PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Diário| Muito mais do que a flexibilidade dos nossos quadris

Uma revista luandense (citada pelo programa Dia-a-Dia, da TPA, hoje) destaca a afirmação de mais um caso de internacionalização de talentos angolanos, desta feita a jovem modelo de 19 anos que atende pelo nome de Amilna, a brilhar nos tapetes vermelhos de Nova York, que é como se sabe uma importante montra para quem sonha realizar-se no mundo da moda. Viva!, diria eu, não fosse a já previsível recorrência. Mas não nos podemos destacar por mais uma outra coisa, algo diferente digo, ali pelos States (a excepção de um cineasta ligado a Hollywood, salvo erro)? Os "nossos" irmãos "langas" (República Democrática do Congo), a quem o nosso populismo tanta troça faz, têm nos EUA professores universitários, para não falar de Lokua Kanza, a estrela mais cosmopolita da música africana, que tanto projecta os traços identitários do seu povo na “world music”. E já agora, esta tão celebrada expansão da kizomba, a nossa dança sensual, não podia abrir portas para vendermos outras manifestações intelectuais que não tenham necessariamente a ver com o talento que temos em abanar os quadris? Se calhar dava para alargar o campo do lobby (que apadrinha o ku-duro, as novelas e outras coisas mais "rosadas") e exportar a nossa literatura traduzida para inglês, mesmo até aproveitando a nossa comunidade estudantil lá, ou não? De repente iríamos a tempo de mostrar “à África e o mundo” - como diria o velho jargão - que somos muito mais do que aquilo que a flexibilidade das nossas cinturas revela.
Gociante Patissa, Benguela, 27.02.15

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