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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O Plágio (crónica de Charles Kiefer)

Ninguém nasce escritor, torna-se escritor. E, às vezes, plagiando outros escritores. Como eu mesmo faço, neste instante, com a frase aí acima, surrupiada de Simone de Beauvoir, que afirmava que ninguém nascia mulher, tornava-se mulher. Bem, mas a frase inicial de meu texto não é um plágio, ou é apenas um plágio parcial. A esses, chamamos de pastichos, releituras, paráfrases. E eles são muito bem-vindos na área da literatura. São até um índice de pós-modernidade.

E o plágio-plágio, o que seria? Aquilo que fez Paulo Coelho, denunciado por Moacy r Scliar? O mago publicou um conto de Franz Kafka como sendo dele, Coelho. Scliar não teve dúvida: publicou em fac-símile os dois textos, revelando a fraude. Ou o que fez Shakespeare, que escreveu apenas 1.899 versos dos 6.043 que são tidos como seus? Shakespeare não teve nenhum pudor em plagiar Robert Greene, Marlowe, Lodge, Peele, entre outros. E nem por isso o achincalhamos.

Certo, temos uma confortável explicação sociológica: ao tempo do Bardo, o plágio não era crime, pois não havia ainda a noção de propriedade intelectual, surgida com as leis de copyright. Plagiar, então, era uma homenagem, um gesto de gratidão. Significava: gostei tanto do que escreveste que o tomei para mim. Mas os tempos mudaram. Hoje, Shakespeare seria processado e certamente pagaria pesadas indenizações. Às vezes, apanho meus alunos de Escrita Criativa com a mão na massa. Aliás, com a mão no texto (alheio)! São jovens, estão açodados pelo excesso de atividades acadêmicas, vivem num mundo que lhes facilita o copy and paste. E supõem, ingenuamente, que eu não vá perceber. Aí, aproveito para lhes dar noções básicas sobre a Convenção de Genebra, a de Paris, a Lei Brasileira de Direito Autoral. Mostro-lhes o Código Penal, que tipifica o crime.

- Charles Kiefer.- Para ser Escritor, conforme publicado na página Facbook de O Cronista

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