Edição angolana do livro de contos

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PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 22 de abril de 2018

Em linhas tortas (42)

Informações que chegam do escândalo no espaço da União dos Escritores Angolanos, sito no Largo das Escolas, em Luanda, remetem a um quadro deplorável. Nas últimas duas semanas, enluta a alma da mais alta agremiação dos escribas o caso do funcionário da área de protecção física (segurança) que foi morto durante a custódia policial, com inequívocos sinais de agressão, na sequência da detenção por presumível conivência (por omissão) no assalto a uma viatura durante um dos eventos festivos que o espaço acolhe para a sua rentabilização. No carro assaltado terá sido subtraída a placa eléctrica. Conta-se que a proprietária terá "mexido nos seus pauzinhos" e não tardou que o segurança em serviço fosse detido e levado à cadeia. Na ausência de um ponto de situação mais oficial, e porque também não tem a sensibilidade humana de aguardar por isso diante da gravidade do ocorrido, direi que, num primeiro instante, me invadem duas tristezas colossais. A primeira, é o facto de o secretário-geral da UEA não ter vindo imediatamente a público demarcar a nossa agremiação, o que contribui ainda mais para a onda de especulações e revolta. A outra tristeza não menos colossal, é ver denúncias que apontam a jurista e activista dos direitos humanos, Lúcia Silveira, como a proprietária da viatura que foi assaltada, portanto a queixosa (a quem presumivelmente o excesso de zelo buscou agradar). Espero que seja um equívoco. Conheci a jovem Lúcia (da Associação Justiça, Paz e Democracia - AJPD, que lutava pela melhoria das condições e por acesso judicial de cidadãos encarcerados) durante o Workshop sobre Advocacia e Coligação em Direitos Humanos, que se passou em Luanda em Junho do ano de 2001 e que foi orientado durante 13 dias por um perito de nome Ed Shurna, sob os auspícios da World Learning/USAID, seminário no qual estive como representante efundador da AJS-Associação Juvenil para a Solidariedade, ONG benguelense que esteve no embrião da então Coligação Ensino Gratuito, Já. Não pretendendo de maneira nenhuma condenar ninguém, só não deixa de ser preocupante que duas pessoas comprometidas com a dignidade humana, uma colectiva e outra singular, vejam seus nomes envolvidos neste trágico fim de um problema que podia ser resolvido de modo mais cívico possível, sendo de todo despropositada a violência que causou a morte do guarda. Como membro da UEA, tomo a liberdade de condenar esse método vil de combater o crime com outro crime hediondo, tenha sido praticado pela polícia ou por prisioneiros, como também há quem coloque tal hipótese, embora pouco viável. Que se esclareça o mais rápido possível e se faça justiça! Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com | Daniel Gociante Patissa | Catumbela, 22.04.2018

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