terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Crónica | PSICÓLOGOS QUE CEDO NOS DEIXAM PORQUÊ E PARA QUÊ, MANO NVUNDA TONET?
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
sábado, 17 de janeiro de 2026
Crónica | ANGOLA E A TOPONÍMIA DESAJUSTADA À IDADE DA SENSATEZ
O colchão é das coisas que mais duram na dura vida de um luandense, já que não sabe dormir. Tão poucas horas na cama. O resto do tempo é madrugado no transporte para o trabalho (inclui negociatas) ou buzinado, com insultos à mistura, no trânsito. No fim do dia, porque ninguém é de ferro, inventam-se motivos para empurrar uns copos e dançar.
Esta semana tive de encarnar o luandense e sair da cama às seis da manhã para conhecer o novo Aeroporto Internacional António Agostinho Neto. Também sei madrugar. Não é que goste. Como o meu guia vive no Kilamba, 35 km da Baixa, chamei o táxi por aplicativo a 13 mil Kwanzas. Luanda é tão dispersiva na sua geografia e burocracia que a gente se desdobra em verdadeiras viagens intestinais, até para carimbar um documento.
No canteiro relvado do quarteirão saltou à vista a sequência de placas de sinaléctica de estacionamento. Reagi com breve risada ao anedótico. Sobre a mesma figura histórica lia-se nas placas “Nimi-a-Lukeni, Nimi-a-Likene, Nini a Lukini e Nimi a Likena”. Mas logo pensei. Queres ver? Há cá fenómenos de simbolismo, justo no mês da Cultura Nacional. De resto, a Lei de Bases N.º 14/16, aprovada há de anos no Parlamento quando Nandó o presidia, define Toponímia como o estudo histórico e linguístico da origem e evolução dos nomes próprios dos lugares ou a designação das localidades pelos seus nomes.
Naquele jardim e estacionamento dá-se o embarque diário de crianças para a escola. A sua primeira leitura do dia mora naquelas placas negligenciadas. Imagine-se que o professor pergunte a cinco alunos em coro o nome do quarteirão. Babel total. Por outra, Kilamba (do Kimbundu, líder), principal urbanização social erguida no programa de reconstrução nacional iniciado em 2004, dá nome ao presidente fundador Agostinho Neto.
Constam entre as funções da Toponímia, conforme a Lei de Bases e o Decreto Presidencial N.º 163/19, que o regulamenta, “manter vivos e perpetuar aspectos culturais de honorabilidade; (...) perpetuar nomes de personalidades nacionais e estrangeiras”. E mais diz a lei: “Os topónimos são escritos em língua portuguesa, seguindo a grafia latina; nas demais línguas de Angola, são escritos em conformidade com as regras de grafia da língua correspondente, devendo ser certificados pelo Instituto de Línguas Nacionais”.
O flagrante da sinalética espelha bem a desarmonia institucional da Toponímia, num país que seguindo o ciclo de vida humana completou 50 anos, a idade da sensatez, de exercer o ouvir com ouvidos, dar valor a aspectos que em idade de sangue a ferver não puderam caber no balaio das prioridades. Tudo desemboca no investimento que tarda em relação à diversidade das línguas nacionais. Nos aspectos linguísticos reside a alma do povo.
Quem vem a ser Nimi-a-Lukeni ou Lukeni-Lua-Nimi? A generalidade das fontes consultadas indica que foi filho de Nimi-a-Nzima e de Lukeni-lua-Nsanse, viveu entre 1380 e 1420. O Ntotila fundou no século XV o Reino do Kongo, unificando tribos na África Central, tendo Mbanza-a-Kongo como capital de seis províncias: Mbamba, Mbata, Mpemba, Mpangu, Nsundi e Soyo. Suas ossadas repousam no monumento Kulumbimbi.
Resta-nos terminar esta crónica respigando um dos valores do Hino Nacional, “honramos o passado e a nossa história”. Venham a nós políticas culturais que dediquem à etnolinguística a experiência aplicada em promover a dimensão performativa das artes e resultou internacionalizando a expressão do Carnaval, Semba, Kizomba e do Cuduro.
Gociante Patissa | L. 17 Janeiro 2026 | www.angodebates.blogspot.com
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
domingo, 11 de janeiro de 2026
Crónica | BENGUELA DE PAIXÕES QUE NÃO POISAM
ser freado com a abundância do projecto social das centralidades. A sociedade superava o complexo em relação à periferia, fazendo com que famílias preferissem morar literalmente em garagens, na parte urbana herdada do colono, a ter de o fazer num T3 mais espaçoso, porém para lá do asfalto. No calor da onda adquiri um terreno no 11 de Novembro, bairro árido equivalente a uma embaixada do Sumbe (de até há dois anos, se é que me faço entender). Bloco atrás de bloco, lá a obra foi ganhando forma e personalidade. Sentido e beleza. Casa própria, design moderno, material de qualidade, só a zona destoava. No fundo a velha sensação. Não é bem o que sonhamos, é o que se conseguia arranjar. As paredes, a muda que aos poucos dava voz à arborização, os acabamentos, cada detalhe a contar uma história de vida. Ao fim de três anos no projecto que passou de obra a residência comigo já lá a morar, a vida, dinâmica como é, ditava outro rumo. Havia que ceder a um inquilino. Uma nova etapa, uma nova forma de ver e viver a casa. Até que certo dia, passados largos meses sem visitar o espaço, mesmo já para permitir o à vontade ao inquilino, os meus olhos não acreditavam no que viam! O inquilino tomara a liberdade de matar a árvore, ceifando o ninho de amores apócrifos da comunidade junto ao portão. Depois de lhe serrar os galhos barrou as feridas com calda de cimento, mais outros químicos mesmo na raíz da minha frondosa, agora reduzida a um tronco seco. Porque as folhas faziam lixo, dizia-se. Nem uma palavra com quem tão carinhosamente a plantara e cuidara, o meu cunhado. Ainda hoje sangra em mim aquela árvore. Do mesmo jeito que sangram as casuarinas que não mais poesia inspiram na tão cantada e versejada Praia Morena. Não sobra uma para contar história. Tomou-lhes o lugar um punhado de palmeiras sem passado. A velhota Morena foi um dia deitar-se e despertou estrondosamente linda, rejuvenescida, escaldante, porém sem as marcas da idade. Já não é poltrona, é só lugar de se ver, olhar e seguir. O sol ralha, paixões não poisam. O que me darão as esbeltas das palmeiras quando bater sede daquele beijo adolescente e travesso que só o atrás da árvore conhece, sob o silêncio sábio do Sombreiro? O progresso nega vez às casuarinas porque sujavam, porque albergavam garças da caca branca, não tolera natureza sendo natureza? E lavar a loiça, não é porque houve vida?
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
sábado, 3 de janeiro de 2026
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
domingo, 2 de novembro de 2025
Gostei de ver o jornalista Mário Vaz de volta ao microfone após uns três anos ausente dos écrãs da TPA. É dos que mais observam a técnica de "expressões de realce" ao contar as notícias. Foi modelo em 2004 no nosso estágio intensivo de redactores-repórteres-noticiaristas da 1.ª tentativa de arranque da Rádio Ecclesia Benguela. Bem-vindo, MV. A propósito, o que é feito da Sílvia Samara?
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
domingo, 26 de outubro de 2025
Ontem! Cerimónia de Benção e Outorga de Diploma do meu Mestrado em Ciências da Comunicação
Ontem! Cerimónia de Benção e Outorga de Diploma do Mestre em Ciências da Comunicação, especialidade de Comunicação, Marketing e Publicidade, 2022-2024. Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, turma internacional leccionada em Inglês. Curriculum: Estudos avançados em comunicação / Media, Sociedade & Cultura / Meios Sonoros e Podcasting / Guionis mo-audiovisuais / Marcas e Reputação / Responsabilidade Social Corporativa-Sustentabilidade / Publicidade / Comportamento do Consumidor / Marketing Estratégico / Estratégias e Métricas de Marketing Digital / Metodologias de Investigação Científica. Média Final: 16 Valores. Defesa: Fev 2025

















