PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

terça-feira, 26 de maio de 2015

Crónica | Quando falta protecção ao protector

Ao ouvir as palavras da directora da Rádio Mais na província do Huambo, que falava à reportagem da TV Zimbo a propósito da invasão e consequente vandalização, em plena luz do dia, dos meios de trabalho da Redacção da também conhecida "Rádio da Nova Angola", ficou-me a ligeira impressão de que a causa profunda teve a ver com a (in)definição das tarefas de um protector físico. A senhora disse mais ou menos – e cito de memória – que o guarda estava a fazer um outro trabalho na casa ao lado, momento aproveitado pelo invasor para levar a cabo os seus intentos.

Ora, o previsível seria ouvir que se devesse a uma eventual negligência do protector físico do edifício, o famoso “abandono do posto”. Mas parece que não. Sendo certo que para uma melhor leitura do quadro, só estando no terreno, é inevitável entretanto inferir que neste “estar a fazer um trabalho ali ao lado”, fica-se com a clara ideia de ter sido dada ao guarda uma tarefa muito provavelmente secundária ao seu verdadeiro papel.

É uma hipótese que sugere voltarmos à sociológica necessidade de repensar o país em geral quanto ao estado do exercício da segurança privada patrimonial, actividade que é tão-somente tida como complemento do policiamento na segurança pública.

Foi no ano passado, se estou bem recordado, que uma reportagem bem conseguida da Rádio Benguela despertou a atenção da sociedade para as precárias condições dos seguranças, que passam muitas horas em pé, alimentam-se em horários irregulares e muitas vezes sem acesso a casas de banho para as suas necessidades fisiológicas. "Protector", "efectivo", "operativo", "maior", "segurança", "ango-segu", "guarda", a lista de títulos destes pára-militares do sector privado é interminável. A sua tarefa é que não é, contudo, das mais bem definidas.

O que se assiste na maioria dos casos, com maior incidência para residências, é que são eles que cuidam de ligar o gerador quando a energia geral falha, retiram do carro a botija de gás, o saco de carvão, hortaliças e demais compras quando o patrão chega, abrem e fecham o portão 24 horas por dia. Afinal é para serem guardas ou empregados domésticos? Por um lado, os excessos do cliente, que os vê como “pau” para toda e qualquer obra enquanto, por outro lado, enfrentam as parcas condições de trabalho, onde os turnos são prolongados por mais de um dia, de vez em quando, em função do défice de recursos humanos.

Boa parte deles ex-militares desmobilizados, outros nem tanto, deixam as suas casas para o trabalho, que é suposto oferecer guarnição, geralmente a imóveis, sejam residências ou instituições. São pagos (geralmente muito abaixo do que mereceriam) para assegurar a integridade física do posto em que são colocados, não se isentando de ressarcir o que se der por desaparecido durante o turno.

Não seria já altura mais do que certa para se pensar em algum tipo de sindicato ou associação socioprofissional? Bom dia!
Gociante Patissa, Aeroporto Internacional da Katombela, 26.05.15

Sem comentários: