIR O ÁUDIO
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Blog Angola,
Debates & Ideias (Angodebates): A
Katiliana é uma daqueles talentos que entram em nossas vidas num contexto de
apelo à união para apoio. Porque para muitos de nós, a Katiliana surge na “Operação
Triunfo”. Penso que já andará farta de falar disso, mas gostaria um bocadinho que
contasse, assim em termos de retrospectiva, como é que foi a experiência.
Katiliana: Muito antes da “Operação
Triunfo” eu já tinha… Praticamente eu lancei-me no “Rádio Pió”. Exacto. Foi
basicamente, em 1989-90, em que na altura nós vivíamos no bairro do Kassenda. E
dali para aquela zoa do 1.º de Maio, onde se destacava a Rádio Nacional (RNA),
não havia vagas de creches. Então, os meus pais colocaram-me a mim e a minha irmã na
creche da RNA. E posteriormente, a senhora Maria Luísa Fançony, uma das
mentoras do projecto “Rádio Pió”, teve a amabilidade de o relançar novamente. Eu
fui uma das crianças [contempladas] naquela altura(…)
Angodebates: Deduzo
que é natural de Luanda.
Katiliana: Sim, sou. Sou de
Luanda mesmo.
Katiliana: E entretanto, logo
tive várias actividades, desde a dança ao teatro. O canto não digo muito, mas
mais o teatro e a dança. E obviamente como já tinha muitos artistas antecedentes
a mim, neste caso o Mamborrô, o Lucas de Brito (que agora é Maya Cool), o
Ângelo Boss também…
Angodebates: E a
Isidora Campos?
Katiliana: Também, mas
trabalhei mais com estes. Tive a possibilidade de trabalhar com eles, principalmente com o Maya Cool.
Depois, foi aí que surgiu a “Operação Triunfo”. Foi assim, digamos, um pontapé,
mas muito antes da “Operação Triunfo” eu também tinha participado nos “Ídolos”,
mas era em castings, para ser apurada. Pronto, e infelizmente fui eliminada. Fiquei
entre os 50 melhores…
Angodebates: O que
não era nada puco (risos).
Katiliana: Exactamente.
Porque
só por dia de audições, eram por aí 3 mil pessoas. Então, estar entre os 50
melhores,nos “Ídolos”, já era muito
bom.
Angodebates: A sua
vivência na diáspora é contabilizada em quantos anos?
Katiliana: Eu cresci
praticamente em Portugal. Os meus pais, em 1997-98, decidiram emigrar porque
também na altura o país não estava em condições. Na altura tinha para aí os meus
13 quase para 14 anos.
Angodebates: Adaptou-se
facilmente?
Katiliana: Não, não! Não foi
fácil.
Angodebates: Principais
dificuldades quais foram?
Katiliana: Racismo! O racismo
foi assim algo que eu… Eu nunca soube o significado da palavra racismo, até estar
num território europeu.
No dia em que a cidade de Benguela completou 401 anos desde a sua
fundação pelo português Cerveira Pereira a 17 de Maio de 1617, Luís Kandjimbu,
um proeminente cosmopolita filho da terra e radicado em Luanda, depois de uns
anos dedicados à diplomacia na Europa, fez questão de regressar para apresentar
e autografar o seu livro de crónicas intitulado "Acasos e Melomanias
Urbanas", que mescla cenas reais e cenas ficcionadas.
É a mais recente obra do autor, publicada sob chancela da
Acácias Editora, coleccção Troncos da Literatura. As crónicas narram vivências nostálgicas,
tendo a boemia como pano de fundo e colocam duas artes em diálogo, sendo a
literatura e a música popular urbana angolana nas décadas de 70 e 80 do século
20.
Certo assaltante, em pleno exercício de funções, pula o muro da residência de missionários na pacata vila da Catumbela, que tinha no seu quintal uma marcenaria com materiais e ferramentas valiosíssimos. A residência não tem guardas, ou porque os celibatários o dispensassem ou porque não tinham condições de o remunerar. Disso andava bem informado o profissional do roubo. A noite é de cacimbo, tudo o que pessoas normais podem querer é aconchegar-se bem fofinhos na mantinha. O gatuno até já faz contas do quanto irá ganhar. Para seu azar, um dos padres, sabe-se lá por que insónias, acorda e flagra o gatuno. Instantes depois, os demais residentes se juntam. O resto é amarrar o gatuno, palmatória preparada e tudo para aplicar um correctivo. "UM PONTO DE ORDEM!", exclama o ladrão, para a surpresa dos donos de casa. "SENHOR PADRE, É ASSIM: PRIMEIRO AINDA NÃO É BATER. ACONSELHEM!"
(Adaptaçao da cena contada pelo Hito Virgílio, amigo de adolescência, no bairro Santa Cruz, Lobito) | www.angodebates.blogspot.com
A escritora Rosa Santos colocou ontem à disposição do público amante da literatura “Palavras sentidas à madrugada”, título da sua obra de estreia. Inscrita nas comemorações dos 401 anos da cidade de Benguela, a cerimónia de lançamento teve lugar no Museu Nacional de Arqueologia, à praia Morena. O livro traz 48 páginas e reúne poemas, na sua maioria líricos e datados, que vão do ano 2000 a 2017. A apresentação formal da obra esteve a cargo do radialista e médico Aldemiro Cussivila.
Meu amigo enviou um e-mail contando o milagre dele, mas não das rosas, sim do carro. Vou repassar: «Pela primeira vez na minha vida, por curiosidade, na semana passada fui a uma reunião da tão criticada Igreja Universal para ver como é que aquilo era. O Pastor aproximou-se do lugar onde eu estava. Olhou-me fixamente e, apontando-me o dedo, disse “ajoelha-te, irmão!”. Ajoelhei-me, ele colocou então as mãos na minha cabeça e clamou em voz alta: “Você vai caminhar, irmão”. Eu respondi-lhe baixinho: “Mas não tenho nenhum problema de locomoção”. Ele nem ligou e continuou, agora gritando: “Irmão, você vai caminhar!!!”. Toda a Assembleia, com as mãos ao alto, começou a gritar e a chorar: Ele vai caminhar! Ele vai caminhar!!!” Mais uma vez, tentei explicar que não tinha nenhum problema com meus membros inferiores, mas foi em vão. Ele nem ouvia. Cada vez mais forte e com mais energia, ele repetiu: “Você vai caminhar!!!”, enquanto a Assembleia entrava em transe gritando ainda mais forte: “Irmão, você vai caminhar!!!”Sem saber o que fazer deixei-me ficar quieto até ao fim da sessão. Quando o acto acabou, deixei a Assembleia e, acreditem ou não, o pastor tinha razão: Tinham-me fanado o carro!!!...»