Fonte: BBC Brasilsexta-feira, 19 de outubro de 2007
Lucky Dube, gigante do reggae, assassinado na Africa do Sul
Fonte: BBC Brasilquinta-feira, 4 de outubro de 2007
DIRECTOR DO «SEMANÁRIO ANGOLENSE» CONDENADO A OITO MESES DE PRISÃO EFECTIVA
O director do semanário Angolense, Graça Campos, foi condenado esta quarta-feira pelo Tribunal Provincial de Luanda, a oito meses de prisão efectiva, por crime de difamação e calúnia contra o antigo ministro da Justiça, Paulo Tchipilica. O actual Provedor de Justiça teria se sentido velipendiado na sua honra, na sequência de uma matéria publicada no «Semanário Angolense» sobre desconfiscos de bens imobiliários, tendo intentado uma acção judicial contra Graça Campos.
O jornal dizia que Paulo Tchiplica, enquanto ministro da Justiça, teria favorecido cidadãos portugueses no sentido de reaverem bens imobiliários que o Governo angolano havia confiscado no periódo pós-independência. A matéria em causa trazia como título, «Se este homem não for travado vai vender todo o país».
Tanto quanto se sabe, Graça Campo foi julgado à revelia, tendo comparecido ao Tribunal apenas hoje, dia da leitura da sentença. O seu advogado, Paulo Rangel, justifica que não houve uma comunicação eficiente entre o tribunal e o jornalista agora condenado, situação que impediu a recepção das convocatórias daquele órgão de justiça em tempo oportuno.
Paulo Rangel acrescentou que ainda tentou impor recurso com efeito suspensivo, mas o juíz da causa, Pedro Viana, rejeitou categoricamente o pedido. «O tribunal não o notificou convenientemente. Uma vez o notificou, mas ele não se encontrava no país, da outra vez foi notificado através de advogados indicados pela Ordem, que não lhe contactaram. Houve problemas de comunicação, mas ainda assim, o juiz avançou com o julgamento. E o que é caricato é o facto de ele ter sido condenado a uma pena de oito meses.
Quando nós nos apercebemos pedimos o adiamento da audiência ou a repetição do julgamento, o juiz não aceitou. Leu a sentença, fixou uma pena de oito meses e, sendo pena correccional, podia ter suspendido a execução da pena e aceitar a caução. Até porque no fim, eu como advogado, interpus recurso com efeito suspensivo e ele não aceitou e mandou o homem recolher à cadeia, o que é uma aberração de todo o tamanho. E quando eu o interpelei depois, disse que o julgamento correu à revia e a pena já constava na sentença».
Paulo Rangel anunciou que vai dar entrada amanhã, no Tribunal Supremo, de um recurso sobre admissão de recurso, ou seja como não foi admitido o recurso da defesa, esta fará uma reclamação pela forma como o juíz conduziu o processo.
«Também devo dizer que o ofendido é o doutor Paulo Tchipilica e que o próprio Tribunal não o tratava como um cidadão normal, mas como provedor, quando se sabe que ele não compareceu ao Tribunal nas vestes de provedor, nem de ex-ministro da justiça. Ele esteve lá como cidadão e não devia ser tratado de forma tão protocolar. Era senhor provedor para aqui, senhor provedor para ali. Portanto, Graça Campos partiu logo com estas de vantagens todas. Os advogados não sabiam de nada por falta de comunicação e eu próprio só fui lá para a leitura da sentença».
O director do «Semanário Angolense» foi encaminhado hoje mesmo para a cadeia central de Viana, onde se vai juntar a outros ilustres prisioneiros como o general Fernando Garcia Miala, ex-chefe dos serviços secretos angolanos e outros antigos responsáveis que foram recentemente condenados e encontram-se a cumprir pena no mesmo estabelecimento prisional.
Texto: http://www.multipress.info/ver.cfm?m_id=23638
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
“A senhora vai engravidar hoje mesmo”, garante pastor... Quando a fé caminha para publicidade enganosa
Já não sendo a rádio a via mais aconselhável para consultas a esse nível, no seu característico sotaque brasileiro, o pastor nem sequer procurou saber de eventuais antecedentes de problemas de saúde, se a mulher está no período fértil e muito menos se o marido está presente. Será que a fé do pastor é determinante para o surgimento de uma gravidez na data em que ele, o pastor, pretende?
Pouco tempo depois, liga uma menina do Lobito cuja mãe andará com as pernas inflamadas há uma semana. Sem se dar conta, o megalómano das soluções instantâneas incentiva a violência: «Lançaram mau olhar sobre ela, alguém que quer tirar vida à sua mãe. A tendência é derrubar a sua mãe e atingir os filhos. Compareça na nossa Catedral da Fé, junto à identificação, no Lobito, a partir das 17 horas».
“Será que este pastor estudou?”, reage indignado um estudante do Instituto Industrial que vinha no Hiace do Lobito. “Tira esse boateiro!”, exigiam os demais passageiros, cujo pedido entretanto é chumbado por outros que, ou gostavam da mensagem, ou viam nela uma anedota “agradável” para começar o dia.
sábado, 22 de setembro de 2007
AUTOESTIMA OU ALIENAÇÃO DO POBRE ANGOLANO?
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Galinha-do-mato e batuque foram ao palco
O Cine Imperium, situado na zona da Restinga, na cidade do Lobito, foi palco de duas peças teatrais, “Galinha-do-mato” e “O batuque”, exibidas nos dias 28 e 29/07 respectivamente pela Companhia Oásis. As peças da autoria do professor Africano Cangombe proporcionaram aos citadinos um fim-de-semana culturalmente rico. Casa cheia e calorosos aplausos serviram para manifestar a aproximação entre o público e a arte cénica.A peça galinha-do-mato retrata a encarnação de um feiticeiro na pessoa do jovem Firmino, como maldição por cometer incesto com a galinha do primeiro. Já no batuque, a cena é em torno da turbulência social depois de um jovem da aldeia ter oferecido a um forasteiro o seu batuque, de si uma herança de grande valor tradicional.
Ouvido pelo Boletim “A Voz do Olho”, o actor e assistente de encenação, Adão de oliveira Rolf, revelou que a mensagem da peça galinha do mato “é de que não nos podemos apegar nas superstições”, enquanto que “ao falar do batuque estaríamos a falar da nossa identidade cultural angolana, que há bastante tempo está perdida”.
Rolf vê nos jovens a franja mais vulnerável. “A nossa juventude, hoje, se lhe falar por exemplo da cultura angolana, se lhe deres um conselho ‘você não se deve vestir assim, porque estas vestes não têm nada a ver connosco’ é capaz de dizer ‘épa, você está atrasado’. E não é por aí! – aconselha – Nós devemos preservar acima de tudo as nossas culturas, as nossas tradições”, rematou.
A satisfação era natural para o promotor do espectáculo e também responsável do Colectivo Tony Artes, António Pedro “Ratinho”. O objectivo do grupo “é fazer do Lobito palco nacional do teatro. E já estamos num bom caminho!”, desafiou.
(Fonte: Boletim "A Voz do lho, Edição Nº 6, Julho/2007)
Língua suja mancha crescimento do teatro
Não é preciso ser perito para perceber que no afã de arrancar gargalhadas da plateia, os actores parecem aproveitar-se da tendência do público vibrar mais quando propositadamente se erra na pronúncia das palavras, se usa palavrões ou se abusa no uso de gestos obscenos.
Cai-se então no imediatismo oportunista, comprometendo-se desta forma toda uma necessidade de inculcar em próximas gerações a cultura do teatro. E é aí onde seguramente se está a pecar. Que impressão é que queremos semear? De que o teatro feito em Angola é “palhaçada”, tal como o considerou em Portugal o actor Orlando Sérgio, o “Moisés”, do “Conversas no Quintal?”
Será que não se leva em conta que os apelos dos artistas por via da imprensa fazem alguns encarregados levar filhos a cultivarem o gosto por teatro? Colocou-se a questão no final da peça ao actor do Oásis e assistente de encenação, Adão de oliveira “Rolf”. “O teatro é o contraste da vida e tal como ele é, – defendeu – nós nos preocupamos muito seriamente com as técnicas que ele exige; não estamos muito preocupados com os palavrões, porque, até certo ponto, esses palavrões fazem parte do dia a dia. E eles só surgem para enriquecer, até certo ponto, uma determinada cena”.
Não seria arte obviamente se ocultasse os disparates ditos no dia a dia. Mas usá-los para “enriquecer”!? E o nosso entrevistado contradiz-se, quando de seguida afirma que “os palavrões não fazem parte da cena”, mas que estes dependem da “liberdade artística” do actor, embalado na emoção do personagem. “Mas nós também estamos preocupados com isso. Por exemplo na peça de amanhã não poderá haver palavrões”, dizia.
Também questionado pelo AV-O enquanto promotor do espectáculo e falando como professor, António Pedro “Ratinho” advogou que o uso de palavrões não é bem próprio das artes cénicas, não sendo também algo de ruim. E argumenta: “Nós somos artistas e a nossa é uma arte viva. O teatro é uma ilusão de naturalidade, de acordo com a época e a personagem a representar. E uma vez que é o teatro como se fosse um flash do dia a dia, nem sempre estamos em condições de ocultar os factos.
Até se poderia levantar como argumento o facto de acontecer de noite, conquanto em condições normais já as crianças estariam a dormir. Mas seria ainda assim um falso argumento.
Afinal, o crescimento do teatro angolano é um processo que hoje lança as bases, com o crescente surgimento de grupos e palcos. Enquanto coisa “nova” é ainda maior a responsabilidade educativa do artista, na medida em que não há limites de idade para massa assistente. (Fonte: Boletim "A Voz do lho, Julho/2007)
Pensar como zungueira
Manhã de sol envergonhado, na periferia. Poucos meses faltam para o fim d’ano, numa altura em que o inverno dá lugar ao verão. De todos os cantos cresce o frenesim por um dia longo pela frente, em matérias de ganha-pão. Três mulheres distanciam-se cada vez mais da sanzala numa direcção ainda difícil de adivinhar para o observador por quem passam. “Bom dia, mano!”, saúdam as três mulheres, como mandam os bons costumes.Uma delas leva às costas um bebé, que, tal como o observador, ignora positivamente se o passo semi-apressado é para findar apenas na paragem de Hiaces e autocarros, a dezena de metros, ou se a meta provisória é a estação de Comboio, a um quilómetro. Seja como for, o que é certo mesmo é que o mediático "Afrobsaquete" passa bem a leste das suas preocupações.
Vão na casa dos 24 anos em média, isso dependendo do ângulo de observação. O timbre de voz denuncia uma juventude corrompida por uma velhice existencial, enquanto suas vestes denunciam a coabitação entre a idade cronológica e a responsabilidade social no contexto peri-urbano. Ou seja, muitas vezes, não se é adulto só pelo número de vezes que se “viveu” o natal, mas, isso sim, a partir de quando se deu à luz. Não importa se em casa dos pais ou em “beco” próprio.
“Zungueira ou lavador de carros, não é de se ter vergonha”, o pensamento da música conjunta dos grupos de RAP angolano SSP e Afroman, na música “O vencedor”, é posto à prova:
– Zungueira te sustenta, diz uma.
– Mulher Kunanga é prejudicial, denuncia a segunda.
– Ele é burro, não sabe que enquanto sai, a mulher dele entra com outro homem em casa! – condena a terceira, trazendo à luz o motivo da conversa.
– Ele não sabe. Pensa que Zungueira é mulher qualquer – dizia s segunda.
– Uma mulher é aquela que não se deixa!
Pois, carrega as lamentações das crianças, as quais deverá aturar até à hora da novela, depois da qual virá a ordem do companheiro que “já quer fazer”, sem se lembrar que a esposa não teve tempo sequer de tomar um banho e preparar a mente para mais um exercício sagrado, muito menos se está no período fértil ou não. “Em minha mulher mando eu”, pensará com machismo o ignorante.
Gociante Patissa, Agosto 2007
sábado, 11 de agosto de 2007
Morreu o músico Viñi, Viñi
Viñi, Viñi nasceu na província do Huambo, tendo-se notabilizado na arena musical ainda na década de oitenta com a sua participação em diversos concursos, entre os quais o da melhor canção política no tempo do monoipartidarismo. "A morte de um Herói", que dedicou ao guerrilheiro Apolinário, foi uma pérola do acervo musical do finado artista. Sua trajectória conta com três CD's publicados.
Viñi, Viñi foi um cantor "do povo", habituado a "acasalar" a harmonia melódica com uma letra sempre retratando o quotidiano da maioria dos angolanos. Na música "Trititi, não chores mais", por exemplo, retrata um pai que esgotado de recursos e palavras de consolo ante o seu filho que clamava por um pão a dada altura se ouve "Ukalile vali, ota, nadaka. Não chores mais, porque o papá não tem pão para te dar".
Qualquer isenção é falsa quando se está perante a morte de músicos e artistas tão comprometidos com a causa do povo, e, embora não siginifique muito, esse vosso escriba rende aqui parte da sua profunda dor. O país, a cultura e o Huambo perderam um verdadeiro músico e Heroi.
Gociante Patissa
terça-feira, 26 de junho de 2007
Uma mulher fala aos chefes da África

A carta de Elisa
(In: Boletim "A Voz do Olho", Projecto informativo, educativo e Cultural da AJS www.ajslobito.blogspot.com)
Elisa Kidané é uma mulher etiópica. O amor pelo seu continente levou-a a escrever esta carta aos chefes de África.
Caríssimos governantes dos 54 Estados de África e Chefes de Vários grupos de Oposição,
Queria nomear-vos um por um, mas devido à vossa instabilidade, poderia acontecer que, ao chegar esta minha carta, alguns de vocês se encontrassem já presos, destituídos, ou até mortos e… enterrados.
Limito-me, portanto, a generalizar, visto que a linguagem militar é o vosso forte.
Sou uma mulher africana. Não tenho habilitações literárias nem segurança económica. Sou uma mulher do povo. Chega. Escrevo-vos só porque amo a África.
Amo a África de hoje, aquela que vós sois chamados a guiar.
Amo esta África oprimida e martirizada.
Amo esta África nobre e orgulhosa.
Amo esta África à qual fecharam a boca para se não ouvir o seu grito de dor e assim, sem escrúpulo, explorar as suas riquezas naturais… ordenhá-la até à última gota como se fosse vaca, enquanto que desde sempre foi e será uma leoa, apesar de estar ferida de morte. Amo esta África, à qual se dão ordens de Moscovo, Washington, Roma… como se fosse incapaz de pensar por si própria, ao passo que a sua sabedoria é antiga e proverbial.
Amo esta África, à qual se arrancam as suas matérias-primas para depois descarregar-lhe em cima contentores de alimentos… como sinal de solidariedade.
Amo e choro por esta minha África. Por isso, vos escrevo.
Governantes, irmãos mais velhos, hoje cabe a vós a tarefa de romper com o jugo da miséria, da violência institucionalizada que esmaga milhões de africanos. Cabe a vós os promotores de uma economia e indústrias africanas. Sois vós que quereis apoiar e favorecer a expansão de uma cultura e identidade sempre mais sofisticada e descarada dum novo colonialismo.
Que tristeza quando vejo alguns de vós macaquear modelos de governo em contradição com a nossa personalidade e dignidade africanas!
Que tristeza quando vejo que esqueceis a regra da nossa convivência africana: o diálogo com o Ser Supremo, o diálogo com as pessoas, o diálogo com a natureza!
Ficará para sempre um sonho a figura do ancião do clã que reunia o povo debaixo da grande árvore e dava a palavra a todos e respeitava o pensamento de cada um? Agora a lei está do lado do mais forte. O pobre, o fraco, cai debaixo do peso da injustiça.
Governantes desta minha África, à qual estou orgulhosa de pertencer;
Não deixeis que o poder vos torne cegos até esmagar o elementar do direito do homem viver.
Não deixeis que se perca a voz dos melhores poetas e artistas que lutam pela valorização de uma cultura africana.
Divorciai-vos de toda a forma de sistema político que rasga o equilíbrio do nosso ser africano.
Devolvei àqueles que fazem planos de morte as suas armas pagas, aliás trocadas, pelos nossos géneros de primeira necessidade.
Devolvei tudo e dizei-lhes que tendes optado por um projecto tipicamente africano: Vida-paz.Em seguida, falai com o povo. Escutai-o e, juntos reconstruí uma sociedade com sistema económico e político que olhe para a formação e o respeito do homem, da mulher, do Jovem, da criança, na autonomia de cada nação.
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(*) Texto publicado em Abril de 1989, pela “Nova Vida” – Revista Mensal de Informação e Formação Cristã; Ano 29 – Nº 4 –, caixa postal 564, Nampula (Moçambique)
sexta-feira, 23 de março de 2007
Sociedade debate sobre saúde sexual e reprodutiva para jovens e adolescentes
Sociedade debate sobre saúde sexual e reprodutiva para jovens e adolescentes
Não podia ser diferente para uma sociedade que tem os problemas que a nossa tem. É necessário que os comerciantes ponham à disposição dos apaixonados produtos que completem o lado material da necessidade de dar uma prenda a quem se ama, com todo o romancismo (nalguns casos até, fingimento e cinismo) que isso implica. O 14 de Fevereiro é um dia especial. Mas é também em dias especiais que, às vezes, se criam ambientes que fomentem erros, nalguns casos fatais, quando a
emoção acaba por suplantar a razão.Como prenda aos “aniversariantes”, o programa “Viver para Vencer” agendou para debate o tema “saúde sexual e reprodutiva de jovens e adolescentes”. Pretendia-se, em uma hora e meia, aproveitar a ânsia do dia dos namorados para acentuar o alerta da juventude para uma sexualidade responsável.
Presentes à sessão conjunta de reflexão social estiveram representados o Departamento de Saúde Reprodutiva, a Maternidade do Lobito, a Cruz Vermelha de Angola e ainda a AJS. Começando por analisar a forma como se valoriza excessivamente o lado material das prendas, a ponto de muitas vezes custar o corpo e a dignidade de muitos jovens, os presentes não deixaram de reconhecer que este é somente um dos vários problemas da nossa sociedade.
A participação de cidadãos ao telefone, numa média de oito, emprestou maior dinâmica e debate de ideias.
O desempenho da família, enquanto primeira instituição no processo de socialização, foi apontado como deficitário. “Não se fala da sexualidade no círculo familiar”, lembrou o representante da AJS, socorrendo-se dos resultados de um inquérito realizado em finais de 2005.
Mas o principal factor dos erros com a sexualidade, na visão da representante da Direcção provincial da saúde é ainda a falta de informação. “Muitos adolescentes sentem que já estão preparados para a vida, quando na realidade não é bem assim”.
A influência da globalização e a (ainda) fraca cultura de filtrar as influências do mundo ocidental, foram também denunciados.
Enquanto para uns as telenovelas são de negativa influência, pela forte capacidade de inculcar valores que muito pouco têm a ver com a vivência africana, outros contestavam. Defendiam ser obrigação da sociedade ajudar os seus filhos a saberem separar o bom e o mau, não sendo justo desta forma ignorar os aspectos positivos, entre os quais o desenvolvimento da cultura geral.
E com que idade é que os angolanos iniciam a actividade sexual? A essa questão os participantes ao debate denotaram alguma apreensão em responder, dada a sua sensibilidade. Entretanto, lamentou-se haver quem inicie aos dez anos. E as consequências são aquelas que só não vê quem não o pretenda.
Julieta Condumula, representante da Maternidade, mostrou-se preocupada pela considerável frequência daquela instituição de jovens e adolescentes gestantes ou mães prematuras.
Paulino Handa, jovem do Lobito, ouvinte assíduo do Programa “Viver para Vencer”, interveio ao telefone. Em seu entender uma das formas de ajudar a juventude passaria pela promoção de acções formativas informais, tais como debates e programas radiofónicos abordando temas tão importantes como este.
E várias outras sugestões foram registadas, no sentido de reagendar o tema. Assim será!
Refira-se que o aludido programa radiofónico é uma oferta conjunta do Projecto “Palmas da Paz-pacificação cidadania e prevenção de conflitos”, e do Projecto “Viver Contra a SIDA-3”.
Seminário sobre portadores de deficiências
Benguela, 2ª quinzena de Fevereiro - Organizações da sociedade civil angolana, que trabalham na Problemática da Pessoa Portadora de Deficiência (PPD) beneficiaram da segunda etapa do seminário sobre elaboração e gestão de Projectos, com a duração de quatro dias.A acção formativa, que contou com a realização da Handicap International (HI), numa facilitação da Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), faz parte do pacote de reforço de capacidades das Associações que constituem o núcleo dinamizador da Rede de apoio à PPD.
Segundo fontes do Boletim AV-O, é também intenção daquela HI continuar a financiar pequenos projectos de parceiros, ainda este ano. para além de ajudar na identificação de outros doadores para iniciativas maiores ainda este ano.
Gociante Patissa (Boletim "A Voz do Olho-AV-O", propriedade da AJS - Associação Juvenil para a Solidariedade)
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Administração municipal quer nos matar!!!

Ao Jornal KESONGO
Prezado Director, Ramiro Aleixo (ramiroaleixo1@hotmail.com)
Benguela, primeira quinzena de Janeiro 2007
Queiram aceitar mais uns cumprimentos de mais um cidadão que, há algum tempo, acompanha o Projecto Editorial que o senhor dirige, e, consequentemente, admirador dos seus valores individuais – o que aliás, para quem vive há alguns anos por Benguela, não é senão uma referência obrigatória.
Sou dos que acham que o homem é aquele que defende seus ideais. Embora admirem a sua coragem e a frontalidade “numa província amordaçada em matéria de informação”, como o caracteriza a sua nota de editor da 1ª quinzena de Janeiro, ainda acho que dá muito destaque à “matéria Rangel”. E como nunca aparecem fontes identificadas, nem há reacções, pode-se aventar um “ajuste de contas pessoal” (sem querer indiciar juízo de valor, também não sou daqueles que iludem com elogios. Acho que lhe devia isso).
Mas o que me leva a escrever-lhes é uma situação triste a que os moradores do bairro da Santa-Cruz, no Lobito, são obrigado a suportar. É que desde que a nova administração tomou posse, a “boca” da ponte que dá ao estádio do Buraco passou a ser o ponto de depósito do lixo de toda da cidade, onde os camiões da Administração municipal são os que com frequência mais imundice trazem. Infelizmente é um lugar “escondido”, num bairro sem figuras nem eventos. O triste mesmo é que o local se tornou num foco frequentado por adultos que garimpam o lixo na esperança de achar algo de valor, enquanto que as crianças seguem os passos.
A lixeira não é nova, mas o crescimento se intensificou, e o nosso bairro de repente se tornou no “avesso” da higiene e respeito que o centro da cidade apresenta. Para muitos moradores, o melhor é fingir que nada estão a ver, mesmo que seja impossível, já que o lixo é arrastado pelo vento e a fumaça, quando se lembram de o fazer, é irregular.
Como poderá ver na carta em anexo, uma tentativa (individual) de contactar o Senhor Administrador, no sentido de recorrer à sua boa fé, ou não foi tida em conta ou a decisão é por demais burocrática. A carta foi entregue no dia 23 de Agosto de 2006, na qual solicitava a extinção da lixeira como prenda de aniversário da cidade. Depois de ouvir o “está entregue” na recepção da Administração Municipal, se acendia uma esperança de que o convívio com o lixo findaria… mas foi ilusão.
Venho assim, num gesto de risco, recorrer ao Vosso jornal, tanto para reiterar a minha preocupação face a eventuais doenças, sobretudo nesta fase de chuvas, como também solicitar que contribuam para a extinção de lixeira da ponte do Estádio do Buraco. Não vi o código de postura, mas acho que o lugar do lixo é bem longe, enterrado ou queimado.
Atentamente,
D. Gociante Patissa. (Carta publicada na edição referente a 2ª quinzena 2007 sob o título "Lobito, Bairro da Santa-Cruz Transformado em aterro do lixo urbano)















