sábado, 8 de julho de 2017
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Utilidade pública | «CONTOS INÉDITOS DE AUTORES ANGOLANOS», colectânea disponível em PDF
Eu
tenho a versão impressa, que ganhei em 2014 do confrade Joao Tala, mas acabei de achar na net a versão digital desta colectânea coordenada por Jorge Macedo e patrocinada pelo então BES, hoje Banco económico. . Basta clicar no link para
aceder. Coloco abaixo a lista de conteúdo:
- NEGÓCIOS (DO TRADICIONAL AO MODERNO) - Chó do Guri
- A PROFETISA DA VERDADE - Ismael Mateus
JANDIRIANA (VIDA E MORTE NO CARNAVAL) - Jacques dos
Santos
- A GRAVATA AMARELA - João Tala
SURPRESA FRUSTRADA - Maria Celestina
Fernandess
- A MULATA, O MOSQUITO E CHET BAKER AO PIANO - Ondjaki Angola
- A INOCENTE - Sónia Gomes
- ELAVOKO - Sousa Jamba
FAMÍLIA REAL - Yola Castro
Just a question | O TPI acreditava mesmo que as autoridades da África do Sul prenderiam o presidente sudanês?
Na condição da África do Sul, não acredito que algum país africano cumpriria a ordem do TPI de prender em seu território o presidente sudanês (em funções), al-Bashir, durante uma cimeira de chefes de estado no quadro da União Africana. Pelo que esta condenação, que tem por fim mais uma reprimenda pedagógica no sentido de lembrar os estados signatários quanto ao cumprimento do tratado sobre o tribunal de Haia, há-de ser só isto mesmo, uma censura registada. Se sob o ponto de vista jurídico seria o mais correcto, já por um prisma político uma tal detenção representaria um precedente corrosivo para a própria unidade que se busca nas diplomacias de vária ordem, tendo por base o princípio da soberania dos estados e o limite quanto a imiscuir-se em assuntos de uns e outros. Não nos movendo nestas linhas qualquer intenção de ilibar o presidente sudanês dos crimes de que é acusado, não podemos contudo afastar a hipótese de uma relação de ódio entre os povos do país anfitrião e os do país cujo chefe de estado passaria por vítima de uma "traição" a favor de um tribunal situado na Europa e tido como desprovido de "tomates" para temperar casos que envolvam autoridades ocidentais. Vamos ao debate. Até lá, falando a verdade mesmo, ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Hoje "se dei encontro" com Bungo Dumbo Casseque no Lobito, daquelas amizades de confiar de olhos fechados e já em vias de extinção
O Bungo é realmente uma pessoa que a vida me veio a mostrar ter sido uma feliz escolha como amigo e merecedor de sonhos e projectos importantes que lhe confiei. Feliz noite
Diário | Mas isso segundo quem?
“Oi, mano, td em dia?”
“Desde qdo é q t dei confiança d se mandar essas msgns d se chamar
mano?”
“Quê isso? Será q ainda não deste conta q sou eu com qm tás falar, né?”
“Já viste se pensam q sou da UNITA?! Mano, mano… Hum!”
“Tá bom, desculpa já, meu irmão…”
“Mas você tá maluco ou quê?! Irmão não é FNLA? Você cuidado com as msgns
então, ouviste?”
“Mas o q é q te deu hoje, ó camarada? Tás estranho, pá. Muita frescura…”
“Mas alguma vez me viste no MPLA p me escrever de camarada?”
“Desisto. Assim não dá!”
“Você esqueceu q esses dias o país tá em campanha eleitoral?”
“Fico por aqui… Era p te saudar apn.”
“Saudar APN?! Quer dizer, eu aqui acordei calmo, vc a me provocar mesmo,
né?!”
“Saudar apenas. Apn de apenas. Abreviei. Chato!”
“Ah, assim está bem. Não me faz te disparatar essa hora, ok?
“Posso saber se tás em casa?”
“Qual CASA mais, oh minha vida?!
Queres mesmo me desgraçar do sonho com o futuro, né?”
“Como assim?! Não entendi…”
“Vc não deu conta que os dias de campanha recomendam usar camisinha nas
palavras?”
“Qual é a tua alergia com os partidos afinal? Já ouvi mas não botei fé
nela…”
“FNLA?! Mas, ó coiso, não me faças, ya?!”
“Fé nela quer dizer que não acreditei. Só isso, oh pai do pânico… Prrrs…”
“PRS?! Será que li mesmo bem, escreveste PRS?!”
“Eu disse porras…”
“Ah, pensei… mas é assim: Eu sonho concorrer nas autarquias um dia. Então
agora assim se o povo vier a me desconfiar q não sou independente?…”
“Mas a autarquias é qdo?”
“Não sei, né? Mas não custa nada se cuidar… qm avisa amigo é. Td o que
vc quiser falar, tens q atribuir a alguém. ‘Segundo o fulano’. Quando ouvires um mambo, procura já saber: segundo quem? Tá numa?”
“Ya. Valeu. Por isso é q te aprecio, pq aprende-se mto ctgo…”
“Aié?… Mas isso segundo quem?”
quarta-feira, 5 de julho de 2017
Crónica | O recado profundo de uma actriz em função da próxima telenovela da Semba Comunicação ou quando o próprio cabelo é um acto político
A Semba Comunicação promoveu recentemente,
na capital do país, um encontro de auscultação de actores, tendo em vista um novo
projecto de telenovela, cujas gravações arrancam no próximo mês de Setembro. Do encontro resultou uma reportagem promocional no programa Flash
(disponível no youtube), também da produtora de audio-visuais que gere o Canal 2 da TPA.
Entre as sugestões dos entrevistados para o melhor esperado no próximo produto, ressalta uma aspiração que se reveste de reivindicação profunda, olhando para os problemas sócio-antropológicos que o país Angola ainda não conseguiu resolver, entre estes aquele que tem que ver com os padrões identitários e de beleza, considerando a diversidade étnica que constitui o seu mosaico da Cabinda ao Kunene, do Lobito ao Lwau. Transcrevemos a seguir o desejo de Sofia Buco, actriz e apresentadora angolana de TV:
“É esperar que eu consiga estar num dos personagens e poder representar com o meu cabelo natural, que está lindo, enorme, e poder mostrar que nós temos cabelos muito bonitos, que é lindo mostrar a nossa juba. Tenho muito essa expectativa e vou esperar, quem sabe… quem sabe…”
Chamam a atenção do telespectador dois aspectos. O primeiro é o da própria antítese ontológica, na medida em que fica a ideia de alguém que pede antecipadamente autorização para representar conforme as suas características naturais, num tom de quem, conseguindo isso, estaria a quebrar o que é "normal". O segundo aspecto está no facto de estar a usar tissagem (cabelos sintéticos) precisamente no momento da entrevista em que ela manifesta o desejo de representar com o seu cabelo natural. A pergunta de retórica é inevitável: estará a actriz Sofia Buco a ser obrigada a esconder a carapinha?
Entre as sugestões dos entrevistados para o melhor esperado no próximo produto, ressalta uma aspiração que se reveste de reivindicação profunda, olhando para os problemas sócio-antropológicos que o país Angola ainda não conseguiu resolver, entre estes aquele que tem que ver com os padrões identitários e de beleza, considerando a diversidade étnica que constitui o seu mosaico da Cabinda ao Kunene, do Lobito ao Lwau. Transcrevemos a seguir o desejo de Sofia Buco, actriz e apresentadora angolana de TV:
“É esperar que eu consiga estar num dos personagens e poder representar com o meu cabelo natural, que está lindo, enorme, e poder mostrar que nós temos cabelos muito bonitos, que é lindo mostrar a nossa juba. Tenho muito essa expectativa e vou esperar, quem sabe… quem sabe…”
Chamam a atenção do telespectador dois aspectos. O primeiro é o da própria antítese ontológica, na medida em que fica a ideia de alguém que pede antecipadamente autorização para representar conforme as suas características naturais, num tom de quem, conseguindo isso, estaria a quebrar o que é "normal". O segundo aspecto está no facto de estar a usar tissagem (cabelos sintéticos) precisamente no momento da entrevista em que ela manifesta o desejo de representar com o seu cabelo natural. A pergunta de retórica é inevitável: estará a actriz Sofia Buco a ser obrigada a esconder a carapinha?
Humor | Uma garganta não governamental (*)
Chega
o homem ao bar de costume e o garçom, armado em conselheiro, pergunta:
- O que você ganha bebendo tanto?
- O que você ganha bebendo tanto?
Ao que o cliente, sem pestanejar, responde:
- Nada, eu bebo sem fins lucrativos.
- Nada, eu bebo sem fins lucrativos.
(*) Adaptação e título do blog www.angodebates.blogspot.com
Just a question | Uniforme militar demasiado justo no exército e na polícia, nova moda ou 'deixa andar'?
Recebi
em tempos de um amigo nas redes sociais, que obviamente recebeu de outro amigo
que repassou ao seu amigo, esta fotografia. À parte a indisfarçável malandrice
de macho que motivou a "descoberta", no caso a imponente morfologia a
Himalaia dos glúteos, a imagem é relevadora de algo sintomático no que concerne
ao atavio das forças castrenses. E não é algo visto só em mulheres. Quando saímos para a rua, o que mais
facilmente vemos é a imagem de agentes da polícia nacional cujas calças
denunciam a intervenção de um alfaiate, de modo a se conformar com a moda
das famosas yuki ou calças de pernas magras e algumas vezes de bainha que nem
chega sequer ao nível do tornozelo. Quando o atavio do militar expõe a
sensualidade, como atesta esta imagem, será que isso não terá impacto na
autoridade que deve ter para com o cidadão comum? Estou mesmo a imaginar
uma agente reguladora de trânsito que interpela algum automobilista e, no lugar
de mostrar os documentos em papel, o automobilista levanta o documento situado
entre o fim do tronco e o início das pernas. É que a sensualidade tem reacções
e reacções... Estaremos perante uma moda da "nova Angola" ou apenas
reflexo de algum deixa andar? Ainda era só isso. Obrigado | www.angodebates.blogspot.com
Diário | Pode adiantar o assunto?
(I)
“Amigo, despacha, senão nunca mais
saímos daqui! Tranca logo o carro, vamos entrar...”
“Mas aqui é assim? Sinceramente!...”
“Anda, homem!”
“Calma aí. Só um instante, preciso,
antes, de pigarrear. Porque você nunca sabe em quem vais tropeçar. Por isso é
que não gosto muito desses lugares… Já imaginaste se me dá tossir a meio da
conversa com um dignitário? Um gajo ainda belisca só a carreira da miúda...”
“Chega na fila, ocupa o teu lugar…”
“Mas nós também, sócio, vamos nos
misturar com as pessoas?!”
“Então qual é o jeito?”
“Espera um pouco. Tem de haver um dos
nossos…”
(II)
"Bom dia. Tudo bem?
"Bom dia. Tudo sim, obrigado. O
senhor como vai?”
“Olha, eu gostaria de falar com o
responsável…"
“Ah, neste momento o responsável não
está.”
“E noutro momento poderá estar?”
“Isso já transcende a minha previsão,
senhor… Pode adiantar o assunto?"
"Olha, eu sou o pai da fulana,
figura pública, a cantora. Estás a ver quem é, né...?"
"Olhe, por acaso não estou a ver
bem quem é. Mas é assim, como a fila está a andar bem, daqui a pouco o senhor
vai ser atendido. Dá, né?…"
https://angodebates.blogspot.com
| Gociante Patissa 30 Maio 2013 – 05
Julho 2017
Aliança Francesa cancela concurso de fotografia por falta de candidatos
A
Aliança Francesa de Luanda anunciou na segunda-feira, 03, o cancelamento do
concurso de fotografia sobre o tema “a moda e os códigos de vestimenta”, referente ao ano
de 2017, cujas inscrições decorreram de 12 de Maio a 29 de Junho.
Num e-mail endereçado aos participantes, a organização justifica a decisão
com a «falta de candidatos», cujo número de inscritos, profissionais e amadores
de nacionalidade angolana, não foi divulgado. Sabe-se no entanto que nos termos
do regulamento do referido concurso, o limite mínimo é de trinta participantes.
Alguns entendidos no ramo relacionam a
fraca adesão com o valor irrisório do prémio. Ao grande vencedor caberia
(apenas) uma máquina fotográfica compacta Canon EOS M10, que andará no mercado
europeu na casa dos 200 euros, muito inferior, a título de exemplo, ao que
seria necessário para adquirir uma lente grande angular mediana. Houve quem só
tivesse tido noção do tipo de máquina já depois de apresentar a candidatura.
Esta
seria a sétima edição de um concurso idealizado por aquela instituição francesa
de promoção cultural, visando «mostrar a abrangência e a riqueza do património e,
sobretudo, da criatividade contemporânea e das inovações dos quatro cantos da
Terra».
Gociante Patissa
terça-feira, 4 de julho de 2017
MUITOS DOS PRODUTORES NÃO ACONSELHAM OS MÚSICOS A SAIR DOS ESTÚDIOS PARA AS RÁDIOS – Dinho Carlos | Grande entrevista (parte1)
A história da rádio em Benguela é rica em exemplos de
técnicos de som que resultaram em locutores de carreira. É também este o
desafio assumido recentemente por Dinho Carlos ao décimo sexto ano de casa na
Rádio Morena Comercial, que emite nas frequências de 97.5 e 96.0 FM. O que reserva
o futuro é ainda uma incógnita, mas uma certeza por enquanto lhe basta: era
preciso ousar. Dinho vem de uma família com tradição em rádio e sucesso na arte
de representar em televisão. Como principais referências, é filho do discotequeiro e actor João
Carlos Kavitutula (já falecido) e irmão do actor e DJ Celso Roberto, que deram
corpo a personagens diversos da teledramaturgia pela Televisão Pública de Angola (TPA) nas
últimas três décadas.
Blog Angola, Debates
& Ideias (Angodebates): O Dinho Carlos é o
mentor, vamos lá dizer, do programa. É um operador de som da rádio com uma
história vasta e portanto este ano está a exercitar também a parte da locução. Como
é que está a ser esta experiência?
Dinho Carlos (DC): É uma experiência
boa, uma experiência boa, embora muitas vezes também já esperada. Então estamos
a tentar galgar uma aventura diferente do habitual, que é a aventura da
locução, embora também um pouco difícil para quem está há muito tempo atrás das
máquinas.
Angodebates: Quantos anos de casa?
DC: Dezasseis.
Angodebates: Dezasseis anos. Quase todos os locutores passaram por
si. (risos)
DC: (risos) Sim. Dezasseis
anos. Comecei muito jovem, hoje tenho metade daquilo que é minha vivência na
rádio. Então toda esta experiência fez com que viesse essa idealização de um programa
um pouco diferenciado dos outros, não fugindo, claro, às normas radiofónicas. Então
criamos o «Karaoke na Rádio».
Angodebates: Em que consiste, vamos lá dizer em termos concretos, o
vosso programa? O que é que acham que trazem de diferente?
DC: A divulgação dos
músicos anónimos, não é? Mas anónimos, músicos que também podem fazer
interpretação de músicas alheias, conforme se diz, e cantar as próprias
músicas. Vimos que é um mercado tendencioso, ultimamente a febre do karaoke tem
estado a tomar conta do mercado. Então sentimos a necessidade de criar este
espaço para os músicos venderem a sua voz.
A NOVA GERAÇÃO DE LOCUTORES TEM O VÍCIO DA IMITAÇÃO - Dinho Carlos | Grande entrevista (parte2)
As cerca de duas décadas no exercício da profissão
conferem ao operador de som Dinho Carlos uma certa autoridade para avaliar o
sector. Nesta entrevista, aquele quadro sénior da Rádio Morena Comercial, que cobre
o litoral da província de Benguela nas frequências de 96.0 e 97.5 FM, relativiza
o estatuto de líder de audiência atribuído à estatal Rádio Benguela e diz não
temer a concorrência da Rádio Catumbela, que a qualquer momento iniciará a
emissão de programas. Quanto à Rádio Ecclesia, considera que já devia abrir,
até. 














