sábado, 18 de março de 2017
Divagações | UM DIREITO INALIENÁVEL
Sua excelência eu, como quem tem os impostos pagos, está à espera que o executivo mande com urgência uma grua - empilhadora também serve - para lhe levantar da cama. Viva a preguiça, um direito constitucional e (como dizem os juristas, já cheios de finuras no fato e gravata) inalienável. Ainda era so isso. Obrigado hahaha
www.angodebates.blogspot.comsexta-feira, 17 de março de 2017
Grande entrevista | PASSEI POR UMA VIDA CARICATA | Conheça a história de Job Sipitali, uma promessa distinta entre a jovem poesia angolana
Job Sipitali tem
uma história de vida digna de narrativa. Aos sete anos viu o pai, a mãe e um
irmão assassinados, durante a guerra civil, no município do Cubal, sua terra
natal. Aos 22 anos, troca o interior pelo litoral da província de Benguela, atrás
da vocação para o sacerdócio. Concluído o ensino médio, descobre que afinal ser
padre não era bem o que queria para si no futuro. Abandona o Seminário para
frequentar o curso universitário de linguística/português, mas os caminhos
retornariam à Casa dos Rapazes: agora contribui dando aulas de literatura
africana de expressão portuguesa e a cadeira de latim. Sereno, tímido, franzino
e com uma articulação influenciada pelo umbundu, sua língua materna, Job Sipitali
traz uma poesia concisa, proverbial e penetrante, enfim um material esteticamente
pronto para saltar da gaveta para as páginas de um livro. O Blog Angodebates
conversou com aquele que já foi membro do Movimento Lev’Arte e que há dois anos
co-fundou a Associação Literária e Cultural de
Angola (ALCA).quarta-feira, 15 de março de 2017
Citação
“Na base de toda a forma de cultura está a
linguagem como sistema de símbolos verbais indispensáveis à comunicação entre
os homens” (Alberto Manuel Machado, in «A Palavra e a Diferença», 1986, pág.
160. Porto Editora. Portugal)
terça-feira, 14 de março de 2017
Entrevista | Gociante Patissa: Em Angola línguas nacionais tem um "status" secundário | Áudio | Acaba de sair a SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA QUE CONCEDI À RÁDIO VOZ DA ALEMANHA DURANTE A PRESENÇA NA FEIRA DO LIVRO DE FRANKFURT, ao microfone da repórter Nadia Issufo

Política
linguística deve ser revista para dar um estatuto as outras línguas nacionais,
reivindica escritor e linguista Gociante Patissa. Para ele, promoveu-se o
português e descurou-se das outras, promovendo a exclusão. E
o seu primeiro prémio, enquanto escritor, deveu-se ao empenho na divulgação do
Umbundo, sua língua materna. A DW África conversou com o escritor angolano
sobre a política linguistíca em Angola.
DW
África: É linguista e o seu primeiro prémio deveu-se ao seu empenho na
divulgação do Umbundo. Alia sempre a sua formação às suas obras?
![]() |
| Alguns livros de Gociante Patissa |
Gociante
Patissa (GP): É inevitável por um lado. Por outro lado, sou um ser
insatisfeito em relação à questão da política linguística em Angola. Penso que
criamos um monstro chamado língua portuguesa e descuramos do resto. E às vezes
compreendo, penso que houve uma necessidade ao longo dessas décadas de
conseguir um equilíbrio enquanto nação, fazendo desse conjunto de nações uma
só, já que por detrás da língua há outros fatores. Mas é altura de repensarmos,
há pessoas que vão nascer, crescer e morrer sem lhes fazer falta a língua
portuguesa. Então, uso as técnicas científicas para ao meu nível promover a
minha língua, o que é difícil porque temos ainda o problema da dualidade de
grafias. Não entendo porque uma língua tem de ter duas grafias diferentes,
vamos falar da colonização e da igreja, mas as línguas são anteriores a
colonização e a igreja. O católico e o protestante falam a mesma coisa, mas
quando chega a hora de codificar codificam diferente. Isso depois tem como
consequência o desencorajamento da produção em línguas nacionais, como é que
vão ler?
DW África: Ainda
sobre a política linguística em Angola, no que se refere a promoção das outras
línguas nacionais o que gostaria de ver melhorado?
GP: Muita
coisa, primeiro é a questão da política do Estado e o Estado tem de
assumir isso, mais do que tem feito até agora. Sei que há um estudo de
harmonização. Em 2012 fui entrevistado por uma jornalista inglesa e soube
através dela que tinha sido encomendado um estudo a um académico africano para
a harmonização ortográfica das línguas de matriz Bantu. Até hoje, volvidos 20
anos, não se sabe pelo menos o ponto de situação. Depois é a maneira como se
olha [para elas], o status secundário
é atribuído as línguas nacionais. O jornalismo, por exemplo, é feito em língua
portuguesa, mas quando se fala em jornalismo em línguas nacionais na verdade
não é jornalismo, é tradução a quente do texto em português e as deturpações
que disso advém. Portanto, é preciso dar as línguas os estatutos que elas
merecem. Tem de se fazer muita coisa, estou a reclamar do Estado porque ele é o
decisor e quem superintende ao nível macro as políticas. Mas depois há também
há questão do cidadão, por exemplo, na rua, eu falo muito bem o umbundo melhor
até que o português, se eu saudar uma varredora de rua [em umbundo] ela me vai
automaticamente responder em português, porque ela interpreta que lhe estou a
desqualificar. Naturalmente há algumas províncias que dão algumas expetativas,
eu gosto de ir ao Huambo, lá há menos complexos do que há em Benguela e em
outras províncias, mas ainda assim não satisfaz. É preciso dar um suporte a
isso. Por dia a televisão tem cerca de meia hora de noticiário em umbundo, o
que é meia hora? É nada.
DW África: No
seu percurso houve também uma passagem pela rádio, aliás, o que também
transportou para a sua escrita. Gosta da forma como se faz rádio em Angola?
GP: Não,
não gosto porque tenho estado a ler muito e leio um autor cubano que se chama
Ignácio Virgil?? que diz que a rádio deve transmitir a vivência da comunidade.
E atualmente penso que o conceito de rádio é um pouco elitista e de exclusão,
faz-se muito o trabalho de estúdio, fala o artista, fala o empresário, fala o
comerciante, fala o governante e às vezes fala o académico, [mas] o cidadão
comum não fala para a rádio, a não ser que tenha saldo para o telefone ou que tenha
cometido um crime e queira prestar contas a sociedade. Eu gostaria de ter uma
rádio mais virada para a integração, para a promoção cultural, uma rádio onde a
pauta informativa não relegasse para o fim do noticiário, por exemplo um evento
cultural. Temos rádios especializadas no desporto, poderíamos pensar em rádios
especializadas na cultura. Já há um jornal, infelizmente é quinzenal e tem uma
circulação bastante complexa e limitada. Gostaria de uma rádio, mas não banal,
que saiba ser o rosto da comunidade.
DW África: Há
no seu país uma restrição considerável no que diz respeito a abertura de
rádios. Com vê isso no contexto do acesso a informação e da liberdade de
imprensa?
GP: Deixei
de fazer jornalismo há alguns anos, então não estou tão inteirado sob o ponto
de vista dos "dossiers" do assunto e é um pouco arriscado tecer
comentários mais profundos quando a gente não está tão familiarizada com os
assuntos mais recentes da área.
segunda-feira, 13 de março de 2017
Denúncia | Tentativa de phishing (roubo) de dados bancários
Acabei
de receber deste endereço geral@bancobic.pt um e-mail que confira mais uma das
habituais correspondências fraudulentas que visam recolher dados bancários.
Tão simples de dar conta porque nunca sua excelência eu abriu conta no banco
BIC, pelo que não haveria o que activar ou deixar de desactivar. Creio que a
cair na armadilha, a pessoa cede as credenciais e um qualquer hacker esfrega as
mãos de contente. Todo o cuidado é pouco.
"Exmo.
Sr(a),
Informamos V. Exa. que seu utilizador foi temporariamente bloqueado.
Para continuar utilizando os servicos BancoBIC Net, por favor efectue seu desbloqueio agora.
Aceda em seu utilizador normalmente em "Desbloquear Utilizador".
Desbloquear Utilizador
Caso não efectue o processo de desbloqueio, o acesso à sua Conta de Depósitos à Ordem e Depósitos a Prazo sera cancelado permanentemente, e será cobrado uma taxa para recuperação de seu utilizador e password.
Os nossos melhores cumprimentos,
Informamos V. Exa. que seu utilizador foi temporariamente bloqueado.
Para continuar utilizando os servicos BancoBIC Net, por favor efectue seu desbloqueio agora.
Aceda em seu utilizador normalmente em "Desbloquear Utilizador".
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Os nossos melhores cumprimentos,
Equipe de
Segurança Banco BIC.
2017 Banco BIC Português. Todos os direitos reservados.
Protocolo nº 2017-140209. Email enviado por Banco BIC."
2017 Banco BIC Português. Todos os direitos reservados.
Protocolo nº 2017-140209. Email enviado por Banco BIC."
Divagações | A lê-lo pela segunda vez
Há um rapaz, uma voz do Cubal roncando em
gavetas. Precisa de ser descoberto, e publicado. Um poeta conciso, proverbial,
profundo. Job
Sipitali Sipitali. Já o disse em privado e o faço aqui: tenho
aquela inveja positiva de não ter tido o nível de maturidade estética dele
quando comecei. Ainda era só isso. Obrigado.
Citação
“Vamos rir pois. O riso é uma filosofia. Muitas
vezes o riso é uma salvação. E em política constitucional, pelo menos, o riso é
uma opinião” (Eça de Queiroz. In «A Palavra e a Diferença», 1986, pág. 174.
Porto Editora. Portugal)
www.angodebates.blogspot.comO contraponto de Armindo Laureano
"Tomás Gavino Coelho, obrigado por me identificar e fazer chegar a informação . Obviamente que não me cabe estar a fazer aqui avaliações sobre o trabalho do jornalista Agostinho Gayeta para a VOA. Agradeço sim o facto de o jornalista e a VOA acompanharem o meu trabalho e reconhecerem em mim qualidades e competências para fazer parte deste trabalho.Sei que se tratam de uma série de entrevistas sobre o assunto ( outras virão ) e irão terminar com um workshop sobre o assunto . Quanto a opinião do Gociante Patissa ( pessoa que bem conheço e respeito o trabalho que vem desenvolvendo ) , é uma opinião que respeito embora não concorde . Mas respeito o direito que tem em expressar a sua opinião sobre o assunto . Sugeria que contactasse o jornalista em causa( que já identifiquei ) para se informar mais sobre o trabalho . Quanto a Vivências Press que existe como editora desde dezembro de 2013 não tem apenas editado os livros de Armindo Laureano como cita no seu post. Faltou actualização na sua informação . Basta que me indique o seu e-mail e enviarei todos os trabalhos efectuados pela editora e de mais três trabalhos de autores angolanos que vamos lançar este ano . Estive recentemente em Luanda onde fui apresentar o livro " Autores e Escritores de Angola" de Tomás Lima Coelho, em que tive colaboração editorial e cuja edição para o mercado angolano é responsabilidade da Vivências Press. Um abraço caro amigo e colega ."
Divagações | Uma reportagem superficial
Numa reportagem de 19 minutos intitulada
"Escritores angolanos lamentam falta de apoios", a Voz da América
(só) ouviu duas vozes, designadamente Divaldo
Martins e Armindo Laureano. Nada
discutível o Divaldo, que além de três obras propriamente literárias, coordenou
pelo GRECIMA o projecto Ler Angola (o dos "discutíveis", pela
designação, 11 Clássicos); já me parece um tanto forçado ouvir o jornalista Armindo
Laureano, que se apresenta na
entrevista na condição de escritor e editor (pelo facto de ter publicado três
livros com auto-edição, sendo um áudio-livro de entrevistas biográficas
resultantes do programa radiofónico "Vivências" que conduzia e um de
crónicas, todos lançados nos últimos cinco anos, salvo erro). Numa sociedade
com a síndrome da perseguição, estou ciente do risco que se corre em opinar
fora do "diapasão", mas me parece ser um daqueles casos de preguiça
do repórter. Também tenho ciência do quão difícil é achar fontes
"amigas" do microfone, porém, julgo haver nomes com conhecimento um
pouco além dos "lugares comuns", quando o assunto é o sector do livro
e da literatura em Angola. Um Virgílio Coelho (Kilombelombe), Jacques Arlindo
(Chá de Caxinde), Arlindo Isabel (Mayamba), e por que não o Adriano Botelho de
Vasconcelos, alguém que fez um trabalho notável enquanto editor na União do
Escritores Angolanos? Fica a sensação de que talvez (ainda) fosse mais
assertivo descrever o talentoso Armindo Laureano (apenas) como jornalista e
apresentador de TV do que (já) escritor e editor. Ainda era só isso. Obrigado
Gociante
Patissa. Benguela 12.03.2017
domingo, 12 de março de 2017
Utilidade pública | Imogestin divulga critérios e condições para aquisição de moradias nos Projetos Habitacionais (centralidades) sob sua gestão

1. Quando
começam as vendas?
Início do
processo de venda das habitações dos PHE e número de habitações:
· 2ºTrimestre
de 2017 – Km 44 (1.984) e CAPIRI (3.504);
· 3º
Trimestre de 2017 – LUBANGO (7.910), LOBITO (3.000), PRAIA AMELIA (2.000);
· 3º
Trimestre de 2017 – LUHONGO (2.000), BAÍA FARTA (1.000), 5 de Abril (2.000);
· 3º
Trimestre de 2017 – ZANGO 0 (2.464) e ZANGO 8000 (8.000).
Nos
projectos de BENGUELA, NAMIBE e ZANGO 8.000 as vendas estão condicionadas ao
início e conclusão das infra estruturas externas, sob responsabilidade do
Ministério do Urbanismo e Habitação.
2. Quais
os critérios de acesso?
Critérios
de Acesso/Ilegibilidade:
·- Ter
nacionalidade angolana;
·- Ser
maior de idade;
·- Ser
trabalhador e proceder a descontos para a segurança social;
·- Não ter
antes comprado casa ao Estado, nem ter casa arrendada ao Estado.
3. Como
se candidatar?
Na
província de Luanda a candidatura será feita via internet. Deve
proceder a inscrição na plataforma que será disponibilizada e juntar os
documentos solicitados. Nas
outras Províncias a venda ao público livre, além da venda via internet, será
reservada uma parte das habitações para arrendamento directo por via de
inscrições em locais identificados, através da entrega de documentos.
Crónica | HABILITAÇÕES NECESSÁRIAS PARA SER MINISTRO (Eça de Queiroz, escritor português 1845 - 1900)
![]() |
| Foto de autor desconhecido |
Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente, possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder... O poder não sai de uns certos grupos como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são,
segundo a opinião e os dizeres de todos os outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do país!
Os outros, os que
não estão no poder, são, segundo sua própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País.
Mas,
coisa notável! — os cinco que estão no poder fazem
tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores
da fazenda e a ruína do país, durante o maior tempo possível! E os que não
estão no poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais
depressa que puderem — os verdadeiros liberais, e os interesses do país!
Até que enfim caem os cinco do poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da fazenda e ruína do país; entanto que os que caíram do poder se resignam, cheios de fel e de tédio — a vir a ser os verdadeiros liberais, e os interesses do país.
Até que enfim caem os cinco do poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da fazenda e ruína do país; entanto que os que caíram do poder se resignam, cheios de fel e de tédio — a vir a ser os verdadeiros liberais, e os interesses do país.
sábado, 11 de março de 2017
Citação
"Eu entrei aqui como ajudante. Depois os
meus chefes viram o meu desempenho e fui promovido para uma nova função: agora
sou auxiliar administrativo." (De um jovem hoje no Telejornal, via TPA,
hoje)













