sábado, 22 de dezembro de 2018

[Oficina literária 43] O AMOR QUE EU AMO – poema de Manuel Mulula

O amor que eu amo, 
Nasce sempre d'um breve sorriso
E sobrevive d'um bom dia obeso. 

Não morre no tempo
Nem foge o vento. 

Sabe-me o sofrimento
Sabe-me o sentimento... 

O amor que eu amo, 
Esconde-me a idade, o bairro, a escola
Enfim, a vida em si. 

É um amor que amo
E não quero que me seja amante. 

Um amor que beijo sem o ter
E me tem sem me ver. 

É um amor do táxi, da escola, do trabalho
Um amor do Se... 

O amor que eu amo, 
É um amor que amo porque amo
E não precisa de me amar. 

Amo-te porque a mim 
Não me amo bastante. 

Amo-te por seres a polissemia 
Nas entrelinhas deste poema. 

Amo-te ainda mais 
porque não sei não te amar
Mesmo que soubesse, 
aprenderia a amar-te a cada instante. 
  
Manuel Mulula

SOBRE O AUTOR

Manuel Francisco Mulula nasceu na comuna de Luremo-Cuango, província da Lunda-Norte, Abril de 1992. Vive no Lobito, província de Benguela, desde os seus sete anos de idade. É estudante do 3° ano no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED-Benguela) da Universidade Katyavala Bwila, na especialidade de Ensino da Língua Portuguesa. 
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[Oficina literária 42] NUNCA PÁRA PARA SEMPRE – poema de Anjo N'silu

Segura a lágrima
Trava o ranho
Limpa o rabo
Cospe o vento
E vê o karma

Fui lá fora contar as ondas
Fui à praia cantar as notas
Essa poesia tem pés pesados
Nunca descalça, sempre de botas

A poesia é droga
Bebe, injecta, inala, fuma
Mas, por favor, solta a fumaça
Vai por mim, essa é da boa

Perguntam se tem segredo
Saber se tenho medo
Navalha não acobarda soldado

Perguntem só ao vento
Quantas ondas tem o mar
E deixem as águas em paz
Deixem a calema rolar


Anjo N'silu | Retratos

SOBRE O AUTOR

Filho de pai mukongo e mãe kamundongo, Anjo N’silu nasceu no município de Rangel, província de Luanda, se bem que o registo oficial mencione, como local de nascimento, o distrito de Ingombota. É um novo talento da literatura angolana, versado em poesia, prosa, crónica, conto, dramaturgia, abordando temas que traduzem a realidade sociocultural angolana e africana.
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[Oficina literária 41] FARDO MULHER – crónica de Madureira Kanambi


Pus-me a pensar nisso esses dias, essa coisa doida que é ser mulher.

Milhares  de padrões  que a torto e a direito somos todos os dias obrigadas a seguir, um monte de obrigações que, com ou sem vontade alguma, nos são impostas. Viva o feminismo!!!

Viva as mulheres conservadoras!!! Ah, porque mulher precisa de ser submissa, outros porque precisa de ser independente, outros ainda porque tem que ser protegida, mulher que é mulher tem que ser tradicional... Quando agradas os gregos, vêm os troianos sobre ti, a criticarem como se calçassem os meus sapatos; Assisto desde o meu sofá, em frente à TV, enquanto tomo o meu café, movimentos de defesa dos direitos das mulheres; Que mulher precisa disso? Nunca ouviram dizer que “a mão que carrega o berço é a mão que comanda o mundo”? Não precisamos de promoção alguma... não precisamos de ajudas, de esmolas e muito menos de súplicas. Nós temos o controlo; nós estamos no comando; o mundo move-se por nós. Não apenas somos a razão das lutas dos homens, como também a razão pela qual eles respiram, transpiram, vivem e morrem;

Parem de chorar e tomem o controlo! Voltem para os vossos postos e que comece o combate!

Você é forte linda e generosa, pare de se subestimar, vá e ocorra atrás dos seus sonhos. Não deixe que ninguém a limite, pois o limite para nós mulheres só existe quando não exploramos a nossa força.  Já parou para pensar no quão bela é você? Somos completas físicas e psicologicamente, nossos toques e retoques só revelam uma verdadeira obra-prima digna de artista plástico divino que não poupou esforço para fazer de nós uma versão bem mais completa que a original. Você é forte corajosa e mais valente do que aparenta, portanto não se cale e diga:

Que haja campanhas sim, mas para nossa redescoberta, para que as demais saibam e conheçam seus potenciais, para nos livrarmos das obrigações sociais absurdas, das tradições-cultos-crenças que nos inferiorizam ou humilham! Chega do chicote físico, do emocional ou de síndrome de impostora! Chega desse fardo que carrega a mulher... de cuidar dela, dos filhos, do homem e da sociedade e lhe é incumbida a responsabilidade de criar e educar as gerações futuras; chega de vocês ditarem as regras,  pois a gente agora vai fazer do nosso jeito.

Do jeito certo.

Madureira Kanambi

SOBRE O AUTOR
Madureira Kanambi, natural do Ukuma-Huambo, nascido em Janeiro de 1989, residente em Benguela; descobre o fantástico mundo da literatura em 2008 e por influência de amigos desenvolve o hábito e amor pela leitura. É Membro dos grémios juvenis "Leitores Compulsivos" e "Mais em Comum", onde tem desenvolvido actividades voluntárias no âmbito de educação Literária, Literacia com jovens e infantes e ainda em trabalhos sociais. 
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Sobre o I SIMPÓSIO (?) DE CRÍTICA LITERÁRIA, realizado pelo Literagris e a União dos Escritores Angolanos


Começamos com a definição do que é um SIMPÓSIO; do que é uma TERTÚLIA e do que é uma CONFERÊNCIA para, depois, tecermos outras palavras sobre o acto que ocorreu no pretérito sábado, oito de Dezembro de 2018, nas instalações da UEA.

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Comunicado | POSSIBILIDADE DE NOVA SESSÃO DE AUTÓGRAFOS DO LIVRO "O HOMEM QUE PLANTAVA AVES", DE GOCIANTE PATISSA


A Editora Acácias e o escritor angolano Gociante Patissa fizeram o duplo lançamento nas cidades de Benguela e Lobito nos dias 14 e 15 de Dezembro do livro de contos O HOMEM QUE PLANTAVA AVES. Até então, o livro só circulava no Brasil, onde saiu pela editora Penalux, situada em São Paulo. Mas tendo em conta as várias solicitações de pessoas que por qualquer motivo não estiveram connosco nem num nem outro lançamento, queremos manifestar o nosso agrado pela procura e nos colocarmos à disposição para se achar um denominador comum. Acontece, porém, que assegurar os autógrafos na escala de um leitor por vez não é muito prático. Assim, somos a sugerir como condição o seguinte: caso alguma pessoa singular ou colectiva consiga juntar pelo menos 100 interessados em obter o livro, a Editora Acácias, a família do escritor e os seus amigos/artistas estarão mobilizados para proporcionar mais um momento lúdico sublime, garantida que está ainda como bónus a cobertura fotográfica grátis com a qualidade já demonstrada. Até lá, recordamos que o livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, com 160 páginas, está disponível no quiosque do Movimento Shalom, recinto do mercado municipal de Benguela, ao preço de 2.500 kz. Ainda era só isso. Obrigado

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sábado, 15 de dezembro de 2018

Nota agradecimentos pela primeira etapa


Aconteceu na sexta-feira, 14.12.2018, na cidade de Benguela, a cerimónia de lançamento e sessão de autógrafos do livro de contos O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, do escritor angolano Gociante Patissa, sob o selo da Editora Acácias. Hoje, sábado (15.12.2018), a partir das 15h30, será a vez do Lobito, no salão nobre da Administração Municipal. No que ao dia de ontem se refere, Sua Excelência Eu vem agradecer a todos os que nos honraram com a sua presença, entre estes destacamos o músico rasta Agostinho Sanjambela e sua família, o grupo de teatro SeedBox, ALCA, os órgãos de comunicação social (Rádio Benguela, Voz da América, TPA, TV Zimbo, Jornal de Angola). 

A família do autor, amigos e colegas de escrita elevaram o espírito do encontro. Sabemos que muitos não puderam comparecer, afinal no mesmo dia e horário foi inaugurado, também no coração da cidade de Benguela, um luxuoso restaurante e sabemos como o livro não concorre enquanto atracção com um evento da dimensão empresarial e da "generosidade possessiva" que se pode imaginar de um ambiente de bar. Dizemos em Umbundu que "ocinimbu wateta konyohã oco cove" (devemos saber valorizar o pedaço que conseguires arrancar da cobra). De resto, quem não pôde adquirir no acto de lançamento em Benguela pode sempre obter o livro na feira patente no quiosque do Movimento Shalom, recinto do Mercado Municipal. É uma colectânea de contos, tem 160 páginas, Custa 2.500 Kz. Esperemos que o Lobito nos receba em grande. Antecipo por mim e pala família que nos dá suporte votos de Festas Felizes a todos e todas e a cada um. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa| www.angodebates.blogspot.com 
Foto 1: Cardoso Muhongo
Foto 2: Editora Acácias

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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Crónica | Um marido esperto e dois seguranças abelhudos


Falando da violência doméstica, um flagrante. Havia uma senhora e meia mais dois seguranças, duas metralhadoras também. Falavam ora umbundu, ora português. Na verdade, não falavam. Desabafava ela, ouviam os seguranças do banco. Uma da tarde, sol é sol, só suor, que hoje o dia foi de ar condicionado no máximo.

A mulher poisava a bacia de haveres vendáveis, entregue à fadiga de quem serpenteou as artérias da cidade com frutas nada apelativas à cabeça. Devia ter uns vinte e oito anos, que pareciam inflacionados numa escala de mais quinze, dada a condição indisfarçável da sua situação social. Padecia de gravidez. Menos mal, que isso tem cura. Pior do que isso era a pobreza entranhada na derme. Sim, já alguém o disse, a pobreza, ou miséria (a sua versão mais sofisticada), tem o poder de envelhecer as pessoas. Não no sentido saudável de agigantar o saber, lamentavelmente, mas um envelhecer na impotência e na fatalidade de nos auto-definirmos pertencentes à camada baixa.

Camada baixa é um irónico conceito de auto-exclusão, a partir do momento em que, inconscientemente, a pessoa aceita o status (tão negado no discurso) de cidadão de segunda. É o kupapata que, tentando ganhar o pão, leva com as investidas do polícia, o mesmo polícia que entretanto perde autoridade perante o menino-homem bonito que levanta a moto e faz acrobacias no recinto da escola primária.

Cidadão de segunda é qualquer um que entra na cela sem lhe passar pela cabeça que existe algo chamado advogado. Ao cidadão de segunda falta escolaridade consistente, trabalho bem remunerado, falta também a consciência de direitos, porque os deveres, estes, tem é de sobra. A fatalidade está em aceitar o círculo vicioso como legado, senão mesmo destino, e a mobilidade social de outrem como questão de sorte, uma sorte no entanto a milhas de alcance. Depois é perder o já pouco provento alimentando o poço sem fundo na teologia da prosperidade do charlatão pastor, que entra, feito broca, numa mente já habituada a só cumprir, nunca questionar.

Continuando. De cartão entre os dedos, prontos a sacar, as pessoas chegavam ao local público por sinal mas por alguns instantes feito de tertúlia íntima. Só que depois acabavam por se retirar, já desiludidas, os aparelhos não tinham dinheiro para ninguém. Dirija-se, mais é, ao próximo caixa (mais é já é o que a máquina não fala textualmente, mas deixa nas entrelinhas).

O meu marido é mesmo assim, aquilo não sei se tipo tem nojo de grávida ou o quê... - conta a mulher, para a expectativa abelhuda dos dois ouvintes armados por fora, ternos por dentro - Você fica mesmo ali deitada, filho alheio, ele já não é ele. A pessoa ainda no começo incomodava, mas tcha!... Agora sabes ele faz como? Ele como sabe mesmo já que não gosto quando o homem está bêbado andar a me segurar, agora ele, como é esperto, passa mesmo tooooodo o diaaaa na rua, já só chega em casa bem bêbado.

Gociante Patissa | Aeroporto Internacional da Catumbela, 11.12.2018 | www.angodebates.blogspot.com
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

[Oficina literária 40] A TEU CRITÉRIO – poema de Firmino Lamba


"Envolvida parte
envolvida
sobre o véu
o rosto da poesia 
pedaços por pedaços
resquícios
descalços
partem como que
distantemente
ao longe
poesiaste-me
a mim que
palavras soam Cacimbo"

SOBRE O AUTOR

Firmino Lamba, de nome completo Firmino Matias Lamba, nasceu aos 28 de Janeiro de 2000, na província de Luanda. Define-se como jovem estudante, rapper e candidato a escritor.

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A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

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