PERDEMOS. A figura que aparece em primeiro plano faleceu em Lisboa, Portugal, vítima de doença. Já não temos Waldemar Bastos,
prémio nacional de cultura e artes 2018 e dono de uma folha de serviço na criação e divulgação da nossa riqueza musical angolana.segunda-feira, 10 de agosto de 2020
terça-feira, 14 de julho de 2020
Opinião. Meu repúdio por mais um óbito pelas mãos das forças da ordem
1. Porque me obriga a consciência de cidadão e agente de mudança social no campo das letras, venho expressar mais uma vez o vivo repúdio face aos actos que redundam em excessos das forças da ordem, policiais ou militares, na sua abordagem com populares. Situo no meu entendimento ao falar em uso excessivo de força um quadro de meios e perícia injustificado ou desproporcional a uma determinada circunstância.
2. A sociedade angolana segue chocada o ascendente trágico de mortes causadas pelas forças da ordem. A vítima mais recente é o jovem José Kilamba Rangel, baleado por um agente da Polícia Nacional que patrulhava o Bairro do Prenda, em Luanda, no quadro do Decreto Presidencial que reforça as medidas de prevenção da Covid-19. Um outro jovem, que ia em companhia do falecido, sobreviveu ao tiro no ombro.
3. Segundo o porta-voz do Comando provincial de Luanda, Nestor Goubel, citado pela Lusa, o incidente ocorreu por volta das 02h00, quando os jovens "se insurgiram contra a Polícia e na tentativa de os afastar, um agente acidentalmente disparou".
4. Cada cidadão contribui para o bem-estar e segurança da nossa Angola, mas tenho consciência do respeito acrescido que nos merecem as forças da ordem, que enfrentam por inerência das suas actividade situações de perigo e dormem longe do conforto dos seus lares. Também não fui militar nem alguma vez adquiri a perícia de manejar armas.
5. Seja como for, recuso-me a acolher a recorrência de tiros acidentais ou então que não haja outras formas de dissuadir o "desacato às autoridades" senão pela neutralização letal do "alvo". A própria Polícia já nos habituou a ver louváveis exemplos de contenção, pedagogia e humanismo. O papel do polícia não pode ser o de matar (fácil), do mesmo jeito que o papel do juiz não se pode limitar a condenar.
6. Os números de vidas perdidas à bala da Polícia, só nestes quatro meses, andam acima de 65% dos óbitos causados pela Covid-19, que temos todos o compromisso de prevenir e combater. Não deixo de lamentar as mortes e de me solidarizar com as famílias de agentes e militares mortos por meliantes e cidadãos de conduta errónea.
7. Exmo. Senhor Ministro do Interior, ensina-nos a ciência a prestar atenção aos fenómenos sociais e aferir as causas determinantes e condicionantes, sob pena de continuarmos a perder tempo, neste caso vidas, com a superfície. Porque será que os tiros de efeito psicológico, admitindo o seu uso como recurso extremo necessário, tendem a ser apontados ao corpo e não para o ar? Sabendo que, matando, o autor é punido com penas pesadas, os agentes não deviam estar sensibilizados do contrário?
8. Termino reforçando o apelo para se investir no acompanhamento psicossocial e aquisição de coletes anti-bala para os nossos agentes. Seria grave ouvirmos algum dia que afinal se andou a matar por... pânico.
Gociante Patissa (escritor). www.angodebates.blogspot.com
|Benguela, 14 Julho 2020
Imagem: site do minint
terça-feira, 7 de julho de 2020
Crónica | DESCULPA DIZER MAS ERA ASSIM UM SENHOR CHEIO
sexta-feira, 3 de julho de 2020
O segredo da Igreja Universal do Reino de Deus - Sousa Jamba
quinta-feira, 18 de junho de 2020
Aqui vai o link do youtube para quem não acompanhou o webinário sobre “A Influência das Línguas Africanas na Literatura Angolana”, moderado por David Vaz, promovido pelo projecto brasileiro Frente Cultural da Língua portuguesa, tendo na tertúlia os académicos angolanos João Fernando André (escritor, docente e linguista) e Gociante Patissa (escritor, linguista e jornalita), sob produção de Carlos Seabra e Susanna Florissi, 17.06.2020. Obrigado
domingo, 7 de junho de 2020
Para download | O APITO QUE NÃO SE OUVIU, crónicas de Gociante Patissa (União dos Escritores Angolanos, 2015)
segunda-feira, 25 de maio de 2020
UCCLA prolonga prazo de recepção de textos literários sobre “Cultura em tempos de Pandemia”
A Organização não esclarece se reservou ou não um orçamento para o pagamento de direitos autorais na esteira da colaboração, que no entanto não se trata de um concurso. Prevê-se a publicação dos textos apurados em plataformas digitais e em livro. Os interessados podem enviar textos em poesia ou em prosa, até ao dia 25 de junho de 2020, com o limite de 5 mil caracteres, para os emails cultura@uccla.pt e/ou ruilourido@uccla.pt.
Leia os textos e conheça os autores - oriundos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe - que já aderiram a esta iniciativa da UCCLA através do link https://www.uccla.pt/noticias/uccla-lanca-reflexao-sobre-cultura-em-tempos-de-pandemia.
domingo, 24 de maio de 2020
Dissertação de Mestrado na Universidade de Lisboa estuda obras dos escritores angolanos Pepetela, Ondjaki e Gociante Patissa
i. Selecção dos autores. Para uma compreensão diacrónica, escolhemos Pepetela, que escreve na década de 70 e em 2011, o que nos permite comparar a escrita do período colonial com as tendências contemporâneas, recentes. Para uma possível aproximação à linguagem popular, preferimos Patissa, que melhor representa o contacto com a língua umbundu (centro sul), e Ondjaki, que faz uma radiografia do ambiente popular da cidade capital, Luanda. O corpus jornalístico escolhido é aquele que, na esfera da imprensa escrita, julgamos representar melhor as diversas sensibilidades do país. Revelou-se muito mais rigoroso no uso da “norma” (i.e. a norma do PE), mesmo que os resultados revelem algumas divergências”
Dissertação disponível em PDF neste link
https://repositorio.ul.pt/
FICHA TÉCNICA
Tese defendida a 11-Nov-2019 / Autor: Mutali, Henrique Simão
Orientador: Martins, Ana Maria/ Tema: Título: A colocação dos pronomes clíticos no português angolano escrito / 432 páginas
Universidade de Lisboa - Faculdade de Letras
Dissertação de Mestrado em Linguística
quinta-feira, 14 de maio de 2020
Crónica | PROCURA-SE IGNORANTE
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De vez em quando, o que para ser franco até ocorre com frequência ultimamente, sua excelência eu fica a matutar sobre a evolução semântica de certas palavras no dia-a-dia mwangolê, cuja velocidade é de preocupar porque se afigura cada vez mais difícil de alcançar.
A título de exemplo, IGNORÂNCIA passou a ser uma virtude, refere-se à condição de quem (é ou) está usando a capacidade de resistir a provocações ou pressão mediante o silêncio ou inacção. Trazido ao nosso contexto, há que destacar que se ainda há algum êxito no nosso sistema de ensino-aprendizagem, então o mérito vai para a classe docente, que é formada globalmente por grandes ignorantes... pois os alunos hoje em dia não provocam pouco. Neste caso, professor sai-se duplamente ignorante se olharmos também para as condições de trabalho nem sempre favoráveis ao exercício da profissão.
Não será de admirar que nos próximos tempos, mesmo já que é para poupar espaço, a descrição de perfil em concursos de vaga em qualquer sector seja resumida a... "procura-se ignorante para admissão imediata". Vai daí o conselho: sempre que tiver de elaborar o seu curriculum vitae para dar aulas, uma vez conhecido já o fenómeno social da tendência cada vez maior dos alunos à indisciplina, não se esqueça de destacar a sua maior virtude: IGNORANTE! Até pode mesmo acrescentar que o candidato é "ignorante de pai e mãe".
E há mais. Por favor que ninguém me trate por "amigo!"; amigo é o comerciante desconhecido, concretamente o chinês ou o vietnamita da casa das fotocópias ou da "repação" de motorizadas. E sua excelência eu, sendo que não tem jeito para negócios, desgraçado talhado a subordinado, então também dispensa fama sem proveito. Ah, mas para depois não surgirem acusações de fundamentalismo, abre-se uma excepção. Quando assim ocorrer, falo de me chamar "amigo!", tenha a certeza de que estou pagando serviços no seu próprio estabelecimento. Senão, hum!...
Vou terminar com uma nota triste. Na adolescência aprendi noções básicas de tocar viola, andei no coral infantil, mas depois não houve talento para dar vida à semente. Porque se assim não fosse, hoje eu pegava nessas letras, inventaria uma melodia e COMPOSITAVA uma bela canção. É isso, esse profissional de arte que não ganhava fama nenhuma enquanto "compunha", agora já tem mais visibilidade porque passou a compositar. É como digo, depois do cuduro, nunca mais o sector da música será o mesmo. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante Patissa. Lobito, 14 Maio 2017
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segunda-feira, 11 de maio de 2020
Humor | Cerca sanitária COVID-19 e etc.
Certo agente regulador de trânsito em Luanda aborda um motorista inicialmente por excesso de velocidade apenas.
— Mas, senhor agente, eu posso explicar... — replica o motorista.
— Meu caro amigo, trate de ficar quieto! Vou colocá-lo na cadeia até o chefe chegar! — esbraveja o agente. — São vocês, pá! Erra muito bem, depois ainda quer convencer… Hum!
Em coisa de minutos aproximam-se as forças da ordem em cumprimento do Estado de Emergência. O polícia explica aos colegas que o cidadão estava a circular sem credencial, portanto em lazer.
— Mas, por favor, eu só queria dizer que...
— Silêncio! Você está retido! Se abrir a boca, apanha uma pastilha por desacato à autoridade! Num momento em que o país de boca e narinas enfrenta a guerra do inimigo COVID-19, o camarada fica a zanzar, francamente, pá! Meu amigo, cala-me mais é esta máscara, pá! Já conhecemos esses truques. Comigo, se é de gasosa ou saldo, é melhor desistir. Errou, apanha as consequências!
Aí, o oficial-dia manda encarcerar o alegado infractor numa cela, sozinho, e vai embora sem lhe dar atenção. Horas mais tarde, volta para verificar o comportamento do detido:
— O chefe está a chegar! Sorte a sua que ele foi ao casamento da filha dele. Deve estar de bom humor.
— Duvido muito... Se me tivessem deixado falar, saberiam que o noivo sou eu!
(Ficção/Adaptação) | www.angodebates.blogspot.com
quarta-feira, 29 de abril de 2020
terça-feira, 28 de abril de 2020
Conto | A ESTRELA QUE NÃO VOLTEI A TER
enquanto a sobrinha e outros jovens da casa ao lado cuidavam do resto. É que já levávamos uns quarenta minutos de atraso. Ficava para o fim das aulas a conversa com a ama do Bruninho, como era carinhosamente chamado (no entanto tratado como a maioria dos considerados rafeiros, protegidos pelo acaso e co-alimentados pela rua).

















