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terça-feira, 9 de junho de 2015

Resumo | O Conto A Última Ouvinte “Fez-Me Reflectir Muito Sobre A Minha Vida”

Por: Maria Sachicupo Sicato (aluna da 10.ª classe)

NOTA PRÉVIA: O presente resumo foi o primeiro classificado de um concurso que visou estimular os hábitos de escrita criativa entre adolescentes (alunos da 10.ª classe), levado a cabo pelo Instituto Médio de Administração e Gestão (IMAG), município da Catumbela, a 02 de Abril, para assinalar o Dia Mundial da Leitura Infantil. Foi matéria de análise o conto A Última Ouvinte, da obra com o mesmo nome e publicada pela União dos Escritores Angolanos em 2010, do escritor Gociante Patissa. Os concorrentes tiveram acesso ao conto alguns dias antes para assim elaborarem um texto baseado nas suas interpretações e sensibilidade, com um mínimo de 200 palavras.

ANÁLISE DO CONTO A ÚLTIMA OUVINTE

Segundo o texto que nos foi atribuído, fui examinando e interpretando e cheguei à seguinte conclusão:
O texto faz reflectir exactamente naquilo que pode acontecer nas nossas vidas ou na vida de toda gente. O som da rádio, a voz de um radialista, muitas vezes nos dá a imagem de uma pessoa bonita e elegante.
A nossa mente muita vezes nos faz imaginar em coisas que nem sempre vão de acordo com a realidade. Essa mensagem tem um lado moral, e o moral da história é: hoje em dia muitas pessoas gostam de acreditar nas coisas que não vão de acordo com a vida real, as pessoas são um tanto quanto imediatistas e não gostam de observar para crer, fazem da imaginação a plena realidade dos factos mas a verdade não se conhece pelo pensamento. O quadro imaginário ou estereótipo não é a verdade das coisas que pensamos. Tudo isso tem a ver com aquilo que a psicologia chama de emoção. Se olharmos na etimologia do termo emoção, do latim (emove) significa “deslocado”, e a emoção funciona como uma brisa que apaga a voz da razão.
Um exemplo prático, sempre que eu ouvia a voz do radialista Firmino “Tula”, eu pensava que fosse uma pessoa idosa, mas afinal não é. E o Cassule cometeu um erro ao apaixonar-se pelo tom da voz da ouvinte Esperança da Graça. A voz não é o todo de uma personalidade, ela é apenas uma parte, um elemento da personalidade. Precisamos de ver para crer e não crer para ver. Nem tudo aquilo que se diz é para crer, precisamos analisar antes de partir para o objectivo. E o Cassule era um homem, que desde pequeno com os seus nove anos trabalhava no comando das FAPLAS onde começou a lavar loiça naquele tempo. Ele recebeu este nome porque ele era mais pequeno. Ou seja, o mais novo dentre eles, e os demais chamavam-lhe de Cassule. Ele de um dia para o outro tornou-se tropa, mas tropa inexperiente, ainda tinha nenhuma experiência, e foi colocado na retaguarda onde ele aprendeu a ser radista. Já era o sonho dele desde miúdo, e ele sempre dizia que um dia seria jornalista.
Nós não devemos desistir dos nossos sonhos, mesmo se impossíveis eles forem, mais persistência devemos ter. Nós devemos ter fé porque a fé é a base de tudo nas nossas vidas, porque afinal de contas quem crê… prospera.
E certo dia Cassule acabou por ficar desmoralizado, ele tinha perdido esperança de acreditar nos seus sonhos, quando ele soube que não ia ser liberto na paz de 1992, mas mesmo assim ele não perdeu o ânimo e ergueu a sua cabeça e manteve-se firme, contentando-se com o que lhe tinha acontecido. Depois de algum tempo adoeceu e foi quando ele apercebeu-se de que o país todo estava com ele e que o apoiava. Sem família, Cassule pediu transferência para Benguela e hospedou-se numa escola militar.
            E o Cassule apaixonou-se pela voz da Esperança da Graça como nós já sabemos, o amor é a base de tudo na vida do homem, mas desde que seja um amor puro e verdadeiro. Uma pessoa apaixonada é capaz de tudo para encontrar a pessoa amada. Então Cassule de tão apaixonado, não conseguia tirar o nome da Esperança e o seu tom de voz suave e sensual, então ele naquela curiosidade de conhecer-lha pessoalmente persistiu e foi usando os seus métodos para poder encontrar-lha e finalmente conseguiu.
Deram-lhe o endereço da casa dela. A pessoa que ele pensava que fosse afinal não era.
Esperança era uma mulher tetraplégica, ela tinha os braços e as pernas magras, ela era deficiente, apesar do estado em que se encontrava ela mantinha sempre a sua fé firme.
Muitas vezes a gente, sendo diferente das outras pessoas, só porque nos achamos inferiores perante a sociedade, mantemos a nossa auto-estima em baixo. Achando que não somo capazes de fazer aquilo que os outros fazem. Só porque somos diferentes, mas se nós tivermos fé e força de vontade, podemos ir mais além do que podemos imaginar. Nos devemos aguentar firmes e não desistir, porque afinal de conta as crises e as dores acontecem, mas chega uma hora onde elas têm seu fim.
Cassule não desprezou Esperança por ela estar naquele estado, ele sentiu-se um pouco estranho e pensativo por se ter deparado com aquela situação, mas nem por isso ignorou ou zombou da Esperança. Ao contrário ele teve o privilégio de ouvi-la e de poder conhecer a sua história, e a partir desse dia ele tornou-se amigo dela e passou a visita-la sempre que podia.
Mas infelizmente Esperança da Graça, do seu nome verdadeiro Marta Domingos, acabou por falecer e o Cassule acabou por ficar sozinho.
Esperança da Graça apesar de ter uma vida de muito sofrimento não se sentia tímida nem teve receio pelo seu estado, mas sim manteve sem auto-estima e um lindo sorriso no rosto.
Essa história fez-me reflectir muito sobre a minha vida e com ela aprendi que nunca devo arrepender-me porque sou assim, porque as vezes as pessoas riem-se de mim, subestimando a minha capacidade de ser, o que eu devo fazer é aceitar-me do jeito que sou[1] e manter sempre a minha auto-estima perante a sociedade, porque afinal de contas Deus sabe o que faz. Se Ele quis que eu fosse assim, quem sou eu para poder repreendê-lo? Deus sempre apega-se nas coisas pequenas para surpreender as coisas grandes.
Nós devemos aprender a viver, de verdade, bem, de maneira normal. De resto, as coisas vêm com o tempo, porque talento é trabalho, querer é poder.


[1] Tal como a personagem Esperança, a adolescente Maria Sicato, autora do presente resumo, é outro exemplo de persistência, dada a condição de vítima de uma deficiência congénita que lhe atrofiou os membros superiores e inferiores.

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