sábado, 14 de março de 2020
terça-feira, 10 de março de 2020
áudio | PALAVRAS E TEXTOS entrevista escritor e jornalista Gociante Patissa, Rádio Nacional Angola 29.2.2020
Conversa descontraída conduzida pela jornalista Elione Falcão, tendo como convidado o escritor e jornalista Gociante Patissa. A conversa incidiu na produção literária, representação das várias línguas/grupos étnicos na literatura angolana, problemática do livro, no papel da rádio, entre outros assuntos. Realização de João Pedro, técnica de som de Falcão Tomás. A frequência é 93.5 FM, programa emitido em directo das 09-10h. Obrigado. Trilha sonora: Derito Tavares, Carlos Albano e Carlos Lopes
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GOCIANTE PATISSA, O ESCRITOR E A ÉTICA, artigo de opinião de Adriano Mixinge, publicado hoje na página 7 do Jornal de Angola, edição de 3 de Março, 2020
Conheci-o já há alguns anos através do seu blog, a que os interessados podem aceder no site https://angodebates.blogspot.com/: é dos poucos que tem um blog.
Gosta das palavras e trabalha com elas, mas não é fanfarrão, nem aparece só para dar nas vistas. Por conseguinte, não tem aqueles tiques dos escritores convencidos de uma suposta genialidade que surge, como diria Hegel, por “geração espontânea”: confia na disciplina e no trabalho oficinal, que exercita sempre que pode.
Tem uma voz talhada pelos anos em que fez rádio, uma forma de estar e uma personalidade atendendo a serenidade e, como descobri há dias, com largos e intensos momentos de sentido de humor fino, apurado e surpreendente. Não utiliza a literatura como um meio para atingir um fim inconfesso, obscuro ou politicamente insosso: a literatura é, para ele,qualquer coisa que nos pode transportar para outros lugares ou, quando menos, pode fazer-nos pensar a sério. Produz tanto com regularidade como com uma qualidade digna de realce e acima dos níveis habituais entre muitos dos escritores e intelectuais angolanos. Daniel Gociante Patissa é o seu nome.
Os seus três primeiros livros tiveram géneros literários diferentes: o primeiro foi de poesia, o segundo foi de contos e o terceiro foi uma novela. O escritor tem oito obras publicadas, designadamente, “Consulado do Vazio”(Kat Editora. Benguela, 2008), “A Última Ouvinte”(UEA. Luanda, 2010), “Não Tem Pernas o Tempo” (UEA. Luanda, 2013), “Guardanapo de Papel”(Nós Somos. Vila Nova de Cerveira, 2014), “Fátussengola, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas”(Grecima. Luanda, 2014), “O Apito Que Não Se Ouviu”(UEA. Luanda, 2015), “Almas de Porcelana”(Editora Penalux. São Paulo, 2015) e “O Homem Que Plantava Aves”(Editora Penalux. São Paulo, 2015), para além de nove participações em antologias, algumas das quais publicadas em Portugal e em Moçambique.
No entanto, foi na quinta-feira última que o escritor Daniel Gociante Patissa (Benguela, 1978) pela mão de Cíntia Gonçalves conversou com os leitores, na primeira sessão deste ano do programa “Textualidades”, organizado pelo Memorial Dr. António Agostinho Neto (MAAN). Quem não esteve, saiba que perdeu uma boa oportunidade para conhecer melhor a vida do escritor e o transfundo do que está na origem e nas circunstâncias de algumas das suas obras, desde o acto criativo, passando pelas histórias de vida até chegar às voltas da criatividade, das línguas e da imaginação.
Ele é licenciado em Linguística, especialidade de Inglês, pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Katyavala Bwila. É membro efectivo da União dos Escritores Angolanos e colaborador do Jornal Cultura, da Edições Novembro. Foi distinguido com o Prémio Provincial de Benguela de Cultura e Artes 2012, na categoria de Investigação em Ciências Sociais e Humanas “pelo seu contributo na divulgação da língua local umbundu, na perspectiva das tradições orais, através do conto e das novas tecnologias de Informação e Comunicação” lê-se, na badana do seu último livro.
Na quinta-feira passada, além de ter-nos feito rir fartamente durante a hora e meia que durou a sessão, Gociante Patissa não evitou nem os temas candentes, nem os delicados, e nuns e noutros não caiu em lugares comuns. Quem o lê atentamente dar-se-á muito facilmente conta que a sua relação com a oralidade e com as línguas é mais dinâmica do que a mera tradução de uma para outra, do umbundu ao português.
Quando pouco antes da conversa formal com a Cíntia, entre as poltronas da sala de conferências do Memorial Dr. António Agostinho Neto, numa daquelas cavaqueiras que servem para distender e amenizar os momentos prévios à conversa com o público, ouvimos o Gociante Patissa falar em ética, sem retórica enfadonha nem com tantos malabarismos verbais, mas sim como algo simples e vital que deve estar em tudo que fazemos identificamo-lo como um “dos nossos”.
O escritor faz a ética estar presente tanto na sua escrita como na sua vida, vivida ao calor de experiências em organizações não-governamentais e apoiada numa consistente atitude de cidadão avisado: ele sabe que só haverá uma transformação positiva da literatura angolana actual e a do futuro se o acto criativo, no geral, e a escrita literária, em particular, forem, sobretudo, exercícios de verdade e de sincero comprometimento com os homens daqui, com estes nossos lugares, com a estética no seu sentido mais amplo e com as noções de beleza que inventarmos.
Neste sentido, pelo seu engenho, “O Homem Que Plantava Aves”, o conto que dá título ao seu último livro está, certamente, entre os contos mais interessantes que alguma vez eu tenha lido. Por todas estas razões e outras que, espero, o leitor descobrirá quando o ler recomendo seguir atentamente a obra e o percurso de Gociante Patissa.
Adriano Mixinge
POR ACASO MORRI BEM (Poema inédito)
POR ACASO MORRI BEM (Poema inédito)
Morri na semana passada
Dum jeito que seria sempre o mais aconselhável
Caso justa a vida fosse feita para ser
de motu proprio
Gabo-me a proeza
Por acaso morri bem
Salvo seja
À imagem das promessas do doutor
Em poucas linhas resumo o insólito
Cruzei-me com a morte
À hora que quis
No lugar que marquei
Apagão suave
Distante da agenda de perdida bala
e do tumulto
E da lei por baixo do tacão do fardado da sentença capital
a granel
E do livre arbítrio do meliante
E do rodoviário sinistro
Fio Luanda das missangas
Zamba 2 - Maianga! Maianga-Zamba 2 a sair, padrinho!!!
Na semana passada morri
Dum jeito que seria sempre o mais aconselhável
Desacompanhado
Com tempo para olear a espiral de medos
Todos eles
Algures no estômago
Bastou uma picada
Para curar o mundo
Das pandemias e dos leaks
Nada ouvi nada senti nada vi
e pensar que tantos meus vi partir…
Quem dera diluir a passagem pela Terra
Numa endoscopia...
Gociante Patissa, 10 Março 2020 | www.angodebates.blogspot.com
domingo, 16 de fevereiro de 2020
CONVITE O escritor Gociante Patissa estará no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, a convite da instituição cultural, para uma tertúlia com leitores, no próximo dia 27, pelas 17h30. Há uma forte possibilidade de a Editora Acácias organizar à margem da tertúlia uma sessão de venda e autógrafos do mais recente livro de contos intitulado O HOMEM QUE PLANTAVA AVES. Agradecimentos antecipados aos organizadores e a cada alma que nos brindar com a sua presença
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Crónica | OMS ADVERTE, EMOJI AMARELO TRANSMITE CORONA VÍRUS
Quando há 15 anos Angola e a República Democrática do Congo (RDC) foram assoladas pelo surto do vírus de Marburg (responsável por um vendaval de óbitos), repudiamos a "insinuação ocidental" segundo a qual a doença resultava dos hábitos alimentares dos africanos, especificamente do comer carne de macaco (racismo, exotismo!).
As províncias do norte de Angola foram na época as mais abaladas, dada a sua localização fronteiriça com a RDC. A realidade da resposta sanitária local, contrária à vontade e ao optimistmo das autoridades, é sempre frágil no começo, por se tratar de epidemias esporádicas. Nestes casos, surgem sempre em quantidades enormes as receitas alternativas de tratamento caseiro, para os bem-intencionados primeiros socorros, arraigados no legado da cura pela natureza, algumas vezes de si uma perda de de tempo.
Recordo que se falou de uma província onde muitos doentes acabaram por sucumbir por falta de creolina, desinfectante que entretanto a província tinha em armazém. E por lá continuaram por muito mais tempo confinadas as unidades de creolina, quando mais se precisava delas para salvar vidas. Tudo pela simples, diremos pueril, razão de o Director Provincial da Saúde e o Director do Hospital não se suportarem no ego e no feitio. Enfim, hoje a PGR se calhar teria algo a dizer.
E quis a história que 2020 abrisse com catástrofe para a China e por arrasto para o restante globo. O carrasco responde pelo nome combinado de corona vírus. Valha-nos a "sorte" de ter havido em Angola apenas um caso de suspeita de infecção, entretanto já descartada, com a anunciada alta do oriental que andou sob os cuidados médicos na Clínica Girassol.
Ainda assim, é com certa reserva que noto que hoje já, perante o corona vírus, lá estamos, do alto da curta memória, nós os angolanos, a engrossar o coro: 'esses chineses quem lhes manda comer carne de morcego e tudo o que se move?!' (Oh, pensar assim já não é racismo, exotismo?!) Em face do pânico e do desdém pelo chinês, receio que alguns vão deixar de usar emojis amarelos, só para garantir... Daí a evocar a OMS (Organização Mundial da Saúde) para credibilizar a fake, difícil não será.
Só para que conste, por acaso até não sou favorável à presença chinesa em Angola (a preferir, eu preferia, sem sair do continente asiático, os japoneses). É de modo geral um povo com cujo contacto não ganhamos quase nada (nem no intercâmbio cultural nem em valores nem em transferência de know-how, nada. Eles dão e levam literalmente tudo de volta). Julgo mesmo que o crédito chinês, que terá sido indispensável no momento particular da nossa história, é uma penhora da qual nos iremos arrepender amarga e prolongadamente.
Gociante Patissa | 01 Fevereiro 2020 | www.angodebates.blogspot.com (imagem ilustrativa: youtube)
domingo, 26 de janeiro de 2020
Crónica | PARABÉNS, LUANDA? HÁ QUEM DIRÁ NEM TANTO
Gociante Patissa | 26 Janeiro 2020 | www.angodebates.blogspot.com
sábado, 18 de janeiro de 2020
Crónica | EU E OS MEUS GOSTOS DESÉRTICOS EM FILMES

Apresentei-me vinte minutos antes da hora indicada no cartaz. Não havia ninguém na bilheteira, nem atendedor nem clientes. Instantes depois lá surge o atendedor. Era só para informar ao senhor que o filme que escolheu só dá na sala Vip. Como assim?!, protesto eu. Por que não em salas normais? Eu conheço o filme, não é lá grande coisa. É uma comédia francesa (os brasileiros diriam do tipo água com açúcar) que já vi a 70% pela netflix, prossigo com a contestação, ao que o rapaz responde: É assim, o senhor escolheu um filme tipo assim fino. Como? Esse tipo de filme, que é só conversa, como as pessoas normais não vão lá só assim muito, então tem que custar um pouco mais, porque a sala não enche. Só pessoas finas, tipo o senhor, é que entendem. Pessoas simples como eu gostam mais esses filmes de acção e tal, confessava o moço. Não sabia se ria ou chorava. Só um bilhete, senhor? Claro! Com esse preço não dá para trazer mais ninguém, que o vencimento todo fica aqui! E qual é a vantagem da sala Vip? Ah, o serviço é personalizado. Tudo o que o senhor quiser, é só pedir. Boa! É desta que como já de tudo e poupo no jantar, penso eu caladinho. Rebento já a seguir o pedido. Água e pipocas, afinal já está deduzido no preço do bilhete. O atendimento é rápido, o desengano também. A jovem simpática mal serviu, retornou logo com aquele aparelho maldito que nos vai sem preguiça ao bolso e me esfregava nas barbas a factura. Mil e 600 kwanzas, senhor. Mas não me posso queixar. Ao contrário da última vez em que só havia quatro pessoas na sala, desta vez até houve melhoria na estatística. Ou seja, somos oito almas, sendo duas europeias, três madres, duas jovens angolanas e um único homem, eu. O número de vez em quando sobe para dez, mas não se enganem, que os dois adicionais são garçons 😁😁 E pronto. Cabulando o próprio título do filme, "Que Mal Fiz Eu a Deus Agora?" Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa | 17 Janeiro 2020 | www.angodebates.blogspot.com
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
Sugestão de filme: "A DESPEDIDA"
Realizado por Lulu Wang e com a actriz Awkwafina no papel principal, é um drama comédia sobre os valores da família na cultura chinesa, baseado, como diz a sinopse, numa mentira verídica. Saiu em 2019 e estreou agora em Janeiro. Aborda com muito humor, humanismo e uma leveza assinalável temas como a família, a doença, a vida, a emigração e a consequente perda de vínculo de identidade. No dia em que fui assistir, numa das salas de cinema em Luanda, havia apenas 4 pessoas. Um deleite de filme. Aos meus amigos escritores e/ou com vocação/sensibilidade para a literatura, proponho até assistirem duas vezes, uma para apreciar e outra para estudar e se inspirar (se um dia eu conseguir avançar no meu projecto de romance, certamente terei uma referência a ter em conta)."SINOPSE: Uma família chinesa descobre que a sua avó tem pouco tempo para viver, mas decidem não informá-la do diagnóstico.Em vez disso, os seus filhos e netos tentam arranjar um casamento de última hora, para que todos os parentes mais distantes possam vê-la pela uma última vez sem que ninguém saiba o que está acontecer."
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
No Dia [angolano] da Cultura Nacional, uma recolha sobre «CONCEITO E NÍVEIS DE CULTURA»
1. A CULTURA DE ELITE aparece como a cultura escolhida (eleita), uma super-cultura essencial, cujo saber, baseado nas disciplinas humanistas de raiz greco-latina, tende, na sua formalização aristocrática, a procurar sem cessar novos modelos criadores, na mesma medida em que os seus modelos tradicionais são vulgarizados ao nível da instrução de base e da comunicação de massa. A cultura aristocrática, fundada sobre a soberania Sagrada da palavra e transmitida pela escola, sobretudo na Universidade, hoje declinou por causa da explosão de conhecimentos provocada pelos meios audiovisuais modernos de comunicação social. Com efeito, a posse privilegiada de um código exclusivo tende a ser cada vez mais precária em face da dinâmica evolutiva dos processos sócio-culturais do mundo contemporâneo.
2. A CULTURA POPULAR é o conjunto residual das sub-culturas ligadadas aos costumes locais e às linguagens dialectais cujas raízes tradicionalistas mergulham, de maneira arcaica, na civilização oral do povo. Foi esta cultura mais comprometida pela sociedade industrial que, com s seus processos culturalizantes de urbanização e homogeneização, sobretudo nas camadas mais jovens, tende a relegá-la para o plano da recordação. Está provado que a recuperação intelectualista ou espectacular de formas expressivas, praticada sob o modo folclórico, deforma em geral os valores autênticos e dialécticos de uma cultura popular.
3. A CULTURA DE MASSA deve a sua difusão aos meios rapidamente multiplicadores da indústria cultural (imprensa, rádio, televisão, etc.). Apresenta uma conexão fragmentária devido à abundância e precaridade das suas mensagens e da sua ideologia, verdadeiras culturazinha de mosaico cognitivo incoerente e ultrapassado. Enquanto que as culturas precedentes correspondem ao plano económico, às matrizes burguesa e popular, a cultura de massa é um verdadeiro sub-sistema cultural que sustém toda a civilização industrial. Os de tentores de uma cultura estruturada e operante nos seus valores e nos seus moldes terão, evidentemente, instrumentos críticos mais capazes de uma aproximação crítica do real, enquanto as classes com falta de formação existencial orgânica estarão cada vez mais expostas a um processo doxológico de influência exercido pela propaganda e pala publicidade dos «mass-media».
PAGANO, Christian, 1971. “Comunicação Audiovisual” (pág. 99-100). Pia sociedade de São Paulo. Lisboa, Portugal
- legenda da foto: escritor angolano Gociante Patissa recebido pela Secretária de Cultura do Estado da Bahia, Brasil, Arany Santana, em 2018, quando lá esteve para participar na tertúlia da Festa Literária do Pelourinho (Flipelô), realizada pela Fundação Jorge Amado na cidade de Salvador
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
Contraponto: ainda a briga entre a Editora Azul e o autor Daniel Nguto
Como prometido, a Editora Azul (com sede em Luanda) fez hoje, 06 de Janeiro, pública a sua versão no litígio que a opõe ao autor Daniel Nguto Dáx (residente em Benguela), num texto extenso publicado no Facebook e suportado com recortes de correspondência que vinha sendo mantida entre as partes no âmbito do processo comercial. Em resumo, a decisão unilateral de rescisão do contrato é sustentada pela divulgação não autorizada por parte de Nguto de um protótipo de cartaz, que anunciava para 18 de Dezembro, numa altura em que a data de lançamento era ainda uma probabilidade a equacionar com a estratégia de marketing e publicidade da Editora.
Acto contínuo, entende a empresa que em face do que considera violação do sigilo, não mais havia condições de avançar com a relação contratual que tinha como fim material a edição, publicação e promoção da obra (500 exemplares) e a imagem do respectivo autor, impondo, para custeio dos trabalhos já efectuados e material consumido, uma retenção de 298 mil kwanzas do valor total de 698 mil kwanzas faturado e pago por Nguto, condição que, segundo a exposição, o cliente se recusa a anuir. Nguto é apontado como intransigente ao exigir a devolução do valor total e não apenas 400 mil kwanzas que a editora estipulou unilateralmente.
No mesmo texto em que a empresa dirigida por Zola Vida reivindica a preservação da honra do seu bom nome, é anunciada a abertura de um processo crime por difamação pela acusação de burla levantada contra si em denúncia pública na rede social Facebook pelo cliente Nguto. Lê-se que mais passos só não chegaram a ser dados no processo em virtude de a editora estar à espera da notificação do INADEC alegadamente na sequência de um ameaça feita por Nguto neste sentido, tendo sido por isso mesmo uma surpresa a opção da denúncia nas redes sociais.
Bem, feito o contraponto que se impunha, encerro a minha intervenção neste dossiê reiterando o apelo para que as partes empenhem o máximo de boa fé e cheguem a um desfecho sensato.
Votos de um bom ano!
Gociante Patissa | www.angodebates.blogspot.com
domingo, 5 de janeiro de 2020
(arquivo) Diário | PARA VOCÊS É TUDO TRINTA POR UMA LINHA, NE?!
"Ei! Xé! Você não viu a ultrapassagem arriscada que fez?!"
"É desculpar senhor agente..."
"Já viste quantas pessoas morriam se a condução fosse baseada nisso de pedir desculpas?!"
"Meu kota, perdoa só já o teu puto, sô agente. Ainda não facturei nada hoje, vai custar fechar a conta do patrão..."
"Ainda por cima tens coragem de dizer isso. 16 passageiros, contra a lotação do mini autocarro Hiace. Quer dizer, para vocês é tudo trinta por uma linha, ne?! Essa multa vai-te cair mesmo bem..."
"Meu brada, não faz isso! Safa só o teu sangue. Estamos a entrar no fim-de-semana, e uma multa vai-me estragar o ano."
"Assim te safo... e a mim quem é que me vai safar?"
"Meu kota, não fica mais malaike tipo aqueles polícias trânsitos sujos. Você até aqui tem boa fama... Olha, é assim: tenho uma pequena fezada assim para fechar o kota com um saldo, meu kota."
"Embrulha na carta, xé!!!"
"Aqui está, meu kota."
"Porra! Você só vai me passar mil kwanzas?! Mas assim você acha o quê? Me viste com cara de corrupto ou quê?!"
(Adaptação)
Gociante Patissa | Benguela, 05.01.2016 | www.angodebates.blogspot.com













