sábado, 15 de março de 2014
Por estas e por outras razões, tenho o grato orgulho de ter sentado na carteira para aperfeiçoar o meu inglês (sobretudo a pronúncia) na Nancy's English School, onde completei o 6º estágio, ainda no ano de 2005

Sim, para quem estiver em Benguela e se importa (pode) investir nos conhecimentos, aconselho uma visita ao centro da minha amiga Nancy A. Gottlieb, ali pelo jardim do Consulado Português.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Diário
Acho uma tristeza quando académicos se envolvem em debates (como agora no Janela Aberta, TPA) tendo como ponto de partida afirmações estereotipadas como "a juventude angolana é patriota", ou o seu oposto "a juventude angolana não é patriota". Caramba, que balizas ou premissas se usam para estudar "juventude angolana"? Sociólogos, historiadores e tantos mais epítetos prestam-se a discutir generalizações?
Literatura nacional debatida em Roma
Texto e foto-Jornal de Angola (13/03/14): Um
Colóquio Internacional denominado “Literatura Angolana Hoje” realiza-se de 23 a
25 deste mês, na capital italiana, numa iniciativa conjunta da União dos
Escritores Angolanos (UEA) e a Universitá Degli Studi Roma Tre.
O colóquio internacional propõe ser uma ocasião de debate entre figuras do meio cultural angolano e o mundo académico italiano que, desde sempre, se tem dedicado com muito interesse ao estudo da literatura e da cultura angolana.
Entre os participantes no colóquio, destacam-se as presenças do Embaixador de Angola em Itália, Florêncio Mariano da Conceição de Almeida, o secretário-geral da UEA, Carmo Neto, o escritor José Luís Mendonça e o docente universitário de Literatura António Quino.
O colóquio internacional propõe ser uma ocasião de debate entre figuras do meio cultural angolano e o mundo académico italiano que, desde sempre, se tem dedicado com muito interesse ao estudo da literatura e da cultura angolana.
Entre os participantes no colóquio, destacam-se as presenças do Embaixador de Angola em Itália, Florêncio Mariano da Conceição de Almeida, o secretário-geral da UEA, Carmo Neto, o escritor José Luís Mendonça e o docente universitário de Literatura António Quino.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Diário
Chegado o dia, levo um documento a uma certa
repartição para o devido averbamento. Instantes depois, na eficiência que
caracteriza a instituição, surge a chamada, baseada na leitura do documento.
"Manuel Patissa!" Com uma vontade de gritar "era pai do meu pai,
dele já só restam ossos, caramba!", dirijo-me ao guichet para receber o
papel. Como se já não bastasse ser-se Daniel (de que por acaso não gosto), vou
pulando de vez em quando para Manuel. O pior é que faz algum sentido, uma vez
que Daniel surgiu para "poupar" o nobre nome de Manuel, o patriarca,
que era meu xará, com todo o simbolismo cultural que disso advém. Mas como é
que eles já sabem, terá sido pela CIA/Obama? hahahaha
terça-feira, 11 de março de 2014
Quem os vai proteger dos excessos do cliente?

"Protector", "efectivo",
"operativo", "maior", "segurança",
"ango-segu", "guarda", a lista de títulos destes
pára-militares do sector privado é interminável. São bastante populares. A sua
tarefa é que não é, contudo, das mais bem definidas. Muitos deles ex-militares
desmobilizados, outros tantos nem por isso. Saem de casa para o trabalho, que é
suposto oferecer guarnição, geralmente a imóveis, sejam residências ou
instituições. São pagos (geralmente muito abaixo do que mereceriam) para
assegurar a integridade física do posto em que são colocados, não se isentando
de ressarcir o que se der por desaparecido durante o turno. O que se assiste,
porém, na maioria dos casos, com maior incidência para residências, é que são
eles que cuidam de ligar o gerador quando a energia geral falha, retiram do
carro a botija de gás, o saco de carvão, hortaliças e demais compras quando o
patrão chega, abrem e fecham o portão 24 horas por dia. Afinal é para serem
guardas ou empregados domésticos? Por um lado, os excessos do cliente que os vê
como pau para toda e qualquer obra enquanto, por outro lado, enfrentam as
parcas condições de trabalho, onde os turnos são prolongados por mais de um
dia, de vez em quando, em função do défice de recursos humanos. Como diria o
outro, o trabalho (quando não dignifica) também danifica o homem. Faria sentido
pensar-se em algum tipo de sindicato ou associação sócio-profissional? Bom dia!
segunda-feira, 10 de março de 2014
À mesa de bar
"Não me valorizavam, mas no dia do casamento, 'a noiva não entra na igreja sem o pai'. E eu saí da igreja - e estava melhor vestido do que o noivo até -, peguei ela na mão e entrei com ela na igreja. Depois disso, na cerimónia, o pai já não era eu, era um irmão de não sei lá quem. Isso doeu, marcou muito..."
O LAGO E O OCEANO, conto do brasileiro Vinicius Bandera
Há pessoas que vivem
prazerosamente com o que têm ao alcance das mãos. Outras querem justamente o
que está para além de si. Ele se enquadrava neste segundo grupo. A cidadezinha
em que morava, com toda sua tranquilidade, não o encantava mais, aborrecia-o
sobremaneira em seu cotidiano modorrento. Queria a cidade grande, a capital,
com seus progressos, seus dias diferentes e sempre voltados para o futuro. Ele
almejava o que estava bem longe à sua frente, a ponto de ser preciso muita
pressa para conseguir alcançar em tempo hábil. A sua cidade era por demais
vagarosa, acorrentada a um passado tão distante quanto o futuro que ele
desejava. Não podia mais ali permanecer.
As garotas de sua
cidade, não que não fossem bonitas, pois várias o eram, mas tinham como defeito
irreparável o fato de não serem da cidade grande. Eram simples demais, mesmo
quando se esforçavam por não sê-lo, como em ocasiões dominicais em que usavam
vestidos copiados de mulheres das cidades grandes, cujas imagens chegavam
trazidas por revistas. No entanto, o que é é e o que não é não é; to be or
not to be, that the question.
As garotas da
cidadezinha, por mais que imitassem, não eram as garotas da cidade grande. Ele
sabia disso, o que o amargurava. Elas também deviam saber, o que as deixava
contentes, pois assim tinham um referencial de prestígio para seguir. E a vida,
além de ser ou não-ser, é também imitação. Imitar é viver de ilusão, e quanta
gente assim vive. Iludir-se é quase tão bom ou até melhor do que viver. Ele não
queria a ilusão, queria viver. Era tão radical quanto Hamlet; ser para ele era
viver, não-ser era a ilusão atormentadora. Ele buscava o ser, daí que sua terra
natal estava lhe fazendo um grande mal, embora ela lhe fosse tão boa, como ele
próprio iria reconhecer anos depois de labutar na cidade grande, onde teria
muito mais não-viver do que viver.
Ali, como no inferno
de Dante, a esperança parecia-lhe não ter nenhum valor. Fazia-se mister tomar o
rumo da capital. Mas como fazê-lo? Sem dinheiro, sem profissão, sem experiência
de vida... O medo de ir era comparável à desesperança em ficar.
Diário
De volta ao trabalho de tradutor/revisor. Letras, concordância, contextos e prazos. Chato e cansativo, ao contrário do que parece, mas é a sensação de mais um desafio vencido que prevalece. Depois, já muito depois, o kumbú. hahaha Mbora lá!
















.jpg)
