quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Polémica | Académicos portugueses consideram "desonesto" acusar Fernando Pessoa de "racista e esclavagista"

Respeitando o princípio do contraditório, partilhamos esta reportagem que rebate as "acusações de esclavagista e racista" feitas à figura de Fernando Pessoa, na senda da contestação pela indicação do nome dele, feita de forma unilateral por Portugal, para "patrono" de um projecto juvenil da CPLP. Tudo começou esta semana por um artigo de opinião publicado no Jornal de Angola com a assinatura da académica angolana Luzia Moniz, mais tarde subscrita por académicos cabo-verdianos.

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O investigador José Barreto trabalha há 15 anos no espólio de Fernando Pessoa, escreveu livros e artigos sobre o poeta e é profundo conhecedor da obra. Garante que nunca viu os documentos em que se baseiam as acusações de racismo e esclavagismo ao poeta. (Ler reportagem completa)

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(arquivo) Diário | Tem mbembita?


(I)
"Afinal quando é que vamos apagar a luz como antigamente?"
"Quando estive aí para você, não me querias. Agora, ah porque 'quando é que vamos, quando é que vamos?'..."
"Nunca ouviste que os que um dia se conheceram nunca mais vão se desconhecer?..."
"É assim: eu agora tenho homem, não sou mais a de ontem. Ouviste?!"
"Você quando começa a ficar rabugenta, é porque assim já estás aceitar. Você não conhece saudades?..."
"Pronto. Cala a boca já, estás a me despir com as palavras. Mas é assim: temos que fazer as coisas com jeito. Eu como o meu pequeno negócio é ambiência, você quando é para coiso, tem que ter um código. O meu homem é pescador, não é todos os dias que dorme em casa."
"Aié, né? Ainda fala o código! Até já estou cheio de vontade..."
"De dia, não! Lá p'ras tantas, você bate à porta e pergunta assim: 'Não tem mbembita?' Se eu te responder 'tem', assim estou livre. Se eu te responder 'não tem', assim não vai dar, o meu homem está em casa, ouviste?"

(II)


"Troc, troc, troc"
"É quem é?"
"Tem mbembita?"
"Não, não tem."
"Tem mbembita?"
"Não, já acabou."
"Tem mbembita?"
"Ó senhor, já falei! Hoje não há nada p'ra beber."
"Tem mbembi..."


"CHEGA! MAS QUE PORCARIA É ESSA, Ó MULHER, HÃ?! SÃO 23 HORAS, JÁ FALASTE QUE NEGÓCIO ACABOU, E ELE CONTINUA A BATER À PORTA?! ISSO NÃO É NADA BEBIDA, PÁ, VOCÊS TÊEM OUTRA CONVERSA!..."
"Assim estás a falar lixo porquê?! Uma gaja não está contigo nua na cama? É por isso que eu quando me conquistaste já tinha receios. Meu coração já me avisava que no teu ciúme ninguém passa...'
"VAMOS EMBORA DORMIR, O GAJO TAMBÉM JÁ FOI. ESSE NEGÓCIO DE VENDER BEBIDA A COPO EM CASA SÓ DÁ CONFUSÃO..."
"Eu não trabalho, como é que assim vou sustentar os três órfãos que me encontraste com eles?..."

(III)


"Mas ó seu meu estúpido! Já não te falei que ao responder 'não há mbembita', assim o meu homem está em casa?!"
"Ontem estava já com uns copos, e você sabe que eu com copos é fogo!..."
"Estou a te avisar, ouviste?! Se o meu homem me deixar, você vai me arranjar outro, ó burro?!"
Gociante Patissa (adaptação)
Lubango, 16 Julho 2016
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Crónica | Um homem entre a igreja e o bar (*)


Um homem foi à igreja. Ele esqueceu-se de silenciar o telefone que acabou tocando, acidentalmente, durante a oração. O líder o repreendeu veementemente por isso. Os membros falaram sobre o quanto interromper a reverência foi inapropriado. A esposa continuou a repreendê-lo durante o retorno para casa, por conta do seu descuido no culto. Quem olhasse para ele perceberia a vergonha, o embaraço e a humilhação que ele sentia. Depois disso, infelizmente, não voltou à igreja. E, naquele mesmo dia, ele decidiu ir a um bar. Ainda estava bem chateado. Por conta disso acabou derrubando o copo de bebida sobre a mesa em que estava. O garçom limpou a mesa e ofereceu guardanapos para que ele se limpasse. Outro funcionário veio e limpou o chão. A gerente lhe ofereceu outro drink e deu-lhe um abraço amigável, dizendo: "Não esquenta não... quem nunca cometeu erros?" Desde então ele é cliente assíduo do estabelecimento. Algumas vezes nossa atitude como membros afasta as pessoas, e isso independe da nossa crença. Você pode fazer toda a diferença na vida de alguém, especialmente quando esse alguém comete erros. Tenha um bom dia! Ame o seu próximo ou a sua próxima!

(de autor não identificado, texto apócrifo nas redes sociais)
Imagem: Guiame
(*) Título do Blog Angodebates https://angodebates.blogspot.com/
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domingo, 10 de fevereiro de 2019

Luzia Moniz contesta figura de Pessoa | CPLP escolhe escravocrata racista para projecto juvenil


Aos 28 anos escreveu: “A escravatura é lógica e legítima; um zulu (negro da África do Sul) ou um landim (moçambicano) não representa coisa alguma de útil neste mundo. Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter.


O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir aos fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico. O degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude”.


Em 1917, aos 29 anos continua: “A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem que cumprir-se, sem revolta possível. Uns nascem escravos, e a outros a escravidão é dada.” 


Aos 40 anos consolida a sua ideologia racista, escrevendo: “Ninguém ainda provou que a abolição da escravatura fosse um bem social”. E ainda: “Quem nos diz que a escravatura não seja uma lei natural da vida das sociedades sãs”?


Fernando Pessoa, dono desse ignóbil pensamento, é a figura escolhida pela CPLP para patrono de um projecto de intercâmbio universitário no Espaço de Língua Portuguesa. Essa iniciativa, cópia do programa europeu Erasmus, visa a educação, formação e mobilidade de jovens do espaço de língua portuguesa, oferecendo-lhes oportunidades de estudo, aquisição de experiência e voluntariado por um período curto num dos países da CPLP à sua escolha. Que Portugal, país onde a mentalidade esclavagista fascista ainda é dominante, tenha escolhido promover, branquear essa figura sinistra não me espanta. Agora, o que verdadeiramente me deixa perplexa é a aceitação pelos países africanos, as vítimas da escravatura.


Se foi para a isso que Portugal fez a guerra para assumir o secretariado executivo da CPLP, tudo indica que a coisa começa mal.


Denunciei isso mesmo, esta quarta-feira, na Assembleia da República de Portugal, durante a cerimónia de abertura do ano da CPLP para a Juventude, onde estavam deputados portugueses, governantes dos Estados da CPLP, jovens, activistas, intelectuais e académicos afro-descendentes, brasileiros, portugueses e africanos.


Não sei se Pessoa é ou não bom poeta. Isso pouco interessa para o caso. A minha inquietação é o uso da CPLP para branquear o pensamento de um acérrimo defensor do mais hediondo crime contra a Humanidade: a escravatura.


Atribuir o seu nome a um projecto que envolve jovens, descendentes dos escravizados, configura um insulto fascista.


Na AR alguém, para tentar justificar o injustificável, alegou que as convicções esclavagistas fascistas de Pessoa reflectem o pensamento da sua época, ignorando que, por exemplo, Eça de Queirós, contemporâneo de Pessoa, era contra a Escravatura e que, quando Pessoa escreve tais alarvidades, já a escravatura tinha sido abolida oficialmente. Outros diziam que precisamos de olhar para o futuro, esquecendo o passado. Como se Pessoa fosse futuro. Pessoa representa o que é preciso combater hoje para defender o futuro. Como construir um futuro salutar sem olhar para os erros do passado?


E se nos cingirmos apenas ao “pensamento da época”, qualquer dia temos o nome de outro colonialista-fascista António de Oliveira Salazar atribuído ao Conselho de Finanças da CPLP, com o argumento de que “tinha as contas em ordem” e de que foi “fascista à época”.

Se se pretende criar uma comunidade envolvendo as populações e não se limitando aos políticos, mais ou menos distraídos, é imperativo que o nome de Fernando Pessoa não figure em projectos comuns. Em sua substituição, sugeri Mário Pinto de Andrade, académico, um dos mais brilhantes intelectuais do espaço de língua portuguesa. Angolano que iniciou o seu percurso académico em Angola, passando por Portugal antes de ser ministro da Informação e Cultura na Guiné Bissau, que teve passaporte cabo-verdiano e deu aulas em Moçambique.

 
Espera-se dos países africanos membros que revertam essa situação, opondo-se ao nome de Fernando Pessoa, mesmo que com esse digno gesto se crie um novo irritante. Os irmãos de Cabo verde, que neste momento presidem a CPLP, têm uma responsabilidade acrescida nesta questão. Se Portugal olha para a CPLP como um instrumento de dominação dos outros, cabe-nos a nós, africanos, impedir que isso aconteça.

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Para colegas da Oficina Literária | AINDA SOBRE O QUE É OU NÃO OBRA LITERÁRIA: EXEMPLOS DE LIVROS POR TÍTULO, INDEPENDENDO DO FORMATO (DIGITAL, PAPEL, ÁUDIO)

Em função das conversas com colegas da Oficina Literária sobre assuntos ligados à escrita, sobretudo pela ambiguidade com que se usa a expressão "obra literária", lanço para debate, se tiver de ser, a compreensão mais ou menos consensual da destrinça possível mediante a natureza do que aparece no mercado. Deixamos o leitor para localizar no google as mais brilhantes teses sobre o tema, optando pela simplificação neste mural por não termos um grupo de discussão fechado:
1- "Actividades desenvolvidas por grupos recreativos locais"; "Estado actual das infraestruturas desportivas"; "Mapeamento das ONG's de Benguela, o caso das sobreviventes"; "Contributo das igrejas na alfabetização" (trata-se de um RELATÓRIO, pode ser elaborado por um técnico ou dirigente de grupo/instituição. Inclina-se para o campo documental. Obra documental. Linguagem não literária)

2- "Factores que levam a comunidade estudantil a não saber distinguir uma obra literária de um manual"; "Vantagens e desvantagens dos cursos universitários oferecidos no mercado de Benguela"; "Causas e consequências da exposição da vida privada das pessoas nas redes sociais"; "Por que será a matemática um bicho de muitas cabeças?" (trata-se de um ENSAIO/ESTUDO, que tem por base o método da investigação. Pode ser elaborado por um estudioso/académico/expert, na condição de cientista social, que o assinará na condição da sua formação ou título profissional. Inclina-se para o campo das ciências. Obra académica. Linguagem não literária)

3- "Como ensinar a matemática a alunos com necessidades especiais"; "Técnicas do uso de microfone sem soar artificial"; (Trata-se de um MANUAL, livro de carácter didáctico. Pode ser elaborado por um quadro entendido na matéria, que deverá se referenciado pelo título profissional ou académico. Um manual difere do ensaio por focar não tanto da compreensão do fenómeno, mas em partilhar método e instruir. Inclina-se para o campo das ciências na sua faceta empírica ou prática. Obra didáctica. Linguagem não literária)

4- "Se ama a mãe, ame o enteado"; "O melhor pão é o que temos"; "O segredo está no perdão" (Trata-se de um livro de auto-ajuda, a sua natureza é opinativa. Pode ser escrito por todo o cidadão que deseje partilhar visões, crenças, fé, visando o bem da sociedade, por meio do convencimento, sem precisar do rigor de comprovar nada. Inclina-se para o campo das reflexões avulsas, da sabedoria popular. Obra motivacional ou de auto-ajuda. Linguagem não literária)

5- "Raízes Cantam"; "Discurso secreto dos pássaros"; "Sagrada Esperança"; (Trata-se de uma OBRA LITERÁRIA. Geralmente o título põe o leitor a se perguntar sobre que mensagem se quer passar. Há também, é verdade, casos de títulos simples como "Mayombe", "O Ministro", "A Tábua". É escrito por um escritor, alguém que usa a imaginação e a criatividade para recriar o mundo pela singularidade do seu olhar. Ficção. A sua natureza é artística, pertence ao campo das belas artes e não tem compromisso com a verdade objectiva. Subjectividade. Obra literária. Linguagem literária).

6- "Vamos orar?"; "A prática diária do cristão"; "O muçulmano e a política" (Trata-se de um livro/obra DOUTRINÁRIO/A. Pode ser escrito por todo o cidadão que se sinta alimentado na fé para conquistar almas para o Deus em que acredita. Não é obra literária nem manual nem relatório. Linguagem não literária).

Vamos ao debate. Ainda era só isso. Obrigado

Gociante Patissa | Aeroporto da Catumbela, 10.02.2019
(Imagem de autor não identificado)
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Das boas notícias | Arany Santana foi reconduzida na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia


Chega-nos de Salvador, Bahia, Brasil, a confirmação da recondução por parte do Governador da titular da Secretaria de Cultura do Estado, a nossa irmã Arany Santana, uma carismática militante pela causa dos afrodescendentes. Tive a honra de ser recebida por ela em audiência em Agosto de 2018 por ocasião da minha presença na 2.ª FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), organizada pela Casa Museu de Jorge Amado, a convite/patrocínio da Fundação Pedro Calmon, dirigida pelo não menos carismático homem de cultura Zulu Araújo, com um toque de diplomacia cultural que toca o Centro Cultural Casa de Angola na Bahia, organismo angolano encabeçado pelo artista plástico e curador Benjamim Sabby, saudação que estendo ao diplomata, docente e escritor Adriano Mixinge.

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«No encontro de boas-vindas, o escritor Gociante Patisa ofereceu à Secretária de Cultura do Estado da Bahia um exemplar do seu primeiro livro de contos, “A Última Ouvinte”, editado pela União dos Escritores Angolanos em 2010, um exemplar da antologia “Angola 40 Anos – 40 Autores – 40 Contos”, publicada pela Mayamba no ano de 2015 para comemorar o 40.º aniversário da Independência nacional, bem como um exemplar do Jornal de Angola, diário oficial, edição de 7 de Agosto, que estampa na última página a notícia do evento que o fez deslocar à Bahia. Em retribuição, Arany Santana, proeminente activista da resistência do movimento negro, ofereceu um considerável acervo bibliográfico sobre estudos da memória oral e etnográfica de alguns segmentos excluídos.»

(foto captada com o contributo prestimoso de Nana Carvalho)
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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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