quinta-feira, 30 de março de 2017

É frontal a manhã

Já fui mais
Foto: Rubens da Cunha

atrás
escolhi
desencontros
e cansei


Estatelo-me
no canto
Maomé de costas com a montanha.
Invadem-me Outonos que já encontrei
músculos com preço e prazo
nada mais


Deixo-me derreter na força da noite
e quando acordo
é frontal a manhã
(não foi viagem)
confirmam meus lábios
despidos e secos.


Gociante Patissa in: Almas de Porcelana, pág. 58. 2016. Editora Penalux. São Paulo. Brasil
Share:

(áudio) Conversas de Benguela | Aspectos Urbanísticos, Culturais e Históricos a Propósito do Poema “Meu Amor Da Rua Onze” (Rádio Ecclesia)

A mesa redonda foi emitida em directo pela Rádio Ecclesia a partir de Benguela na manhã de 28.03.2017, moderada por Zé Manel a propósito do passamento físico de Esperança Lima Coelho “Panchita” (25.03.1928 – 25.03.2017), a musa de Aires de Almeida Santos (1922-1991) no poema “Meu Amor da Rua Onze”. O painel de convidados esteve constituído por Felisberto Amado (arquitecto), Isaac Sasoma (engenheiro ambiental), Joaquim Grilo (investigador) e Gociante Patissa (escritor)
Share:

segunda-feira, 27 de março de 2017

Arquivo áudio | GOCIANTE PATISSA ENTREVISTADO SOBRE AIRES DE ALMEIDA SANTOS (MP3 disponível para download)

O escritor Gociante Patissa concedeu uma entrevista à Rádio Benguela, a 12.02.15, que visou assinalar mais um aniversário de Aires de Almeida Santos (n. Bié, 1922-1992), escritor conhecido pelo poema “Meu Amor da Rua 11”, e antigo preso político na luta de anti-colonial. Este é o material bruto da conversa conduzida pelo radialista Miguel Pascoal, que levantou ainda o tema das relações afectivas na véspera de 14 de Fevereiro, o dia de São Valentim.
Share:

domingo, 26 de março de 2017

Homenagem | Panchita Coelho da Rua 11, musa até no jeito de partir

A coincidência de datas entre o nascimento e a morte de Esperança Lima Coelho Vilhena “Panchita” é de inspirar. Veio ao mundo há 89 anos num dia 25 de Março (fim-de-semana) e precisamente num dia 25 de Março, ontem portanto na cidade de Benguela, congelou o fôlego (de causas naturais). Imagina-se que tenha apanhado de surpresa familiares e mais próximos que preparavam o carinhoso bolo e a vela a apagar. Feliz aniversário, querida, dá lugar ao Adeus, paz à sua alma.

Há pessoas que marcam a história de emblemáticas cidades e se tornam figuras públicas pelo simples facto de existirem tal como são, inspiradoras. Uma dessas pessoas, falando de Benguela, é a beldade esperança Lima Coelho Vilhena “tia Panchita”, celebrizada pelo poema “Meu Amor da Rua Onze”, de Aires de Almeida Santos (Bié 1921 - Benguela 1992).

O poema, datado ainda da época colonial, quando ela morava na Rua 11 do Bairro Benfica, subúrbio, vigora aos dias de hoje, tão intemporal que a Banda Maravilha o musicou e por esta via vai dando corpo a versões e roupagem bwé.

“Meu Amor da Rua Onze” acabaria por constituir uma espécie de mistério, porquanto retrata um fulgurante romance reivindicado como facto consumado e desfeito por força-maior, o que no entanto a musa não viria a confirmar, repetindo em várias entrevistas que teriam sido ligados, musa e poeta, por nada mais do que uma relação de profunda amizade. Consta, como curiosidade adicional, que Aires teria (também de causas naturais) dado os últimos suspiros ao colo de Panchita. Não se conhecem, todavia, registos do poeta a dizer de sua justiça quanto haveria de verdade ou de pura ficção no poema. A este respeito, o que se pode, sem medo de errar, é afirmar que o poema cumpriu o seu papel enquanto obra de arte, o de perpetuar a inquietação na mente do leitor.

Para além de ser tia de um amigo e amiga de vários outros, nunca pessoalmente cheguei a um dedo de prosa com a “tia Panchita”. O único diálogo que tivemos ela e eu foi tácito, aquele olhar de anuência para a objectiva da minha máquina fotográfica, seguido de um já muito rouco “obrigada”, no passado dia 9 de Janeiro de 2017, quando concedeu o que julgo ter sido a sua última entrevista ao jornalista e escritor Kajim Ban-Gala. Antes disso, tinha ocasionalmente cruzado com ela pela cidade meia-dúzia de vezes, nos últimos tempos já acomodada em cadeira de rodas, rendida ao peso dos anos e da frágil saúde.

Foi-se um dos mais significativos (e raros) símbolos da literatura angolana. Nem tudo está perdido. Como li algures certa vez, "se um escritor se apaixona por ti, então tu jamais morrerás".
Gociante Patissa, 26.03.2017
 _________________________________
MEU AMOR DA RUA ONZE

Tantas juras nós trocámos,
Tantas promessas fizemos,  
Tantos beijos nos roubámos  
Tantos abraços nós demos.

Meu amor da Rua Onze,
Já não quero  
Mais mentir.  
Meu amor da Rua Onze,  
Meu amor da Rua Onze,  
Já não quero  
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor  
Que ainda sinto o calor  
Das juras que nós trocámos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar  
Que ainda pairam no ar  
As vezes promessas, que fizemos.

Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca  
Qu´inda me queimam a boca  
Os beijos que nos roubámos.
  
Tanta loucura e doidice  
Tinha o nosso amor desfeito  
Que ainda sinto no peito  
Os abraços que nós demos.

E agora
Tudo acabou
Terminou   
Nosso romance  

Quando te vejo passar  
Com o teu andar  
Senhoril,  
Sinto nascer  
E crescer  
Uma saudade infinita  
Do teu corpo gentil  
de escultura  
Cor de bronze  
Meu amor da Rua Onze.

(Aires de Almeida Santos)
Share:

quinta-feira, 23 de março de 2017

Crónica | O Soba é que disse

O Soba cá do bairro mandou um liga só. Logo hoje. Eu não mayei, liguei na hora para o vovô. Nunca se sabe se te cai uma fezada de ires à reforma em nome dele, andar a vida só em viagens e curtir, ou não é isso? Alô, paizinho Soba, ligou?Ele respondeu que ligou só através do coração, que queria mesmo era que eu fosse comprar saldo que era para ele ligar para mim, porque o assunto era muito sério para ser tratado pessoalmente. Que o melhor era mesmo falar pelo mobile. Eu disse paizinho, a chuva que te molha é a mesma que me molha. Já que o assunto é fonar, vamos gastar no meu, ainda, falando só mesmo em saldo, temos peito para tal. Ele disse, está bem já, pronto. Alô! Continuou o Soba do bairro. Estou na linha, excelência. Ó filho, estás mesmo a ver como a nossa vida está na lama da chuva, né? Não vês que até aparecemos no noticiário? Você fica já esperto, filho. Aqueles homens que lhes falam são jornalistas, quando estás a lhes ver estão a se acompanhar tipo é rato, uns com micro, outros com câmara, estão a te perguntar "afinal como é que foi?", assim você pensa que há alegria?... Nós então somos mais velhos, já vimos muito, pá! Até eu como teu mais velho não consigo sair para jantar na segunda mulher né? Estou a ver, papá. E aquele teu carrito tipo, altura tipo é cágado, é como? Ah, paizinho, é coisa leve, deixei o mambo na oficina a ver se lhe soldam boias de ar ou então asas. Estás maluco ou quê, filho?! Você não acha que com um cavalo tinhas a locomoção mais melhor? Ah, pois, mas não havia uma concessionária de cavalos, nem camelos, quando o dinheiro apareceu. Foste precipitado, filho! Mas pronto, agora é tarde. Viste ambulância passar aqui no bairro ou na rua hoje? Ainda não, paizinho Soba. Esquece. E kupapatas? Nem sombra. E energia? Tinha saído, nem sei responder. Ok, filho, prosseguiu o Soba. Já porque vocês são já os tais viciados das redes sociais, Facebook virou jardim para namorar, vou pedir um favor. É favor mas é ordem. Avisa só aqueles vossos amigos que cantam não sei se gospel ou quê - o nome me foge da boca, mas é parecido com cospe -, pois, lhes avisa mesmo bem. Que não me apareça um estúpido a me cantar, ah, porque "Faz chover, Faz chover! Abre as comportas do céu!" O povo não se vai responsabilizar, ouviste mesmo bem, né?! É tudo, paizinho Soba? Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa. Benguela, 23 Março 2017
Share:

terça-feira, 21 de março de 2017

Utilidade pública | ALMIR AGRIA EM CAMPANHA PELA AQUISIÇÃO DE GERADOR ELÉCTRICO PARA A MÃE DE SEBEM

A ouvir neste momento na Rádio MFM Luanda, programa "Só as Melhores", o lobitanga Almir Agria promovendo campanha para recolha de fundos e consequente aquisição de um gerador de electricidade para a casa da mãe do ku-durista Sebem. Nas palavras de Almir, Sebem atravessa sérios problemas e está há um ano sem assistência médica, período que corresponde à data em que a esposa deixou ficar em casa da progenitora o autor de "todos nós queremos a felicidade". Almir faz referência a uma conversa que terá mantido em directo com o apresentador Miguel Neto ontem. Chega a fazer um apelo incisivo. "Atenção, Rei Helder! Tu fizeste muito dinheiro à custa de Sebem, vamos lá também ajudar o homem agora que tanto precisa".
Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com 
Share:

Para alcance das metas na Jean Piaget de Benguela | NOVO DIRECTOR-GERAL RECUPERA “COLABORAÇÃO DE TODOS” COMO CHAVE

O recém-empossado Director-Geral do Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, Carlos Pacatolo, considerou ingente a função que lhe foi confiada por aquela unidade de ensino, onde irá superintender a vertente académica. Diz ter aceitado o desafio por acreditar que pode contar com a colaboração de todos, dos docentes, estudantes aos serviços de apoio, sendo esta a chave para o alcance das metas.

A tomada de posse teve lugar na segunda-feira, 20/03, durante a cerimónia oficial de abertura do ano académico 2017 e foi testemunhada pela comunidade piagetina, familiares, amigos e distintas entidades académicas e governamentais. Conferiu posse o Vice-Presidente da Associação Instituto Piaget de Angola (AIPA), Domingos Peterson. Pacatolo substitui no cargo o docente Bonifácio Tchimboto, que sai a seu pedido ao cabo de 12 anos para dar vida à coordenação científica do mesmo projecto universitário.
Share:

segunda-feira, 20 de março de 2017

O bom do Silivondela no teatro

Tive hoje, pela segunda vez, o grato prazer de ver em palco Alexandre Silivondela no papel de actor. Já se passaram pelo menos uns cinco anos desde que assisti no Cine Monumental a uma peça teatral do Twayovoka, na qual ele desempenhou o papel de feiticeiro. Embora se tratasse, no caso de hoje, de teatro de intervenção, tendo como tema a abertura oficial do ano académico no Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, o homem voltou a fazer as coisas com notável mestria. Silivondela tem o que um bom actor deve ter: expressão dramática, clareza na dicção, projecção da voz (sem gritar), cultura geral e... naturalidade. De abono vai ainda o humor inteligente, o que não é para todos. Mano, resumindo e concluindo, você é BOM, ya!... Ainda era só isso. Obrigado.
Share:

Jean Piaget Benguela homenageia Director-Geral cessante | ANO ACADÉMICO 2017 ABERTO OFICIALMENTE HOJE

A cerimónia de arranque oficial do ano académico 2017, no Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, realizada na manhã de segunda-feira (20/03), foi marcada pela homenagem ao Director-Geral cessante, padre Bonifácio Tchimboto, que deixa assim, a seu pedido, um cargo que desempenhou ao longo dos doze anos de existência da instituição. Para ocupar a vaga foi nomeado o doutorando Carlos Barnabé Upindi Pacatolo, também docente da instituição, até então coordenador do curso de economia.

O Director-Geral cessante foi alvo de um banho de elogios e manifestação de carinho, presentes em vários discursos e intervenções de colegas, associação de estudantes, assim como de gestores da Associação Instituto Piaget em Angola (AIPA). 
Share:

Divagações | NÃO HÁ VAGA PARA LEITURAS

Por favor, não peçam amizade via Facebook com a única intenção de me porem a ler (ou solicitar aprovação) o que se gostaria de publicar. A razão é simples: (1) não tenho autoridade académica de crítico literário; (2) as horas do dia estão cada vez mais curtas, estando difícil conciliar o emprego (numa área de actividade distante dos livros), a família com a obrigação individual de ler e escrever. Conselho: Aquele que escreve continue a escrever, e a ler principalmente, para aprimorar o fluxo criativo e o domínio da língua, que é a ferramenta de trabalho. Depois é arriscar em concursos e/ou submeter a editoras. Peço desculpas, sei que essa conversa já se torna chata, de tanto que a repito, mas diariamente entram mensagens neste sentido. Aproveitando para parafrasear um escritor renomado, a forma mais prática de dialogar com um escritor é lendo a sua obra. Portanto, amigos (novos e velhos), não tenho mesmo capacidade de resposta. Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com
Share:

Citação

"É perigoso ser-se sério muitas vezes neste país" (Bonifácio Tchimboto, docente universitário, Benguela, 20.03.2017)
www.angodebates.blogspot.com
Share:

A Voz do Olho Podcast, EP1, Temp 2

Gociante Patissa recita poema "Alugam-se velhos" na RTP África

A Voz do Olho Podcast

[áudio]: Académicos Gociante Patissa e Lubuatu discutem Literatura Oral na Rádio Cultura Angola 2022

Puxa Palavra com João Carrascoza e Gociante Patissa (escritores) Brasil e Angola

MAAN - Textualidades com o escritor angolano Gociante Patissa

Gociante Patissa improvisando "Tchiungue", de Joaquim Viola, clássico da língua umbundu

Escritor angolano GOCIANTE PATISSA entrevistado em língua UMBUNDU na TV estatal 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre AUTARQUIAS em língua Umbundu, TPA 2019

Escritor angolano Gociante Patissa sobre O VALOR DO PROVÉRBIO em língua Umbundu, TPA 2019

Lançamento Luanda O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, livro contos Gociante Patissa, Embaixada Portugal2019

Voz da América: Angola do oportunismo’’ e riqueza do campo retratadas em livro de contos

Lançamento em Benguela livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES de Gociante Patissa TPA 2018

Vídeo | escritor Gociante Patissa na 2ª FLIPELÓ 2018, Brasil. Entrevista pelo poeta Salgado Maranhão

Vídeo | Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa, 2015

Vídeo | Gociante Patissa fala Umbundu no final da entrevista à TV Zimbo programa Fair Play 2014

Vídeo | Entrevista no programa Hora Quente, TPA2, com o escritor Gociante Patissa

Vídeo | Lançamento do livro A ÚLTIMA OUVINTE,2010

Vídeo | Gociante Patissa entrevistado pela TPA sobre Consulado do Vazio, 2009

Com tecnologia do Blogger.

TV-ANGODEBATES (novidades 2022)

Categories

Tags

Publicações arquivadas