segunda-feira, 11 de abril de 2016
Aúdio mesa redonda | O PAPEL DA JUVENTUDE NA PRESERVAÇÃO DA PAZ (54 min.)
No dia
31.03.2016, o programa Canal Jovem, conduzido por Ananias Bento, na Rádio
Lobito, província de Benguela, acolheu a mesa-redonda com a duração de 54
minutos sobre "o papel da juventude na preservação da paz", tendo
convidado o professor universitário David Calivala, o secretário da JMPLA para
a informação, Rufino Cambu, e o escritor e activista social Gociante Patissa. A
sessão teve como contexto a véspera do 4 de Abril, dia da assinatura dos
acordos de Paz entre as Forças do Governo de Angola e a Unita (até então
exército rebelde de guerrilha)
domingo, 10 de abril de 2016
Dormente substituto do mar (2.ª da série "Um sábado diferente no Cubal")
A piscina do Ferrovia (do Caminho do Ferro de
Benguela), herdada do período colonial, é um importante ponto multi-usos de
animação da vida da vila do Cubal, desprovida de mar, pelo que juntamos a nossa
voz às que defendem a sua reabilitação e consequente rentabilização no quadro
dos investimentos públicos. Durante a nossa passagem por ali, observámos a
dedicação de alguns jovens na preparação de futuros modelos/manequins, levando
crianças e adolescentes a praticarem desfile em passerelle ao som de um improvisado
rádio-receptor.
Turismo interno | Um sábado diferente no Cubal
Depois do município da Ganda, onde divulgamos a
piscina de águas naturais no topo da íngreme montanha do Atuki, desta vez a
incursão foi no município do Cubal. A intenção é a mesma de sempre: dar um
outro olhar fotográfico (não jornalístico, mas autoral) sobre potencialidades
turísticas do interior do país, onde gente, paisagem e frutos da acção humana
saltem à vista. Visitamos a Barragem do Lomaum, a mini-hídrica em construção no
Alto Cubal, entre outras coisas, o que não seria possível sem o apoio da Administração
Municipal, na pessoa do seu vice, Fernando
Belo, que
disponibilizou uma carrinha 4x4 e o motorista/guia (o jovem Valdemar Albino).
Mais fotografias vêm a caminho. Ombembwa yivyale, ou seja, viva a paz!
sábado, 9 de abril de 2016
Citação
"A literatura angolana começa por ser
reconhecida como tal pelos leitores angolanos, aqueles que nela se revêm. Não
posso sentir-me satisfeito só pelo facto de um chinês ou um búlgaro achar que
neste ou naquele texto se conta uma história tipicamente angolana, mesmo quando
eles trabalham com critérios da sua cultura de origem. Será sempre necessário
ter conhecimento da tradição literária angolana e da sua especificidade."
(Luis
Kandjimbo,
ensaísta e escritor angolano. In "Pessoas Com Quem Falar", 2006, p.
340. União dos Escritores Angolanos)
Citação
"O futuro da literatura, de uma forma
geral, no mundo, e em Angola, em particular, não é nada risonho. Lê-se cada vez
menos. A cultura consumista derrete as emoções. Não se pensa, mostra-se o
pensamento. Não se trabalha, mostra-se o trabalho. Temos de nos mostrar. É a
aparência no seu pior a predominar."
(Cristóvão
Neto, escritor angolano. In "Pessoas Com Quem Falar", 2006, p. 103.
União dos Escritores Angolanos)
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Divulgando | Mercado brasileiro recebe «O Domador de Burros e Outros Contos», do moçambicano Aldino Muianga
Divulgando | Moçambicano Clemente Bata lança livro de contos no Brasil
«Outras
Coisas» é o título da obra composta de 10 contos que Clemente Bata traz à luz no Brasil pela editora Kapulana. Explora a
realidade do seu país ao retratar conflitos típicos das relações humanas nos
espaços rural, urbano e suburbano, com temas que vão desde o amor, os crimes,
os linchamentos populares, o alcoolismo até à violência doméstica.quinta-feira, 7 de abril de 2016
Opinião | O jornalismo, o poder tradicional e a lógica da não contradição
Políticas e politiquices à parte, e com o devido
respeito aos concidadãos que exercem a profissão de jornalista (a qual muitos
de nós relegamos para mais tarde), cada vez me questiono mais sobre a
capacidade de análise dos narradores/redactores, no que respeita a questões
elementares da história do país e idiossincrasias nossas. Tive a sorte de
aprender um pouco de lógica duas vezes na vida, tendo sido a primeira num curso básico de jornalismo e a segunda nas aulas
de filosofia no curso de licenciatura. E parto do princípio que aos
profissionais de Luanda se deve exigir um pouco mais, até porque têem mais
recursos e oportunidades de aprendizagem, com acesso ao ensino superior e tudo.
Vem isto a propósito de uma contradição (quanto a mim grave) que acaba de
desfilar numa peça de reportagem do programa dedicado à província de Luanda,
emitido pelo canal principal da TPA. Depois de anunciar como facto raro a existência
de uma mulher no poder tradicional em Catete, o narrador disse, e cito:
"Em Calomboloca, o poder tradicional é exercido com base nos critérios
estabelecidos pela população, de geração em geração". Feita a chamada, o
que o tele espetador espera é a confirmação disso mesmo no relato que vem a
seguir sobre os termos da sucessão, até porque o texto foi produzido, pelo
menos é o óbvio, com base no discurso directo da interlocutora. Para o espanto
geral (e atropelo à lógica da não contradição), eis que surge a soba Maria
nestes termos (cito de memória): "O mais velho [pai] quando morreu,
ficamos mesmo assim, tristes. Choramos, choramos, e depois como há um irmão,
decidimos que ele é que ia ficar no lugar. Mas o camarada administrador - já
sabe essa nossa vida - disse que não, que é melhor ficar uma mulher no lugar. E
assim fiquei". Ora, de onde foi o repórter tirar a ideia de ter sido uma
sucessão com base nos critérios estabelecidos pela população, se a
interlocutora, a soba Maria (poder real/tradicional/dinastia), diz precisamente que foi
co-optada pelo administrador (poder político/administrativo)? Bem sei que a
autonomia/paridade do poder tradicional é um debate que se adia desde a era
colonial. Mas é inquestionável que o país um dia terá de o agendar (com o Ministério
da Cultura a falar ao mesmo tom que o da Administração do Território), mesmo
até para se respeitar a essência étnica dos povos que fazem o mosaico desta
nação em construção, sob pena de nunca mais nos reencontrarmos neste sentido.
Gociante
Patissa, Benguela, 07 Abril 2016



















