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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Diário| Por um jornalismo cidadão

Quando uma notícia surge com destaque pelo facto de a vítima ser parente desta ou daquela figura, fica-se com a impressão de que, diante da justiça, quem não tiver uma entidade na família parte logo na condição de desamparado. Recentemente, no que ao nosso meio diz respeito, o exemplo é o da queixa de uma cidadã por agressão envolvendo militares da academia do Bairro da Luz, no Lobito. O destaque foi pelo ângulo de ser filha de um antigo deputado. Somos a condenar as agressões na relação entre os cidadãos e as forças da ordem, e é legítimo esperar que se investigue para se apurarem as responsabilidades. Mas, neste caso, e da maneira como a imprensa colocou as coisas, a agressão doeria menos se fosse sobre a filha de camponês ou de um professor anónimo? Ora, o jornalismo, a meu ver, tem uma obrigação até cívica de não reproduzir tais estereótipos. Ainda nesta senda, em tempos vi uma matéria na imprensa brasileira, onde toda a notícia e consequente reportagem do cortejo era pelo ângulo de "o irmão do cantor fulano ter falecido" (no caso, vítima de paragem cardíaca após consumir bebidas alegadamente energéticas). Rara era a vez em que se pronunciava o nome do finado. Partindo do princípio de que somos todos iguais perante a lei, julgo que o jornalismo tem a obrigação moral de destacar "o quê" (facto) e "quem" (vítima/protagonista), evitando ancorar-se no parentesco, que podia bem surgir como detalhe apenas e não valor da notícia, sob pena de andarmos perto do sensacionalismo. Um cidadão devia valer pelo nome próprio, pelos seus actos, não pelo sobrenome. Ou não?

Gociante Patissa, Luanda, 13.01.15

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