segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
sábado, 11 de fevereiro de 2017
Opinião | MENOS INTRANSIGÊNCIA JURÍDICA, “CAMARADA VICE-PRESIDENTE”!
Cresci a ver a azáfama do pai à hora dos
noticiários das 13h00 e 20h00 respectivamente. Numa Angola dilacerada pela guerra civil, o partido/estado/governo fazia questão de garantir um pequeno "rádio de funções" em AM e MW
aos governantes de base.
Podiam-lhes faltar confortos destes que
hoje se assistem, podiam circular no exercício da administração comunal sobre a
carroça de um tractor agrícola, mas nunca sem o cabaz de um radito a pilhas
para acompanhar as orientações directoras centralmente emanadas e,
principalmente, as nomeações e exonerações. De sorte que alguns nomes passaram
a fazer parte do processo do enriquecimento da nossa cultura geral. Porque até a massa elegível não era assim muito variável. Saía-se quando
muito de um posto para outro, ou regressar de um “defeso”, e só muito raramente
brotavam surpresas da real base (mas era mister manter aceso o facho da aspiração).
Às vezes víamos o pai saltitar de
alegria pela nomeação de quadros da sua lista de modelos patrióticos. Chegou
mesmo ao ponto (hoje vejo como infeliz) de atribuir a um filho o nome de um
certo governante benguelense (e creio que professor na Escola Provincial do
Partido, entre 1986-1989), nome de pronúncia tónica que se confundia entre o gaulês
e o cabo-verdiano (nunca soubemos o significado). Vivia-se o pico do comunismo
e a renegação da herança cristã do seu pai catequista e preso político de São
Nicolau.
Em resumo, admirávamos, como à bandeira
e ao hino, os governantes e os combatentes da nação. E foi pois com elevada
desilusão que nestes últimos cinco anos vimos um camarada Bornito de Sousa, um
patriota e combatente, de repente argumentar, nas vestes de Ministro da Administração
do Território, uma lógica contrária à rotura ideológica por que sempre se lutou
e nos “independentamos” como país.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
Citação
O ku-duro é [apenas] uma música electrónica;
não tem nada nosso, não tem nada da nossa identidade. Quando falamos que o
ku-duro está a internacionalizar-se, isto, é uma fantochada. Não é verdade.
Porque o ku-duro, hoje e do jeito que está a ser feito, o que é que tem para
dar?! (...) Vamos perguntar: 'no ku-duro, qual é a música que saiu e está na
ribalta'. Nenhuma! É tudo música descartável, ao contrário por exemplo do semba
de um Carlos Burity, que tem sustentabilidade. (Victor Almeida, in Revista Musical. TPA,
10.02.2017)
Utilidade pública | TOYOTA DE ANGOLA NO LOBITO ENCERRADA PARA DAR LUGAR A UM AGENTE REVENDEDOR
A fazer fé nas informações da senhora que atende a um dos terminais disponíveis para esclarecimentos pós-encerramento da Toyota de Angola no Lobito, o quadro de crise financeira esteve na base da falência, na medida em que vinham registando uma cada vez menor entrada de clientes, inviabilizando deste modo a manutenção do negócio e as despesas com a mão-de-obra.
Entretanto, a actividade de venda de automóveis e de peças, bem como a assistência técnica, serão continuadas, a partir do mês de Abril, por um agente nas mesmas instalações, sitas no bairro da Canata, ao lado dos Bombeiros.
Não está para já claro se os preços a serem praticados andarão pelos padrões da "defunta" Toyota de Angola, que decidiu salvaguardar apenas a sua sede central em Luanda.
O encerramento da instituição, que apanhou desprevenido meio-mundo, é formalizado por um comunicado datado de 1 de Fevereiro, estampado na vidraça e que dispõe de contactos telefónicos para orientação de quem tem documentação pendente ou desconheça uma certa loja revendedora de seus produtos, localizada na cidade de Benguela.
O que é facto é que sai em grande medida prejudicada, nos termos da cobertura de garantia, muita gente que, por gosto ou em função da credibilidade, um dia apostou a sua suada poupança para adquirir um zerinho da secular marca japonesa. Chega-se a uma tal leitura dada a evidência de quão louco seria, para residentes de Benguela, galgar os cerca de mil e 200 quilómetros de ida-e-volta a que estariam sujeitos para ver o carro assistido na capital do país.
Até lá, uma palavrinha das instituições vocacionadas na defesa do consumidor viria mesmo a propósito. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa, 10.02.2017
www.angodebates.blogspot.com
Entretanto, a actividade de venda de automóveis e de peças, bem como a assistência técnica, serão continuadas, a partir do mês de Abril, por um agente nas mesmas instalações, sitas no bairro da Canata, ao lado dos Bombeiros.
Não está para já claro se os preços a serem praticados andarão pelos padrões da "defunta" Toyota de Angola, que decidiu salvaguardar apenas a sua sede central em Luanda.
O encerramento da instituição, que apanhou desprevenido meio-mundo, é formalizado por um comunicado datado de 1 de Fevereiro, estampado na vidraça e que dispõe de contactos telefónicos para orientação de quem tem documentação pendente ou desconheça uma certa loja revendedora de seus produtos, localizada na cidade de Benguela.
O que é facto é que sai em grande medida prejudicada, nos termos da cobertura de garantia, muita gente que, por gosto ou em função da credibilidade, um dia apostou a sua suada poupança para adquirir um zerinho da secular marca japonesa. Chega-se a uma tal leitura dada a evidência de quão louco seria, para residentes de Benguela, galgar os cerca de mil e 200 quilómetros de ida-e-volta a que estariam sujeitos para ver o carro assistido na capital do país.
Até lá, uma palavrinha das instituições vocacionadas na defesa do consumidor viria mesmo a propósito. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa, 10.02.2017
www.angodebates.blogspot.com
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Crónica | Só pode ser conspiração contra o meu mestrado em ciências tentadas
Estava
calmo e quê e tal no horário do patrão, sem chatear ninguém, sua excelência eu renascido de três dias de licença médica. De repente, sem avisar nem nada, só
ouviu já no telefone - prrrrriiimmmm!!! - Olha assim, é mensagem. Faz favor,
que não seja notícia de óbito nem doença. Leio ou não leio? Vou só já ler, lá
preferiu sua excelência, doses limitadas de coragem em cena.
E o conteúdo então? É porque, ah
"Boa tarde, a Cespu-Angola informa a todos os alunos que a apresentação do
curso de Finanças e G.E.R.Humanos vai ser realizado no dia 17/02/2017 pelas
19h00 sexta feira nas nossas instalações." Como assim?! Mas não pode!!!
Exclamou veementemente sua excelência eu, digo no coração só. Na boca, tipo
assim dar berro, para dizer a verdade, não se ouviu nada. Sua excelência já nem
se lembrava mais até.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Humor | Dia de São Valentim
Marido: Querida, eu estou indo para 3 dias de conferência de
trabalho
Esposa: OKey, mas
vamos entregar sua jornada nas mãos de Deus em oração.
Marido: está
bem, vamos orar.
Esposa: Deus
conceda meu marido uma grande jornada laboral
Marido:
muito alto Ameeeeeeeen.!
Esposa: Não
conceda sua ereção masculina se ele tentar cometer adultério.
Marido:
calado
Esposa: Não
deixe que ele retorne em segurança se ele conseguir ter casos extra-conjugais
com outras senhoras.
Marido: .......
suando
Esposa: Na
verdade, Espírito Santo, mate-o se ele cometer ...
Marido:
Ohhhhhh! cale-se, está certo, eu não vou mais; porque o Espírito Santo me
disse em espírito que a conferência foi cancelada.
(Recebido sem
assinatura de autor)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Procura-se | Alguém que possa adquirir por mim em luanda?
Fiquei
a saber que afinal ainda se pode encontrar no Kero Gika, em Luanda, à venda o
meu segundo livro de contos, FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA
DÚVIDAS. Como não encontra vassoura para uma ida e volta a Luanda sem gastar
kumbús, então vem sua excelência eu pedir por obséquio que uma alma entre
conhecidos e amigos se digne mui respeitosamente autorizar-se a si própria no
sentido de ir adquirir uns cinco exemplares. A modalidade de envio e de
reembolso do capital (neste caso 2 mil e 500 kwanzas, na razão de quinhentos
por exemplar) será tratada a posteriori.
O sumido livro saiu pelo Programa Ler Angola, do Grecima, em 2014
Será que a pessoa também não pode só pedir lá
um pouco muito? É mal?
Ainda era só isso. Obrigado.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Divagações | Variáveis da reconciliação nacional vista pela teoria da comunicação
Não,
vale já esclarecer em função do título, não se trata de nenhum extracto de
livro de epistemologia em ciências da comunicação. Estas linhas breves procuram
apenas dar eco a uma abordagem profunda e singela feita por um cidadão
moçambicano, por sinal uma referência no ramo do teatro, quando instado a se
pronunciar sobre o papel da arte ou a visão do artista em relação à
reconciliação nacional, longa entrevista emitida pelo canal moçambicano STV Notícias.
Puxando do seu fértil raciocínio, aquele artista elevou a coisa a um patamar
que subtilmente chama à responsabilidade de outro sector crucial e transversal.
Mais palavra, menos palavra, citamos de memória o que disse o interlocutor: É
uma grande hipocrisia a forma como se fala da reconciliação nacional. A
reconciliação nacional não é o aperto de mãos e, pronto, estamos reconciliados.
A reconciliação nacional é tu me chamares para a tua estação televisiva, dar-me
espaço para entrevista, mas também vermos a intenção da tua pergunta ou o que
quero atingir com a minha resposta. Portanto, disse o homem, se não se vir bem
o sentido de integridade, passa a ser manipulação. Ainda
era só isso. Obrigado.
Divagações | À espera que os movimentos associativos literários façam o impossível
A história do panorama intelectual angolano
está mais ou menos rica de episódios de criação de associações e/ou movimentos
literários, caracterizados pelo legítimo entusiasmo juvenil. O carisma, o bicho
do talento, a fome do estrelato e também algum seguidismo engrossam a argamassa
da utopia (da qual nunca devíamos abrir mão). Os movimentos do pós-independência,
até melhor opinião, diríamos que são movidos pelo combustível da luta contra a exclusão
perpetrada por segmentos elitistas, o que até a geração de 1980 enfrentou para
ser aceite na União dos Escritores Angolanos, que obviamente era um clube de um
punhado de privilegiados. Porque a união faz a força, chega-se ao entendimento
de que de braços dados com a socialização, as declamações com alguma vaidade excessiva
à mistura, publicações periódicas, e acima de tudo com a institucionalização,
se chega ao reconhecimento do potencial de cada um. E os ciclos repetem-se.
Criam-se grupos, surgem roturas por incompatibilidade de temperamento ou por
causa da não renovação de mandatos ou por isto e aquilo. O exemplo mais
emblemático é o da idosa Brigada Jovem de Literatura, cuja direcção em média
etária anda pelas 45 velas apagadas e talvez já não se recorde do ano em que
chegou ao poder, que se calcula ter sido sob promessa de uma próxima assembleia
ao fim dos anos que o estatuto prevê. Mais para cá, às vezes dou por mim a ser
contactado por jovens que pedem ajuda para influenciar a sua entrada a um
determinado movimento e/ou associação literária porque querem, imaginem, ser
escritores. Como quem não chegou a pertencer a movimentos literários, o grande
receio é se não se estará eventualmente à espera de suculentos milagres. É que
para além da oportunidade de um crescimento conjunto, não creio que os
movimentos/associações produzam escritores como tal, actividade que aliás é
algo bastante individual e exige talento, experiência de vida, domínio rigoroso
da língua em que se escreve, isolamento investigativo e criativo. E ancorados no
benefício da dúvida, estaremos aqui para ver quantos escritores emergirão com
potencial e consistência nos próximos quinze anos dos movimentos (pertinentes,
naturalmente) mais notórios e mediáticos por Luanda, Huila e Benguela. Até lá,
ficam eventuais desculpas a quem se sentir injustiçado por estas linhas
dominicais. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante
Patissa. Benguela, 5 Fev 2017
sábado, 4 de fevereiro de 2017
Humor | Caranguejos angolanos
Um pescador de caranguejos nunca tapa o balde em que vai colocando os
caranguejos que apanha.
Isto admira toda a gente à sua volta.
Alguém lhe pergunta um dia:
"Porque não tapas o balde em que tens os caranguejos? Não tens medo
que fujam?"
Ao que o pescador calmamente responde:
"Não é preciso. São caranguejos angolanos: quando um tenta subir,
os outros imediatamente o puxam para baixo!"
(De autor desconhecido) www.angodebates.blogspot.com
(De autor desconhecido) www.angodebates.blogspot.com
Crónica | Abandonados pelas representantes de automóveis, só nos resta pensar em camelos
Ainda
indaguei se tinha ideia de onde ir para a aquisição das peças necessárias a
cada cinco mil quilómetros de revisão. Serenamente, como só os mais experientes
sabem fazer para desenganar cidadãos ingénuos, respondeu:
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Denúncia | PARASITISMO DO PORTAL "ANGOLA-CONNECTION"
Caríssimos
gestores do portal Angola-Connection http://angola-connection.net/
Gostaria de me dirigir a vós num ambiente alegre enquanto
parceiros, mas venho mesmo é manifestar o meu desagrado pela sistemática
recuperação de textos que publico no meu Blog Angola, Debates & Ideias http://angodebates.blogspot.com/,
os quais vocÊs retomam sem fazer referência a isso. Como devem imaginar, ao só
dizerem o nome do autor, fica a impressão de que sou um funcionário vosso, quando na verdade o
único veículo que sirvo é o meu próprio Blog.
Gostaria deste modo de contar com a vossa colaboração no sentido
de, ou indicar o link da matéria original, ou pararem imediatamente de publicar
textos meus.
Com os melhores cumprimentos
Gociante Patissa
Caixa Postal (P.O. Box) 393 - Benguela, República de Angola
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Revelando segredos | Sabino Nunda Casaco, um desconhecido que deu vida à AJS (ONG)
![]() |
| Sabino Nunda Casaco (facebook) |
A história das
instituições, a partir do momento em que estas saltam da esfera do sonho para a
materialização, legitima várias perspectivas. E como só podia ser de uma
ingenuidade gigante esperar que exista apenas uma versão de registar a
trajectória e o impacto junto da sociedade, que é em fim último o beneficiário
do altruísmo, a história da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade) é
passível de ser colhida pela perspectiva dos protagonistas, pela das
testemunhas, pela dos continuadores, pela das vítimas (aqui um lamentável fruto
de umas e outras escolhas).
Neste apontamento
ressalta-se outra perspectiva muito valiosa que não se encontra em actas de
reuniões, na glória dos relatórios de projectos implementados e ainda menos na
beleza dos dólares ao bolso. Falo de parceiros desinteressados que se mantêm
anónimos, aqueles que na primeira hora abraçaram o que para muito boa gente
roçava o lunático. Um destes é Sabino Nunda Casaco. A AJS é faísca do sector da
sociedade civil, Organização Não Governamental de âmbito local, nascida do
inconformismo de estudantes do ensino médio (tinha 21 anos o fundador), num
quadro complexo de guerra civil e carência urbana de vária ordem.













