domingo, 21 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Fumo sem fogo?... "Benguela: Ano lectivo paralisado se Reitor não se demitir"
Escaldaram-se os ânimos na única universidade pública da província de Benguela, menos de 24 horas após o término da visita de trabalho de 48 horas do secretário de Estado para o Ensino Superior, Adão do Nascimento.
Para os docentes e não docentes, a visita não acrescentou qualquer dado a tudo que já era sabido no capítulo das divergências, mas “serviu para provar as íntimas relações de amizade e familiaridade entre o secretário de Estado e o reitor”.
Musculadamente presentes em frente à reitoria da Universidade Katyavala Bwila, os descontentes aproveitaram a abertura do ano académico na faculdade de direito para, de forma ordeira, desdobrar-se em entrevistas a explicar as razões pelas quais se recusam a continuar a trabalhar com o sociólogo Paulo de Carvalho (na foto).
O docente José Januário assevera que o problema está no carácter do reitor. Segundo ele, podem ser usados discursos bonitos, mas a realidade está contra o projecto traçado pelo governo central para o ensino superior público no país se não forem acauteladas soluções imediatas. Nos próximos dias, refere, pode haver novas formas de luta que poderão passar pela paralisação das aulas se nada acontecer.
Na mesma linha de pensamento está o também professor universitário Avelino Henriques que não esconde alguma admiração pelo trabalho que o sociólogo tem realizado em prol das causas sociais do país. Igualmente aponta como problema, o carácter da pessoa e acredita que a instabilidade será ultrapassada com a remodelação urgente da liderança do corpo reitoral.
Para o mestre, há contradições nas declarações do sociólogo difíceis de entender. Questiona a propalada intenção em abrir o ensino superior público aos mais desfavorecidos, quando na realidade decide pelo aumento do preço dos emolumentos. “Só para citar, a inscrição para os trabalhos de fim de curso era dois mil kwanzas e subiu para quatro mil e as propinas do curso nocturno estavam em 10.800 e passou para 12 mil kwanzas.
É assim que quer defender os pobres?” Avelino Henriques diz não entender como é possível que cinco meses após ter chegado a Benguela, o reitor insiste em dizer que ainda não começou a trabalhar, se garantiu ter trazido na bagagem muito trabalho. Discorda do reitor quando este afirma ter encontrado em Benguela muitos fofoqueiros e garantir disponibilidade para combatê-los, quando alguns dos documentos que exara são com base no “ouvi dizer”, “chegou ao meu conhecimento”.
Avelino Henriques termina dizendo que isso “também é fofoca”. Na condição de licenciado, Inácio Marcelino, membro da equipa de investigação científica, explica que o clima interno tem sabor a limão.
Sobre a visita de Adão de Almeida é peremptório em afirmar que resultou num fiasco, quando era aguardado com alguma expectativa. “Se quiserem sustento o que digo, basta olharem para os cinco pontos que trazia de Luanda, como forma de amenizar o diferendo” e que resultam num proteccionismo sem precedentes ao actual reitor.
“Somos oriundos da Universidade Agostinho Neto, então porquê a revanche?, questiona. Inácio Marcelino pergunta como é possível que estando ainda numa fase em que Paulo de Carvalho dizia estar em diagnóstico, não terminado, já dizia haver baixa qualidade de ensino e que Benguela era terra das facilidades.
“Meus senhores, isso é um descrédito total ao trabalho feito ao longo dos anos e a todos nós formados nesta província”. Helena Damião, funcionária não docente, explica que desde a sua chegada a Benguela em Outubro, Paulo de Carvalho não tem consentido descanso a ninguém.
Argumenta que o seu consulado está a ser marcado pela falta de diálogo, não se coibindo de recorrer a faltas de respeito para impor os seus pontos de vista. Para ela, é importante que o secretário de estado que constatou in loco o real quadro, não minimize o que viu e ouviu.
Para os docentes e não docentes, a visita não acrescentou qualquer dado a tudo que já era sabido no capítulo das divergências, mas “serviu para provar as íntimas relações de amizade e familiaridade entre o secretário de Estado e o reitor”.
Musculadamente presentes em frente à reitoria da Universidade Katyavala Bwila, os descontentes aproveitaram a abertura do ano académico na faculdade de direito para, de forma ordeira, desdobrar-se em entrevistas a explicar as razões pelas quais se recusam a continuar a trabalhar com o sociólogo Paulo de Carvalho (na foto).
O docente José Januário assevera que o problema está no carácter do reitor. Segundo ele, podem ser usados discursos bonitos, mas a realidade está contra o projecto traçado pelo governo central para o ensino superior público no país se não forem acauteladas soluções imediatas. Nos próximos dias, refere, pode haver novas formas de luta que poderão passar pela paralisação das aulas se nada acontecer.
Na mesma linha de pensamento está o também professor universitário Avelino Henriques que não esconde alguma admiração pelo trabalho que o sociólogo tem realizado em prol das causas sociais do país. Igualmente aponta como problema, o carácter da pessoa e acredita que a instabilidade será ultrapassada com a remodelação urgente da liderança do corpo reitoral.
Para o mestre, há contradições nas declarações do sociólogo difíceis de entender. Questiona a propalada intenção em abrir o ensino superior público aos mais desfavorecidos, quando na realidade decide pelo aumento do preço dos emolumentos. “Só para citar, a inscrição para os trabalhos de fim de curso era dois mil kwanzas e subiu para quatro mil e as propinas do curso nocturno estavam em 10.800 e passou para 12 mil kwanzas.
É assim que quer defender os pobres?” Avelino Henriques diz não entender como é possível que cinco meses após ter chegado a Benguela, o reitor insiste em dizer que ainda não começou a trabalhar, se garantiu ter trazido na bagagem muito trabalho. Discorda do reitor quando este afirma ter encontrado em Benguela muitos fofoqueiros e garantir disponibilidade para combatê-los, quando alguns dos documentos que exara são com base no “ouvi dizer”, “chegou ao meu conhecimento”.
Avelino Henriques termina dizendo que isso “também é fofoca”. Na condição de licenciado, Inácio Marcelino, membro da equipa de investigação científica, explica que o clima interno tem sabor a limão.
Sobre a visita de Adão de Almeida é peremptório em afirmar que resultou num fiasco, quando era aguardado com alguma expectativa. “Se quiserem sustento o que digo, basta olharem para os cinco pontos que trazia de Luanda, como forma de amenizar o diferendo” e que resultam num proteccionismo sem precedentes ao actual reitor.
“Somos oriundos da Universidade Agostinho Neto, então porquê a revanche?, questiona. Inácio Marcelino pergunta como é possível que estando ainda numa fase em que Paulo de Carvalho dizia estar em diagnóstico, não terminado, já dizia haver baixa qualidade de ensino e que Benguela era terra das facilidades.
“Meus senhores, isso é um descrédito total ao trabalho feito ao longo dos anos e a todos nós formados nesta província”. Helena Damião, funcionária não docente, explica que desde a sua chegada a Benguela em Outubro, Paulo de Carvalho não tem consentido descanso a ninguém.
Argumenta que o seu consulado está a ser marcado pela falta de diálogo, não se coibindo de recorrer a faltas de respeito para impor os seus pontos de vista. Para ela, é importante que o secretário de estado que constatou in loco o real quadro, não minimize o que viu e ouviu.
19 Mar 2010 Fonte:Novo Jornal/Angonoticias
sexta-feira, 19 de março de 2010
Está para breve o lançamento... livro de contos inéditos
Apresentação
«Depois de se dar a conhecer por via de crónicas publicadas via Internet (diversos Blogs) e boletins informativos, o autor assume, assim, o desafio de exercitar a prosa no campo da ficção. Traz o presente manuscrito sete contos inéditos iniciados de forma geral em 2001, que vão desde a era colonial até ao fim do conflito armado. São estórias, ressalte-se, nas quais o leitor há-de notar uma constante “interferência” de terminologias e linguajar em Umbundu, predominante na região centro e sul de Angola, na medida em que boa parte da criação foi, literalmente, um exercício de invenção-tradução. Umas vezes porque é língua de berço do autor, outras porque se impunha ilustrar com originalidade o contexto [rural] e as personagens em causa. Excetuando referências muito irrelevantes, nenhum acontecimento narrado é real, sendo eventuais coincidências na relação entre o abordado e o nome das personagens meramente frutos da imaginação». (Pág. 13)
quarta-feira, 17 de março de 2010
Ainda sobre o acordo ortográfico... "Angola já não é nossa!"
Angola já não é nossa!
por VASCO GRAÇA MOURA (In Diário de Notícia)
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1520703&seccao=Vasco%20Graa%20Moura&tag=Opinio%20-%20Em%20Foco
É de há poucos dias a notícia de que Angola solicitou "um espaço de três anos para aderir ao Acordo Ortográfico da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, dada a necessidade da inclusão do seu vocabulário nacional no da comunidade", isto é, no vocabulário da língua que todos falamos. Sem contar a população do Brasil, somos mais de 50 milhões de seres humanos nas áreas mais afectadas por uma eventual aplicação do acordo…
Segundo um dos membros da delegação angolana à conferência da CPLP, o deputado Luís Reis Cuanga, Angola que, tal como Moçambique, ainda não ratificou o acordo, solicitou três anos "para que se possa implementar na totalidade este instrumento", pois entende "que deve haver reciprocidade na sua aplicação, defendendo que haja integração do vocabulário angolano no comum".
Para o referido parlamentar, deve haver uniformização na escrita, como ele teve ensejo de exemplificar, com a palavra "kwanza". A questão das flutuações da grafia de "kwanza" (que o dicionário da Texto Editora, pretensamente conforme ao Acordo Ortográfico, regista com nada menos de três formas, três!!!) já tinha sido um dos exemplos apresentados pelo Movimento contra o Acordo Ortográfico para pôr em evidência não apenas uma deficiência chocante, mas ainda que os negociadores do dito - e, depois deles, os responsáveis políticos portugueses e brasileiros que o assinaram com alvoroço indecoroso - se estiveram solenemente nas tintas para os países africanos de língua portuguesa.
Os negociadores universitários e políticos apenas tinham esperado que os representantes dos PALOP se prestassem a assinar de cruz. Para eles, as características do português falado nesses países não eram atendíveis. E era tal a pressa que não lhes proporcionaram a dignidade de uma possível contribuição material para a formulação de regras cientificamente aceitáveis, nem sequer a possibilidade de reivindicarem a existência de vocabulário dos seus países incorporado na língua comum que impusesse a necessidade de adopção dessas regras.
Foi uma escandalosa política da meia bola e força, tanto no plano científico, como no plano da tratação internacional. E agora o resultado está à vista: passaram 20 anos e nem Angola ratificou o acordo, nem considera que o tempo da sua aplicação tenha chegado, nem aceita que ela se possa fazer sem reciprocidade, e ainda menos aceita que não haja integração do vocabulário angolano no comum!
Para vergonha dos intervenientes oficiais portugueses e brasileiros, Angola veio afinal significar que não embarca em leviandades e que o Acordo Ortográfico precisa de ser revisto e renegociado antes de ser ratificado e de entrar em vigor.
Efectivamente, não pode agora ser determinada a maneira de grafar "kwanza" (ou muitas outras palavras) sem o correspondente consenso dos países subscritores quanto à regra a aplicar, o que envolve a necessidade de uma revisão e alteração do Acordo e se aplica mutatis mutandis às palavras oriundas de Moçambique, da Guiné-Bissau, de Cabo Verde, de S. Tomé e Príncipe e de Timor que tenham sido ou venham a ser incorporadas na língua portuguesa…
Com o Movimento contra o Acordo Ortográfico e as bases do respectivo manifesto, a sociedade civil portuguesa revelou-se muito mais lúcida do que as luminárias de uma geoestratégia que, em matéria de língua, propende manifestamente para a obscenidade balofa.
O Acordo Ortográfico não tem ponta por onde se lhe pegue. Não presta. Deveria ter ido já para o caixote do lixo das baboseiras desprezíveis e dos abastardamentos da língua.
Quem manda em Angola são os angolanos. É outra aberração neo-colonialista pretender-se que bastaria o segundo protocolo modificativo ser assinado por três países da CPLP para se tornar obrigatório para os restantes.
Os responsáveis angolanos têm por certo a consciência das implicações catastróficas que a todos os níveis decorreriam para a língua portuguesa de uma aplicação insensata do Acordo Ortográfico no seu país.
E vieram cá dizer com toda a clareza que Angola é deles! Já não é nossa e nunca foi nem é do Brasil, por muito que isso pese à meia dúzia de pataratas trôpegos que não tem mais nada que fazer e se arrasta há anos a palrar para impor o Acordo na CPLP!
terça-feira, 16 de março de 2010
(Só agora) Católicos desistem da utópica expansão nacional da Rádio Ecclesia. "CEAST aposta na abertura de rádios diocesanas"
«Dom José Manuel Imbamba disse que a aposta da CEAST neste momento é a abertura de rádios diocesanas, devido aos constrangimentos da extensão do sinal da Ecclésia ao interior. Numa entrevista concedida á Rádio Vaticano e Rádio Renascença, o bispo do Dundo, fundamentou esta posição como a medida mais justificável»
Comentário daqui: Como já referi em posts anteriores, eu integrei a turma de quatro repórteres-redactores-noticiaristas, seleccionados entre centenas de jovens à procura de oportunidade de bumbarem numa rádio, isso em 2004, ano em que se intensificava a preparação da abertura da Rádio Ecclesia em Benguela.
Justamente quando até os indicativos e os jingles de emissão estavam montados, soubemos da iminente impossiblidade de irmos ao aor naquele ano, o que não só veio acontecer, como se estendeu até hoje. Durante semanas, fez parte da nossa rotina uma espécie de ponto de situação, com explicações e leituras do dossiê jurídico por um padre do quadro directivo. De resto, uma longa história que tem a ver com o encerramento compulsivo da emissora católica e consequente apropriação do equipamento pela Rádio Nacional de Angola (RNA) , isso, na época do fim do colonialismo português.
A lei não permitia (permitirá algum dia?) a cobertura nacional para rádios privadas, monopólio da RNA. Nada mais legítimo como argumento para um governo que, pelo que a própria igreja católica dizia, via-se incomodado face à "aguçada" crítica social na linha editorial da 97.5 FM em Luanda. Mas lá insistia o "poder" católico na ideia de uniformizar a emissão com estúdios montados nas províncias do Cunene, Benguela, Huambo, Huila, e Kwanza-Sul. Ilusão somente, o resto foi ver o jardim transformar-se em capim, algumas janelas com vidros quebrados, enfim, com a evidente degradação do equipamento. Seguiram-se momentos críticos envolvendo o então ministro da Comunicação Social, Hendrik Vaal Neto, que chegou a classificar de "terrorismo de antena" o trabalho da Ecclesia, na altura com proeminentes vozes, tais como Mário Vaz, Benedito Joaquim, João Pinto, para só citar estes.
O que não entendíamos, nós jovens motivados a práticar as habilidades desenvolvidas nas sessões de capacitação off the record, era o seguinte: não seria mais inteligente da parte da igreja aceitar a abertura de rádios diocesanas (provinciais/locais), que era o que a lei permitia, para, muito mais tarde se possível, retomar o assunto da uniformização? É que, perante as acusações que a própria igreja fazia de falta de vontade política da parte de quem de direito, não se podia ignorar a máxima "as grandes vitórias sociais são um somatório de pequenas conquistas" em busca de uma meta distante. Embora entendível a subjacente vantagem de emissão nacional, no sentido de evitar muitos gastos com recursos humanos, era no entanto muito pouco provável que se conseguisse tal alteração na lei. Não sabemos o que achavam os doadores do projecto (falava-se em Trocaire), mas lá veio o tempo dar razão aos que pensavam como nós, "os leigos"...
Portanto, não foi surpresa nenhuma a notícia. Seis anos depois, a igreja entendeu esclarecer o óbvio. Não ignorando a possibilidade de haver outras nuances e confidências de parte a parte neste processo, vale contudo realçar que, no que à negociação diz respeito, ser flexível em certas circunstâncias é válida estratégia..
Aberto a pedradas...
Gociante Patissa, Benguela 17/03/2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Crónica: "Caloiros Universitários e o Salto Gigantesco Nacional"
São muitos, às centenas, e a sombra nem sempre acolhe todos. Outros tantos, eufóricos, continuam a chegar. Os organizadores, “veteranos”, aprimoram os últimos detalhes para receber os “quase” estudantes da Universidade Jean Piaget. O arsenal está preparado: baldes de água, farinha, enfim, à propositada sujeira, não há carecas ou penteados que se livrem.
No momento em que arranca a cerimónia oficial, continua o sol, com os dentes de fora, no entanto contornável, bastando franzir a testa. Justificava-se pelo momento. Confesso, não me revejo na “kunga”, mas estava ali, como fotógrafo do amigo Martinho Bangula, a captar o valor emotivo que aquela tarde representava para os que, finalmente, transpuseram a tão difícil barreira do acesso ao ensino universitário.
Qual arquipélago de salas de aulas, o recinto tem no centro um canteiro quadrado (de vegetação preguiçosa). Em cada canto, uma fila prostra-se diante do subgrupo de veteranos que “tratam” da cabeça do caloiro. A maioria é jovem, com todas as previsíveis vaidades, mas, num gesto desarmado, se sujeitam, um a um. Há também adultos, para lá de 45 anos. Alguns não podiam esperar mais pelo momento (curso) ideal, urge retomar os estudos, sacar o canudo… ou ficam ultrapassados pelas circunstâncias e pela concorrência.
Angola não dá muitas oportunidades mas costuma ser chata em exigir diploma à mão. O país por que choramos de agradáveis emoções e vitórias colectivas, volta e meia enfia-se em fato-macaco paradigmático importado da cor da ingratidão… No ensino médio por exemplo, é “crime” ser maior de 15 anos e querer estudar. Esse país não tem o direito de excluir quem, aos olhos míopes do contexto de desenvolvimento, queimou etapas… como se as condições lá sempre estivessem. Vomela wukuene kusikila mo ovilua (Umbundu = não se pode assobiar em boca alheia).
Cada ano é novo começo, uma corrida difícil que costuma deixar “atletas” pelo caminho. Como num matrimónio, nem sempre sobrevive a euforia inicial. A própria propina mensal (USD 250) costuma pesar no bolso de muitos conterrâneos. O transporte é outro handicap.
Quando em 2007 me fartei de estudar Linguística Inglês no ISCED (2º ano), optei pelo curso de Sociologia na UniPiaget, com a mesma euforia dos caloiros deste ano, ou um pouco mais até. Amo a sociologia, a seguir à comunicação social (que por estas paragens não há). Mas, sair do Lobito às seis da manhã, passar o dia a bumbar (Benguela), e pendurar-me na paragem à espera de boleia até quase meia-noite, acabou por ser uma rotina desconfortável. Certa noite, já todo o mundo tinha ido embora, só havia um colega e eu na paragem, ainda por cima de mochilas (era noite sem luar, numa altura em que estava em voga a delinquência juvenil)… a boleia que conseguimos foi uma camioneta que transportava caixas de tomate e cebola para Luanda, cujo motorista parecia estar embriagado, tal era a perigosa condução! A tudo isso, somava-se o risco de não concluirmos o curso dentro dos cinco anos curriculares, pois que os regulamentos (na altura) não previam repetição de provas (quando um trabalhador-estudante arrisca-se sempre a perder provas). Tive de voltar ao ISCED e continuar… um ano perdido, uma lição aprendida.
Apesar de eu ser mau exemplo, no contexto da UniPiaget, reconheço, desejo as maiores venturas aos estudantes e colectivos de trabalhadores! Viva Angola!
Gociante Patissa, 16 Março 2010
sábado, 13 de março de 2010
Convocatória para Membros da UEA
Convocam-se os Senhores Escritores da UEA, Instituição de utilidade pública, para a Assembleia Geral Ordinária a realizar na sua sede, no dia 24 de Março de 2010, quarta- feira, pelas 18 horas e trinta minutos, com a seguinte ordem de Trabalhos:
A) Deliberar sobre o Relatório e Contas de 2009 e apreciação do Quadro Demons- trativo dos ‹‹R&Cs›› de 2007 e 2008, consolidado.
B) Proceder à apreciação das ‹‹Estratégias Institucionais›› para o Triénio de 2010/2013 e respectivas Moções.
C) Homologação da data de realização do Pleito eleitoral que elegerá os membros dos órgãos sociais para o triénio 2010 a 2013, acto que deve ocorrer 15 dias depois da presente Assembleia-geral.
D) Diversos Só poderão assistir e tomar parte na Assembleia Geral os Escritores que tenham as cotas em dia e deverão fazê-lo cinco dias antes da respectiva reunião.
Os elementos e informações preparatórias da Assembleia Geral serão postos à dispo- sição dos Senhores Escritores, na sede da Instituição, durante os quinze dias anteriores à data desta Assembleia Geral Anual.
Luanda, 8 de Março de 2010 O Presidente da Mesa da Assembleia Geral em Exercício
Luanda, 8 de Março de 2010 O Presidente da Mesa da Assembleia Geral em Exercício
Roderick Nehone (fonte: Semanário Angolense)
sexta-feira, 12 de março de 2010
Um exemplo de profissional que se diverte trabalhando
Há muito que o Blog Angodebates cogitava essa homenagem àquele que é, talvez, o operador de câmara mais bem humorado que existe em Benguela. Chama-se Cardoso Muhongo, quadro da Televisão Pública de Angola e também finalista do Curso de Geografia no Instituto Superior de Ciências da Educação. O homem ajoelha, corre, sua o necessário, pena é que, em trabalho de equipa, os pivots sejam mais conhecidos do que os que ficam no backstage.
Força aí, compatriota e que tenhas muitos êxitos na vida!
Gociante Patissa, Praia Morena em Benguela, 12 Março 2009



















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