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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Ndaka Yo Wiñi considera cantar na Expo-Milão "um privilégio e responsabilidade"


(Texto: Gociante Patissa. Foto cedida pelo músico)

Ndaka Yo Wiñi integra a delegação de artistas que parte nas próximas horas para animar o Pavilhão de Angola na Expo-Milão 2015, Itália, onde o nosso país procura dar visibilidade, no plano do intercâmbio internacional, às suas potencialidades económicas, tecnológicas e culturais. A Expo decorre entre 1 de Maio e 31 de Outubro.

Na noite de 25 de Maio, Ndaka e a sua banda terão 20 minutos de palco. Seguir-se-á outro gigante cosmopolita na tradição oral e musical africana do grupo étnico Cokwe, Gabriel Tchiema, para uma hora de espectáculo. O programa dos festejos da Semana de África, de 22 a 28 de Maio, inclui ainda a Orquestra Kaposoca e o grupo de dança Kina KuMoxi (em Kimbundu, dançar juntos).

Ndaka, que em 2012 teve na Bienal de São Tomé e Príncipe a sua primeira internacionalização, contou ao Blog Angodebates o que para a sua carreira representa a presença na Expo Milão 2015. "Esta oportunidade representa um enorme privilégio, responsabilidade e força de seguir em frente com o meu trabalho e cumprir com zelo a missão cultural", sublinhou o músico.

O repertório serve de antecâmara ao álbum “Olukwembo", que o jovem tem na forja, sempre visando divulgar ritmos tradicionais africanos, através da sua fusão com outros mais contemporâneos e comerciais. A título de exemplo,"Pasuka", que na língua Umbundu quer dizer "acorda", funde kilapanga com soul jazz, enquanto "Sandombwa", o noivo também em Umbundu, casa a masemba com a rebita. Segundo o artista, o álbum está sendo gravado em Angola, França, Portugal e Senegal.

Com algumas aparições em programas televisivos (embora sem videoclips) e presença em casas nocturnas intimistas, Adriano Xavier Docas, que traduz a sua missão no cognome Ndaka Yo Wiñi (em Umbundu, A Voz do Povo), nasceu em 1981 no Lobito, província de Benguela. A residir em Luanda há quatro anos, procura tirar proveito das experiências que a vida lhe proporcionou nas províncias do Huambo e Cabinda, com passagens pelo canto tradicional rural, canto religioso e algum RAP na adolescência.

"Os meus avôs maternos eram percussionistas e bailarinos tradicionais e mestres de cerimónia de toda a comuna do Kwima, isto no Huambo, suas origens. Em 1988 fui residir no mato onde apreciava todas cerimónias e frequentava o pasto e a lavra, vendo a minha gente entoar canções de consolo", conta Ndaka Yo Wiñi.

Não lhe faltando exemplos de consistência, tais como Gabriel Tchiema, Jacinto Tchipa, Sabino Henda, Duo Canhoto, entre outros, Ndaka Yo Wiñi é cultor de um segmento musical acústico relegado para segundo plano pelas tendências do nosso mercado, que prefere antes o electrónico, o conteúdo oco e a redundante lei do menor esforço.

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