sexta-feira, 13 de abril de 2018

Diário | Ou será que estamos a falar chinês?

"Boa tarde, tio Coordenador do Bairro. Vim fazer queixa! Para não falarem só que fui directamente nas autoridades, né?... É assim, se discutimos com a minha irreval. Ela me ofendeu muito, que na qual até despiu as minha família com a boca dela."
"Ok, Ok, Ok. Mas assim, resumindo, assim, né?, mais ou menos em poucas palavras, qual é mesmo o problema?"
"Se discutimos com a minha irreval..."
"Neste caso DISCUTIRAM, não se discutiram. Também não se diz irreval. É RIVAL. Irreval não existe..."
"Mas a minha prima tem... Como assim, irreval não existe?! Então uma mulher que anda com o teu homem é quê, madre Teresa de Calcutá?!"
"Tem mesmo irreval a sua prima? A senhora tem a certeza disso?"
"Sim. Uma burra só aí... Mas assim então essa dúvida mais saiu de onde, oh senhor Coordenador do Bairro? Será que agora mesmo se você e eu vamos ir na tua casa, a tua mulher também vai dizer que nunca ouviu falar de irreval? Estás só a se fingir porquê, ó camarada Coordenador?! Ou afinal estamos a falar chinês?"
"Tem é rival. R-I-V-A-L. Irreval está errado..."
"Mas irreval é no nosso português angolano, está certo. Não sou obrigada a falar como os brancos lá de Portugal ou do Brasil, cada povo com o seu sentimento..."
"O problema é esse. Seja qual for o sentimento, irreval mesmo está errado. Mesmo esse português de 'que na qual', também não existe..."
"Mas a minha prima de Luanda, ainda na semana passada se discutiram com a irreval dela, e a polícia resolveu. Só aqui na coordenação é que afiançam as irrevais? O chefe parece é mulherengo, que na qual está só a me complicar pra me entrar na mente, né?"
"Minha senhora, olha o respeito..."
"Ó senhor Coordenador, se eu arrebentar aquela gaja com umas cabeçadas, você e esse teu português de se estranhar é que vão assumir, ya? Estás a me confundir, né? Tipo já, essa gaja, como é do bairro, rua está cheia de lama de chuva, enfim, lhe dou de nada, né? Achas que não estudei ou o quê?! Sempre tirei de quinze para cima em português, Ok?"
"Mas a senhora assim vai aonde, se ainda não concluí a... o coiso, digo o registo da ocorrência que vai determinar se chamo o patrulheiro da polícia ou não?"
"Vou-te esperar? Vou na polícia e lá trato directamente com o dono do cão. Uma gaja ainda fica aí a perder tempo, ah porque irreval não existe? Miux..."
https://angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 13.04.2018
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Citação

"Nada pior do que um homem cujos amigos pensam e decidem por ele." (Jandira Zanchi, escritora brasileira. in FB, 11/4)
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terça-feira, 10 de abril de 2018

Uma resenha de babar! REVISTA SUBJECTIVA, DO BRASIL, ALCANÇA ÂNGULOS PROFUNDOS NA OBRA "O HOMEM QUE PLANTAVA AVES"... QUE ATÉ SURPREENDEM O PRÓPRIO ESCRITOR


«O HOMEM QUE PLANTAVA AVES📚 . Autor: Gociante Patissa GÊNERO: Contos ANO: 2017 PÁGINAS: 184 | Pólen Bold 90gr

SINOPSE: Com um conjunto de 14 contos e uma fábula Gociante Patissa constrói suas histórias explorando um enredo criativo, único. Na história que dá nome a obra “O Homem que Plantava Aves” a ficção constrói-se sobre a história de um povo rural devoto a natureza. A narrativa de Patissa marca-se como uma escrita crítica, que pela construção de um humor fino destila suas críticas contra os paradigmas do homem. Ainda na história, este povo rural citado enrijeceu-se sobre a crença de que as pessoas portadoras de deficiência não podiam ter seus direitos igualados as das ditas pessoas sadias; a ficção do escritor irá se desenvolver no sentido de desconstruir a barreira de preconceitos levantados pela sociedade. Esta acidez singular de Patissa também se mostra na história “A Meia- Viagem do Senhor Serviço”, na qual a narração denuncia a hipocrisia inerente aos status sociais, através da elaboração do humor, com isto, astutamente o escritor marca seu ponto de vista trazendo ao final dos seus contos a comicidade dos desconexos preconceitos humanos, que quase sempre recaiam sobre a mesma população que os criou e sustentou. Com a característica de um escritor-parodista, Gociante Patissa cria suas histórias com uma escrita concisa e leve, porém estruturada pelas palavras de um homem que enxerga além da construção social, tão aceita, mas tão necessária de ser repensada . . . . #autordasemana #mediumbrasil #brasil #lovebooks #author #biblioteca #authors #bookstagram #booksphotography #livroseleitura #instablog #instalivro #bookaddict #bibliophile #amoler #reader #igs #bookworm #sinopse #autoresbrasileiros #bookstagram #poetry»

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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Crónica | Aprendendo com o “trisal”. Você já ouviu falar?


Quando a política, a cultura e a economia enjoam, resta pesquisar sobre o intrigante campo do sexo. E surpreendeu-me hoje – aqui confessando ignorância sobre tendências cada vez mais liberalizantes de usufruir a vida sexual – um vídeo que vi no youtube. Nele, um casal (de marido e mulher), na casa dos 28 anos de idade, que é proprietário do canal, aparece sentimentalmente destroçado pelo fim do que denominaram "trisal".

Para ajudar a compreender, já usando as palavras do casal, ela tem um marido mais um namorado dentro de casa, ele uma esposa e um namorado. Tão matemático assim. Vida a três. O "trisal" é completado por um jovem que é ao mesmo tempo namorado da esposa e do marido, tudo muito aberto e integrado. A este era dada a liberdade de levar a vida que quisesse fora, sublinhava a mulher, toda ela chorando cântaros, de coração partido.

O casal de youtubers, que já existia muito antes da entrada de um terceiro amor, gaba-se de ser bastante liberal nisso. A relação a três funcionava na lógica de orgia, o que em princípio seria coisa de dizer respeito só e apenas ao trio, até ao momento em que resolveram expor a sua intimidade nas redes sociais, qual diário de um "trisal" de sucesso, com o já conhecido expediente de pedir likes a cada vídeo para manter o canal.

Num episódio anterior, quando o casal vai ao laboratório de testagem de doenças sexualmente transmissíveis (todos os testes deram negativo), a médica pergunta como é que ela faz para se prevenir. A resposta não podia ser mais directa. Com o marido faz sem camisinha, já com o seu namorado faz questão de usar. Perante a perplexidade da médica, ela completa: porque eu tenho um marido e um namorado. Claro que ele, bissexual, disse o mesmo. A teoria do desapego parecia, todavia, fora da agenda.
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Opinião | Um serviço de tradução das autópsias em Benguela?

Imagens 1: OPaís; 2: fonte sob anonimato
Foi pouco depois das 23 horas de sábado (07/04) que caíram na minha caixa de correio quatro imagens de um mesmo conteúdo reportando algo à primeira vista aterrorizante, o boletim de verificação de óbito do sindicalista Armindo Cambelele.

Datada de 07 de Abril e lavrada a punho da médica legista Maria de Fátima João de Almeida, a lacónica narrativa das causas da morte do sindicalista eleva, ainda mais para um leigo, a nebulosidade, ao contrário do que se esperava, que é fazer luz sobre o dramático fim de uma vida, ocorrido na tarde de sexta-feira (06/04).

Foi mesmo suicídio? Eis a dúvida mais registada consoante a notícia se foi espalhando. Afinal, faltavam três dias para a realização da fracturante greve geral de professores, convocada pelo “combativo” Sinprof (sindicato de professores), do qual Cambelele foi representante na província de Benguela, apesar de reformado há já três anos. O corpo de Cambelele, 57 anos, natural da província do Uíge, conhecido pela intensidade no papel de interlocutor da classe por condições mais dignas, foi encontrado estatelado no seu apartamento na cidade de Benguela, segundo relatos, com uma corda à volta do pescoço.
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domingo, 8 de abril de 2018

Um dos 120 títulos com que a editora brasileira Penalux concorre ao Prémio Oceanos 2018 é O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, do angolano Gociante Patissa. O resultado dos 50 finalistas sai em Agosto. É sempre um incentivo, né? heheh



Nessa instigante coletânea de contos, Gociante Patissa transporta os leitores para os contornos de uma Angola imprevisível. Em catorze temas, o escritor angolano tricota os cordões que passam pelo registo da memória coletiva à recriação de uma guerra civil de três décadas, a qual o arrancou aos sete anos de sua terra natal, Monte Belo. Também encontram-se em sua escrita os desafios do pós-conflito e de cidadania na antiga colónia portuguesa situada na África austral. A província de Benguela e a região etnolinguística Umbundu são o cenário da generalidade dos contos. A alternância cidade–campo resulta numa tensão que ao mesmo tempo remete ao pedagógico e ao satírico, neste livro que poderá ser o mais cómico da lavoura literária de Patissa.

“Uma parte de mim ficou congelada no tempo, mas não me queixo. Ninguém me aponta o dedo. Não matei e não morri completamente.”

PS: Os outros angolanos concorrentes são José Eduardo Agualusa, com a obra «A sociedade dos sonhadores involuntários», por meio da editora Quetzal / Tusquets, ainda J.A.S. Lopito Feijóo K., com a obra «Imprescindível doutrina contra», pela editora Rosa de Porcelana e Job Sipitali, com a obra «Raízes cantam», que saiu em Portugal sob chancela da editora Perfil Criativo
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Poema inédito | CAMBELELE

(À memória de Armindo Cambelele, Responsável do Sinprof na província
de Benguela, sindicalista falecido a 06.04.2018)

Mais do que a corda feita
cobra partida,
aleija esse nó na garganta das
meias-respostas
laudatórias

Só os teus dentes
para desatar as pontas desse
nó na garganta

que esfria a paixão das
causas
tão tuas
ao mesmo tempo tão alheias

Amanhã
ou depois particularmente
há-de alcançar o sol ao poente
porque sem enigmas que o impeçam
talvez só nunca tão intenso
sem o impetuoso rubro da acácia

E na semente desta
noite sem horizonte
culpável noite
e extemporânea
indagam os corvos
tu mesmo ou os outros?

Gociante Patissa, Benguela, 8 Abril 2018 | http://angodebates.blogspot.com/
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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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