quarta-feira, 30 de agosto de 2017
terça-feira, 29 de agosto de 2017
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
Qualquer dia, até tossir em espaços públicos será proibido | Do país em que até para fotografar a própria sobrancelha é preciso autorização da direcção de um estabelecimento privado
Enquanto se aguarda por uma segunda viatura para regressar à casa, depois de apreciar no Cinemax do Kero de Benguela um filme infanto-juvenil, os sobrinhos sugerem tirar fotos no parque de estacionamento para registar a socialização para a posteridade. Aí é que entra o guarda, armado mas bem educado, a proibir. Porquê? Porque está escrito. "É preciso pedir com adecedência", diz ele. Mas pedir autorização a quem? "Na Direcção mesmo". Caculando que talvez se devesse ao tamanho da minha máquina fotográfica semi-profissional, atiro: mesmo que seja para fins familiares? "Sim, é mesmo isso, é preciso autorização." Parece ridículo e nada melhor que ridicularizar: e se fosse uma selfie com telemóvel, também teria de pedir autorização? "Sim." Não gostando de desautorizar ninguém em posto de trabalho, acedi à "ordem" do segurança e fui ler o cartaz a que este post faz referência. Honestamente, não vejo que prejuízos à imagem do Kero de Benguela é que uma selfie tirada no parque (vazio) de estacionamento representa, ainda mais numa era em que um simples botão de lapela de qualquer casaco ou blusa pode fazer fotografias ou vídeos em investigação forense. Só pode ser uma reprodução de práticas de excesso de zelo do tempo de guerra em que imperava o estatuto de "objectivos estratégicos", no que entravam os aerportos, as barragens e afins. Portanto, menos, caros gestores, muito menos! Ainda era só isso. Obrigado
Daniel Gociante Patissa (cidadão e cliente) | http://angodebates.blogspot.com/
domingo, 27 de agosto de 2017
Diário | Negar uma simples água?! Mas você afinal é assim complicado porquê, velho?
“Mas não estão a ouvir?! Ainda vou bater com mais força. –
tóc, tóc, tóc, - Estão ali?”
“Mas quem é?”
"Sou eu, vizinho.”
“Eu ainda tenho vizinho?”
“Assim então estás a falar como?! Sou eu, o teu
brada Venceslau, da parede ao lado…”
“Não conheço…”
“Ah, é de se desprezar? Então, 15 anos de porta à porta,
agora já não me conhece?”
“Mas não me chamaste de bruxo, bwé de nomes feios – filho
disso e daquilo – antes de me bloquear, só por alertar que na
campanha é preciso pensar no dia seguinte, que somos o mesmo povo, que daqui a
cinco anos haverá mais?!”
“Ai!… Afinal não sabes, né? Eu sou uma pessoa de mente
aberta, vizinho. Posso te ofender no facebook, te bloquear, ficar inimigo
contigo, né?, mas pensas que, tipo, aqui em casa misturo? Aquilo fica mesmo nas
redes sociais. Fora comemos e chupamos juntos. Se tens dúvida, experimenta
pagar aí na cantina. Estás ver, né?”
“Por acaso, não. Não estou a ver…”
“Meu, mano, isso é século 21. Nas redes sociais é uma
coisa, aqui no dia-a-dia é diferente. A nossa amizade não pode ficar afectada…”
“Aié? E nas redes sociais estás com que nome?”
“Venceslau mesmo…”
“E eu?”
“Você mesmo…”
“Ora pois. Então tu me sujas, ameaças, eliminas os meus
comentários de me defender, insultas a torto e a direito… agora queres-me
convencer que tens duas caras?!”
“Ainda põe pause nesse tema, velho. Venho em paz, naquela
base habitual já…”
“Que base?”
“Só para o vizinho esticar a mangueira em cima do muro. Me
cortaram a água, velho. O que faz esse governo, esse governo!… Quer dizer, a
pessoa vota, e o resultado é esse?!”
“Mas cortaram porquê? Deves ter dívida com a Empresa de
Águas e Saneamento, não?"
"Até só perdi o meu rico tempo a tentar-lhes explicar.
Quando acabar de pagar o crédito da motorizada, até vou regularizar a dívida,
faltam só dois anos…”
“Hahahahaha. E o estado vai esperar dois anos para facturar o que consomes?!”
“Por isso vim aqui como homem, na paz, apelar o vizinho,
exortar por uma mente aberta e neste âmbito me fornecer água durante o defeso.
Até não é bem por mim, é mais pela família, as crianças que vão à escola. O
irmão, sendo pai, o que tem a dizer?”
“É simples. Pega nas bandeiras e T-shirts, faz um cordão
enorme, amarra no arco do balde e lança ao parlamento ou ao comité. Não andaste
aí todo radical?”
“Também não é assim que se tratam os amigos, velho,
desculpa lá! Acha isso realista?”
“Ah, é, né? Neste caso, pede a qualquer um dos deputados
para te fornecer água de Lexus, ya? Agora me dá licença, vou mais é ajudar a
mulher a lavar a loiça...”
“Até era uma coisinha de nada. Negar uma simples água?! Mas
você afinal é assim complicado porquê, velho?”
Gociante Patissa | Aeroporto Internacional Dr. António
Agostinho Neto – Catumbela | 27 Agosto 2017
sábado, 19 de agosto de 2017
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
“RAÍZES CANTAM” NA PENA DE JOB SIPITALI - Prefácio de Gociante Patissa no Jornal Angolano de Arte e Letras
A província de Benguela volta a inscrever, com caneta
dourada, na história da produção literária angolana, um poemário consistente,
«Raízes Cantam», que desponta da segunda década do pós-guerra, cujo marco é o
ano de 2010, da qual o autor faz parte.Pede-me o Job Sipitali que prefacie o seu livro. Ora, tenho duas boas razões para negar. A primeira é poupá-lo do azar (a única vez que prefaciei um livro no prelo foi há coisa de cinco anos, e nunca chegou a ser publicado). A segunda razão – e a mais forte – é que a obra tem tudo para vingar por si, com uma maturidade estética tão rara em estreantes e que, por isso mesmo, dispensa qualquer empurrão. Agradeço pois a honra e partilho então estas linhas pela consideração que me merece o autor e a riqueza do texto.
«Raízes Cantam», poesia contemporânea congénita, recebe por empréstimo do seu fazedor a relação intensa «cidade-campo», com este último sócio-antropologicamente inconformado na Camisa-de-forças do espaço urbano, onde se viu encaixado à ordem da pólvora. Fica também a interrogação quanto ao que ficou por dizer da parte do autor, tendo em conta as reticências que antecedem e encerram o título de cada poema.
Para um leitor que seja falante da língua Umbundu (onde língua implica a cultura deste grupo etnolinguístico de origem Bantu, que predomina no litoral centro, sul e sudoeste de Angola), será inevitável experimentar a intertextualidade entre a tradição oral e o tricotar alegórico do poeta. Temos isto mesmo em ...A ELEIÇÃO DO VERBO..., onde «Acorda-se o silêncio com o sino rural: cocorocó – cocorocó…/ E uma merenda sobre as brasas do fumo/ ergue os olhos da enxada.» Este vívido rural lembra um cântico que indaga com melancolia: «Kulo ka kuli akondombolo / pwãi kucaca ndati?» (Aqui não há galos / então como é fazem para amanhecer?). De resto, «A escrita rural / voa com o fumo / na chama dos parágrafos», como bem advoga o poema …SÁBIO RURAL…
No poema …FUTURAS PALAVRAS…, temos a enunciação que leva a inferir que a saúde do futuro reside no reencontro com o que há de lição e tradição no passado, na essência griot. «Vão ao serão / não serão / órfãos de palavras. / No serão ouvem-se / palavras circuncisas./ Vão. Não serão órfãos.» Só mesmo a embriaguez de poeta para ainda crer na exequibilidade de uma tal sugestão de resgate, precisamente numa sociedade, como a angolana, que faz culto (institucional, até) à encarnação mecânica de modelos/padrões identitários e civilizacionais que implicam a auto-negação ontológica africana. Mas há que vestir a certeza que o autor pinta na estrofe primeira do poema …VIAGEM…, que abre o livro: «Verdade ou não importa / o imperativo / dos sonhos.»
Atento aos fenómenos, virtudes e degenerações no rumo da
sua sociedade, temos no poema …ADJECTIVO… o desencanto pelo papel do
intelectual moderno, de quem se esperava, vagalume, guiar o seu povo,
intelectual este que, no lugar de defender causas, escolheu defender lados
conforme o charme do aceno. O que resta é que «As almas defendem-se / dos
corpos epistémicos / dos filósofos nos olhos.» Ou, dito de outra forma, «O ex
professo / Carrega consigo / O nacionalismo aurido» (do poema ...MISSÃO…)
Nota-se um distanciamento em relação à tendência dos da
sua geração, aquela nota acentuadamente sócio-realista e declarativa, com
textos prolixos e a passar ao lado do labor estético. Job Sipitali desponta
pela diferença. Traz uma poesia concisa, proverbial e penetrante, enfim um
material esteticamente cozido para saltar da gaveta para as páginas de um
livro. Que desta promissora lavra venham outros e que receba um acolhimento à
altura. Ainda era só isso.
Benguela, Angola, 01 de Julho de 2017, publicado no Jornal Cultura, de 15 a 28 de Agosto de 2017
Job Sipitali apresentou no domingo (30/07) ao público na
Mediateca de Benguela a obra literária de estreia intitulada “Raízes Cantam”.
Com 55 páginas, o formato é de livro de bolso e sai pela editora Perfil
Criativo, com sede em Portugal, que para a primeira edição coloca à disposição
de amantes da leitura 150 exemplares.
Job Sipitali (1985) nasceu no Município do Cubal,
Província de Benguela - Angola. É Bacharel em Linguística-Português pelo ISCED
(Instituto Superior de Ciências da Educação) - Benguela. É membro e co-fundador
da ALCA (Associação Literária e Cultural de Angola), onde exerce a função de
coordenador do distrito de Benguela. Escreve, principalmente, poesia e contos.
…NOÇÃO DE CONCLUSÃO…
Concluo fazendo o tempo: dos homens,
da terra, dos objectos,
das vozes naturais, do silêncio celeste.
da terra, dos objectos,
das vozes naturais, do silêncio celeste.
Mas o tempo não cabe na conclusão
nem nas coisas vitais.
Cabe no Homem.
nem nas coisas vitais.
Cabe no Homem.
O tempo é ele mesmo.
Não tem género.
Sigamo-lo com a escrita não com os pés.
Não tem género.
Sigamo-lo com a escrita não com os pés.
…A GRAMÁTICA E A ZUNGUEIRA…
Corrige-me
o destino
não o pensamento.
o destino
não o pensamento.
Corrige-me o sofrimento não a gramática
que gosta de comer bem com os verbos
e esquece-se dos
pronomes personificados, dos pratos típicos
e quentes da sintaxe.
que gosta de comer bem com os verbos
e esquece-se dos
pronomes personificados, dos pratos típicos
e quentes da sintaxe.
Corrige-me a palavra,
não a polissemia que gosta de ser híbrida.
Corrige-me tudo, menos o pensamento.
não a polissemia que gosta de ser híbrida.
Corrige-me tudo, menos o pensamento.
terça-feira, 15 de agosto de 2017
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Como recorte de um filme
Trio de júri, docentes do Instituto Superior de CiÊncas da Educação (ISCED) Benguela, da Universidade Katyavala Bwila (UKB).
domingo, 13 de agosto de 2017
Coincidiu com a agenda da sua excelência eu assistir à defesa da tese de licenciatura da Loide Patissa, num grupo que agora sobe para cinco, todos netos de Manuel Patissa, que seguiram linguística na Universidade Katyavala Bwila (depois da Arminda Gociante Patissa, Celeste Manuel, Félix Manuel - português - e Gociante Patissa - inglês)
Daquelas quebras de protocolo que, mesmo não sendo ideia original, o fotógrafo naturalmente não tem como deixar de captar
Coincidiu com a agenda da sua excelência eu
assistir à defesa da tese de licenciatura da Loide
Patissa, num grupo que agora sobe para cinco, todos netos de Manuel
Patissa, que seguiram linguística na Universidade Katyavala Bwila (depois da Arminda
Gociante Patissa, Celeste Manuel, Félix Manuel - português - e Gociante
Patissa - inglês)
Rádio Catumbela finalmente inaugurada | Emissão de programas está fora da agenda da mais nova estação da província de Benguela
A estação radiofónica comercial Rádio Catumbela foi
oficialmente inaugurada no sábado (12/08) pelo ministro da Comunicação social,
José Luís de Matos. A rádio dispõe de um raio de cobertura em FM 92.03 para a costa litoral da província (Benguela, Baía Farta, Catumbela e Lobito).
O director geral daquela estação emissora, padre António Manuel,
referiu que no cumprimento do seu estatuto orgânico, a Rádio Catumbela vai
continuar com um pendor essencialmente musical, com dois pontos informativos,
nomeadamente às 13:h00 e às 20 horas, não exercendo a função informativa,
nomeadamente entrevistas, programas de entretenimento e outros, como seria de
esperar.
Ao presidir o acto, o ministro disse sentir-se regozijado por
cumprir um dever constitucional de formar e informar os cidadãos, além de dar
postos de trabalho aos jovens. José Luís de Matos augura que sejam úteis a
população da Catumbela e façam reflectir nas respectivas emissões as
preocupações dos cidadãos e que, por esta via, façam chegar as autoridades
estas preocupações e, eventualmente, propor soluções.
Apelou aos profissionais da estação emissora, no sentido do
cumprimento dos princípios básicos do jornalismo, mormente a ética, a
deontologia e a equidade e que tratem de assuntos relacionados com os jovens.
Por sua vez, a vice-governadora para a área política e social de
Benguela, Laurinda Baca, disse que com essa inauguração os problemas da
comunidade serão abordados dentro de um contexto mais actuante.
O director geral daquela estação emissora, padre António Manuel,
referiu que no cumprimento do seu estatuto orgânico, a Rádio Catumbela vai
continuar com um pendor essencialmente musical, com dois pontos informativos,
nomeadamente às 13:h00 e às 20 horas, não exercendo a função informativa,
nomeadamente entrevistas, programas de entretenimento e outros, como seria de
esperar.
A Rádio Catumbela já funciona neste formato musical há mais de
um ano, sendo este o seu acto inaugural oficial e considerou tratar-se de,
apesar de privada, uma parceira estratégica da Rádio Nacional de Angola.





















