Nos últimos dez anos a revolução digital alterou em grande medida o jornalismo como um dia o sonhámos, o aprendémos na apaixonante família da Comunicação Social. A evolução na técnica e nos hábitos de consumo é dialéctica.
A radiodifusão acaba por ser a mais afectada, perdendo o seu espaço de influência social e familiar para a hegemonia antissocial das redes sociais, o vício do telemóvel (aquele aparelho frio que tanto nos rouba a concentração e corrói valores familiares, contrariamente à caixa de som que é o radiorreceptor).
A magia da radio, que reside no mistério da palavra falada sem ver, de instigar a imaginação, embalar os órgãos dos sentidos, vê-se obrigada a televisionar-se, indo atrás do público consumidor, ou não sobreviverá à frenética e abundante oferta do universo multimedia. Hoje a diferença entre Rádio e Tv está no mobiliário do estúdio, nada mais fica para a imaginação.
Vantagens também as há, é certo, a começar pela velocidade e abrangência no acesso aos conteúdos, sem mais depender da deficiente distribuição dos jornais em papel. O digital facilita, ainda, a consulta aos arquivos, com o advento da Cloud.
É natural que não entra nas contas a perspectiva do cidadão-repórter-portalista e a poluição que grassa no mundo digital.
De resto, como diz Américo Aguiar, Cardeal de Lisboa, "respeito quem aprecia o cidadão jornalista, mas eu não aprecio porque é uma coisa muito perigosa. Não podemos esquecer que a tarefa do jornalista e do fotojornalista implica um código deontológico, ou seja, eu confio que aquele profissional tem regras, tem limites, tem linhas vermelhas e que a sua intermediação em me fazer chegar a realidade é peneirada coisa que, se não existir, ficamos sujeitos à avalanche das `fake news´".
Gociante Patissa | Janeiro 2026 | www.angodebates.blogspot.com












