Do rumo aparente e repetido
Como discordaste da sina iletrada
Das gentes do teu kimbo.
Mas a vida escondeu de mim o azul das asas
Hoje já não páro quieto
A vida não nos deu tal opção, minha mãe
(Ego adaptando Neto 😆🤝👍)
Contos e mais para ler em dias de quarentena
«O APITO QUE NÃO SE OUVIU: (crónicas bwé de um bloguista)» despertou interesse pela relação entre as redes sociais e o formato tradicional
Por ocasião do Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor
Revela a directora do Museu Nacional de Arqueologia, Maria Benjamim
Klaus Novais é paulista
[poema inédito] VISCOSO PREGÃO
O sol que cai no mar
porção Luanda marginal
da minha rua
Boa ou má
Planta silhuetas
Que até parecem mulheres
Tivessem nome e endereço
Na minha nua
Paisagem
Meninas, mulheres
Dadas a vender(se)
vendem tudo
Tudo tudinho
Por acaso
Não poupam palavra
Nem algodão
Quanto mais a commodity
Sinuosa
Cravado em si
Vez a outra só apanham
Nada de facto apanham
No revezar da toalhita
Se homem passa
Homem não é
É só cofre
Bebé! Amor! Não vai uma foca?
E homem que passa
Aumenta passo, aumenta susto
Meu bebé! Amor! Não vai uma?
E assim a noite cresce,
vidros fumados confidentes
Dos pneus que cantam
O negro alcatrão
A gula, o pânico
Sorte imunda
O látex azulado
Como as vestes do polícia busca-polo
Meu bebé! Amor! Não vai uma?
O amor da minha rua é assim,
Generoso chão
Viscoso pregão
Amor infinito
Porque bom mercar que é
a tudo se abre.
Gociante Patissa | L. 20 Setembro 2024 | www.angodebates.blogspot.com
"Boa tarde a esta magna audiência!"
"Bom dia."
"Dizer que com um ligeiro atraso de um total de 35 minutos, iniciamos a nossa conferência. Dizer que a nossa convidada é empreendedora digital."
"Bom dia, caro moderador. Dizer que estou muito honrada pelo convite, nesse novo paradigma. Dizer que..."
"Portanto, dizer que a honra é nossa por ter aceitado, Dra."
"Dizer que... impactar... paradigma... bla, bla, bla"
"Dizer que... sustentabilidade .... empoderamento... bla, bla, bla"
"E dizer que..."
"Dizer ainda que..."
"Dizer de facto que..."
"E pronto. Dizer que... sem delongas, foi uma sessão muito esclarecedora e directa ao ponto. Dizer que..."
Analisando "SE UM DIA" de Gociante Patissa
Um mergulho nostálgico e reflexivo
O poema "SE UM DIA" de Gociante Patissa nos convida a uma profunda reflexão sobre a identidade, a origem e a busca pela paz interior. Através de uma linguagem poética rica em imagens e metáforas, o autor nos transporta para um universo pessoal e íntimo, onde memórias e desejos se entrelaçam.
Elementos-chave e interpretação:
- Retorno à origem: A expressão "Se um dia ali voltar" sugere um desejo de retornar a um estado primordial, talvez à infância, a um lugar onde a vida era mais simples e a conexão com a natureza era mais intensa. A imagem do "chão como mãe" reforça essa ideia de um retorno ao útero materno, à fonte de toda vida.
- A perda da inocência: O poeta contrasta a imagem do menino descalço, símbolo da pureza e da inocência, com a figura do adulto, que se descreve como um "meio de comunicação". Essa transformação revela a perda da espontaneidade e da autenticidade ao longo do processo de amadurecimento.
- A busca pela paz: A menção à "paz no deserto da razão" aponta para uma busca incessante por um equilíbrio interior, por um refúgio em meio ao caos da vida moderna. A razão, muitas vezes vista como uma ferramenta de domínio e controle, é aqui contraposta à paz, sugerindo que a verdadeira sabedoria reside em transcender os limites da mente.
- A dualidade do ser: A descrição do eu lírico como "por fora menino, por dentro meio de comunicação" revela uma dualidade presente em todos nós: a criança interior que anseia por liberdade e a pessoa social que precisa se adaptar às convenções da sociedade.
Em resumo,
"SE UM DIA" é um poema que nos convida a olhar para dentro de nós mesmos e a questionar nossas escolhas. Através de uma linguagem poética intensa e evocativa, o autor nos apresenta um retrato universal da condição humana, marcada pela nostalgia, pela busca pela identidade e pela esperança em um futuro mais pacífico.
A sua aparição como músico e o magnetismo com que a poesia das suas canções na língua Umbundu
arrastou multidões no município do Bocoio, interior da província de Benguela, a partir de 2012, desafiava o dito “santos da casa não fazem milagres”. É que com os parcos meios que os estúdios amadores permitiam e à margem da comunicação social ou das redes sociais, despontava a promessa na música de carácter matricial africano, o jovem Kupeletela.SE UM DIA
Se um dia ali voltar
Se o chão for mãe
De novo
Se o pó dos meus pés
lambuzar feijão com as mãos
Se um dia, minha mãe,
brotar a paz no deserto da razão
Devolvam-me menino descalço
À estufa de sangue
Por fora menino,
Por dentro meio de comunicação
Gociante Patissa | L. 2024 | www.angodebates.blogspot.com
https://www.chevening.org/scholarship/angola/
PS: Apenas e só estou a passar a palavra. Obrigado

(...)"E não terminarei sem lamentar uma actuação que nos parece assíncrona entre as diversas entidades que superintendem a Educação, a Cultura, o Território e a Investigação, na expectativa de colhermos melhores avanços. Dou como exemplo a questão da toponímia e a corruptela de referentes africanos, bem como a estagnação do projecto de harmonização da norma de grafia das línguas Bantu.
Saúdo-te, minha mãe,
Ainda, ainda
Que linda te encontres
Como a aldeia que moveu
O orvalho alguma vez
Sola do pai que foi
lindo-bandido favorito
Coral
Hoje é domingo, mãe
Ao menos para alguns
Que linda te encontres
de feias já nos bastam as palavras
Deste tempo
Contratempo
Tanta bomba
Tanto se tomba
Minha mãe
Santa terra que nada
Minha enorme mãe
Nem tudo por lá é Cristo
já não é em dias o calendário
Contar
É por corpos
Da raça há tanto tolhida
À lente de um mundo embalado
no sono dos anjos
Só posso dar por mim a coçar tanto calo
no teu joelho
Timbrando meio século
De preces
E devoção à tribo escolhida
Minha temente mãe
Enquanto isso, minh'África
"Kulo handi wamalanga
Olopeto petu
Cina twalile"
Com quantas lentes
Com quantas, quantas
sopas solidárias se raspa
o fundo
da questão,
ó mãe,
minha enorme mãe?
O Raio X não mostra a dor,
É este o mal, doutor
O Raio X não mostra a dor,
Mas a dor está lá
A dor lá está, Senhor
Gociante Patissa | Feira do Livro de Lisboa | 02 Junho 2024 | www.angodebates.blogspot.com